Novidades na leitura digital


Confira as novidades na área de livros digitais na Cebit 2011, a Feira internacional de Tecnologia da Informação, Telecomunicações, Softwares e Serviços.

Até o segundo trimestre, a Asus deve lançar dois novos modelos de leitores digitais. Um deles é o Eee Reader DR-900. Ele tem uma tela grande se comparado ao Kindle, da Amazon: 9 polegadas, em preto e branco, que usa Sipix [semelhante à tecnologia e-Ink”]. O Kindle tradicional tem 6 polegadas, mas a versão DX chega a 9,7 polegadas. A vantagem é seu sistema de bateria ultra-longa: ele só gasta energia quando o usuário toca na tela e começa a ler. Em stand-by, o consumo é zero. Assim, dá para virar 10 mil páginas sem ter de recarregá-lo.

O outro modelo de Eee Reader da Asus é o EA-800. Além de facilitar a leitura eletrônica, é possível escrever e desenhar na sua tela, com uma caneta stylus. Ele tem tela de 8 polegadas. O e-reader possui ainda conexão Wi-Fi para navegação na internet.

A Hanvon deve lançar ainda o B516, e-reader que traz botões centrais e um segundo menu de botões na lateral.

A Hanvon tem uma linha extensa de e-readers, com três novos modelos saindo do forno no próximo trimestre. O da foto é o W800, que impressiona pela qualidade da tela. Além da leitura digital, é possível escrever [e selecionar menus] com uma caneta stylus. O e-reader tem conexão Wi-Fi.

Já o modelo Wise E-reader B630 vem com um teclado QWERTY para facilitar a digitação. Ele ainda pode ser programado para virar páginas automaticamente em um intervalo definido pelo usuário. Vem com tela de 6 polegads e tecnologia e-Ink.

UOL Tecnologia | Photos & Textos por Ana Ikeda | 05/03/2010

No iPad, 6,5 livros por usuário


Mais de 100 milhões de e-books foram baixados para o iPad desde seu lançamento, há nove meses. Como foram vendidas 15 milhões de unidades, a média é de 6,5 livros por usuário.

A informação é da Apple, a fabricante, que apresentou a nova geração do tablet na última quarta, nos EUA. A maioria foi baixada gratuitamente, estimam sites especializados.

POR JOSÉLIA AGUIAR | PAINEL DAS LETRAS | Folha de S.Paulo | 05 de março de 2011

Editora Unesp lança segunda leva de obras na rede


Quando pôs 44 obras inéditas em PDF para download gratuito na internet, em março passado, a Unesp não dimensionava a procura que teriam. Em um ano, a Coleção Propg Digital, com conteúdo da pós-graduação da universidade, já teve quase 92 mil downloads no site http://www.culturaacademica.com.br, além de 3.728 downloads de quatro desses títulos disponíveis no site da Saraiva. “Fizemos isso pela necessidade de publicar para qualificar a produção docente. Não esperava essa resposta“, diz Jézio Gutierre, editor executivo da Editora Unesp. Hits como Indexação de Livros, de Mariângela Spotti Fujita, com 12 mil downloads, saem em papel no 2º semestre. E, até o final deste mês, entra no ar a segunda leva, com 49 títulos em PDF e, em breve, também em ePub [formato padrão de e-books]. Entre os novos destaques, está Monteiro Lobato nas Páginas do Jornal, estudo de textos do autor no Estado, de Thiago Alves Valente.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 05 de março de 2011

E-book ameaça sobrevida de notas às margens


Bibliófilos se preocupam com o futuro incerto dos comentários de leitores na era digital

Trancado em um depósito climatizado na Biblioteca Newberry, em Chicago, um volume de “The Pen and the Book” [a pena e o livro] só pode ser estudado sob a vigilância de câmeras de segurança.

O livro trata de como lucrar com a publicação de livros; não pode ser qualificado de obra-prima. Mas é altamente valioso porque um leitor rabiscou observações nas margens de suas páginas.

O rabiscador foi Mark Twain [1835-1910], que escreveu a lápis nas margens observações como a de que “nada poderia ser mais estúpido” que usar publicidade para vender livros, como se fossem “artigos essenciais” tais quais “sal” ou “tabaco”.

Como muitos outros leitores, Twain estava criando marginália, ou seja, escrevendo comentários ao lado de trechos do livro e, ocasionalmente, criticando o autor.

Um passatempo literário interessante cujo futuro é incerto no mundo digital.

As pessoas sempre encontrarão maneiras de fazer anotações eletrônicas“, afirma G. Thomas Tanselle, professor de inglês da Universidade Columbia. “Mas há a questão de como elas serão preservadas.

É o tipo de questão discutida pelo Caxton Club, grupo literário fundado em 1895 por 15 bibliófilos de Chicago, que, com a Biblioteca Newberry, promove neste mês o simpósio “Os Livros de Outras Pessoas: as Cópias da Associação e as Histórias que Elas Contam”.

O encontro terá um novo volume de 52 ensaios sobre livros que já pertenceram a autores ou receberam anotações deles e promoverá reflexões sobre como esses exemplares incrementam a experiência da leitura. Os ensaios tratam de obras que conectam Lincoln, Alexander Pope, Jane Austen, Walt Whitman e Henry David Thoreau.

PRÁTICA MARGINAL

A marginália era algo muito mais comum no século 19.

Samuel Taylor Coleridge foi prolífico escritor de anotações nas margens de livros, como também o foram William Blake e Charles Darwin.

No século 20, a prática de escrever nas margens passou a ser vista quase como pichação: algo que pessoas educadas e respeitosas não fazem.

Paul F. Gehl, curador da biblioteca Newberry, culpa gerações de bibliotecários e professores por nos terem “imposto a ideia” de que escrever em livros “estraga ou danifica” os mesmos.

Heather Jackson, professora de inglês na Universidade de Toronto, diz que, cada vez mais, livros com anotações nas margens são vistos como tendo mais valor, não apenas por alguma possível conexão com um leitor famoso, mas pelo que revelam sobre a comunidade de pessoas ligada a uma obra.

Jackson, que fará uma palestra no simpósio, conta que o estudo da marginália revela um padrão de reações emocionais entre leitores comuns -algo que poderia passar despercebido.

Pode ser uma colegial revelando seus sentimentos ou namorados trocando ideias sobre o significado do livro.

ANOTAÇÕES

Para David Spadafora, presidente da Newberry, anotações nas margens enriquecem um livro, possibilitando a leitores inferir outros significados, e conferem contexto histórico a ele.

A revolução digital é uma boa coisa para o objeto físico”, diz. Quanto mais pessoas virem artefatos históricos sob forma eletrônica, mais “terão vontade de conhecer o objeto real.

POR DIRK JOHNSON | DO “NEW YORK TIMES”, EM CHICAGO | Tradução de CLARA ALLAIN | Publicado em Folha de S. Paulo | 05/03/2011