Edital de fomento à produção de livros em formato acessível


O Ministério da Cultura publicou nesta segunda-feira, 7 de junho, no Diário Oficial da União [Seção 3, páginas 9, 10 e 11], o Edital de Fomento à Produção, Difusão e Distribuição de Livros em Formato Acessível voltado para apoiar entidades privadas sem fins lucrativos. As inscrições encerram-se no dia 22 de julho.Será investido R$ 1 milhão em projetos que fomentem a produção, difusão e distribuição de livros em formato acessível para pessoas com deficiência visual, ou seja, livros convertidos por meio de técnicas especializadas de adaptação, que proporcionem descrição ou narração das possíveis representações gráficas presentes na obra, nos formato Daisy, Braille, livro falado [voz humana ou sintetizada] ou outro formato que permita o acesso de todas as pessoas, prioritariamente aquelas com deficiência visual, ao seu conteúdo, excetuados os livros didáticos.

O edital tem três categorias: infraestrutura de produção de livros em formato acessível; produção e distribuição de livros em formato acessível e capacitação e difusão em livros em formato acessível.Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas [FGV], encomendada pelo Ministério da Cultura, revelou que apenas 9% das bibliotecas públicas municipais possuem seção Braille. Aliado a isso, durante o ano passado, a Diretoria de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais [SPC/MinC], juntamente com a Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, da Secretaria de Articulação Institucional [SAI/MinC], realizou uma série de reuniões com associações que representam pessoas com deficiência visual e entidades que trabalham com a produção de livros acessíveis e constatou a carência de obras literárias em formatos acessíveis disponíveis para pessoas cegas ou com baixa visão.

A democratização do acesso ao livro passa também pela necessidade de oferta de formatos acessíveis. Por isso que os editais do Ministério da Cultura, na área de livro e leitura, têm contemplado a exigência de livros nestes formatos”, afirma o diretor de Livro, Leitura e Literatura da SAI/MinC, Fabiano dos Santos Piúba. O diretor de Direitos Intelectuais da SPC/MinC, Marcos Alves de Souza, acrescenta que “não é possível aumentar a demanda sem que se invista também em estruturas de produção e distribuição destes livros, garantindo uma rede descentralizada e que considera as particularidades regionais”.

Categorias do edital
Na categoria I – Infraestrutura de produção de livros em formato acessível serão selecionadas, no mínimo, três propostas, de até R$ 160 mil cada uma. Os recursos poderão ser usados para a criação de um centro de produção de livros em formato acessível ou sua ampliação. Os livros deverão ser distribuídos exclusivamente a pessoas com deficiência visual ou entidades que lhes atendam [associações, bibliotecas, entre outras].

A segunda categoria, voltada à Produção e distribuição destes livros, contemplará projetos de adaptação e reprodução de livros que deverão ser distribuídos gratuitamente para o público atendido pela instituição. Serão selecionadas, no mínimo, duas propostas, no valor máximo de R$ 200 mil cada.

A terceira categoria do edital é destinada à Capacitação e difusão, sendo selecionadas, no mínimo, duas iniciativas, no valor máximo de R$ 60 mil cada. Os projetos poderão ser de capacitação [por meio de cursos, treinamentos e outras atividades visando a transcrição, adaptação operação de programas e equipamentos que envolvam a produção e reprodução de livros em formato acessível] e difusão [de informações sobre livros acessíveis, entidades produtoras, acervos existentes ou práticas bem sucedidas nessa esfera].

As inscrições deverão ser feitas por correio eletrônico e  toda a documentação deve ser enviada por correio postal. A seleção dos projetos será feita por uma comissão.  Após a divulgação dos resultados de cada etapa de seleção, o proponente terá prazo de cinco dias úteis para interpor recurso. O resultado será publicado no Diário Oficial da União e no site www.cultura.gov.br, sendo de total responsabilidade do proponente acompanhar a atualização de informações em ambos.

Outras iniciativas de apoio à acessibilidade
Até o próximo dia 15 de junho, o Ministério da Cultura está com o Edital Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas aberto. Neste edital, além da exigência em todas as categorias  de um percentual mínimo de livro acessíveis, há uma categoria específica para o segmento, voltada para o apoio a bibliotecas acessíveis. Serão investidos R$ 85 mil para cada projeto, totalizando 30.  O valor poderá ser aplicado para a compra de acervo e de equipamentos e mobiliário destinados a pessoas com deficiência; capacitação de funcionários voltados para aperfeiçoar a gestão e o atendimento e serviços oferecidos aos usuários com deficiência; ampliação ou reforma física do espaço, adequando-o aos portadores de necessidades especiais, e a criação de programação sócio-cultural.

Junto com a Associação Nacional de Cegos do Rio Grande do Sul [Acergs], o MinC desenvolve o projeto piloto para uma Rede Nacional de Produção de Livros Acessíveis para pessoas com deficiência visual. O projeto prevê a estruturação do centro de produção de livros em formatos acessíveis e a qualificação de recursos humanos para trabalhar nesta produção. Junto com a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual [Lamara], desenvolve o Projeto inclusão no mundo da cultura através do acesso à escrita e à leitura Braille, que prevê a compra e adaptação de máquinas de escrever Braille e a produção de material explicativo para possibilitar que 15 mil estudantes cegos tenham acesso ao mundo da leitura por meio do Braille.

Além disso, na regulamentação da Lei do Livro, a acessibilidade também está contemplada ao exigir que toda obra publicada em território nacional deva estar disponível pelas editoras para venda ao consumidor interessado, por meio de versões em formato acessível ou em arquivo em formato digital, bem como ao prever a expansão de bibliotecas acessíveis.

Confira o edital.

MinC – 05/07/2010

Estudo aponta: e-books demoram mais para serem lidos que livros impressos


De acordo com um estudo realizado pelo Nielsen Norman Group — que não deve ser confundido com a empresa de análise de mercado Nielsen — com 24 leitores que apreciaram obras de Ernest Hemingway no PC, no Kindle 2, no iPad e no bom e velho livro impresso, este último ainda é o mais rápido para concluir a leitura.

O estudo concluiu que dos três meios digitais analisados, o iPad foi o que mais perto chegou dos livros impressos, sendo 6,2% mais lento que o papel. Leitores no Kindle foram 10,7% mais lentos do que no método mais tradicional. A leitura no PC foi a mais lenta, embora não tenha sido divulgado o quanto.

O nível de compreensão também foi analisado ao fim de cada leitura, para garantir que os participantes do estudo estavam realmente entendendo plenamente o que liam, e não só correndo pelas páginas. Foi concluído que o nível de compreensão era o mesmo independentemente da plataforma.

Também foi pesquisado o quanto os leitores gostaram de cada um dos meios de leitura. O iPad foi o mais apreciado pelos pesquisados. Em uma escala de 1 a 7, o tablet da Apple teve nota média 5,8. O Kindle 2 e o livro impresso vieram logo atrás, com notas 5,7 e 5,6, respectivamente. Ler no PC não foi considerada uma experiência muito agradável, tendo nota média de apenas 3,6 pontos. Os indivíduos participantes da pesquisa citaram que ler no PC parecia muito com estar no trabalho.

Alguns pontos da pesquisa, porém, acreditamos eu e nosso editor Thássius, podem ser questionados. Um deles é a familiaridade desses participantes com o iPad e o Kindle. Estariam eles já habituados a tais dispositivos quando começou a pesquisa?

Outro aspecto é a utilização de apenas 24 participantes na pesquisa. Segundo a matéria do Mashable [endossada pela CNN], 10 participantes é a média em pesquisas de usabilidade. Ainda assim isso ainda nos parece pouco para poder considerar os resultados representativos.

De qualquer maneira, está apresentada aos nossos leitores a pesquisa do Jakob Nielsen sobre a leitura de livros e e-books em diversas plataformas. Aceitar os dados ou discutí-los caberá ao senso crítico de cada um.

Publicado originalmente no Tecnoblog | 05/07/2010 às 18h09 por  Juarez Lencioni Maccarini | Com informações: PCWorld, Mashable.

Vendas de downloads ganham espaço na internet brasileira


O mercado de downloads surpreendeu as redes brasileiras que apostaram no formato. Recém-lançados, os serviços de compra via troca de dados na internet já experimentam crescimentos de até 300% nas vendas.

Executivos e especialistas acreditam que os produtos possam repetir a curva de crescimento observada no comércio on-line do país, que neste ano deve chegar a 30% do total das vendas.

A referência do potencial é o mercado norte-americano de e-books [livro digital], que registra avanço médio anual de 71,7%.

A última estatística da APP [Associação Americana das Editoras] mostrou os e-books ocupando 4% do mercado total das vendas, o equivalente a US$ 27,4 milhões.

“Conseguimos fazer o download de jogos gerar mais receita do que os de caixinha. Isso é surpreendente para mim”, diz o gerente comercial do PontoFrio.com, Cláudio Campos.

Desde outubro de 2009, quando os downloads começaram a ser comercializados no site, as vendas crescem 20% ao mês, segundo dados do varejista. Até o final do ano, a empresa quer ampliar o serviço para livros e filmes.

Campos diz que os down- loads atraem pelo preço e a possibilidade de utilização imediata, além da oferta do arquivo de títulos com baixa tiragem. O formato é cerca de 50% mais barato do que um jogo vendido em caixa.

VENDAS CRESCENTES

A ampliação dos títulos foi essencial para fazer as vendas de downloads de filmes da Saraiva.com registrar crescimento de 300% desde o lançamento, em maio do ano passado.

Os 1.200 títulos disponíveis hoje representam 60% a mais do que o número inicial. A empresa espera repetir o resultado com os e-books, lançados em junho.

A próxima evolução do nosso negócio é digital. O cliente vai consumir cultura sem receber o produto físico“, afirma o diretor presidente da Livraria Saraiva, Marcílio D’Amico Pousada.

Ele estima que as vendas virtuais da empresa vão superar as compras nas lojas em cinco anos. Hoje, o comércio virtual representa 35% do faturamento.

Já a Livraria Cultura, que tem 20% da receita no comércio virtual, espera igualar as vendas de e-book ao nível americano em dois anos. A venda dos livros digitais foi lançada em maio e no último mês registrou alta de 100%.

Para o diretor do e-bit, de informação sobre comércio eletrônico, Pedro Guasti, a comercialização de downloads é caminho sem volta.

Ele acredita que esse mercado será impulsionado com a expansão da banda larga e a queda nos preços dos equipamentos de leitura portátil, como Kindle e iPad.

Folha de S. Paulo | 05/07/2010 | Gabriel Baldocchi

Livros impressos são lidos mais rapidamente do que e-books, diz estudo


O tempo que uma pessoa leva para ler um livro é maior nos dispositivos eletrônicos, segundo estudo recente de Jakob Nielsen, da empresa de consultoria Nielsen Norman Group. A informação foi divulgada pelo site da revista “PC World”.

A pesquisa analisou o tempo de leitura de 24 usuários em um Kindle 2, no programa iBooks do iPad, no monitor de um computador e no tradicional papel. Eles leram contos de Ernest Hemingway nas quatro plataformas.

No geral, o levantamento mostrou que um usuário leva até 10,7% mais tempo para ler em um tablet eletrônico, se comparado à leitura do livro impresso. Apesar disso, informa a “PC World”, os leitores preferiam mais ler nos tablets do que no papel.

Folha Online | Tec | 05/07/2010 | 12h48