Frankfurt abre mais espaço para tecnologia


A Feira do Livro de Frankfurt começa na próxima quarta-feira (6) e terá uma novidade neste ano – o Frankfurt Sparks, a programação digital do evento. Diariamente, haverá apresentações e conferências sobre o futuro da mídia e da indústria criativa em pequenos auditórios espalhados pela feira, e apresentações mais específicas nos Hot Spots, estandes construídos em todos os pavilhões especialmente para a apresentação de produtos tecnológicos voltados ao mercado editorial e que vão receber 67 expositores de 13 países. Os temas vão de aplicativos para celular, gerenciamento de conteúdo, distribuição de e-book e devices a softwares educacionais, entre muitos outros. A programação ainda não está completa no site, mas se você for à feira não deixe de acompanhar. O PublishNews estará lá e vai conduzir duas apresentações: “O mercado de livros digitais no Brasil”, com a presença de Newton Neto, da Singular; e “Começando o comércio de e-book no Brasil”, com Frederico Indiani, da Livraria Saraiva. Ao falar de assuntos tão atuais como edição, tecnologia e internet, a organização espera desenvolver modelos de negócios coletivos.

PublishNews | 30/09/2010

Google Tradutor agora inclui também o Latim entre seus idiomas


Com a intençao de ajudar quem cruza com expressoes, frases ou até mesmo trechos de obras em latim, o Google resolveu incluir o idioma entre as possibilidades de traduçao do Google Tradutor. Ainda em fase experimental, o Google sabe que o sistema nao será usado de forma tao massiva, mas acredita que é um serviço importante para auxiliar na compreensao de antigos livros de filosofia, física e matemática – além do que, milhares de livros do Google Books possuem passagens inteiras em latim. Com informaçoes do Blog do Google.

Por Jacqueline Lafloufa | Blue Bus | 30/09/2010

E-book já movimenta mercado brasileiro


Mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis

O primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo, esgotou na primeira semana de vendas

Rio de Janeiro – Os e-books começam a movimentar o mercado editorial brasileiro. Embora o número de títulos disponíveis no país ainda seja pequeno, o primeiro e-reader nacional, lançado pela Positivo por R$ 699,00, esgotou na primeira semana de vendas.

A realidade que começa a se instaurar ainda é muito nova para que se possa ter números e expectativas, mas já é suficiente para que editoras comecem a repensar seus negócios e estratégias, assim como a internet já obrigou jornais e gravadoras a fazerem.

Segundo dados da IDC, as vendas mundiais de e-books devem superar cinco milhões de unidades em 2010 e ultrapassar os seis milhões em 2011. “No mercado dos Estados Unidos, os e-books representam cerca de 3% do segmento editorial“, afirma Daniel Pinsky, diretor comercial da editora Contexto e membro da Comissão da Câmara Brasileira do Livro – que trata do mercado de livros eletrônicos -, em entrevista. É baseado em números como esses que o mercado editorial brasileiro tenta traçar metas. É claro que as diferenças entre os dois países devem ser consideradas: nos Estados Unidos, o Kindle, famoso e-reader da Amazon, foi lançado em 2007 e hoje custa cerca de US$ 139,00.

Apesar da diferença de realidade, as expectativas aqui são tão boas quanto as de lá. “Acredita-se que nos Estados Unidos as vendas de e-books superarão as dos livros tradicionais em cinco anos. Como as coisas no mercado editorial brasileiro acontecem com cerca de três a cinco anos de defasagem, já podemos ter uma previsão“, afirma Newton Neto, Diretor Executivo da Singular, braço da Ediouro provedor de conteúdos exclusivos na internet, em entrevista ao portal.

Conteúdos fazem a diferença

O mercado brasileiro poderá refletir os resultados positivos dos Estados Unidos se houver uma política de massificação de e-leitores e de preços mais acessíveis. Esta é a aposta de empresas como o Ponto Frio.com, que iniciou a venda de e-books este mês. “A nossa expectativa é crescer de 5% a 10% ao ano de acordo com o que vemos acontecer no mercado norte-americano“, conta ao site Claúdio Campos, gestor da área de distribuição digital da empresa.

Além de contar com o advento de tecnologias que permitem o download de livros, como os iPads e smartphones, o investimento em conteúdos é uma das principais estratégias para o sucesso deste mercado.  É o caso do Alfa, que vem com um dicionário Aurélio que pode ser consultado durante a leitura. O lançamento do e-book da obra 1822, de Laurentino Gomes, desenvolvido pela Singular, também conta com serviços especiais. A versão do livro para download vem acompanhada de um áudio book com narração de Pedro Bial, imagens ilustrativas e do desenvolvimento do livro, como fotos tiradas pelo autor durante o processo de pesquisa.

O conteúdo diferenciado também pode ajudar na política de preços. “Como um e-book é cerca de 30% mais barato do que um livro comum, as editoras precisam investir em conteúdo para poderem garantir valores mais rentáveis e maior número de vendas”, afirma Neto, da Singular Digital. Os valores cobrados pelos e-books ainda precisam ser estudados porque, embora não utilizem papel, representam outros gastos e riscos para as empresas. “Para fazer um e-book temos custos como transformação de dados. Além disso, quando vendemos um pela internet deixamos de vender fisicamente, isso não pode trazer prejuízo”, aponta o diretor comercial da Contexto.

Acervo ainda é pequeno

Um dos empecilhos para o crescimento definitivo do segmento de e-books é o reduzido número de títulos disponíveis no mercado. Mas essa realidade deve mudar. A Singular, que disponibiliza e-books para vendas há um ano, possui 20 mil títulos de editoras nacionais e internacionais, um número grande para um mercado incipiente.

Já a Contexto tem 50 títulos disponíveis nas livrarias Cultura e Saraiva, mas conta com um total de 400 em seu catálogo, o que representa cerca de 1% dos títulos da empresa. O Ponto Frio, por sua vez, abriu as vendas da categoria este mês com 80 livros da Ediouro, mas pretende fechar setembro com mais 200 títulos. Até o fim de outubro, a loja virtual deve chegar a 400 livros no total.

Como o negócio é recente, o Ponto Frio.com ainda está desenvolvendo estratégias para a promoção das vendas. Entre as já realizadas está a criação de uma área independente no site apenas para e-books e a venda de livros sem dispositivos de DRM – o que permite o download e o acesso aos conteúdos de diferentes plataformas, não só dos e-readers. “Notamos que houve um interesse muito grande da mídia sobre o assunto, mais do que o esperado. Agora temos que ficar atentos às exigências do consumidor e disponibilizá-las no portal“, completa Campos, do PontoFrio.com.

Por Rayane Marcolino | 30/09/2010, 17:35 | Mundo o Marketing | Publicado originalmente em Portal EXAME

Ponto Frio esquenta a briga pelo mercado de livros digitais


SÃO PAULO – As livrarias têm um concorrente de peso agora: a rede Ponto Frio, do Grupo Pão de Açúcar, que dá inicio às vendas de livros digitais [e-books] em seu site de comércio eletrônico [e-commerce]. O objetivo é chegar 5 mil títulos até o fim deste ano e sair à frente da concorrência de varejistas de eletroeletrônicos que ainda não optaram pela comercialização do novo modelo de leitura. Em média, os e-books são 30% mais baratos do que os livros tradicionais. A estimativa é de que, em 2011, as vendas de e-books representem até 10% da venda de livros por e-commerce no Ponto Frio. A última estatística da Associação Amerciana das Editoras [APP] mostrou que os e-books ocupam 4% do mercado total das vendas de livros nos Estados Unidos, o equivalente a US$ 27,4 milhões.

Os títulos disponíveis são compatíveis à maioria dos leitores de livros digitais [e-readers]. “O fato de o e-book não ter restrição possibilita mais liberdade e flexibilidade ao leitor. O formato principal será o e-Pub, compatível com os principais canais de uso“, disse Cláudio Campos, gestor da área de distribuição digital do site. “A compra no site será semelhante a um download de jogos: o cliente escolhe o título, efetua a compra, recebe o link e baixa o download.

Com a incursão nesse novo negócio, o Pontofrio.com.br segue o caminho da americana Amazon, famosa por vender livros na internet e criadora do Kindle – leitor de livros digitais. Pelo pioneirismo do site do Ponto Frio no Brasil, analistas acreditam no sucesso do negócio e já fazem contas. “O Ponto Frio sai à frente ao começar a se preparar para essa tendência mundial de e-books. Daqui há alguns anos, quando outras grandes do varejo iniciarem as vendas, ele estará na frente pela fidelização e quantidade no acervo“, diz Renata Fiscalli Santos, pesquisadora em tecnologia e e-commece da Universidade de Campinas [Unicamp].

Nos Estados Unidos a venda de e-books já é realidade e demonstra ser tendência no país. “A venda de e-books de 13 editoras que reportam seus resultados à Associação Americana de Editoras cresceu cerca de 252% no primeiro trimestre de 2010“, disse o executivo do Ponto Frio, que acredita no potencial brasileiro no próximo ano com a participação dos e-books, com equivalente aos resultados americanos em 2009.

Fora o Ponto Frio, outras redes de varejo, exceto livrarias, também acompanham o segmento. De acordo com Marcelo Ribeiro, diretor de e-Commerce da Ricardo Eletro, a rede mineira de eletroeletrônicos também já vislumbra a possibilidade de vender e-books. “Há estudos avançados para o início das vendas, já que o segmento é tendência no e-commerce“, afirmou o executivo, que ainda não pode dar datas sobre o início das vendas no site.

Livrarias

Quem já apostou no ramo de e-books no Brasil foram as livrarias Saraiva e Cultura. A Saraiva atua desde junho em vendas digitais, e hoje sua área on-line tem 1.500 títulos nacionais e 160 mil livros estrangeiros. A expectativa, segundo Marcílio Pousada, presidente da empresa, é atingir 5.000 livros brasileiros em 2010. O executivo estima ainda que as vendas virtuais superem as compras nas lojas, em cinco anos. Hoje, o e-commerce perfaz 35% do faturamento.

Há ainda estudos para a Saraiva lançar seu próprio leitor digital, e a rede está na fase de finalização de contratos. “Estamos muito preocupados em fornecer uma boa experiência para o leitor e em preservar todo o processo produtivo desta cadeia, com lucros para o autor, a editora e para nós. Queremos chegar mais perto do que a Amazon faz“, disse Pousada, explicando que o leitor de e-books será compatível a formatos populares no mercado.

Para o diretor-geral da consultoria e-bit, Pedro Guasti, o fortalecimento de vendas de e-books vem do hábito de fazer download. “A comercialização de downloads é um caminho sem volta; sai na frente quem atrair melhor o cliente“, disse. O executivo acredita que esse mercado será impulsionado com a expansão da banda larga e a queda dos preços dos equipamentos de leitura portátil, como Kindle e iPad.

Na livraria Cultura, onde 20% da receita é de vendas on-line, com e-books desde março, hoje são 120 mil títulos em inglês e 500 em português. O diretor da livraria, Sérgio Herz, negou a possibilidade de a Cultura lançar seu leitor próprio. “Estaremos sempre atrás das grandes marcas especializadas, por isso esperaremos o melhor momento para pensar no assunto“, disse. “Com a nova modalidade não teremos problemas de livros esgotados.

Braço do Grupo Pão de Açúcar, a rede Ponto Frio acaba de entrar na venda de livros digitais [e-books] e deve incomodar livrarias como Saraiva e Cultura, que atuam no segmento. O Ponto Frio espera chegar a 5 mil títulos até dezembro e sair à frente da concorrência de varejistas de eletroeletrônicos que ainda não optaram pelo novo modelo de leitura, que cresce em ritmo acelerado nos EUA. A previsão é de que em 2011 os e-books representem até 10% das vendas de livros no comércio eletrônico do Ponto Frio. “A compra via computador será semelhante a um download de jogos: o cliente escolhe o título, compra, tem o link e ‘baixa’ o livro“, diz Cláudio Campos, da rede.

Por Paula Cristina | Publicado originalmente em DCI – Comércio, Indústria & Serviços | 30/09/10 – 00:00

E-books podem estimular mais crianças a ler, aponta estudo


O tempo que as crianças passam lendo livros por diversão diminui conforme elas utilizam celulares e outros aparelhos de tecnologia móvel, mas os e-books [livros digitais] podem trazê-las de volta à literatura, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira.

O estudo, conduzido pelo grupo de mídia e educação Scholastic e pela empresa de consultoria em pesquisa e marketing Harrison Group, também concluiu que os pais estão preocupados que o maior acesso à tecnologia pode limitar o tempo de leitura ou com a família.

Kindle 3, a nova versão do leitor de livros eletrônicos (e-books) da Amazon

Cerca de 40% dos pais acreditam que o tempo que as crianças permanecem online ou utilizando dispositivos móveis reduziria o período gasto com livros ou atividades físicas. Trinta e três por cento mostraram receio de que a tecnologia leve as crianças a passar menos tempo com a família.

Porém, o estudo também descobriu que a tecnologia pode na verdade estimular uma criança a ler. Das crianças pesquisadas, 57% disseram que ficariam interessadas em ler no e-book.

Cerca de um terço das crianças disseram que leriam mais livros por prazer caso os e-books estivessem a seu alcance. Mas 66% afirmaram que continuariam a ler livros impressos mesmo com uma maior disponibilidade do e-book.

Francie Alexander, vice-presidente acadêmica da Scholastic, afirmou em comunicado que os resultados do estudo mostram que os e-books podem ter um importante papel educacional.

“Se pudermos pegar um terço de todas as crianças, muitas delas leitoras forçadas, para que gastem mais tempo lendo por prazer nos e-books, esse tempo adicional gasto construindo fluência e vocabulário não só as ajudaria a se tornarem mais proficientes na leitura, mas também as auxiliaria a acompanhar textos mais complexos que elas encontrarão no ensino médio e na universidade”, disse ela.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Publicado originalmente em Folha.com | Tec | 30/09/2010 – 11h51

Era dos livros eletrônicos complica vida dos escritores


Sempre foi difícil para um autor estreante conseguir publicar numa grande editora. Mas a revolução digital tem tido um impacto exagerado na carreira dos escritores. Muitas edições digitais rendem menos para as editoras. E as grandes varejistas têm comprado menos títulos. O resultado é que as editoras que acalentaram gerações de escritores americanos passaram a fechar menos acordos com escritores estreantes. Da mesma maneira que a música barata na internet fez com que menos bandas conseguissem ganhar a vida fechando contratos com gravadoras, menos escritores conseguirão se sustentar, dizem editores e agentes. “Em termos de ganhar a vida como escritor, é melhor que você tenha outra fonte de renda“, diz Nan Talese. Em alguns casos, pequenas editoras estão fechando contratos com escritores promissores. Mas elas oferecem em média US$ 1 mil a US$ 5 mil de adiantamento, em comparação com US$ 50 mil a US$ 100 mil que as grandes editoras geralmente pagavam por um livro de estreia.

Valor Econômico | Por Jeffrey A. Trachtenberg | Publicado originalmente em The Wall Street Journal | 29/09/2010

Crianças não trocam livros impressos pelos digitais


Crianças entre 9 e 11 anos são mais propensas a se tornarem leitores habituais se os pais oferecem livros interessantes em casa e definirem limites de tempo para a tecnologia. Photo: Bronwyn Kidd

A maioria das crianças americanas não abriria mão dos livros tradicionais para ler seus conteúdos apenas em dispositivos digitais. É o que mostra um estudo da editora Scholastic, que publica os livros da série Harry Potter nos Estados Unidos.

O estudo mostra que muitas crianças querem, sim, ter acesso aos chamados e-books, mas, mesmo com o dispositivo, dois terços delas não pretendem abrir mão de seus livros tradicionais impressos. A pesquisa explorou as atitudes e comportamentos de pais e filhos sobre leitura não obrigatória na era digital. A Scholastic ouviu mais de 2.000 crianças entre 6 e 17 anos e seus pais.

Pais e educadores têm muito medo que diversões digitais, como vídeos e telefones celulares, tirem o tempo que as crianças dedicam à leitura. No entanto, veem potencial para usar a tecnologia a seu favor, introduzindo livros para crianças por meio de e-books, computadores e dispositivos digitais.

Cerca de 25% das crianças pesquisadas disseram que já haviam lido um livro em um dispositivo digital, incluindo computadores e e-books. Outros 57%, com idades entre 9 e 17 anos, disseram que estavam interessados em fazer a mesma coisa.

Apenas 6% dos pais pesquisados têm um e-book, mas 16% disseram que planejam comprar um no próximo ano. Já 83% dos pais disseram que iriam permitir ou incentivar os filhos a usar o e-book. Francis Alexander, o diretor acadêmico da Scholastic, tratou o relatório como “um chamado à ação“.

Não tinha ideia da rapidez com que as crianças abraçaram essa tecnologia“, disse Alexander, refererindo-se a computadores, e-books e outros dispositivos portáteis que servem para baixar livros. “É evidente que elas os veem como ferramentas para a leitura – não apenas para jogos e mensagens de texto.

Para Milton Chen, da Fundação Educacional George Lucas, o estudo mostrou que as crianças querem ler em novas plataformas digitais. “É o mesmo dispositivo usado para socialização e envio de mensagens e o contato com seus amigos pode ser usado para outras finalidades“, disse Chen. “Essa é a esperança.

Mas muitos pais entrevistados também expressaram preocupação com as distrações com videogames, celulares e televisão na vida dos filhos. Eles também se perguntam se o moderno adolescente multi-tarefas tem paciência de ficar absorto em um longo romance.

Minha filha não pode parar de trocar mensagens por tempo suficiente para se dedicar a um livro“, disse a mãe de uma garota de 15 anos do Texas. O estudo não tentou medir se os dispositivos digitais realmente roubam tempo de leitura.

A pesquisa também analisou as ações de pais e professores sobre os hábitos de leitura das crianças. Crianças entre 9 e 11 anos são mais propensas a se tornarem leitores habituais se os pais oferecem livros interessantes em casa e definirem limites de tempo para a tecnologia, como videogames, disse o estudo.

A pesquisa também sugere que muitas crianças apresentaram um alarmante nível elevado de confiança em informações disponíveis na internet: 39% das crianças entre 9 e 17 anos disseram que as informações que encontram on-line “são sempre corretas“.

Veja On Line | 29/09/2010 | Publicado originalmente em The New York Times

Frankfurt no bolso


Agora está mais fácil para os milhares de profissionais do mercado editorial que se encontram anualmente à beira do rio Main se locomover e acessar informações durante a Feira de Frankfurt. É que, assim como já fez em 2009, a organização do megaevento acaba de disponibilizar um aplicativo gratuito para iPhone com a edição de 2010. Com ele, é possível checar a programação, a localização de estandes e, literalmente, colocar a feira no bolso. Para baixar, é só acessar a loja do iTunes.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 29/09/2010 | A cobertura da Feira de Frankfurt pelo PublishNews tem o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Seminário da Singular discute self-publishing


A edição carioca do 1º Ciclo de Palestras sobre os Futuros do Livro, organizado pela Singular, braço digital do grupo Ediouro, aconteceu ontem [28], na Casa do Saber da capital fluminense. Ali, próximo à bela lagoa Rodrigo de Freitas, um grupo de 60 convidados ouviu as palestras do editor americano Mark Coker, da Smashwords, e de Luis Iglesias, executivo brasileiro da Hewlett-Packard. No final, uma mesa-redonda com Roberto Cassano [Agência Frog] e Ricardo Neves, autor de Ruptura, uma obra self-published. Os destaques ficaram para as falas de Coker e Neves. Ambos foram críticos ao modelo atual da indústria editorial de forte controle do que é ou não publicado, e defenderam o self-publishing – publicação independente pelo próprio autor – como uma alternativa importante para a democratização do acesso à publicação.

Acho que o modelo em que os editores decidem o que os leitores devem ler é errado“, afirmou Mark Coker, presidente da Smashwords, empresa norte-americana de self-publishing digital. Ele reconheceu, no entanto, a importância do editor, mas acha que as editoras estão cada vez se comportando menos como editoras. “Ao tentar minimizar os riscos, as editoras estão publicando menos, com preços mais caros e, no caso do livro digital, utilizando DRM”, afirmou. E na visão de Coker isto faz com as editoras sejam menos amigáveis aos leitores e se afastem de seu papel original. O editor da Califórnia considera isto perigoso e reconhece a importância dos editores. “Quando os editores começam a agir cada vez menos como editores, os autores começam a se perguntar porque precisam deles”.

Durante a mesa-redonda, foi o consultor Ricardo Neves quem teceu duras críticas aos editores. Com livros publicados pela Campus, Ediouro e Senac Rio, Neves decidiu lançar sua mais recente obra, Ruptura, por conta própria. “Não existe a promoção do autor nacional. O editor brasileiro quer ir para Frankfurt e encontrar o bilhete premiado”, afirmou o consultor, reclamando do trabalho das editoras brasileiras. “Falta às editoras a ousadia de fazer diferente”, complementou. Ao final de sua fala, questionado se sua crítica era ao momento editorial ou às editoras como um todo, explicou: “Minha colocação não foi algo ressentido contra as editoras. É minha forma apaixonada de falar.“. O livro Ruptura está sendo lançado este mês. Resta acompanhar como será seu desempenho quando comparado aos demais livros do autor.

Para Newton Neto, diretor da Singular, o self-publishing representa uma oportunidade e não uma ameaça às editoras tradicionais. “Com um projeto paralelo de self-publishing, as editoras não precisam dizer não a nenhum autor.”

Hoje [29] a rodada sobre o futuro do livro acontece em São Paulo. O encontro está marcado para às 14h, na Casa do Saber [Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – São Paulo/SP]

Programação

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso [apenas em SP]
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2010

Amazon libera acesso a Kindle pela web


Serviço na rede: estratégia para ampliar vendas

Ideia é que visitantes possam baixar o primeiro capítulo de e-books gratuitamente e sem a necessidade de adquirir o software de leitura.

A Amazon KindleAmazon pretende facilitar que amantes de livros tenham acesso ao primeiro capítulo das obras antes de decidirem comprá-la. O novo service introduzido em beta na última terça-feira [28/09] é chamado de Kindle para a Web e permite a leitura de qualquer texto, sem a necessidade de instalar o software do dispositivo.

A proposta é tornar o serviço disponível a outros dispositivos, incluindo iPhone, iPad e iPod Touch; além de smartphones baseados no sistema operacional Android, do Google.

Para utilizar a novidade, visitantes precisam clicar em “ler o primeiro capítulo gratuitamente’ na página de produtos. O texto será aberto na tela, com a possibilidade de alteração da cor, tamanho da letra e espaçamento entre linhas. Adicionalmente, as pessoas podem também partilhar conteúdo com outros por meio de Facebook, Twitter e e-mail.

Facilitação das vendas

A ideia por trás do Kindle pela Web é facilitar a venda de e-books pela Amazon. São oferecidos mais de 700 mil títulos, com cerca de 575 mil vendidos por até US$ 10.

O anúncio vem menos de uma semana depois de a Amazon atualizar o Kindle para aplicação Android application. O update adiciona um link à rede social de livros Shelfari, tornando possível ler comentários sobre a obra na comunidade.

Por Antone Gonsalves | InformationWeek EUA | 29/09/2010

Em tempo de e-book, livraria busca alternativa


Os livros eletrônicos batem a porta dos livreiros. O que fazer? Aguardar o que vai acontecer não é o feitio de livreiros, atuantes e dedicados. As Livrarias Loyola, localizadas na cidade de São Paulo/SP, enfrentam os novos e salutares desafios do setor com parcerias estratégicas, enriquecendo e atualizando seu acervo com livros de referência, conteúdo e qualidade universal.

Reconhecida, como uma livraria de ciências humanas, a Livraria fortalece sua parceria com a centenária e tradicional LEV – Libreria Editrice Vaticana, suas primeiras obras datam de 27 de abril de 1587 impressas na própria tipografia Vaticana, Em 1926 a livraria foi separada da tipografia passando a ser um organismo autônomo. Hoje a LEV é reconhecida mundialmente como L´ editrice ufficiale della Santa Sede, e a Loyola é sua representante exclusiva no Brasil.

É motivo de orgulho para nós da Loyola poder disponibilizar o catálogo da LEV por meio de uma livraria independente, há mais de 16 anos no mercado. Obras como a La Sacra Bibbia – Biblia na lingua Italiana da Conferencia episcopal Italiana – ou A Nova Biblia Vulgata – Bibliorum Sacrorum Editio- Editio Typica Altera ou mesmo o Missale Romanum Editio Typica, 1962 e o Granduale Romanum – livros de partituras – Cantos Gregorianos, e muitos outros livros sobre a história e documentos da igreja católica, todos em papel, agora estão a disposição dos estudiosos, pesquisadores, leitores e colecionadores brasileiros, via a Livrarias Loyola.”, destaca Rogério Reis Bispo – supervisor geral das Livrarias Loyola.

Só os livros podem difundir a riqueza da cultura do homem e só um canal importante, como a livraria, pode disponibilizar acervos tão ricos como o da LEV – Libreria Editrice Vaticana.”, finaliza Bispo.

MGA Comunicações | 29/09/2010

Superpedido Tecmedd compra parte da Xeriph


Maior distribuidora de livros impressos do Brasil passa agora a também distribuir e-books

O mercado brasileiro de livro digital dá mais um importante passo com o anúncio agora da venda de 20% da única distribuidora de livros digitais com capacidade operacional hoje no Brasil, a Xeriph, para a Superpedido Tecmedd, que é a maior distribuidora de livros impressos do país.

A Superpedido tem no catálogo 2.500 editoras e mil livrarias e vai agregar uma força comercial que nunca esperávamos ter”, disse Duda Ernanny, proprietário da Xeriph e da Gato Sabido, a primeira e-bookstore brasileira. De fato, a construção de um catálogo de livros eletrônicos, sobretudo de obras brasileiras, é o maior desafio para a consolidação desse mercado digital e o contato mais próximo entre a Xeriph e os clientes da Superpedido será imprescindível para aumentar a oferta de livros nacionais em formato digital.

Outra grande vantagem da parceria é para as pequenas e médias livrarias, que pelo alto investimento tardariam a vender livros digitais, ou nunca chegariam a fazê-lo. Com este novo negócio que nasce hoje, oferecer e-books aos clientes vai ser uma realidade. “Como temos uma participação muito boa e prestamos muitos serviços às livrarias, temos que ajudar as menores”, disse Gerson Ramos, diretor comercial da Superpedido. “A Xeriph está avançada na parte técnica. A Superpedido Tecmedd tem um bom relacionamento comercial com editoras e livrarias. Essa parceria vai ser fundamental para o futuro do livro digital no Brasil”, completou.

Como funciona a Xeriph

Conforme explicamos em matéria publicada no dia 22 de julho, o custo do serviço da Xeriph para livrarias é zero. Para as editoras há duas alíquotas diferenciadas. Se venderem para uma livraria que já tenha DRM proprietário, pagam 2% do preço de capa pelo serviço de distribuição. Quando a venda for para uma livraria que utilize o DRM da Xeriph, pagam 5%. Com o sistema, as editoras terão total controle do que foi vendido e poderão até fazer alterações no livro.

De maneira resumida, o processo funciona assim:

1. Editora – faz o upload automatizado dos seus e-books, sem interferência humana, direto no servidor da Xeriph, e preenche um cadastro completo [título, autor, tradutor, páginas, isbn, preço etc.]

2. Livraria – acessa o site da Xeriph [login e senha] e consulta os catálogos das editoras. Seleciona os títulos desejados. Faz requisição online automática, que é direcionada à editora

3. Editora – autoriza a livraria, que recebe e-mail informando o link para cada título solicitado. O link será acessado pelo comprador no momento do download

4. Consumidor – compra o livro normalmente na e-bookstore, usando todo o sistema de venda da loja. Ao clicar no link de download, acessa diretamente o servidor da Xeriph, que imediatamente contabiliza esse download em relatório que fica disponível para a editora e para a livraria. O servidor da Xeriph controla e audita todo o processo de download.

Em caso de inadimplência de uma livraria, a editora tem total controle sobre as autorizações e pode suspender o acesso imediatamente. Com isso, o e-book fica indisponível para venda até que a editora libere novamente.

Quando a editora desejar fazer qualquer tipo de atualização em algum e-book já publicado, basta atualizar o arquivo e logo em seguida todas as livrarias que tiverem acesso a esse livro receberão a informação da atualização, que também poderá ser repassada pela livraria àqueles que compraram tal livro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 28/09/2010

Amazon permite ler livros do Kindle no navegador


A Amazon lançou nesta terça-feira [28] a versão beta do Kindle for the Web, um serviço que permite a leitura de amostras de livros da plataforma Kindle diretamente a partir de um navegador, sem a necessidade de download ou instalação. Como ainda está em fase de testes, o serviço só permite visualizar algumas poucas obras.

Na página de determinados produtos no site da Amazon já aparece um botão com a inscrição “Read first chapter FREE” [“Leia o primeiro capítulo gratuitamente”], que leva ao Kindle for the Web. Na ferramenta é possível alterar o tamanho da fonte, o espaçamento das linhas, a largura da página e a cor do fundo. O usuário ainda tem a opção de compartilhar o livro via Facebook, Twitter ou e-mail e de incorporar o serviço em outros sites ou blogs.

Segundo a Amazon, blogueiros e administradores de sites que inserirem amostras de livros em suas páginas receberão comissões sobre as vendas de obras indicadas por eles. Para ter acesso ao sistema de remuneração, é preciso ser participante do Amazon Associates Program.

Além do serviço de amostra para a web, a plataforma de livros digitais Kindle conta com aplicativos de leitura para os aparelhos Kindle, iPad, iPod touch, iPhone, Mac, PC, BlackBerry e Android – e a empresa já anunciou a criação de um aplicativo para o BlackBerry Playbook. Atualmente, a Kindle Store conta com mais de 700 mil obras à venda, além de outros 1,8 milhões gratuitos.

A empresa promete futuramente otimizar o Kindle for the Web para navegadores móveis e para outros recursos. Mais informações sobre como acessar e incorporar o serviço em sites externos podem ser encontradas no site oficial.

Por Célio Yano | Exame.com | 28/09/2010

Amazon lançando loja de aplicativos Android? E mais um tablet?!


Rumores indicam que a empresa estaria desenvolvendo um tablet para competir com o iPad

O site TechCrunch fez circular o rumor pelas ondas cibernéticas: a Amazon estaria preparando uma loja de aplicativos baseada no Android e mais, estaria também preparando um tablet para competir com o iPad.

A questão é se as duas coisas se complementam, quer dizer, se o suposto tablet usaria o Android como sistema operacional. Existem rumores de movimentação por parte da Amazon no mundo do hardware para além do Kindle, segundo a notícia, mas é bom lembrar que o reader tem seu próprio SO e uma loja de aplicativos para o aparelho estaria em desenvolvimento. Desenvolver um tablet com outro sistema operacional seria uma jogada estranha, para dizer o mínimo.

Antes de ficar animado com a notícia saiba que, mesmo que tudo isso se confirme, o TechCrunch informa que a tal loja de aplicativos seria apenas para residentes nos EUA por causa da quantidade de restrições envolvidas no código do Android.

Por Leonardo Carvalho | MSN Tecnologia | 28/9/2010 12:48

Nanotecnologia


Nanobooks

Durante a reunião anual da American Physical Society [ APS ], em 29 de dezembro de 1959, no California Institute of Technology [ Caltech ] o renomado físico estadunidenses do século XX, um dos pioneiros da eletrodinâmica quântica, o Dr. Richard P. Feynman [ 1918-1988 ], imaginou a seguinte questão:

Por que não podemos escrever os 24 volumes inteiros da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete?”

Nessa sua palestra, “There’s Plenty of Room at the Bottom” [ “Há muito espaço na parte inferior”, em português ] cuja transcrição foi publicada originalmente, pela primeira vez, na edição de fevereiro de 1960 do Caltech’s Engineering and Science, o Nobel de Física Richard P. Feynman dizia o seguinte:

Enciclopédia Britânica

Vamos ver o que estaria envolvido nisso. A cabeça de um alfinete tem um dezesseis avos de polegada de largura. Se você aumentar seu diâmetro 25.000 vezes, a área da cabeça do alfinete será igual a área de todas as páginas da Enciclopédia Britânica. Assim, tudo o que se precisa fazer é reduzir 25.000 vezes em tamanho todo o texto da Enciclopédia. Isso é possível? O poder de resolução do olho é de cerca de 1/120 de uma polegada – aproximadamente, o diâmetro de um dos pequenos pontos em uma das boas e vetustas edições da Enciclopédia. Isto, quando você diminui em 25.000 vezes, ainda tem 80 angstroms de diâmetro – 32 átomos de largura, em um metal ordinário. Em outras palavras, um daqueles pontos ainda poderá conter em sua área 1.000 átomos. Assim, cada ponto pode ter seu tamanho facilmente ajustado segundo o requerido pela gravação, e não resta dúvida sobre se há espaço suficiente na cabeça de um alfinete para toda a Enciclopédia Britânica.

E, para provar que isso seria feito no futuro, o visionário Dr. Feynman propôs [ com direito a uma premiação ] o seguinte desafio:

Pretendo então oferecer um prêmio de US$ 1.000 para a primeira pessoa que possa pegar a informação na página de um livro e colocá-la em uma área 25.000 vezes menor, em escala linear, de tal forma que ela possa ser lida com um microscópio eletrônico.

Um estudante graduado na Stanford University, nos Estados Unidos, chamado Tom Newman, quis reivindicar o prêmio em 1986.

O principal problema de Newman, no entanto, era encontrar o texto depois que ele havia transcrito, na escala necessária, na cabeça de um alfinete, pois havia um enorme espaço vazio em comparação com o texto inscrito sobre ele.

Mas Newman cumpriu a exigência do Dr. Feynman ao reduzir a primeira página do livro “A Tale of Two Cities” [ Um Conto de Duas Cidades, em português ], de Charles Dickens, a nanodimensões, usando uma máquina de feixe de elétrons.

Nanocontos

Edson Rossatto

Edson Rossatto é um escritor brasileiro, nascido na cidade de São Paulo. É roteirista de Histórias em Quadrinhos e editor de uma jovem editora, a Andross. O seu mais novo projeto se chama “Cem Toques Cravados” [ @cemtoques ].

Cem Toques Cravados” são, ao mesmo tempo, histórias enormes, completas, fascinantes. São sagas inteiras dentro de apenas e exatos cem caracteres, cravados, contando os espaços.

Dr. Feynman, isso que é nanotecnologia!

Os nanocontos do Edson são tão leves que, por isso mesmo, conseguem trafegar nas mais remotas redes neurais. Podem muito bem trafegar via telegrafo, via telegrama, ondas de rádio, satélites. Eu acho até que poderiam ser duplicados em papel carbono, ou, sei lá, em papel estêncil usando mimeógrafos e… distribuídos nas escolas.

Antes de criar o projeto multimídia “Cem Toques Cravados”, Rossatto já havia se aventurado na literatura em miniatura através do ótimo “Curta-metragem – Antologia de microcontos”. Daí para a miniaturização ainda mais condensada de seus textos foi um segundo [ ou um nanossegundo? ].

O fato é que há outras inúmeras possibilidades para trafegar os nanocontos de Edson Rossato: tweet via smarphones, SMS, download via Bluetooth; Scraps via Orkut, Facebook, MySpace; mensagens curtas via BlackBerry, Internet e por aí vai. Porque não estampar os nanocontos naqueles sinalizadores eletrônicos nas ruas? Ou nos pontos de ônibus?

E os nanocontos são demais! Todos deveriam ler. Traz cenas inusitadas como essas:

Para alguns, era só uma alavanca que ligava eletricidade; para outros, era o acionamento da justiça.

Brava, a bibliotecária percebeu que foram arrancadas as últimas páginas do livro “História sem fim.

Juntou as mãos para rezar. Já era tempo de um ateu como ele tomar jeito. Esperava parar o terremoto.

Será que os nanocontos não poderiam também ser publicados nas páginas dos classificados dos jornais? Ou naqueles santinhos dos políticos, ou naquelas embalagens de caixa de fósforo, lambe-lambe, etiquetinhas de orelhões… Ou, quem sabe até na ponta de um alfinete?

Por Ednei Procópio

Digitalização de acervos


Preciosidades do acervo da Funarte agora disponíveis na internet

Nelson Rodrigues

Se o diálogo de Nelson Rodrigues se desencontrou em algum momento nos palcos, hoje, com grande parte do acervo fotográfico das peças do autor já digitalizada pelo Estúdio Foto Carlos, qualquer pessoa pode ver e rever grandes momentos, por meio da rede mundial de computadores.

E este acervo já digitalizado vai longe: ele ainda inclui Augusto Boal, Walter Pinto, o Projeto Pixinguinha, entre outras fotos da Coleção Foto Carlos. O universo digital, idealizado no ano de 2000 pela Fundação Nacional de Artes [Funarte], instituição vinculada ao Ministério da Cultura, possibilitou que em 2009 fosse lançado um projeto inovador, o Portal das Artes, viabilizado pelo projeto Brasil Memória das Artes, patrocinado pela Petrobras, Itaú Cultural e CSN.

O acervo do Centro de Documentação da Funarte preserva, por meio de fotos, vídeos e textos, momentos marcantes e históricos da trajetória das mais diversas expressões artísticas brasileiras, como teatro, dança, música, artes visuais, fotografia. Grande parte já está digitalizada e disponível na internet. “Inicialmente, o projeto enfrentou algumas dificuldades, já que as mídias digitais estão em constante atualização. Hoje, além do Portal, estamos no YouTube e no Twitter, e nossa intenção é trabalhar cada vez mais com outras mídias”, esclarece a coordenadora do Portal, a jornalista Ana Claudia Souza.  Segundo ela, o projeto representa a manutenção da memória cultural brasileira, que, ao articular-se com o presente, busca melhorar a comunicação da Funarte com o seu público, possibilitando o acesso de todos à arte.

O esforço em aproximar o acervo do público inclui destacar algumas peças importantes e propor uma abordagem específica. Ao comemorar 30 anos de morte do celebrado dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, a equipe do projeto trouxe textos, como uma pequena biografia do autor, fotos, além de vídeos produzidos pela própria Funarte. Entre as fotos, cenas de “Vestido de Noiva” [1965], um marco do moderno teatro brasileiro, uma carta-homenagem de Nelson Rodrigues para a atriz Thelma Reston, que estreou na peça “A Falecida”, em 1980, além de uma rara participação do dramaturgo, jornalista e ator na tragédia carioca por ele escrita, “Perdoa-me por traíres” [1957], ao lado Léa Garcia.

Projeto Pixinguinha

A coordenadora do Portal explica que “o projeto tenta olhar o acervo, criar conteúdos e reconhecer seu valor histórico”. A arte de Pixinguinha também está lá, com músicas que marcaram a história do flautista, saxofonista, compositor e mestre do choro. Composições preciosas da Música Popular Brasileira [MPB] apresentadas no Projeto Pixinguinha em shows de cantores como Djavan, Ivan Lins, Nara Leão, Marina Lima e muitos outros, também tiveram seus áudios registrados e estão no portal. No acervo do Projeto Pixinguinha, documentos e fotos importantes veiculadas em diversos jornais do país, que marcaram a luta democrática e o intercâmbio das diversas manifestações culturais nas várias regiões brasileiras.

O que fazemos é uma abordagem editorial do acervo, na medida em que selecionamos momentos marcantes da vida dos artistas e recriamos o conteúdo por meio de uma abordagem contextualizada com o presente”, enfatiza Ana Claudia. O acervo Foto Carlos é um dos mais importantes documentos do portal, já que representa a memória teatral do país dos anos 40 aos 70. Entre as peças registradas pelo fotógrafo Carlos Moskovics há, por exemplo, imagens do acervo pessoal de Maria Pompeu. A atriz, que completou 55 anos de carreira em 2010, também preserva uma memória riquíssima do teatro brasileiro. “Ela nos revelou que pretende doar todo seu acervo pessoal para a Funarte. Acredito que esta também é uma forma de preservar a memória cultural do país”, diz a coordenadora do portal.

No acervo digital há também a Série Depoimentos, com registros sonoros de Walter Pinto, que fala de sua trajetória como produtor e autor do teatro brasileiro. De contador profissional tornou-se administrador da Companhia Walter Pinto e revelou artistas como Dercy Gonçalves e Carmem Miranda.

No mesmo acervo existem, ainda, entrevistas com Tônia Carrero e Paulo Autran, que revelam suas histórias no teatro e na televisão e contam cenas importantes que marcaram a vida dos artistas. No acervo há revelações de Tônia sobre sua inimizade e disputa com Cacilda Becker, colega de profissão e ícone do teatro brasileiro.

Digitalização

O trabalho de digitalização iniciou-se sob a coordenação do Centro de Programas Integrados [CEPIN] da Funarte a partir de 2000. A coleção Foto Carlos foi uma das primeiras a ser digitalizada. O projeto ocorreu em duas fases. Na primeira, foram digitalizadas cerca de 20 mil fotos feitas por Carlos Moskovics. Em 2010, foi concluída a digitalização do acervo, que totaliza a impressionante marca de 40 mil registros do fotógrafo.

Já a digitalização do acervo sonoro começou por meio do Projeto Brasil Memória das Artes, com recursos da Petrobrás, em 2004. Várias temporadas do Projeto Pixinguinha, que marcou a música popular brasileira nos anos 70 e 80, serviram para a construção do acervo digital da Funarte. “Infelizmente, nem todo o acervo pode ser digitalizado, por questões administrativas e de gestão, ou devido às limitações da falta de autorização”, explica Ana Claudia. No entanto, a coordenadora revela que no início do projeto o acervo possuía apenas 36 áudios digitalizados e hoje já são 900, o que representa o entendimento dos intérpretes sobre a importância desse registro histórico. Segundo ela, em breve deverão entrar no ar mais documentos e registros do Acervo Walter Pinto.

Por Juliana Nepomuceno | Comunicação Social/MinC | 27/09/2010

Biblioteca Britânica coloca manuscritos gregos na internet


A Biblioteca Britânica, em Londres, colocou na internet mais de um quarto dos seus manuscritos gregos, totalizando 280 volumes, em mais um passo rumo à digitalização completa desses importantes documentos antigos.

Os manuscritos, disponibilizados gratuitamente no site www.bl.uk/manuscripts, são parte de uma das mais importantes coleções localizadas fora da Grécia para o estudo de mais de 2 mil anos de cultura helênica.

Biblioteca Britânica, em Londres, colocou na internet mais de um quarto dos seus manuscritos gregos

A biblioteca detém um total de mais de mil manuscritos gregos, mais de 3 mil papiros e uma abrangente coleção de impressos arcaicos gregos.

As informações ali presentes interessam a acadêmicos que trabalham com literatura, história, ciência, religião, filosofia e arte do Mediterrâneo Oriental durante os períodos clássico e bizantino.

Isso é exatamente o que todos esperávamos da nova tecnologia, mas raramente tínhamos“, disse Mary Beard, professora de cultura clássica da Universidade de Cambridge.

Isso abre um recurso precioso para qualquer um – do especialista ao curioso – em qualquer lugar do mundo, gratuitamente.

Entre os destaques do acervo digitalizado estão os Salmos de Theodore, altamente ilustrados, produzidos em Constantinopla em 1066, e as fábulas de Babrius, descobertas em 1842 no monte Atos, que contêm 123 fábulas de Esopo corrigidas pelo grande acadêmico bizantino Demetrius Triclinius.

A iniciativa, financiada pela Fundação Stavros Niarchos, se soma a outros projetos da biblioteca para ampliar a divulgação de documentos antigos, frágeis e raros.

Outros projetos digitais incluem um caderno de Leonardo da Vinci, do século 16, e o Codex Sinaiticus, do século 4., contendo a mais antiga cópia completa do Novo Testamento.

Reportagem de  Mike Collett-White | Reuters Life! | LONDRES | Segunda-feira, 27 de setembro de 2010 10:54 | © Thomson Reuters 2010 All rights reserved.

Amazon planeja abrir Kindle para o formato ePub?


Parece que, finalmente, a Amazon está começando a incorporar o padrão para publicações eletrônicas, o ePub, dentro do formato de container deles, talvez isso signifique alguma migração de formato no futuro.

Essa mudança toda parece ocorrer num momento em que a equipe do Kindle não dára mais suporte ao KindleGen para o Linux 2.4. A equipe Kindle, a partir do dia 30 de setembro de 2010, estará incentivando todos os programadores KindleGen a atualizar o kernel para a versão Linux 2.6 ou superior.

O aplicativo KindleGen é uma uma ferramenta de linha de comando usada para criar livros eletrônicos que podem ser comercializados através da plataforma da Amazon Kindle.

Esta ferramenta é usada por  editores e autores que estão familiarizados com a linguagem HTML e querem converter seus códigos [HTML, XHTML, XML, OPF ou ePub] para o formato do Kindle [AZW].

Com isso, parece que a Amazon já está planejando, com antecedência, uma transição. Na verdade, seria talvez mais correto dizer que eles estão dando uma opção de transição.

Hoje, o KindleGen suporta imagens em tamanhos maiores, bem como as tags de áudio e vídeo para conteúdos embutidos. Só não é possível assegurar quando é que o Kindle irá efetivamente rodar vídeos, uma vez que a Amazon já disse que continuará, pelo menos por enquanto, a utilizar a tecnologia E-ink nas telas do seu produto. E o E-ink não suporta, ainda, a transmissão de vídeo, embora o Kindle rode arquivos em formato áudio.

O KindleGen pode ser baixado gratuitamente a partir do site da página “Amazon Kindle’s Publishing Program“.

Por Ednei Procópio

Livro eletrônico atormenta o mercado editorial francês


Durante 30 anos, a livraria da família de Thierry Meaudre foi protegida da concorrência das grandes varejistas por uma lei que proíbe grandes descontos na venda de livros. Agora ele espera que o governo francês também o proteja de uma nova ameaça: o livro eletrônico. Enquanto as pequenas livrarias e editoras ficam à mercê do mercado em muitos países, o setor é protegido em boa parte da Europa.

O Reino Unido é a única grande economia europeia que permite aos varejistas dar o desconto que quiserem, diz Anne Bergman-Tahon, diretora da Federação de Editoras Europeias. Uma lei francesa de 1981 proíbe a venda de livros com desconto maior que 5% do preço de capa, uma iniciativa para proteger as pequenas livrarias das parcas margens de lucro que as grandes redes podem absorver quando oferecem enormes descontos. Mas os livros eletrônicos, que não são cobertos pela lei de 1981, geralmente são vendidos por 25% a menos que as obras impressas.

Valor Econômico | Por Max Colchester | Publicado originalmente em The Wall Street Journal | 24/09/2010

Fundador da Smashwords faz palestras no Brasil


Mark Coker, o fundador da Smashwords, estará no Brasil na semana que vem para duas palestras – uma no Rio [28] e outra em São Paulo [29] – e para acertar os últimos detalhes da parceria para e-books e impressão sob demanda entre a sua empresa e a Singular, braço digital da Ediouro.

A Smashwords está mexendo com o mercado americano ao publicar, sem burocracia, livros digitais de autores independentes. Até agora, já foram mais de 20 mil. “Estou indo ao Brasil para aprender sobre o mercado editorial brasileiro e para ajudar autores e editores a publicar e-books”, disse Coker.

Além da palestra do maior nome do segmento self publishing da atualidade, intitulada “Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição”, Luis Umani Iglesias, diretor de divisão Indigo Brasil da HP, também fala neste encontro organizado pela Singular. Seu tema será “A impressão digital e o futuro”. Na sequência, uma mesa vai reunir profissioanais e um autor que já estão lidando com livros digitais.

O evento é fechado, mas o PublishNews tem 8 ingressos para cada um dos encontros. Para concorrer, basta mandar um e-mail para promocao@publishnews.com.br respondendo, em até três linhas, a pergunta “O que não pode faltar em um livro digital?” Os autores das melhores respostas ganham o ingresso. Não se esqueça de informar o nome, endereço completo e telefone. A promoção se encerra ao meio-dia da próxima segunda-feira [27].

1º ciclo de palestras sobre os vários futuros do livro

Rio de Janeiro– 28 de setembro
Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Lagoa – Rio de Janeiro/RJ

São Paulo – 29 de setembro
Casa do Saber
Rua Doutor Mario Ferraz, 414 – Jardins – São Paulo/SP

14h – Como os livros independentes vão transformar o futuro da edição
Mark Coker, CEO e fundador da Smashwords

15h – A impressão digital e o futuro do livro
Luis Umani Iglesias
Diretor de divisão Indigo Brasil da HP

16h – Mesa: Os vários futuros do livro
Cezar Taurion
Gerente de Novas Tecnologias da IBM Brasil

Claudio Soares
E-publisher da Singular Digital

Ricardo Neves
Consultor e autor do livro Ruptura

Lula Vieira
Diretor de Marketing da Ediouro

Roberto Cassano
Diretor de Estratégia da Frog

Rodrigo Velloso (apenas em SP)
Google

Mark Coker

Luis Iglesias

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 24/09/2010

Fliporto celebra cultura digital


Arte, ciência e tecnologia marcam a quarta edição do polo virtual da Festa Literária Internacional de Pernambuco

Pioneirismo, interatividade e democratização no acesso ao meio virtual. Com este propósito, nasceu, em 2006, a Fliporto Digital, este ano instalada na Biblioteca Pública de Olinda. De 12 a 15 de novembro, promovida pela VI Festa Literária Internacional de Pernambuco [Fliporto], Olinda irá abrigar o polo tecnológico da Fliporto. O objetivo é divulgar e valorizar obras literárias, seus escritores virtuais e demais interessados no ramo digital. A abertura do quarta edição da Fliporto Digital será feita pelo curador da Fliporto, o escritor Antônio Campos, com a exposição virtual e interativa “Olinda, Traços do Passado, Cores do Presente”.

De acordo com a professora de Literatura Brasileira e coordenadora da Fliporto Digital, Cláudia Cordeiro, o polo possui um diferencial em relação a outros eventos da mesma área. “Não se trata de tecnologia só por tecnologia. É o uso dela em apoio à arte, em especial à arte literária. A partir das oficinas oferecidas na Fliporto Digital, vamos possibilitar que os escritores virtuais possam editar e comercializar seus e-books. O conhecimento oferecido por este polo não é só abstrato, é algo que pode ser utilizado na prática”, explicou a coordenadora.

Esta edição irá trazer duas oficinas de WEB 2.0, sendo uma direcionada para escritores virtuais, que desejam editar e comercializar seus e-books, e a outra voltada para a edição de vídeos. A abertura das palestras que acontecerão durante a Festa serão feitas pelo cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife [C.E.S.A.R], Silvio Meira, com a exposição sobre “Mídia Social”. Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, o escritor Antônio Miranda será o mediador, falando sobre “Direitos Autorais e Internet”.

No penúltimo dia de palestras, será a vez da jornalista Silvia Valadares, que irá expor as problemáticas e benefícios da junção entre “Jornalismo e Internet”. Por fim, o especialista em Tecnologia da Informação [TI], Manoel Veras, encerrará o ciclo de palestras da Fliporto Digital com a exposição sobre “Tecnologia e Comunicação”. Para democratizar o acesso ao conteúdo e divulgar as ações promovidas pela Festa, a Fliporto Digital fará a transmissão, ao vivo, da programação literária e suas videoconferências.

Interatividade – Este ano, a Fliporto Digital contará com dois espaços direcionados para exposições interativas. Em um deles, será possível folhear, virtualmente, e-books. No outro, haverá exibição de fotos da cidade de Olinda feita a partir de um computador HP touch, que possibilita a interação com o meio virtual através do toque e projeta, em telões, as imagens selecionadas pelo contato manual. Os e-books disponíveis durante o evento serão “Os cem melhores do TOC140”, de Clarice Lispector, “Uma geografia fundadora”, do curador Antônio Campos, e “Pernambuco, Terra da Poesia”, escrito por Antônio Campos e Cláudia Cordeiro.

Democratização – Grandes nomes da arte, ciência e tecnologia irão dividir seus conhecimentos com o público da Fliporto através de palestras e oficinas. Entre os palestrantes, Antônio Miranda, Sílvio Meira, Manoel Veras e Silvia Valadares. Os participantes do evento também poderão participar das oficinas WEB 2.0 e a WEB 2.0 para escritores, ministradas por Lídia Freitas e Izabel Grizzi, diretoras do setor técnico da Microsoft em Pernambuco. Serão duas turmas, com 15 alunos, cada, para as oficinas.

Pioneirismo – O estande do Mix Leitor D será o local da Festa onde os antenados em tecnologia poderão conhecer o primeiro leitor eletrônico nacional de livros. Ele ficará disponível ao público durante os quatro dias da Fliporto no mesmo ambiente do polo tecnológico. As transmissões, ao vivo, da Festa e as inscrições gratuitas para a oficina WEB 2.0 serão feitas pelo http://www.fliporto.net. A oficina é voltada para interessados no mundo tecnológico e escritores virtuais.

Serviço
Biblioteca Pública de Olinda
Av. Liberdade, 100 – Carmo
Fone: +55 81 3305-1157

Olinda Digital
Rua Manuel Borba, 270 – Umurama
Fone: +55 81 2128-3800

Fliporto Digital

Curso virtual para livreiros


O Centro Regional para Fomento do Livro na América Latina e Caribe [Cerlalc] realiza, de 4/10 a 19/11, o curso “A livraria como espaço cultural”, com objetivo de fortalecer esse mercado, aumentando o público leitor e, com isso, impulsionar as vendas. O curso não tem restrição de horário, já que será totalmente virtual. Basta dedicar duas horas diárias, ou dez horas semanais, de acordo com a possibilidade de cada participante.
As inscrições vão até 28/9. Para saber mais, acesse aqui.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | 24/09/2010

Leitores eletrônicos ganham ímpeto e estimulam vendas


Os leitores eletrônicos dispararam em popularidade nos últimos anos, e continuarão a ganhar ímpeto entre os norte-americanos, mas talvez se mantenham como um nicho ocupado principalmente por bibliófilos dedicados.

Cerca de oito por cento dos leitores dos Estados Unidos empregam leitores eletrônicos. Mas uma pesquisa da Harris Interactive divulgada na quarta-feira demonstrou que cerca de 12 por cento dos norte-americanos disseram que era provável que obtivessem um aparelho desse tipo nos próximos seis meses.

Com a expectativa de que continue a alta nas vendas dos leitores eletrônicos, e com a chegada de novos modelos, é inevitável que os hábitos de leitura dos norte-americanos mudem,” afirmou a Harris em comunicado.

A pesquisa envolvendo 2.775 adultos norte-americanos demonstrou que entre os proprietários de leitores eletrônicos a probabilidade de compra de livros é muito maior do que entre os demais entrevistados.

Cerca de um quinto dos usuários de leitores eletrônicos adquiriram 21 ou mais livros nos últimos 12 meses, uma média bem superior aos 12 por cento de consumidores comuns que compraram em ritmo semelhante. Os livros eletrônicos hoje respondem por três por cento das vendas de livros, mas os analistas antecipam que essa proporção venha a se quadruplicar até 2015.

De acordo com a consultoria Forrester Research, o Kindle, da Amazon.com, lançado em 2007, já vendeu mais de cinco milhões de unidades, enquanto a maior cadeia de livrarias norte-americana, a Barnes & Noble, vendeu cerca de um milhão de leitores eletrônicos Nook desde que o modelo foi lançado no ano passado.

Outros aparelhos bem vendidos são o Sony Reader e o computador tablet Apple iPad, que funciona como leitor eletrônico.

Amazon, Barnes & Noble, Apple e o Borders Group, que não fabrica leitores eletrônicos mas os vende, estão envolvidos em uma guerra pelo crescente mercado de livros eletrônicos, e os aparelhos são parte crucial de sua estratégia.

Apesar de toda sua popularidade, os leitores eletrônicos parecem destinados a se manter populares principalmente entre os bibliófilos mais ávidos. Cerca de 60 por cento dos norte-americanos entrevistados na pesquisa disseram que não era provável que adquirissem um leitor eletrônico nos próximos meses.

Por Phil Wahba | Publicado originalmente por Reuters Life! | © Thomson Reuters 2010 All rights reserved | Quarta-feira, 22 de setembro de 2010 16:20 |

TOC140 já escolheu seus poemas


O concurso de poesia pelo Twitter da Fliporto, o TOC140, já escolheu os 100 classificados que serão publicados na coletânea Os cem melhores poemas do TOC140. Entre eles, 10 serão submetidos à votação on-line, que começará em 28 de setembro, classificando os vencedores. Os autores dos três textos mais votados receberão respectivamente R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1 mil, bem como livre acesso a toda a programação da Fliporto 2010, que será realizada em Olinda de 12 a 15 de novembro. Para ler os “twit-poemas”, clique aqui.

PublishNews | 22/09/2010

Olinda recebe a Fliporto Digital


Dentro da programação da sexta edição da VI Festa Literária de Pernambuco, os visitantes poderão entrar em contato com o que há de mais moderno no quesito comunicação digital com a Fliporto Digital que tem como gestor o advogado, escritor e curador da Fliporto, Antônio Campos, coordenação de Cláudia Cordeiro e apoio do MIC Pernambuco. Em sua quarta edição, o evento será sediado na Biblioteca Pública de Olinda, em frente ao pátio do Carmo, onde será realizado o Congresso Literário, com o objetivo de valorizar obras literárias e seus escritores com o que há de mais moderno quando o assunto é tecnologia.

O apoio à leitura no meio digital, feita através de dispositivos como e-books e e-readers, também é o foco da quarta edição da Fliporto Digital e, por isso, o polo tecnológico irá premiar os talentos que divulgam suas obras no meio virtual. O Prêmio TOC140 Poesia no Twitter, criado por Antônio Campos, merecerá uma seleção dos “100 melhores do TOC140” em livro, além dos prêmios em dinheiro. E serão exibidas as edições vencedoras dos quatro anos do Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo.

Democratização

Para democratizar o acesso ao conteúdo e divulgar as ações promovidas pela Festa, a Fliporto Digital fará a transmissão ao vivo da programação literária e de suas videoconferências, além de flashs de todas as atividades que serão divulgadas por videocast.
Com o apoio do MIC Pernambuco que vem desenvolvendo, especialmente para a Fliporto, ferramentas e recursos dirigidos para escritores, a Fliporto Digital amplia e verticaliza suas ações para a inclusão digital e promove uma imersão bem maior nas atividades da Festa e seus objetivos: o diálogo e o congraçamento entre culturas e povos, através da Arte Literária.
Serão oferecidas duas oficinas WEB 2.0, uma delas especialmente para escritores, mas ambas voltadas para a produção, divulgação e comercialização da produção literária no meio virtual.
A WEB 2.0 para escritores, com imersão de 8 horas, em um único dia, objetiva tornar o escritor seu próprio editor e dono de sua própria livraria, num espaço virtual onde poderá editar, divulgar e comercializar seus e-books sem intermediários.

Grandes nomes da arte, ciência e tecnologia irão dividir seus conhecimentos com o público através de palestras transmitidas ao vivo e oficinas. Entre os palestrantes, Sílvio Meira, Diego Mello, Antônio Miranda, Sílvia Valadares e Manoel Veras.

Pioneirismo

No estande do Mix Leitor D, os visitantes poderão conhecer o primeiro leitor digital com tecnologia 100% nacional, um dispositivo compacto que permite, entre as suas múltiplas funções, leitura de e-books e o acesso à internet, graças a um browser interno que se conecta a um modem 3G incluso no aparelho.

Interatividade

Este ano, a Fliporto Digital contará com dois espaços direcionados para exposições interativas. Em um deles, será possível folhear, virtualmente, e-books. No outro, a exposição “Olinda, traços do passado, cores do presente” , baseada em imagens e textos do livro de Edvaldo Alérgo. É uma homenagem à Cidade Patrimônio Histórico da Humanidade retratada em desenhos de diversos artistas, entre eles Manoel Bandeira, e fotos atuais de Marcus Padro. Um verdadeiro inventário histórico e artístico de Olinda. A partir do método touch, que possibilita a interação com o meio virtual através do toque, as imagens acionadas no HP Toutch pelos visitantes serão automaticamente ampliadas e exibidas em telão.

Ascom | 22/09/2010

Modelo de agência balançou venda de e-books


As vendas de e-books nos Estados Unidos no mês de julho aumentaram 250% em relação ao mesmo período de 2009, com vendas resultando em US$ 40,8 milhões neste ano contra US$ 16,3 milhões no ano anterior.

Os dados revertem a pequena queda sentida no segundo trimestre, quando, de acordo com o site e-reads.com, “os compradores responderam negativamente ao aumento dos preços criados pelo novo modelo de agência, como o da Apple”. “Aparentemente os consumidores se adaptaram, embora nunca saibamos qual seria o resultado se os preços ainda fossem US$ 9,99”, concluiu.

The Bookseller | 21/09/2010

Internet obriga a pensar de forma ligeira e utilitária, diz jornalista


Nicholas Carr

Nicholas Carr cutucou a onça da internet com um argumento longo e bem-desenvolvido no livro “The Shallows What the Internet is Doing to Our Brains” [que poderia ser traduzido como “No Raso O que a Internet Está Fazendo como Nossos Cérebros” e será lançado no Brasil pela Agir]. Em poucas palavras, a facilidade para achar coisas novas na rede e se distrair com elas estaria nos tornando estúpidos.

Era o que estava implícito no título de um artigo de Carr em 2008 [ele prefere o qualificativo de “superficiais”] que deu origem a uma controvérsia acesa. E, também, ao livro, que já vendeu mais de 40 mil cópias nos Estados Unidos e está sendo traduzido em 15 línguas.

Carr recusa a pecha de alarmista, mas sua preocupação com os efeitos não pretendidos das “tecnologias de tela” é tanta que ele recomenda a restrição do acesso de alunos à internet nas escolas. Não descarta que a rede possa evoluir para a veiculação de ideias menos superficiais, mas tampouco vê indícios de que irá nessa direção.

“A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários”, lamenta o jornalista. Ele já foi assinante de Facebook e Twitter, mas abandonou esses serviços para manter a concentração e a capacidade de refletir em profundidade.

Leia abaixo trechos da entrevista telefônica dada por Carr da casa de parentes em Evergreen, Colorado, onde se refugiou depois de evacuado em consequência de incêndios florestais que se aproximavam de sua casa nas montanhas Rochosas.

FOLHA – Seu livro, “The Shallows”, deplora a internet como ameaça à mente formada pela invenção de Gutenberg, que nos deu o Renascimento, o Iluminismo, a Revolução Industrial e o Modernismo. Mas a invenção de Gutenberg também não destruiu a mente e a filosofia medievais, assim como toda a cultura clássica greco-romana? Ou seria mais preciso dizer que ambas as invenções amplificaram e continuaram a cultura do passado?
NICHOLAS CARR – Toda tecnologia de comunicação e escrita traz mudanças. Perdemos coisas do passado e ganhamos outras coisas novas. Isso é verdadeiro mesmo para o período anterior a Gutenberg, com a invenção do alfabeto, pela maneira como alterou a memória humana e nos deu maior capacidade de intercambiar informação. A internet, assim como tecnologias anteriores, amplifica certos modos de pensar e certos aspectos da mente intelectual, mas também, ao longo do caminho, sacrifica outras coisas importantes.

FOLHA – Uma espada de dois gumes, por assim dizer.
CARR – Sim.

FOLHA – Se a leitura e a reflexão profundas estão em risco, como explicar o sucesso de coisas como o Kindle e mesmo de seu livro?
CARR – As coisas não mudam de imediato. Há ainda um grande número de pessoas que leem livros. O número ao menos dos que leem livros sérios vem caindo há um bom tempo, mas haverá pessoas lendo livros por muito tempo no futuro. Meu argumento é que essa prática está se mudando do centro da cultura para a periferia, e as pessoas começam a usar a tela como sua ferramenta principal de leitura, não a página impressa. Acho também que, à medida que mudamos para dispositivos como Kindle ou iPad para ler livros, mudamos nossa maneira de ler, perdemos algumas das qualidades de imersão da leitura.

FOLHA – Mas as pessoas não os usam para navegar, leem como se fossem de fato livros.
CARR – O Kindle se sai bastante bem na tarefa de reproduzir a página impressa. O que sabemos sobre o futuro desses aparelhos é que as companhias que os fazem tendem a competir com base nas novas funções que lhes acrescentarem. A questão é saber se os leitores eletrônicos, ao competir, vão manter a competência da página impressa, ou se vão começar a incorporar novas funções baseadas na internet, redes sociais, sistemas de mensagens e outras ferramentas. Mesmo com o Kindle já vemos a tendência a incorporar novas funções, como as de redes sociais. Infelizmente, o efeito das novas funções será acrescentar mais distrações à experiência de ler.

FOLHA – O que pode ser feito em termos práticos e individuais para resistir a essa tendência_ reservar algumas horas no dia ou na semana para permanecer desconectado? É o que o Sr. faz nas montanhas do Colorado?
CARR – [Risos] Não escrevi o livro para ser do tipo de autoajuda. A mudança que estamos vendo faz parte de uma tendência de longo prazo, na qual a sociedade põe ênfase no pensamento para a solução rápida de problemas, tipos utilitários de pensamento que envolvem encontrar informação precisa rapidamente, distanciando-se de formas mais solitárias, contemplativas e concentradas. Por outro lado, como indivíduos, nós temos escolha. Mesmo que a desconexão se torne mais e mais difícil, pois a expectativa de que permaneçamos conectados está embutida na nossa vida profissional e cada vez mais na visa social, a maneira de manter o modo mais contemplativo de pensamento é desconectar-se por um tempo substancial, reduzindo nossa dependência em relação às tecnologias de tela e exercendo nossa capacidade de prestar atenção profundamente em uma única coisa.

FOLHA – Seu livro lembra o filme Fahrenheit 451 [1966], de François Truffaut, baseado em romance de Ray Bradbury em que as pessoas decoravam livros para impedir que todos fossem destruídos. O Sr. acredita que essa seja a mensagem mais comum extraída dele, a importância de permanecer desconectado para preservar algo que não se deve perder?
CARR – Sim, e fico mesmo gratificado com isso. Muitas pessoas que o leram reagiram dessa maneira. O valor do livro para elas, pessoalmente, foi confirmar algo que talvez não tivessem percebido claramente antes, que estão de fato perdendo essa habilidade de ler e pensar em profundidade. Estão questionando sua dependência da nova tecnologia digital e, em alguns casos, tentam moderar o uso das engenhocas e retornar à leitura de material impresso, reservando tempo para contemplação, reflexão e meditação, modos mais solitários e calmos de pensar.

FOLHA – As escolas deveriam restringir o uso de computadores e internet pelos alunos, em lugar de se lançar de cabeça na tecnologia?
CARR – Sim. Nos Estados Unidos tem havido uma corrida para considerar que computadores na escola são sempre uma coisa boa, até mesmo uma confusão da qualidade do ensino com o tempo que os alunos passam conectados. É um erro. Certamente os computadores e a internet têm um papel importante a desempenhar na educação, e as crianças precisam aprender competências computacionais, a usar a internet de maneira eficaz. Mas as escolas precisam perceber que essa é uma maneira de pensar diferente de ler um livro. É preciso dar tempo e ênfase, no ensino, para desenvolver a capacidade de prestar atenção em uma única coisa, em vez de mover sua atenção entre diversas coisas. Isso é essencial para certos tipos de pensamento crítico e conceitual.

FOLHA – O sr. tem um blog que as pessoas podem acompanhar por assinaturas RSS, uma página pessoal, outra para o livro, mas não tem Twitter. É um limiar que não se dispõe a cruzar?
CARR – Eu já tive conta no Twitter um par de anos atrás, e também no Facebook. Na medida em que me dei conta de que minha vida intelectual estava mais e mais envolta pela internet, decidi sair. Acho que esses serviços, mesmo que sejam obviamente úteis para as pessoas, são também os que mais distraem, constantemente nos interrompendo com pequenas mensagens. Foi aí que eu tracei a fronteira, mesmo que eu perca algo por não estar no Facebook ou Twitter. As interrupções são um preço alto demais a pagar.

FOLHA – O sr. consideraria a internet responsável pela epidemia de casos de transtorno deficit de atenção e hiperatividade [TDAH], ou atribui isso à medicalização de comportamentos pela grande indústria farmacêutica para vender remédios domesticadores?
CARR – Preciso ser cuidadoso com a resposta, porque não tenho certeza de que a ciência sobre isso seja definitiva, ainda. Há indicações de que as tecnologias que as crianças usam, de videogames a Facebook, possam contribuir para TDAH. É algo que precisa ser mais estudado. Para os pais que estejam preocupados com a capacidade de seus filhos de manter a atenção, poderia ser apropriado restringir as tecnologias.

FOLHA – A TV e o rock também já foram acusados no passado como ameaças aos intelectos jovens, mas não há carência de novos escritores e artistas. Será que não temos uma tendência para ser alarmistas?
CARR – Sempre que uma tecnologia nova e popular aparece, há pessoas que adotam uma visão exageradamente otimista, de uma utopia social, e pessoas que adotam uma visão exageradamente negativa, de que ela vai destruir a civilização. No livro tento não adotar uma visão unilateral da tecnologia, porque acho que ela tem muitas coisas boas, do acesso mais fácil a informação até novas ferramentas para autoexpressão. De certo modo, os jovens se encontram na melhor posição para resistir a essa tendência e serem literários, artísticos. Meu temor é que, na medida em que empurramos celulares, smartphones e computadores para as crianças em idades cada vez mais precoces, elas não venham a desenvolver as habilidades mentais mais contemplativas e atentas. Isso seria uma grande perda para a cultura, pois a expressão artística requer reflexão mais calma, tranquila, introspectiva. Se as crianças perderem isso, veremos uma diminuição nas realizações culturais e artísticas.

FOLHA – Algumas pessoas discordam, como o psicólogo evolucionista Steven Pinker, de Harvard, e acham que é alarmismo.
CARR – Pinker escreveu um artigo para o jornal “The New York Times” no qual não mencionou diretamente meu livro, mas não estou certo de que ele tenha um argumento persuasivo, para ser franco. Há quem pense que não é importante ou preocupante perdermos formas mais contemplativas de pensamento. Acreditam que nosso futuro está na troca rápida de mensagens e no processamento acelerado de informações. As pessoas valorizam aspectos diferentes da cultura e da vida intelectual. Não espero que todos concordem comigo.

FOLHA – Há um artigo seu na edição da revista “Nieman Reports” sobre o tema que traz também uma entrevista com o neurocientista Marcel Just, em que ele defende as novas tecnologias como mais adequadas para cérebros que evoluíram para ver e não tanto para ler. Ele diz: “É inevitável que as mídias visuais se tornem mais importantes para transmitir ideias, e não só para inflamar”. O sr. concorda?
CARR – É uma afirmação no estilo de Marshall McLuhan, de que nos afastaremos do texto em direção ao vídeo e ao áudio. Não discordo disso como observação de uma tendência geral. O que me interessa mais é o que perdemos e ganhamos com essa transição.

FOLHA – Se entendo bem o que diz Just, ele defende que meios visuais também podem veicular ideias, ou seja, pensamentos mais profundos.
CARR – Com certeza eu já assisti bons filmes e tive experiências e reflexões profundas com eles. Há muitas maneiras de pensar com profundidade e atenção, e é certo que se pode fazer isso indo ao cinema, por exemplo. Infelizmente a internet, quando nos oferece vídeos e áudios, raramente o faz com vistas a uma imersão, pois eles vêm sempre acompanhados de distrações e interrupções, quando se está olhando para uma tela de computador ou smartphone.

FOLHA – Mas é concebível que a internet possa mover-se numa direção que combine os poderes da informação visual com os do texto para promover pensamentos em profundidade?
CARR – Tudo é possível, mas cada tecnologia que usamos para fins intelectuais tem certos efeitos e reflete um conjunto particular de premissas sobre como devemos pensar. A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários, voltados para a solução de problemas, que encoraja as multitarefas e a rápida transmissão ou recepção de migalhas de informação. A tecnologia pode mudar rapidamente, mas não vejo razão para pensar que vá [noutra direção].

FOLHA – Um argumento central no seu livro se baseia na plasticidade do cérebro humano, mas isso é algo que afeta o cérebro individual, quando seu argumento diz respeito a uma mudança na cultura, na civilização. Isso não envolve um tipo de raciocínio lamarckista, de que alterações em cérebros individuais conduzam a uma mudança na cultura da espécie?
CARR – Bem, se nossos cérebros individuais estão mudando e mudando a ênfase de pensamento, isso terá efeitos culturais e sociais. Minha questão é que as mudanças individuais que vêm do uso da tecnologia que se espalha pela sociedade, na medida em que a sociedade se modifica para pôr mais ênfase na tecnologia e na medida em que as transmitimos para nossos filhos, treinando-os para usá-las desde a infância… essa é a trilha pela qual mudanças individuais se tornam mudanças sociais e culturais. Seu modo de pensar se torna central para a sociedade.

FOLHA – Bem, nós podemos estar nos tornando mais estúpidos por causa do Google, como dizia o título de seu artigo de 2008 na revista “The Atlantic”, mas isso não quer dizer necessariamente que nossos filhos nascerão mais estúpidos.
CARR – Certamente. Mas eu não usei a palavra “estúpidos”; “superficiais” seria uma palavra mais adequada. Não fui eu quem fez o título [risos]. Está óbvio nesta altura que nossas vidas mentais refletem uma combinação de herança genética com o modo como fomos criados para usar nossas mentes. Não acho que a tecnologia tenha um efeito que se transmita aos genes, seria preciso muito mais tempo para isso. Mas sabemos que a mente é muito adaptável, especialmente quando jovem, e quando transmitimos ferramentas também influenciamos a maneira como o cérebro se adapta.

FOLHA – Se jornais impressos de fato um dia forem extintos, como um jornal na internet deveria ser escrito para promover leitura e reflexão aprofundada? Conter menos ou nenhum hyperlink, ou ter blocos de texto que possam ser lidos em 27 segundos e sejam interessantes o suficiente para levar o leitor a prosseguir para o próximo bloco?
CARR – [Risos] As experiências que os jornais estão começando a fazer, como apresentar seu conteúdo digital por meio de várias aplicações [“apps”], pode ser o caminho do futuro. Não simplesmente publicar um sítio na rede que seja uma maçaroca de links, manchetes e migalhas, mas criar uma experiência de leitura por meio de aplicações que reflitam a experiência de leitura do impresso, mais focalizada em encorajar a leitura aprofundada do que na coleta apressada de páginas e muitos pedaços de informação. Mas não sabemos se isso será popular.

Por Marcelo Leite | Folha de S.Paulo | 20/09/2010

Hay House vai construir comunidade com novo site


A editora de “corpo, mente, espírito e autoajuda”, Hay House do Reino Unido substituiu seu site antigo. Visitantes terão agora acesso a uma gama de conteúdo grátis, incluindo a Hay House Radio, uma mensagem diária da fundadora Louise Hay e links para o You Tube. No futuro, a Hay House pretende vender e-books, construir comunidades on-line para os principais autores, transmitir conferências e eventos e disponibilizar vídeos para download.

The Bookseller | 20/09/2010 | Anna Coatman

Navegando e naufragando


Fernando Foster, 49, vende enciclopédias da Barsa há 30 anos. Seu modo de trabalhar quase não mudou e ele continua vendendo tão bem quanto no início da carreira.

A diferença é que agora sempre leva um notebook para as visitas a potenciais clientes. Assim, pode mostrar os atributos não só da edição impressa como da digital – quem compra os livros ganha DVD-Rom e acesso ao conteúdo da internet.

Luiz Felipe Pezzino Lugarinho, 12, está no 6º ano do colégio Elvira Brandão, na zona sul de São Paulo. Dentre seus cerca de 30 colegas, é o único que sabe o que é uma enciclopédia, mesmo que não a utilize com frequência.

Com um mundo de informações a apenas um clique, muitos alunos não aprendem a pesquisar em livros, o que preocupa as escolas.

Não é preciso evitar a internet, mas o estudante deve entender a diferença [entre o material impresso e o que está disponível na rede]“, diz Jorge Cauz, presidente da Encyclopaedia Britannica.

Diferentemente da Barsa, a Britannica concentra 95% das vendas no meio digital. Antônio Joaquim Severino, professor aposentado da faculdade de Educação da USP, defende que o manuseio dos livros continua uma via pedagógica insubstituível. “O recurso às fontes eletrônicas é enriquecedor, mas complementar.

AULA DE BIBLIOTECA

Para suprir essa falta de costume de pesquisar em livros, o colégio Santa Maria [zona sul de SP] dá aulas sobre como usar a biblioteca.

“As crianças se assustam quando ouvem as palavras “acervo” ou “lombada'”, conta a bibliotecária Marilúcia Bernardi. Os estudantes aprendem a manusear livros, jornais e revistas.

Mas a preocupação com o uso do conteúdo disponível na internet também existe. “Às vezes, o professor pressupõe que o aluno sabe pesquisar, mas tem que ter orientação“, diz Miguel Thompson, diretor de marketing e serviços educacionais da Editora Moderna.

A ingenuidade faz com que os estudantes acessem sites inseguros, recorram a conteúdos desatualizados e não saibam a diferença entre informações boas e ruins.

Os alunos pensam que sites que trazem poucos resultados são péssimos, em comparação com o Google, que traz um milhão de respostas“, diz Helena Mendonça, coordenadora de tecnologia da informação e comunicação da Stance Dual [centro].

Quando há casos de plágio ou se os alunos escrevem o que não devem na rede, a escola propõe uma discussão sobre condutas éticas.

No Santo Américo [zona oeste], a saída foi convidar uma empresa de direito eletrônico para conversar com os alunos. “Passar a noção de autoria é um desafio“, diz a diretora Elenice Lobo.

Por Fabiana Rewald | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 20/09/2010

Dicionário on-line pesquisa na internet para fazer tradução


Com o slogan “A web é um dicionário”, o Linguee [www.linguee.com.br] propõe uma forma diferente de tradução. Ele é uma ferramenta de busca que usa a internet como banco de dados.

O serviço é baseado num robô de pesquisa que vasculha milhares de documentos on-line bilíngues para encontrar a palavra ou expressão que você quer traduzir. Para utilizá-lo, basta inserir o termo na página inicial do buscador, que é bem parecida com a do Google.

O resultado são traduções com contexto e exemplos de frases traduzidas por diversas pessoas. O Linguee é muito eficaz quando se procura uma expressão regional, difícil de ser traduzida por dicionários comuns. Se um termo tem traduções diferentes, o serviço mostra qual a opção mais utilizada nos textos encontrados.

Como o serviço busca em documentos já escritos, quanto maior a frase, menos preciso o sistema é.

Para usuários cadastrados, há a possibilidade de dar pontos negativos ou positivos para uma tradução –o que influencia na colocação dela nos resultados exibidos.

O Linguee está disponível nas versões alemão-inglês, espanhol-inglês, francês-inglês e português-inglês. As próximas línguas a serem incorporadas são o chinês e o japonês.

Por Alexandre Orrico | Pulicado originalmente em Folha.com | TEC | 19/09/2010 – 10h40

Aplicativo iBooks já é mais popular que o Facebook e o Twitter


O aplicativo iBooks para iPad é um dos mais populares do device, ultrapassando os de redes sociais como o Facebook e o Twitter. Apesar dos muitos relatórios mostrando as habilidades do tablet em exibir filmes de alta definição, em usar a internet e armazenar fotos, aqueles que compram o iPad também querem ler livros nele.

De acordo com o relatório YouGov’s TabletTracker, 78% dos proprietários de iPad [wi-fi e3G] fizeram downloads de livros pelo iBooks. Facebook ficou com 52% e Twitter, 34%. A pesquisa mostra ainda que cerca da metade o usa ao menos três vezes por semana. E 25%, diariamente. YouGov ouviu, on-line, 3.317 pessoas entre 28 de julho e 2 de agosto.

The Bookseller | 17/09/2010 | Graeme Neill

Livro eletrônico chega aos ‘imortais’ de SP


Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Foi assim ontem na sede da Academia Paulista de Letras, onde, pela primeira vez, os imortais conheceram a versão eletrônica dos livros que os levaram a ter uma cadeira cativa ali.

Na conversa com o livreiro Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, nenhum deles jamais havia ouvido aquele vocabulário antes: iPad, e-pub, Kindle, Adobe Content Server, e-books, tablet, arquivos PDF. “Hein?”, retruca um.

A resistência era proporcional à curiosidade: se haverá mais escritores, como ficam os direitos autorais e qual a sensação de ler na tela eram algumas perguntas.

Prefiro ler no papel“, diz Herz, com um iPad revestido de capa de livro antigo.

Não teremos mais edições esgotadas, isso é uma tremenda vantagem“, completa o livreiro, que deixou a turma de escritores boquiaberta ao dizer que ganhara do filho uma máquina de datilografar, daquelas antigas, que se conecta a seu tablet.

Videorreportagem e edição: Márcio Neves

Nossa geração não tem essa capacidade, mas temos de acreditar no casamento do livro tradicional com o eletrônico“, diz o acadêmico Paulo Nathanael Pereira de Souza.

Quero continuar a ler meus livros em papel, corrigi-los, sou de outra formação“, afirma o jurista e imortal José Cretella Júnior.

Confesso que estou em estado de perplexidade com esse livro eletrônico, mas sou ‘dos antigamente’“, diz Lygia Fagundes Telles, também imortal da Academia Brasileira de Letras, que até hoje escreve romances à mão.

Os acadêmicos também se impressionaram com os milhares de livros armazenados nos leitores digitais. “Viajar com uma máquina dessas com 3.000 livros é mais fácil do que levá-los na mala“, afirma o imortal Antonio Penteado Mendonça

POR VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO | DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha.com | TEC | 17/09/2010 – 07h01