Livraria perde para livros on-line e pede concordata


EUA: A Borders Group fez um pedido de proteção judicial contra falência nesta quarta-feira [16] e afirmou que planeja fechar quase um terço de suas livrarias após anos de vendas fracas que tornaram impossível para a empresa administrar sua dívida.

A esperada concordata da companhia dará à segunda maior rede de livrarias dos Estados Unidos uma chance de arrumar suas finanças e encolher seus negócios em um momento em que os consumidores optam cada vez mais por produtos on-line. O processo de recuperação judicial pode ajudar a rival maior Barnes & Noble, que também enfrenta dificuldades, por conta da queda no número de lojas rivais.

O presidente da Borders, Mike Edwards, afirmou que a rede “não tem recursos de capital que precisa para ser uma competidora viável”. Ele acrescentou que a recuperação judicial é essencial para que a empresa possa reestruturar sua dívida enquanto continua operando.

A Borders, fundada em 1971 como uma pequena rede de livrarias em Ann Arbor, no Estado de Michigan, foi pioneira no conceito de superlojas na década de 1990 junto com a Barnes & Noble, mas a empresa enfrentou dificuldades para se adaptar às rápidas mudanças geradas no mercado editorial pelas inovações tecnológicas.

A incapacidade da empresa de montar um negócio on-line significativo e sua quase ausência no crescente mercado de livros digitais tornou difícil a tarefa de manter o ritmo imposto por Barnes & Noble e pela varejista online Amazon.com.

As vendas da empresa caíram a taxas de dois dígitos percentuais em 2008, 2009 e em cada trimestre de 2010. A companhia teve quatro presidentes-executivos nos últimos três anos e teve dois vice-presidentes financeiros em 2010.

A Borders, que tem um quadro de 6.100 funcionários, opera 508 superlojas com sua marca e uma cadeia de lojas menores chamada Waldenbooks.

A companhia informou que vai fechar cerca de 30% de suas lojas nas próximas semanas. Nos últimos anos, a maior parte dos fechamentos de lojas ocorreu na rede Waldenbooks.

A Borders tinha até 25 de dezembro compromissos que somavam 1,29 bilhão de dólares e ativos de 1,28 bilhão.

Por Reuters | 16/02/2011

Yahoo! demonstra plataforma para revistas digitais personalizadas


O Yahoo! demonstrou nesta quarta-feira [16] uma plataforma para que produtores de conteúdo ofereçam a seus leitores revistas digitais personalizadas em tablets e outros dispositivos.

O anúncio foi feito no Mobile World Congress, maior evento de telecomunicações do mundo, que termina nesta quinta-feira em Barcelona.

Carol Bartz chamou serviço de "conteúdo em contexto" selecionado de acordo com o histórico de busca

Chamado Livestand [algo como “banca de jornal viva”], o serviço oferece o que a executiva-chefe da empresa, Carol Bartz, chamou de “conteúdo em contexto”, selecionado de acordo com o histórico de busca e de navegação do usuário. A estreia deve ser ainda neste semestre.

Segundo o Yahoo!, o mecanismo de personalização é um misto de automatização computadorizada com supervisão editorial feita por pessoas de verdade_estas últimas, o “molho secreto” do Livestand, nas palavras de Bartz.

Tudo que lhe é servido deve ser relevante. Conteúdo ruidoso pertence à internet do passado“, afirmou a executiva.

Publicações assinadas por meio do serviço serão apresentadas ao usuário de acordo com seus interesses: se o leitor de um jornal tiver mais interesse por esportes ou por política, por exemplo, notícias sobre esses assuntos terão mais destaque e surgirão em maior quantidade.

A adoção de tablets e celulares está explodindo, mas a mídia digital não está acompanhando esse crescimento“, afirmou Blake Irving, vice-presidente executivo do Yahoo!. “Os consumidores não conseguem encontrar nesses dispositivos as publicações que compram nas bancas, e os publicadores e anunciantes não conseguem atingir o público que querem.

Apesar de ser focado em tablets – a demonstração foi feita em um iPad – o serviço será multiplataforma: funcionará em celulares, computadores e televisores.

Por meio do Livestand será possível ainda compartilhar e comentar textos em redes sociais como o Facebook e o Twitter.

O surgimento do iPad colocou em evidência serviços para criação de revistas digitais personalizadas, que agregam conteúdo de diversas fontes da web e links compartilhados pelos contatos dos usuários em redes sociais.

O aplicativo mais notável do gênero, o Flipboard, foi premiado pela Apple como melhor programa para iPad de 2010.

POR RAFAEL CAPANEMA | ENVIADO ESPECIAL A BARCELONA | 16/02/2011 – 17h45 | Publicado em Folha.com

Google lança serviço de assinaturas para conteúdo digital


O Google lançou um serviço que facilita a venda de versões digitais de jornais e revistas para editoras e produtores de conteúdo nesta quarta-feira [16]. O lançamento ocorre um dia depois de a Apple anunciar um plano de assinaturas para a mídia, vendido por meio de sua loja de aplicativos, que foi recebido com controvérsia.

O Google disse que seu novo serviço, o One Pass, permite às editoras vender conteúdo que consumidores podem ver em websites ou em aplicativos especialmente desenvolvidos para smartphones ou tablets. A mídia pode cobrar pelo conteúdo de diversas formas, incluindo assinaturas, pagamento por quantidade de acessos ou venda de apenas um artigo, afirmou o Google no blog da empresa, nesta quarta-feira.

Na terça-feira, a Apple apresentou um esperado plano de assinaturas para empresas de mídia que prevê a distribuição de conteúdo em aplicativos específicos para usuários de iPad e iPhone.

O serviço permite à Apple reter 30% dos pagamentos dos clientes para qualquer produtora de conteúdo cadastrada na loja da Apple. Ele também permite aos consumidores decidir quais dados pessoais fornecer aos produtores de conteúdo quando se cadastram nos sites para fazer alguma assinatura. Analistas disseram que o novo plano da Apple pode contrariar quem detém os direitos sobre o conteúdo.

O post no blog do Google não deixou claro qual será o percentual dos pagamentos do One Pass que caberá ao Google. A empresa não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

No seu blog, o Google afirmou que o serviço permite às editoras definir seus próprios preços e termos para o conteúdo.

Segundo o Google, o One Pass está atualmente disponível para a mídia do Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO | Publicado em Folha.com | 16/02/2011 – 17h29

O que os poderosos pensam do DRM e uma explicação do conceito de nuvem


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/02/2011

Um dos meus últimos posts teve como base só uma coisa: minha frustração com o que sinto ser a tendência daqueles que se opõem ao uso do DRM de afirmar que os defensores da proteção acreditam que ela evita, ou ao menos desencoraja bastante, a pirataria. Sei que não é verdade comigo e suspeito que não seja verdade entre os poderosos da indústria de livros, tanto do lado das editoras quanto dos agentes.

Concordo com a opinião dos oponentes do DRM de que o apoio a esse tipo de proteção não tem muita base em dados significativos apesar de que, na verdade, não existem muitos dados em nenhum lugar. Por alguma razão, parece que o lado anti-DRM acha que você precisa ter provas convincentes para justificar o apoio para manter o DRM, mas não é uma exigência para defender sua remoção. Mas está claro que minha proposta – de que é bastante impreciso acusar todos os apoiadores da DRM de acreditarem que é possível acabar com a pirataria com o uso da proteção – pode ser pesquisada. Então foi isso que fiz.

Nove executivos de alto nível em sete editoras top, mais quatro agentes literários com clientes muito conhecidos [um deles também tem experiência do lado editorial], responderam às três perguntas que mandei por e-mail.

1. Você acha que DRM é necessário para proteger as vendas de e-books dos títulos mais comerciais?
2. Você acha que o DRM é eficiente contra a pirataria?
3. Você acha que o principal benefício do DRM é prevenir a troca informal de livros?

Fui transparente: Falei às pessoas que minha opinião era “sim”, “não”, “sim”. Tenha quase certeza de que minhas opiniões não influenciaram nenhuma dessas pessoas.

Onze dos 13 concordaram comigo que DRM é necessário para proteger as vendas. Dez dos 13 concordaram comigo que DRM não é um método eficiente contra a pirataria. E 12 dos 13 concordaram comigo que o principal benefício do DRM é evitar a troca informal!

Não sei quantos oponentes do DRM tem o interesse ou a paciência para ler esse blog, mas notem. Ou é pouco confiável ou pouco sofisticado [ou os dois] usar “isso não acaba com a pirataria” como argumento contra o DRM. A maioria das pessoas que apoia o uso de DRM sabe disso e concorda. Não é nenhuma novidade. Você poderia também tentar persuadir o outro lado dizendo que DRM não cura o câncer. Concordamos nesse ponto também.

Os dados me deram uma grande surpresa. Dois dos quatro agentes disseram que não acreditam que o DRM é necessário [de nenhum jeito] para proteger as vendas dos e-books. [Nenhum dos editores votaram dessa forma.] Quatro é uma pequena amostra para chegar a qualquer conclusão, mas poderia demonstrar que minha suposição de que editores promovem o uso universal do DRM porque os agentes os obrigam é um pouco exagerada.

Muitos dos que responderam deram, voluntariamente, pensamentos adicionais e detalhes que também continham alguma informação interessante. Um alto executivo de uma das Big Six americanas, que é uma pessoa analítica e que sempre se baseia em dados, informou que “dos principais títulos nossos que foram pirateados, todos foram escaneados, nenhum era de e-books protegido por DRM.” [Acho isso bastante surpreendente. Ele mina a alegação frequente – que sempre tive a tendência a aceitar – que o DRM é uma barreira fútil contra a pirataria por ser tão facilmente quebrada. Se isso for verdade, por que as versões pirateadas que os editores encontram não vem de e-books com a DRM destravada? Algo está errado aqui.]

E outro executivo, provavelmente ecoando a mesma observação a partir de provas em sua editora, disse que achava que eu estava errado e que DRM realmente diminuía a pirataria, mas acrescentou que “DRM precisa começar muito antes na cadeia de produção para ser eficiente.”

Claro, essas observações exigem mais pesquisas como aquelas que o Brian O’Leary defende. Versões pirateadas feitas de manuscritos não podem ser lidas tão bem quanto uma cópia destravada de um e-book preparado a partir da versão final revisada. Será que algumas pessoas que começam a ler um livro pirata depois decidam comprar o e-book legítimo? Essas cópias poderiam estimular as vendas e os editores seriam mais inteligentes se não as perseguissem? Acho que não temos essa resposta.

Um dos dois agentes que descartou o DRM e respondeu “não” disse o seguinte [algo que na verdade o coloca mais perto da minha posição, apesar de que a nossa interpretação é que sua resposta foi diferente]: “Devemos também perceber que as trocas informais sempre foram uma prática comum com livros físicos. Os únicos títulos que poderiam valer a pena colocar DRM seriam enormes best-sellers onde poderia existir alguma erosão nas vendas. [Um parênteses aqui: Nós concordamos que a troca informal seria mais complicada entre os livros com maior venda.] Todo o resto – especialmente os menores títulos – na verdade se beneficiaria de trocas informais porque precisam de uma base mais ampla de leitores para construir uma pirâmide decente de vendas. Nos títulos menores, duvido que os “trocadores informais” comprem os títulos, mas eles poderiam recomendá-lo se tivessem um exemplar. Sei que muitos editores agora estão distribuindo [ou vendendo bem mais barato] títulos de autores de seu catálogo com a esperança de construir seus nomes. Se há uma lição em tudo isso, é que o meio digital pode ser usado numa variedade de formas e não deveríamos ficar paralisados pelo DRM, exceto para os grandes autores, como notamos acima.”

Recebi as melhores respostas de um executivo que acredita, como eu, que os problemas de pirataria e a necessidade de DRM vão diminuir quando adotarmos cada vez mais e-books baseados na nuvem sem que seja necessário fazer download. Numa frase bastante provocativa, esse executivo disse que apoiava o DRM para vendas de e-books com download porque “se você lançar o Código Da Vinci sem DRM ele passaria de mão em mão como uma prostituta barata numa festa de estudantes!” Mas sua explicação da nuvem se encaixa melhor para audiências familiares.

“Não existe realmente um problema de pirataria, mas não existe nenhuma alternativa verdadeira ao DRM que não seja a nuvem. A nuvem significa que você compra um produto [PS: Eu pessoalmente diria que você “licencia algum conteúdo”, não que “compra um produto”] e ganha o direito de acessar em todo aparelho que possui – conquanto que forneça as credenciais de propriedade. A nuvem significa que você trabalha somente dentro de uma plataforma e que a plataforma exige suas credenciais para acessar seus trabalhos – então isso é, na verdade, DRM – mas não é, exatamente. Dito isso, para que a nuvem funcione, precisa proteger os arquivos quando são baixados – e isso acaba sendo DRM.

O mundo todo está se afastando do download, então o DRM está se tornando irrelevante – somente os fanáticos de bibliotecas e os digerati se importam com isso. Os caras da biblioteca estão loucos por entenderem que não existe lugar para eles num mundo que torna todo o conteúdo acessível aos usuários em qualquer lugar, em qualquer momento – e acham que o DRM é o inimiga de tudo que é bom. Os digerati odeiam o DRM porque, bem, acreditam que está atrapalhando seu reino digital utópico.

Então, a nuvem nos afasta do “download e posse”. Isso pode funcionar? Bom, se você usa gmail e acha que funciona, aí está sua resposta. Por que não funcionaria para acessar, da mesma forma, o conteúdo que licenciou? E por que não funcionaria para proteger material com direitos autorais se dar acesso a outra pessoa para o que você possui direito a ver seria o equivalente a dar acesso a seu e-mail? Baseando-me nessa experiência, isso seria proteção suficiente para me satisfazer. Qualquer compartilhamento que acontecesse sob essas condições não seria informal.

Por Mike Shatzkin | PublishNews | 16/02/2011

Aventuras em texto


DURANTE A DÉCADA de 1970, o programador William Crowther dividia sua ocupação principal com a de espeleólogo, e aos fins de semana partia com os amigos para explorar uma rede de cavernas no Kentucky. Numa dessas expedições, Crowther teve a ideia de reproduzir no computador a sensação de se aventurar por uma caverna. Os computadores, diga-se, ainda ocupavam salas inteiras, e não dispunham de gráficos [quando muito, tinham monitores]. Tudo teria de ser feito à base de texto.

O jogo descrevia a cena ao usuário, que usava um punhado de verbos e substantivos para interagir com a trama. Na primeira descrição, por exemplo, o jogador se vê diante da entrada da caverna, onde também há uma lanterna. Ele digita, portanto, “PEGAR LANTERNA”, e só então entra no túnel.

Colossal Cave Adventure, como Crowther batizou a criança, tornou-se uma febre nos laboratórios de informática, e outros programadores passaram a criar variações do jogo, com novos desafios e mais salas para se explorar. Os computadores pessoais começavam a ganhar campo, e logo alguém criou uma versão de Colossal Cave que rodasse nessas máquinas. Era o início de um gênero que se tornaria onipresente e muito lucrativo por anos a fio.

As empresas começaram a investir nas aventuras de texto, produzindo dúzias de cópias de Colossal Cave. O foco estava inteiramente nos quebra-cabeças: o jogador ia desenhando seu próprio mapa do jogo [recomenda-se papel quadriculado], examinando o cenário, coletando objetos, conversando com os personagens. Uma placa no início da caverna pode explicar como se abre uma porta mais adiante, mas o item necessário para abrir essa porta está em outro canto do mapa, que, por sua vez, precisa de outro item para ser acessado, e por aí vai. As pessoas demoravam meses para virar esses jogos.

Percebendo o potencial narrativo e literário das aventuras de texto, um grupo de amigos do MIT fundou a Infocom, voltada ao gênero que batizaram de ficção interativa. A grande sacada da Infocom foi inserir essa estrutura de quebra-cabeças predominante dentro de narrativas bem escritas, longuíssimas e que exploravam outros gêneros.

O maior sucesso da Infocom foi a série Zork, um jogo de exploração marcado pelo senso de humor cínico e refinado e pelo grau doentio de dificuldade [eles eram do MIT e ninguém ali estava de brincadeira]. Zork I vendeu cerca de 400 mil unidades, numa época em que os jogos vendiam em média 6.000 unidades.

Um dos trunfos da empresa era o programador Steve Meretzky, que escreveu clássicos como Planetfall, uma aventura de ficção-científica cuja reviravolta dramática do segundo ato até hoje suscita lágrimas, e A Mind Forever Voyaging, um jogo experimental quase sem quebra-cabeças [é divertido, incrivelmente].

Os primeiros jogos com gráficos esmagaram as aventuras de texto, claro, mas elas persistem justo porque exigiam mais criativamente de seus autores, por conta das limitações técnicas. E melhor: é possível jogar a maioria delas em qualquer navegador de internet, aqui www.accardi-by-the-sea.org.

chorume.org

@andre_conti

POR ANDRÉ CONTI | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 16 de fevereiro de 2011