A matemática dos direitos autorais


Um agente especializado tem me ajudado a tentar analisar a fundo a questão dos direitos autorais. Nas tabelas abaixo, ele me ajudou com a metodologia, mas os números que aparecem são de minha responsabilidade. Espero que organizando a informação dessa forma eu ajude todo mundo a pensar na questão de direitos autorais dos e-books com mais precisão. Aliás, teremos um painel sobre esse assunto durante o Digital Book World em Janeiro.

Eu quero pensar sobre isso filosoficamente [eu gosto de pensar a respeito de tudo filosoficamente], mas esse post é sobre estabelecer uma estrutura de entendimento sobre quais são as reais implicações econômicas, para a editora e para o autor, das práticas de vendas atuais e da divisão de lucros. Então esse é um post do tipo “somente os fatos”.

Nós criamos três grupos de tabelas [todos baseados em valores, números e formatos do mercado norte-americano]: uma para comparar e-books com livros de capa dura, outra comparando e-books com os paperback, e o terceiro comparando os e-books com os livros mass-market paperback. Por causa dos relatórios que seguiram o anúncio da Random House-Wylie que sugeriu que os direitos autorais de e-books, ao menos em algumas listas, pode atingir 40%, nós calculamos como eles funcionariam tanto no modelo de venda no varejo como no modelo de agência com o autor recebendo 25% e com o autor recebendo 40%.

Aqui vai a explicação para entender as colunas das tabelas. Para cada grupo, a primeira linha é dos livros impressos, as duas linhas seguintes referem-se aos e-books com 25% de direitos autorais [modelo varejo e modelo agência] e as últimas duas linhas com 40% de direitos autorais [modelo varejo e modelo agência]. O preço de venda é estabelecido pela editora; o valor líquido é o que a editora recebe do intermediário por cada unidade vendida. O custo é uma estimativa do custo de impressão [10% do varejo mais 25% pelo estoque] ou no caso do e-book, o custo unitário da venda [50 centavos de dólar em todos os casos, principalmente para cobrir o custo do DRM]. A margem é a simples subtração do custo do líquido. O valor de direitos autorais é autoexplicativa. O direito do autor por unidade é calculado multiplicando a taxa e pelo preço de venda ou pelo valor líquido, dependendo de cada contrato. E a última coluna mostra a porcentagem da margem total que o autor recebe para aquela taxa de direitos autorais.

Nós não levamos em consideração o custo de digitalização de e-books; nem incluímos o custo de digitação e de diagramação dos livros impressos. Como estamos focados nos direitos que serão pagos depois dos ganhos, assumimos que estes custos já devem ter sido amortizados.

Capa dura

Formato Venda Líquido Custo Margem Direitos
Autorais
Direitos
Do
Autor
Margem de
Porcentagem do autor
Impressos $26 $13 $3.25 $9.75 15%
da
venda
$3.90 40%
e-book – Varejo $26 $13 $0.50 $12.50 25%
do líquido
$3.25 26%
e-book – Agency $13 $9.10 $0.50 $8.60 25%
do líquido
$2.275 26%
Varejo a 40% $26 $13 $0.50 $12.50 40%
do líquido
$5.20 41%
Agency a 40% $13 $9.10 $0.50 $8.60 40%
do líquido
$3.67 42%


Paperback

Formato Venda Líquido Custo Margem Direitos
Autorais
Direitos
Do
Autor
Margem de
Porcentagem
Do Autor
Impressos $15 $7.50 $1.875 $5.625 7.5%
da venda
$1.125 20%
e-book – Varejo $15 $7.50 $0.50 $7 25%
do líquido
$1.875 27%
e-book – Agency $10 $7 $0.50 $6.50 25%
do líquido
$1.75 27%
Varejo a 40% $15 $7.50 $0.50 $7 40%
do líquido
$3 43%
Agency a 40% $10 $7 $0.50 $6.50 40%
do líquido
$2.80 43%


Mass-market paperback

Formato Venda Líquido Custo Margem Direitos
Autorais
Direitos
Do Autor
Margem de Porcentagem do Autor
Impressos $8 $4 $1 $3 10%
da venda
$0.80 27%
e-book – Varejo $8 $4 $0.50 $3.50 25%
do líquido
$1 29%
e-book – Agency $8 $5.60 $0.50 $5.10 25%
do líquido
$1.40 27%
Varejo a 40% $8 $4 $0.50 $3.50 40%
do líquido
$1.60 46%
Agency a 40% $8 $5.60 $0.50 $5.10 40%
do líquido
$2.24 44%

Aqui vão algumas coisas que chamaram minha atenção ao observar esses números.

1. No mundo impresso, autores estão conseguindo uma margem muito maior para livros em capa dura do que para os paperback.

2. Apesar de ser verdade que um autor recebe muito mais em direitos nas vendas de capa dura pelo modelo de venda no varejo do que no modelo de agência, o mesmo não acontece com o paperback. Os direitos autorais para e-book para o equivalente em paperback é bastante parecido nos dois modelos, apesar do modelo varejo ainda render um pouco mais. Mas no mass-market paperback [livros populares], o autor ganha significantemente mais com o modelo de agência do que com o modelo de varejo!

3. O autor sofre uma queda real de receitas para cada cópia vendida em capa dura com os atuais 25% de royalties. No entanto, o autor faz mais dinheiro em cada e-book do que faz em cada venda de livro paperback ou mass-market paperback.

4. Nossa margem de cálculo é estritamente baseada no custo de venda e não inclui custos fixos. Olhando para esses números, qualquer um pode ver porque as editoras acreditam, ao menos comparado com os livros em paperback, que 25% de direitos autorais são mais do que justo [o autor ganha mais por cópia vendida e a porcentagem da margem total que eles estão recebendo é o mesmo ou ainda maior do que na edição em papel]. Enquanto estamos em uma época em que a digitalização em ePub é um passo extra, e não uma simples alternativa de um processo de pré-impressão baseado em XML, o e-book parece sobrecarregado com custos extras. Mas no longo prazo isso não será verdade. E-books devem representar menos nas despesas gerais e requerer menos de uma empresa para produzi-los, estocar e comercializar: não há necessidade de armazenar, nem de dinheiro empatado em estoque, nem controle desse estoque; e nem na cadeia de suprimentos.

Olhando para esses números é fácil ver porque as editoras estão brigando para manter as mesmas condições de direitos autorais dos livros impressos nos e-books. Mas no final das contas a determinação do que vai funcionar não será baseado no que é justo ou equitativo; será baseado no que o mercado disser ser o nível correto. Isso vai valer a pena explorar em outro post.

Em sua coluna quinzenal, Mike Shatzkin conta sobre os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto da coluna é publicado originalmente em seu blog, o The Idea Logical Blog, e o autor muito gentilmente autoriza que o PublishNews o traduza na íntegra.

Este artigo foi publicado originalmentem em Publishnews | 03/09/2010| Traduzido por Verena Nery

Na Borders, e-reader chega a custar US$ 99,99


Já tem e-reader custando US$ 99,99 nos Estados Unidos. Esse é o preço do Aluratek Libre eBook Pro, que a Borders começou a vender na última quarta-feira  [1º]. Ela aproveitou a maré e reduziu em US$ 20 o preço do Kobo, que passa agora a custar US$ 129. O Libre é um leitor básico, com tela de LCD e recursos multimídia, como MP3 player. Já o Kobo tem tecnologia e-ink. Além disso, ela começa a vender dois tablets nos próximos dias. O Velocity Cruz Reader chega em 30 de setembro e o Velocity Micro Cruz Tablet, no dia 15 de outubro. Os aparelhos já estão em pré-venda. Para ver os outros modelos que a Borders vende, clique aqui.

PublishNews

Samsung Galaxy Tablet terá Reader Hub com 2 milhões de ebooks


Samsung Galaxy Tablet terá Reader hub com 2 milhões de ebooks

A Samsung deu a conhecer a Galaxy Tablet na IFA Tradeshow que decorre em Berlim.

A tablet tem um ecrã de 7” polegadas, um processador ARM Cortex A8 de 1 GHz e o sistema operativo adoptado será o Android 2.2 Froyo. A resolução de imagem é de 1024×600 pixel, terá 16 ou 32 GB de memória e uma câmara com 3.2 megapixel. Utiliza WiFi e 3G e a bateria tem um alcance de sete horas de vídeo.

A Samsung Galaxy estará ligada a um “Reader Hub”. Esta loja dispõem de 2 milhões de livros digitais, afirma a marca.

A tablet será lançada na Europa e Coreia do Sul em Setembro chegando a outros mercados em Outubro.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

 

Por Sérgio Bastos | 03 Setembro 2010 | Publicado originalmente em eBook Portugal