Porque os leitores de e-book não decolam no Brasil?


Acabo de ver um texto do Jorge Alberto levantando a lebre de um eventual boomno mercado de livros digitais no Brasil.

Eu não acredito na possibilidade de que este mercado se desenvolva, a não ser que algum grande competidor faça manobras muito mais ousadas do que as que estamos assistindo.

Eu sou, em tese, muito favorável ao livro digital. Gostaria muito de ter um Kindle, se ele funcionasse no Brasil. Usaria para assinar um jornal, especialmente se já tivesse fotos coloridas [coisa que o aparelho ainda não disponibiliza]. Usaria para ler livros, se tivesse títulos disponíveis [mesmo que fosse em inglês] e a preço significativamente mais barato que o livro de papel. Usaria para ler os mils pede-efes que tenho e que nunca vou ler no computador [porque estou sempre fazendo outra coisa nele].

Fui olhar a loja do Gato Sabido esses dias, só pra espiar. E estão lá muitos lançamentos em pdf, a chegada de grandes editoras ao catálogo – mas o preço continua o mesmo do livro de papel, cada vez mais caro, e num preço que não condiz com o poder aquisitivo do leitor brasileiro

O leitor, por R$ 600,00 ainda é muito caro [o Alfa, lançado pela Computadores Positivo tem o mesmo preço, e parece que vendeu bem – mas acho que é só o efeito da novidade].

Continuo achando que o mercado pode ser muito bom, mas não com essas editoras, nem com essas lojas, nem com os equipamentos que existem. Melhor ficar em compasso de espera.

O leitor da Positivo tem potencial para criar um ótimo mercado, se a empresa decidir fazer força para entrar com os leitores digitais na sua rede de colégios, e vender o aparelho com desconto para quem adotar seus livros didáticos. Taí uma boa forma de criar mercado, e eles já devem ter pensado nisso.

Ademais, o que tenho a dizer sobre o assunto, acho que já escrevi nestes textos aqui no blog:

Livro de papel versus leitores digitais

Mais sobre Kindle versus livro de papel

Kindle – esperando abaixar mais um pouco o preço

Mais um probleminha do Kindle

Texto by andreegg | Jan 31st, 2011

Macworld 2011: empresa aposta em publicações digitais


Plug-in para InDesign da Aquafadas pode ajudar quem quer ter suas revistas no iPad | Foto: Sérgio Miranda/Geek

Quando foi apresentado há um ano atrás, o iPad logo de cara se mostrou como uma grande alterativa para o mercado de revistas e jornais, que sempre foram reticentes em partir para o modelo digital. Porém, demorou um pouco, mesmo depois do lançamento oficial em abril, para que os editores conseguissem encontrar uma maneira de formatar suas publicações para o novo meio.

A Aquafadas, que já há algum tempo trabalha com a criação de quadrinhos digitais, resolveu também mostrar uma solução interessante para o mercado editorial. O conceito se basea em um plug-in para o InDesign [software de edição de páginas da Adobe], com diversas ferramentas para poder criar conteúdo para o iPad, desde slideshows até incusão de vídeo entre outras.

Além do plug-in, a Aquafadas também irá oferecer um serviço para montar o aplicativo final que será vendido na App Store, ajudando a finalizar o processo para que o editor não precise conhecer nenhuma linha de código.

Ainda não formatamos o preço, pois estamos estudando valores que possam antender desde uma editora com publicações grandes, de mais de 100 páginas, como também pequenas empresas interessadas em montar newsletters ou revistas mais modestas“, e xplicou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Aquafadas, Matthieu Kopp. Segundo ele, o plug-in será gratuito, apenas o serviço de criação do aplicativo será pago. O lançamento destas ferramentas será entre março e abril de 2011.

POR SÉRGIO MIRANDA | Direto de São Francisco, EUA | Portal Terra | 31 de janeiro de 2011 • 12h24

Uma livraria dos EUA troca Kindles… por valor equivalente em livros físicos


Nem todos ficaram contentes com a popularizaçao dos ereaders. Uma livraria de Portland Oregon, nos EUA, decidiu fazer uma promoçao pra lá de diferente – troca seu Kindle pelo valor equivalente em livros físicos da loja. Nao é exatamente um mau negócio, já que com títulos custando entre USD 2 e 6, dá pra sair com uns 30 livros nas maos. Mas será preciso sair de casa para ir até a livraria pessoalmente. ;- ) Deu no The Red Ferret.

Por Jacqueline LafloufaBlue Bus | 31/01

Indústria de quadrinhos reforça aposta no meio digital


Enquanto o mercado editorial discute o fim do livro em papel, a indústria de quadrinhos têm a mesma preocupação com os gibis.

Representantes de Hong Kong aproveitam o festival internacional de HQs de Angoulême, na França, para promover o aplicativo Hong Kong Comics, uma das promessas para o futuro do mercado de quadrinhos do país [estimado em 600 milhões de dólares de Hong Kong].

O produto, que permite a leitura de gibis em iPads, foi lançado no dia 11, e a versão em inglês está prevista para fevereiro.

O evento em Angoulême é o mais importante do mercado franco-belga e dedica um de seus pavilhões aos negócios de licenciamento.

Editoras de todo o mundo encontram aqui um cardápio vasto, no país que publicou 5.165 HQs em 2010.

APOSTA

A indústria da história em quadrinhos discute fim dos gibis em papel e migração para o meio digital

Enquanto negócios são fechados para a publicação de títulos em papel durante a feira, lançamentos como o Hong Kong Comics mostram que a indústria começa a apostar nos meios digitais.

A americana Marvel já tinha apontado esse caminho em abril de 2010, quando lançou um aplicativo para a leitura das aventuras de personagens icônicos como o Homem-Aranha e os X-Men. A DC [Batman], também dos EUA, fez o mesmo em junho.

O mercado norte-americano movimentou US$ 680 milhões em 2009, com previsão de queda de 12% em 2010, segundo o iCv2, que monitora as vendas de gibis no país.

As vendas começaram a cair nos anos 90, conforme os meios digitais se tornaram o principal veículo de entretenimento“, diz Thomas Tang, diretor da HKCAF [federação de Hong Kong de HQs e desenhos animados] – instituição que propôs e desenvolveu o aplicativo.

O projeto teve incentivo do governo, que investiu 2 milhões de dólares de Hong Kong nele.

As gerações atuais estão mais acostumadas a apertar botões do que a virar páginas“, afirma Tang.

Segundo a associação, o Hong Kong Comics teve 15 mil downloads nos três primeiros dias, com acesso vindo de 48 países diferentes.

O sucesso é semelhante àquele dos aplicativos norte-americanos. O produto da Marvel para a leitura de HQs em iPads é hoje o 7º aplicativo mais baixado nos EUA, na categoria de livros.

O aplicativo de Hong Kong destina entre 28% e 42% dos lucros para as editoras e entre 28% e 42% para a HKCAF. Os 30% restantes são gastos com a distribuição do aplicativo via iTunes.

POR DIOGO BERCITO | ENVIADO ESPECIAL A ANGOULÊME [FRANÇA] | Folha.com | 29/01/2011 – 19h00

A base instalada de tablets no Brasil


Na minha obra “O Livro na Era Digital” e nos cursos que eu ministro na Escola do Livro [CBL] e na Escola do Escritor, a questão que eu mais bato na tecla é com relação à base instalada de hardwares para o consumo de livros digitais em nosso país.

Porém o que eu mais ouço são as pessoas dizendo: “Os tablets estão vendendo muito”. Mas aí eu pergunto: “Sim, mas vendendo quanto? Qual é a base instalada de tablets no Brasil?”. A totalidade das pessoas que tem interesse em circular livros digitais nunca souberam me responder.

O mercado brasileiro importou legalmente 64 mil iPads no ano de 2010.

Os números – que não consideram consumidores que trazem os aparelhos do exterior – foram apurados pela consultoria IDC Brasil junto à base de dados da Receita Federal e divulgados, com exclusividade, à Folha.

No ano passado, o Brasil vendeu mais de 13 milhões de computadores. Os números dos tablets chamam a atenção pela categoria ser nova, mas são pequenos diante dos PCs vendidos“, diz Luciano Crippa, gerente de pesquisas da IDC Brasil.

Para o ano, a expectativa é que sejam vendidos 300 mil tablets no Brasil.

As pessoas que assistiram às minhas aulas e palestras sabem, agora, que eu apontei os números certos quando eu disse que a maior base instalada era a de celulares em primeiro lugar, seguido pelos compuadores de mesa. O segundo sem portabilidade e o primeiro sem ganho de tela.

Mas eu quero fazer mais uma previsão. Nós teremos uma base instalada de tablets no Brasil de no máximo 700 mil unidades. Anotem esse número e depois me digam se eu acertei ou errei.

Ednei Procópio

Futuro do livro – 2


Work in progress

Você compraria um livro sem final? Há um assim à venda desde quarta na Amazon e na Barnes&Noble. Maravilhas do e-book: oferecido só para Kindle, Final Jeopardy, de Stephen Baker, narra o esforço da IBM para criar uma máquina capaz de vencer o melhor jogador de Jeopardy, espécie de Show do Milhão dos EUA. Acontece que a batalha final homem vs. máquina, já gravada e mantida a sete chaves, vai ao ar só mês que vem.

*

Assim que o programa de TV for exibido, a editora liberará o desfecho do livro digital, com a análise da partida. A versão impressa será vendida, na íntegra, a partir de então.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 29/01/2011

Futuro do livro – 1


Enfim, um outro olhar

Depois de tanto ouvirem ladainhas de editores e jornalistas sobre o futuro do livro, os americanos Jeff Martin e C. Max Magee resolveram consultar quem escreverá os livros do futuro. O resultado, The Late American Novel, sai em março nos EUA, com ensaios de nomes que despontaram em tempos de e-readers, a exemplo de Reif Larson [O Mundo Explicado por T.S. Spivet, da Nova Fronteira, que terá versão interativa em iPad] e Benjamin Kunkel [Indecisão, da Rocco].

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 29/01/2011

O futuro quando?


Nos EUA, onde é maior a adesão ao livro digital, 2011 começa com as perguntas de antes: quando livrarias de tijolos vão fechar e se grandes autores publicarão sem intermediários, explica à Folha Mike Shatzkin, organizador do Digital Book World. O evento, realizado na última semana em Nova York, debate vendas, enquanto o Tools of Change for Publishing, em fevereiro e similar em importância, se concentra na produção. No mundo, as dúvidas são: com que rapidez o livro eletrônico se disseminará e como o varejo local resistirá à hegemonia americana. Shatzkin estima entre 10% e 15% o percentual de americanos que leem livros digitais. Em outros países, não supera 1%.


Os números ainda são “medíocres” por aqui, afirma Luciana Villas-Boas, diretora da Record: “Vendemos até agora 37 exemplares eletrônicos“. Na Objetiva, que ofereceu mais títulos, o diretor Roberto Feith diz que desde novembro foram 663 exemplares vendidos: “O aumento foi de 252% em um mês, depois do lançamento do iPad e do Galaxy no país“.

POR JOSÉLIA AGUIAR | Folha de S. Paulo | COLUNA PAINEL DAS LETRAS | 29 de janeiro de 2011

Uma declaração de amor ao Kindle


Por Bia Kunze

Ganhei o Kindle 2 de presente do marido no Natal de 2009. Para quem adora ler e está sempre lendo uns 3 livros ao mesmo tempo, é uma mão na roda. Já lia em PDAs desde 2001, mas nada se compara à tecnologia eInk. A sensação é de um livro de papel!

Já achava o Kindle o máximo, mas mal podia imaginar o que aconteceria no ano seguinte, logo em janeiro. Adoeci gravemente e minha primeira internação durou 11 dias. E saí de lá andando mal. Isso era só o começo. Para encurtar a história, passei praticamente metade do ano de cama, com muitas dores, imobilizada, e depois, em cadeira de rodas, por conta de uma doença auto-imune fulminante.

Foi difícil para uma pessoa super ativa como eu de repente parar tudo. Mesmo jovem e saudável, a vida mostrou que nunca se sabe o que acontecerá no dia seguinte. Projetos, planos, expectativas, um monte de coisas em andamento na vida pessoal e profissional, e, de uma hora para a outra, tudo é interrompido.

Sorte que sou abençoada por um gênio calmo e um organismo forte. Acho que minha família sofreu mais do que eu. O marido usou suas férias para cuidar de mim. E depois de anos, voltei à casa dos meus pais, pois a minha é um sobrado e as escadas pareciam uma barreira intransponível. Dependi deles para tudo, até ir ao banheiro. Mas mantive a cabeça no lugar. Claro que é impossível estar otimista 100% do tempo; sabia inclusive que poderia não voltar mais a andar… mas vejam que inusitado: eu nem me importava mais que isso acontecesse, contanto que as dores passassem. E que eu voltasse a trabalhar. Acostumada a atender idosos e pessoas com necessidades especiais, encarei meu período de cadeirante como um “estágio”. E depois disso, até o fim do ano, muita fisioterapia e uma paciência infinita, esperando os medicamentos surtirem efeito.

Ainda que num ritmo mais lento, mantive meu blog atualizado e continuei escrevendo para vários veículos. Porque é bem verdade aquele ditado da minha avó: “cabeça vazia, oficina do capeta”. Cheguei até a dar uma consultoria quando não sentia mais dores, a cliente gentilmente foi até em casa. Mas o meu maior suporte para não enlouquecer com a inatividade foi o Kindle. Tive recaídas, voltei ao hospital, inchei por causa dos corticóides, perdi quase todo meu cabelo, peguei infecções oportunistas. Mas a leitura ajudou a manter a cabeça sã.

Embora atualmente se possa comprar livros facilmente pela internet, nada se compara a um leitor de livros digitais com 3G e loja atrelada. Era só escolher o título, fazer a compra — com um único clique — e aguardar alguns segundos pelo download. Nada se compara a isso, ainda mais para quem está fisicamente imobilizado.

Longe do trabalho, dos pacientes, vivendo uma vida diferente num corpo que não parecia o meu, decidi fazer do limão uma limonada e li todos os livros que estavam na minha fila de leitura e mais tantos outros. E aproveitei para me atualizar, com diversos papers e artigos de odontogeriatria, que é minha área. E ainda por cima me tornei expert em doenças auto-imunes e a fisiologia da dor… Sim, foi um estágio e tanto…

O mais interessante é que no Kindle pude ler livros que, na versão convencional, possuem mais de 500 páginas. Isso seria impossível num dispositivo móvel como um PDA ou smartphone, pois a tela pequena não foi feita para leitura por um período prolongado. E, mesmo num iPad, a luz cansa a visão. Ou seja: por mais lindos que fiquem os ebooks num tablet, a tecnologia do papel eletrônico é a que mais se aproximou da experiência de um livro tradicional.

Minha recomendação hoje em dia são tablets somente para o leitor eventual, ou para obras técnicas e de consulta. Eles servem para quem quer algo que se aproxime mais de um computador que, entre várias outras tarefas, exibe livros. Para aqueles que estão sempre lendo alguma coisa, uma após a outra, um dispositivo dedicado é a escolha perfeita.

Depois de muitos medicamentos que me enfraqueceram, fiz bastante fisioterapia. Hoje posso andar outra vez, e, recentemente, fiquei até emocionada ao voltar a pedalar. Ficaram algumas sequelas, como alguns movimentos mais limitados e imunidade baixa, que ainda ficará assim por um bom tempo. Mas o amor e os cuidados de meus pais e meu marido certamente ajudaram a agilizar minha recuperação. E o mundo de informações que o Kindle trouxe nesse período, idem. Dá até para dizer que ele também virou um membro da família…

Escrito por Bia Kunze | Publicado originalmente em Tech Tudo | sex, 28/01/11

Livros eletrônicos superam os de brochura na Amazon


Kindle 3, aparelho leitor de e-books da Amazon; livros eletrônicos superaram os de brochura na loja virtual

A loja virtual Amazon anunciou nesta quinta-feira [27] que as vendas de e-books para Kindle superaram pela primeira vez as dos livros de brochura em seu site.

Seis meses atrás, a empresa havia anunciado que os livros eletrônicos haviam ultrapassado os de capa dura.

Em 2010, para cada 100 livros de brochura, a Amazon vendeu 115 e-books para o Kindle, informou a empresa.

A vantagem dos livros eletrônicos em relação aos de capa dura é ainda maior: três para um.

Folha.com | TEC | 28/01/2011 – 18h49

Amazon vende mais livros eletrônicos que físicos


Vendas de livros para o Kindle superaram as vendas de publicações físicas

A Amazon divulgou durante a apresentação dos resultados do quatro trimestre de 2010 que já vende mais livros eletrônicos que brochuras. A empresa afirma que para cada 115 livros para Kindle, o leitor eletrônico da Amazon, vende 100 livros físicos, informou a BBC.

Já em julho do ano passado a empresa havia divulgado que as vendas de versões eletrônicas superavam as vendas de livros de capa dura, em uma relação de 143 vendidos para Kindle contra 100 livros físicos. Nesta semana, a empresa anunciou que os e-books superam em três vezes as edições em capa dura, em uma relação de 300 para 100.

Os números não incluem a distribuição de versões eletrônicas gratuitas, o que aumentaria muito o número de exemplares para Kindle. A empresa divulgou leve queda no lucro operacional para o quarto trimestre, que inclui a forte temporada de Natal, apesar de um aumento de 36% na receita.

Portal Terra | 28 de janeiro de 2011 • 16h52

Mais livros digitais que de papel


Foto: NotFromUtrecht/Creative Commons

No ano passado, a Amazon vendeu mais livros digitais para o Kindle do que livros de papel. Foram 115 e-books para cada 100 paperbacks [brochuras]. No mesmo período, a empresa vendeu três vezes mais livros para o Kindle que de capa dura.

A Amazon divulgou resultados do quarto trimestre ontem e, sem ser específica, anunciou ter vendido “milhões” de leitores Kindle. Segundo o blog Business Insider, um analista estima que foram cerca de 7 milhões de unidades vendidas em 2010.

Por Renato Cruz | Link do Estadão | 28 de janeiro de 2011, 16h28

Tudo num só lugar?


Foto de Reuters

A polêmica sobre o que é melhor ou o que pode ser mais vantajoso, econômico, segue sua linha de contrapontos. Notícia publicada pela Reuters, com a imagem ao lado, anuncia a compra da empresa holandesa de papel eletrônico Liquavista, pela Samsung, como estratégia para ampliar o mercado. A tecnologia de telas móveis é usada, entre outras coisas, para leitura de livros eletrônicos. E cá estamos de novo rodeados de exposições e interrogações. Será que em um e-reader temos tudo num só lugar, realmente? Vai depender sempre do “tudo” de cada um. Como as sensações que temos ao ler num livro de papel. O que há de certeza é que as coisas evoluem. E evoluir nem sempre significa mudar, mas compreender as mudanças e se aprimorar com ou ao lado delas.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | De 28/01 a 03/02/2011

Amazon lança loja para venda de publicações curtas


Abrindo espaço para as publicações de tamanho intermediário, que são muito extensas para figurarem em revistas e muito curtas para poderem ser editadas como livros, a Amazon lança a loja Kindle Singles.

As publicações seriam leituras curtas, com cerca de 30 a 90 páginas que, de acordo com a Amazon, são o tamanho ideal para o desenvolvimento de “uma ideia matadora, bem pesquisada, argumentada e ilustrada“, informa o site Geeky Gadgets.

Escritores, pensadores, cientistas, líderes de empresas, historiadores, políticos, editores e jornalistas estão sendo convidados pela Amazon a disponibilizarem seus trabalhos dentro da Kindle Singles, de forma a garantir alcance para todo o mundo – e, de quebra, popularizar a mais recente iniciativa da empresa.

Os títulos que figuram na Kindle Singles podem ser lidos em qualquer um dos dispositivos suportados pela plataforma Kindle, e tem valores de prateleira que variam de US$ 1 a US$ 5, de acordo com o blog Epicenter, da revista Wired.

Portal Terra | 27 de janeiro de 2011 • atualizado às 19h21 | Com informações do site Geeky Gadgets edo Blog Epicenter

Livro é atualizado sem que outra edição seja impressa


Um livro não precisa mais ficar desatualizado, esperando uma [possível] próxima edição. No começo de 2010, a Contexto lançou As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos, de Mauro Beting, e ninguém sonhava que naquele ano a Espanha seria a campeã. Logo surgiu a necessidade de incluí-la no livro. O autor escreveu um novo capítulo que pode ser baixado gratuitamente da internet. Na verdade, a editora está usando a moeda social Pay With a Tweet para ampliar a divulgação deste novo trecho do livro. Mas não é preciso ter o livro para obter esse texto. Veja como fazer o download aqui.

PublishNews | 27/01/2011

E-books abaixo de zero


Por Carlo Carrenho

Em meio ao frio e neve nova-iorquinos, editores presentes na Digital Book World encontram mais perguntas do que respostas

A semana em Nova York começou fria. Ou melhor, gelada. Os termômetros bateram nos -15º na segunda-feira [26], e foi um dos dias mais frios dos últimos anos. Mas nada disso impediu que os 1.200 participantes da conferência Digital Book World, organizada pela F+W Media e pelo consultor Mike Shatzkin, marcassem presença no evento. Entre eles, mais de 30 brasileiros representando empresas como Companhia das Letras, GEN, Gente, Contexto, Saraiva, Callis, Livraria Cultura, Livraria da Vila, Ediouro e Singular, entre outros.

O evento abriu as portas na própria segunda-feira com um coquetel, alguns workshops e algumas apresentações comerciais de produtos em uma espécie de pré-conferência. Mas foi na terça-feira que a conferencia começou de fato. De forma geral, as dúvidas e perguntas suplantaram as respostas e novidades. Muitos dos painéis e palestras foram bastante especulativos, e as exceções foram os eventos que trouxeram dados de pesquisas inéditos ou soluções consolidadas.

A primeira apresentação plenária foi de James McQuivey, pesquisador da Forrester, que apresentou alguns números obtidos em uma pesquisa entre executivos do mercado editorial norte-americano. Como introdução, McQuivey lembrou que 10,5 milhões de pessoas são proprietárias de um leitor digital e 20 milhões de pessoas leram livros digitais no ano passado. A Forrester prevê que US$ 1,3 bi sejam gastos em ebooks em 2011, contra apenas US$ 1 bilhão em 2010.

MacQuivey ainda trouxe uma informação bastante interessante sobre a disputa entre leitores dedicados e leitores multifuncionais: um terço dos proprietários de iPads também tem um Kindle.

53% dos executivos pesquisados – que representam 65% do mercado editorial norte-americano – acreditam que as vendas de livros impressos vão cair nos próximos anos. E metade deles prevê que 50% dos livros vendidos já serão digitais em 2014. No entanto, quando perguntados como serão as vendas dos livros que publicam, acreditam, ironicamente, que isto só acontecerá em 2015 em suas empresas.

Outro painel bastante interessante colocou no palco Brian Napack, CEO da Macmillan, Jane Friedman, CEO da Open Road e veterana do mercado editorial americano, David Steiberger, da Perseus, e Mike Hyatt, CEO da Thomas Nelson. Conforme o bate-papo fluía entre os executivos, era possível perceber suas preocupações e focos e até identificar algumas tendências.

Mike Hyatt lembrou que o atual cenário exige que todo presidente de editora administre duas empresas, uma digital e outra física, e que este é um grande desafio. Napack, por sua vez, dividiu os editores em duas categorias: aqueles mais abertos que correm atrás do que precisam dominar no novo mundo digital e aqueles que insistem em dizer que o digital nunca acontecerá. Ele ainda enfatizou que os editores precisarão de um novo conjunto de habilidades que vão além do que eles têm hoje.

Friedman lembrou as 80 mil editoras independentes dos EUA e manifestou sua expectativa de que elas tragam autores e gerem negócios para sua empresa. “Estou cansada de fala das ‘big 6’”, declarou. A discussão também chegou às mídias sociais. “As pessoas agora estão confiando nos amigos para descobrir livros e conteúdo”, afirmou Hyatt. “Não é mais a exposição nas livrarias que vende livros”, completou Friedman.

Todos os conferencistas concordaram em relação às livrarias independentes. “Somos otimistas em relação às lojas físicas, mas elas têm o desafio de não se tornarem um show-room para vendas on-line”, afirmou Napack. “A livraria independente é parte de uma comunidade e é sobre comunidades que estamos falando aqui – as livrarias independentes têm feito mídia social muito antes deste nome ter sido inventado”, lembrou Friedman.

Outros momentos de destaque do painel foram quando David Steinberger lembrou que livros não são faixas de música e que os dois mercados são 100% análogos e quando Friedman afirmou que “custo zero não é um modelo de negócio, mas um modelo de marketing”.

A conferência ainda trouxe algumas pesquisas e as palestras de representantes da Google e da Amazon, com novidades em um ambiente carente de soluções. Abe Murray, da Google Books, informou que já foram baixados mais de um milhão de apps do leitor da Google e três milhões de e-books. Ele também divulgou as categorias mais vendidas e os romances populares são os campeões. Quanto aos parceiros, já existem 5mil editores no programa e 180 revendedores utilizando a plataforma para vender e-books. Russ Grandinetti, da Amazon, trouxe dados limitados mas bastante úteis. O principal deles é que os clientes da Amazon aumentam suas compras de livros em média 3,3 vezes depois de adquirirem um Kindle.

Ao final de cada painel, havia sempre um momento de perguntas da platéia. Foi quando alguém disparou: “Vocês só falam de vender livros. E a leitura? Vocês não se interessam se as pessoas lêem os livros, se de fato lêem o que compram?

Com certeza, esta e outras perguntas – e poucas respostas – foi o que a maioria dos participantes do Digital Book World levou na bagagem de volta para casa – caso tenham conseguido deixar Manhattan durante uma das maiores nevascas deste inverno na noite desta quarta-feira [26].

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 27/01/2011

E-books não são livros! Como o mercado editorial vai reagir a essa constatação?


Por Lourdes Magalhães

Uma atividade que pouco se alterou ao longo dos anos, a leitura vive um processo de fragmentação.

Um excelente artigo publicado na edição The world in 2011, da revista The Economist – Curl up with a good screen, de Alix Christie e Ludwig Siegele – motivou uma reflexão sobre o quanto as novas tecnologias vão alterar o mercado editorial e a relação entre autores e leitores.

Enquanto 2010 passou à história como o ano em que os leitores eletrônicos e tablet se inseriram no cotidiano de leitores de diferentes perfis, 2011 será marcado pela ruptura com o formato atual do livro.

No ano passado, nos Estados Unidos, o mercado de leitores eletrônicos faturou US$ 11 milhões e a perspectiva é que neste ano o faturamento alcance os US$ 15 milhões, de acordo com o Forrester Research.

A ruptura com o formato convencional do livro está sendo potencializada com a popularização de dispositivos móveis – smartphones, iPad.

O novo paradigma é que o livro eletrônico deve ser encarado como app [aplicativos para download].

Nos Estados Unidos, as Diginovels [obras de ficção em formato digital] contam com recursos como vídeos, ilustrações em 3-D e aplicativos – recursos que tornam os textos interativos; o mesmo ocorre com alguns livros didáticos.

Essa verdadeira revolução tecnológica está mudando o livro e requer que os editores ampliem o conhecimento não apenas para desenvolver “produtos” diferenciados, mas para proteger autores e obras da constante ameaça da pirataria.

A indústria do livro está diante de novos desafios e oportunidades apresentadas pelo marketing online; algumas lojas norte-americanas – estabelecimentos reais, não online – já estão trabalhando com os books app.

“Clones” de leitores eletrônicos, produzidos em países emergentes, estão tornando o item mais barato e forçando um avanço veloz: a vida útil das baterias aumentou e o acesso sem fio para downloads deve se tornar padrão para dispositivos high-end.

O artigo cita que, por pressão da concorrência, os e-books devem ficar mais baratos em 2011.

Além disso, este ano deve marcar o lançamento do Google Editions – a terceira maior loja de livros digitais atrás de Amazon e Apple.

Nos Estados Unidos, em 2010, a participação do livro eletrônico nas vendas do mercado editorial foi de 10%; em 2011 será de 20%.

Diante desse cenário, os leitores se dividem entre os que apreciam o papel e os amantes da tecnologia.

Ou seja, o mercado editorial tem tratado a questão como se o e-book fosse de fato um livro.

Acredito, firmemente, que não seja. Há livros cuja narrativa convencional não se presta à mobilidade e interatividade.

Em paralelo, surgem novas narrativas como a japanese phone novel [obra de ficção japonesa] cujo conteúdo dá um novo impulso ao formato conto.

Não apenas a obra literária impressa e digital são diferentes, mas a relação entre o escritor e editor.

Tenho conhecimento, inclusive, de autores norte-americanos e europeus que comercializam diretamente para o formato digital sem passar pelos editores; a tendência é que novos autores sigam o exemplo.

Será, então, que o livro impresso e a profissão de editor estão vivendo os últimos suspiros? Não creio nisso.

Defendo – e acredito firmemente – na possibilidade de haver lucidez em elos da cadeia.

Entender que o e-book é um produto diferente do livro impresso é o primeiro passo para reinventar o negócio editorial.

Há público para os dois produtos e há profissionais com talento para reinventar ambos.

Como os autores do artigo, sei que o livro impresso nunca morrerá – da mesma forma como demonstram os “devotos” do vinil e do cinema.

No entanto, a vida dos livros depende da capacidade de se reinventar da indústria editorial e de seus profissionais.

Por Lourdes Magalhães | Publicado originalmente no site Baguete | 27/01/2011 – 13:20

* Lourdes Magalhães é presidente da Primavera Editorial, Executiva graduada em matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo [PUC-SP], com mestrado em Administração [MBA] pela Universidade de São Paulo [USP] e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School [Universidade da Pennsylvania, EUA].

NYT vai lançar livro eletrônico sobre relação com o WikiLeaks


NOVA YORK, 27 Jan 2011 [AFP] -O New York Times anunciou na quarta-feira que lançará um livro eletrônico sobre o site WikiLeaks, com 27 novos documentos confidenciais, além de um resumo dos que já publicou e vários ensaios.

O livro, com o título “Open Secrets: WikiLeaks, War and American Diplomacy” [Segredos Revelados: WikiLeaks, Guerra e Diplomacia Americana”, em tradução livre], relatará as relações do jornal com o fundador do site, Julian Assange.

Também contará com um perfil do soldado Bradley Manning, suspeito de ter sido a fonte de Assange. Detido em maio de 2010, o militar é acusado de ter repassado documentos confidenciaus a “uma fonte não autorizada”.

O livro digital estará disponível nas principais livrarias eletrônicas ao preço de 5,99 dólares.

Portal G127/01/2011 – 07h16

Livro digital: A indústria está animada!


Acabou hoje o Digital Book World 2011 em Nova York, embaixo de muita neve, mas se o tempo não ajudava, as perspectivas para a indústria editorial parecem estar muito melhores, pelo menos é isso que pensam os players dela. A delegação de brasileiros era grande, mais de 30 pessoas, importantes editoras estavam lá, algumas de muito potencial também, entre elas, a Livros de Safra.

O mercado americano está bem a frente do brasileiro, eles têm a Amazon, a Apple e outros poderosos participantes, e também uma base instalada grande de aparelhos, destaque para kindle e iPads. O que se constatou é que o livro digital tem feito o hábito da leitura aumentar, ou pelo menos da compra dos livros. Sim, aqui nos Estados Unidos também se conclui que os dois principais inimigos da leitura são o sono e a televisão. Muitos não se incomodam de vegetar. Mas para aqueles que compraram seus “devices” o consumo de livros, digital e papel, ficou 3,3 vezes maior. Ou seja, é bom nós aqui irmos preparando nosso catálogo que o futuro é animador.

E você, tem experiência em leitura digital? O que acha?

Livros de Safra | 27/01/2010

DRM pode não evitar a pirataria, mas pode proteger as vendas


Existe muita discussão sobre a pirataria e DRM entre pensadores do espaço editorial. Este post vai expressar alguns pensamentos sobre os dois, mas, acima de tudo, é um pedido para não juntar as duas coisas na mesma discussão. Na verdade, o fato de que pirataria e DRM são parte da mesma discussão é tão controverso quanto o fato de que a pirataria é uma ameaça às editoras e de que o DRM deve ser empregado em tudo.

Primeiro, vamos definir alguns termos. Faço uma distinção [que não é universalmente aceita] entre pirataria – que eu definiria como deixar disponível um arquivo com direitos autorais para livre acesso a qualquer um que o encontre – e “troca casual”. Troca casual acontece entre pessoas que se conhecem; pirataria acontece entre estranhos.

Foi observado durante muito tempo que o DRM faz pouco para evitar a pirataria, que é normalmente executada através de sites que hospedam versões desprotegidas de conteúdo. Foi demonstrado que o DRM pode ser facilmente “quebrado” [tenho dois amigos que rotineiramente a quebram por esporte: um nos EUA que não está no mercado editorial e outro no Brasil que está. Nenhum deles já vendeu ou transferiu os arquivos destravados, mas eles tiram a proteção só para provar que podem. E dizem que sempre conseguem]. Na verdade, livros que nunca existiram em edições digitais, como a série Harry Potter, existem em todos os sites de pirataria.

É possível escanear um livro impresso e criar um arquivo digital em pouco tempo. Recentemente foi apresentado um gadget que é capaz de automatizar isso. Mas você pode comprar conversão de conteúdo comercialmente criando um arquivo de e-book a partir de um livro impresso por poucas centenas de dólares a cada título. Então eu concordo enfaticamente que DRM faz pouco ou nada para impedir um pirata com um mínimo de determinação de fazer um arquivo de e-book pirateado, com ou sem DRM; independente de já existir um e-book!

Mas troca casual é outra questão, pelo menos para mim. As pessoas compartilham material publicado o tempo todo através de e-mail, normalmente enviando um link para algo que querem que outra pessoa veja. Mas às vezes anexam um arquivo ou copiam um texto ou imagens no corpo do e-mail. Algumas pessoas [minha esposa entre elas] mantêm listas de e-mail de pessoas que devem alertar sobre uma coisa ou outra. Esse tipo de seleção pessoa-a-pessoa é o novo boca-a-boca ajudado pela automação e que se transformou num componente crítico da comunicação moderna.

Agora minha posição. Não faço ideia se a pirataria ajuda ou atrapalha as vendas, mas independente do que for, não consigo ver como o DRM pode evitá-la. Mas acho que o DRM evita a “troca casual” [com certeza, ela me impede; e acho que a maioria das pessoas são mais parecidas comigo do que como esses meus amigos que destravam e-books por esporte]. E acredito, baseado na fé, não em dados, que permitir a troca casual atrapalharia as vendas de e-books, principalmente para os best-sellers.

As grandes editoras sobrevivem com base no desempenho de seus maiores livros. Agentes sobrevivem com base nas vendas de seus maiores autores. Então as grandes editoras e os grandes agentes, se pensarem como eu, estariam a favor de DRM mesmo que isso não ajude em nada a evitar o tipo de pirataria que tentam resolver com pedidos de fechamento de sites.

Há muitas boas razões para não gostar de DRM. Ele pode fazer com que o ato de comprar ou usar seja um pouco mais difícil. É aparentemente responsável pela maior parte dos custos do e-book. Pode frustrar o uso legítimo por um comprador legítimo. E custa dinheiro além de acrescentar complicações. No geral, quanto mais confortável você se sentir com a tecnologia, mais provavelmente o DRM o incomodará.

Mas fico louco quando as pessoas atribuem a crença de que DRM protege contra a pirataria a todo mundo que entende o sentido de usá-la.

Então, com isso como pano de fundo, peguei um link do começo dessa semana de um entrevista na O’Reilly Radar com meu companheiro de escritório [mas um cara que tem sua própria empresa] Brian O’Leary com o título de “Qual é o impacto atual da pirataria na indústria editorial?” Brian está tentando há quase três anos medir o real efeito das edições pirateadas [não a troca casual] sobre as vendas. Seu método é acompanhar os sites de pirataria para a aparição de livros e depois medir as vendas das semanas anteriores e posteriores. Se a pirataria está canibalizando as vendas, alguém deveria esperar um declínio após a aparição da edição pirata. Se a pirataria está estimulando as vendas através de mais boca-a-boca, deveríamos esperar um aumento nas vendas.

Claro, os dados para fazer essa análise só podem vir dos editores, mas estes, apesar da tão falada preocupação com a pirataria [e sua aparente disposição a gastar muito dinheiro para combatê-la], não estiveram dispostos no geral a participar nos esforços de Brian para medir seu impacto. Mas o que ele viu [principalmente através dos dados da O’Reilly, que é uma editora sem DRM] sugeriu que a pirataria podia aumentar as vendas mais do que atrapalhar.

Na entrevista, Brian apresenta pontos bastante bons, mas depois eu encontrei isso:

“Estou bastante contra o DRM: Ele não tem nenhum impacto na pirataria. Qualquer bom pirata pode desabilitá-lo em questão de segundos ou minutos. Um pirata também pode escanear uma cópia impressa com a mesma simplicidade.” [Concordo quando fala nos “bons piratas”, mas a declaração de “nenhum impacto” baseia-se em dados? Duvido.] Mas então:

“DRM só é realmente útil para evitar que as pessoas compartilhem uma cópia, algo que fariam se ela não existisse.” Então, ele é contra o DRM apesar de concordar que evita o compartilhamento casual. E não sei de ninguém, nem mesmo Brian, que já tenha tentado medir o impacto do compartilhamento casual.

Isso é interessante porque nós dois temos exatamente a mesma opinião sobre o que DRM pode e não pode fazer, mas não temos a mesma opinião sobre se deveria se aplicada!

A questão que Brian levanta e que eu levo a sério, no entanto, tem a ver com tentar basear as opiniões em dados sempre que possível em vez de usar conjeturas. Muitos dos seus companheiros na luta contra o DRM atribuem sua continuidade à ignorância e a ideias erradas: editores e agentes que, de alguma forma, são levados a pensar que usando DRM poderão restringir a pirataria. Ao mesmo tempo, a preocupação sobre o compartilhamento casual ou é ignorada ou eliminada.

Se juntar dados sobre o verdadeiro efeito da pirataria é difícil e sobre os verdadeiros efeitos do compartilhamento de livros comerciais é impossível, estou numa boa posição para juntar dados sobre o que os executivos editoriais e os agentes mais poderosos pensam sobre a pirataria, compartilhamento casual e DRM.
Então, criei uma pesquisa informal para descobrir.

Fiz três perguntas:

1. Você acha que DRM é necessário para proteger as vendas de e-books dos títulos populares?
2. Você acha que DRM é eficiente contra a pirataria?
3. Você acha que o principal benefício do DRM é prevenir a troca casual de livros?

Perguntei a executivos em grandes editoras e agentes que trabalham com os principais autores. Nove executivos e quatro agentes [mais da metade do número de entrevistados] foram gentis o suficiente para me responder [até agora]. Vou informar sobre minhas descobertas no próximo post.

Texto escritor por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em PublishNews | 26/01/2011

Mike Shatzkin

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abre para o público


Um site de buscas que apresenta os resultados em vídeo, como se fosse alguém te contando história. Essa é a ideia do Qwiki, site que abriu para o público nesta quarta-feira [26].

O Qwiki ficou rapidamente famoso por ser a empresa vencedora de um concurso promovido no ano passado pelo Techcrunch, um dos blogs de tecnologia mais populares do mundo, e por receber US$ 8 milhões, na semana passada, vindos de investidores liderados pelo brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.

Qwiki

Tela do Qwiki, enciclopédia interativa on-line, abriu para o público nesta quarta-feira

Em entrevista ao “New York Times”, Saverin disse que está empolgado com o site. “Estou numa situação hoje que me permite fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores. O Facebook é algo grande e assim permanecerá. Qwiki é muito novo ainda, mas eles estão no caminho para mudar o jogo”, disse.

O Qwiki humaniza as pesquisas ao mostrar os resultados das pesquisas organizado como uma apresentação multimídia. “Nós acreditamos que somente o fato da informação estar guardada em máquinas não quer dizer que ela deve ser mostrada como uma simples lista de dados. Vamos tentar fazer algo melhor”, diz a descrição do site. Os vídeos são feitos na hora, por computadores — não são arquivos prontos e armazenados.

Os resultados são apresentados somente em inglês, e o usuário tem como compartilhar o conteúdo e continuar a exploração do termo pesquisado em outros sites, como Wikipedia e o YouTube. Também podem ser feitas sugestões de imagens, vídeos e correção de alguma informação.

POR ALEXANDRE ORRICO | Publicado originalmente em Folha.com | 26/01/2011 – 17h24

Jornais americanos e britânicos lançam quiosque digital


O quiosque digital Ongo, no qual o “New York Times”, o “Washington Post” e o Gannett [que publica o “USA Today”] investiram US$ 12 milhões [R$ 20,07 milhões] no ano passado, iniciou nesta terça-feira [25] sua apresentação de artigos e notícias, sem publicidade, por meio de assinatura mensal de US$ 6,99 [R$ 11,69].

Além dos três grandes jornais americanos, o “Financial Times”, com uma seleção de notícias, a Associated Press, o jornal britânico “The Guardian” e a “Slate” divulgam também sua produção no Ongo.

Ongo

Ongo, plataforma digital de notícias lançada por grandes jornais americanos e britânicos

O serviço é “acessível no computador, no celular e no tablet – de modo que os assinantes possam ter suas publicações preferidas em todos os aparelhos”, explicou Ongo em comunicado.

O site é dirigido por Alex Kazim, ex-Apple e eBay, onde ficou nove anos, até 2006, ocupando cargos de direção.

DA FRANCE-PRESSE, EM NOVA YORK | Folha.com, Tec | 26/01/2011 – 11h16

Escola dos EUA torna obrigatório uso de iPad pelos alunos


Uma escola privada do estado americano do Tennessee exigirá o uso de iPads pelos estudantes de 8 a 18 anos com o objetivo de substituir os livros didáticos pelos tablets eletrônicos, informou nesta terça-feira [25] a imprensa local.

A Webb School of Knoxville oferecerá aos alunos com menos recursos opções de aluguel de iPads, que custam no mercado americano US$ 500, indica Jim Manikas, diretor de tecnologia da instituição.

Consumidor segura um iPad em loja; escola americana tornou o tablet obrigatório para seus alunos

Ele explica que a medida também representa uma questão de “saúde” para os alunos, que, com o uso de tablets, deixam de carregar muitos livros e evitam mochilas pesadas.

Temos alunos que carregam quase 20 quilos de livros didáticos, enquanto um iPad pesa menos de um quilo“, assinala Manikas em declarações à imprensa americana.

Os funcionários da escola afirmam que sites de redes sociais como Facebook e Twitter terão acesso bloqueado dentro da instituição.

Elli Shellist, professora de inglês da Webb School, se mostrou “entusiasmada” com a medida. “Há coisas que podemos fazer muito melhor com esses tablets eletrônicos do que em textos de papel”, destaca.

A escola do Tennessee se soma assim a outras instituições educacionais como a Seton Hill University, no estado da Pensilvânia, e a Universidade de Notre Dame, em Indiana, que anunciaram cursos exclusivamente por meio de iPads.

DA EFE, EM WASHINGTON | Publicado em Folha.com, TEC | 26/01/2011 – 09h31

Mercado do ebook parece não caminhar no Brasil. E em portugal? O que está acontecendo?


Sabe-se que mercado americano de E-books que vem crescendo, enquanto que o brasileiro tem pouca boas iniciativas e ainda não sai do lugar, ou seja, é mais fácil encontrar em livrarias de e-books [as ebookstores] brasileiras livros em língua inglesa. Faça o teste! Entre na “Gato Sabido”, “Cultura”, “Saraiva” e reparem a maior presença de livros em língua inglesa em nossas lojas de livros eletrônicos.

O livro em papel no Brasil convive com o ebook, mas sem sentir-se ameaçado. Claro que existe o medo daqueles que amam e consideram apenas o livro se estiver de forma impressa, porém, até agora não há nenhuma grande ação que atrapalhe o caminho do impresso, a não ser em obras raras [e antigas] cada vez mais digitalizadas, contudo, esta ultima situação é vista como forma de levar o livro a todos! Mas porque uma obra atual digital não seria? Mas e a nossa mesma língua portuguesa em sua terra nativa, em Portugal? Como anda este mercado por lá?

Abaixo o trecho de uma matéria feita pela Tvi24, de Portugal.

“Ler é como rir; é dos melhores remédios para a alma. Os livros em papel são aos milhões, mas a era que agora se inicia pertencerá aos livros electrónicos, os chamados e-books. É pelo menos isso que se espera, sem que roubem no entanto o lugar conquistado pelo formato tradicional. Constituirão antes uma nova experiência? Ou uma alternativa? Afinal, o que é que aí vem?

Está a decorrer desde o dia 24 – e até esta quarta-feira – o Digital Book World 2011, em Nova Iorque, precisamente com e-books em cima da mesa de discussão. Google, Amazon, National Geographic, Disney Publishing Worldwide e New York Public Library são apenas alguns nomes do extenso leque de presenças neste evento.”

Mas o mais interessante são os questionamentos e suas respostas sobre o futuro do livro em papel, questões sobre o mercado como nas questões abaixo:

Editoras portuguesas estão preparadas?

Novas tecnologias podem comprometer vendas em papel?

Pirataria: e se o negócio sair furado?

A resposta para elas você poderá ler no link http://www.tvi24.iol.pt/media-e-comunicacoes/e-books-livros-livros-digitais-tablets-e-readers-agencia-financeira/1228457-5239.html

Para quem leu a matéria verá que as coisas não estão muito diferentes das existentes em nosso mercado. Editoras se preparando quase que eternamente, se considerarmos o tempo de tecnologia e não o tempo real. O medo esta na pirataria, mas a pressão vem do público, ou melhor, dos dispositivos. Aliás, este é um ponto importante a ser discutido: Os livros estão sendo preparados para uma geração que deseja o ebook, o digital, ou para o dispositivo, apenas pelo fato de ele estar no mercado. No caso do tablet, que atualmente vem sendo mais comentado que o ereader, nem temos muita variedade de modelos no mercado, por mais que a promessa seja de muitos dispositivos para 2011, como pudemos ver na CES2011.

No Brasil até mesmo já podemos perceber um incentivo neste primeiro mês de governo da Presidenta Dilma Rousseff e até comentamos no Bibliotecno. O Ministro das Comunicações Paulo Bernardo falou em incentivo para a redução do custo dos tablets no Brasil, e da vontade de usar este dispositivo como meio de inclusão digital.

Mas e o público, voltamos novamente a este ponto, está preparado, deseja o ebook? Estranho ver este questionamento vir de um blog que fala sobre tecnologia, porém, é importante atentar para este ponto, pois, se houver apenas os dispositivos não adianta a produção de vários títulos de ebooks, ou seja, seria necessário preparar o leitor para o mundo digital. Há interesse das editoras nisto? Ou mais ainda: As editoras estão realmente pensando, engajadas, no ebook como o futuro? Ou falar em se preparar no Brasil, em Portugal, significa forçar ao máximo o leitor ao papel e se não der certo partir para o Ebook?

A verdade é que vivemos realidades muito diferentes ao que se vem criando nos Estados Unidos, onde o Ebook parece tomar o caminho do gosto do leitor e já começa a enfraquecer [muito pouco ainda, é bom frisar] o livro em papel. Aqui, a criação de livrarias de ebooks com muitos títulos em inglês e poucos em português pode significar enfraquecer o negócio do ebook! Exceto para aquelas que são dedicadas apenas ao livro eletrônico e acabam tendo dificuldades de ampliar o espaço do livro eletrônico, já que as grandes estão envolvidas, e até bem resolvidas, no negócio do impresso. Só o tempo dirá o que pode ocorrer.

Texto escrito por Alex da Silveira | Publicado originalmente em Bibliotecno | 26/01/2011

Donos do iPad preferem anúncio a pagar por conteúdo


Foto: Divulgação

Os donos do tablet da Apple estão pouco dispostos a pagar por aplicativos, mostrou um estudo da empresa de pesquisa on-line Knowledge Networks nos EUA.

Segundo a pesquisa, os usuários preferem aceitar publicidade para obter conteúdo gratuito ou com custo mais baixo.

Na pesquisa, 86% deles disseram que estão dispostos a ver a anúncios para ter acesso grátis a conteúdos, como programas de televisão ou artigos de revistas e jornais.

Em média, os usuários do iPad fazem download de 24 aplicativos. Desses, apenas um quarto é pago.

De acordo com a pesquisa, só cerca de 13% dos entrevistados disseram que estavam dispostos a pagar por conteúdos aos quais eles já tinham acesso. E só estavam propensos a gastar um extra médio de US$ 2,60 por isso.

Folha de S. Paulo | 25/01/2011

Barnes & Noble registra 650 mil assinaturas em banca virtual


A rede de livrarias americana Barnes & Noble anunciou nesta segunda-feira [24] ter registrado 650 mil assinaturas e vendas individuais em sua banca virtual, a Nook Newsstand.

O serviço permite assinar edições digitais de mais de 120 publicações, como “New York Times”, “National Geographic” e “Rolling Stone”.

Os periódicos podem ser lidos nos aparelhos leitores de publicações eletrônicas da empresa, da linha Nook, que recentemente ganhou uma versão colorida, o Nook Color.

Vimos um crescimento explosivo na Nook Newsstand desde o lançamento do Nook Color“, afirmou o presidente da Barnes & Noble, Jonathan Shar, em comunicado à imprensa.

Última versão do Nook, leitor de livros eletrônicos da rede de livrarias Barnes & Noble, com tela colorida

A Barnes & Noble oferece assinaturas mensais de publicações por cerca de US$ 15 mensais – uma vantagem em relação a um dos seus principais concorrentes, a Apple, que até agora não oferece nenhum modelo de assinaturas e permite apenas que os periódicos sejam comercializados individualmente, a cerca de US$ 4,99 por edição.

Em desenvolvimento, o sistema de assinatura de publicações da Apple deve estrear em breve. O futuro jornal exclusivo para iPad “The Daily”, da News Corp, deve ser o primeiro a implementá-lo.

Folha.com | 25/01/2011 – 16h34

 

Inclusão digital através dos tablets


Desde que o iPad foi apresentado por Steve Jobs, eu o vi como um dispositivo que poderia fazer a diferença para milhões de pessoas. Não exatamante para mim, pois ainda não achei necessário entrar nesse mundo. E nem com aquele papo marqueteiro de “mágico e revolucionário”, já que os profissionais de mídia e publicidade são os mais adeptos à novidade. Mas sim, como uma ferramenta de inclusão digital.

De um modo geral, donos de iPad já tiveram algum contato com produtos da Apple, como Macs, iPhones ou iPods e conhecem a filosofia da fabricante, que une simplicidade, intuitividade e beleza. Junto ao grande público leigo, goste-se ou não do tablet, a percepção é que o dispositivo é um extra ao PC ou ao smartphone; ainda não vi nenhum formador de opinião atestar que o produto pode substituir tudo isso. No Brasil não é muito diferente, com o agravante de se enxergá-lo como um brinquedo de luxo, voltado para pessoas mais preocupadas com status que produtividade.

Depois do período de 6 meses de “experimentação”, onde o iPad reinou sozinho com absoluto sucesso no mercado, outras fabricantes passaram a apostar no conceito. Uma imensa tela, sensível ao toque, rodando um sistema operacional móvel, que é bem mais fácil de usar que o dos PCs convencionais. A grande verdade é que a concorrência demorou a se mexer porque ela mesma não apostava no sucesso de uma nova e desconhecida categoria de produto. Durante todo o ano de 2010, o iPad provou que não é apenas uma febre: empresas e veículos de comunicação passaram a apostar na novidade, fornecendo aplicativos do iPhone adaptados à telona. E a demanda só cresce.

Há 2 públicos negligenciados, de imenso potencial e que podem se beneficiar com os tablets mais que qualquer outro: crianças e idosos.

Por menor e mais simples que um laptop ou netbook seja, ele roda um sistema operacional que dá mais trabalho que um sistema móvel. Boot longo, instalações complicadas, excesso de menus, alertas pop-up esquisitos, antivírus, antispyware, desfragmentação, limpeza de disco, etc etc etc. Vamos combinar: só nerd faz essas coisas e ainda sente prazer…

Já um tablet exige uma linha de aprendizado bastante enxuta, não se tornando empecilho para crianças, jovens e idosos. Eles podem se tornar uma ferramenta educacional valiosíssima, ainda mais numa época em que tudo que é digital colabora como motivador para o aprendizado. Para os idosos, uma maneira de manter contato com a família e amigos, além de uma ferramenta de leitura e pesquisa.

Um vídeo no YouTube ficou famoso, mostrando uma senhora de 99 anos, com visão limitada, interagindo com um iPad e mostrando como ele se tornou precioso:

Veja o vídeo.

No Brasil a história ganha novo contorno. Assim como nos demais países emergentes, o primeiro contato das pessoas com o mundo digital se dá através de plataformas móveis ao invés de fixas. O Brasil é um país geograficamente gigante e cheio de reveses topológicos. No momento, discute-se as novas medidas de inclusão da população à banda larga. Há alguns anos, os PCs e laptops ganharam incentivos fiscais que os tornaram mais baratos, ajudando a popularizá-los, mas atualmente, o que é um PC desconectado?

O tablet entra aqui como um curinga. Minimalista, simplificado, e ainda por cima pode acessar a internet por banda larga fixa [através do wifi] ou móvel [através da tecnologia 3G]. Tecnicamente é perfeito para promover a inclusão digital, mas esbarra no preço. O “custo Brasil” envolve custos altos com pessoal, infraestrutura e até status, mas uma política renúncia fiscal ajudaria bastante.

A presidente Dilma mostrou que á fã dos tablets, e mostrou-se disposta a popularizar o dispositivo. Resultado: o governo já estuda maneiras de diminuir custos e promover a fabricação em território nacional. E o ministro Paulo Bernardo, que esteve na Campus Party, disse que a medida está sendo avaliada, e que definirá detalhes como configurações mínimas e o preço máximo — ressaltando que deverão ter acesso à internet. A intenção é classificá-los como PCs e aproveitar a isenção de 9,75% de IPI, PIS e Cofins garantida a desktops e notebooks no programa “Computador para Todos”.

Os fabricantes aprovam a discussão, e empresas como a Positivo Informática [que já se mostrou disposta a entrar nesse segmento] poderão criar tablets a preços mais acessíveis.

Agora é torcer para que a idéia decole. Mais do que um modismo ou mero bem de consumo, dispositivos móveis conectados hoje são sinônimo de conhecimento, informação e interação.

Por Bia Kunze | Publicado originalmente em G1 | 24/01/2011

MegaReader


Sempre tem algo para ler. O aplicativo para iOS MegaReader permite o acesso a mais de 1,8 milhões livros gratuitos.

O MegaReader permite ao leitor construir a sua própria biblioteca pessoal com os clássicos da literatura gratuitamente, além das modernas edições independentes.

Para facilitar a leitura em movimento, MegaReader é o primeiro aplicativo leitor de livros digitais que utiliza o conceito HUD. Disponível em aparelhos com câmeras, a ferramenta permite que o leitor veja através de um livro, enquanto lê. É como ler um livro impresso num vidro.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Internet transformou a relação de poder entre críticos e leitores


Tecnologia libertou o público do julgamento dos acadêmicos

Cinquenta anos é muito tempo para qualquer literatura nacional, mas, no ambiente extremo da cultura norte-americana, a ficção parece encontrar uma incubadeira que propicia crescimento incomumente rápido.

Mas, nos 50 anos transcorridos desde que Alfred Kazin [1915-1998] lecionou sobre a função da crítica, a crítica literária acadêmica nos EUA possivelmente mudou mais que o romance moderno, enquanto o tipo de crítico que servia de tema a Kazin -um profissional que escreve para o público, “vive a literatura” e tenta criar padrões- agora vê sua função revisada por mudanças tecnológicas.

Nos bolsões solitários de pequenas e grandes cidades“, escreveu Don DeLillo no começo dos anos 80, “um milhar de mentes se move“.

Cerca de uma década mais tarde ou pouco mais, a comercialização da internet formou uma rede que une essas mentes e criou uma espécie de vasta teia neural.

A internet tira as pessoas de sua solidão e as leva a criar “eus” eletrônicos talvez mais nus ou mais estridentes que o “eu” indistinto e repleto de compromissos que se movimenta fantasmagoricamente em suas rotinas.

No início da revolução das redes, o crítico Sven Birkerts catalogou as perdas que um leitor sofreria no milênio eletrônico: divórcio da consciência histórica, senso de tempo fragmentado e perda de concentração profunda.

Do outro lado da divisa, a capacidade de localizar um núcleo de pessoas com ideias semelhantes decerto representaria um ganho real para um leitor que considera o isolamento desconfortável.

Ainda mais acentuadamente, no final do século 20, o romance contemporâneo sério se afastou da linearidade e suas partículas narrativas se agruparam em nódulos semelhantes aos da web e com foco distribuído por diversos personagens.

MENOS NEBULOSA

Para o crítico, essas mudanças tecnológicas criam ecos históricos profundos. Se em séculos passados o leitor comum era, ao menos em parte, uma construção retórica, um não especialista imaginário, para o crítico do novo milênio a audiência da literatura é menos nebulosa. Em 1960, Kazin se queixava de que “a audiência não sabe o que quer”; com o advento das resenhas da Amazon e outros sites, a audiência se expressa claramente.

Ainda que as resenhas on-line variem em termos de qualidade e percepção, o fato de que existam já não permite imaginar que não exista uma audiência de interesse geral bastante envolvida.

A era da avaliação, do crítico olímpico como árbitro cultural, acabou. Embora continuem a existir críticos, seus esforços só servem para elevar o ruído na cultura.

A perda de uma crítica mais centralizada e unívoca não é necessariamente ruim.

Certamente a maioria dos leitores já viram resenhas de críticos conhecidos cujo trabalho termina envenenado por preconceitos pessoais.

E embora a remoção ou, mais precisamente, a redistribuição das tarefas de avaliação deva provavelmente diluir os padrões críticos, também pode liberar o crítico para que se dedique a tarefas mais sérias, que talvez influenciem a cultura. Ao abandonar a cultura da opinião e realizar análise mais profunda, o crítico irá desempenhar sua função primordial: localizar obras importantes que nem sempre ficam visíveis em meio às correntes dominantes.

POR STEPHEN BURN | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado por Folha de S.Paulo | Sábado, 22 de janeiro de 2011

Aplicativo Sony Reader disponível para Android


Sony Reader app, finalmente disponível para o Android, só funciona com versões 2.2 e superiores

App Sony Reader for Android

Os sites The Didigtal Reader e Engadget informam que o Sony Reader app está agora listado no Android Market.

Sony Reader app for Android

Segundo os sites, o app suporta eBooks nos formatos ePub e PDF comprados através da eBookstore da Sony [Reader ™ Store]. Ou seja, o leitor pode entrar com seu login e o app automaticamente sincroniza os livros comprados anteriormente para o e-readers.

O aplicativo é gratuito e muito bonito. E, além disso, o leitor pode facilmente realçar o texto e ajustar as configurações de fonte e brilho na página que está lendo.

O problema é que, embora a maioria dos telefones celulares da empresa Sony que rodam Android, ainda executam a versão 2.1., a nova app exige Android versão 2.2.

By Joanna Stern | Publicado originalmente em Engadget | 21/01/2011 – 15:55

Brasileiro co-fundador do Facebook investe em enciclopédia interativa na web


O brasileiro Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook e um dos personagens retratados no filme “A Rede Social”, vai financiar mais uma vez um novo projeto na internet, de acordo com o jornal “The New York Times”.

Na quinta-feira, a Qwiki, espécie de enciclopédia interativa que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos, anunciou que Saverin foi o principal investidor em uma injeção de capital de US$ 8 milhões a ser recebida pelo projeto.

Estou em uma situação hoje em que posso fazer o que amo, que é ajudar outros empreendedores“, afirmou Saverin em entrevista ao jornal no início da semana. “O Facebook tem sido grande e será grande. O Qwiki está na fase inicial, mas eles estão no caminho para mudar o jogo.

De acordo com o “New York Times”, nem Saverin nem o site quiseram dar detalhes sobre o valor do financiamento.

O brasileiro Eduardo Saverin, amigo de Mark Zuckerberg na faculdade, ajudou o colega a criar o Facebook.

A tecnologia básica da Qwiki transforma uma coleção de dados sobre um assunto em apresentações multimídia interativas. Se o usuário digitar “San Francisco” [cidade norte-americana], por exemplo, ele terá como resultado uma apresentação audiovisual sobre a cidade que inclui fatos básicos e imagens. O site já levantou US$ 9,5 milhões em investimentos, incluindo uma rodada anterior de financiamentos.

O site, de acordo com o jornal, tem outros “investidores notáveis”, como o co-fundador do YouTube, Jawed Karim, e o investidor do Vale do Silício Pejman Nozad.

Saverin e Mark Zuckerberg foram os primeiros membros do Facebook, criado em um dormitório de Harvard. Saverin entrou com o investimento financeiro inicial e iria cuidar dos negócios da companhia, mas os dois melhores amigos se desentenderam. Saverin levou a briga à Justiça.

Hoje, ele divide seu tempo entre Boston e Nova York. Os detalhes de sua batalha jurídica com Zuckerberg são um segredo, mas seu nome foi recolocado na página de fundadores da rede social. David Kirkpatrick, autor de “O Efeito Facebook”, diz não ter conseguido entrevistar Saverin porque o brasileiro está proibido por contrato de falar sobre Facebook. Ele teria, segundo o livro, 5% das ações da rede social.

Folha.com | 21/01/2011 – 14h02

E se você pudesse comprar apenas uma parte do jornal?


Read What You Need

Pode nao ser uma ideia revolucionária, mas será que nao ajudaria os jornais a aumentarem as vendas dos impressos? Alunos da Miami Ad School, usando o NYTimes como exemplo, sugerem que as publicaçoes vendam as suas diferentes seçoes separadamente, permitindo ao leitor comprar apenas o que lhe interessa. Que tal? Saiu no Ads of the World.

Por Debora Schach | Blue Bus | 21/01/2011

Aleph lança curtas transmídia baseada em livro


Após as publicações de O despertar do vampiro, O império dos vampiros, O pacto dos vampiros e Kara e Kmam, todos da escritora maranhense Nazarethe Fonseca, a Editora Aleph e a Delicatessen Filmes se juntam em um projeto inovador: a websérie “Alma e sangue”, mesmo título da coleção que ganhará o quinto volume no segundo semestre de 2011.

A websérie foi toda feita com enfoque na narrativa transmídia, ou seja, quando partes de uma mesma história são contadas a partir de diferentes plataformas de mídia. Dividida em três episódios com aproximadamente quatro minutos de duração, ela estreou na terça-feira [18] e o primeiro episódio pode ser visto aqui. O segundo episódio será lançado no dia 1º de fevereiro e o terceiro, no dia 15.

Acreditamos que a narrativa transmídia é o futuro do mercado editorial. A ideia foi seguir o conceito à risca: desenvolver um roteiro inédito, que agregasse experiência ao fã, mas que, ao mesmo tempo, fosse atraente para conquistar novos leitores“, explica Adriano Fromer Piazzi, publisher da Aleph.

Para Fabio Zavala, produtor executivo da Delicatessen Filme, esta websérie é um primeiro passo de todas as possibilidades que estão em torno do tema. “A ideia é desenvolver, sempre com o pensamento transmidiático, uma série para TV e um longa-metragem“, afirma.

A trilha e os efeitos sonoros são da Jukebox, e a finalização da Casablanca. O roteiro e a direção são de Caio Cobra, diretor do premiado curta “Crônicas de um assassino”, e montador dos filmes “O Bem Amado”, de Guel Arraes, e “Corpos celestes”, de Marcos Jorge.

As cenas da websérie foram rodadas em um casarão na cidade de Cruzeiro, interior de São Paulo, e o diretor buscou ambientes sombrios para ilustrar o universo vampiresco.

Para saber mais sobre narrativas transmídia e assuntos afins, o livro Cultura da convergência [Aleph, 432 pp., R$ 69], de Henry Jenkins, pode ser de grande valia.

PublishNews | 20/01/2011