Alemão desenvolve formato de HQs próprio para internet


Um designer gráfico alemão lançou com êxito uma história em quadrinhos com formato próprio para a internet. Gratuita e disponível em quatro línguas, as HQs já foram lidas por mais de 370 mil pessoas.

Mais de 370 mil pessoas já leram a história em quadrinhos online.

Daniel Lieske, designer gráfico de 33 anos, é o criador de The Wormworld Saga [em tradução literal, “A saga do mundo dos vermes”], uma revista em quadrinhos de acesso gratuito, que está na internet há seis semanas.

Ela conta a história de Jonas, um menino órfão de mãe, que cresce no final dos anos 1970 na Alemanha. Em um verão, na casa de sua avó, ele atravessa um quadro de parede, entra em um mundo fantástico e vive grandes aventuras.

O original da história, no entanto, não é necessariamente a trama, mas sim a forma como Lieske conta a história. “Há uma série de quadrinhos na internet. Mas o especial de A saga do mundo dos vermes é o seu formato. Na maioria dos quadrinhos na internet o leitor tem que clicar para avançar de uma página para outra. Isso porque os quadrinhos se financiam por meio da publicidade, que deve ser visível a todo o momento e volta a aparecer em cada nova página“, explica Lieske.

No entanto, a maneira mais natural de contar e ler algo na internet é, segundo o artista, ir lendo de cima para abaixo, quer dizer, rolando a barra vertical do navegador. O quadrinho vai, então, se desenrolando praticamente como um pergaminho diante do usuário. Este foi o formato escolhido por Lieske para a sua “novela” gráfica.

O personagem Jonas não sabe, ainda, o que as férias escolares reservam para ele.

Financiamento do projeto

Até o momento, financio o projeto graças ao meu trabalho, em tempo integral, em uma companhia que desenvolve jogos de computador. Trabalhei durante todo um ano para fazer o primeiro capítulo, usando as minhas horas livres. Atualmente é um hobby, mas algum dia espero poder viver só desse trabalho. A grande repercussão que a história teve nas seis semanas que está online me faz pensar que isso pode acontecer em um futuro não muito distante“, disse o artista.

Já que ainda não pode viver da sua arte, Lieske está buscando maneiras de, pelo menos, recuperar o dinheiro investido. É dessa forma que, na página da história em quadrinhos, o leitor encontra um botão virtual pelo qual é possível realizar doações em dinheiro para o autor.

Além disso, há uma loja virtual onde é possível comprar desenhos de Lieske e, dentro de pouco tempo, será disponibilizado também um aplicativo para telefones celulares.

Saga global

Mesmo que Lieske não seja um designer tradicional de história em quadrinhos, ele tem bastante experiência no assunto. Desde criança ele já criava suas primeiras HQs, que eram vendidas no pátio de sua escola. Hoje ele segue trabalhando com o lápis na mão, porém utiliza um lápis digital e uma prancheta gráfica. O movimento das mãos e os traços são transmitidos diretamente para o computador.

O primeiro capítulo de A saga do mundo dos vermes pode ser lido em alemão, inglês, espanhol e russo. As distintas versões só são possíveis graças ao trabalho voluntário dos seus seguidores. Ele disse que a versão em espanhol foi traduzida em grande parte pela esposa, que é espanhola. Lieske tinha muito interesse que a obra tivesse uma tradução espanhola.

Em primeiro lugar, porque há muitos falantes de espanhol no mundo. Mas também porque, desta maneira, meus parentes na Espanha, Argentina e Chile podem ler a saga em seu próprio idioma”, disse. Segundo o autor, a versão espanhola está localizada, por isso, “em um lugar privilegiado na página, imediatamente após a inglesa e, inclusive, antes da versão em alemão“.

Grande alcance

Jonas chega à casa da avó, lugar que será palco de grandes aventuras

Daniel Lieske preferiu distribuir sua história gratuitamente na internet a publicá-la através de uma editora de HQs. Uma publicação tradicional impressa em papel teria alcançado, na melhor das hipóteses, cerca de 10.000 leitores. A versão online já foi lida, até o momento, por 370.000 usuários: um êxito muito grande com o qual o artista não contava.

Embora o gráfico se utilize de novas mídias e seu trabalho seja influenciado por jogos de computador, Lieske disse que sua principal fonte de inspiração é o cinema. Filmes como Indiana Jones, de George Lucas, e O Cristal Encantado, de Jim Henson, marcaram seu sentido estético e seu imaginário.

A saga do mundo dos vermes está concebida como uma trilogia e cada uma de suas partes contará com 15 capítulos. Enquanto tiver condições de se dedicar ao seu passatempo predileto, o autor prevê que poderá produzir quatro capítulos por ano. Isto significaria que, em uns 10 ou 15 anos, a saga estaria completa. Segundo Daniel Lieske, “um bom prognóstico”.

Deutsche Welle [Alemanha] | 12/02/2011 | Por Valeria Risi [fc] | Revisado por Carlos Albuquerque

Metamorfose para o livro digital 2.0


Infantis, arte e quadrinhos são as primeiras áreas em que as editoras nacionais investem de olho na expansão do público devotado aos tablets, o que já está mudando o perfil de produção das obras

Desde janeiro, editores e designers da paulistana Bei convivem com um corpo estranho para o ambiente de trabalho ao qual estavam habituados. A mais recente contratação da casa, especializada em títulos de arte, culinária e turismo, foi a de um cinegrafista, Marco Aslam. A existência na editora de um funcionário fixo responsável pela produção de vídeos, algo inimaginável anos atrás, reflete uma evolução do mercado que, com a chegada de tablets [computadores portáteis] como o iPad e o Galaxy, começa a ganhar força no Brasil.

Trata-se dos enhanced e-books [livros digitais aprimorados] ou, como preferem alguns editores por aqui, e-books 2.0, capazes de oferecer recursos interativos como áudio, vídeo, foto e animação. No limiar entre o livro e alguma coisa tecnológica demais para ser aceita como tal pelos mais tradicionais [na verdade, recebem o nome de aplicativos], essas publicações eletrônicas ganharam no segundo semestre do ano passado suas primeiras versões nacionais, por editoras como a Bei, a Saraiva e a Globo – a pioneira, com uma versão lite de A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, disponibilizada de graça desde agosto na loja da Apple. Vários outros projetos estão em andamento em casas como a Peirópolis, que prepara quadrinhos e obras infantis, e a Ediouro, que aposta nos recursos para obras de não ficção.

Assim como aconteceu com os e-books para Kindle e outros leitores eletrônicos do gênero, as editoras que começam a entrar nesse filão o fazem mais por precaução do que qualquer outra coisa. Não se espera nenhum fenômeno de vendas, mas o que não dá é para correr o risco de ficar para trás. O discurso, com variações mínimas entre editores, é resumido por Renata Borges, diretora da Peirópolis, que desenvolve quatro projetos de livros animados ou interativos: “Estamos trabalhando com um modelo de negócios que ninguém conhece ainda muito bem. Não tem retorno garantido, até porque nem os e-books só de texto têm números representativos no Brasil, mas é melhor estar preparado para o que vier.” O que pode vir desse formato será um dos temas centrais, por exemplo, da próxima Feira de Bologna [Itália], a mais importante do mundo na área de infantis e juvenis.

E não é um investimento baixo. Um dos projetos mais simples em desenvolvimento pelo Grupo Ediouro, a versão em aplicativo da biografia de Lobão, 50 Anos a Mil [que terá apenas áudio e vídeos além do texto digital], sairá por algo em torno de R$ 25 mil. Quando estiver pronto, em março ou abril, o livro para iPad custará entre R$ 25 e R$ 30, enquanto a versão impressa está sendo vendida a R$ 59,90. “A expectativa de retorno não é alta. O importante agora é oferecer um produto multiplataforma para mostrar o que a editora é capaz de fazer”, diz Alexandre Mathias, diretor-executivo da área de livros do grupo.

Os trabalhos são realizados pela Singular, braço digital da Ediouro, que atualmente centra esforços no aplicativo de 1822, de Laurentino Gomes. A versão para iPad incluirá o áudio de Pedro Bial [já gravado e à venda] e também ilustrações e mapas pelos quais o leitor poderá “percorrer” o caminho feito por d. Pedro I até anunciar a Independência do Brasil às margens do Ipiranga. “No aplicativo será possível, por exemplo, clicar numa pintura e ver em que museu a tela está disponível hoje“, explica Newton Neto, diretor da Singular. O modelo desse livro, cuja produção envolve o trabalho de 12 pessoas, incluindo produtor, diretor e roteirista, servirá de base para todos os próximos a serem lançados pelo grupo. A previsão é que até dezembro saiam dez títulos, com destaque para o novo de Luiz Eduardo Soares, autor do livro que inspirou o filme Tropa de Elite.

Editoras focadas em literatura adulta não têm pressa em ingressar nesse formato por uma razão simples – do que se viu até agora de lançamentos no exterior, o gênero é o que apresenta menos possibilidades de exploração multimídia. Pelas alternativa no uso de imagens em movimento, são os livros de arte, quadrinhos e infantis que lideram essa investida. A Bei, por exemplo, tem muito material arquivado de livros já publicados que poderá ser aproveitado nas edições para tablet. Entre seus próximos lançamentos para iPad estão Ricardo Legorreta – Sonhos Construídos e Oscar Niemeyer – Uma Arquitetura da Sedução, cuja produção para papel precisou deixar de lado material precioso: longas entrevistas em vídeo com os arquitetos. No entanto, a editora optou por um título inédito para entrar nesse mercado. Lançado em dezembro em papel e para iPad, Fernando de Noronha 3º50″S 32º24″W teve mil exemplares vendidos na versão impressa e 60 na loja da Apple. “O curioso é que, mesmo lançado só em português, o livro para iPad teve boa parte de suas vendas fora do País, já que é uma obra muito focada nas imagens“, diz Tomas Alvim, diretor editorial da Bei. Para ampliar o público, próximos títulos sairão também em inglês.

O idioma é só um dos entraves na dimensão das vendas para tablets. Renata Borges, da Peirópolis, destaca a dificuldade de criar para os diferentes tipos de plataformas. Por critérios de padronização, um livro criado para iPad não roda num Galaxy – os dois tablets têm inclusive tamanhos diferentes. As lojas nacionais de livros eletrônicos, como a Gato Sabido e a da Livraria Saraiva, também não suportam conteúdo animado. “Comercializar aplicativos é um plano, mas não a custo prazo“, informa a Saraiva aos interessados. Um problema e tanto para a Peirópolis, que, ainda neste mês, pretende lançar o aplicativo de Cresh!, de Caco Galhardo, e, em maio, Meu Tio Lobisomen, de Manu Maltez

Nesse universo ainda a explorar, editores têm mais uma razão para investir nos projetos multimídia: no meio deste ano, deve ser apresentado a versão 3.0 do ePub, o formato padrão dos e-books, o que permitirá livros multimídia até nos aparelhos que hoje só permitem a leitura de texto.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 12/02/2011

Crianças aprendem mais com o livro digital?


Itália: A Feira do Livro Infantil de Bolonha convida os seus visitantes para participar de um dia inteiro com palestras, oficina e mesa redonda sobre o livro digital para crianças. Com a presença de educadores e especialistas no assunto, o evento também vai mostrar “cases” de educação com o livro digital. As crianças aprendem mais e melhor com esta ferramenta? Esta será uma das perguntas respondidas no acontecimento. O investimento é de 99 Euros [estudantes], 199 Euros [para exibidores] e 299 Euros para visitantes. O encontro se realizará dia 27 de março das 9h até as 18h e o preço inclui o almoço, lanche e cafés. Mais informações, clique aqui.

CBL Informa | 11/02/2011

Bibliotecas começam a emprestar livros em e-readers


Para tomar mil livros emprestados de uma biblioteca, o leitor precisa de, no mínimo, uma van. E, claro, muita lábia para convencer o bibliotecário. Mas, em 15 bibliotecas públicas do país, já não há mais tantas complicações. Basta uma tabuleta digital e um cartão de memória. É o começo do projeto aprovado em dezembro pelo Ministério da Cultura para que as bibliotecas públicas comecem a disponibilizar livros digitais.

O serviço funciona de forma parecida nas 15 bibliotecas onde já há o sistema. Depois de se registrar, o usuário recebe um e-reader repleto de livros eletrônicos e pode ficar com ele entre 15 e 45 dias. O ministério investiu 130 mil euros nas 15 bibliotecas para, entre outras coisas, a compra de 750 e-readers. Rogelio Blanco, diretor-geral da divisão de livros e arquivos do ministério, explicou que a pasta pretende expandir o serviço para todas as 54 bibliotecas públicas em um ano.

O número de e-readers e livros digitais no catálogo varia de acordo com a biblioteca. A de Cantabria começou a oferecer o serviço em 3 de janeiro com 41 e-readers, 184 livros eletrônicos carregados nos cartões e “um sucesso que não esperávamos”, diz a diretora Loreta Rodríguez.

Na biblioteca de Huelva, no entanto, o empréstimo eletrônico terá início em 21 de fevereiro, coincidindo com o seu décimo aniversário.

– Haverá 37 e-readers e 1.084 títulos – afirmou o diretor Antonio Gómez.

Até o final de fevereiro, 15 outras bibliotecas ganharão e-readers. Ainda não há um estudo oficial sobre a resposta do público, mas as bibliotecas consultadas afirmam que está sendo muito positiva Um passo à frente, ainda que pequeno
“O Retrato de Dorian Gray”, “Don Quixote” e “A Ilíada”. O que falta, acima de tudo, é oferecer livros mais recentes. Questões de direitos autorais e a falta de um acordo com os distribuidores indicam, por enquanto, que isso vai demorar. Por enquanto, o catálogo de livros digitais é formado quase exclusivamente por obras clássicas, livres de direitos autorais.

– É uma maneira de preservá-los [os clássicos] para as gerações futuras – disse o americanos Peter Brantley, líder de um movimento que promove em todo o mundo o empréstimo de livros digitais.

El País | 10/02/2011

Portal de arte e literatura cadastra 3 mil obras por mês


Um dos sites educacionais mais procurados na internet no Brasil, o portal Domínio Público, do Ministério da Educação, aumenta mensalmente seu acervo digital em cerca de 3 mil obras, desde agosto de 2010. Em janeiro deste ano foram cadastradas 3.471 obras. O número considerável de novas mídias resulta da parceria com outros ministérios e bibliotecas nacionais. Existem hoje 187.533 obras cadastradas em formato de textos, imagens, sons e vídeos.

A intenção é de que o Domínio Público deixe de ser apenas um portal do Ministério da Educação, para ser um portal de conteúdo de todo o governo federal”, diz José Guilherme Ribeiro, diretor de infraestrutura em tecnologia educacional do MEC. O Domínio Público foi criado em 2004, com acervo inicial de 500 obras, para promover o acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas.

No período de férias escolares, o portal recebe 500 mil visitas e dobra a quantidade de acessos durante o período letivo. “O MEC quebrou um paradigma ao começar a oferecer material de qualidade gratuitamente, sejam filmes, partituras, obras literárias ou animações”, ressalta.

De todo esse material, os mais procurados são os textos, que já tiveram quase 24 milhões de downloads. A Divina Comédia, de Dante Alighieri, poemas de Fernando Pessoa e clássicos de William Shakespeare e Machado de Assis estão entre os mais acessados. Entre as 11.906 imagens que constam no acervo, as famosas pinturas de Leonardo da Vinci, como a Adoração dos Magos, A Última Ceia e La Gioconda lideram a lista das mais procuradas.

Uma nova versão do portal entra no ar ainda neste semestre. O Domínio Público migra para a web 2.0, o que vai tornar a forma de acesso mais rápida e fácil. Uma rede social educacional, com fórum de discussões de obras, também deve ser inserida na nova versão. Todo o material que consta no portal está em domínio público ou conta com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais.

Acessos do exterior – O Portal do Professor, que também pode ser acessado pela página do MEC, registra números iguais de acesso. As aulas prontas, de diferentes assuntos, postadas por professores, são o material mais acessado. “Dez por cento do Portal do Professor é acessado por pessoas de fora do Brasil. Os Estados Unidos, por exemplo, são um dos países que mais o acessam. Nós fazemos coisas que os outros países estão tentando aprender conosco”, afirma José Guilherme.

Assessoria de Comunicação Social do MEC | Quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011 – 16:43

Websérie ‘Alma e Sangue’ transmite segundo episódio


Foi ao ar nesta segunda-feira [7], o segundo episódio da websérie Alma e Sangue O terceiro, e último, será lançado no dia 22 deste mês. O projeto é uma produção da Editora Aleph em parceria com a Delicatessen Filmes, e o roteiro foi baseado na saga de livros Alma e sangue, da autora maranhense Nazarethe Fonseca. A série foi dividida em três episódios, cada um com aproximadamente 4 minutos de duração, e os dois primeiros estão disponíveis no site. O terceiro, e último, será lançado no dia 22 deste mês.

PublishNews | 10/02/2011

Clube dos Autores inicia venda de e-books


O Clube de Autores, site que permite a publicação gratuita de livros, começou a lançar neste mês livros em formato digital. O site espera que 80% de todo seu acervo esteja também disponível no novo formato. De acordo com Indio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor do I-Group, “considerando que o site possui cerca de sete mil títulos, devemos fechar o ano com o maior acervo de e-books independentes do País”. Para quem já possui livro publicado no Clube, bastará um clique para que o título também esteja disponível no formato digital. Para aqueles que desejam ingressar no site, o sistema disponibilizará as opções de venda nas versões impresso, e-book ou ambos no momento do upload.

PublishNews | 10/02/2011

Meta… o quê?


Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2011

Vamos começar com as definições: de acordo com Wikipedia “Metadados [DD ou Dicionário de dados], ou Metainformação, são dados sobre outros dados. Um item de um metadado pode dizer do que se trata aquele dado, geralmente uma informação inteligível por um computador. Os metadados facilitam o entendimento dos relacionamentos e a utilidade das informações dos dados.” [não falei que este povo de TI gosta de complicar?]

Esta coluna é sobre o mercado editorial digital, então você pode se perguntar: “o que metadado [em inglês, metadata] tem a ver com isso?”

Soube, através de experientes editores, que havia um tipo de “marketing de balcão”, em que eles começaram a aumentar os tamanhos dos livros para que, no balcão das livrarias, suas obras tapassem os de formatos menores. “Esconder a concorrência” surtiu um efeito nas vendas, pois os menores livros ficavam no fundo e o leitor tinha acesso primeiro aos de capa maior.

Um livro digital é um arquivo, colocado em determinados sistemas para distribuição, e será encontrado via buscas e links na Web. O metadado é colocado no livro na hora da conversão. A importância do metadado é parecida com a importância dos tamanhos dos livros impressos que acabei de descrever: um livro com metadado incompleto é um livro no fundo do balcão, escondido atrás das prateleiras e só por acaso um leitor chegará à ele. Ao se fechar o arquivo, é muito importante colocar todas as informações possíveis sobre a obra: autor, título, sinopse, editora, ISBN, língua, país, CDD…

Como saber que um livro digital não possui metadado completo? Geralmente o nome de exibição aparece truncado e errado, ao clicar e ver as propriedades do arquivo, elas estarão em branco… E o pior: numa busca via Web a obra não será encontrada. Para que isso não aconteça, existem formas simples de preencher metadados de PDF, com programas específicos, no InDesign na hora da conversão dos arquivos, e no próprio arquivo do ePub [este um pouco mais complicado, mas nada impossível, pois é necessário descompactar o arquivo e abrir um xml para editá-lo – o content.opf].

Algumas livrarias, como viram que não possuiriam informações suficientes nos arquivos, pois o preenchimento destes não faz parte da rotina das editoras, dispuseram uma tabela [Excel ou via web] na hora de cadastrar as obras digitais para a venda. Tudo o que preenchessem estaria linkado ao livro e ajudaria os leitores e internautas a encontrarem um caminho que levasse até ele. É de extrema importância que preencham tudo o que for possível, mas foi com grande surpresa que, trabalhando em uma livraria digital, descobri que as editoras não têm esse hábito. A equipe de desenvolvedores e administradores do site [coitados] penam buscando as informações de livros e, ainda assim, não fica completo como deveria, se fosse preenchido pelo editor.

As tags também são de extrema importância! Definição: “uma tag, ou em português etiqueta, é uma palavra-chave [relevante] ou termo associado com uma informação [ex: uma imagem, um artigo, um vídeo] que o descreve e permite uma classificação da informação baseada em palavras-chave. [Fonte: também a Wikipedia]”

Por exemplo: se eu for lançar uma obra de literatura infanto-juvenil, como foi o caso da Caki Books com o livro A Terra do Contrário [olha o jabá aí, minha gente!], quais tags deveria colocar [geralmente as livrarias têm este campo para ser preenchido no ato do cadastro da obra – key words]? Colocamos: infantil, juvenil, terra, contrário, autor, editora, ilustrador, mp3, pdf, avesso, literatura, brasileira e por aí vai… Isso facilitará na indexação de sua obra nas buscas pela internet. A Amazon que o diga! A livraria digital do Kindle é tão grande por conta também de seus metadados. Lá, cada produto é tão bem descrito e tão bem indexado na Web, que tudo o que buscar acabará caindo em sua página. Se ainda não tinha reparado nisso, dê uma olhada e compare com os sites brasileiros.

Publicar um livro sem metadado é ter um filho e não dar nome ao coitadinho. Mas isso não me explicaram antes… Só fui aprender de verdade trabalhando na livraria digital e vivenciando os ataques de histeria dos meus queridos amigos desenvolvedores [hihi, eles vão me matar por escrever isso aqui].

Quanto à pergunta do início do post [“o que metadado tem a ver com mercado editorial digital?”] a resposta é simples – e agora acredito que você, leitor, também concorda comigo – TUDO A VER!

Falamos do ato de classificar e mostrar suas obras convertidas para o digital [mas por favor, leiam englobando também suas obras impressas e tudo o que comercializarem ou divulgarem via Web]. No próximo post falaremos sobre a entrada dos livros digitais no mercado e sobre minha experiência como Editora na comercialização do meu acervo em diversas plataformas. Gostaria de pedir que enviassem dúvidas e sugestões via Twitter e Facebook. Não quero ficar falando sozinha por aqui. Combinado?

Links relacionados ao assunto:

http://radar.oreilly.com/2011/01/metadata-digital-publishing.html

http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI4921425-EI12884,00-Adobe+apresenta+novidades+em+aplicativos.html

http://www.amazon.com/Saca-Rolhas-Repristina%C3%A7%C3%B5es-Apopl%C3%A9cticas-Portuguese-ebook/dp/B004HYHO0E/ref=sr_1_1?ie=UTF8&m=AGFP5ZROMRZFO&s=digital-text&qid=1296579709&sr=1-1

http://pt.wikipedia.org/wiki/Metadado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tag_(metadata)

Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Agradecimentos: @souzalaura pela revisão e sugestão, @sicurow pela ilustração e @batdanielfosco pelo link da O’Reilly.

Diagramação de livros com o Indesign, curso prático em 20 horas


Tendo como objetivo habilitar os profissionais das editoras para que utilizem as principais ferramentas do software Indesign da Adobe para produção de livros e revistas, o curso traz: ferramentas de edição do software Indesign e de texto; elementos de justificação; escalas de cores; uso do gradiente e produção de anúncios e livros no Indesign; elementos de revisão técnica no software.

Para participar, é necessário que cada aluno traga seu notebook com o software In Design instalado. e que tenha conhecimentos básicos de informática. O docente, Antonio Celso Collaro, é professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM e autor, entre outros, do livro Produção Gráfica, Arte e Técnica da Mídia Impressa e Projeto Gráfico. É ainda pós-graduado em Gestão Estratégica de embalagens pela própria ESPM/SP.

O investimento é de R$ R$ 420 para associados CBL, associados de entidades congêneres, professores e estudantes; para não associados: R$ 840 e será realizado na Rua Cristiano Viana, 91, São Paulo, nos dias 22/3, 24/3, 29/3, 31/3, 4/4, 6/4, das 16 às 20h. Maiores informações, fone (11) 3069-1300 ou pelo e.mail escoladolivro@cbl.org.br

CBL Informa | 10/02/2011

Atualização do Kindle aproxima a versão digital da impressa


Uma das maiores críticas aos leitores digitais de livros é que suas páginas não correspondem às páginas originais dos livros físicos. Para pessoas que trabalham com consulta ou que querem manter a experiência o mais real possível, esse é um fator imprescindível.

Quando você está lendo o livro físico e precisa conferir no aparelho digital, às vezes, as passagens possuem mudanças radicais. A Amazon, a empresa que faz o Kindle – o leitor digital de livros mais famoso do mundo – resolveu esse problema. A empresa adicionou em seus livros digitais uma marcação identical a das páginas do impresso.

Na descrição do E-book, a ferramenta “Page Numbers Source ISBN” mostra o número de páginas correspondente ao livro. As atualizações do Kindle trazem também uma ferramenta chamada “Public Notes”, que permite o compartilhamento de todos as notas que você faz em seus livros.

Em “Before You Go”, você pode classificar o livro ao final da leitura e ler recomendações de amigos. Os formatos de jornal e revista também foram atualizados para ficar mais fiel ao tradicional.

Essas mudanças mostram a preocupação da Amazon em tornar a experiência com o Kindle cada vez mais social. Poder compartilhar notas e avaliar livros fará com que uma rede social seja criada em volta do aplicativo. Isso é bom, pois aproximará leitores.

Por Dorly Neto | TechTudo | 10/02/2011

O Kindle vai mudar


A próxima geração do Kindle e do Kindle 3G vai incorporar algumas sugestões de seus usuários. A primeira delas é a possibilidade de compartilhar as anotações – e isso vale para leitor, autor, críticos, professores e demais interessados. A outra mudança será feita na paginação. Até então, os números nas páginas dos e-books não correspondiam ao das páginas dos livros impressos e isso dificultava a participação em clubes de leitura e as referências bibliográficas. Também será possível, ao final da leitura, dar nota para o livro, compartilhar suas impressões sobre a obra nas redes sociais, fazer anotações e recomendações, ver livros do mesmo autor e indicar sua próxima leitura. Usuários do Kindle que quiserem experimentar essas mudanças podem baixar o software de atualização aqui.

PublishNews | 09/02/2011

Livro digital infantil ganha espaço em Bolonha


A primeira conferência digital exclusiva para debater o uso de tecnologia na edição de livros para crianças será realizada na véspera da abertura da Feira do Livro Infantil de Bolonha, no dia 27 de março. O TOC Bologna é uma realização da O’Reilly Media e já está com a programação completa. Confira. As inscrições custam 99 euros [estudantes de ilustração], 199 euros [expositores] e 299 euros [demais interessados]. A feira será realizada entre os dias 28 e 31 de março.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 09/02/2011

Tablet de menos de 1kg vira caderno, livro e apostila de alunos no Brasil


Instituições de ensino no país substituem as apostilas por tablets.
Professores e alunos também trocam livros por equipamento próprio.

Texto escrito por Laura Brentano | Matéria publicada originalmente no Portal G1, em São Paulo | 09/02/2011 15h52

”]A extensa lista de material escolar no início do ano letivo está sendo substituída por um único item. No lugar da mochila abarrotada de livros, cadernos e lápis, um computador portátil de menos de 1 kg reúne todas as necessidades do aluno e começa a fazer parte do ambiente escolar. É uma das mudanças proporcionadas pela revolução dos tablets, formato que promete substituir a maioria dos notebooks e desktops nos próximos anos.

 

A minha ideia é usar o iPad para fazer anotações e substituir o caderno. Acho a minha letra muito feia, nem eu entendo, às vezes”, conta Samuel Silva, de 15 anos, que está no 2º ano do Ensino Médio do Colégio Batista Mineiro, em Belo Horizonte [MG]. “Para as aulas de Física e Matemática, vou comprar um caderno tradicional, já que fica muito ruim fazer gráficos usando o dedo“, disse Samuel, que comprou o iPad no dia do lançamento do tablet da Apple no Brasil, em dezembro.

Em 2010, eu já usava o iPhone para a minha organização escolar. Não uso agenda há dois anos. Pretendo substituir os livros de literatura pelo iPad também”, conta o estudante, que está lendo “1984”, de George Orwell, no tablet. Samuel já conseguiu autorização da coordenadora da escola para usar o equipamento em aula. “Descobri outros dois alunos do colégio que também estão usando iPad“.

Apostila em forma de tablet

A iniciativa de trocar os pesados livros pelo equipamento não nasce apenas dos estudantes. Instituições no Brasil estão buscando adaptar os seus padrões de ensino com as novas tecnologias. A partir de agosto, o grupo Estácio vai distribuir aos alunos do curso de Direito do Rio de Janeiro e do Espírito Santos tablets que rodam o sistema operacional Android. Cerca de 5,5 mil estudantes irão trocar as apostilas e o material didático pelo aparelho, que poderá ficar com o aluno depois que ele se formar.

Estamos trocando um custo pelo outro. Trocaremos a despesa de impressão e despacho, pelo tablet. Por isso, não haverá aumento na mensalidade. A ideia é que isso chegue a todos os cursos. O Direito será um projeto-piloto”, explica Pedro Graça, diretor de mercado da Estácio.

Como o tablet será emprestado ao aluno, a instituição está negociando um seguro para o aparelho, caso ele seja roubado. “Se o aluno perder o tablet, ele terá que restituir a Estácio, mas o preço será o mesmo que usamos para comprar o aparelho”, disse Graça.

Em Campinas, todos os alunos do curso pré-vestibular do Colégio Integral serão presenteados com um iPad no início das aulas em março. A instituição está trocando as apostilas do curso pelo tablet da Apple. “No final, os alunos poderão ficar com o aparelho para usá-lo na faculdade”, conta Ricardo Falco, diretor do Colégio Integral na unidade de Cambuí.

O tablet facilita o acesso à informação e vai tornar as aulas mais dinâmicas. Todo o material didático, livros, jornais e revistas poderão ser encontrados no tablet”, completa Falco. As apostilas do cursinho serão disponibilizadas aos alunos em formato PDF. “Vamos restringir o acesso a rede sociais e a sites que não estejam relacionados às aulas. Por isso, optamos pela versão apenas com conexão wi-fi“.

No caso do Colégio Integral, a mensalidade do curso vai aumentar de R$ 1 mil mensais para R$ 1,5 mil. Mas Falco explica que o iPad não foi a única razão para o aumento. “Estamos lançando um novo formato de curso pré-vestibular, com atendimento mais personalizado e turmas menores”.

Conteúdo adaptado

”]O custo do equipamento, a conexão de rede e a formação do professor são os três principais desafios do projeto digital como um todo”, explica Tadeu Terra, diretor-geral de material digital da Pearson, que levará, em parceria com o SEB [Sistema Educacional Brasileiro], 15 mil tablets a adolescentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de 18 escolas do Brasil a partir de abril. “Desde 2009, desenvolvemos um projeto que possa atender essas três prioridades”, completou. Os colégios beneficiados com os tablets reúnem os sistemas COC, Pueri Domus e Dom Bosco.

Segundo Tadeu, não adianta levar o tablet ao aluno se todas as funções do equipamento não são aproveitadas. “No projeto da Pearson, tentamos integrar toda a parte digital, como vídeos, infográficos, interatividade, animações e exercícios colaborativos, para que o aluno use o computador de forma plena, e não apenas lendo em PDF”.

O material já era utilizado por alunos no notebook e, a partir de abril, chegará aos estudantes por meio do tablet. “Esse sistema visa potencializar as funções do equipamento em sala de aula”. Em 2012, a Pearson planeja oferecer os tablets para todas as séries dos colégios parceiros.

”]As escolas terem tablet é um processo irreversível, pois ele é a mídia do futuro”, disse Chaim Zaher, diretor-presidente do SEB. “Em três anos, em torno de 65 mil alunos do SEB terão o equipamento“, prevê. Em 2010, Zaher viajou à China para avaliar o melhor aparelho a ser adquirido pelos colégios. Alunos do ensino à distância da Universidade do SEB também receberão os tablets em abril para ajudar nos estudos em casa.

Professor também usa

Se o tablet ainda não chegou às instituições, professores levam o próprio aparelho para modernizar as explicações em aula. É o caso do professor Carlos Alberto Goebel Pegolo, da Universidade São Judas Tadeu. “Eu fiz algumas experiências com o meu iPad durante 2010. O tablet oferece uma maior mobilidade ao professor em aula”, conta.

Pegolo usou o aparelho durante as aulas no laboratório de automação. “Quando eu passava de mesa em mesa para ver as experiências dos alunos, o iPad me ajudava para complementar e corrigir os trabalhos ao puxar um vídeo da internet ou mostrar uma figura. Em vez de usar um caderno para rabiscar, eu usava o tablet”, explica.

”]Antes de chegar ao Brasil

Em 2010, um brasileiro experimentou ter a apostila disponibilizada em forma de iPad em uma universidade na Suíça. Em junho, Alexandre Franca Lima, executivo da Petrobras, participou de um curso de uma semana que, tradicionalmente, oferecia uma pasta enorme com todo o material em papel.

Minha mulher participou do mesmo curso em 2008 e ela tinha que carregar uma apostila enorme, que acumulava o conteúdo de toda a semana”, conta Alexandre. A turma de cerca de 400 pessoas fez o primeiro teste com o iPad no ano passado. “Eu achei fantástico. Eu nunca tinha usado um e, para mim, foi facílimo”, conta.

Além de eliminar o peso das apostilas, o campus da universidade tinha quatro prédios e cada aula era em uma sala diferente. A gente usava o Google Maps do tablet para buscar onde seria o próximo seminário. E, enquanto o professor nos mostrava o conteúdo no datashow, podíamos acessá-lo pelo iPad”. Como as turmas do curso não eram fixas, Alexandre também conta que o iPad facilitou a comunicação entre os alunos, que vinham de diversas partes do mundo.

”]Aplicativos feitos para a aula

A loja de aplicativos da Apple disponibiliza ferramentas desenvolvidas especialmente para a sala de aula, como o “The Elements”, uma tabela periódica animada. “Esse é um dos aplicativos que planejo usar para a aula de Química”, conta Samuel. O app pode ser comprado por US$ 14 e possui versão apenas em inglês.

Outra opção é o “Humman Body Encyclopedia D”, que custa US$ 1. O aplicativo ajuda os alunos a memorizar as partes do corpo humano e o nome dos órgãos. Como está disponível apenas em inglês, o app também pode ser usado para praticar o idioma.

O “iStudiez Pro”, aplicativo para organizar tarefas e horários das aulas, tem versão em português e é vendido por US$ 3. E o “Flashcards Deluxe” auxilia na criação de cartões de estudo que ajudam na memorização de aulas. Também só está disponível em inglês e custa US$ 4.

A loja de aplicativos para o sistema operacional do Google, Android, que roda no Galaxy Tab, da Samsung, também possui ferramentas para a educação. Confira no site Android Market.

Texto escrito por Laura Brentano | Matéria publicada originalmente no Portal G1, em São Paulo | 09/02/2011 15h52

Programas facilitam leitura em tablets


Eles omitem distrações, como anúncios, barras laterais e links, e exibem somente o texto com um visual limpo

Empresa criou serviço de assinatura que repassa 70% do valor para produtores de conteúdo na internet

POR RAFAEL CAPANEMA
DE SÃO PAULO

Ler os textos que você quiser, na hora que bem entender, no dispositivo que você tiver à mão e sem distrações.

É essa a proposta de serviços como o Instapaper, o Readability e o Read It Later, que se popularizam na carona de smartphones e de tablets como o iPad.

A situação é comum: você se depara com um longo texto que parece ser interessante. Nos arredores do conteúdo, todo tipo de ruído: barras laterais, anúncios, comentários, links.

Com serviços de legibilidade, basta um comando para fazer sumir o que há de supérfluo e destacar apenas o essencial: texto e, eventualmente, fotos.

Artigos interessantes também costumam surgir quando se está ocupado no trabalho, por exemplo.

Nesse caso, basta usar o Instapaper ou o Read It Later para guardar os textos e lê-los mais tarde, despidos dos excessos -com o iPad, na cama, ou na fila do banco, por meio do smartphone.

EFEITO COLATERAL

Apesar de convenientes, esses serviços podem ser prejudiciais ao omitir aquilo que é uma fonte de renda primordial dos produtores de conteúdo: os anúncios.

Pensando nisso, o Readability [readability.com] anunciou na semana passada um serviço pago de assinatura [US$ 5 ao mês] cujos dividendos serão repassados, em sua maioria [70%], para quem produz os textos lidos por meio do serviço.

No ano passado, o “New York Times” impediu que seu conteúdo fosse oferecido sem autorização no Pulse, agregador de notícias que funciona no iPad, no iPhone, em celulares com Android e nos tablets equipados com o sistema do Google.

Criado por estudantes da Universidade de Stanford, o Pulse é um dos principais representantes do promissor mercado de revistas digitais personalizadas, como o Flipboard, que foi laureado pela própria Apple como aplicativo do ano de 2010 para iPad.

Com múltiplas fontes, o conteúdo do Flipboard e do Pulse -ambos gratuitos- é formado por links publicados pelos contatos do usuário em redes sociais e por pacotes temáticos [moda, tecnologia etc.].

Segundo uma pesquisa da iModerate Research Technologies e da Brock Associates, 66% dos proprietários de dispositivos multifuncionais, como o iPad e smartphones [Android, BlackBerry e iPhone] passaram a ler mais desde que se apossaram dos brinquedinhos.

Curiosamente, 46% dos donos desse tipo de aparelho começaram até a ler mais livros de papel, de acordo com o estudo.

Vale lembrar que a pesquisa não ouviu donos de dispositivos de leitura dedicados, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes & Noble.

Veremos um crescimento no consumo de e-books neste ano porque os consumidores sugerem que ler livros em um dispositivo multifuncional é muito conveniente para eles“, disse Laurie Brock, presidente da Brock.

Por Rafael Capanema | Folha de S. Paulo | Tec | 09/02/2011

Hábitos de Leitura


66%

Consumidores com dispositivos multifuncionais que passaram a ler mais depois de comprá-los. O número é de um estudo da iModerate Research Technologies e da Brock Associates, que entrevistou 300 pessoas nos EUA

46%

Consumidores com dispositivos multifuncionais que passaram a ler mais livros de papel

80%
Pessoas que consideram a leitura em aparelhos mais conveniente do que no papel

72%

Entrevistados que leem em dispositivos eletrônicos quando viajam

Frase

Gosto de ter muitos livros à mão para escolher o que ler em qualquer lugar. Basta baixar as obras que quero ler nos meus dispositivos. Posso ler um livro por um instante e mudar para outro” – PARTICIPANTE ANÔNIMO para a pesquisa sobre hábitos de leitura

Folha de S.Paulo | Tec | 09/02/2011

Quanto custa produzir um eBook best-seller


Ao contrário do que se diz, o custo de produzir um e-book é similar ao custo de produzir um livro de capa dura. Cerca de 10% do que se gasta com o de capa dura vai para a impressão, acabamento e frete. Editores estipulam um preço de venda e lojas como a Amazon e a Apple recebem uma porcentagem fixa. Essas estimativas foram baseadas em vendas de 75 mil exemplares. As despesas de um e-book incluem custos únicos, como edição e marketing.

Washington Post | 08/02/2011 | Por Andrew Schneider, estudante de MBA da George Washington University

Asda vende e-reader a 52 libras no Reino Unido


The View Quest Mediabox 5in Media Tablet

A rede britânica de supermercados Asda começou a vender nesta segunda-feira [7] o leitor digital mais barato do Reino Unido. O The View Quest Mediabox 5in Media Tablet custa apenas 57 libras [com desconto, 52 libras]. Só para se ter uma ideia, com esse valor é possível comprar dois bilhetes semanais para usar no metrô de Londres. Apesar de vender o e-reader, a rede não dispõe de nenhum e-book.

PublishNews | 08/02/2011

DBW 2011: Dá para assistir pela internet


Digital Book WorldMesmo quem não participou da Digital Book World Conference, realizada em janeiro em Nova York para discutir o livro digital, pode assistir ou ouvir os debates gratuitamente pelo site. Mas só durante essa semana! Entre os temas abordados estavam os direitos autorais, os custos de produção e muito mais. Além disso, foram apresentados resultados de pesquisas.

PublishNews | 08/02/2011

Amazon atualiza software do Kindle e coloca nº nas páginas


O Kindle conta agora com numeração nas páginas, similar aos livros impressos | Foto: Divulgação

A Amazon.com liberou novos recursos para o seu leitor de e-books Kindle, incluindo a numeração de páginas similar aos livros impressos.

Segundo a Amazon, diversos consumidores pediram “números de páginas reais que fossem iguais aos dos livros em papel“. A ideia é citar passagens e referências do livro digital como é feito com o impresso. “Estamos adicionando números de páginas reais. Já fizemos isso em milhares de livros do Kindle, incluindo os 100 mais vendidos“, de acordo com a Amazon.

Outros recursos na nova versão do software para Kindle são o compartilhamento de anotações nos livros de maneira pública [e seguir as notas de outras pessoas, incluindo autores], avaliação das obras lidas após o final do título e um novo layout para os jornais e revistas vendidos pelo leitor.

Segundo a Amazon, uma prévia dos novos recursos já está disponível para os proprietários de Kindle e Kindle 3G de última geração no endereço http://migre.me/3PXkh. Quando liberado pela Amazon, o upgrade será feito pela rede Wi-Fi.

Portal Terra | 08 de fevereiro de 2011 • 12h14

Surpresa eletrônica


O minguado catálogo de e-books em português na Amazon guarda surpresas entre as traduções de clássicos. Obras de Dostoiévski aparecem com “Paulo Besera” como tradutor, a US$ 6,99 cada uma. Quem arrisca a sorte, na esperança de que seja erro de digitação do site americano, recebe no Kindle a versão de José Geraldo Vieira [1897-1977], feita em 1952 do francês, e não do russo.

*

Os livros são “editados” por uma tal Legatus, que vende várias outras traduções na Amazon e não tem endereço para contato na rede. “Vou me informar e vou processá-los”, diz Paulo Bezerra, que verte pela 34 as obras completas de Dostoiévski – está a sete páginas de terminar O Duplo, previsto para junho, e depois se dedicará a O Adolescente.

 

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 07/02/2011

eBooks: Grupo Livrarias Curitiba adere à luta


Foi sem alarde que o Grupo Livrarias Curitiba começou a vender livros digitais. Usando o catálogo da distribuidora Xeriph, a maior rede de livrarias do Paraná, com lojas também em Santa Catarina e em São Paulo, se junta à Saraiva, Cultura, Gato Sabido, Ponto Frio, Casas Bahia, Singular e Grioti na difícil tarefa de popularizar o livro digital no Brasil. E o começo não foi tímido. Confira.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 07/02/2011

E-readers conquistam os jovens


Photo: Joyce Dopkeen | The New York Times

Algo extraordinário aconteceu depois que Eliana Litos ganhou um e-reader de presente de Hanukkah em dezembro.

Durante algumas semanas eu me esqueci completamente da televisão”, disse a menina de 11 anos. “Eu só lia todos os dias”.

Desde as festas de fim de ano, editores perceberam que alguns títulos inusitados despontaram entre os mais vendidos, como é o caso dos volumes de As crônicas de Nárnia e de Hush, Hush.

Na HarperCollins, por exemplo, os e-books foram responsáveis por 25% de todas as vendas de livros juvenis em janeiro, um crescimento de mais de 6% com relação ao mesmo período do ano anterior.

Por Julie Bosman | The New York Times | 04/02/2011

Grupo A vai lançar e-books em inglês e em espanhol


O Grupo A se prepara para ampliar sua atuação no mercado de e-books. Neste ano, a holding que congrega os selos Artmed, Artes Médicas, Bookman, McGrawHill e Penso passará a oferecer obras em língua inglesa e espanhola, que poderão ser encontradas nos catálogos de e-bookstores internacionais.

A máquina de inovação [Bookman], de Charles Bezerra, terá seu conteúdo traduzido para o inglês. Já Fundamentos psicanalíticos: Teoria, técnica, clínica – uma abordagem didática [Artmed], de David Zimerman, terá versão digital para o espanhol.

PublishNews | 04/02/2011

Booksellers Association e o preço dos e-books


Tim Godfray

A Booksellers Association descreveu a investigação do Office of Fair Trading [OFT] sobre a precificação de e-books no Reino Unido como “um momento seminal” para a indústria do livro. O diretor Tim Godfray disse: “Este é um momento seminal para a indústria já que as conclusões da OFT vão mostrar como o mapa digital se desdobra no mercado editorial. Termos e condições de fornecimento são uma questão individual entre um editor e um varejista, com os e-books se tornando uma exceção à versão impressa. Nós esperamos que o resultado da OFT dê clareza sobre como a relação entre editores e livreiros será no futuro já que os e-books vieram para ficar”.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 03/02/2011 | Com informações do Publishnews

Modelo de agência sob investigação no Reino Unido


OFT investiga denúncia de que acordos entre editoras e livrarias ferem as regras de competição

Depois de receber um “significativo” número de reclamações, o Office of Fair Trading [OFT] começou a investigar o modelo de agência aplicado na precificação dos e-books no Reino Unido. O OFT quer saber se os acordos firmados entre algumas editoras e as livrarias ferem as regras de competição. As informações são do site The Bookseller e a matéria pode ser lida na íntegra, em inglês, aqui.

PublishNews | 02/02/2011

Apple confirma mudança na regra sobre aplicativos para eBooks


A Apple confirmou que quer um corte de vendas da Amazon Kindle feito através dos seus aplicativos no iPhone. A gigante empresa de tecnologia disse que não permitirá mais aplicativos para vender conteúdo através de uma ligação separada do seu navegador, a menos que os clientes também tivessem a opção de comprar os mesmos títulos por meio de uma aplicação através do seu próprio sistema, o que acarretaria um custo adicional de 30%.

A aparente confirmação segue um dia de confusão após a Sony afirmar que a Apple rejeitou seu aplicativo de livro digital, pois não permitiria que os clientes comprassem eBooks no ambiente Apple. Inicialmente, não estava claro se isso era uma mudança de regra da Apple ou se era um erro da Sony.

Mas Trudy Muller, porta-voz da Apple, afirmou à Bloomberg que tinha alterado algumas das suas exigências: “Mudamos não termos ou diretrizes de desenvolvedor. O que agora estamos requerendo é que, se um aplicativo oferece aos clientes a possibilidade de adquirir livros fora da nossa app, que também dê opção para os clientes comprarem de dentro da nossa própria app“.

Apps de vendas como as do Kindle da Amazon permite que os usuários comprem conteúdo através de uma janela separada do “navegador” da Apple e que até agora fez com que eles não tivessem de pagar taxa de 30% à Apple.

Alguns sites alegou que, de fato, não houve nenhuma mudança nos requisitos da Apple, mas que a Sony tinha sido apanhada de surpresa depois de tentar fazer as suas compras fora do ambiente de aplicativo da Apple.

Mas, o melhor que podemos dizer, a Apple agora exige que todos os aplicativos disponíveis permitam compras dentro da App Store, o que se torna uma grande dor de cabeça para Amazon, Kobo, WH Smith e Barnes & Noble.

A questão é ainda mais complicada uma vez que significa que preços maiores devem ser aplicados em todos os eBooks onde quer que eles sejam vendidos, ou seja, os varejistas que comercializam através da App Store iria tomar uma ‘batida’ de 30%.

A Amazon se recusou a comentar à imprensa sobre essa política de pagamento, se significaria que ela teria de mudar a sua aplicação Kindle, na Apple.

Segundo o New York Times: “É altamente improvável que a Amazon, a Sony ou outros players estejam dispostos a compartilhar receitas de eBooks ou até mesmo a informação dos clientes com a sua concorrente, a Apple, que vende seus próprios eBooks em seu iBookstore“. O “NYT” relatou que a mudança só está sendo aplicada a livros eletrônicos no momento.

Por Philip Jones | Publicado originalmente em The Bookseller | 02/02/11

Apple bloqueia aplicativo do e-reader da Sony no iPhone


SAN FRANCISCO/ LONDRES [Reuters] – A Apple bloqueou o aplicativo do leitor de livros eletrônicos de sua rival Sony no iPhone. O aplicativo permitia aos usuários comprar conteúdo para o smartphone fora da loja oficial da Apple.

O aplicativo da Sony, ligado ao leitor eletrônico da marca, o Sony Reader, teria permitido que pessoas lessem livros comprados na loja da Sony.

O episódio com o leitor eletrônico reforça o que as editoras em geral veem como uma rigidez por parte da Apple.

© Thomson Reuters 2011 All rights reserved. | terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 20:19 BRST

Faculdade dará Tablets com Android a Alunos


Na imagem que ilustra a inovação em seu site, a Estácio usa um tablet idêntico ao iPad, da Apple, mas a prancheta a ser adotada usa o sistema Android, do Google

SÃO PAULO – A universidade Estácio de Sá irá distribuir neste ano computadores tablets a seus alunos do curso de Direito.

A instituição de ensino oferecerá o material didático, com todos os capítulos dos livros, em um tablet, sem custo para o aluno.

O modelo do aparelho ainda não foi escolhido, mas certamente não será o iPad, da Apple, uma vez que a prancheta a ser adotada usa o sistema Android, do Google [2.2 ou 2.3].

A escolha, segundo a instituição, se deve ao fato do sistema possuir uma boa capacidade de processamento e por rodar arquivos em flash e vídeo, o que atende à necessidade do conteúdo multimídia da Estácio.

Embora a instituição confirme não ser o iPad, curiosamente a Estácio usou, na apresentação da novidade em seu site, usou uma imagem idêntica [ver acima] ao tablet da Apple para ilustrar a inovação. Cada aparelho, de acordo com assessoria da faculdade, custará entre 350 e 450 dólares à Estácio.

Por enquanto, a novidade é só para alunos de seus campi no Rio de Janeiro e no Espírito Santo ingressantes no primeiro semestre deste ano, mas em breve, possivelmnete em cinco anos, os alunos dos demais estados e cursos também receberão os seus tablets, promete a faculdade.

O aluno receberá o tablet no segundo semestre, após ter concluído o 1º período do curso e renovado sua matrícula. O tablet será entregue como empréstimo gratuito, mas doado ao aluno após a conclusão do curso.

Por Rogerio Jovaneli | da INFO Online | Terça-feira, 01 de fevereiro de 2011 – 18h51

Integrare Editora adere às redes sociais


Ter a oportunidade de conhecer as vontades, preferências e exigências do leitor de maneira rápida e objetiva são diferenciais fundamentais para qualquer empresa. Por isso, a Integrare Editora acaba de ingressar no universo das redes sociais. Twitter,FacebookBlog são algumas das primeiras ferramentas utilizadas pela editora para atrair novos leitores. “Criamos um planejamento estratégico para atuação junto às redes sociais. No entanto, é importante pontuar, que nossa participação nessas redes é intimamente ligada aos demais canais de comunicação da editora, como BLOG, canal Youtube e website”, explica o diretor e publisher Maurício Machado.

PublishNews | 01/02/2011

Livro sobre PNLL está disponível para download


Lançado em dezembro de 2010, o livro PNLL: Textos e História, com 24 artigos de escritores, editores, membros de associações e especialistas relatando o que foi, o que é e o que representa o Plano Nacional do Livro e Leitura para o futuro, pode ser baixado gratuitamente aqui.

Na obra, são apresentadas a Lei do Livro, as declarações de Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra sobre o Ano Vivaleitura e as Diretrizes Iniciais do PNLL. O Caderno do PNLL – Edição Atualizada 2010 também está disponível para download no mesmo endereço.

PublishNews | 01/02/2011

Como funciona O Livreiro, a rede social dos leitores


Você é daqueles que lê até no banheiro? Que, distraído, percebe que está lendo uma bula de remédio? O Livreiro é para você, um apaixonado pela leitura. A rede social engloba tudo que um amante dos livros deseja, como estantes virtuais para organizar as obras literárias, comentários de outros leitores, autores favoritos, comunidades para comentar as histórias, entre outros.

O Livreiro ainda disponibiliza para o usuário um canal de notícias com informações atualizadas sobre autores e livros. Além do “Clube do Livro”, onde uma obra é lida e debatida a cada seis semanas. Para virar um usuário d’O Livreiro é simples, siga os passos abaixo:

Passo 1: Acesse O Livreiro [http://www.olivreiro.com.br/home/];

Passo 2: Clique em “Crie seu perfil’;

Passo 3: Digite suas informações pessoais;

Passo 4: Faça login nas redes sociais para encontrar seus amigos no Livreiro. É possível procurar no Gmail, Orkut, Twitter, Facebook e Hotmail;

Passo 5: Complete o seu perfil com foto, localização, interesses, entre outros;

Passo 6: Clique em “Salvar informações”;

Com o perfil pronto, você pode encontrar seus amigos, montar sua estante de livros, participar de comunidades e encontrar seus autores favoritos.

Passo 7: Clique em “Monte sua estante de livros” ou clique em “Livros”, depois selecione “Minha estante”. Com a estante aberta, clique em “Adicionar livros” no menu lateral;

Passo 8: Busque o livro que você quer colocar na estante;

Passo 9: Clique em “Colocar na estante”;

Passo 10: Escolha entre as opções: “Já li”, “Quero ler” e “Estou lendo”;

Passo 11: Clique em “Organizar estante” e depois em “Salvar livro”;

Para visualizar todos os livros e categorias d’O Livreiro, clique em “Livros” e selecione a opção “Lista de livros”.

TechTudo | G1 | 01/02/2011

“Os livros resistirão às tecnologias digitais” – Roger Chartier


POR Cristina Zahar [novaescola@atleitor.com.br] | Entrevista publicada originalmente na Revista Nova Escola | 1/02/2011

Roger Chartier

O francês Roger Chartier – é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Professor e pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor do Collège de France, ambos em Paris, também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e viaja o mundo proferindo palestras.

Sua especialidade é a leitura, com ênfase nas práticas culturais da humanidade. Mas ele não se debruça apenas sobre o passado. Interessa-se também pelos efeitos da revolução digital. “Estamos vivendo a primeira transformação da técnica de produção e reprodução de textos e essa mudança na forma e no suporte influencia o próprio hábito de ler”, diz.

Diferentemente dos que prevêem o fim da leitura e dos livros por causa dos computadores, Chartier – acha que a internet pode ser uma poderosa aliada para manter a cultura escrita. “Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos de forma intensa, aberta e universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e transmissão de texto: a mão, impressa e eletrônica – e elas coexistem.”

No fim de junho, Chartier – esteve no Brasil para lançar seu livro Inscrever & Apagar, em que discute a preservação da memória e a efemeridade dos textos escritos. Nesta entrevista, ele conta como a leitura se popularizou no século 19, mas destaca que bem antes disso já existiam textos circulando pelos lugares mais remotos da Europa na forma de literatura de cordel e de bibliotecas ambulantes. Confira os principais trechos da conversa.

Como era, no passado, o contato das crianças e dos jovens com a leitura?
Roger Chartier
A literatura se restringia às peças teatrais. As representações públicas em Londres, como podemos ver nas últimas cenas do filme Shakespeare Apaixonado, e nas arenas da Espanha são exemplos disso. Já nos séculos 19 e 20, as crianças e os jovens conheciam a literatura por meio de exercícios escolares: leitura de trechos de obras, recitações, cópias e produções que imitavam o estilo de autores antigos, como as famosas cartas da escritora Madame de Sévigné [1626-1696] e as fábulas de La Fontaine [1621-1695].

Quando a leitura se tornou popular?
Chartier
No século 19, surgiu um novo contingente de leitores: crianças, mulheres e trabalhadores. Para esses novos públicos, os editores lançaram livros escolares, revistas e jornais. Porém, desde o século 16, existiam livros populares na Europa: a literatura de cordel na Espanha e em Portugal, os chapbooks [pequenos livros comercializados por vendedores ambulantes] na Inglaterra e a Biblioteca Azul [acervo que circulava em regiões remotas] na França. Por outro lado, certos leitores mais alfabetizados que os demais se apropriaram dos textos lidos pelas elites.O livro O Queijo e os Vermes, do italiano Carlo Guinzburg, publicado em 1980, relata as leituras de um moleiro do século 16.

As práticas atuais de leitura têm relação com as práticas do passado?
Chartier
É claro. Na Renascença, por exemplo, a leitura e a escrita eram acessíveis a poucas pessoas, que utilizavam uma técnica conhecida como loci comunes, ou lugares-comuns, ou seja, exemplos a serem seguidos e imitados. O leitor assinalava nos textos trechos para copiar, fazia marcações nas margens dos livros e anotações num caderno para usar essas citações nas próprias produções. No século 16, editores publicaram compilações de lugares-comuns para facilitar a tarefa dos leitores, como fez o filósofo Erasmo de Roterdã [1466-1536].

Em que medida compreender essas e outras práticas sociais de leitura pode transformar a relação com os textos escritos?
Chartier
Os estudos da história da leitura costumam esquecer dois importantes elementos: o suporte material dos textos e as variadas formas de ler. Eles são decisivos para a construção de sentido e interpretação da leitura em qualquer época. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes [1547-1616], era lido em silêncio, como hoje, mas também em voz alta, capítulo por capítulo, para platéias de ouvintes. Todas as pesquisas nessa área formam um patrimônio comum com o qual os professores podem construir estratégias pedagógicas, considerando as práticas de leitura.

Que papel a literatura ocupa na Educação atual?
Chartier
A escola se afastou da literatura, principalmente no Brasil, porque está preocupada em oferecer ao maior número possível de crianças as habilidades básicas de leitura e escrita. Mas acredito que os professores devem acolher a literatura novamente, da alfabetização aos cursos de nível superior, como mostram várias experiências pedagógicas. Na França, por exemplo, um filme recém-lançado exibe uma peça do dramaturgo Pierre de Marivaux [1688-1763] encenada por jovens moradores de bairros pobres.

Muitos dizem que desenvolver o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
Chartier Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.

O senhor quer dizer que a internet pode ajudar os jovens a conhecer a riqueza do mundo literário?
Chartier Sim. O essencial da leitura hoje passa pela tela do computador. Mas muita gente diz que o livro acabou, que ninguém mais lê, que o texto está ameaçado. Eu não concordo. O que há nas telas dos computadores? Texto – e também imagens e jogos. A questão é que a leitura atualmente se dá de forma, fragmentada, num mundo em que cada texto é pensado como uma unidade separada de informação. Essa forma de leitura se reflete na relação com as obras, já que o livro impresso dá ao leitor a percepção de totalidade, coerência e identidade – o que não ocorre na tela. É muito difícil manter um contato profundo com um romance de Machado de Assis no computador.

Essa fragmentação dos conteúdos na internet não afeta negativamente a formação de novos leitores?
Chartier
Provavelmente sim. Na internet, não há nada que obrigue o leitor a ler uma obra inteira e a compreender em sua totalidade. Mas cabe às escolas, bibliotecas e meios de comunicação mostrar que há outras formas de leitura que não estão na tela dos computadores. O professor deve ensinar que um romance é uma obra que se lê lentamente, de forma reflexiva. E que isso é muito diferente de pular de uma informação a outra, como fazemos ao ler notícias ou um site. Por tudo isso, não tenho dúvida de que a cultura impressa continuará existindo.

As novas tecnologias não comprometem o entendimento e o sentido completo de uma obra literária?
Chartier
Sim e não. A pergunta que devemos nos fazer é: o que é um texto? O que é um livro? A tecnologia reforça a possibilidade de acesso ao texto literário, mas também faz com que seja difícil apreender sua totalidade, seu sentido completo. É a mesma superfície [uma tela] que exibe todos os tipos de texto no mundo eletrônico. É função da escola e dos meios de comunicação manter o conceito do que é uma criação intelectual e valorizar os dois modos de leitura, o digital e o papel. É essencial fazer essa ponte nos dias de hoje.

O novo suporte tecnológico pode auxiliar a leitura, mas não necessariamente o desempenho escolar.
Chartier
Pesquisas realizadas em vários países mostram que o uso do computador na Educação, quando acompanhado de métodos pedagógicos, melhora, sim, o aprendizado, acelera a alfabetização e permite o domínio das regras da língua, como a ortografia e a sintaxe. É preciso desenvolver políticas públicas que tenham por objetivo a correta utilização da tecnologia na sala de aula.

O senhor acha que o e-paper [dispositivo eletrônico flexível como uma folha de papel] é o futuro do livro?
Chartier
Os textos eletrônicos são abertos, maleáveis, gratuitos e esses aspectos são contrários aos da publicação tradicional de um texto [que pressupõe a criação de um objeto de negócio]. Para ser publicado, um texto deve ser estável. Na internet, os textos eletrônicos continuaram protegidos, ou seja, não podem ser alterados, e têm de ser comprados e descarregados no computador do usuário integralmente. Para mim, a discussão sobre o futuro dos livros passa pela oposição entre comunicação eletrônica e publicação eletrônica, entre maleabilidade e gratuidade.

Ao longo da história da humanidade, acompanhamos a passagem da leitura oral para a silenciosa, a expansão dos livros e dos jornais e a transmissão eletrônica de textos. Qual foi a mais radical?
Chartier
Sem dúvida, a transmissão eletrônica. E por uma razão bastante simples: nunca houve uma transformação tão radical na técnica de produção e reprodução de textos e no suporte deles. O livro já existia antes de Guttenberg criar os tipos móveis, mas as práticas de leitura começaram lentamente a se modificar com a possibilidade de imprimir os volumes em larga escala. Hoje temos no mundo digital um novo suporte, a tela do computador, e uma nova prática de leitura, muito mais rápida e fragmentada. Ela abre um mundo de possibilidades, mas também muitos desafios para quem gosta de ler e sobretudo para os professores, que precisam desenvolver em seus alunos o prazer da leitura.

É muito fácil publicar informações falsas na Internet. Como evitar isso?
Chartier
A leitura do texto eletrônico priva o leitor dos critérios de julgamento que existem no mundo impresso. Uma informação histórica publicada num livro de uma editora respeitada tem mais chance de estar correta do que uma que saiu numa revista ou num site. É claro que há erros nos livros e ótimos artigos em revistas e sites. Mas há um sistema de referências que hierarquiza as possibilidades de acerto no mundo impresso e que não existe no mundo digital. Isso permite que haja tantos plágios e informações falsas. Precisamos fornecer instrumentos críticos para controlar e corrigir informações na internet, evitando que a máquina seja um veículo de falsificação.

BIBLIOGRAFIA

A Aventura do Livro, Roger Chartier, 160 págs., Ed. Unesp, tel. [11] 3661-2881, 53 reais

História da Leitura no Mundo Ocidental, vol. 2, Roger Chartier e Guglielmo Cavallo, 248 págs., Ed. Ática, tel. [11] 3990-2100, 35,50 reais

Inscrever & Apagar, Roger Chartier, 336 págs., Ed. Unesp, 35 reais

O Queijo e os Vermes, Carlo Ginzburg, 256 pág., Ed. Cia. das Letras, tel. 0800-014-2829, 19,50 reais

Práticas da Leitura, Roger Chartier, 268 págs., Ed. Estação Liberdade, tel. [11] 3661-2881, 42 reais