DRM pode não evitar a pirataria, mas pode proteger as vendas


Existe muita discussão sobre a pirataria e DRM entre pensadores do espaço editorial. Este post vai expressar alguns pensamentos sobre os dois, mas, acima de tudo, é um pedido para não juntar as duas coisas na mesma discussão. Na verdade, o fato de que pirataria e DRM são parte da mesma discussão é tão controverso quanto o fato de que a pirataria é uma ameaça às editoras e de que o DRM deve ser empregado em tudo.

Primeiro, vamos definir alguns termos. Faço uma distinção [que não é universalmente aceita] entre pirataria – que eu definiria como deixar disponível um arquivo com direitos autorais para livre acesso a qualquer um que o encontre – e “troca casual”. Troca casual acontece entre pessoas que se conhecem; pirataria acontece entre estranhos.

Foi observado durante muito tempo que o DRM faz pouco para evitar a pirataria, que é normalmente executada através de sites que hospedam versões desprotegidas de conteúdo. Foi demonstrado que o DRM pode ser facilmente “quebrado” [tenho dois amigos que rotineiramente a quebram por esporte: um nos EUA que não está no mercado editorial e outro no Brasil que está. Nenhum deles já vendeu ou transferiu os arquivos destravados, mas eles tiram a proteção só para provar que podem. E dizem que sempre conseguem]. Na verdade, livros que nunca existiram em edições digitais, como a série Harry Potter, existem em todos os sites de pirataria.

É possível escanear um livro impresso e criar um arquivo digital em pouco tempo. Recentemente foi apresentado um gadget que é capaz de automatizar isso. Mas você pode comprar conversão de conteúdo comercialmente criando um arquivo de e-book a partir de um livro impresso por poucas centenas de dólares a cada título. Então eu concordo enfaticamente que DRM faz pouco ou nada para impedir um pirata com um mínimo de determinação de fazer um arquivo de e-book pirateado, com ou sem DRM; independente de já existir um e-book!

Mas troca casual é outra questão, pelo menos para mim. As pessoas compartilham material publicado o tempo todo através de e-mail, normalmente enviando um link para algo que querem que outra pessoa veja. Mas às vezes anexam um arquivo ou copiam um texto ou imagens no corpo do e-mail. Algumas pessoas [minha esposa entre elas] mantêm listas de e-mail de pessoas que devem alertar sobre uma coisa ou outra. Esse tipo de seleção pessoa-a-pessoa é o novo boca-a-boca ajudado pela automação e que se transformou num componente crítico da comunicação moderna.

Agora minha posição. Não faço ideia se a pirataria ajuda ou atrapalha as vendas, mas independente do que for, não consigo ver como o DRM pode evitá-la. Mas acho que o DRM evita a “troca casual” [com certeza, ela me impede; e acho que a maioria das pessoas são mais parecidas comigo do que como esses meus amigos que destravam e-books por esporte]. E acredito, baseado na fé, não em dados, que permitir a troca casual atrapalharia as vendas de e-books, principalmente para os best-sellers.

As grandes editoras sobrevivem com base no desempenho de seus maiores livros. Agentes sobrevivem com base nas vendas de seus maiores autores. Então as grandes editoras e os grandes agentes, se pensarem como eu, estariam a favor de DRM mesmo que isso não ajude em nada a evitar o tipo de pirataria que tentam resolver com pedidos de fechamento de sites.

Há muitas boas razões para não gostar de DRM. Ele pode fazer com que o ato de comprar ou usar seja um pouco mais difícil. É aparentemente responsável pela maior parte dos custos do e-book. Pode frustrar o uso legítimo por um comprador legítimo. E custa dinheiro além de acrescentar complicações. No geral, quanto mais confortável você se sentir com a tecnologia, mais provavelmente o DRM o incomodará.

Mas fico louco quando as pessoas atribuem a crença de que DRM protege contra a pirataria a todo mundo que entende o sentido de usá-la.

Então, com isso como pano de fundo, peguei um link do começo dessa semana de um entrevista na O’Reilly Radar com meu companheiro de escritório [mas um cara que tem sua própria empresa] Brian O’Leary com o título de “Qual é o impacto atual da pirataria na indústria editorial?” Brian está tentando há quase três anos medir o real efeito das edições pirateadas [não a troca casual] sobre as vendas. Seu método é acompanhar os sites de pirataria para a aparição de livros e depois medir as vendas das semanas anteriores e posteriores. Se a pirataria está canibalizando as vendas, alguém deveria esperar um declínio após a aparição da edição pirata. Se a pirataria está estimulando as vendas através de mais boca-a-boca, deveríamos esperar um aumento nas vendas.

Claro, os dados para fazer essa análise só podem vir dos editores, mas estes, apesar da tão falada preocupação com a pirataria [e sua aparente disposição a gastar muito dinheiro para combatê-la], não estiveram dispostos no geral a participar nos esforços de Brian para medir seu impacto. Mas o que ele viu [principalmente através dos dados da O’Reilly, que é uma editora sem DRM] sugeriu que a pirataria podia aumentar as vendas mais do que atrapalhar.

Na entrevista, Brian apresenta pontos bastante bons, mas depois eu encontrei isso:

“Estou bastante contra o DRM: Ele não tem nenhum impacto na pirataria. Qualquer bom pirata pode desabilitá-lo em questão de segundos ou minutos. Um pirata também pode escanear uma cópia impressa com a mesma simplicidade.” [Concordo quando fala nos “bons piratas”, mas a declaração de “nenhum impacto” baseia-se em dados? Duvido.] Mas então:

“DRM só é realmente útil para evitar que as pessoas compartilhem uma cópia, algo que fariam se ela não existisse.” Então, ele é contra o DRM apesar de concordar que evita o compartilhamento casual. E não sei de ninguém, nem mesmo Brian, que já tenha tentado medir o impacto do compartilhamento casual.

Isso é interessante porque nós dois temos exatamente a mesma opinião sobre o que DRM pode e não pode fazer, mas não temos a mesma opinião sobre se deveria se aplicada!

A questão que Brian levanta e que eu levo a sério, no entanto, tem a ver com tentar basear as opiniões em dados sempre que possível em vez de usar conjeturas. Muitos dos seus companheiros na luta contra o DRM atribuem sua continuidade à ignorância e a ideias erradas: editores e agentes que, de alguma forma, são levados a pensar que usando DRM poderão restringir a pirataria. Ao mesmo tempo, a preocupação sobre o compartilhamento casual ou é ignorada ou eliminada.

Se juntar dados sobre o verdadeiro efeito da pirataria é difícil e sobre os verdadeiros efeitos do compartilhamento de livros comerciais é impossível, estou numa boa posição para juntar dados sobre o que os executivos editoriais e os agentes mais poderosos pensam sobre a pirataria, compartilhamento casual e DRM.
Então, criei uma pesquisa informal para descobrir.

Fiz três perguntas:

1. Você acha que DRM é necessário para proteger as vendas de e-books dos títulos populares?
2. Você acha que DRM é eficiente contra a pirataria?
3. Você acha que o principal benefício do DRM é prevenir a troca casual de livros?

Perguntei a executivos em grandes editoras e agentes que trabalham com os principais autores. Nove executivos e quatro agentes [mais da metade do número de entrevistados] foram gentis o suficiente para me responder [até agora]. Vou informar sobre minhas descobertas no próximo post.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/01/2011

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abre para o público


Um site de buscas que apresenta os resultados em vídeo, como se fosse alguém te contando história. Essa é a ideia do Qwiki, site que abriu para o público nesta quarta-feira [26].

O Qwiki ficou rapidamente famoso por ser a empresa vencedora de um concurso promovido no ano passado pelo Techcrunch, um dos blogs de tecnologia mais populares do mundo, e por receber US$ 8 milhões, na semana passada, vindos de investidores liderados pelo brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.

Qwiki

Tela do Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abriu para o público nesta quarta-feira

Em entrevista ao “New York Times”, Saverin disse que está empolgado com o site. “Estou numa situação hoje que me permite fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores. O Facebook é algo grande e assim permanecerá. Qwiki é muito novo ainda, mas eles estão no caminho para mudar o jogo”, disse.

O Qwiki humaniza as pesquisas ao mostrar os resultados das pesquisas organizado como uma apresentação multimídia. “Nós acreditamos que somente o fato da informação estar guardada em máquinas não quer dizer que ela deve ser mostrada como uma simples lista de dados. Vamos tentar fazer algo melhor”, diz a descrição do site. Os vídeos são feitos na hora, por computadores — não são arquivos prontos e armazenados.

Os resultados são apresentados somente em inglês, e o usuário tem como compartilhar o conteúdo e continuar a exploração do termo pesquisado em outros sites, como Wikipedia e o YouTube. Também podem ser feitas sugestões de imagens, vídeos e correção de alguma informação.

POR ALEXANDRE ORRICO | Publicado originalmente em Folha.com | 26/01/2011 – 17h24

Jornais americanos e britânicos lançam quiosque digital


O quiosque digital Ongo, no qual o “New York Times”, o “Washington Post” e o Gannett [que publica o “USA Today”] investiram US$ 12 milhões [R$ 20,07 milhões] no ano passado, iniciou nesta terça-feira [25] sua apresentação de artigos e notícias, sem publicidade, por meio de assinatura mensal de US$ 6,99 [R$ 11,69].

Além dos três grandes jornais americanos, o “Financial Times”, com uma seleção de notícias, a Associated Press, o jornal britânico “The Guardian” e a “Slate” divulgam também sua produção no Ongo.

Ongo

Ongo, plataforma digital de notícias lançada por grandes jornais americanos e britânicos

O serviço é “acessível no computador, no celular e no tablet – de modo que os assinantes possam ter suas publicações preferidas em todos os aparelhos”, explicou Ongo em comunicado.

O site é dirigido por Alex Kazim, ex-Apple e eBay, onde ficou nove anos, até 2006, ocupando cargos de direção.

DA FRANCE-PRESSE, EM NOVA YORK | Folha.com, Tec | 26/01/2011 – 11h16

Escola dos EUA torna obrigatório uso de iPad pelos alunos


Uma escola privada do estado americano do Tennessee exigirá o uso de iPads pelos estudantes de 8 a 18 anos com o objetivo de substituir os livros didáticos pelos tablets eletrônicos, informou nesta terça-feira [25] a imprensa local.

A Webb School of Knoxville oferecerá aos alunos com menos recursos opções de aluguel de iPads, que custam no mercado americano US$ 500, indica Jim Manikas, diretor de tecnologia da instituição.

Consumidor segura um iPad em loja; escola americana tornou o tablet obrigatório para seus alunos

Ele explica que a medida também representa uma questão de “saúde” para os alunos, que, com o uso de tablets, deixam de carregar muitos livros e evitam mochilas pesadas.

Temos alunos que carregam quase 20 quilos de livros didáticos, enquanto um iPad pesa menos de um quilo“, assinala Manikas em declarações à imprensa americana.

Os funcionários da escola afirmam que sites de redes sociais como Facebook e Twitter terão acesso bloqueado dentro da instituição.

Elli Shellist, professora de inglês da Webb School, se mostrou “entusiasmada” com a medida. “Há coisas que podemos fazer muito melhor com esses tablets eletrônicos do que em textos de papel”, destaca.

A escola do Tennessee se soma assim a outras instituições educacionais como a Seton Hill University, no estado da Pensilvânia, e a Universidade de Notre Dame, em Indiana, que anunciaram cursos exclusivamente por meio de iPads.

DA EFE, EM WASHINGTON | Publicado em Folha.com, TEC | 26/01/2011 – 09h31

Mercado do ebook parece não caminhar no Brasil. E em portugal? O que está acontecendo?


Sabe-se que mercado americano de E-books que vem crescendo, enquanto que o brasileiro tem pouca boas iniciativas e ainda não sai do lugar, ou seja, é mais fácil encontrar em livrarias de e-books [as ebookstores] brasileiras livros em língua inglesa. Faça o teste! Entre na “Gato Sabido”, “Cultura”, “Saraiva” e reparem a maior presença de livros em língua inglesa em nossas lojas de livros eletrônicos.

O livro em papel no Brasil convive com o ebook, mas sem sentir-se ameaçado. Claro que existe o medo daqueles que amam e consideram apenas o livro se estiver de forma impressa, porém, até agora não há nenhuma grande ação que atrapalhe o caminho do impresso, a não ser em obras raras [e antigas] cada vez mais digitalizadas, contudo, esta ultima situação é vista como forma de levar o livro a todos! Mas porque uma obra atual digital não seria? Mas e a nossa mesma língua portuguesa em sua terra nativa, em Portugal? Como anda este mercado por lá?

Abaixo o trecho de uma matéria feita pela Tvi24, de Portugal.

“Ler é como rir; é dos melhores remédios para a alma. Os livros em papel são aos milhões, mas a era que agora se inicia pertencerá aos livros electrónicos, os chamados e-books. É pelo menos isso que se espera, sem que roubem no entanto o lugar conquistado pelo formato tradicional. Constituirão antes uma nova experiência? Ou uma alternativa? Afinal, o que é que aí vem?

Está a decorrer desde o dia 24 – e até esta quarta-feira – o Digital Book World 2011, em Nova Iorque, precisamente com e-books em cima da mesa de discussão. Google, Amazon, National Geographic, Disney Publishing Worldwide e New York Public Library são apenas alguns nomes do extenso leque de presenças neste evento.”

Mas o mais interessante são os questionamentos e suas respostas sobre o futuro do livro em papel, questões sobre o mercado como nas questões abaixo:

Editoras portuguesas estão preparadas?

Novas tecnologias podem comprometer vendas em papel?

Pirataria: e se o negócio sair furado?

A resposta para elas você poderá ler no link http://www.tvi24.iol.pt/media-e-comunicacoes/e-books-livros-livros-digitais-tablets-e-readers-agencia-financeira/1228457-5239.html

Para quem leu a matéria verá que as coisas não estão muito diferentes das existentes em nosso mercado. Editoras se preparando quase que eternamente, se considerarmos o tempo de tecnologia e não o tempo real. O medo esta na pirataria, mas a pressão vem do público, ou melhor, dos dispositivos. Aliás, este é um ponto importante a ser discutido: Os livros estão sendo preparados para uma geração que deseja o ebook, o digital, ou para o dispositivo, apenas pelo fato de ele estar no mercado. No caso do tablet, que atualmente vem sendo mais comentado que o ereader, nem temos muita variedade de modelos no mercado, por mais que a promessa seja de muitos dispositivos para 2011, como pudemos ver na CES2011.

No Brasil até mesmo já podemos perceber um incentivo neste primeiro mês de governo da Presidenta Dilma Rousseff e até comentamos no Bibliotecno. O Ministro das Comunicações Paulo Bernardo falou em incentivo para a redução do custo dos tablets no Brasil, e da vontade de usar este dispositivo como meio de inclusão digital.

Mas e o público, voltamos novamente a este ponto, está preparado, deseja o ebook? Estranho ver este questionamento vir de um blog que fala sobre tecnologia, porém, é importante atentar para este ponto, pois, se houver apenas os dispositivos não adianta a produção de vários títulos de ebooks, ou seja, seria necessário preparar o leitor para o mundo digital. Há interesse das editoras nisto? Ou mais ainda: As editoras estão realmente pensando, engajadas, no ebook como o futuro? Ou falar em se preparar no Brasil, em Portugal, significa forçar ao máximo o leitor ao papel e se não der certo partir para o Ebook?

A verdade é que vivemos realidades muito diferentes ao que se vem criando nos Estados Unidos, onde o Ebook parece tomar o caminho do gosto do leitor e já começa a enfraquecer [muito pouco ainda, é bom frisar] o livro em papel. Aqui, a criação de livrarias de ebooks com muitos títulos em inglês e poucos em português pode significar enfraquecer o negócio do ebook! Exceto para aquelas que são dedicadas apenas ao livro eletrônico e acabam tendo dificuldades de ampliar o espaço do livro eletrônico, já que as grandes estão envolvidas, e até bem resolvidas, no negócio do impresso. Só o tempo dirá o que pode ocorrer.

Texto escrito por Alex da Silveira | Publicado originalmente em Bibliotecno | 26/01/2011