Pressões econômicas e evolução tecnológica


Assim define a atual situação do mercado editorial, no mundo, o inglês John B. Thompson, autor de Books in the Digital Age e professor de sociologia em Cambridge, na Inglaterra. Thompson, que participará do Fórum Internacional do Livro Digital, dias 10 e 11/8, em São Paulo, analisa há duas décadas a transformação da indústria editorial. “São tempos de turbulência. Os maiores, talvez, desde Gutenberg”, diz.

Como você vê o atual momento do mundo editorial?
Estes são tempos de turbulência no mundo editorial. Durante quase 5 séculos, os métodos e práticas de publicação de livros mantiveram-se praticamente inalterados. No alvorecer do século XXI, o setor encontra-se confrontado com, talvez, os maiores desafios desde Gutenberg. Uma combinação de pressões econômicas e a evolução tecnológica está forçando as editoras a alterarem suas práticas e refletirem muito sobre o futuro dos livros na era digital.

Fale sobre seu livro: Mercados da Cultura, o negócio de publicação no século XXI.
Neste livro – o primeiro grande estudo da publicação de comércio de mais de 30 anos – eu situo os desafios atuais da indústria em um contexto histórico, analisando a transformação da publicação do comércio nos Estados Unidos e Grã-Bretanha desde 1960. O livro faz um relato pormenorizado de como o mundo das editoras comerciais realmente funciona, dissecando os papéis de editores, livreiros e agentes e mostrando como suas práticas são moldadas por um campo que tem uma estrutura e dinâmica. Ao reconstruir essa dinâmica, lanço uma nova luz sobre como best-sellers são feitos e porque milhares de livros e autores encontram-se esquecidos em uma indústria cada vez mais focada no crescimento a curto prazo e de rentabilidade.

E a revolução digital?
Eu analiso o impacto da revolução digital sobre a publicação do livro e examino as pressões – tanto econômicas e tecnológicas – que são reconfiguração do campo da publicação do comércio hoje. Este livro novo e importante se estabeleça como um trabalho exemplar no estudo da cultura contemporânea e será leitura essencial para qualquer pessoa interessada em livros e seu futuro.

Gloriete Treviso | Ascom | 24/07/2010

Decisão isenta Kindle de impostos de importação


Imunidade tributária do leitor digital Kindle foi reconhecida pela Justiça Federal. Photo: Eric Thayer -6.mai.09/Reuters

O leitor digital Kindle, da Amazon, teve sua imunidade tributária reconhecida pela Justiça Federal.

A decisão vale apenas para a compra feita por Marcel Leonardi, advogado e professor da FGV-SP, que já havia conseguido, há sete meses, liminar para trazer o produto ao Brasil sem pagar tributos. Cada comprador precisará conseguir uma nova autorização via decisão judicial.

Isso significa que o Kindle, assim como os livros, fica isento de impostos na importação, conforme assegurado pelo artigo 150 da Constituição. A Receita Federal ainda pode recorrer.

Livros, periódicos e jornais são imunes a tributos, independentemente do respectivo suporte de exteriorização. Seja em papel, seja em plástico, seja em pele de carneiro“, afirma o juiz federal José Henrique Prescendo, na sentença. “O papel como suporte de comunicação tem seus dias contados.

O Kindle se encaixa na legislação, segundo o juiz, pois tem como finalidade o acesso a livros eletrônicos. A regra não vale para aparelhos que tenham outras funções, como iPads e notebooks.

VALE A PENA?

Para Leonardi, o custo da ação não compensa. “Dificilmente você gastaria menos de R$ 1.000. O produto com o imposto sai a mesma coisa“, diz, e destaca que há a chance de o consumidor perder o processo e ter de bancar ambos os custos. “Só se você conseguir um advogado que assine sem cobrar“, brinca.

Ele diz que entrou com o pedido apenas para criar a discussão sobre a tributação do aparelho, mas que não espera que gere efeito prático direto para o comprador.

Para valer para todos os consumidores, Leonardi afirma que seria necessária uma decisão favorável do STF [Supremo Tribunal Federal] ou uma ação coletiva, que poderia ser promovida pelo Ministério Público. Porém, o órgão apresentou, no processo, parecer contrário.

POR GRAZIELLE SCHNEIDER | Publicado originalmente em Folha.com | 24/07/2010 – 09h09