Escritora de 26 anos é milionária com obras no Kindle


Site da Amazon disponibiliza livros da autora | Foto: Reprodução

A escritora americana Amanda Hocking, 26 anos, está ganhando muito dinheiro com vendas de livros no Kindle. Ela foi classificada em alguns blogs como primeira escritora “indie” campeã de vendas. O jornal USA Today estimou que a conta bancária da artista deva ser maior que US$ 1 milhão, de acordo com o site Business Insider .

Amanda, residente no estado de Minnesota, é a primeira autora a ser best-seller no Kindle sem ter publicado outros livros com grandes editoras antes da existência do dispositivo. Ela escreveu até agora 19 livros e diz em seu blog já ter vendido 900 mil cópias.

A jovem escritora de ficção ganha 70% da receita dos mais de cem mil livros que vende por mês. O preço, no entanto, é camarada: as obras variam de US$ 0,99 a US$ 3. Esta é exatamente a estratégia de Amanda para ganhar mais: vender com pouca margem, mas ganhar em volume.

Portal Terra | 28 de fevereiro de 2011 • 19h07

Publicando um e-book na Amazon


Por José Luiz dos Santos | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 28/02/2011

Andei cometendo livros de ficção nos últimos anos e deu-me vontade de publicar uma espécie de novela policial que intitulei Bertioga. Senti-me, porém, sem tempo ou ânimo para encarar o risco de uma maratona esquisita de contatos com editoras, sina que pode acometer autores iniciantes dessa modalidade. Como também me desinteressei pelos esquemas de publicação sob demanda, acabei arquivando o livro e a intenção. Passado um tempo me ocorreu publicá-lo na forma de e-book.

Há muitas plataformas de publicação digital e das que acessei interessei-me pela Kindle da Amazon.com, que desde o ano passado aceita livros em português. Ela me pareceu pouco complicada e com bons termos de contrato. Para fins de direitos autorais pode-se optar pelas bases de 35% ou 70% sobre o preço combinado. Consideradas as vantagens e desvantagens, optei por 70, embora essa percentagem só se aplique a compras feitas a partir de países como EUA, Canadá e Reino Unido.  No caso de compras do Brasil, valerá sempre 35%. Para autores de fora dos EUA o pagamento é feito através de cheques em dólares. O preço do livro o autor fixa a partir de parâmetros da plataforma. Fixei o meu em US$ 8.45. Novamente, esse preço é para compras nos EUA. Para compras feitas em outros países é acrescido um valor de US$ 2.00 como custo de envio eletrônico.

Faço umas sugestões abaixo para quem quiser ver como a coisa funciona.

O site da Kindle Direct Publishing [KDP] é o ponto de partida. Registre-se como autor e consulte as informações disponíveis. Há várias maneiras de preparar um texto para publicação, o que num primeiro contato pode parecer confuso. Sugiro abaixo a que me parece menos sujeita a problemas. A despeito da gíria técnica, acaba sendo fácil. Se precisar mais detalhes, procure no site.

Prepare seu texto no Word segundo as instruções do KDP clicando no Kindle Publishing Guide, depois Publish Your Content e finalmente no Simplified Guide to Building a Kindle Book. Nada de numeração de página ou notas de rodapé. Fique atento para a instrução sobre Quebra de Página fechando parágrafos e partes e após títulos de capítulo que queira isolar. Revise seu texto e salve-o como Página da Web, filtrada. Ele não será revisado pela plataforma.

Tenha pronta a capa no formato TIFF ou JPEG, com tamanho entre 500 por 1.200 pixels e 72 DPI. Muitos livros digitais dispensam índice. Se for o caso de ter um [eu não quis] prepare a relação de hipertextos usando um editor de html como oSeaMonkey. O download deste e dos dois outros programas mencionados abaixo é gratuito.

Com o programa Mobipocket Creator escolha Import From Existing File, HTML document. Em seguida localize aquele arquivo de texto em html, filtrado e importe-o. Um novo ícone será gerado e acima dele clique em Build. Na página que se abre clique em Cover Image, traga a sua capa e acione o botão Update. Se for usar índice incorpore-o através de Table of Contents. Isso feito clique na caixa Build.

O arquivo transformado pelo Mobipocket [.prc] será salvo numa pasta My Publications. É seu livro, em condições de upload para a KDP. Antes, porém, é conveniente visualizá-lo no programa Kindle Previewer. Se algo não estiver bem, por exemplo, um nome de capítulo mal centrado, o jeito é consertar a partir da versão Word e refazer todo o percurso. A publicação é rápida e não há pagamento a fazer. Menos de 72 horas após ter transferido meu arquivo lá estava meu Bertiogapublicado: http://www.amazon.com/dp/B004KZOQGU

Os procedimentos da plataforma de publicação e de informes aos autores são comandados por inteligência artificial, é claro, que até despacha e-mails de congratulação quando um livro é publicado.  Os procedimentos incluem uma central de autores concebida para que  as vendas e os direitos autorais sejam acompanhados de perto. É possível entrar em contato com pessoas através do endereço de apoio mas uma questão considerada padrão está sujeita a receber uma resposta automática.  Nos fóruns da própria KDP pode-se acompanhar  preocupações  de autores com esse sistema, seja por terem dificuldade em operá-lo, seja por desconfiarem que não funcione direito. Suas ansiedades cobrem um leque de temas, do upload de seus textos ao pagamento de seus royalties, passando pelas informações sobre seus livros e suas vendas..

É uma mudança e tanto na forma de texto. Como ficarão as editoras nisso tudo? O que significarão suas marcas e práticas longamente construídas nesse contexto de uploads, downloads, blogs, sites, reading devices e plataformas de publicação? Já os autores independentes têm novos desafios e tarefas. Cabe-lhes cuidar da revisão final e da edição de seus livros, tendo que se entender com peculiaridades do mundo digital e com seus programas. Consumada a publicação digital os autores podem ver seus livros colocados na “cauda longa” de que falou Chris Anderson e ficará a cargo deles a tarefa complexa de dar visibilidade ao que produziram.

Por José Luiz dos Santos | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 28/02/2011

* José Luiz dos Santos [jlsantos17 @ gmail.com] é um antropólogo que virou escritor. Conheceu Carlo Carrenho, editor deste blog, nos idos de 1998 quando lecionava um curso sobre Globalização na Unicamp e o Carlo era um aluno especial perdido pelos lados de Barão Geraldo. Naquela época, não havia e-books, mas Carlo enviou sua prova final por e-mail.

Singular lança revista e rede social


A Singular Digital promove hoje [28], às 19h30, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon [Rua Afrânio de Melo Franco, 290 – loja 205 A – Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21-3138-9600], o evento #unisingular. Lá, será apresentado o primeiro número da revista Universo Singular que, segundo a editora, se propõe a falar sobre o mercado editorial, dando atenção especial ao mundo digital, além de divulgar os trabalhos da Singular e das suas editoras parceiras.

Para marcar o lançamento, haverá um debate com a presença de representantes dessas editoras– para as quais a Singular faz a distribuição e impressão sob demanda – que discutirão sobre o mercado editorial. A empresa, que é o braço digital da Ediouro, apresenta ainda a rede social Universo Singular, voltada para a interação entre os profissionais do mercado editorial, e o Espaço Singular, uma área na Livraria da Travessa onde todos os títulos das editoras parceiras da Singular estarão expostos para venda.

PublishNews | 28/02/2011

Operadora de celular vai vender o Kindle nos EUA


Dispositivo chega às lojas americanas em março | Foto: Reprodução/Geek

A operadora norte-americana AT&T anunciou nesta segunda-feira que vai começar a vender o leitor de livros eletrônicos Kindle 3G, da Amazon, em suas lojas no varejo a partir de março. É a primeira vez que uma operadora de celular vai vender o e-book.

A Amazon já utiliza a rede 3G da AT&T para dar acesso à internet ao Kindle, permitindo o download direto de livros, revistas, jornais, blogs e outros documentos ao equipamento com tela de 6 polegadas. O Kindle oferece ainda conectividade Wi-Fi.

O leitor de e-books é vendido na cor grafite e, segundo a Amazon, sua tela de e-ink tem 50% melhor contraste que outros dispositivos similares, com páginas que viram mais rápido, seu armazenamento permite guardar até 3.500 títulos e sua bateria dura até um mês.

O acesso 3G no Kindle não é cobrado à parte pela operadora. A loja online do Kindle oferece mais de 810 mil livros para venda, além de 1,8 milhão de títulos gratuitos que podem ser lidos no próprio dispositivo da empresa, assim como em outras plataformas, como iPads, iPhones, BlackBerry, Android, Mac e PC. O Kindle 3G será vendido na AT&T pelo preço oficial de US$ 189.

Portal Terra | 28 de fevereiro de 2011 • 14h19

Transforme seu Android em uma central de leitura de HQs


Você é fã de HQs? Então imagine a possibilidade de ler seus quadrinhos preferidos no seu smartphone ou tablet. Seria um alívio para quem adora carregar algumas edições na mochila, não é? Pois é isso que promete o aplicativo Graphic.ly.

O Graphic.ly é um aplicativo para baixar, comprar, ler e gerenciar histórias em quadrinhos. Além disso, outra funcionalidade dele é a de compartilhar e reunir outros fãs de quadrinhos em uma mesma comunidade de fãs, onde é possível comentar, ver as últimas aquisições de cada usuário e ler suas opiniões a respeito.

Graphic.ly [Foto: Divulgação]Basicamente, Graphic.ly transforma seu smartphone em uma central de quadrinhos, com direito a vários títulos de HQs gratuitos para você experimentar. O aplicativo traz uma interface bonita e organizada, com uma loja virtual para comprar e ler seus HQs diretamente do smartphone.

No seu grande acervo, há títulos publicados pela Marvel Comics e pela IDW, incluindo alguns clássicos como Homem de Ferro, X-Men, Quarteto Fantástico, entre outros.

Se você tem um smartphone Android com versão superior ao 2.1, então siga os passos abaixo e veja como funciona este aplicativo:

Primeiros passos

Passo 1. Busque na Android Market o aplicativo “Graphic.ly”;

Passo 2. Clique em “Install” e aguarde o download e a instalação;

Passo 3. Abra o aplicativo no seu celular e crie uma conta [ou conceda o acesso a sua conta do Google];

Usando o aplicativo

Passo 4. Depois de realizar login, vá em “Store”;

Passo 5. Você verá três opções: Buscar por editora, por título ou por HQ’s gratuitas;

Passo 6. Na opção “Busca por editora”, você pode selecionar as editoras, para assim começar a selecionar seus títulos – expostos com o nome de cada publicação e quantas edições foram disponibilizadas para venda;

Passo 7. Na opção “Busca por título”, você pode selecionar os títulos diretamente, e depois as edições.

Passo 8. Ao comprar alguma edição, clique no título e depois no valor. Assim, aparecerá a edição no seu carrinho de compras. Confirme a escolha [em “check-out”] e escolha o cartão de crédito que será usado para o pagamento;

Comprando edições gratuitas

Passo 9. Para ver os quadrinhos gratuitos, clique em “Free Comics”;

Passo 10. Selecione um título e clique em “Free”;

Lendo os quadrinhos

Passo 11. Clique em “My Collection”, selecione a editora, o título ou títulos recentes;

Passo 12. Escolha uma edição e aproveite a sua leitura;

Passo 13. Você pode usar o movimento de pinça para dar zoom, assim como também pode ler seus HQ’s sem precisar estar conectado à internet. Para isso, basta selecionar a opção “Sync offline”.

ESCRITO POR Rudolfh Bantim | Publicado no Portal TechTudo | 28/02/2011

Coleções Educadores e História da África disponíveis na web


A Coleção Educadores, com 62 títulos, e a Coleção História Geral da África, com oito volumes, estão disponíveis no portal Domínio Público do Ministério da Educação [MEC]. As obras são dirigidas aos professores da educação básica e às instituições de educação superior que atuam na formação de docentes, mas o acesso é livre no portal.

Integram a Coleção Educadores, que começou a ser distribuída este mês às escolas da educação básica do País, 31 autores brasileiros, 30 pensadores estrangeiros e um livro com os manifestos Pioneiros da Educação Nova, escrito em 1932, e dos Educadores, de 1959.

Preparada pelo MEC desde 2006, a coleção integra as iniciativas do governo federal de qualificar a formação inicial e continuada de professores da educação básica pública.

Oito mil exemplares [conjuntos] impressos da coleção serão distribuídos pelo MEC nas bibliotecas públicas do País, universidades, conselhos de educação e ministérios públicos estaduais. Além de objeto de leitura e estudo, o conteúdo dará sustentação à produção de material didático para as escolas da educação básica.

Integra, ainda, uma série de iniciativas para a formação de professores e o currículo dos estudantes, conforme prevê a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que trata das diretrizes curriculares nacionais para a educação etnorracial nas redes públicas de ensino.

Acesse o Portal Domínio Público no endereço eletrônico http://www.dominiopublico.gov.br.

Secom | 28/02/2011

Luís Sepúlveda se recusa a aceitar fim do livro de papel


Portugal: Com mais de 40 anos dedicados à literatura, Luís Sepúlveda recusa-se a aceitar o desaparecimento do livro em papel e apresenta-se como um firme defensor do livro, em oposição aos leitores eletrónicos, objetos “frios e sem personalidade”.

Se algum dia se quiser adornar um livro com música ou com publicidade… preferiria não estar vivo quando isso acontecer”, assegurou Luís Sepúlveda.

O escritor mantém-se otimista: “Fala-se muito sobre a mudança do livro, mas acho que, pelo menos nos próximos 30 anos, o livro de papel vai continuar a ser favorito, pela enorme sensualidade que tem o objeto”.

O livro, nas palavras de Sepúlveda, é “algo quente, plenamente manipulável”, enquanto o método eletrónico é “um objeto frio, sem personalidade, que não diz nada”.

Prefiro os velhos livros. Também tenho um reader, mas utilizo-o apenas para consultar o dicionário. Um dia tentei ler um romance e fiquei cansado. Não tinha esse gosto manual, a sensualidade de passar as páginas. Faltava algo”, garante.

Luís Sepúlveda deu um exemplo prático: “É como com a música: podes escutar na reprodução em MP3 um álbum de um grande músico como Chet Baker e soar-te bem. No entanto, falta algo. Falta o que tinha o velho disco de vinil. Os sons que eram parte da música.

O excesso de perfeição, segundo o autor de “O Velho que Lia Romances de Amor”, “mata a originalidade”, por isso prefere continuar a ouvir esses velhos discos de vinil e a ler esses velhos livros.

Há alguns leitores, como eu, que têm costumes específicos. Por exemplo, eu não uso marcador de livro, dobro a página onde estou a ler. E muitas vezes também gosto de fazer anotações. E isso não se pode fazer no formato digital”, exemplificou.

Além dos velhos hábitos, o gosto de Luís Sepúlveda pelo papel mantém-se porque encontra no método eletrónico vários problemas: “Hoje em dia não podes estar ao sol com um reader porque não vais conseguir ver nada, não vais poder lê-lo. Não podes ir à praia com um reader, porque a areia vai estragar o ecrã”.

A paixão pelos seus livros é tanta que, quando termina a leitura de um que lhe agradou, o escritor chileno mantém-no perto de si para se recordar dos “bons momentos” que passou a lê-lo. “É um fetiche bonito”, acrescentou.

Luís Sepúlveda acredita que “é possível que se imponham novas formas de apresentar os livros”, mas que a metodologia de escrita vai continuar igual.

Uma pessoa, sentada, em frente ao papel, a contar uma história”, concluiu.

Agência Lusa | 28/02/2011

Pilotos trocam os mapas em papel pelo iPad em aviões nos EUA


Órgão que administra a aviação autorizou que empresa use tablet.
Pilotos poderão utilizar aparelho como fonte de informação.

Mapas antes feitos em papel poderão ser consultados pelo iPad | Foto: Reprodução/Wired

O órgão que administra a aviação nos Estados Unidos autorizou o uso do iPad como fonte de informação para os pilotos. A Administração Federal de Aviação [FAA] permitiu que a companhia “Executive Jet Management” use o tablet da Apple como uma alternativa aos mapas feitos no papel.

A decisão se aplica somente à Executive Jet Management, mas tem efeito em toda a aviação. Ao permitir que os pilotos da empresa usem o iPad, a FAA está reconhecendo o potencial dos tablets como instrumentos para a aviação.

Conforme reportagem da revista “Wired”, antes da decisão, o iPad era visto apenas como um instrumento de referência, e não como fonte de informação única dos pilotos.

A autorização foi seguida por três meses de testes rigorosos do iPad e do “Mobile TC”, um aplicativo de mapa desenvolvido pela empresa “Jeppesen”. Os testes realizados mostraram que o tablet não interfere nos equipamentos eletrônicos do avião. O iPad foi testado em 10 aviões operados por 55 pilotos em 250 voos.

A FAA está avaliando outros pedidos de empresas de aviação para o uso do iPad na cabine dos pilotos.

Do G1, em São Paulo | 28/02/2011 – 11h26

Procuram-se colaboradores


Com o objetivo de se firmar como uma publicação on-line que explore a arte literária através da difusão de textos verbais e não-verbais de diferentes gêneros e formatos chega ao mercado a revista Macondo. A publicação está aberta a diversas formas de expressão, seja através de resenhas, contos, poemas, charges, fotografias etc, e será publicada trimestralmente com distribuição gratuita. A primeira edição deve sair no dia 22 de abril e os interessados em enviar material para ser publicado podem fazê-lo até o dia 20 de março.

Os autores deverão enviar seus trabalhos em arquivos de Word, fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, por e-mail. Todos os trabalhos serão avaliados. No campo “Assunto”, especificar a natureza do texto em anexo, dentre as seguintes:

Contos: até 7.500 caracteres

Poemas

Haicais: preferencialmente, 2 ou mais

Resenhas: sobre livros clássicos e/ou contemporâneos

Charges/Tirinhas: devem ser enviadas em alta qualidade e no formato de preferência do criador [.png, .jpg, .bmp, .gif]

Fotografias: com título e, se desejar, com descrição/impressão

Outros textos [ensaios, teoria literária…]: até 8.000 caracteres

Outros dados a serem informados: nome do autor, pseudônimo [se for o caso], condição do texto [inédito ou já publicado; se já publicado, em qual veículo e com a permissão para reproduzi-lo], mini-biografia [em poucas palavras, fale um pouco sobre onde mora, o que faz etc], e-mail para contato e, se houver, endereço do blog/site.

PublishNews | 24/02/2011

Distribuição Digital


Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em Publishnews | 24/02/2011

No maravilhoso mundo digital, todos os problemas de distribuição deveriam estar solucionados… E estão! Quando uma editora já adaptou sua produção, começou a produzir eBooks – tanto em ePub, quanto em PDF – surge a grande dúvida: e agora? Pra onde eu mando? Vou distribuir meu conteúdo por aí? Essa foi uma fase com a qual me preocupei bastante- tanto como editora, quanto como empreendedora. Foi a partir daí que comecei a estudar e cheguei às conclusões e soluções que descrevo a seguir:

1] Distribuição no Brasil: existem várias formas para distribuir seus eBooks com segurança por aqui, inclusive posso até dizer que não deixam a desejar e até superam muitos sistemas lá de fora. A forma que a @CakiBooks decidiu distribuir foi através da Xeriph.

Para quem não conhece, a Xeriph tem um sistema agregador simples, onde cadastra seus eBooks com metadados completos e distribui para mais de seis lojas já integradas [fora as que estão em processo de integração], com total transparência com os relatórios em real time. O melhor da Xeriph [além do fato de que eu faço parte da equipe como consultora =0] – ah gente…] é o controle total de quanto cada livraria vendeu, o poder de desligar uma livraria, pausar as vendas de um eBook, trocar conteúdo [miolo, capa e metadados] e a  atualização de todas as lojas após as modificações. Seus arquivos não serão espalhados e o que será enviado para as livrarias são os metadados. No final da compra, quando tudo for finalizado na loja, o leitor, sem perceber, baixará o arquivo com DRM [Digital Rights Management] diretamente do banco da Xeriph. O valor que eles cobram é somente sobre o download [modelo de clearing – 2% + 0,22 USD pela taxa de download – taxa de DRM] ou no modelo de distribuição 50% do valor de capa sem a taxa de DRM, também somente com base nas vendas. A hospedagem não é cobrada.

As lojas SaraivaCultura não aderiram ao agregador. A primeira possui um sistema bem prático, no qual você cadastra seus eBooks, sobe os arquivos de miolo e de capa e controla as vendas. No entanto, não possui um botão para “indisponibilizar” uma obra digital, mas também dá relatórios em tempo real. Sua porcentagem é 50/50, e não consegui negociar para melhorar isso para a Caki, coitadinha… toda pequenininha. Para comercializar em seu canal, você deve entrar em contato com o setor de negócios digitais e colocar seus arquivos e metadados no sistema deles. Já na Cultura, não consegui contato e não experimentei o processo. Veja o livro “case” da @CakiBooks distribuído pela agregadora Xeriph aquiaqui.

2] Distribuição na Amazon: a vantagem de se comercializar na Amazon é poder distribuir em quase todo mundo. Lá você pode optar pela venda somente dentro dos EUA, onde a divisão contratual é de 70% para editora e 30% para loja se o preço estiver entre 2.99 e 9.99. Não sei se isto vale para os editores estrangeiros… Ah! E neste caso a taxa de download de US$ 0.15 por MB é cobrada pela Amazon [taxa de DRM]. Ora bolas, mas eu queria vender meus livros em Portugal, Espanha, Argentina, França… Então eles oferecem a opção wireless international, onde você disponibiliza para todo o mundo e ainda via wireless dentro do leitor digital Kindle. Mas, como nada é tão perfeito, nesse caso as porcentagens se invertem: 35% para a editora, 65% Amazon. “Well”- pensei – para fazer isso, aumentamos os preços dos livros em 100%, peguei a autorização dos autores e começamos a subir os arquivos.

Porém, nem todo PDF entra no sistema deles e é necessário fazer upload de seus arquivos contando ainda com um tempo para aprovação. O ideal é transformar seus livros em ePub, e então, para .mobi, uma vez que o .mobi entrará lá e não dará problema algum. Além disso, eles dão um sistema de relatórios online exportável para Excel e controle para alterações de metadados. No entanto, as vendas não são tão boas por causa do preço alto. Usamos a Amazon, por enquanto, como nossa vitrine mundial [ai, que chique!]. Os pagamentos referentes às vendas são feitos em cheque internacional, onde temos que pagar 50 USD para compensar, e ainda 30% de imposto [eca!]. Mais informações #aqui#. Veja o “case” na loja da Amazon aqui.

3] Apple Store [Loja de aplicativos da Apple]: aqui “o buraco é mais embaixo” [desculpem a linguagem nada apropriada, mas é a pura verdade]. Primeiro, é necessário um programador que possa transformar seu livro em aplicativo [tipo de programação onde seu livro vira um programinha executável nos devices da Apple]. No tempo que seu livro levar em processo de programação, você deverá se cadastrar como empresa desenvolvedora, #veja aqui#. O problema é que isso custa 99 USD anuais. Porém, o processo é rápido: você recebe o aplicativo, publica na página de controle com seu login e senha de desenvolvedor e aguarda a aprovação.

Você estipula o preço, e a Apple garfa 30% dele. O pagamento é feito com transferência bancária e se paga os impostos referentes à transferência internacional [Uia!]. A Apple também é uma excelente vitrine. Isso eu fiz com o livro estático, pois um livro animado demanda mais dinheiro para a programação, mas seguiria o mesmo processo. Coloquei o mesmo preço do livro para não competir com o mesmo no aplicativo da Gato Sabido. Veja nosso aplicativo aqui

4] iBooks: ainda em construção. Espero ter novidades em breve!

Dá para perceber o quanto é fácil distribuir seus livros digitais, não é?! Mas, ainda assim, percebo que falta nas editoras gente disposta a começar este projeto, colocá-lo na rotina da produção editorial e reestruturar o marketing, que, em sua totalidade, é muito mais voltado para o mercado de livros impressos. Tudo bem, engloba também uma parte muito muito chata, que é a renovação e upgrade contratual, mas nada que requer um esforço de outro mundo.

Me dá uma tristeza ver esta lentidão porque parece que só vão acordar depois que o governo começar a fazer compras digitais… e, acreditem, não está longe! Se as editoras resolverem fazer isso na correria, vai ser um caos. Por que não começar agora, quando se tem chance de reestruturação e manobras? Por que não deixar rixas de mercado impresso para lá e buscar um desenvolvimento sem traumas?

Sugestão: editoras, por favor, contratem gente capacitada e de fácil adaptação ao mercado, coloquem o projeto em andamento… não custa tanto. Na verdade, custa muito menos que a logística para uma distribuidora, espaço para estoque ou investimento para uma grande tiragem.

Outra coisa que percebemos é que existem vários envolvidos e altos “cuts” que impossibilitam a diminuição dos preços dos eBooks como gostaríamos, mas acredito que o mercado ditará porcentagens mais humildes num futuro próximo.

Próxima coluna, vamos falar sobre self publishing e a ameaça deste “monstro” para as editoras?

Agradecimentos: Cristina Satchko Hodge [a Ki, da Caki] que colocou toda esta teoria em prática, me ajudando a provar as possibilidades que vinha maquinando. A @SouzaLaura pela revisão especialíssima. Ao Akira Toriyama pela ilustração com a Arale Norimaki, meu mangá favorito! E ao Carlo Carrenho, que me ajudou a aprimorar detalhes das informações aqui colocadas.

Texto escrito por Camila Cabete | Publicado originalmente em Publishnews | 24/02/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica. A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Nasce o Cadastro Nacional do Livro


Galeno Amorim, Rosely Boschini e Antonio Maria Ávila assinam acordo que cria o Cadastro Nacional de Livros.

Foi assinado nesta quinta-feira, 24/2, um convênio entre a Câmara Brasileira do Livro e a Federación de Gremios de Editores de España [FGEE], para permitir o desenvolvimento do projeto de criação do Cadastro Nacional de Livros no Brasil. A FGEE foi representada no encontro por seu Diretor Executivo Antonio Maria Ávila. Galeno Amorim, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional [FBN], também assinou o acordo pela entidade e o projeto recebeu ainda a chancela da Associação Nacional de Livrarias [ANL]. Estiveram presentes à sede da CBL, em Pinheiros, São Paulo, SP, palco do encontro, importantes autoridades do mundo do livro, como Joaquim M. Botelho, Presidente da União Brasileira de Escritores, UBE; Enoch Bruder, Presidente da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, Alfredo Weissflog, da Editora Melhoramentos, e Evanda Verri Paulino, Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia, SP.

O Cadastro Nacional de Livros, no Brasil, terá como referência a plataforma espanhola Dilve [Distribuidor de Información del Libro Español en Venta].

Objetivos e vantagens do Cadastro Nacional de Livros

A iniciativa centralizará todas as informações das obras produzidas e comercializadas no Brasil, agilizando assim o processo de busca e compra [inclusive pelo Governo]. Serão especialmente beneficiados editores de pequeno porte, que ganharão maior visibilidade e acesso aos seus catálogos. Para as livrarias, a disponibilidade de informação segura e padronizada possibilitará a manutenção de cadastros atualizados, sem a necessidade de um sistema próprio e de alto custo.”, afirmou Rosely Boschini em mensagem enviada aos associados da CBL.

Em discurso proferido no evento de assinatura do Convênio, a Presidente da CBL [até o dia 28 próximo] avisou que “a partir de abril as editoras terão acesso ao sistema para validar as informações”. Segundo Galeno Amorim, a Biblioteca Nacional vai fornecer a base da matriz inicial para o Cadastro Nacional de Livros, CNL. “Depois de pronto, este cadastro vai permitir ao governo e a todos enxergar a biodiversidade editorial brasileira e vai provar que a soma de esforços da parceria público-privada pode ser efetivamente produtiva”.

Antonio Maria Ávila, que viajou de Madri a São Paulo para o acontecimento, garante que “esse cadastro, que existe na Espanha desde 2000, realizou uma mudança de mentalidade na indústria editorial espanhola perpetrando a revolução digital mais importante da história do livro”.

CBL Informa | 24/02/2011

Oportunidade não bate à porta, chuta!


Escrito por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/02/2011

Num post recente, discuti o desenvolvimento de mercados de e-books no mundo todo, especialmente na Europa, e observei que dez anos ou mais de esforços de digitalização no mundo de língua inglesa teriam um impacto considerável nos mercados de e-books em países com outros idiomas. Antes, quando escrevi sobre isso foi para enumerar o desafio que acho que os editores em outras línguas devem esperar em seus mercados locais.

Hoje, quero ver a mesma situação de uma perspectiva oposta e considerar a oportunidade do ponto de vista dos editores de língua inglesa. Na verdade, é possível que seja tão substancial que irá adiar o Armageddon para grandes editoras em geral, cujos desafios causados pelo inevitável declínio das livrarias me preocupam há muitos anos e que foram o assunto ou subtexto de muitos posts nesse blog.

Quero descrever uma oportunidade que é perversamente difícil de dimensionar precisamente. Precisaríamos saber quantos candidatos a ler livros em inglês existem nos EUA, no resto dos países de língua inglesa e depois em países de outros idiomas. A Wikipedia diz que o mundo tem 914 milhões de pessoas que falam inglês, dos quais 251 milhões estão nos EUA, 232 milhões na Índia e 168 milhões em países com outras línguas maternas na Europa. Mas esses dados não são atuais e os números dos EUA, por exemplo, são do censo de 2000.

Uma fonte com quem conversei recentemente que trabalha com estatísticas, e que possui razões para estar bem informado, insiste que o mundo possui 600 milhões de falantes nativos de inglês e 1,4 bilhão de falantes de inglês em outros países. Se isso for verdade, os EUA teriam menos de 1/6 do total em suas fronteiras.

Os EUA, pela contagem de quase todo mundo, possuem menos de 1/3 das pessoas que falam inglês. E todo mundo parece medir “falantes de inglês”, não “letrados em inglês”. Mas o mercado de leitores de inglês em países onde não se fala a língua, tanto hoje quanto em algum momento quando for pesquisado, com certeza está crescendo mais rápido do que os mercados nativos. Então, se aceitarmos a premissa de que e-books acabarão colocando esses leitores de e-books potenciais dentro do alcance de editores nos Estados Unidos [e Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e outros países de língua inglesa, claro], estamos vendo as estradas de acesso sendo construídas para uma base de clientes que poderia dobrar [até mais do que isso] em relação ao que existia antes.

A maior parte desse mercado secundário em inglês, certamente do ponto de vista de consumo, está na Europa. Minha viagem para a Conferência IfBookThen em Milão há alguns dias, organizada pela nova livraria de e-books italiana Book Republic em parceria com o 4IT Group, me deu uma grande oportunidade para entender ainda mais como pode ser animadora essa perspectiva para toda a comunidade – editores, agentes e autores – que dividem os rendimentos das vendas da literatura em língua inglesa.

Tenho algumas experiências pessoais incomuns para me ajudar a antecipar como vai ser quando os consumidores franceses, alemães, italianos, etc., começarem a descobrir as virtudes dos e-books. Descobri como poderia ser incrivelmente conveniente e satisfatório ler numa tela pequena quando comecei a usar um Palm Pilot, 10 ou mais anos atrás. “Sempre levar meus livros comigo” é uma vantagem enfatizada muito frequentemente na comparação impresso X e-book [parcialmente porque não se aplicaria da mesma forma com pessoas que leem num Kindle ou Nook ou iPad como faz com quem lê num iPhone ou em qualquer outro telefone ou PDA que se pode levar no bolso], mas é poderoso. Foi poderoso o suficiente para me conquistar totalmente desde a primeira vez.

Mas quando comecei a ler dessa forma, era uma pequena minoria e permaneci assim por muitos anos. Os poucos que liam e-books antes do Kindle logo encontraram um problema que os consumidores franceses, alemães, italianos, etc. vão começar a encontrar, independente do aparelho no qual leem. Não havia o suficiente para escolher! Lembro rotineiramente de passar 15 ou 20 minutos ruminando as escolhas, vendo o que eu já tinha lido a cada vez que ia comprar algo e sem encontrar muitas coisas que queria ler. Foi por isso que, até a chegada do Kindle e o número de títulos disponíveis ter explodido, acabei fazendo algumas escolhas estranhas: ler Tarzan [ainda bem] e comprar e ler a biografia de Grover Cleveland [presidente norte-americano] cujo e-book custou 28 dólares! [ainda bem que comprei esse também.]

Comprar exigia uma frustrante perda de tempo e a pouca disponibilidade de títulos era a razão pela qual eu continuei a ler alguns livros impressos nos primeiros anos sendo que estaria bem disposto a passar totalmente para os e-books [algo que agora já fiz].

Mesmo nos primeiros anos da última década, no entanto, o número de e-books em inglês era maior do que o número de e-books na maioria das línguas europeias que os consumidores encontrarão neste ano ou no futuro próximo. O número incrivelmente pequeno de livros convertidos para epub na maioria dos países europeus garante que nossos amigos europeus vão sentir a mesma frustração irritante que eu tive no passado.

Até começarem a comprar e-books em inglês.

E vão. Na verdade, eles já compram. Informei no post anterior que ouvimos o dado de que 25% dos livros impressos vendidos na Dinamarca estão em inglês. Um amigo na pequena Eslovênia informa que mais de 15% dos livros vendidos ali estão em inglês. Um livreiro escandinavo com várias lojas na Escandinávia e em Berlim que conheci na IfBookThen informou que 20% dos livros que ele vende estão em inglês. E as vendas acontecem apesar das barreiras dos custos [e, portanto, do preço] e do suprimento [e, portanto, da escolha] inerentes em bens físicos.

[A consultoria A.T. Kearney fez uma pesquisa com a equipe da Book Republic para preparar a IfBookThen. Descobriram 100.000 títulos em epub em alemão e 50.000 em francês, menos de 2/3 e 1/3, respectivamente, do que a Amazon tinha em inglês há mais de três anos. E descobriram menos de 10.000 disponíveis em espanhol, italiano ou sueco!]

E apesar de o norte europeu ter mais fluência no inglês do que o sul, descobri um fato interessante [através de um britânico, não de um italiano] enquanto estava em Milão. Francês era a segunda língua ensinada a todas as crianças italianas nas escolas até 1991 quando foi substituído pelo alemão. O alemão durou pouco. Desde 1997, a segunda língua que todas as crianças italianas aprendem é o inglês. Então as escolas italianas se tornarão clientes de publicações em língua inglesa que aumentarão sua presença na população local a partir de agora. Isso é um sintoma da mudança acontecendo em todo o mundo, mudança que está criando novos clientes para editores de língua inglesa.

Um amigo norte-americano numa grande editora que não está entre as Seis Grandes me contou na semana passada que 10% dos e-books que está vendendo vem de fora dos EUA [e isso não inclui o Reino Unido]. Uma livraria global de e-books me contou que 7% de suas vendas de livros em inglês hoje vem de países cujo idioma não é o inglês. Esses números vão aumentar inexoravelmente e, às vezes, até em arrancadas explosivas, por muitos anos ainda. Seria necessário pesquisar com mais cuidado para tentar prever a porcentagem de venda de e-books em língua inglesa que poderiam acontecer em países cujo idioma não é o inglês, mas acho que o número poderia chegar a algo entre 25-35% nos próximos cinco ou dez anos, e não seria um chute muito alto. [Se serão em cinco ou dez anos é algo que será muito mais evidente em 2012-13.]

E apesar de algumas pessoas se perguntarem se as vendas de e-books que estão sendo feitas agora são canibais ou incrementais [quase certamente são os dois!], as vendas que serão feitas no exterior em países cujo idioma não é o inglês mais provavelmente serão incrementais. Elas poderiam acrescentar mais vendas nos próximos cinco anos do que os problemas na Borders vão subtrair hoje.

Isso não é um cenário futuro em relação ao qual as pessoas podem relaxar e esperar. Essa é uma oportunidade imediata.

Este situação deve significar o final de mercados abertos para e-books em língua inglesa e isso vai acontecer logo. Mercados abertos funcionaram por anos para impressos, dando a múltiplas empresas um incentivo para explorar as oportunidades de vendas com esforço e serviço. Mas mercados abertos para e-books certamente vão recompensar somente um atributo: o menor preço. Como os e-books se beneficiam de um reforço relativamente confiável de preços diferenciados por mercado [para aqueles contrários ao DRM, essa é mais uma razão pela qual ele vai continuar por mais tempo], os consumidores de outros idiomas logo serão capazes de identificar os e-books de mercado aberto. Serão os realmente baratos!

Agentes não podem deixar essa situação continuar. Aqueles que não estão fechando mercados abertos para e-books certamente farão isso daqui a pouco. Os editores britânicos têm tentado fechar a Europa a favor deles há alguns anos; ouvi essa “anedata” [adorei essa nova palavra!] em Milão que sugere que os editores norte-americanos acordaram para isso e agora estão brigando para recuperar os mercados abertos.

Seria lógico que o mercado aberto para e-books irá para o editor que preencher o cheque maior ou for o primeiro, e que mais frequentemente será um cheque dos EUA.

Isso também leva a uma nova preocupação de oportunidades globais [na verdade, para ser mais preciso, “glocal”, que eu descreveria como “global, mas com alvos claros”] em marketing, principalmente porque isso acontece cada vez mais on-line. Para vermos um exemplo recente tirado de minhas leituras pessoais, Fall of Giants de Ken Follet, há muitos ganchos na história para ganhar o interesse de leitores em toda a Europa, mas principalmente na Rússia e na Alemanha, onde acontece muito da ação. Fall of Giants é um romance; as oportunidades serão ainda maiores com não-ficção. Não sei exatamente quando isso levará toda editora norte-americana de certo tamanho a colocar uma pessoa cuidando do “marketing glocal” ou acrescentar um “componente de marketing glocal” aos planos de muitos livros, mas isso poderia acontecer agora. Não vai demorar muito, com certeza.

Escrito por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 23/02/2011

Jornais e revistas, papel e digital


Portugal: Recentemente, o Jornal de Notícias, Diário de Notícias e O Jogo juntaram-se ao grupo de jornais que disponibilizam versões integrais da edição diária em formato digital, pronto a ser lido em iPad, iPhone ou em qualquer computador, smartphone ou tablet com acesso à internet. A tendência não é nova, mas esta é uma área em clara expansão. Será que financeiramente também é mais vantajoso? A era digital abre novas possibilidades de leitura diária de títulos estrangeiros de referência que até agora era mais difícil: demorava tempo e custava dinheiro.

Mas comecemos pelos jornais portugueses. No caso do JN, DN e O Jogo, é possível consultar a edição e-paper gratuitamente até ao dia 15 de Março. Após essa data, será preciso assinar para ter acesso ao jornal digital. O preço cifra-se nos 19 euros por mês, ou 99 euros por ano. Ou seja, cada edição fica entre 63 cêntimos [se assinar mensalmente] e 28 cêntimos [se assinar anualmente]. Um preço bastante abaixo da versão em papel. O Público também disponibiliza gratuitamente durante dois meses uma aplicação para iPad, com vários conteúdos. Além disso, o jornal disponibiliza a versão diária em formato PDF, mas é preciso ser assinante para ter acesso. O semanário Sol também tem uma aplicação para iPhone e iPad que permite aceder às últimas notícias e é totalmente gratuita.

No mercado internacional o cenário é muito mais atractivo, até porque passa a ser possível ler, diariamente e a preços reduzidos, importantes publicações estrangeiras. Um bom local para o fazer é o Zinio [www.zinio.com], um verdadeiro quiosque online onde pode encontrar e subscrever revistas e jornais de todo o mundo. Geralmente a preços bastante mais convidativos do que uma assinatura da edição em papel. Se é fã incondicional de música, por exemplo, a Rolling Stone ou o New Musical Express são certamente do seu interesse. No caso da revista americana, uma subscrição digital de 26 edições fica-se pelos 20 dólares [cerca de 15 euros], ao contrário dos 130 dólares [cerca de 96 euros] do preço de capa.

Depois do pagamento, pode ler a revista integralmente em PC, Mac, iPad e iPhone. Já 51 edições do NME ficam por cerca de 80 dólares [60 euros]. Ou seja, bastante mais barato do que os 143 dólares que pagaria se quisesse receber a revista em casa.

As ofertas não ficam por aqui: se o seu desporto favorito é mesmo o futebol, pode subscrever mensalmente o jornal espanhol Marca por 28 dólares [20 euros] e lê-lo no seu computador ou tablet. Se o seu interesse passa mais pelo design e pelas últimas tendências, pode querer assinar a versão digital da Wallpaper, que custa apenas 55 dólares [40 euros] e tem acesso a 12 edições. A versão impressa ficaria por 120 dólares [88 euros]. E até pode optar por aceder às versões digitais de revistas de celebridades, como 52 edições da Hola! por cerca de 100 dólares [73 euros].

Além das vantagens de preço, as edições digitais das publicações trazem ainda outras: o acesso ao arquivo é mais facilitado e pode até comprar edições anteriores com facilidade. Há, no entanto, algumas desvantagens: para aceder às versões digitais tem de ter um computador, um tablet ou um smartphone, gadgets que geralmente são caros. Além disso, a leitura pode não ser tão fácil e intuitiva, caso ainda não esteja habituado aos novos suportes.

franciscoferreira@faroldeideias.com

Preços dos tablets ainda é elevado

Ler num iPad pode até ser uma experiência interessante, mas a verdade é que o preço destes aparelhos ainda não é para todas as bolsas. No site Pixmania, o tablet da Apple cifra-se nos 509 euros. Já um iPhone custa, pelo menos, 561 euros. Um BlackBerry deverá custar à volta de 300 euros, mas a leitura nestes dois últimos aparelhos não será tão fácil.

SITES

Os jornais portugueses estão a render-se aos formatos digitais

www.zinio.com

cimdn.newspaperdirect.com/epaper/

cimojogo.newspaperdirect.com/epaper/

pdf.publico.pt/

tunes.apple.com/pt/app/sol-online/

Por Francisco David Ferreira | Para o Diário de Notícias | 23/02/2011

Editora promove concurso de minicontos


A Geração Editorial vai produzir um e-book junto com o seu público a partir de um concurso de minicontos de até 140 caracteres. Um comitê será formado para selecionar as melhores frases que irão compor o livro digital. O objetivo é abrir as portas para novos escritores que terão a chance de mostrar o seu talento e ser publicado. Para participar basta mandar até o dia 30 de abril de 2011 um miniconto com até 140 caracteres [temática livre] por e-mail, com nome e endereço completo, telefone e título do texto.

Regulamento

Cláusula 1ª – O (A) AUTOR (A) é o (a) legítimo (a) titular de direitos autorais sobre do texto enviado.

Cláusula 2ª – O (A) AUTOR (A) declara que sobre o texto objeto enviado não pairam quaisquer ônus ou contratos que impeçam a presente cessão, respondendo, ainda, pela originalidade de seu texto.

Parágrafo Único – O (A) AUTOR (A) será responsável frente à EDITORA e/ou a TERCEIROS por perdas e danos a que der causa, decorrentes do inadimplemento desta cláusula

Cláusula 3ª – Após a seleção, O (A) AUTOR (A) deverá assinar um termo de sessão de direito autoral.

Cláusula 4ª – A antologia, com título ainda a ser definido, não será comercializada, dessa forma os autores não terão direito a qualquer remuneração.

Cláusula 5ª – A Geração Editorial se compromete a arcar com todas as despesas de produção da antologia.

Cláusula 6ª – A antologia será disponibilizada gratuitamente no endereço eletrônico da Geração Editorial para downloads.

Cláusula 7ª – Os textos que participarão da seleção serão recebidos impreterivelmente até o dia 30 de Abril de 2011.

Por PublishNews | 22/02/2011

CBL assina acordo dia 24/2 para criação do Cadastro Nacional do Livro


No dia 24 de fevereiro [quinta-feira], às 9 horas, na sede da Câmara Brasileira do Livro [CBL] – rua Cristiano Viana, 91, em Pinheiros -, em São Paulo, a entidade assina convênio com a Federación de Gremios de Editores de España [FGEE], para desenvolvimento do projeto de criação de um cadastro nacional de livros no país. A Fundação Biblioteca Nacional [FBN] também assinará o acordo. O evento terá ainda a participação da Associação Nacional de Livrarias [ANL].

O cadastro brasileiro deverá ter como referência de projeto a plataforma espanhola Dilve [Distribuidor de Información del Libro Español en Venta]. A iniciativa, baseada na Internet, padronizará e centralizará todas as informações das obras produzidas e comercializadas no Brasil, beneficiando toda a cadeia produtiva do livro.

A ferramenta permitirá a consulta completa de dados sobre qualquer livro publicado no País. Além disso, facilitará o processo de busca e compra de livros, simplificando o trabalho de todos os agentes do setor editorial.

Serão especialmente beneficiados com a iniciativa editores de pequeno porte, pois terão a oportunidade de dar mais visibilidade e acesso aos seus catálogos de obras a livrarias e distribuidores, além de instituições governamentais que adquirem livros, e profissionais da cultura e da educação.

No âmbito das livrarias, a disponibilidade de informação segura e padronizada possibilitará que elas mantenham cadastros atualizados, sem a necessidade de manutenção de um sistema próprio e custoso.

O padrão de dados do cadastro nacional de livros permitirá também que as informações disponíveis sejam compartilhadas com iniciativas semelhantes em grandes mercados editoriais no Exterior.

A versão oficial do cadastro para testes por todo o mercado editorial brasileiro estará no ar em julho de 2011.

InnoPad introduz o mundo dos tablets às crianças


A tecnologia é presença constante em todos os lugares. Alguns pais tentam evitar que os filhos fiquem ligados nas novidades tecnológicas muito cedo, deixando de aproveitar a infância como antigamente. Mas a preocupação pode deixar de existir com a chegada de gadgets específicos para as crianças. É o caso do InnoPad, um tablet desenvolvido exclusivamente para crianças.

Criado pela empresa VTech, a novidade foi pensada para os pequenos, por isso possui recursos que prometem agradar crianças de 4 a 9 anos. Com jogos educativos e aplicativos diferentes, o InnoPad é uma opção para a criança que gosta de tecnologia mas não pode mexer em aparelhos caros e sofisticados. Possui microfone, USB e cartão de memória.

O tablet substitui, inclusive, o livro na hora de dormir. Ele possui histórias que podem ser contadas de forma mais interativa, com vozes dos personagens, animações e música.
Além disso, o InnoPad possui um formato especial para mãos pequenas, com o entorno emborrachado para proteger de possíveis quedas.

O preço do novo tablet é $79,99. Bem mais acessível que os tablets disponíveis no mercado e ainda mais seguro para crianças. Quem sabe ssim o seu filho deixa seus gadgets em paz?

TechTudo | Portal G1 | 21/02/2011 | Via Engadget

Mercado de eBooks Traduzidos


Estima-se que ao final deste ano o número de iPads vendidos no Brasil chegue a 300 mil. Admitindo-se que sejam compradas outras 100 mil tabuletas de outras marcas, o mercado nacional de livros traduzidos passará por um abalo.

Se 20% das pessoas que compram tabuletas lê em inglês, chega-se a um mercado de 80 mil fregueses que poderão comprar edições eletrônicas. Eles pagarão menos da metade do que custariam as traduções [às vezes medíocres, por conta da má remuneração de maus tradutores].

Além disso, podem baixar o livro no dia do lançamento da edição americana, livrando-se de uma espera que às vezes passa de um ano.

A loja da Apple não aceita cartões brasileiros, mas a Amazon aceita.

Por Élio Gaspari | Folha de S. Paulo | 20/02/2011

Machado na web


Memorial de Aires é o 9º romance de Machado de Assis a ganhar uma edição online com links e notas explicativas no site, informa a coluna No Prelo. A página, mantida por um grupo da Casa de Rui Barbosa coordenado por Marta de Senna, abriga ainda um banco de dados de citações e alusões feitas nos textos de Machado, além de ensaios sobre sua obra.

Por Mànya Millen e Miguel Conde | O Globo | 19/02/2011

Biblioteca Digital


A Brasiliana-USP, criada a partir da doação de José e Guita Mindlin, começa a exportar sua tecnologia para bibliotecas e arquivos de todo o país: Biblioteca Nacional [RJ], Universidade Federal de Pernambuco, Fundação Pedro Calmon [BA], Arquivo Público do Estado de São Paulo, além de outras bibliotecas da própria USP, são algumas das instituições que querem aprender com a experiência.

A um ritmo de seis livros digitalizados por dia, já estão on-line 1.400 de um total de 17 mil títulos. O historiador Pedro Puntoni, coordenador-geral, espera aumentar essa velocidade com a chegada de mais cinco robôs [hoje há apenas um].

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 19/02/2011

Brasiliana começa a exportar tecnologia de digitalização


A Brasiliana-USP, criada a partir da doação de José e Guita Mindlin, começa a exportar sua tecnologia para bibliotecas e arquivos de todo o país: Biblioteca Nacional [RJ], Universidade Federal de Pernambuco, Fundação Pedro Calmon [BA], Arquivo Público do Estado de São Paulo, além de outras bibliotecas da própria USP, são algumas das instituições que querem aprender com a experiência.

A um ritmo de seis livros digitalizados por dia, já estão on-line 1.400 de um total de 17 mil títulos. O historiador Pedro Puntoni, coordenador-geral, espera aumentar essa velocidade com a chegada de mais cinco robôs [hoje há apenas um].

Por Josélia Aguiar | Folha de S.Paulo | 19/02/2011

Scribd: A maneira mais prática de publicar seu livro na web


Por Roberto Tostes | Publicado originalmente em TechTudo | 18/02/2011 – 18h59

Nível: Básico | Número de Etapas: 4

Se você tem textos, artigos ou livros prontos, saiba que você já pode publicá-los na web de forma rápida e gratuita. Foi com essa proposta que o Scribd conquistou mais de 60 milhões de usuários, formando a maior rede de compartilhamento de documentos da web. Siga os passos abaixo e seja você o seu próprio editor:

Passo 1. Faça seu cadastro e o primeiro upload

Logo na home da Scribd você preencherá um cadastro com e-mail e senha, ou entrará com sua conta do Facebook. Escolha a opção “Upload” ou “Carregar” [em português] e clique na pasta onde está o arquivo [as extensões aceitas são doc, txt, xls, ppt e pdf] , que será convertido em formato web.

Passo 2. Descreva seu documento

Ao fazer o upload, você preenche dados como título, categoria, tags [palavras-chave] e resumo. Na forma padrão, seu documento ficará acessível à leitura do público, mas é possível modificar isso. Todos os dados preenchidos sobre o seu documento são importantes pois o Scribd indexa e disponibiliza os documentos para todos os mecanismos de busca da internet.

Passo 3. Visualize o documento e divulgue

Após a publicação, o Scribd permite que você compartilhe seus documentos nas redes sociais, principalmente Twitter e Facebook. Se você tiver um blog ou site para colocar, também pode copiar o código, ou também enviar diretamente o link de sua publicação para uma lista de e-mails.

A visualização da leitura é feita por um menu de navegação bem fácil de usar. O usuário pode escolher entre a opção “livro”, “apresentação de slide” ou “rolar” [com mouse ou setas para baixo]. Você pode dar zoom, ver o conteúdo em tela cheia, buscar palavras e explorar a biblioteca.

Passo 4. Detalhando seu perfil e interagindo

A sua página de usuário é o local onde você colocará a sua foto, dados pessoais e e-mail para contato. O programa incentiva muito a interação e a troca. Você pode pesquisar por assunto e adicionar títulos à sua coleção pessoal, seguir pessoas, e fazer comentários em documentos lidos. Em sua conta, ainda, você terá acesso a uma estatística de quantas pessoas leram o seu documento, quando, e quem compartilhou ou comentou em seus textos.

Você não precisa mais esperar que alguém publique seus escritos. Aproveite também para pesquisar e estudar, pois o Scribd tem livros, revistas, manuais e documentos de todos os tipos, assuntos e abordagens. E além de ver seu texto publicado, você vai poder trocar ideias com muita gente interessante.

Por Roberto Tostes | Publicado originalmente em TechTudo | 18/02/2011 – 18h59

Kno, o tablet de 2 telas para estudantes deve ser lançado em breve


Por Helito Bijora | Publicado originalmente em TechTudo | 18/02/2011 18h49 | Via Ubergizmo

Desde que a Apple apresentou o iPad ao mundo, várias fabricantes anunciaram que lançariam seus concorrentes ao tablet da maçã. Mas você já parou para analisar as diferenças entre os vários modelos disponíveis no mercado? Um tem o processador um pouco mais rápido, outro possui câmera digital e tela com mais ou menos polegadas, e dificilmente passa disso.

Kno | Foto: Divulgação

Se você esperava algo mais radical, está prestes a ser lançado um tablet que finalmente traz uma mudança notável: duas telas sensíveis ao toque, que mais parece um caderno digital. É justamente esse o objetivo do Kno, substituir cadernos e livros, já que o produto está sendo desenvolvido pensando no uso acadêmico.

A julgar pelas imagens divulgadas, o tablet parece uma excelente solução para estudantes. Por enquanto, não há muitas informações sobre o hardware. O único detalhe que foi divulgado é que o Kno será equipado com duas telas de 14 polegadas — um pouco grande para um tablet, não? Ele também terá um modelo com apenas uma tela, mas aí perde metade da graça e se torna um tablet comum. O Kno deve ser lançado dentro de 60 dias, segundo informações de clientes que já fizeram o pedido.

Kno | Foto: Divulgação

A proposta do Kno é interessante, principalmente pelo fator inovação. Entretanto, além da tela exagerada, outra questão importante é a autonomia da bateria. Prover energia suficiente para duas telas grandes por um tempo satisfatório não é uma tarefa fácil, e isto pode afetar o tamanho e o peso do tablet. Se a proposta é ser algo portátil, talvez este não seja o melhor caminho a seguir.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Por Helito Bijora | Publicado originalmente em TechTudo | 18/02/2011 18h49 | Via Ubergizmo

Autores independentes podem editar livros sem custos


Pensando em atender aos escritores que desejam publicar um livro, nasce o PerSe, portal de publicação para autores independentes. Através dele, é possível editar um livro totalmente sem custos, disponibilizá-lo para comercialização na livraria eletrônica do PerSe em e-book ou com impressão dos exemplares sob demanda. O processo é simples. O autor define as características físicas do livro, como formato, acabamento, papel de miolo e cores. Depois sobe o arquivo para o sistema do PerSe e cria a capa. Em seguida, define o preço de venda e estabelece quanto quer ganhar de royalties.

Os blogueiros também poderão diagramar e publicar livros. Denominada Blog2Book, essa ferramenta permite a diagramação dos conteúdos das plataformas Blogger/Blogspot e WordPress direto no sistema. Um dos primeiros livros já editados pelo PerSe é o da jornalista Lucia Faria, proprietária da Lucia Faria Inteligência em Comunicação. Com o título Meias verdades – Uma visão particular sobre a Comunicação Corporativa, o livro reúne 50 artigos sobre sua área de atuação.

Embora todo o processo seja gratuito, o portal oferece serviços especializados de Publicação e Marketing, caso o autor tenha interesse em adquirir. Entre eles, diagramação, revisão, fotos, divulgação, noite de autógrafos, entre outros.

PublishNews | 18/02/2011

Zibia Gasparetto no TwitCam Saraiva


Zibia Gasparetto

Nesta quinta-feira [17], a partir das 16h, a escritora Zibia Gasparetto responde às perguntas de jornalistas e “twiteiros” ao vivo, pelo TwitCam Saraiva. A iniciativa tem o objetivo de aproximar os leitores do universo da criação dos livros, textos e histórias. O público pode participar ativamente enviando suas perguntas por meio da rede de microblogs. Para assistir, basta acessar o Twitter em @saraivaonline e clicar no link, que vai ser anunciado alguns minutos antes do evento. Para enviar perguntas, é necessário utilizar a hashtag #ZibiaNaSaraiva. Ao final serão sorteados livros autografados da autora.

PublishNews | 17/02/2011

Trabalhos científicos e acadêmicos no 2º Congresso Internacional do Livro Digital 2011


O 2º Congresso Internacional do Livro Digital – promovido pela Câmara Brasileira do Livro, CBL, que será realizado dias 26 e 27 de julho de 2011, em São Paulo promoverá uma importante sessão de trabalhos científicos e acadêmicos. O objetivo é estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos ou conceituais e inéditos sobre os temas: Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais;

Aspectos de usabilidade de leitores digitais [e-readers]; Bibliotecas Digitais; Aspectos educacionais dos livros digitais; Direitos autorais e Copyright; Marketing do livro digital; Redes sociais e livros digitais;

O novo papel do editor; e outros trabalhos afins. Os autores dos trabalhos aceitos para apresentação na sessão receberão a inscrição para a participação no congresso [uma inscrição por trabalho] e terão seus trabalhos publicados no site do evento.

Os dois melhores trabalhos apresentados receberão indicação [em fast track] para publicação na REGE – Revista de Gestão da USP”

O trabalho vencedor receberá o prêmio de R$ 1000,00 e o segundo colocado R$ 500 [valores brutos].

Os coordenadores desta sessão do Congresso serão o Professor Cesar Alexandre de Souza [FEA/USP] e Daniel Pinsky [Comissão do Livro Digital/CBL].

O prazo final de envio dos trabalhos é dia 2 de maio de 2011 e o resultado será divulgado dia 2 de julho; a data de apresentação dos trabalhos será comunicada aos vencedores neste mesmo dia.

Os trabalhos devem ser enviados para o emails digital@cbl.org.br, em arquivo do MS-Word [2003 ou superior] e atender aos seguintes requisitos de formatação:

  • Papel A4 com margens: superior 3 cm, inferior 2 cm, direita 2 cm, esquerda 3 cm.
  • Fonte: Times New Roman, tamanho 12; espaçamento simples e parágrafo justificado
  • Páginas: mínimo de 8 páginas máximo de 16, incluindo a primeira [apenas título e resumo], tabelas, figuras, referências bibliográficas e notas de final de texto.
  • Citações e Referências: normas ABNT

CBL Informa Especial | 17/2/2011 09:17

Trabalhos científicos e acadêmicos no 2º Congresso Internacional do Livro Digital 2011


O 2º Congresso Internacional do Livro Digital – promovido pela Câmara Brasileira do Livro, CBL, que será realizado dias 26 e 27 de julho de 2011, em São Paulo promoverá uma importante sessão de trabalhos científicos e acadêmicos. O objetivo é estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos ou conceituais e inéditos sobre os temas: Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais;

Aspectos de usabilidade de leitores digitais [e-readers]; Bibliotecas Digitais; Aspectos educacionais dos livros digitais; Direitos autorais e Copyright; Marketing do livro digital; Redes sociais e livros digitais;

O novo papel do editor; e outros trabalhos afins. Os autores dos trabalhos aceitos para apresentação na sessão receberão a inscrição para a participação no congresso [uma inscrição por trabalho] e terão seus trabalhos publicados no site do evento.

Os dois melhores trabalhos apresentados receberão indicação [em fast track] para publicação na REGE – Revista de Gestão da USP”

O trabalho vencedor receberá o prêmio de R$ 1000,00 e o segundo colocado R$ 500 [valores brutos].

Os coordenadores desta sessão do Congresso serão o Professor Cesar Alexandre de Souza [FEA/USP] e Daniel Pinsky [Comissão do Livro Digital/CBL].

O prazo final de envio dos trabalhos é dia 2 de maio de 2011 e o resultado será divulgado dia 2 de julho; a data de apresentação dos trabalhos será comunicada aos vencedores neste mesmo dia.

Os trabalhos devem ser enviados para o emails digital@cbl.org.br, em arquivo do MS-Word [2003 ou superior] e atender aos seguintes requisitos de formatação:

– Papel A4 com margens: superior 3 cm, inferior 2 cm, direita 2 cm, esquerda 3 cm.

– Fonte: Times New Roman, tamanho 12; espaçamento simples e parágrafo justificado

– Páginas: mínimo de 8 páginas máximo de 16, incluindo a primeira (apenas título e resumo), tabelas, figuras, referências bibliográficas e notas de final de texto.

– Citações e Referências: normas ABNT

Livraria perde para livros on-line e pede concordata


EUA: A Borders Group fez um pedido de proteção judicial contra falência nesta quarta-feira [16] e afirmou que planeja fechar quase um terço de suas livrarias após anos de vendas fracas que tornaram impossível para a empresa administrar sua dívida.

A esperada concordata da companhia dará à segunda maior rede de livrarias dos Estados Unidos uma chance de arrumar suas finanças e encolher seus negócios em um momento em que os consumidores optam cada vez mais por produtos on-line. O processo de recuperação judicial pode ajudar a rival maior Barnes & Noble, que também enfrenta dificuldades, por conta da queda no número de lojas rivais.

O presidente da Borders, Mike Edwards, afirmou que a rede “não tem recursos de capital que precisa para ser uma competidora viável”. Ele acrescentou que a recuperação judicial é essencial para que a empresa possa reestruturar sua dívida enquanto continua operando.

A Borders, fundada em 1971 como uma pequena rede de livrarias em Ann Arbor, no Estado de Michigan, foi pioneira no conceito de superlojas na década de 1990 junto com a Barnes & Noble, mas a empresa enfrentou dificuldades para se adaptar às rápidas mudanças geradas no mercado editorial pelas inovações tecnológicas.

A incapacidade da empresa de montar um negócio on-line significativo e sua quase ausência no crescente mercado de livros digitais tornou difícil a tarefa de manter o ritmo imposto por Barnes & Noble e pela varejista online Amazon.com.

As vendas da empresa caíram a taxas de dois dígitos percentuais em 2008, 2009 e em cada trimestre de 2010. A companhia teve quatro presidentes-executivos nos últimos três anos e teve dois vice-presidentes financeiros em 2010.

A Borders, que tem um quadro de 6.100 funcionários, opera 508 superlojas com sua marca e uma cadeia de lojas menores chamada Waldenbooks.

A companhia informou que vai fechar cerca de 30% de suas lojas nas próximas semanas. Nos últimos anos, a maior parte dos fechamentos de lojas ocorreu na rede Waldenbooks.

A Borders tinha até 25 de dezembro compromissos que somavam 1,29 bilhão de dólares e ativos de 1,28 bilhão.

Por Reuters | 16/02/2011

Yahoo! demonstra plataforma para revistas digitais personalizadas


O Yahoo! demonstrou nesta quarta-feira [16] uma plataforma para que produtores de conteúdo ofereçam a seus leitores revistas digitais personalizadas em tablets e outros dispositivos.

O anúncio foi feito no Mobile World Congress, maior evento de telecomunicações do mundo, que termina nesta quinta-feira em Barcelona.

Carol Bartz chamou serviço de "conteúdo em contexto" selecionado de acordo com o histórico de busca

Chamado Livestand [algo como “banca de jornal viva”], o serviço oferece o que a executiva-chefe da empresa, Carol Bartz, chamou de “conteúdo em contexto”, selecionado de acordo com o histórico de busca e de navegação do usuário. A estreia deve ser ainda neste semestre.

Segundo o Yahoo!, o mecanismo de personalização é um misto de automatização computadorizada com supervisão editorial feita por pessoas de verdade_estas últimas, o “molho secreto” do Livestand, nas palavras de Bartz.

Tudo que lhe é servido deve ser relevante. Conteúdo ruidoso pertence à internet do passado“, afirmou a executiva.

Publicações assinadas por meio do serviço serão apresentadas ao usuário de acordo com seus interesses: se o leitor de um jornal tiver mais interesse por esportes ou por política, por exemplo, notícias sobre esses assuntos terão mais destaque e surgirão em maior quantidade.

A adoção de tablets e celulares está explodindo, mas a mídia digital não está acompanhando esse crescimento“, afirmou Blake Irving, vice-presidente executivo do Yahoo!. “Os consumidores não conseguem encontrar nesses dispositivos as publicações que compram nas bancas, e os publicadores e anunciantes não conseguem atingir o público que querem.

Apesar de ser focado em tablets – a demonstração foi feita em um iPad – o serviço será multiplataforma: funcionará em celulares, computadores e televisores.

Por meio do Livestand será possível ainda compartilhar e comentar textos em redes sociais como o Facebook e o Twitter.

O surgimento do iPad colocou em evidência serviços para criação de revistas digitais personalizadas, que agregam conteúdo de diversas fontes da web e links compartilhados pelos contatos dos usuários em redes sociais.

O aplicativo mais notável do gênero, o Flipboard, foi premiado pela Apple como melhor programa para iPad de 2010.

POR RAFAEL CAPANEMA | ENVIADO ESPECIAL A BARCELONA | 16/02/2011 – 17h45 | Publicado em Folha.com

Google lança serviço de assinaturas para conteúdo digital


O Google lançou um serviço que facilita a venda de versões digitais de jornais e revistas para editoras e produtores de conteúdo nesta quarta-feira [16]. O lançamento ocorre um dia depois de a Apple anunciar um plano de assinaturas para a mídia, vendido por meio de sua loja de aplicativos, que foi recebido com controvérsia.

O Google disse que seu novo serviço, o One Pass, permite às editoras vender conteúdo que consumidores podem ver em websites ou em aplicativos especialmente desenvolvidos para smartphones ou tablets. A mídia pode cobrar pelo conteúdo de diversas formas, incluindo assinaturas, pagamento por quantidade de acessos ou venda de apenas um artigo, afirmou o Google no blog da empresa, nesta quarta-feira.

Na terça-feira, a Apple apresentou um esperado plano de assinaturas para empresas de mídia que prevê a distribuição de conteúdo em aplicativos específicos para usuários de iPad e iPhone.

O serviço permite à Apple reter 30% dos pagamentos dos clientes para qualquer produtora de conteúdo cadastrada na loja da Apple. Ele também permite aos consumidores decidir quais dados pessoais fornecer aos produtores de conteúdo quando se cadastram nos sites para fazer alguma assinatura. Analistas disseram que o novo plano da Apple pode contrariar quem detém os direitos sobre o conteúdo.

O post no blog do Google não deixou claro qual será o percentual dos pagamentos do One Pass que caberá ao Google. A empresa não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

No seu blog, o Google afirmou que o serviço permite às editoras definir seus próprios preços e termos para o conteúdo.

Segundo o Google, o One Pass está atualmente disponível para a mídia do Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO | Publicado em Folha.com | 16/02/2011 – 17h29

O que os poderosos pensam do DRM e uma explicação do conceito de nuvem


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 16/02/2011

Um dos meus últimos posts teve como base só uma coisa: minha frustração com o que sinto ser a tendência daqueles que se opõem ao uso do DRM de afirmar que os defensores da proteção acreditam que ela evita, ou ao menos desencoraja bastante, a pirataria. Sei que não é verdade comigo e suspeito que não seja verdade entre os poderosos da indústria de livros, tanto do lado das editoras quanto dos agentes.

Concordo com a opinião dos oponentes do DRM de que o apoio a esse tipo de proteção não tem muita base em dados significativos apesar de que, na verdade, não existem muitos dados em nenhum lugar. Por alguma razão, parece que o lado anti-DRM acha que você precisa ter provas convincentes para justificar o apoio para manter o DRM, mas não é uma exigência para defender sua remoção. Mas está claro que minha proposta – de que é bastante impreciso acusar todos os apoiadores da DRM de acreditarem que é possível acabar com a pirataria com o uso da proteção – pode ser pesquisada. Então foi isso que fiz.

Nove executivos de alto nível em sete editoras top, mais quatro agentes literários com clientes muito conhecidos [um deles também tem experiência do lado editorial], responderam às três perguntas que mandei por e-mail.

1. Você acha que DRM é necessário para proteger as vendas de e-books dos títulos mais comerciais?
2. Você acha que o DRM é eficiente contra a pirataria?
3. Você acha que o principal benefício do DRM é prevenir a troca informal de livros?

Fui transparente: Falei às pessoas que minha opinião era “sim”, “não”, “sim”. Tenha quase certeza de que minhas opiniões não influenciaram nenhuma dessas pessoas.

Onze dos 13 concordaram comigo que DRM é necessário para proteger as vendas. Dez dos 13 concordaram comigo que DRM não é um método eficiente contra a pirataria. E 12 dos 13 concordaram comigo que o principal benefício do DRM é evitar a troca informal!

Não sei quantos oponentes do DRM tem o interesse ou a paciência para ler esse blog, mas notem. Ou é pouco confiável ou pouco sofisticado [ou os dois] usar “isso não acaba com a pirataria” como argumento contra o DRM. A maioria das pessoas que apoia o uso de DRM sabe disso e concorda. Não é nenhuma novidade. Você poderia também tentar persuadir o outro lado dizendo que DRM não cura o câncer. Concordamos nesse ponto também.

Os dados me deram uma grande surpresa. Dois dos quatro agentes disseram que não acreditam que o DRM é necessário [de nenhum jeito] para proteger as vendas dos e-books. [Nenhum dos editores votaram dessa forma.] Quatro é uma pequena amostra para chegar a qualquer conclusão, mas poderia demonstrar que minha suposição de que editores promovem o uso universal do DRM porque os agentes os obrigam é um pouco exagerada.

Muitos dos que responderam deram, voluntariamente, pensamentos adicionais e detalhes que também continham alguma informação interessante. Um alto executivo de uma das Big Six americanas, que é uma pessoa analítica e que sempre se baseia em dados, informou que “dos principais títulos nossos que foram pirateados, todos foram escaneados, nenhum era de e-books protegido por DRM.” [Acho isso bastante surpreendente. Ele mina a alegação frequente – que sempre tive a tendência a aceitar – que o DRM é uma barreira fútil contra a pirataria por ser tão facilmente quebrada. Se isso for verdade, por que as versões pirateadas que os editores encontram não vem de e-books com a DRM destravada? Algo está errado aqui.]

E outro executivo, provavelmente ecoando a mesma observação a partir de provas em sua editora, disse que achava que eu estava errado e que DRM realmente diminuía a pirataria, mas acrescentou que “DRM precisa começar muito antes na cadeia de produção para ser eficiente.”

Claro, essas observações exigem mais pesquisas como aquelas que o Brian O’Leary defende. Versões pirateadas feitas de manuscritos não podem ser lidas tão bem quanto uma cópia destravada de um e-book preparado a partir da versão final revisada. Será que algumas pessoas que começam a ler um livro pirata depois decidam comprar o e-book legítimo? Essas cópias poderiam estimular as vendas e os editores seriam mais inteligentes se não as perseguissem? Acho que não temos essa resposta.

Um dos dois agentes que descartou o DRM e respondeu “não” disse o seguinte [algo que na verdade o coloca mais perto da minha posição, apesar de que a nossa interpretação é que sua resposta foi diferente]: “Devemos também perceber que as trocas informais sempre foram uma prática comum com livros físicos. Os únicos títulos que poderiam valer a pena colocar DRM seriam enormes best-sellers onde poderia existir alguma erosão nas vendas. [Um parênteses aqui: Nós concordamos que a troca informal seria mais complicada entre os livros com maior venda.] Todo o resto – especialmente os menores títulos – na verdade se beneficiaria de trocas informais porque precisam de uma base mais ampla de leitores para construir uma pirâmide decente de vendas. Nos títulos menores, duvido que os “trocadores informais” comprem os títulos, mas eles poderiam recomendá-lo se tivessem um exemplar. Sei que muitos editores agora estão distribuindo [ou vendendo bem mais barato] títulos de autores de seu catálogo com a esperança de construir seus nomes. Se há uma lição em tudo isso, é que o meio digital pode ser usado numa variedade de formas e não deveríamos ficar paralisados pelo DRM, exceto para os grandes autores, como notamos acima.”

Recebi as melhores respostas de um executivo que acredita, como eu, que os problemas de pirataria e a necessidade de DRM vão diminuir quando adotarmos cada vez mais e-books baseados na nuvem sem que seja necessário fazer download. Numa frase bastante provocativa, esse executivo disse que apoiava o DRM para vendas de e-books com download porque “se você lançar o Código Da Vinci sem DRM ele passaria de mão em mão como uma prostituta barata numa festa de estudantes!” Mas sua explicação da nuvem se encaixa melhor para audiências familiares.

“Não existe realmente um problema de pirataria, mas não existe nenhuma alternativa verdadeira ao DRM que não seja a nuvem. A nuvem significa que você compra um produto [PS: Eu pessoalmente diria que você “licencia algum conteúdo”, não que “compra um produto”] e ganha o direito de acessar em todo aparelho que possui – conquanto que forneça as credenciais de propriedade. A nuvem significa que você trabalha somente dentro de uma plataforma e que a plataforma exige suas credenciais para acessar seus trabalhos – então isso é, na verdade, DRM – mas não é, exatamente. Dito isso, para que a nuvem funcione, precisa proteger os arquivos quando são baixados – e isso acaba sendo DRM.

O mundo todo está se afastando do download, então o DRM está se tornando irrelevante – somente os fanáticos de bibliotecas e os digerati se importam com isso. Os caras da biblioteca estão loucos por entenderem que não existe lugar para eles num mundo que torna todo o conteúdo acessível aos usuários em qualquer lugar, em qualquer momento – e acham que o DRM é o inimiga de tudo que é bom. Os digerati odeiam o DRM porque, bem, acreditam que está atrapalhando seu reino digital utópico.

Então, a nuvem nos afasta do “download e posse”. Isso pode funcionar? Bom, se você usa gmail e acha que funciona, aí está sua resposta. Por que não funcionaria para acessar, da mesma forma, o conteúdo que licenciou? E por que não funcionaria para proteger material com direitos autorais se dar acesso a outra pessoa para o que você possui direito a ver seria o equivalente a dar acesso a seu e-mail? Baseando-me nessa experiência, isso seria proteção suficiente para me satisfazer. Qualquer compartilhamento que acontecesse sob essas condições não seria informal.

Por Mike Shatzkin | PublishNews | 16/02/2011

Aventuras em texto


DURANTE A DÉCADA de 1970, o programador William Crowther dividia sua ocupação principal com a de espeleólogo, e aos fins de semana partia com os amigos para explorar uma rede de cavernas no Kentucky. Numa dessas expedições, Crowther teve a ideia de reproduzir no computador a sensação de se aventurar por uma caverna. Os computadores, diga-se, ainda ocupavam salas inteiras, e não dispunham de gráficos [quando muito, tinham monitores]. Tudo teria de ser feito à base de texto.

O jogo descrevia a cena ao usuário, que usava um punhado de verbos e substantivos para interagir com a trama. Na primeira descrição, por exemplo, o jogador se vê diante da entrada da caverna, onde também há uma lanterna. Ele digita, portanto, “PEGAR LANTERNA”, e só então entra no túnel.

Colossal Cave Adventure, como Crowther batizou a criança, tornou-se uma febre nos laboratórios de informática, e outros programadores passaram a criar variações do jogo, com novos desafios e mais salas para se explorar. Os computadores pessoais começavam a ganhar campo, e logo alguém criou uma versão de Colossal Cave que rodasse nessas máquinas. Era o início de um gênero que se tornaria onipresente e muito lucrativo por anos a fio.

As empresas começaram a investir nas aventuras de texto, produzindo dúzias de cópias de Colossal Cave. O foco estava inteiramente nos quebra-cabeças: o jogador ia desenhando seu próprio mapa do jogo [recomenda-se papel quadriculado], examinando o cenário, coletando objetos, conversando com os personagens. Uma placa no início da caverna pode explicar como se abre uma porta mais adiante, mas o item necessário para abrir essa porta está em outro canto do mapa, que, por sua vez, precisa de outro item para ser acessado, e por aí vai. As pessoas demoravam meses para virar esses jogos.

Percebendo o potencial narrativo e literário das aventuras de texto, um grupo de amigos do MIT fundou a Infocom, voltada ao gênero que batizaram de ficção interativa. A grande sacada da Infocom foi inserir essa estrutura de quebra-cabeças predominante dentro de narrativas bem escritas, longuíssimas e que exploravam outros gêneros.

O maior sucesso da Infocom foi a série Zork, um jogo de exploração marcado pelo senso de humor cínico e refinado e pelo grau doentio de dificuldade [eles eram do MIT e ninguém ali estava de brincadeira]. Zork I vendeu cerca de 400 mil unidades, numa época em que os jogos vendiam em média 6.000 unidades.

Um dos trunfos da empresa era o programador Steve Meretzky, que escreveu clássicos como Planetfall, uma aventura de ficção-científica cuja reviravolta dramática do segundo ato até hoje suscita lágrimas, e A Mind Forever Voyaging, um jogo experimental quase sem quebra-cabeças [é divertido, incrivelmente].

Os primeiros jogos com gráficos esmagaram as aventuras de texto, claro, mas elas persistem justo porque exigiam mais criativamente de seus autores, por conta das limitações técnicas. E melhor: é possível jogar a maioria delas em qualquer navegador de internet, aqui www.accardi-by-the-sea.org.

chorume.org

@andre_conti

POR ANDRÉ CONTI | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 16 de fevereiro de 2011

Apple bloqueia iBooks em iPhones, iPads e iPods com jailbreak


A batalha entre a Apple e os usuários que fazem jailbreak já se arrasta por anos. Desde que o primeiro jailbreak foi lançado a Apple tenta corrigir as falhas do iOS exploradas por eles e os desenvolvedores do método tentam encontrar novas. Essa semana, no entanto, a empresa de Steve Jobs mandou um recado bem dado para quem usa o aplicativo iBooks e curte o jailbreak: nada mais de ler livros digitais.

Com a última atualização, liberada na semana passada, o iBooks passou a não abrir em dispositivos que receberam jailbreak. A Apple pode ter feito isso por vários motivos, mas o principal deles envolve o DRM de livros comprados na loja. Com o jailbreak, fica mais fácil dos livros terem sua proteção contra cópia retirada, permitindo a distribuição ilegal dos arquivos.

Segundo o desenvolvedor para plataforma iOS Comex, a empresa executa um teste bem inteligente para detectar o jailbreak. Ao abrir o aplicativo iBooks, ele cria um aplicativo fantasma com código não-assinado e tenta executá-lo. Se ele for executado com sucesso, o iBooks detecta que o aparelho sofreu jailbreak, mostra um aviso na tela pedindo para restaurar o dispositivo e fecha. Caso contrário, abre normalmente.

Apesar do jailbreak não ser considerado ilegal, a Apple diz que ele quebra a garantia e abre o dispositivo para hackers e por isso tenta de qualquer forma coibir o seu uso. Essa é só mais uma das cartas na manga da empresa.

Por Rafael Silva | Publicado originalmente em Tecnoblog | 15/02/2011 | Via Read Write Web

Livros digitais e o mercado editorial brasileiro


POR Alexandre Linares | Publicado originalmente em  Tipos Digitais | 12/02/2011

“Tudo o que era sólido e estável se desmancha no ar,
tudo o que era sagrado é profanado.”
Karl Marx ¨& Friedrich Engels

O texto “A publicação no formato digital não é uma opção, é uma questão de sobrevivência”, do editor e articulista editorial Carlo Carrenho, abre um debate necessário. E polêmico.

Pensar sobre a questão do livro digital depende hoje de mais ousadia entre aqueles que decidem no mercado. A iniciativa do blog Tipos Digitais não pode, nem deve ficar isolada. Ao contrário, todos os atores do mercado editorial devem entrar nesta discussão, internamente nas editoras e publicamente em todos os espaços do mercado.

Ponto de partida

Qual o ponto de partida? Apesar de jovem, comparado com tantos outros lugares do  mundo e mesmo da América, nossa indústria editorial já tem história e maturidade. Exatamente por isso tem dificuldades de ver e entender o processo em curso.

Nada mais natural. Os copistas medievais devem ter passado por algo parecido quando Johannes Gutenberg colocou sua tipografia para funcionar.

A média de idade dos editores do mercado editorial é alta. Não estou falando de funcionários contratados, estou falando dos proprietários, daqueles que decidem. Pela minha experiência de 12 anos trabalhando com livros, o mercado editorial brasileiro tem uma média de idade entre 50 e 70 anos. É só lembrar dos jantares de final de ano da CBL, onde há inúmeros ganhadores das bodas de prata e ouro do mercado editorial.

Esse dado é relevante para entender a dificuldade de viver as transformações em curso. Não é uma crítica, veja bem, é uma constatação.

Essa geração não é dependente de internet. Não vive com ela. É diferente de toda a geração que nasceu com internet. Hoje, já temos uma geração de jovens que nunca pagou por música, diretamente. E escuta música o tempo todo com celulares, mp3 players e afins.

Esse é o ponto de partida para entendermos o problema.

Baixo livros desde que entrei na internet em 1996/1997 [eu tinha um HD de 1,7GB, tenho hoje mais do que isso no meu celular]. Adorei ler o clássico Anarchy Cookbook e as linhas do fanzine brasileiro mais bacana do início da web, o Barata Elétrica. Mas isso é antiguidade da internet, afinal sou de uma geração pré banda larga, wi-fi, celular etc. Hoje as pessoas vivem com a internet 100% do tempo. Alguns minutos na TV mostram a publicidade sistemática das operadoras de telecomunicação incentivando você a viver 100% conectado. As crianças vão para escola com celulares permanentemente on-line.

Por isso, acredito que o trem da história vai atropelar quem não for rápido. Essa esmagadora roda do progresso da tecnologia digital para os livros vai esmagar quem acreditar que dá para fazê-la rodar para trás. Não dá.

Quando trabalhava na Conrad Editora no ano 2000, instalamos o falecido software Napster. Foi inacreditável: em 48 horas havíamos baixado algo como 600 músicas, na sua maioria temas de séries, trilhas de filmes e músicas obscuras. Ficamos nos divertindo por horas. Se naquele momento tivéssemos um iPod ou se um celular com MP3 player, nos fosse oferecido,  pagaríamos o preço que fosse para ter os meios de escutar essas músicas com facilidade. Meu primeiro MP3 player [de 128MB] eu recebi como brinde de uma assinatura de banda larga que fiz. Usei aquilo até queimar.

Hoje, qualquer pessoa que anda de trem/metrô está com seu celular abarrotado de música. Nunca se escutou tanta música na história da humanidade. E isso é bom. Muito bom.  Discos obscuros de bandas punk rock da Iugoslávia, cantos tribais africanos, música clássica soviética, samba paulista com Plínio Marcos como mestre de cerimônias, discos da banda Fellini… tudo disponível a dois ou três cliques! Coisas que a indústria musical nem sabia que existia… Passam a ser escutadas.

Entender e começar a estudar destemidamente o que será do futuro do livro. Encarar e desbravar os caminhos deste futuro. Como uma “Corrida ao Oeste” ou uma “Bandeira de Mineração”, por territórios desconhecidos, em busca do novo veio de riquezas do mercado editorial.

O negócio vai mudar. Como mudou na música. Como mudou no cinema. A indústria do cinema hoje, se perdeu dinheiro para a pirataria de DVDs, ganha dinheiro como nunca, nas salas de cinemas boas. Ninguém mais consegue assistir filme nos finais de semana sem fila.

Como tornar viável uma editora com livros digitais? Esse é um problema que os editores precisam se desdobrar para resolver. Não existe resposta pronta. O que tenho a dizer são ideias e especulações. Pistas sobre o caminho e sobre os obstáculos.

Algumas pistas sobre os obstáculos

Faz um ano, fui chamado por um selo editorial de uma grande editora para uma consultoria para rascunhar um projeto de edições digitais. Comecei, desenvolvi uma parte do estudo levantando oportunidades, viabilidades e afins. Mas não havia segurança em investir no prosseguimento da pesquisa na editora. Entre o certo e o duvidoso, tive de optar por me dedicar a minha outra área profissional [como professor].

Com raras exceções, é uma tendência do mercado em geral: esperar alguém ir na frente, bater a cabeça, errar, se machucar… para depois o restante seguir a trilha já traçada sem dificuldades.

As exceções devem ser registradas como a Ediouro, com seu projeto Singular Digital e o Grupo Positivo que aposta em um e-reader próprio e possivelmente unificará suas estratégias de negócios editoriais e educacionais.

O problema é que, no geral, isso está muito devagar. E ninguém está disposto a errar. Isso, numa empreitada nova, é um equívoco.

Fica óbvio que o que leva as editoras a não investir nos livros digitais é insegurança, medo. Tratar livro como papel. E livro é conteúdo, não é forma.

Mas qual a razão dessa decisão? Simples, optaram por seguir o mercado: fechar-se, colocar a cabeça na areia e rezar para o céu não cair em cima deles. Esperar que outros se arrisquem, que outros façam o novo para só seguirem a onda.

O problema é que aqui não adianta rezar. Toda a fé do mundo não muda a realidade, se as pessoas ficarem de joelhos. É preciso agir. Recordando as palavras de Goethe: “No princípio era a ação”.

O mundo editorial precisa renascer

Vivemos uma nova transformação gutenberguiana. Aquilo que Gutenberg fez com seus tipo móveis, mudou o mundo. Mas mudou o mundo não pela técnica em si, mas porque essa técnica foi capaz de reduzir drasticamente os custos do acesso ao conhecimento e a novas ideias que antes estavam isoladas e fragmentadas. Socializou, assim, o conhecimento clássico e abriu as portas para novas ideias. Tornando possível mudanças na escala da Reforma Protestante, do Renascimento e do Iluminismo.

Não há dúvidas, o mercado editorial precisa se reinventar. Renascer. “Necessário vos é nascer de novo” diria João [3:7].

Claro, ainda tudo parece um balcão de apostas. E ninguém quer colocar as fichas sem saber onde é que elas vão ser jogadas. Nada de fazer como fez a AOL, quando distribuía CD-ROM ou outras loucuras torrando o dinheiro da falecida “nova economia”. Não é isso.

Mas não dá para achar que as faixas de lucro vão ser as mesmas. A rentabilidade no novo negócio do livro ainda está para ser descoberta. E creio que ninguém duvida que o desenvolvimento do mercado vai depende de vários elementos, variáveis e fatores.

Alguns elementos e fatores para o futuro do livro

a] Hoje o público de vanguarda está comprando leitores [e-readers/tablets] e já consumindo no Brasil. O público é pequeno ainda. Mas é o público que consome mais e logo exigirá o que consumir. Seja ele professor universitário, leitor modista radical, pessoas da área de tecnologia ou advogado consumidor de livros jurídicos pesados que não quer carregar na mala entre um processo e outro [entre outros consumidores de mais de 80 livros por ano].

b] Da capacidade de multiplicação de e-readers e de tablets eficientes e baratos [e barato, sem dúvida é na faixa de 150/200 reais no mercado brasileiro]. No Compre direto da China já vendem um iTablet ching-ling por 249 reais usando o Google Android, que pode ser o primeiro tablet de muita gente. Outros vão vir. E logo mais cada universidade privada “presenteará” seus alunos [com o custo diluído nas mensalidades, claro] com um e-reader [como já faz a Faculdade COC, para o ensino a distância].

c] Da ousadia das editoras de recalcular integralmente os custos dos livros a partir da nova realidade. De reduzir os esbanjamento e estudar drasticamente como produzir conteúdo para os novos formatos. De recuperar todos os livros dos seus catálogos. E de entender a cauda longa [o livro do Chris Anderson passa a ser leitura obrigatória].

d] De novos modelos de contrato. Novas formas de repartir resultados. Com esse formato, fica sendo possível combinar direitos autorais para autores, tradutores, capistas e mesmo editores de edições críticas. Isso fará os custos de investimento caírem e possibilitará mais ousadia e apostas. E mesmo resgates de obras esquecidas e abandonadas. A possibilidade de ótimos resultados com livros de domínio públicos em edições críticas de alto nível. De definição de tempo menores para extensão dos contratos. De cálculos escalonados onde os resultados de vendas ampliam os resultados de royalties, tornando os autores vetores principais da divulgação e do marketing das obras. Tenho certeza que livros que façam sucesso originalmente em e-books vão se tornar versões impressas, muito mais legais para presentear [pois permitem dedicatórias, por exemplo] e para adornar as estantes de bibliófilos. Além disso, seguem essenciais para as noites de autógrafos.

e] Esse processo ampliará drasticamente a base de leitores. O modelo digital vai ajudar, como a música digital fez. Mais consumidores consumindo e descobrindo. E o consumo de energia de um e-reader é tão baixo que um sistema de energia solar fará qualquer cidadão no meio do deserto capaz de ler um livro usando o sol como fonte de sustento de baterias… nem eletricidade vai necessitar. Programas públicos de acesso a internet como o Programa Nacional de Banda Larga que o governo federal desenvolve com a nova Telebras serão ferramentas importantes para ampliar o mercado leitor.

f] Ao mesmo tempo, livros de luxo, de arte, de colecionadores, continuarão a ser do jeito que são. Uma obra em quadrinhos do Sandman [Neil Gaiman] segue sendo melhor lida no papel. Um livro de fotos do Sebastião Salgado a mesma coisa.

Um outro elemento importante: a pirataria

g] Como competir com a pirataria? Antes de tudo é preciso entender que ela existe e vai seguir existindo. Para concorrer com ela, é preciso em primeiro lugar, preços justos e competitivos. Como professor, incentivei meus alunos a comprar essa coleção de livros da Folha “Livros que mudaram o mundo”. Até a edição 14, pelo menos 30 dos meus 250 alunos compraram.  Por um sistemático incentivo meu que a cada semana apresentava a importância de cada obra e comparava seu preço [15,90 reais] dela com as edições de livraria. Um resultado impressionante, pois sem dúvida, muitos jamais chegariam a obras como aquelas, se não fosse o preço.

h] Vejo editoras vendendo livros digitais por preços praticamente iguais aos livros em papel. É uma afronta à inteligência do consumidor. É um empurrão para o consumo de livros por fora das editoras. Com a inesgotabilidade das obras, em alguns casos, as obras vão ser gratuitas e as pessoas vão contribuir livremente para ajudar projetos editoriais ousados. Um pouco como fez o Radiohead quando disponibilizou um disco no seu site para as pessoas pagarem o quanto quiserem. Recentemente, um blog especializado em digitalização de livros para uso de estudantes de uma grande universidade fez uma campanha para comprar um HD extra e arrecadaram 400 reais em poucos dias com doações voluntárias.

i] É provável que uma das formas para o acesso a conteúdos esteja ligado a sistemas de assinatura. Isso possivelmente implicará que as editoras tenham de fazer acordos/negócios com operadoras de telecomunicação [Teles em geral] e portais de internet. Algo como um grande Círculo do Livro, mas agora digital. O sucesso das obras estará ligado à capacidade de dar visibilidade [sites, TV e afins]. Mas também ao boca a boca, em torno das redes sociais. Nos EUA já há uma rede social dedicada só à leitura de livros: The Copia com grande convergência para e-books.

j] Nas edições técnico-científicas – em todas as áreas – produzidas ou traduzidas nas universidades públicas com pesquisas de bolsistas de órgãos de fomento públicos, vão também mudar a forma de acesso ao conteúdo.

Não se justifica – do ponto de vista do interesse da sociedade – que pesquisas e obras sustentadas com dinheiro público, com livros produzidos por professores e pesquisadores com estatuto de dedicação exclusiva, tenham livros restritos a versões impressas para serem vendidos a preços de mercado. Sendo obras de interesse social, possivelmente terão outra dinâmica.

Parece que o modelo desenvolvido pelo portal Scielo para os periódicos científicos, tende a se generalizar no futuro numa espécie de Scielo Livros disponibilizando os acervos das editoras universitárias ao público leitor sem custo ou a custos próximos do simbólico [ou mesmo sistemas de assinaturas acessíveis].

Essa questão da disponibilidade das publicações técnico-científicas é um problema central hoje para o mundo acadêmico, para a elaboração de políticas públicas e mesmo para a reforma da legislação de direitos autorais. Não é por acaso que um excelente grupo de professores e pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP liderado pelos professores Pablo Ortellado, Jorge Machado e Gisele Craveiro no Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação [Gpopai/USP] tem demonstrado a crise que existe na disponibilidade de livros nessa área no estudo “Relatório: O mercado de livros técnicos e científicos no Brasil”.

Para dar um exemplo real deste problema, hoje, dos 11 livros exigidos no edital para a prova de mestrado em História Econômica na USP de 2010, cinco títulos estão fora de catálogo nas livrarias eletrônicas de edições novas [veja tabela de disponibilidade]. Uma parte destes livros só está disponível em sebos e sites de downloads ou na biblioteca da própria USP.

Outro elemento: Recuperar, resgatar e reeditar os antigos títulos e gerar novos negócios

l] Uma vasta quantidade de obras traduzidas que já foram editadas e publicadas, mas que estão fora de disponibilidade do mercado, vão poder ser recolocadas no mercado graças ao formato digital.

Os leitores digitais com toda a certeza vão fragmentar a edição. Não será necessário capacidade de investimento para publicar. Será necessário capital para contratar autores consagrados, isso é claro. Mas abrirá o caminho para uma ampliação da experimentação de novos autores, novas formas narrativas, novas ideias…

m] Como lembrou um amigo, outro elemento que deve ser abraçado é a possibilidade de casar os novos formatos digitais com mecanismos de publicidade de marcas. Porque empresas que investem em prêmios literários e edições de livros via isenção fiscal [Rouanet] não vão investir em projetos editoriais digitais disponibilizando livros gratuitamente? É também um terreno aberto.

Reformar os direitos autorais

Hoje a resistência ao processo de modernização dos direitos autorais tende a se inverter. As editoras vão se tornar as maiores interessadas com uma ampla reforma ampliando as limitações [situações nas quais as obras podem ser copiadas]. Isso porque com os tablets, os livros vão passar a ser obras de convergência de mídias.

As editoras de livros didáticos terão de se transformar em canais de mídia, com publicitários, com departamentos de criação dinâmicos, com acordos de licenciamento em infintas formas de conteúdo. Os desafios e obstáculos que hoje documentaristas e cineastas vivem vão se tornar desafios para os editores que terão de utilizar todos os meios e mídias para projetos inovadores.

Imagine um capítulo de um e-book produzido para tablets, num livro de história, para ensino médio sobre a Revolta da Chibata. Ele terá imagens, passeio pela planta dos navios, a reprodução da música do João Bosco cantada pela Elis Regina, terá imagens do ex-presidente Lula lançando ao mar o primeiro navio da Petrobras produzido nos estaleiros navais de Pernambuco, batizado de João Cândido. Também terá depoimento em vídeo do senador Paulo Paim, autor do projeto que propõe inscrever no Panteão dos Heróis da Pátria e da Liberdade o nome de João Cândido entre tantos outros recursos de multimídia. Para ficar apenas num exemplo. A produção de obras deste tipo vai exigir sem dúvida, uma reforma da legislação de direitos autorais.Sobre esse tema recomendo a leitura do e-book em quadrinhos Prisioneiros da Lei produzido e traduzido para o português pelo Center for Study of the Public Domain da Duke University School of Law.

Uma transformação profunda e sem volta. O futuro está à nossa porta!

O mercado editorial prepara-se para uma transformação profunda e sem passagem de volta. Temores sempre existem. Mas às vezes é preciso coragem para encarar o futuro.

Mas diferente de décadas passadas, hoje o futuro dá medo. A ficção projeta atualmente a um futuro, em geral trágico. Como explicou o crítico Fredric Jameson no seu Archaeologies of the Future  a tendência da projeção do futuro no terreno da ficção hoje, no capitalismo, é a hecatombe apocalíptica ou mais do mesmo que já vivemos. E essas duas opções, convenhamos, não são muito boas.

O futuro pode ser melhor. Mas desde já trabalhemos para isso. Frente às opções de hecatombes ou mais do mesmo, prefiro um futuro melhor. Os livros digitais podem não resolver os problemas do mundo, mas vão ajudar. Devemos ir para o futuro “audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve”.

* Alexandre Linares [alexandrelinares@gmail.com] é editor, cientista social e professor. Foi coordenador editorial na Conrad Editora. Foi sócio-fundador da Amauta Editorial. Trabalhou na Boitempo Editorial e na Editora Nova Palavra e colaborou com várias outras editoras. Mantem o blog Ativando Neurônios para seus alunos do pré-vestibular/ENEM.