Os queridinhos dos visitantes da Bienal


Dois espaços da Bienal do Livro têm chamado mais a atenção dos visitantes da feira. A prova são as constantes – e longas – filas e os números divulgados pelos organizadores. Estima-se que tenham passado pelo Espaço Digital da Imprensa Oficial, onde estão expostos leitores digitais como o iPad, o Kindle e o Cool-er, mais de 10 mil crianças. Isso sem contar os demais curiosos. Lá, eles conhecem este que virou o assunto do momento e podem experimentar à vontade os leitores.

Já o “O livro é uma viagem”, do Instituto Pró-Livro, que neste ano ganhou uma melhor localização, recebeu, até ontem [19], 15 mil crianças. A instalação de 500 m² leva as crianças para dentro das histórias, abriga um espetáculo teatral feito especialmente pela Pia Fraus para esta atração e também livros gigantes, mostra curiosidades relacionadas à língua portuguesa, apresenta resumos de obras literárias e é totalmente acessível. Vale um tempinho na fila!

PublishNews | 20/08/2010

E-reader brasileiro na bienal


Lançamento do Mix Leitor-d, primeiro e-reader com tecnologia de software nacional, acontece nesta quinta, 12/08

A Bienal do Livro de São Paulo de 2010 vai trazer mais que títulos em papel. A feira sedia também o lançamento do Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional, nesta quinta-feira [12/08]. O aparelho disponibilizará centenas de e-books incluídos no software Kertas para os compradores.

O produto, da Mix Tecnologia, possui tela de seis polegadas – com leitura na forma horizontal ou vertical – teclado Qwerty, bateria durável por até quinze dias, suporte para 13 formatos de arquivos, memória de 128 Mb Rom, com SDCard incluído de 2Gb, expansível até 16Gb e peso de 260 gramas.

Biblioteca

O destaque do leitor é o aplicativo Kertas, criado para o gerenciamento e organização da biblioteca de livros digitais. “Com o aplicativo o usuário pode detectar, identificar e sincronizar seu computar com o Mix Leitor-d. Além disso, pode organizar seus locais de downloads de conteúdos na web, fazer cadastro de livrarias e sites favoritos, inclusão e alteração de comentários referentes ao conteúdo lido e acesso ao Clube Mix Leitor”, explica Murilo Marinho, diretor de negócios do Leitor-d.

Para a Bienal do Livro de São Paulo será comercializado um lote de 300 leitores ao preço de R$ 890,00 a unidade, com frete incluso e pagamento parcelado, no site http://www.mixleitord.com.br a partir de 12/08.

No portal Clube Mix Leitor o internauta pode fazer download de diversas obras de domínio público, além de comprar obras, inclusive de autores independentes.

BR Press | 20/08/2010

Formato, preço e pouco acesso à banda larga travam livro digital no Brasil, diz especialista


A incompatibilidade de formatos de arquivo, o preço elevado dos aparelhos de leitura digital e o pequeno número de pessoas com acesso à banda larga não permitem que os livros digitais se popularizem no Brasil. A avaliação foi feita por escritora e editor, durante a o debate “O livro na era digital”, que aconteceu quinta-feira [19/8], na 21ª Bienal do Livro de São Paulo.

Um dos principais entraves é o acesso à Internet banda larga. “Temos 39 milhões de consumidores de livros e 40 milhões de usuários de Internet banda larga, sendo que apenas 10 milhões utilizam em casa. Esse seria o nosso total de leitores”, avaliou o editor Ednei Procópio, durante o debate. “O analfabetismo digital tem que ser superado para substituir papel”.

Os diferentes aparelhos de leituras digitais e os formatos de arquivo exigidos por cada um também impedem a difusão dos livros digitais. “São inúmeros formatos e os aparelhos ora são compatíveis ora não. Isso travou o livro eletrônico”, disse Procópio. “Temos servidores que guardam vários livros, mas e se não tivermos uma tomada para ligá-lo?”, completou o editor sobre um problema que ele considera ainda mais básico.

Porém, ele ressaltou que o preço dos aparelhos de leitura digital é o principal entrave. “Eles nunca vão ficar baratos porque as indústrias vão criar e recriar ferramentas que vão mantê-los caros”, observou. “Ao todo, 80% do preço dos aparelhos é determinado pelo tipo de tela e as preto-e-branca são as mais baratas. Imagine migrar livros infantis ilustrados para esse formato?”.

A escritora de livros Regina Drummond, que também participou do debate, avaliou que o formato digital pode não ser eficiente para despertar o interesse por livros. “A Internet não forma leitores. Quem vira leitor é quem vai à prateleira e escolhe. Não é só colocar o livro na cesta básica. Mas na dúvida entre impresso ou digital, o mais importante é optar por ler”.

Livro de graça

A chamada “free culture”, ou cultura da gratuidade na Internet, é um problema para regular a difusão dos livros digitais, segundo o editor Ednei Procópio. “Os internautas veem tudo o que está na rede como gratuito e quando tem que pagar por algo se recusam”, explicou. “Por que o livro em papel tem que ser pago e o digital não?”.

O compartilhamento dos livros em rede também prejudica o recolhimento dos direitos autorais para Procópio. “Você pode compartilhar músicas sem passar por ninguém e também pode digitalizar um livro e compartilhar. Mas como recolher direitos? A questão está sendo debatida na consulta pública para reforma da lei de direitos autorias”, observou.

A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo vai até domingo [22/8], no Pavilhão de Exposições do Anhembi, que fica na Avenida Olavo Fontoura, 1.209, em Santana, São Paulo [SP]. A entrada custa R$ 10, sendo que estudantes pagam R$ 5 e idosos e crianças menores que 12 anos não pagam.

Por Sarah Fernandes | Publicado originalmente no Portal Aprendiz | 20/08/2010

eBooks deixam os leitores menos isolados


Modelo mostra um iPad em Barcelona

Muito foi escrito sobre a capacidade da tecnologia de conectar as pessoas. Mas afundar a cara em um livro sempre foi algo que manteve as pessoas isoladas – com a assertiva de que os leitores não querem ser incomodados. Então, e sobre um device que ocupa essa intersecção? “Estranhos sempre perguntam sobre ele”, diz Michael Hughes sobre seu iPad. “É quase como ter um bebê novo”. Proprietário de um iPad há quatro meses, ele disse que as pessoas se aproximam muito mais agora do que quando ele segurava um livro. Comportamentos sociais que cercam o ato de ler sozinho em um parque podem estar mudando. De repente, o solitário e inacessível leitor no canto da mesa parece menos sozinho. Dado que alguns leitores podem mostrar livros enquanto estão conectados à internet, há uma chance de o leitor ávido de outrora já estar conectado a uma conversa em outro lugar, diz Paul Levinson, professor de comunicação da Fordham University.

Fundação Dorina Nowill apresenta livros digitais para cegos


Pioneira no desenvolvimento de livros digitais em língua portuguesa, a Fundação Dorina Nowill para Cegos apresenta, durante a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, seu processo de produção de livrs digitais acessíveis a deficientes visuais. Já são mais de 30 mil exemplares distribuídos neste formato, de mais de 700 títulos.

Há três anos a fundação desenvolveu o formato “Daisy” uma ferramenta de leitura digital que permite à pessoa cega ou com baixa visão o acesso à leitura de forma rápida e estruturada. O usuário pode visualizar o conteúdo do texto em vários níveis de ampliação e ouvir a sua gravação em uma voz sintetizada de forma simultânea. A ferramenta possui mecanismos de busca por palavras, notas de rodapé opcional, marcadores de texto, soletração, leitura integral de abreviaturas e de siglas, além de emitir a pronúncia correta de palavras estrangeiras.

Adotado recentemente pelo Ministério da Educação como um dos formatos para livros aprovados no PNBE – Programa Nacional de Biblioteca na Escola e PNLD – Programa Nacional do Livro Didático, o Daisy é reconhecido internacionalmente como o que há de mais moderno em acessibilidade de leitura.

Além do processo de produção de livros digitais acessíveis, a instituição desenvolveu também um leitor de livros neste formato, o DDReader, que permite ajustes de preferências e interfaces personalizadas em três línguas: português, inglês e espanhol. Entre os principais recursos do DDReader estão: acesso a todos os comandos pelo teclado, ecos de comandos em voz sintetizada, histórico de leitura de livros e tutorial incorporado ao aplicativo. O DDreader está disponível para download gratuito no endereço: http://www.fundacaodorina.org.br/ddreader.

“Esta é uma forma de avançar na questão da acessibilidade com soluções de baixo custo para países em crescimento”, diz Alfredo Weiszflog, diretor-presidente voluntário da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Segundo Pedro Milliet, desenvolvedor dos livros em formato Daisy da Fundação, a Dorina está preparada para atender editoras que estejam interessadas no formato, independente da quantidade de títulos de seu catálogo.

Por Redação Yahoo! | Sex, 20 Ago, 03h55

Livro digital veio para ficar, mas não para substituir


A julgar pela quantidade de pessoas circulando pelos corredores da 21ª Bienal do Livro de São Paulo com sacolinhas nas mãos, o livro impresso não está nem perto de sua morte anunciada pela chegada dos e-books, como são chamados os livros em formatos digitais, geralmente comercializados em formato PDF, e os aparelhos de leitura eletrônicos. Pelo menos não aqui no Brasil.

O livro digital foi tema de debate no Salão de Ideias da Bienal, na tarde desta quinta-feira [19]. Os rumos dessa nova tecnologia foram discutidos por Ednei Procópio, sócio-fundador da Giz Editorial e membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro, e pela escritora Regina Drummond, autora de diversos títulos infantis, como “Histórias de Arrepiar”.

Para Procópio, autor de “O livro na era digital”, um obstáculo importante para a popularização do livro digital no Brasil é o baixo acesso à internet: apenas 10 milhões de pessoas têm banda larga em casa, uma parcela pequena da população. E ainda há o custo dos aparelhos. O Kindle, leitor eletrônico comercializado pela livraria online americana Amazon, custa US$ 380, mas não é vendido no Brasil. O iPad, aparelho de leitura da Apple, vale US$ 500, mas não há confirmação de quando ele chegará ao país e qual será seu preço.

Por aqui há leitores de outras marcas. O Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional, sai por R$ 890 [leia mais ao final da matéria]. O Cool-er, vendido pela editora Gato Sabido, custa R$ 599. Ele usa a tecnologia de tinta eletrônica, similar à do Kindle. A Positivo também lançou o seu e-reader, o Alfa, que tem tela sensível ao toque e vem com o Dicionário Aurélio. O preço fica por volta de R$ 700.

A boa notícia é que um texto digital costuma ser mais barato do que sua contrapartida em papel – há um consenso no mercado de que ele deve custar cerca de 30% menos.

Para Ednei Procópio e Regina Drummond, é possível aproveitar o melhor de cada formato: a capacidade de armazenamento dos leitores eletrônicos, que permite carregar dezenas e até centenas de obras em um único aparelho, e o “fetiche” do livro impresso, o prazer do contato físico com o papel e a praticidade de poder ler sem se preocupar com baterias e cuidados para não estragar o equipamento. Por isso, Procópio diz que o futuro do livro não é nem digital, nem em papel – é híbrido. Sua editora, a Giz, tem 200 títulos em seu catálogo, todos eles na forma impressa e digital.
Apesar de o mercado de livros digitais no Brasil ser incipiente, outras editoras apostam no produto. A Melhoramentos, de São Paulo, produz livros digitais desde 1990, já que foi nesse ano em que a editora lançou dicionários em disquete. Em 2009 a empresa lançou seus e-books, e hoje conta com cerca de 60 títulos nesse formato. Neste ano, a editora disponibilizou no iTunes, a loja online da Apple, um aplicativo para a leitura de seus livros no celular da marca, o iPhone.

Já a editora Singular tem previsto para outubro o lançamento de outro aplicativo para iPhone e iPad que congrega junto à leitura do texto informações adicionais, como uma versão em áudio, dados históricos sobre os locais citados no texto e visualização de imagens. É o “e-book 2.0”. A primeira obra a ser vendida com o formato será “1822”, do historiador Laurentino Gomes, que terá sua versão impressa lançada em setembro pela Nova Fronteira.
“Essa deverá ser uma das tendências do mercado, trazer não só a transposição do texto do papel para o meio eletrônico, mas também novos elementos’, diz Newton Neto, diretor-executivo da Singular. Hoje a Singular tem mais de 500 mil títulos, entre obras em português e outros idiomas, para a impressão sob demanda, outra tendência de mercado apontada por Neto. São cerca de 25 mil impressões por mês, mas a empresa prevê um crescimento para 120 mil em 2011. Paralelamente, conta com 20 mil títulos em livros digitais em seu catálogo.

Outro exemplo dessa tendência do “e-book 2.0” é o lançamento digital pela Globo Livros de “A Menina do Narizinho Arrebitado”, clássico de Monteiro Lobato publicado originalmente em 1920. Na versão para iPad o leitor tem opções de interatividade, como arrastar a imagem de um vagalume pela tela para iluminá-la, ou tocar no nariz da personagem e fazê-la “espirrar”. O livro deve chegar à AppStore, a loja da Apple, em novembro.

Você sabe o que é um e-book?
Uma pesquisa realizada pela GfK, a 4ª maior empresa de pesquisa de mercado no Brasil, mostra como o livro digital ainda está longe de ameaçar o tradicional no país. De acordo com a sondagem, 67% dos entrevistados não sabem o que é o e-book. Entre os mais jovens, de 18 e 24 anos, o índice de desconhecimento foi um pouco menor: 64%.

Apesar de os mais jovens serem mais antenados, Ednei Procopio não acredita que necessariamente os livros digitais vão estimular o gosto da leitura nas crianças e adolescentes. Mas eles têm um lado muito positivo, que é colocar o tema “livro” na pauta do dia. “Mas o livro eletrônico não forma leitor, para isso precisamos da educação“, afirma Regina Drummond.

Já para Markus Dohle, diretor executivo da americana Random House, maior editora de livros em língua inglesa do mundo, as novas tecnologias podem dar sim um empurrãozinho no gosto pela leitura. “Conheço pessoas nos Estados Unidos que dizem: comecei a ler de novo por causa do meu leitor eletrônico – e também os meus filhos“, disse, em entrevista para a revista alemã Der Spiegel.

No entanto, Dohle acha exageradas as estimativas de que em 10 anos o livro digital vai substituir o impresso. Alguns analistas chegam a prever que em uma década o livro de papel vai representar apenas 25% do mercado americano, baseados em números como os divulgados pela Amazon, que anunciou que em junho vendeu 180 títulos digitais para cada 100 livros de capa dura nos Estados Unidos.

Para Ednei, esse número pode dar uma impressão enganosa, já que a livraria virtual está contabilizando apenas os livros impressos de capa dura, excluindo as brochuras da conta. “Tradicionalmente os livros capa dura são mais vendidos nas livrarias físicas, pois as pessoas gostam de manuseá-los“, diz.

Números à parte, não somos obrigados a optar por um ou outro formato. Como diz a escritora Regina Drummond, “está na dúvida entre o livro digital e o impresso? Então fique com os dois.

Serviço

21ª Bienal do Livro de São Paulo
De 13 a 22 de agosto
Das 10h às 22h*
*Dia 22, das 10h às 20h, com entrada até às 18h
Ingressos:
Público geral: R$ 10
Estudantes: R$ 5
Professores, profissionais da cadeia produtiva do livro, bibliotecários, estudantes inscritos pelo sistema de visitação escolar programada, maiores de 60 anos ou crianças com até 12 anos, mediante apresentação de documento comprobatório: entrada gratuita
Mais informações: http://www.bienaldolivrosp.com.br

Por Juliana Tiraboschi | da Redação Yahoo! Brasil | Com Agência Estado| Sexta-feira, 20 Agosto, 02h03

‘Papel continuará predominante’


Diretor da maior editora do mundo prevê que livros impressos ainda serão maioria nos próximos anos

ENTREVISTA
Markus Dohle, diretor executivo da Random House

Markus Dohle, de 42 anos, conversou com a revista Der Spiegel sobre os projetos da maior organização editorial do mundo para a era do livro eletrônico, as difíceis negociações com a Apple e os motivos pelos quais o livro impresso continuará predominando no setor. A seguir, trechos da entrevista.

Quando o senhor vê pessoas lendo no trem, de quem gosta mais, do leitor com o iPad ou daquele com um livro?

Gosto dos dois…

Porque lucra com os dois.

Mas é justamente essa a nossa oportunidade. Fico satisfeito ao ver um leitor que está lendo no seu iPad ou Kindle. Sem estes aparelhos, talvez não atingíssemos aquela pessoa naquele exato momento, porque ela pode ter deixado o livro em casa. Mas nós sempre a encontramos no leitor eletrônico. Aquele minuto de leitura é uma bênção.

O senhor parece muito entusiasmado.

Sim. Cresci na época do papel impresso, mas preciso admitir que estou surpreso com a rapidez com que os negócios digitais estão crescendo, principalmente nos Estados Unidos. Contudo, o livro impresso continuará predominando por muito tempo.

Que porcentagem do seu faturamento representam os livros eletrônicos?

Neste momento, cerca de 8% nos EUA, o que constitui um aumento enorme. É possível que no próximo ano superemos os 10%.

A Amazon anunciou que em junho vendeu 180 títulos digitais para cada 100 livros de capa dura nos Estados Unidos. Os analistas calculam que, em 10 anos, apenas 25% de todos os livros serão vendidos em forma impressa. O senhor acha essa cifra realista?

Não concordo com esse prognóstico. Acho muito agressivo, exagerado. É mais provável que a parcela de mercado dos livros eletrônicos, mesmo nos EUA, chegue a algo entre 25% e 50% até 2015. Mas esta será ainda uma enorme oportunidade para nós. Ela favorecerá um novo crescimento. Conheço pessoas nos EUA que dizem: comecei a ler de novo por causa do meu leitor eletrônico – e também os meus filhos.

Entretanto, a euforia do senhor deve ter limites. Quando a Apple lançou seu iPad em janeiro, cinco das seis maiores editoras americanas eram sócias da iBookstore da Apple. Mas a Random House, a maior delas, ainda não aderiu a essa iniciativa. Por que essa hesitação?


No mercado de língua inglesa, ao contrário da Alemanha, não existe um acordo de preço fixo para livros. O vendedor de livros estabelece o preço no varejo. Na iBookstore da Apple, cabe às editoras estabelecer os preços para o leitor. A Apple se mantém fora disso e recebe uma comissão. Precisaríamos examinar a questão com muito cuidado para saber se estaríamos dispostos a adotar essa mudança drástica no nosso modelo de negócios.

O que há de tão ruim em poder estabelecer os próprios preços?

Nos mercados em que não existem acordos de preços fixos para livros, significa que as editoras entram numa concorrência de preços que anteriormente dizia respeito apenas aos vendedores de livros. Entretanto, a questão está em saber se as editoras terão a capacidade de estabelecer o preço certo de varejo a fim de alcançar o maior número possível de leitores. Até agora, isso não cabia a nós.

Em outras palavras, o senhor não quer que a Apple se livre do risco que anteriormente era dos livreiros, e agora é da Amazon?

Isso mesmo, trata-se também de distribuir o risco. Até agora, vendemos conteúdo, desenvolvemos e comercializamos talento, e calculamos nossos preços de acordo. Nos EUA, o comércio de livros estruturou preços de varejo mantendo condições de mercado individuais. É preciso determinar se as editoras poderão realmente fazer ambas as coisas no futuro.

O senhor realmente acredita que não precisa da Apple?

A mudança para o livro digital provavelmente levará de cinco a sete anos, portanto 100 dias na iBookstore não permitem determinar se um livro é um sucesso ou um fracasso. Evidentemente, queremos ter uma presença em todas lojas digitais. E você não deve esquecer que nossos leitores nos EUA também leem nossos livros no iPad, usando aplicativos diferentes, mesmo que não façamos parte da iBookstore. Não acho que teremos grandes prejuízos a longo prazo. Na realidade, temos de agir de uma maneira muito cuidadosa, até encontrarmos um modelo adequado. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

QUEM É
Markus Dohle estudou Engenharia Industrial e Administração na Universidade de Karlsruhe. Assumiu a direção da Random House em 31 de maio de 2008. Antes disso, ocupou vários cargos no Grupo Bertelsmann, gigante do setor de comunicação com sede na Alemanha.

O Estado de S. Paulo | 20 de agosto de 2010 | 0h 00