Apple bloqueia aplicativo do e-reader da Sony no iPhone


SAN FRANCISCO/ LONDRES [Reuters] – A Apple bloqueou o aplicativo do leitor de livros eletrônicos de sua rival Sony no iPhone. O aplicativo permitia aos usuários comprar conteúdo para o smartphone fora da loja oficial da Apple.

O aplicativo da Sony, ligado ao leitor eletrônico da marca, o Sony Reader, teria permitido que pessoas lessem livros comprados na loja da Sony.

O episódio com o leitor eletrônico reforça o que as editoras em geral veem como uma rigidez por parte da Apple.

© Thomson Reuters 2011 All rights reserved. | terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 20:19 BRST

Faculdade dará Tablets com Android a Alunos


Na imagem que ilustra a inovação em seu site, a Estácio usa um tablet idêntico ao iPad, da Apple, mas a prancheta a ser adotada usa o sistema Android, do Google

SÃO PAULO – A universidade Estácio de Sá irá distribuir neste ano computadores tablets a seus alunos do curso de Direito.

A instituição de ensino oferecerá o material didático, com todos os capítulos dos livros, em um tablet, sem custo para o aluno.

O modelo do aparelho ainda não foi escolhido, mas certamente não será o iPad, da Apple, uma vez que a prancheta a ser adotada usa o sistema Android, do Google [2.2 ou 2.3].

A escolha, segundo a instituição, se deve ao fato do sistema possuir uma boa capacidade de processamento e por rodar arquivos em flash e vídeo, o que atende à necessidade do conteúdo multimídia da Estácio.

Embora a instituição confirme não ser o iPad, curiosamente a Estácio usou, na apresentação da novidade em seu site, usou uma imagem idêntica [ver acima] ao tablet da Apple para ilustrar a inovação. Cada aparelho, de acordo com assessoria da faculdade, custará entre 350 e 450 dólares à Estácio.

Por enquanto, a novidade é só para alunos de seus campi no Rio de Janeiro e no Espírito Santo ingressantes no primeiro semestre deste ano, mas em breve, possivelmnete em cinco anos, os alunos dos demais estados e cursos também receberão os seus tablets, promete a faculdade.

O aluno receberá o tablet no segundo semestre, após ter concluído o 1º período do curso e renovado sua matrícula. O tablet será entregue como empréstimo gratuito, mas doado ao aluno após a conclusão do curso.

Por Rogerio Jovaneli | da INFO Online | Terça-feira, 01 de fevereiro de 2011 – 18h51

Integrare Editora adere às redes sociais


Ter a oportunidade de conhecer as vontades, preferências e exigências do leitor de maneira rápida e objetiva são diferenciais fundamentais para qualquer empresa. Por isso, a Integrare Editora acaba de ingressar no universo das redes sociais. Twitter,FacebookBlog são algumas das primeiras ferramentas utilizadas pela editora para atrair novos leitores. “Criamos um planejamento estratégico para atuação junto às redes sociais. No entanto, é importante pontuar, que nossa participação nessas redes é intimamente ligada aos demais canais de comunicação da editora, como BLOG, canal Youtube e website”, explica o diretor e publisher Maurício Machado.

PublishNews | 01/02/2011

Livro sobre PNLL está disponível para download


Lançado em dezembro de 2010, o livro PNLL: Textos e História, com 24 artigos de escritores, editores, membros de associações e especialistas relatando o que foi, o que é e o que representa o Plano Nacional do Livro e Leitura para o futuro, pode ser baixado gratuitamente aqui.

Na obra, são apresentadas a Lei do Livro, as declarações de Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra sobre o Ano Vivaleitura e as Diretrizes Iniciais do PNLL. O Caderno do PNLL – Edição Atualizada 2010 também está disponível para download no mesmo endereço.

PublishNews | 01/02/2011

Como funciona O Livreiro, a rede social dos leitores


Você é daqueles que lê até no banheiro? Que, distraído, percebe que está lendo uma bula de remédio? O Livreiro é para você, um apaixonado pela leitura. A rede social engloba tudo que um amante dos livros deseja, como estantes virtuais para organizar as obras literárias, comentários de outros leitores, autores favoritos, comunidades para comentar as histórias, entre outros.

O Livreiro ainda disponibiliza para o usuário um canal de notícias com informações atualizadas sobre autores e livros. Além do “Clube do Livro”, onde uma obra é lida e debatida a cada seis semanas. Para virar um usuário d’O Livreiro é simples, siga os passos abaixo:

Passo 1: Acesse O Livreiro [http://www.olivreiro.com.br/home/];

Passo 2: Clique em “Crie seu perfil’;

Passo 3: Digite suas informações pessoais;

Passo 4: Faça login nas redes sociais para encontrar seus amigos no Livreiro. É possível procurar no Gmail, Orkut, Twitter, Facebook e Hotmail;

Passo 5: Complete o seu perfil com foto, localização, interesses, entre outros;

Passo 6: Clique em “Salvar informações”;

Com o perfil pronto, você pode encontrar seus amigos, montar sua estante de livros, participar de comunidades e encontrar seus autores favoritos.

Passo 7: Clique em “Monte sua estante de livros” ou clique em “Livros”, depois selecione “Minha estante”. Com a estante aberta, clique em “Adicionar livros” no menu lateral;

Passo 8: Busque o livro que você quer colocar na estante;

Passo 9: Clique em “Colocar na estante”;

Passo 10: Escolha entre as opções: “Já li”, “Quero ler” e “Estou lendo”;

Passo 11: Clique em “Organizar estante” e depois em “Salvar livro”;

Para visualizar todos os livros e categorias d’O Livreiro, clique em “Livros” e selecione a opção “Lista de livros”.

TechTudo | G1 | 01/02/2011

“Os livros resistirão às tecnologias digitais” – Roger Chartier


POR Cristina Zahar [novaescola@atleitor.com.br] | Entrevista publicada originalmente na Revista Nova Escola | 1/02/2011

Roger Chartier

O francês Roger Chartier – é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Professor e pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor do Collège de France, ambos em Paris, também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e viaja o mundo proferindo palestras.

Sua especialidade é a leitura, com ênfase nas práticas culturais da humanidade. Mas ele não se debruça apenas sobre o passado. Interessa-se também pelos efeitos da revolução digital. “Estamos vivendo a primeira transformação da técnica de produção e reprodução de textos e essa mudança na forma e no suporte influencia o próprio hábito de ler”, diz.

Diferentemente dos que prevêem o fim da leitura e dos livros por causa dos computadores, Chartier – acha que a internet pode ser uma poderosa aliada para manter a cultura escrita. “Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos de forma intensa, aberta e universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e transmissão de texto: a mão, impressa e eletrônica – e elas coexistem.”

No fim de junho, Chartier – esteve no Brasil para lançar seu livro Inscrever & Apagar, em que discute a preservação da memória e a efemeridade dos textos escritos. Nesta entrevista, ele conta como a leitura se popularizou no século 19, mas destaca que bem antes disso já existiam textos circulando pelos lugares mais remotos da Europa na forma de literatura de cordel e de bibliotecas ambulantes. Confira os principais trechos da conversa.

Como era, no passado, o contato das crianças e dos jovens com a leitura?
Roger Chartier
A literatura se restringia às peças teatrais. As representações públicas em Londres, como podemos ver nas últimas cenas do filme Shakespeare Apaixonado, e nas arenas da Espanha são exemplos disso. Já nos séculos 19 e 20, as crianças e os jovens conheciam a literatura por meio de exercícios escolares: leitura de trechos de obras, recitações, cópias e produções que imitavam o estilo de autores antigos, como as famosas cartas da escritora Madame de Sévigné [1626-1696] e as fábulas de La Fontaine [1621-1695].

Quando a leitura se tornou popular?
Chartier
No século 19, surgiu um novo contingente de leitores: crianças, mulheres e trabalhadores. Para esses novos públicos, os editores lançaram livros escolares, revistas e jornais. Porém, desde o século 16, existiam livros populares na Europa: a literatura de cordel na Espanha e em Portugal, os chapbooks [pequenos livros comercializados por vendedores ambulantes] na Inglaterra e a Biblioteca Azul [acervo que circulava em regiões remotas] na França. Por outro lado, certos leitores mais alfabetizados que os demais se apropriaram dos textos lidos pelas elites.O livro O Queijo e os Vermes, do italiano Carlo Guinzburg, publicado em 1980, relata as leituras de um moleiro do século 16.

As práticas atuais de leitura têm relação com as práticas do passado?
Chartier
É claro. Na Renascença, por exemplo, a leitura e a escrita eram acessíveis a poucas pessoas, que utilizavam uma técnica conhecida como loci comunes, ou lugares-comuns, ou seja, exemplos a serem seguidos e imitados. O leitor assinalava nos textos trechos para copiar, fazia marcações nas margens dos livros e anotações num caderno para usar essas citações nas próprias produções. No século 16, editores publicaram compilações de lugares-comuns para facilitar a tarefa dos leitores, como fez o filósofo Erasmo de Roterdã [1466-1536].

Em que medida compreender essas e outras práticas sociais de leitura pode transformar a relação com os textos escritos?
Chartier
Os estudos da história da leitura costumam esquecer dois importantes elementos: o suporte material dos textos e as variadas formas de ler. Eles são decisivos para a construção de sentido e interpretação da leitura em qualquer época. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes [1547-1616], era lido em silêncio, como hoje, mas também em voz alta, capítulo por capítulo, para platéias de ouvintes. Todas as pesquisas nessa área formam um patrimônio comum com o qual os professores podem construir estratégias pedagógicas, considerando as práticas de leitura.

Que papel a literatura ocupa na Educação atual?
Chartier
A escola se afastou da literatura, principalmente no Brasil, porque está preocupada em oferecer ao maior número possível de crianças as habilidades básicas de leitura e escrita. Mas acredito que os professores devem acolher a literatura novamente, da alfabetização aos cursos de nível superior, como mostram várias experiências pedagógicas. Na França, por exemplo, um filme recém-lançado exibe uma peça do dramaturgo Pierre de Marivaux [1688-1763] encenada por jovens moradores de bairros pobres.

Muitos dizem que desenvolver o gosto dos jovens pela leitura é um desafio.
Chartier Certamente. Mas é papel da escola incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e o mundo. É preciso tirar proveito das novas possibilidades do mundo eletrônico e ao mesmo tempo entender a lógica de outro tipo de produção escrita que traz ao leitor instrumentos para pensar e viver melhor.

O senhor quer dizer que a internet pode ajudar os jovens a conhecer a riqueza do mundo literário?
Chartier Sim. O essencial da leitura hoje passa pela tela do computador. Mas muita gente diz que o livro acabou, que ninguém mais lê, que o texto está ameaçado. Eu não concordo. O que há nas telas dos computadores? Texto – e também imagens e jogos. A questão é que a leitura atualmente se dá de forma, fragmentada, num mundo em que cada texto é pensado como uma unidade separada de informação. Essa forma de leitura se reflete na relação com as obras, já que o livro impresso dá ao leitor a percepção de totalidade, coerência e identidade – o que não ocorre na tela. É muito difícil manter um contato profundo com um romance de Machado de Assis no computador.

Essa fragmentação dos conteúdos na internet não afeta negativamente a formação de novos leitores?
Chartier
Provavelmente sim. Na internet, não há nada que obrigue o leitor a ler uma obra inteira e a compreender em sua totalidade. Mas cabe às escolas, bibliotecas e meios de comunicação mostrar que há outras formas de leitura que não estão na tela dos computadores. O professor deve ensinar que um romance é uma obra que se lê lentamente, de forma reflexiva. E que isso é muito diferente de pular de uma informação a outra, como fazemos ao ler notícias ou um site. Por tudo isso, não tenho dúvida de que a cultura impressa continuará existindo.

As novas tecnologias não comprometem o entendimento e o sentido completo de uma obra literária?
Chartier
Sim e não. A pergunta que devemos nos fazer é: o que é um texto? O que é um livro? A tecnologia reforça a possibilidade de acesso ao texto literário, mas também faz com que seja difícil apreender sua totalidade, seu sentido completo. É a mesma superfície [uma tela] que exibe todos os tipos de texto no mundo eletrônico. É função da escola e dos meios de comunicação manter o conceito do que é uma criação intelectual e valorizar os dois modos de leitura, o digital e o papel. É essencial fazer essa ponte nos dias de hoje.

O novo suporte tecnológico pode auxiliar a leitura, mas não necessariamente o desempenho escolar.
Chartier
Pesquisas realizadas em vários países mostram que o uso do computador na Educação, quando acompanhado de métodos pedagógicos, melhora, sim, o aprendizado, acelera a alfabetização e permite o domínio das regras da língua, como a ortografia e a sintaxe. É preciso desenvolver políticas públicas que tenham por objetivo a correta utilização da tecnologia na sala de aula.

O senhor acha que o e-paper [dispositivo eletrônico flexível como uma folha de papel] é o futuro do livro?
Chartier
Os textos eletrônicos são abertos, maleáveis, gratuitos e esses aspectos são contrários aos da publicação tradicional de um texto [que pressupõe a criação de um objeto de negócio]. Para ser publicado, um texto deve ser estável. Na internet, os textos eletrônicos continuaram protegidos, ou seja, não podem ser alterados, e têm de ser comprados e descarregados no computador do usuário integralmente. Para mim, a discussão sobre o futuro dos livros passa pela oposição entre comunicação eletrônica e publicação eletrônica, entre maleabilidade e gratuidade.

Ao longo da história da humanidade, acompanhamos a passagem da leitura oral para a silenciosa, a expansão dos livros e dos jornais e a transmissão eletrônica de textos. Qual foi a mais radical?
Chartier
Sem dúvida, a transmissão eletrônica. E por uma razão bastante simples: nunca houve uma transformação tão radical na técnica de produção e reprodução de textos e no suporte deles. O livro já existia antes de Guttenberg criar os tipos móveis, mas as práticas de leitura começaram lentamente a se modificar com a possibilidade de imprimir os volumes em larga escala. Hoje temos no mundo digital um novo suporte, a tela do computador, e uma nova prática de leitura, muito mais rápida e fragmentada. Ela abre um mundo de possibilidades, mas também muitos desafios para quem gosta de ler e sobretudo para os professores, que precisam desenvolver em seus alunos o prazer da leitura.

É muito fácil publicar informações falsas na Internet. Como evitar isso?
Chartier
A leitura do texto eletrônico priva o leitor dos critérios de julgamento que existem no mundo impresso. Uma informação histórica publicada num livro de uma editora respeitada tem mais chance de estar correta do que uma que saiu numa revista ou num site. É claro que há erros nos livros e ótimos artigos em revistas e sites. Mas há um sistema de referências que hierarquiza as possibilidades de acerto no mundo impresso e que não existe no mundo digital. Isso permite que haja tantos plágios e informações falsas. Precisamos fornecer instrumentos críticos para controlar e corrigir informações na internet, evitando que a máquina seja um veículo de falsificação.

BIBLIOGRAFIA

A Aventura do Livro, Roger Chartier, 160 págs., Ed. Unesp, tel. [11] 3661-2881, 53 reais

História da Leitura no Mundo Ocidental, vol. 2, Roger Chartier e Guglielmo Cavallo, 248 págs., Ed. Ática, tel. [11] 3990-2100, 35,50 reais

Inscrever & Apagar, Roger Chartier, 336 págs., Ed. Unesp, 35 reais

O Queijo e os Vermes, Carlo Ginzburg, 256 pág., Ed. Cia. das Letras, tel. 0800-014-2829, 19,50 reais

Práticas da Leitura, Roger Chartier, 268 págs., Ed. Estação Liberdade, tel. [11] 3661-2881, 42 reais

Especialistas desvendam caminho das pedras para comércio eletrônico


Em 1919, um escritor paulista decide simplesmente revolucionar o então mercado livreiro no Brasil. Quando tira da gráfica de O Estado de São Paulo a primeira fornada de mil exemplares de sua coletânea de contos Urupês, encontra um gargalo dos mais sérios: no Brasil havia pouco mais de 30 livrarias, ou quase isso, para se vender livros. Seu achado foi procurar o Departamento dos Correios e levantar mais de mil agências pelo país. Escreve a cada agente postal uma carta comercial pedindo indicação de qualquer comércio nas proximidades, indicação de alguma casa comercial, seja qual a finalidade, para tê-la como ponto de venda. Mais de mil bazares, bancas de jornal e até casas de secos e molhados formaram sua malha de parceiros.

Pois um segundo grande pulo, quase 100 anos depois, está provocando mudanças tão grandes como essa primeira: o chamado comércio eletrônico [ou ­e-commerce] pela rede mundial de computadores. Os grandes editores – como o Grupo Record e a Companhia das Letras – contam com as vendas diretas entre eles e seus leitores, como uma das modalidades usuais de comércio de livros. Essas ferramentas tecnológicas via website agora também são acessíveis a médios e pequenos editores.

Apoios e restrições a essa modalidade de relacionamento com o cliente final estão presentes nessa recente movimentação. Ponderando possibilidades, Panorama Editorial encontrou um dos maiores especialistas e pioneiro no e-commerce no Brasil, Álvaro Machado. Ele iniciou do zero há 10 anos pela Cosac Naify como webmaster [responsável desde o projeto estético e funcional do site até a sua administração] para se dedicar à sua chancela Ópera Prima e ainda prestar estes serviços a mais sete casas publicadoras: Cosac Naify, Editora 34, Iluminuras, Instituto Lina Bo Bardi, Terceiro Nome, Terra Virgem e Zouk pelo seu portal Ópera Prima Cultural www.operaprimacultural.com.br. Ao mesmo tempo em que conta sua trajetória, ele dá uma série de dicas dos caminhos das pedras nada virtuais para quem quiser entrar neste segmento. Ainda foram ouvidos editores que expõem seus pontos de vista sobre esta nova perspectiva.

100 livros
O jornalista Álvaro Machado colaborou como repórter e editor nos cadernos culturais de Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo entre 1989 e 2003, especialmente destacado crítico de cinema. Também atuou como organizador e tradutor nas editoras Attar, Ground, Ópera Prima, Sesc-SP, SESI e Cosac ­Naify. A sua experiên­cia como jornalista a cobrir o setor e essas atividades editoriais o levaram a aceitar, em 2000, o desafio de erguer o e-commerce do portal da recém-fundada Cosac Naify [cosacnaify.com. br].

Desde a formação do portal, em 2001, já se mesclava informação geral sobre livros e literatura e catálogo on-line. Ou seja, a editora foi inovadora também neste sentido, por nunca ter um catálogo impresso. O que, para Machado, é positivo, é muito consultado e libera a editora da dificuldade de atualização, resultando em maior agilidade.

O primeiro site já reunia o esforço de várias pessoas por mim coordenadas. O designer inicial foi Raul Loureiro e, depois, Elaine Ramos – ambos profissionais do livro premiados com vários prêmios Jabutis”, conta. O catálogo da editora não passava então de 250 títulos. “Este número já justificava a iniciativa da construção do portal, pois não considero prático ou com retorno suficiente construir e-commerce para editoras de catálogos menores, ou seja, com menos de 100 títulos, mesmo com a facilidade atual de modelos de lojas virtuais gratuitas que são ofertadas na Internet”.

Nesse caso, é preferível indicar, para a compra, o site livreiro de um parceiro privilegiado, desde que este tenha sempre os livros do catálogo em estoque para envio imediato, e muitas editoras procedem exatamente dessa maneira. O editor contabiliza nessa relação entre custo e benefício outros componentes fundamentais para uma loja virtual própria de editora. O investimento contempla manutenção da loja e, sobretudo em pessoal: desde programadores para a customização da mecânica de compra até redatores de conteúdo e de webdesigner, passando por webmaster em plantão permanente para responder aos leitores e pessoal para cuidar da certificação financeira para os créditos ingressados via cartões, boletos entre outras formas de pagamento. Além de uma equipe treinada para a expedição ágil e correta de mercadorias. “Tudo somado significa no, mínimo, uma brigada de 10 pessoas trabalhando sob uma coordenação eficiente”, contabiliza.

Na Cosac Naify, além de editor do portal, Machado atuou como webmaster ou responsável pela administração interna de caixas postais e manutenção da rede até 2009. Ele também cuidou, em 2009, da transição de equipes de programadores e de pessoal interno para que o site fosse reinaugurado no final deste mesmo ano com novas mecânicas de navegação, design, serviços, seções entre outros aspectos.

Novas funcionalidades
No portal da editora, Machado estruturou outras funcionalidades que julga essenciais em lojas virtuais hoje em dia, [como coordenar a construção da ferramenta de organização e expedição de mailing interno onde se armazenam dados de consumidores como nomes, endereços, características do consumidor entre outros] especialmente para marketing direto. Outro aspecto importante para e-commerce agilizado no portal da Cosac Naify foi a construção de uma loja especial do professor, para abrir 40% de desconto para profissionais da rede privada previamente cadastrados na editora, iniciativa repetida depois por duas casas editoriais com algum fôlego.

Em 2010, Machado passou a se dedicar à sua própria editora e distribuidora de livros, a Ópera Prima Cultural, lançando edições em literatura brasileira e construindo um portal que inclui uma “livraria de descontos” em lançamentos e seleções dos melhores livros de marcas como a própria Cosac Naify, Editora 34, Iluminuras, Zouk [de Porto Alegre], edições Instituto Lina Bo Bardi, Terceiro Nome, Terra Virgem e Ópera Prima. Logo, são oito editoras agrupadas nesse site sempre com descontos significativos para livros novos e antigos. Para ele, este é outro elemento importante em loja virtual, manter público leitor fiel com promoções. Isso é possível, entre outros elementos, pelo fato de não haver a figura da distribuidora tradicional no processo.

Também há uma seção de catálogos independentes de arte, fotografia e arquitetura e venda de CDs de música brasileira, especialmente música antiga [erudita] e, finalmente, seção de comércio de obras de arte originais como desenhos, fotografias e gravuras assinadas de autores novos e também de nomes consagrados. Ele ainda inovou com a venda de desenhos originais utilizados em livros ilustrados. O portal inclui um blog literário e uma revista eletrônica, esta com textos não apenas sobre literatura, mas sobre teatro, cinema, artes visuais e comportamento. Estes e outros elementos são igualmente atrativos para manter o público consumidor envolvido com o portal, sendo quase uma comunidade virtual para troca de ideias e uma maneira ágil e confiável de levantar demandas destes consumidores.

Curto prazo
O mercado de compra e livros pela Internet está cada vez mais fortalecido, sinaliza Machado. Um dos aspectos para tal está nas distribuidoras tradicionais, que parecem ter capacidade de colocar apenas os best-sellers das várias listas e mais nada. “Mesmo assim, as dificuldades financeiras desse setor são enormes e os calotes e falências são constantes”, afirma. Por outro lado, edições menores e menos apelativas às vezes retornam ao editor sem qualquer colocação efetiva em livrarias, em operações que acarretaram custos de fretes e administração, tempo de trabalho de departamentos comerciais entre outro passos dessa linha de comércio, explica. Nesta realidade, as chamadas “ponto com” têm algumas vantagens competitivas. Muitas não necessitam de grandes estoques físicos – o que diminui custos vários – e as compras das editoras podem ser feitas praticamente sob demanda do leitor. Porém, lojas virtuais surgem praticamente toda a semana e os diferenciais apontados anteriormente – como descontos, brindes e atendimento eficiente – são muito importantes.

Enfim, para Machado, se houver volume suficiente de livros vendidos, boa administração de expedição, fretes com preços competitivos pode existir compensação financeira para a iniciativa. “Agora é ver como as “ponto com” mais tradicionais entrarão no mercado em aquecimento de livros virtuais. Para leitores eletrônicos, por enquanto essa oferta de e-books está restrita a dois ou três sites, no máximo”, projeta.

Relação com as livrarias
No início do jogo da Internet, lembra Machado, o site de vendas de uma editora era visto pelas livrarias tradicionais mais ou menos como competição desleal, mesmo que aqueles não oferecessem descontos em lançamentos. Como é até hoje a política de Cosac Naify e de várias editoras que copiaram seu exemplo, até mesmo a Companhia das Letras, que entrou nesse mercado de venda direta via site alguns anos depois. Mas hoje, percebe o webmaster, as livrarias não se sentem tão atingidas, talvez porque os sites de vendas – com descontos ou não – multiplicaram-se até o patamar do incontável e porque as editoras também passaram a manter negociações diferenciadas para cada título lançado, com descontos e vantagens específicas para as livrarias físicas, o que compensa a ação de venda própria via web.

O site próprio para editoras com bom fundo de catálogo possibilita também o lançamento de promoções-relâmpagos, que muitas vezes diminuem sensivelmente um estoque de difícil saída, aponta. “Um exemplo pontual foi uma venda de 24 horas com desconto de 50% em outubro de 2008 para centenas de títulos da Cosac Naify, o que deu um retorno de cerca de 4.500 pedidos pagos com venda média de três títulos em cada compra. Essa ação se repetiu em 2010 e eu não tenho números desta última, mas creio que a venda anterior ainda constitui um case exemplar na história do e-commerce brasileiro, até hoje dificilmente superável”.

Para reforçar essa avaliação, Machado recorda que em 2008 ainda eram incipientes os multiplicadores rápidos de informação, como Twitter e outras redes sociais rápidas. O grande problema desse episódio, continua, foi a logística de expedição de tantos pedidos simultaneamente. “O departamento comercial não estava preparado para isso e não se quis frustrar os leitores interrompendo a promoção no curso do período anunciado. Em compensação, os problemas para entrega correta de pacotes prolongaram-se por cerca de 40 dias”.

Quando a conta fecha
O investimento exigido para a construção de um site de vendas bem feito, com um mínimo de apelo comercial, é de quatro meses no mínimo de trabalho de um coordenador, de uma equipe de programação e de um departamento para tratar da contratação e funcionamento correta dos métodos de pagamento, pois os estabelecimentos comerciais devem ser específicos de e-commerce, desdobra o especialista. “Calculo seis meses no mínimo para pagar o investimento realizado”. Já o retorno financeiro depende enormemente da criatividade em ações promocionais e a divulgação do endereço virtual.

A construção de uma boa carteira de clientes, com pelo menos mil compradores regulares, jamais será efetivada em menos de 12 meses de funcionamento, pois a compra de malas-diretas prontas ou mesmo a utilização de softwares dedicados a colher e-mails roboticamente em sites vários não surte efeito algum, avisa.

É preciso ainda constituir confiabilidade de compradores, pela entrega rápida e correta dos pedidos e também de trocas realizadas de forma ágil, quando for o caso, além de resposta via e-mail imediata para consultas variadas.

Na contramão
As lojas virtuais de editoras têm vários aspectos positivos, inclusive quando o leitor provoca uma trajetória de contramão nas relações estabelecidas. Paulo Wassermann, diretor de mar­keting do Grupo Editorial Summus, vê esse tipo de fato quando livros que não são pedidos pelos compradores de lojas físicas acabam fazendo parte de pedidos de suas próprias lojas virtuais. “Ou seja, o comprador da loja acha que não vende, mas o leitor quer comprar e procura na Internet.” O grupo congrega os selos Summus, MG Editores, Selo Negro, Edições L, Agora e Mescla.

O site do Grupo Editorial Summus tem uma loja virtual desde 2002. A exemplo de Machado, Wassermann vê o mercado on-line em franco crescimento. “Como cada livro é um produto único, isso facilita a pesquisa e todo o processo de compra sem o contato físico com o livro”. Além da comodidade de fazer tudo isso sem sair de casa. Para ele, estes são os motivos pelos quais o livro é um dos produtos mais vendidos pela rede mundial de computadores. Porém, destaca que é grande a fatia de consumidores que prefere ir a ponto de venda físico e tocar no livro antes de comprar, o que não deixa de ser importante para o mercado editorial.

O diretor não é excludente entre a loja física ou virtual. Para ele, se os clientes não conseguem encontrar todos os títulos do grupo nos pontos de vendas tradicionais, é preciso criar meios para facilitar esse processo. Assim, é importante ter um site próprio de vendas. No caso da Summus, todos os títulos estão disponíveis, além de links diretos para algumas livrarias. O cliente pode comprar o livro com a editora, ou através de uma das livrarias virtuais. “Não temos como objetivo concorrer com as livrarias e sim apenas servir como opção caso o cliente não encontre o livro”, acentua.

A Summus visa, principalmente, a divulgação de seus produtos, tanto que vendem a preço de capa mesmo quando alguma outra loja virtual dá descontos.

Outro lado
A Martins Fontes não vê necessidade de realizar e-commerce através do seu site da livraria também físicawww.martinsfontespaulista.com.br. “Isso pode mudar um dia, mas acreditamos que o grande incentivo para a compra de nossos livros deva levar o leitor para os nossos parceiros. Para a editora, é melhor que um cliente compre na Livraria da Vila, por exemplo, do que no nosso site”, informa o relações-públicas da editora, Felipe Teixeira. Para a editora, a compra na livraria parceira fortalece o ponto de venda que batalha clientes e expõe os livros o ano inteiro. Se um dia o e-commerce for adotado pela editora, pondera, será apenas para oferecer mais um canal.

O site está no ar desde maio de 2007 e o grande custo está na construção do site em si, tanto no sistema de funcionamento quanto na sua “aparência”, ou seja, o design. E há também a logística. “Uma vez isso montado, há manutenção, claro, mas o fato da livraria virtual poder funcionar a portas fechadas, sem a necessidade de dezenas de vendedores especializados atendendo a cada minuto o público que vem comprar ou visitar, também oferece uma vantagem significativa em relação ao custo operacional. No nosso caso, após dois anos de funcionamento, o site já estava se pagando”. Teixeira informa que nos atuais moldes, o site é vantajoso para a editora.

Representa de 20 a 25% de nossas vendas”, finaliza.

Por Gutemberg Medeiros | Panorama Editorial | 01/02/2011