Empresas foram lentas na busca pela tecnologia


O fim das grandes livrarias americanas era uma tendência natural com o aumento da encomenda de livros pela internet e também da venda das versões virtuais para e-readers. O problema, segundo analistas, é que as gigantes do setor, especialmente a Borders, não se adaptaram para estes novos tempos e viram a Amazon dominar o mercado.

Muitos consumidores ainda veem os títulos dos livros que querem ler em filiais da Barnes&Noble e da Borders e, em vez de comprá-los, esperam para voltar para a casa, entrar no computador e encomendar pela internet uma versão impressa ou baixar diretamente em algum e-readers – os preços das versões virtuais costumam ser menores do que os dos livros impressos.

Em vez de criar a sua própria loja virtual quando o mercado começou a surgir há mais de uma década, a Borders, em 2002, decidiu terceirizar para a Amazon a área de encomendas, entrando no setor em 2008, quando já era tarde. O e-reader da Borders denominado Kobe não é conhecido de muitos leitores, que se referem ao aparelho como “kindle da Borders” – kindle é o nome do e-reader da Amazon.

Analistas acreditam que a Barnes&Noble pode ser favorecida no curto prazo pelo fechamento das filiais da Borders, que em muitos casos ficavam próximas uma das outras. Mas a empresa também permanece atrás no mercado e-readers, apesar de seu Nook ter mais mercado do que o Kobe. Nas lojas ainda aberta da empresa, o espaço dedicado à venda do aparelho tem ganho cada vez mais destaque.

Independentemente de sobreviver ou não, o mais provável é que a Barnes&Noble precise se transformar em “uma editora virtual”, segundo escreveu o especialista no mercado de tecnologia Michael Wolf. E, cada vez mais, atue como a Amazon na venda de livros.

Por Gustavo Chacra | O Estado de S.Paulo | 06 de março de 2011