Uma declaração de amor ao Kindle


Por Bia Kunze

Ganhei o Kindle 2 de presente do marido no Natal de 2009. Para quem adora ler e está sempre lendo uns 3 livros ao mesmo tempo, é uma mão na roda. Já lia em PDAs desde 2001, mas nada se compara à tecnologia eInk. A sensação é de um livro de papel!

Já achava o Kindle o máximo, mas mal podia imaginar o que aconteceria no ano seguinte, logo em janeiro. Adoeci gravemente e minha primeira internação durou 11 dias. E saí de lá andando mal. Isso era só o começo. Para encurtar a história, passei praticamente metade do ano de cama, com muitas dores, imobilizada, e depois, em cadeira de rodas, por conta de uma doença auto-imune fulminante.

Foi difícil para uma pessoa super ativa como eu de repente parar tudo. Mesmo jovem e saudável, a vida mostrou que nunca se sabe o que acontecerá no dia seguinte. Projetos, planos, expectativas, um monte de coisas em andamento na vida pessoal e profissional, e, de uma hora para a outra, tudo é interrompido.

Sorte que sou abençoada por um gênio calmo e um organismo forte. Acho que minha família sofreu mais do que eu. O marido usou suas férias para cuidar de mim. E depois de anos, voltei à casa dos meus pais, pois a minha é um sobrado e as escadas pareciam uma barreira intransponível. Dependi deles para tudo, até ir ao banheiro. Mas mantive a cabeça no lugar. Claro que é impossível estar otimista 100% do tempo; sabia inclusive que poderia não voltar mais a andar… mas vejam que inusitado: eu nem me importava mais que isso acontecesse, contanto que as dores passassem. E que eu voltasse a trabalhar. Acostumada a atender idosos e pessoas com necessidades especiais, encarei meu período de cadeirante como um “estágio”. E depois disso, até o fim do ano, muita fisioterapia e uma paciência infinita, esperando os medicamentos surtirem efeito.

Ainda que num ritmo mais lento, mantive meu blog atualizado e continuei escrevendo para vários veículos. Porque é bem verdade aquele ditado da minha avó: “cabeça vazia, oficina do capeta”. Cheguei até a dar uma consultoria quando não sentia mais dores, a cliente gentilmente foi até em casa. Mas o meu maior suporte para não enlouquecer com a inatividade foi o Kindle. Tive recaídas, voltei ao hospital, inchei por causa dos corticóides, perdi quase todo meu cabelo, peguei infecções oportunistas. Mas a leitura ajudou a manter a cabeça sã.

Embora atualmente se possa comprar livros facilmente pela internet, nada se compara a um leitor de livros digitais com 3G e loja atrelada. Era só escolher o título, fazer a compra — com um único clique — e aguardar alguns segundos pelo download. Nada se compara a isso, ainda mais para quem está fisicamente imobilizado.

Longe do trabalho, dos pacientes, vivendo uma vida diferente num corpo que não parecia o meu, decidi fazer do limão uma limonada e li todos os livros que estavam na minha fila de leitura e mais tantos outros. E aproveitei para me atualizar, com diversos papers e artigos de odontogeriatria, que é minha área. E ainda por cima me tornei expert em doenças auto-imunes e a fisiologia da dor… Sim, foi um estágio e tanto…

O mais interessante é que no Kindle pude ler livros que, na versão convencional, possuem mais de 500 páginas. Isso seria impossível num dispositivo móvel como um PDA ou smartphone, pois a tela pequena não foi feita para leitura por um período prolongado. E, mesmo num iPad, a luz cansa a visão. Ou seja: por mais lindos que fiquem os ebooks num tablet, a tecnologia do papel eletrônico é a que mais se aproximou da experiência de um livro tradicional.

Minha recomendação hoje em dia são tablets somente para o leitor eventual, ou para obras técnicas e de consulta. Eles servem para quem quer algo que se aproxime mais de um computador que, entre várias outras tarefas, exibe livros. Para aqueles que estão sempre lendo alguma coisa, uma após a outra, um dispositivo dedicado é a escolha perfeita.

Depois de muitos medicamentos que me enfraqueceram, fiz bastante fisioterapia. Hoje posso andar outra vez, e, recentemente, fiquei até emocionada ao voltar a pedalar. Ficaram algumas sequelas, como alguns movimentos mais limitados e imunidade baixa, que ainda ficará assim por um bom tempo. Mas o amor e os cuidados de meus pais e meu marido certamente ajudaram a agilizar minha recuperação. E o mundo de informações que o Kindle trouxe nesse período, idem. Dá até para dizer que ele também virou um membro da família…

Escrito por Bia Kunze | Publicado originalmente em Tech Tudo | sex, 28/01/11

Livros eletrônicos superam os de brochura na Amazon


Kindle 3, aparelho leitor de e-books da Amazon; livros eletrônicos superaram os de brochura na loja virtual

A loja virtual Amazon anunciou nesta quinta-feira [27] que as vendas de e-books para Kindle superaram pela primeira vez as dos livros de brochura em seu site.

Seis meses atrás, a empresa havia anunciado que os livros eletrônicos haviam ultrapassado os de capa dura.

Em 2010, para cada 100 livros de brochura, a Amazon vendeu 115 e-books para o Kindle, informou a empresa.

A vantagem dos livros eletrônicos em relação aos de capa dura é ainda maior: três para um.

Folha.com | TEC | 28/01/2011 – 18h49

Amazon vende mais livros eletrônicos que físicos


Vendas de livros para o Kindle superaram as vendas de publicações físicas

A Amazon divulgou durante a apresentação dos resultados do quatro trimestre de 2010 que já vende mais livros eletrônicos que brochuras. A empresa afirma que para cada 115 livros para Kindle, o leitor eletrônico da Amazon, vende 100 livros físicos, informou a BBC.

Já em julho do ano passado a empresa havia divulgado que as vendas de versões eletrônicas superavam as vendas de livros de capa dura, em uma relação de 143 vendidos para Kindle contra 100 livros físicos. Nesta semana, a empresa anunciou que os e-books superam em três vezes as edições em capa dura, em uma relação de 300 para 100.

Os números não incluem a distribuição de versões eletrônicas gratuitas, o que aumentaria muito o número de exemplares para Kindle. A empresa divulgou leve queda no lucro operacional para o quarto trimestre, que inclui a forte temporada de Natal, apesar de um aumento de 36% na receita.

Portal Terra | 28 de janeiro de 2011 • 16h52

Mais livros digitais que de papel


Foto: NotFromUtrecht/Creative Commons

No ano passado, a Amazon vendeu mais livros digitais para o Kindle do que livros de papel. Foram 115 e-books para cada 100 paperbacks [brochuras]. No mesmo período, a empresa vendeu três vezes mais livros para o Kindle que de capa dura.

A Amazon divulgou resultados do quarto trimestre ontem e, sem ser específica, anunciou ter vendido “milhões” de leitores Kindle. Segundo o blog Business Insider, um analista estima que foram cerca de 7 milhões de unidades vendidas em 2010.

Por Renato Cruz | Link do Estadão | 28 de janeiro de 2011, 16h28

Tudo num só lugar?


Foto de Reuters

A polêmica sobre o que é melhor ou o que pode ser mais vantajoso, econômico, segue sua linha de contrapontos. Notícia publicada pela Reuters, com a imagem ao lado, anuncia a compra da empresa holandesa de papel eletrônico Liquavista, pela Samsung, como estratégia para ampliar o mercado. A tecnologia de telas móveis é usada, entre outras coisas, para leitura de livros eletrônicos. E cá estamos de novo rodeados de exposições e interrogações. Será que em um e-reader temos tudo num só lugar, realmente? Vai depender sempre do “tudo” de cada um. Como as sensações que temos ao ler num livro de papel. O que há de certeza é que as coisas evoluem. E evoluir nem sempre significa mudar, mas compreender as mudanças e se aprimorar com ou ao lado delas.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | De 28/01 a 03/02/2011