Livraria Cultura lança portal de informação


A ideia de que a livraria do futuro deve oferecer mais do que livros já foi incorporada pela Saraiva que criou, há um ano, o Saraiva Conteúdo, e passa a valer agora também na Livraria Cultura. Entra no ar hoje [10], o Cultura News, um portal de informação que empresta seu nome do boletim criado pela rede em 1992 e distribuído por 15 anos nas livrarias. O portal será interativo e permitirá que clientes e leitores publiquem suas resenhas. A Cultura conta ainda com as versões impressa e eletrônica da “Revista da Cultura”, um blog, twitter, facebook, além do site de e-commerce, um dos mais funcionais do país.

Dividido em oito colunas principais, é para a seção “Cultura é minha casa” que o cliente poderá enviar suas resenhas, contos e crônicas. Na seção “Preferida”, estarão indicações de personalidades sobre o que estão vendo, lendo e ouvindo.

Para mostrar as notícias do universo da Livraria Cultura, há o canal “Novidades”. Em “Primeiras palavras”, estarão entrevistas com editores, escritores e artistas sobre obras no prelo.

Ensaios fotográficos de eventos realizados, personalidades em visita à Cultura e imagens que complementam as matérias da “Revista da Cultura” podem ser vistos em “Álbum de fotos”. Vídeos de entrevistas e eventos ficarão em “Cultura multimídia”.

Os jornalistas também ganham um espaço com as seções “Cultura na mídia” e “Imprensa”, disponibilizando conteúdo para assessorias de imprensa e veículos de comunicação.

PublishNews | 10/08/2010

Editora decide publicar só livro digital


Num momento em que os livros digitais continuam a ganhar mercado, uma das mais antigas editoras americanas de livros de bolso decidiu abandonar a publicação impressa tradicional e colocar à venda seus títulos somente no formato digital ou via impressão sob encomenda.

A Dorchester Publishing, uma editora de livros e revistas de capital fechado, informou que está fazendo a mudança depois que as vendas unitárias de livros caíram 25% no ano passado, em parte devido ao declínio das encomendas de algumas de suas contas de varejo mais importantes, entre as quais Walmart Stores . Uma porta-voz do Walmart não quis comentar.

Não foi uma decisão demorada, porque vínhamos realizando o esforço, mas sem obter os resultados“, disse o diretor-presidente da Dorchester, John Prebich.

Os livros eletrônicos estão ganhando popularidade entre os leitores. Mike Shatzkin, diretor-presidente da Idea Logical Co., uma consultoria editorial, prevê que os livros digitais serão 20% a 25% das vendas unitárias até o fim de 2012. A Amazon.com estima que suas vendas de e-livros para o Kindle possam superar as vendas dos livros impressos no formato brochura tradicional em 9 a 12 meses.

A decisão de partir para o digital pode ser um sinal do que está por vir para outras editoras pequenas que enfrentam queda nas vendas na área impressa tradicional. A decisão da Dorchester vai provavelmente resultar em economias significativas num momento em que a empresa espera que suas vendas digitais dobrem em 2011.

A Dorchester, que publica livros de bolso desde 1971, lança de 25 a 30 novos títulos por mês, aproximadamente 65% dos quais são obras românticas.Os fãs de obras românticas em particular já abraçaram os e-books, em parte porque os leitores podem ler as obras em público sem ter de revelar a capa. Além disso, o tamanho da letra é facilmente ajustável nos e-readers, o que torna os títulos publicados no formato de bolso mais fáceis de ler para clientes mais velhos.

Prebich estimou que 83% dos livros publicados pela Dorchester são vendidos nos Estados Unidos a um preço de tabela de US$ 7,99. Um livro brochura no formato convencional geralmente tem o preço em torno de US$ 14,95.

A troca da Dorchester pelo e-book entra em vigor hoje. A editora planeja colocar à venda novos títulos no sistema de impressão sob encomenda por meio de varejistas ainda este ano. A Ingram Publisher Services, uma divisão da empresa de capital fechado Ingram Industries, informou que vai enviar as encomendas aos varejistas conforme necessário. A notícia da decisão da Dorchester foi revelada primeiro pela “Publishers Weekly”, uma publicação do setor editorial.

Prebich admitiu que alguns autores podem ficar tristes por ver seus títulos somente para venda como e-book ou via impressão sob encomenda, mas disse que até agora a resposta tem “sido receptiva ao que estamos fazendo.”

A Hard Case Crime, um selo da empresa de capital fechado Winterfall LLC, disse que poderá buscar uma maneira de transferir seus livros de mistério da Dorchester para outra editora.

Tem sido uma boa parceria, mas se eles não vão mais publicar livros de bolso, teremos que decidir o que fazer“, disse Charles Ardai, dono da Hard Case Crime. “Acredito no formato de bolso, mas compreendo o mercado.

A Randon House, subsidiária da alemã Bertelsmann e a maior editora americana de livros, disse que continua a apostar no mercado de livros de bolso. Um dos escritores americanos de mistério de maior sucesso, o falecido John D. MacDonald, é vendido pela Random House só no formato de bolso.

Ainda é uma alternativa viável, popular e mais barata do que os outros formatos de leitura“, disse Stuart Applebaum, porta-voz da Random House. “E também tem um público fiel. Será que essa fidelidade será para sempre num mercado em transformação?

Valor Econômico | 10/08/2010 | Publicado originalmente em The Wall Street Journal | Por Jeffrey A. Trachtenberg

Fórum do Livro Digital terá mais um palestrante


Ronald Schild, CEO de uma das principais empresas européias de gerenciamento de informações para o mercado editorial, a MVB Marketing-und Verlagsservice des Buchhandels GmbH, ligada à Feira do Livro de Frankfurt, aceitou o convite da CBL para completar o quarteto de palestrantes que participam, hoje e amanhã, do Fórum Internacional de Livro Digital, em São Paulo. Ronald vai contar sobre a trajetória do “Projeto libreka!” amanhã [11], das 10h às 10h30. Antes dele, às 8h30, John Thompson fala dos livros na era digital e às 18h, Jean Paul Jacob faz a palestra “O futuro já não é mais o que era”. A abertura hoje, às 20h, fica por conta de Mike Shatzkin. Sua conferência tem o tema “O futuro do livro impresso no mercado digital”. A realização é da Câmara Brasileira do Livro e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que já organizaram, em março deste ano, o I Congresso Internacional do Livro Digital. O evento será no Auditório Elis Regina, no Anhembi [Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – São Paulo/SP].

PublishNews | 10/08/2010

Grupo A investe US$ 100 mil no mercado digital


Um aplicativo para iPad e iPhone abre caminho para os e-books que o grupo ainda vai lançar

Pensando no crescente mercado de livros digitais, o Grupo A, holding que engloba as editoras Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGraw-Hill e o novo selo Penso, está investindo US$ 100 mil na conversão dos livros impressos para o formato padrão de e-books e suas diversas plataformas.

Para inaugurar essa nova fase, lança, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a versão digital para um de seus best-sellers – Medicamentos de A a Z, de Elvino Barros.

O livro, de 680 páginas, é um guia dos principais medicamentos utilizados na prática clínica, organizados em ordem alfabética e com informações de preços e diferentes tipos de receituários.

Na versão para iPad e para iPhone, o livro será dinâmico. O leitor poderá pesquisar remédios e doenças e classificar como favoritos as drogas de uso corrente. O aplicativo também permite anotações pessoais ao longo do conteúdo e a pesquisa dos produtos genéricos e dos disponíveis na Farmácia Popular. Ele estará disponível para download na Apple Store em uma versão gratuita, que dará acesso a dois medicamentos por letra do alfabeto. Já a versão completa do aplicativo estará disponível por U$ 24,99
Desde 2005, o Grupo A vem investindo para adaptar seu negócio e atender aos novos hábitos de consumo de informação. Em breve, vários livros serão disponibilizados em formato digital.

A nossa meta é atender a conveniência do leitor. A partir do mês de setembro começaremos a oferecer alguns títulos em e-books” afirma Adriane Kiperman Rojas, diretora editorial do Grupo A.

PublishNews | 10/08/2010

Livros digitais e de papel não coexistirão, diz cientista


Jean Paul Jacob

Jean Paul Jacob, 73 anos, não é um pesquisador qualquer. No Centro IBM de Pesquisas de Almaden, na Califórnia, Estados Unidos, há 47 anos sua especialidade é prever o futuro. Desde 1963, ele já previu o surgimento dos notebooks, das câmeras digitais, o fim dos discos de vinil, o caráter colaborativo da sociedade contemporânea e conceitos como internet das coisas e computação em nuvem. Na década de 1990, antes do lançamento dos e-readers, profetizou o surgimento dos livros digitais, que substituiriam as obras em papel.

A previsão de Jacob – que, apesar do que pode indicar o nome, é brasileiro – parece estar cada vez mais próxima de se concretizar: há duas semanas, a Amazon.com, maior loja virtual de livros do mundo, anunciou que está vendendo mais ebooks do que títulos impressos. O engenheiro, que estará em São Paulo como um dos convidados especiais do Fórum Internacional do Livro Digital, entre os próximos dias 10 e 11, conversou com o site Exame nesta semana. Ele mantém a previsão feita há quase vinte anos e garante: as obras em papel não coexistirão com o mercado editorial eletrônico. “O livro impresso vai para as cucuias“, decreta.

O cientista formou-se em 1959 pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos. Foi parar na IBM durante uma missão pessoal: queria percorrer o mundo inteiro em 25 anos. “Passaria um ano em cada país, e comecei pela França, Holanda, Suécia e acabei nos Estados Unidos. Gostei tanto da Califórnia que acabei ficando“, conta. Hoje, é pesquisador emérito da empresa, o que, segundo ele, em outras palavras, quer dizer “velho e aposentado“.

Algumas previsões de Jacob, como a que envolve os livros digitais, contrariam a de outros futurólogos. Mas ele explica que não diz nada ao acaso. “Já errei algumas vezes e aprendi muito com isso. Refletindo sobre o porquê errei, fui desenvolvendo uma metodologia para fazer meu trabalho ao longo de todos esses anos”, garante.

Três fatores principais baseiam os cenários futuros projetados pelo engenheiro: “o que está sendo desenvolvido no mundo”; “o que as pessoas querem“; e “quais são os problemas que precisam ser resolvidos“.

Tenho problemas de visão e quando vejo um livro, peço para ele aumentar o tamanho da letra. Não acontece nada no papel. Quando não entendo um termo ou uma expressão ele também não me responde. Queremos interatividade, variar o tamanho dos caracteres, deixar anotações verbais e tudo isso é impossível no livro físico, que chamo de ‘tinta sobre árvore morta‘”, sintetiza o pesquisador. “O livro digital mantém o conteúdo, que é o que importa, e permite todas essas coisas e muito mais. Na internet isso já existe há bastante tempo, só que não é portátil como em um e-reader“.

Na conversa que teve com o site Exame, Jacob falou ainda sobre os tablets, carros voadores, videochamadas e as tecnologias que vêm por aí nos próximos anos. Ele disse ainda que tem dificuldade de compreender a mentalidade da geração atual.

EXAME – Como você começou e qual é o seu trabalho exatamente na IBM?
Jacob – Sou formado em engenharia eletrônica pelo ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], e na época que estudei tive contato com muitos professores estrangeiros. Assim, quando terminei a faculdade, resolvi que iria dar a volta ao mundo em 25 anos. Passaria um ano em cada país. Comecei pela França, Holanda, Suécia e acabei nos Estados Unidos. Gostei tanto da Califórnia que acabei ficando. Mas entrei para a IBM, na Suécia, em 1962. Eu era especialista em programação de computadores analógicos, um dos poucos do mundo, e era o perfil que a IBM buscava. Hoje sou pesquisador emérito da empresa, o que significa “velho e aposentado”. Também sou cientista em residência na Universidade da Califórnia em Berkeley. Meu trabalho é fazer previsões de possíveis cenários do futuro. Há 40 anos que vejo 10 anos a frente.

EXAME – Nesse tempo todo, quais foram seus principais erros e acertos?
Jacob – Se é verdade que errando se aprende, posso dizer que aprendi muito com minhas previsões analisando o porquê errei. Assim fui desenvolvendo uma metodologia própria para acertar na projeção de cenários futuros. Um de meus grandes erros foi prever a convergência da TV com o computador. Achava que, em um aeroporto, por exemplo, um computador poderia colocar informações sobre imagens analógicas que dissessem de onde vem um voo, para onde vai, se já está no horário. Meu erro foi não prever que o custo de coisas digitais iria abaixar assustadoramente. Na época não havia terminais coloridos, não existia computação independente. Os terminais funcionavam conectados a um mainframe.

Outro exemplo é de uma previsão que fiz que foi muito mais certa do que errada, mas que é interessante ver o ponto em que errei. Muito antes do primeiro notebook, previ a existência de um computador que seria portátil, dobrável, teria tela de cristal líquido e serviria para comunicação pessoal. Mas imaginei um equipamento com uma fresta pela qual passariam folhas de papel, uma de cada vez, que registrariam os dados. Para mim, os notebooks também teriam uma impressora acoplada. É que eu pensava que a tela dos notebooks não teriam definição suficiente para exibir caracteres.

EXAME – Como é essa metodologia que você desenvolveu para prever o futuro?
Jacob – Trabalho com a convergência de três indicadores. No primeiro deles, analiso o que está sendo desenvolvido no mundo. Passo três horas por dia acompanhando universidades, laboratórios de pesquisa, empresas como a IBM. Hoje, por exemplo, tenho mais de 200 trabalhos em análise, muita coisa sobre carros voadores. Há uma curva de aceitação de tecnologias, que funciona da seguinte maneira: as expectativas começam exageradas e logo caem. Aí vem o processo de amadurecimento que é quando a credibilidade sobe e ela volta a atingir o patamar de estabilidade. Cada tecnologia tem uma velocidade diferente: a dos wikis, por exemplo, foi percorrida rapidamente. Esperava-se muito da Wikipedia, depois disseram que inseririam humor e pornografia, a expectativa caiu, mas hoje os wikis funcionam apesar de todas as malandragens. Com as redes sociais foi a mesma coisa.

O segundo aspecto a ser levado em consideração é procurar o que as pessoas querem. Hoje, se você olhar blogs e wikis, você tem um sentimento do que as pessoas querem. Na IBM, há um programa muito bom chamado “Innovation Jam”, que espaços virtuais abertos para que qualquer um possa discutir quais são os anseios e as tendências.

O terceiro fator para se prever as tecnologias do futuro é parecida mas não tem nada a ver com a segunda. É entender quais são os grandes problemas do mundo que estamos tentando resolver. Saúde e educação estão quase sempre nessa análise, são denominadores comuns. Nos Estados Unidos, atualmente, uma área de destaque nesse sentido é a economia. Em geral os problemas do mundo tem uma intersecção com o segundo aspecto analisado, que é o que as pessoas querem.

EXAME – Olhando a partir de hoje, quais tecnologias se tornarão comuns no futuro?
Jacob – A telemedicina e a biotecnologia são áreas que vejo como essenciais no futuro. Na medicina digital temos muitos progressos a fazer, e o Brasil terá parte nisso. Hoje, a análise do DNA de uma pessoa custa cerca de US$ 10 mil. Se conseguirmos avançar para um mapeamento a um custo razoável, entre US$ 100 e US$ 200, ao invés de dar remédios que curam a doença de uma pessoa, daremos remédios que curarão a pessoa de uma doença. Há uma diferença nisso. Na fórmula levaria-se em consideração a estrutura genética do paciente. Se ela tem alergia, por exemplo, uma análise genética pode revelar antes do quadro se manifestar.
Existe um remédio contra o câncer que funciona apenas em 9% das pessoas. Descobriu-se que isso ocorre porque esse grupo de indivíduos tem um gene em comum. É um indicador de que as pessoas tem sensibilidade para esse medicamento. O conhecimento da estrutura genética de cada paciente facilitará dizer que efeito o remédio terá.

EXAME – A palestra que você dará no Fórum Internacional do Livro Digital tem o nome “O futuro já não é mais o que era”. O que quer dizer com isso?
Jacob – O futuro não é o que era porque antes olhávamos apenas para o mundo físico. O que eu vejo no futuro é uma invasão cada vez maior do mundo digital na realidade. Você viverá em um mundo físico que também terá elementos digitais e você nem se dará conta disso. Antes vivíamos em um mundo físico, nossos vizinhos eram as pessoas que moravam na casa ao lado. Hoje você se corresponde com vizinhos virtuais. Hoje, você vai ao cinema e vê um filme em que um ator parece ter corrido um grande risco para gravar a cena. Mas não foi uma pessoa que correu aquele risco, é uma imagem criada totalmente de maneira digital. É impossível detectar a diferença, e para você não interessa em que cenas é o ator real e quando é a cópia digital dele.
No dia a dia, as coisas, não as pessoas, vão perceber o que estão acontecendo no mundo. Haverá sensores em todo o mundo, sensores de temperatura, de poluição, de intensidade de trânsito, de pressão, de presença CO2 no ar. O futuro não é o que era antes. Agora o futuro depende de como esses mundos vão nos invadir.

EXAME – Você disse há alguns anos que os livros digitais substituiriam o papel. Ainda mantém a previsão?
Jacob – Eu sou diabético, tenho problemas de visão. Quando vejo um livro, peço para ele aumentar o tamanho da letra. Não acontece nada no papel. Quando não entendo um termo ou uma expressão ele também não me responde. Queremos interatividade, variar o tamanho dos caracteres, deixar anotações verbais e tudo isso é impossível no livro físico, que chamo de ‘tinta sobre árvore morta’. O livro digital mantém o conteúdo, que é o que importa, e permite todas essas coisas e muito mais. Na internet isso já existe há bastante tempo, só que não é portátil como em um e-reader. Mais para frente, o formato pode mudar, os celulares devem vir com um pequeno projetor que permitirá projetar textos em uma folha de papel ou em uma parede para que várias pessoas leiam.
Isso atende aos critérios que citei de minha metodologia. Vai existir tecnologia? Sim. Livros digitais resolvem algum problema universal? De alguma maneira sim, inclusive na área da saúde. As pessoas vão querer? Sim. Um livro eletrônico permite que você tenha vídeo, e isso ajuda o leitor a entender um conceito.

EXAME – Mas os livros digitais e físicos devem coexistir ou o papel serão completamente substituídos pelos textos eletrônicos?
Jacob – A substituição ainda é gradual, mas não vão coexistir. E antes do livro, o jornal vai desaparecer do papel. Esses dias eu soube que o Jornal do Brasil é um que vai acabar com a versão impressa. O livro impresso vai para as cucuias. O importante não é a tinta sobre a árvore morta, é o conteúdo editorial.

EXAME – E a migração será irreversível? No caso dos discos de vinil, cujo fim você também previu, hoje parece estar havendo algum processo de retorno…
Jacob – Não, os discos de vinil não estão voltando. Não dá para dizer isso só porque existem alguns saudosistas por aí. Tem gosto para tudo, mas ninguém quer ficar ouvindo música tendo o cuidado de não riscar a gravação com a agulha. Até o CD hoje em dia está sumindo.

EXAME – E os tablets, como o iPad, da Apple, irão substituir os notebooks?
Jacob – Sim, mas os próximos anos serão de definição de um formato ideal para um novo iPad. Ele precisa ser algo que possamos levar para qualquer lugar a qualquer hora. O tamanho de um smartphone é muito mais adequado, mas a tela é muito pequena. Talvez com a tecnologia de projeção no celular que falei anteriormente. Tem pesquisadores falando em roupas inteligentes, em suéter com bateria. Minha expectativa é que a tecnologia seja superportátil e invisível. Você não vai precisar carregar coisas, você vai falar e as coisas vão acontecer.

Eu não gosto de carregar muitas coisas, não gosto de ser uma árvore de Natal ambulante, mas por outro lado teria medo de colocar uma lente de contato que projetasse imagens na minha retina ou de inserir um chip no meu corpo. É uma questão de como a juventude vai evoluir.

EXAME – Mais cedo o senhor falou em carros voadores, que sempre foram o sonho dos motoristas. Quando chegará o dia em que essa tecnologia se tornará realmente cotidiana?
Jacob – Nunca se confiou nos carros voadores porque as pessoas têm medo de que o sistema não seja seguro. Há algumas semanas foi aprovada a fabricação do primeiro carro voador nos Estados Unidos. E o modelo que vai pegar não é um veículo para se dirigir na cidade e sair voando para fugir do congestionamento. Será um carro para sair da cidade, para se deslocar entre um município e outro, para um sítio no campo. Os problemas atuais são diferentes dos de antigamente. Antes a vontade de ter um carro voador era para ir para o trabalho mais rapidamente. Hoje o trabalho vem até você.

EXAME – Outra coisa que já se tentou colocar no mercado várias vezes e que nunca deu certo foram os chamados videofones – telefones que permitem ver o interlocutor durante uma conversa. Agora a Apple lançou um sistema chamado de FaceTime, no iPhone 4, que faz exatamente isso. Agora você acha que pega?
Jacob – Acho que não vai pegar. Já houve uma série de tentativas, inicialmente propondo os videofones como instrumentos sociais. Não deu certo. Aí mudaram o discurso, disseram que serviria para ver aquela pessoa da família que está distante. Eu previ isso. A razão pela qual essa tecnologia não pega é que a maioria das pessoas não quer videochamadas. Quando elas estão conversando no telefone, geralmente estão fazendo outras coisas, e não precisa ser algo pornográfico ou constrangedor, mas elas não querem ser vistas. Ver outra pessoa enquanto fala com ela à distância tem mais desvantagens do que vantagens. Claro que se sua avó ficar doente e você estiver longe é diferente, mas aí existem outras maneiras de se comunicar.

Mas as gerações mais novas pensam de forma bastante diferente das antigas. É a maior dificuldade que tenho para fazer minhas previsões hoje. Tento compensar o segundo item de minha metodologia com o terceiro, ou seja, compenso a falta de compreensão sobre “o que as pessoas querem” procurando entender melhor “quais problemas precisam ser resolvidos”. O que descobri é que os jovens de hoje são muito mais orientados à multitarefa, o que eu não sou capaz de fazer nem de compreender. Não consigo entender como eles conseguem fazer três coisas ao mesmo tempo. Não previ que uma pessoa carregaria 200 aplicações diferentes no iPhone. Se eu tivesse um celular, talvez utilizasse no máximo sete aplicativos. Mas previ que o mundo virtual seria colaborativo. Sempre disse que se alguém me forçasse a dizer uma única palavra para descrever o futuro, usaria a palavra colaboração.

Por Célio Yano | EXAME.com | 10/08/2010

Google diz que há 130 milhões de livros no mundo


Uma pesquisa realizada pelo Google na semana passada divulgou que há 129.864.880 de livros no mundo. A pesquisa teve como base o Google Books, projeto de digitalização de livros da empresa.

Para chegar ao número, o Google coletou informações com mais de 150 fontes do mundo, incluindo bibliotecas, livrarias, catálogos coletivos nacionais e provedores comerciais.

O primeiro resultado desta triagem apontou a existência de quase 600 milhões de volumes no mundo.

A segunda etapa da contagem tentou identificar as várias edições de um mesmo livro ou então obras que são lançadas por editoras diferentes, com nomes distintos.

Segundo a equipe da pesquisa, o livro “Programando em Perl, 3ª edição”, por exemplo, tem 96 registros diferentes em 46 fornecedores. Outro caso é “At the Mountains of Madness and Other Tales of Terror”, de H.P. Lovecraft, lançado nos EUA por duas editoras diferentes.

Após a nova apuração, a quantidade caiu para 210 milhões de obras diferentes no mundo. Houve então uma nova avaliação, que excluiu textos impressos como relatórios, transcrição de gravações, mapas e outras publicações que não poderiam ser classificadas como livro.

O Google calculou, por fim, 146 milhões de exemplares impressos e encadernados. A última etapa da pesquisa excluiu documentos governamentais e folhetins e artigos autônomos que, na verdade, foram idealizados como um volume único.

Chegou-se ao número de 129.864.880 de livros diferentes no mundo. Os dados referem-se, porém, apenas até o último domingo.

Segundo o Google, o ISBN, sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país e a editora, foi apenas parcialmente considerado pela pesquisa, porque só passou a ser amplamente adotado no mundo no início dos anos 1970.

Folha de S. Paulo | 10/08/2010 – 09h33 | Com agências internacionais

E-commerce cresce e atinge R$ 10,6 bilhões


Segundo dados divulgados pela e-bit, as compras realizadas através da Internet, em 2009, foram 30% maiores em relação ao mesmo período de 2008. As transações comerciais chegaram à marca de R$ 10,6 bilhões. Livros revistas e jornais lideraram as vendas virtuais com 20% de volume de pedidos.

A pesquisa de consultoria de comércio eletrônico, também apontou que, ao final de 2009, cerca de 17, 6 milhões de brasileiros afirmavam ter feito pelo menos uma compra pela Internet, número que representa 26% dos Internautas brasileiros. Desse total, 4,4 milhões tiveram a experiência de uma compra virtual pela primeira vez em 2009, dos quais 60% têm renda familiar até R$3 mil.

Fonte: e-bit | Baguete | Revista ANL

Independente, mas de longo alcance


O mercado de quadrinhos digitais está crescendo. E a Robot Comics, editora de quadrinhos digitais, acaba de comemorar uma marca histórica: a versão digital do quadrinho indie Robot 13 alcançou a marca de 100 mil downloads. Para se ter uma ideia, o aplicativo foi o segundo colocado no ranking Diamond Top 300 de junho. A marca é um feito e tanto para uma publicação alternativa. “Robot 13 é realmente uma história de sucesso no mercado independente”, disse Thomas Hall, um dos criadores dos quadrinhos. “Tudo foi feito sem a distribuição da Diamond’s ou financiamento externo”. Robot 13 foi o primeiro quadrinhos disponível tanto no iTunes quanto no Android que combinou animação quadro-a-quadro, com vários efeitos de transição e vibração.

Blog do Link | Estado.com | 10/08/2010 | Tatiana de Mello Dias

Cafés da Califórnia estão cortando o Wi-Fi, banindo Kindles e iPads


Enquanto a Starbucks começa a oferecer Wi-Fi grátis nas lojas da rede, outras cafeterias no estado da Califórnia estão limitando ou até banindo a internet sem fio. O motivo é bem simples – o que era pra gerar mais vendas acabou surtindo o efeito contrário. Pra espantar os clientes que compram um café e ficam horas alugando a mesa, algumas lojas estão proibindo até iPads, Kindles e outros e-readers. Livros físicos, no entanto, ainda são permitidos.

Blue Bus | 10/08/2010 | Debora Schach

Vendas na internet crescem 40% no 1° semestre, diz e-bit


O comércio eletrônico faturou R$ 6,7 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, alta de 40% em relação ao mesmo período de 2009, quando o setor havia atingido faturamento de R$ 4,8 bilhões. Os dados, que excluem vendas de automóveis e de outros produtos vendidos em sites de leilão, fazem parte da 22ª edição do Relatório WebShoppers, elaborado semestralmente pela e-bit, empresa de pesquisa de comércio eletrônico, em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico [camara-e.net].

Em volume de produtos, a categoria livros e assinaturas de revistas e jornais foi a mais vendida, com 15% do total. As redes sociais estão aumentando sua participação na decisão do consumidor que compra pela internet. Segundo Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da e-bit, o perfil do usuário de redes sociais é muito diferente do consumidor de e-commerce em geral. “A média de idade das pessoas chegam até os sites de compra via redes sociais é sete anos mais baixa do que a dos outros consumidores. Como a renda destes clientes é mais baixa, o tíquete médio também é”, diz Umberti.

Revista Época Negócios | 10/08/2010 | Lilian Sobral