Escolas americanas adotam iPad em casa e em sala de aula


Quando os estudantes norte-americanos voltaram às aulas nesta semana, alguns levavam Apple iPads novinhos nas mochilas, recebidos não de seus pais, mas de suas escolas.

Cada vez mais escolas nos EUA estão adotando o iPad como a mais recente ferramenta para lecionar sobre Kafka em modo multimídia, história por meio de jogos como os game shows de TV e matemática por meio de animações passo a passo de problemas complexos.

Como parte de um programa piloto, a Roslyn High School, de Long Island, distribuiu em dezembro 47 iPads a alunos e professores em duas turmas de exatas.

Os iPads têm custo individual de US$ 750 e serão usados em classe e em casa.

Isso nos permite estender a classe para além do edifício escolar“, disse Larry Reiff, professor de inglês.

Modas tecnológicas vêm e vão nas escolas, e outras experiências cujo objetivo era propiciar melhor experiência a crianças criadas na era dos videogames apresentaram resultados contraditórios.

Os educadores, por exemplo, continuam divididos quanto aos resultados das iniciativas para oferecer um laptop a cada aluno.

No momento no qual os distritos escolares tentam conseguir aprovação para seus orçamentos, gastar dinheiro na compra de computadores tablet pode parecer uma extravagância.

E alguns pais e pesquisadores expressaram preocupação por as escolas investirem no equipamento antes que seu valor educacional tenha sido comprovado.

Existem poucas indicações de que as crianças aprendam mais, mais rápido ou melhor quando usam essas máquinas“, disse Larry Cuban, professor emérito de educação na Universidade Stanford, para quem seria melhor gastar esse dinheiro no recrutamento, treinamento e retenção de professores.

O iPad é uma ferramenta maravilhosa para envolver as crianças, mas ele logo deixa de ser novidade e voltamos às questões essenciais do ensino e do aprendizado.

Mas os dirigentes escolares dizem que o iPad não é apenas o novo brinquedo da moda, e sim uma ferramenta poderosa e versátil.

As escolas públicas municipais de Nova York encomendaram mais de 2.000 iPads, por US$ 1,3 milhão.

Até mesmo alunos de jardim de infância estão recebendo iPads.

A Pinnacle Peak School, de Scottsdale, Arizona, converteu uma sala de aulas desocupada em um laboratório equipado com 36 iPads conhecido como iMaginarium, e ele se tornou o polo central da escola porque, como afirma o diretor, “entre todos os aparelhos que ele oferece, o iPad é o que mais atrai a garotada”.

Mas defensores da tecnologia, como Elliot Soloway, professor de engenharia na Universidade de Michigan, e Cathie Norris, professora de tecnologia na Universidade do Norte do Texas, se preocupam com a possibilidade de que os dirigentes escolares tenham se encantado demais com o iPad e por isso desconsiderado opções menos dispendiosas, tais como celulares inteligentes que oferecem benefícios semelhantes a uma fração do custo básico de US$ 500 de um iPad.

Pode-se fazer tudo que um iPad faz com tecnologia e hardware de uso corrente, e a preços US$ 300 e US$ 400 mais baixos por aparelho“, disse o professor Soloway.

A Apple vendeu mais de 7,5 milhões de iPads, de abril para cá, reportou a empresa, mas não se sabe quantos desses para escolas.

Por Winnie Hu | Folha de S. Paulo | 06/01/2011 | POR WINNIE HU, DO NEW YORK TIMES

A publicação no formato digital não é uma opção, é uma questão de sobrevivência


 

No ano passado, publiquei o post Por que eu não acredito em Papai Noel, Saci Pererê e DRM. Alguns dias depois, recebi um telefonema de alguém ligado ao mercado brasileiro de e-books. A pessoa estava bastante frustrada com meu texto, pois achava que ele serviria como desincentivo para que editores entrassem no mundo digital e publicassem seus livros em formato eletrônico. Embora não tenha concordado com a crítica como um todo, percebi que eu não havia deixado claro minha posição sobre a publicação ou não de e-books, mas apenas mostrara que o DRM é absolutamente ineficaz. O resultado é este post que escrevo agora.

Aviso aos editores: a revolução digital chegou e seu catálogo estará disponível em breve em formato digital. Quer vocês queiram ou não.

É isto mesmo. Em 2010, o faturamento de e-books correspondeu a 9% do faturamento das grandes editoras americanas. Em 2008, foi 1% e em 2009, 3%. O crescimento tem sido exponencial. Em alguns poucos anos, haverá uma grande demanda por livros no formato digital, e onde há demanda, há oferta. Se os editores não fornecerem seus livros em formato eletrônico, alguém vai. Por mais que se combata a pirataria, será impossível evitar que algum adolescente na Lapônia ou em São José do Rio Preto digitalize um livro indisponível e o torne acessível na internet.

Os editores que, para evitar a pirataria, optem em não publicar no formato digital estarão apenas incentivando a pirataria. Parece paradoxal, mas é fácil explicar. Qualquer leitor honesto que busque a versão digital de um livro em uma e-bookstore se sentirá legitimado a procurar uma cópia pirata caso não encontre a edição oficial disponível. “Eu até compraria o original, mas não encontrei”, dirão eles. É claro que não basta que o livro esteja disponível. Ele terá de ter um preço justo e o processo de compra e download tem de ser absolutamente simples. Por isso que o próprio DRM pode, além de não evitar a pirataria, incentivá-la.

Do lado do pirata, seja ele motivado por ganância financeira ou por um sentimento de Robin Hood, com certeza ele se sentirá mais inclinado a copiar e disponibilizar obras que não podem ser compradas ou que sejam vendidas a um preço inadequado do que livros facilmente encontráveis em e-bookstores. Afinal, haverá mais demanda para os “livros difíceis”. Mas, de maneira geral, pirata ou leitor honesto se sentirão moralmente justificados em copiar um livro não disponível.

Mas se eu não digitalizar meu livro, será muito mais difícil copiá-lo”, dirão alguns editores. Verdade. Mas não será difícil o suficiente. Pesquisadores da Universidade de Tóquio já desenvolveram um protótipo de scanner que permite digitalizar 200 páginas por minuto apenas passando rapidamente as folhas de um livro. Em um futuro não muito longínquo, teremos celulares capazes de fazer isto e livreiros preocupados não apenas com ladrões de livros, mas ladrões de conteúdo em suas lojas.

Concluindo, a pirataria é de fato uma ameaça. DRM é uma solução no mínimo ingênua para o problema. O desafio está em como minimizar o efeito da pirataria e usá-la para monetizar o conteúdo. E quem não entrar no mercado de livros digitais já perdeu a priori a luta contra a pirataria e por um lugar ao sol no futuro digital da indústria editorial.

Texto Escrito por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 06/01/2011

Digital Book World Conference & Expo 2011


Em janeiro, editores e demais profissionais do mercado editorial interessados no futuro do livro e no novo modo de trabalho que a edição digital tem apresentado estarão em Nova York para o Digital Book World Conference & Expo 2011. Trata-se de uma oportunidade de ver, de perto e na prática, o que as principais editoras e seus parceiros estão fazendo na área do livro digital. Entre as atrações recém-confirmadas estão apresentações do Google, há quase dois meses no negócio do livro digital, e da Amazon, a líder até o momento.

Além disso, haverá um painel com analistas da Goldman Sachs e da Susquehanna Financial Group, o . Edição de livros infantis, publicação independente, distribuição, plataformas múltiplas de edição e comportamento dos consumidores são apenas alguns dos assuntos que serão tratados por um time de peso do mercado editorial internacional. Veja aqui quem são os convidados. Em destaque, ainda estão apresentações dos resultados de uma série de pesquisas como a que mostra a indústria do livro daqui a 12 meses e a que conta como foi 2010. As inscrições estão abertas e os assinantes do PublishNews, que apoia esta edição do DBW, têm desconto especial. Para a programação completa, clique aqui. O DBW 2011 será realizado entre os dias 24 e 26 de janeiro e o PublishNews fará a cobertura.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 06/01/2011