Nova tecnologia copia um livro de 170 páginas em um minuto


Protótipo ficará pronto em dois anos. Foto: AFP

Pesquisadores japoneses afirmaram nesta sexta-feira [10] ter desenvolvido uma tecnologia de escaner capaz de copiar um livro de 170 páginas em um minuto.

Um protótipo de escaner, capaz de digitalizar um livro em um minuto, estará pronto dentro de alguns anos, segundo afirmou o pesquisador que dirige a equipe da Universidade de Tóquio responsável pelo desenvolvimento desse aparelho, Yoshihiro Watanabe.

Esse escaner funcionará com câmeras capazes de tirar até 500 fotos por segundo, o que permitiria digitalizar um livro de 170 páginas em 60 segundos.

Consideramos que se trata do sistema de scanner mais veloz do mundo, pelo menos levando em conta as tecnologias difundidas publicamente até agora“, afirmou Watanabe.

Estamos trabalhando com a possibilidade de usar robôs para que virem as páginas automaticamente e com mais concisão“, acrescentou.

DA FRANCE PRESSE, EM TÓQUIO | Folha.com | Tec | 10/09/2010 – 15h47

Escrevemos para nós mesmos (?)


Nos últimos anos, o número de pessoas que escreve ? ou, pelo menos, que consegue publicar o que escreve ? aumentou muito. Esse crescimento se deu juntamente com os avanços tecnológicos e a relativa popularização da internet. Criar um blog ou um perfil no Twitter é fácil, e tanto uma plataforma quanto outra tem sido citada pelos grandes meios de comunicação com bastante frequência.

Isso faz com que mesmo quem não entende muito de computadores e internet fique curioso em saber como funcionam esses meios de comunicação/publicação. Daí a quantidade astronômica de blogs e tweets. Enquanto escrevo este texto, o site Blog Pulse informa que passa de 145 milhões o número de blogs reconhecidos no mundo. No início do mês de agosto, o Twitter chegou ao número estrondoso de 20 bilhões de mensagens postadas.

O número de livros publicados no Brasil cresce, juntamente com o mercado editorial [apesar de este ano ter sido detectada uma estagnação]. Mas, mesmo assim, não vemos o número de leitores aumentar como desejamos. Melhor dizendo: não vemos o aumento no consumo/leitura de determinados nichos literários, como a literatura brasileira ? e até mesmo a produção estrangeira, abrindo uma exceção para os best-sellers, claro.

Um paradoxo. Enquanto uma quantidade enorme de pessoas escreve/publica, o consumo de livros não aumenta na mesma proporção. Repito: na mesma proporção. Tem aumentado, mas não o esperado ou o desejado. Por quê?

O principal motivo, por incrível que possa parecer, talvez seja o fato de alguns escritores não se importarem muito com os leitores.

É comum, e perfeitamente normal/compreensível, ver/ler um autor dizer que escreve para ele mesmo, ou seja, que coloca no papel o que ele quer ler. Não há problema algum nisso, lógico. Este texto, por exemplo, estou escrevendo porque quero “dizer” o que nele estou “dizendo”. Não estou escrevendo isto para agradar leitores, mas sim porque quero colocar determinadas opiniões minhas aqui.

A mesma coisa com meus contos: os escrevo porque são histórias que eu gostaria de ler. Se boas ou ruins, paciência. O que quero deixar claro, repetindo o que foi dito no parágrafo anterior, é que não há nenhum problema nessa postura. O problema começa quando, depois de escrito o romance, conto ou poesia, o autor não faz nenhum esforço para que sua obra chegue ao maior número de pessoas possível; o problema acontece quando ele assume uma atitude blasé e diz “não escrevo para ninguém, não penso nos leitores; o que almejo é a posteridade” ou algo do tipo.

Ora. Você é um escritor, passou dias, meses, anos escrevendo um livro, e conseguiu publicá-lo. Por que não fazer algum esforço ? nem precisa ser um esforço tão grande ? para fazer sua obra alcançar um público relativamente numeroso?

Nos Estados Unidos os escritores fazem algo que por aqui não se vê, que é sair em turnê com suas obras. Como se fossem uma banda de música fazendo turnê para divulgar um novo disco. Apesar de os eventos literários no Brasil estarem aumentando de número, sinto falta de algo assim, parecido com uma turnê.

E quando digo que o esforço não precisa ser grande, não precisa mesmo. Me refiro a coisas pequenas, como negociar com a editora uma determinada quantidade de exemplares para doar a bibliotecas públicas e mesmo de colégios ou faculdades particulares, e, junto com a doação, organizar uma palestra, uma mesa redonda sobre não apenas o livro, mas sobre a importância da leitura ? e não apenas leitura de literatura ? na vida de alguém.

Não me refiro aqui a sair viajando o Brasil inteiro para divulgar um livro, porque nosso mercado restrito [leia-se “pouca verba”] não dá essa possibilidade. Mas por que não fazer isso na cidade natal do escritor, ou na capital do seu estado, ou na cidade onde ele reside há anos? Algo simples de ser feito é visitar as escolas nas quais estudou ou a faculdade na qual se formou, por exemplo.

Em alguns lugares, por algumas pessoas, escritores ainda são vistos como seres “fora da realidade”, “sonhadores“, ou mesmo como “malucos”, “caras estranhos”. Muito por culpa de alguns escritores malucos e sem noção, é verdade, mas é preciso desfazer essa imagem ainda um tanto borrada que algumas pessoas têm dos escritores. Um escritor é alguém que tem direitos e obrigações como qualquer outra pessoa, que leva os filhos para a escola, paga contas e almoça com a família aos domingos.

É preciso quebrar certas barreiras, alcançar determinadas pessoas que podem vir a ser leitores fiéis. Nós, escritores, podemos fazer muito mais pela literatura do que pensamos. E, no final das contas, quem mais vai ganhar com isso somos nós mesmos, já que poderemos vender mais livros e conseguir mais leitores. Sinto que, atualmente, escritores escrevem para escritores, quando um outro público poderia ser alcançado. Qual o problema de ser lido por uma garota que leu Crepúsculo ou por um jovem que adora Harry Potter? Por que não tentar alcançar esse público, falando diretamente para eles [e isso não é o mesmo que “escrevendo diretamente para eles”, é bom deixar claro]?

Sinceramente, quando meu livro for publicado ? e só Deus sabe quando isso vai acontecer ? vou fazer o que estiver ao meu alcance para que ele seja conhecido, lido e vendido por aí. Não tenho a pretensão de ser um autor best-seller, mas não quero ver minha obra parada, criando teia de aranha em livraria ou dentro de caixas guardadas em minha casa. Se escrevo, é porque, além de ter a necessidade de escrever, quero ser lido. Simples assim.

Por Rafael Rodrigues | Publicado originalmente em Digestivo Cultural | 10/9/2010

Cool-er pode voltar em parceria com a Elonex


O e-reader Cool-er, que desapareceu do mercado [inglês] quando a Interead foi à falência em junho, pode voltar em parceria com a empresa especializada em e-books, Elonex, conforme informa o site de tecnologia Pocket-lint. O diretor de Marketing da Cool-er, Phil Wood, disse ao site que Elonex tem estabilidade financeira para recomeçar. “Uma parceria com alguém que tem o pedigree deles é uma combinação perfeita”, afirmou. O acordo prevê o lançamento de cinco novos leitores, que se chamarão Elonex Cool-er e que continuarão na linha multicolorida do Cool-er.

The Bookseller | 10/09/2010

Como fica o livro impresso com o advento do e-book?


Desde que Gutemberg inventou a imprensa, o livro como conhecemos se perpetuou. À época, monges católicos criticaram a invenção e amaldiçoaram o mecanismo que fazia em poucos minutos o que um especialista em litografia levava semanas.

Agora estamos passando por um processo parecido. Quando a Amazon Books lançou o Kindle, leitor digital de fácil transporte e capacidade de armazenamento absurda, um novo ciclo no mercado editorial se iniciou.
Ao contrário do que se possa pensar, criar um e-book não se resume simplesmente em criar um arquivo em formato .pdf [Acrobat Reader] e disponibilizar para download, cobrando por isso. Existem centenas de plataformas, centenas de formatos e é necessário converter a mídia impressa para cada uma delas.

Nos EUA, o Nook da Barnes & Nobles e o novo Kindle disputam mercado, sendo o primeiro consideravelmente mais barato e funcional que o segundo. Em terras tupiniquins, só agora se começa a entender esse fenômeno que, no exterior, já se tornou costume. A principal líder nacional no segmento “livraria digital” é a Gato Sabido, cujos livros eletrônicos são produzidos para o leitor Coo-ler. A falta de versões em .pdf’s e “imposição” de um formato ao consumidor são fatores importantes a serem observados. É indiscutível o crescimento que a empresa teria se passasse a produzir material também em formatos ditos “universais”.

Com isso, surge a questão: o livro impresso desaparecerá?

Conversei com personalidades do mundo editorial sobre o assunto. Confira as opiniões.

Cassandra Clare, autora do best-seller The Mortal Instruments

Eu não tenho medo de e-books. É normal ter medo de mudar, mas eu não acho que os e-books farão o download ilegal ploriferar assim como aconteceu com a indústria fonográfica. As pessoas não consomem livros da mesma maneira que consomem música. Quando as pessoas querem um livro, eles querem que a coisa toda – quando as pessoas compram música muitas vezes querem apenas uma ou duas músicas de um álbum. Agora, eles podem receber apenas aquela canção do CD, ao invés de comprá-lo inteiro. Mas ninguém quer apenas um capítulo de um livro“.

Lauren Kate, autora do best-seller Fallen

Admito, não sei muito sobre downloads ilegais, mas acho que a revolução do livro ocasionada pelo Kindle é muito grande, mas não começou agora. Houve bastante tempo para o mercado editorial perceber se isso era rentável ou não, usando indústria fonográfica como exemplo, para então se preparar melhor focando-se nas deficiências da segunda. Existem ainda alguns desafios a serem trabalhados, mas acho que, no geral, um sistema amplo e justo foi alcançado, com autores e editores ainda sendo compensados por seus produtos. Fallen está disponível no e-book e estou contente em dizer que as vendas estão indo muito bem“.

Lucia Riff, sócia fundadora da maior e mais importante agência literária brasileira

Quando fui convidada pela primeira vez a falar sobre esse tema, logo recusei. Pedi para falar de agenciamento, de direitos autorais, de qualquer coisa, menos de e-books. Isso porque o advento do e-book é algo relativamente novo e não me sentia segura para discorrer a respeito. Mas é um assunto do qual já não se pode mais fugir. A transformação do mercado editorial é algo vivo, real e deve ser encarado. Não sei o que pensar sobre e-books. É indiscutível as vantagens que ele traz – baixo custo, portabilidade, acesso fácil e rápido a livros enclausurados no Acervo dos Raros de bibliotecas federais, mas ele acaba tolhendo um pouco a liberdade do leitor – um arquivo baixado hoje não é garantia de que ele existirá amanhã. Recentemente, a Amazon foi processada por disponibilizar o célebre “1984” de George Orwell de forma gratuita, achando que a patente autoral já havia sido quebrada. Não tinha. Em um dia, centenas de e-books foram baixados. No outro, todos esses e-books tiveram seus respectivos conteúdos recolhidos e desapareceram dos eReaders sem uma explicação prévia por parte da empresa. O Google acaba de ser processado pelo ambicioso projeto de digitalizar todo o conhecimento humano e disponibilizar na rede, uma Biblioteca de Alexandria Moderna. E os autores, como ficam? E o autógrafo? Houve uma época em que ter um livro autografado pelo autor era quase como sustentar um troféu. E agora, cobraremos pela presença? E a liberdade que eu tenho de emprestar, dobrar e esconder um livro debaixo da cama, por exemplo? E os mais diferentes formatos, cores e formas? Será que, no futuro, teremos bibliotecas que emprestarão um chip com o conteúdo do livro? Tudo isso nos leva a pensar se essa revolução é mesmo benéfica, mas precisa ser estudada de todos os ângulos“.

Por aqui, a UFMG inova em pesquisas ambiciosas e ousadas. O Professor Chico Marinho, durante a Bienal do Livro de Minas Gerais, em debate realizado em 21/05/2010, no Expominas, falou para uma platéia vasta sobre os avanços na tecnologia dos eReaders.

“Estamos analisando o e-book de um ângulo diferente do mercado editorial atual. Nossos estudos avançam no sentido de criar um livro que modifique suas histórias de acordo com o humor do usuário. Assim, o eReader seria capaz de constatar modificações de ordem fisiológica e emocional e alterar o produto às necessidades do consumidor final, gerando conteúdo mutável e personalizado”.

Há de se considerar ainda a interatividade que esse novo formato digital trás ao leitor. Durante a Bienal de São Paulo desse ano, era possível observar um show de tecnologia no stand da Editora Globo. Inovando, o grupo editorial está formatando as clássicas histórias do Sítio do Picapau Amarelo, escritas pelo lendário Monteiro Lobato, para o iPad, a plataforma da Apple de Steven Jobs. Assim, crianças ainda iniciantes ou iniciadas na nobre arte de viajar através da leitura puderam ver livros com animações, vídeos e áudios. Um novo conceito que já tem nome: mediabooks.

Especular se os livros “físicos” vão desaparecer diante a novidade é excluir todos os méritos que esse formato possui há séculos. Concordo com Cassandra Clare quando ela cita as diferentes formas de consumo entre o mercado editorial e o fonográfico e penso que essa nova mídia tem como objetivo acrescentar, e não extinguir.

E-books são sim uma realidade promissora e que, de agora em diante, só irão expandir, mas como uma alternativa viável a quem não faz questão de montar uma biblioteca pessoal, quem usa uma obra de forma descartável [lê e abandona] ou simplesmente para quem não pode pagar R$70,00 reais em um texto, num país de terceiro mundo, onde a grande maioria da população ainda vê o hábito da leitura como algo elitista e inalcançável.

Por Igor Silva | Publicado originalmente em Vá ler um livro | 10/09/2010 | 11:46:50