Historiador americano teme que Google crie monopólio do conhecimento


A Questão dos Livros | Robert Darnton | Companhia das Letras | 168 páginas

Na obra “A Questão dos Livros” [Companhia das Letras, 2010], o historiador Robert Darnton denuncia o risco de concentração de conhecimento nas mãos de uma única empresa.

O intelectual, diretor da biblioteca da Universidade de Harvard [um dos maiores acervos do mundo], se refere mais especificamente ao Google, que atualmente negocia a digitalização das bibliotecas dos principais centros universitários dos EUA. A intenção da megacorporação é escanear as coleções e torná-las acessíveis na rede mediante assinaturas pagas.

Darnton falará do tema, com Peter Burke, de “Uma História Social do Conhecimento” [Zahar], e John Makinson na Flip [Festa Literária Internacional de Paraty], nos dias 5 e 6 de agosto, nas mesas “O livro: capítulo 1” e “O livro: capítulo 2”.

“A Questão dos Livros” ainda traça um panorama da história das publicações impressas e arrisca previsões sobre qual destino terão com a digitalização.

Com um texto simples e acessível, Darnton levanta debates essenciais sobre o futuro do conhecimento em nossa sociedade, questão que envolve desde o acesso livre à obras raras e fora de catálogo, até as grandes polêmicas com direitos autorais.

LEIA ABAIXO UM TRECHO DO LIVRO

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Há quatro anos, o Google começou a digitalizar livros de bibliotecas de pesquisa, permitindo buscas em textos integrais e tornando obras em domínio público disponíveis na internet sem custo algum para o usuário. Agora, por exemplo, qualquer pessoa em qualquer lugar pode ler e baixar uma cópia digital da primeira edição de Middlemarch, de 1871, que pertence ao acervo da Biblioteca Bodleiana, da Universidade de Oxford. Todos lucraram, inclusive o Google, que obteve receita de discretos anúncios ligados ao serviço. A empresa também digitalizou um número cada vez maior de obras de bibliotecas que estavam protegidas por copyright, de modo a fornecer serviços de busca que exibiam pequenos trechos do texto. Em setembro e outubro de 2005, um grupo de autores e editores moveu uma ação popular coletiva contra o Google, alegando violações de copyright. Em 28 de outubro de 2008, após as negociações demoradas e secretas, os litigantes anunciaram ter chegado a um acordo, que está sujeito à aprovação do Tribunal Distrital dos Estados Unidos pelo Distrito Sul de Nova York.

O acordo cria um empreendimento chamado Book Rights Registry, um registro de direitos autorais para representar os interesses dos detentores de copyright. O Google venderá acesso a um gigantesco banco de dados composto essencialmente por livros fora de catálogo, mas ainda protegidos por copyright, digitalizados dos acervos de bibliotecas de pesquisa. Faculdades, universidades e outras organizações poderão se tornar assinantes comprando uma “licença institucional” que permitirá acesso ao banco de dados. Uma “licença de acesso público” disponibilizará esse material para bibliotecas públicas, onde o Google fornecerá acesso gratuito aos livros digitalizados num único terminal de computador. Pessoas físicas também poderão acessar e imprimir versões digitalizadas desses livros se comprarem uma “licença de consumidor” do Google, que cooperará com o registro na distribuição da receita aos detentores do copyright. O Google ficará com 37% e o registro distribuirá 63% entre os detentores dos direitos.

Enquanto isso, o Google continuará disponibilizando livros em domínio público aos seus usuários, seja para ler, baixar ou imprimir, sempre de forma gratuita. Dos 7 milhões de títulos que ele informou ter digitalizado até novembro de 2008, 1 milhão é de obras em domínio público; 1 milhão estão protegidos por copyright e em catálogo; e 5 milhões são livros sob copyright, mas fora de catálogo. Esta última categoria fornecerá a maior parte das obras a serem disponibilizadas pela licença institucional.

Muitos dos livros protegidos por copyright e ainda em catálogo não ficarão disponíveis no banco de dados, a menos que os detentores dos direitos optem por sua inclusão. Continuarão a ser vendidos de maneira tradicional, como livros impressos, e também poderão ser oferecidos a pessoas físicas em edição digital via licença de consumidor para download e leitura, talvez até mesmo em leitores de e-books, como o Sony Reader.

Depois de ler o acordo e absorver seus termos – uma tarefa nada fácil, pois são 134 páginas e quinze apêndices de juridiquês -, é bem possível que o leitor fique abismado: eis uma proposta que pode resultar na maior biblioteca do mundo. Seria, naturalmente, uma biblioteca digital, mas tão gigantesca que faria a Biblioteca do Congresso e todas as bibliotecas nacionais da Europa parecerem minúsculas. Além disso, ao fazer cumprir os termos do acordo com autores e editores, o Google poderia também se tornar a maior empresa livreira do mundo – não uma cadeia de lojas, mas um serviço eletrônico de distribuição que desmataria a Amazon.

Um empreendimento dessa escala está fadado a suscitar os dois tipos de ração que venho discutindo: por um lado, entusiasmo utópico; por outro, lamúrias sobre o perigo de concentrar poder de controlar o acesso à informação.

Quem não se comoveria com a perspectiva de disponibilizar virtualmente todos os livros das maiores bibliotecas de pesquisa dos Estados Unidos a todos os americanos, e talvez até mesmo a todas as pessoas do mundo com acesso à internet? A magia tecnológica do Google não apenas levará os livros até os leitores, mas também abrirá oportunidades extraordinárias para pesquisas, toda uma gama de possibilidades que vão de simples buscas por palavras até complexas garimpagens de textos. Sob certas condições, as bibliotecas participantes serão capazes de usar as edições digitalizadas de seus livros para repor obras danificadas ou perdidas. O Google também criará modos de tornar os textos mais acessíveis a leitores com deficiência.

Infelizmente, seu compromisso de fornecer livre acesso ao seu banco de dados num único terminal de computador em cada biblioteca pública é repleto de restrições: os eleitores não poderão imprimir nenhum texto protegido por copyright sem pagar uma taxa aos detentores dos direitos [embora o Google tenha se oferecido para pagar por eles de antemão]; e um único terminal dificilmente será suficiente para satisfazer a demanda em grandes bibliotecas. Mas a generosidade do Google será uma dádiva para leitores de cidades pequenas com bibliotecas limitadas, que terão acesso a um número de livros maior que o acervo atual da Biblioteca Pública de Nova York. Ele pode tornar realidade o sonho do Iluminismo.

Mas será que realmente fará isso? Os filósofos do século XVIII encaravam o monopólio como um dos principais obstáculos à difusão do conhecimento – não apenas monopólios em geral, que reprimiam o comércio na visão de Adam Smith e dos fisiocratas, mas monopólios específicos como a Stationers’ Company londrina e a guilda de livreiros de Paris, que sufocavam o livre comércio dos livros.

O Google não é uma guilda e não se propôs a criar um monopólio. Pelo contrário, vem buscando um objetivo louvável: promover o acesso à informação. Mas o caráter coletivo e popular do acordo torna o Google invulnerável à competição. A maioria dos autores e editores americanos que detêm copyright estão automaticamente incluídos nesse acordo. Podem escolher ficar de fora; mas, façam o que fizerem, nenhuma outra iniciativa de digitalização poderá ser iniciada sem obter seu consentimento caso a caso [uma impossibilidade prática], ou sem acabar se envolvendo em outra ação coletiva. Se aprovado pelo tribunal – um processo que pode levar até dois anos -, o acordo concederá ao Google, na prática, controle sobre a digitalização de todos os livros protegidos por copyright nos Estados Unidos.

De início, ninguém previu este resultado. Relembrando o processo de digitalização desde os anos 1990, agora se percebe que desperdiçamos uma grande oportunidade. Uma iniciativa do Congresso e da Biblioteca do Congresso, ou de uma ampla aliança de bibliotecas de pesquisa apoiada por uma coalizão de fundações, poderia ter realizado esse trabalho a um custo viável e estruturado o processo de modo a deixar o interesse público em primeiro lugar. Dividindo os custos de diversas maneiras – uma taxa de locação baseada no volume de uso de um banco de dados, ou uma linha de financiamento do National Endowment for the Humanities ou da Biblioteca do Congresso -, poderíamos ter proporcionado uma fonte de renda legítima a autores e editores, mantendo, ao mesmo tempo, um repositório de acesso livre ou com acesso baseado em tarifas razoáveis. Poderíamos ter criado uma Biblioteca Digital Nacional, o equivalente à Biblioteca de Alexandria no século XXI. Agora é tarde. Não só deixamos de reconhecer essa possibilidade como também – o que é ainda pior – estamos permitindo que uma questão de políticas públicas – o controle do acesso à informação – seja determinada por uma ação judicial privada.

Enquanto o poder público cochilava, o Google tomou a iniciativa. Não foi ele que resolveu decidir o assunto no tribunal. A empresa foi cuidando de sua vida, escaneando livros em bibliotecas; fez isso com tanta eficácia que despertou o apetite alheio por um quinhão dos lucros potenciais. Ninguém deveria questionar o direito dos autores e editores à receita de direitos que lhes pertencem; nem seria adequado fazer julgamentos superficiais sobre as partes litigantes da ação. O juiz do tribunal distrital determinará a validade do acordo, mas trata-se essencialmente de uma questão de dividir lucros, e não de promover o interesse público.

Como consequência inesperada, o Google agora desfrutará do que só pode ser chamado de monopólio – um novo tipo de monopólio, não de ferrovias ou aço, mas de acesso à informação.

Livraria da Folha | 31/07/2010 – 11h29

Para viajar na internet


A internet colocou ao alcance dos dedos de 54 milhões de brasileiros acervos preciosos que estavam restritos a baús de parentes, arquivos de empresas, bibliotecas de instituições ou a gavetas do Estado. Na última década, movidas por vários interesses, entre eles a democratização do conhecimento, entidades públicas e privadas digitalizaram seus patrimônios culturais e permitiram ao público acesso a documentos, fotografias, músicas, livros e filmes de forma segura [para o internauta] e dentro da lei, respeitando os direitos autorais de seus autores.

Bens históricos ou pitorescos estão nessas prateleiras virtuais. É o caso das imagens do Brasil de 1800 capturadas pela lente do fotógrafo Marc Ferrez, cuja obra faz parte do acervo do Instituto Moreira Salles [IMS], guardião de mais de 600 mil imagens fotográficas, 5 mil delas já disponibilizadas na rede mundial de computadores. Ou das fichas, antes secretas, da época da ditadura sobre as supostas atividades subversivas do cineasta Glauber Rocha, um dos ícones do cinema Novo, morto em 1981.

A digitalização de acervos é um dos principais instrumentos para que o acesso democrático à informação de fato ocorra. No entanto, a Lei de Direitos Autorais [nº 9.610/98] vai na contramão desse movimento. O site tempoglauber.com.br, comandado pela mãe do cineasta, dona Lúcia Rocha, de 92 anos, oferece uma série de informações, como a biografia, a filmografia, contextualizadas historicamente, além de documentos, fotos e anotações íntimas. Mas, devido à atual lei autoral, evita disponibilizar filmes dele na internet. Por isso, quem quiser assistir aos premiados Deus e o diabo na terra do sol ou Terra em transe, precisa ir à sede da instituição, um casarão antigo que fica em Botafogo, bairro carioca onde viveu e morreu Glauber, aos 42 anos.

Mas há sites de fácil acesso a obras livres da cobrança de direitos autorais, como o dominiopublico.gov.br, vinculado ao Ministério da Cultura. São mais de 130 mil opções, como toda a obra de Machado de Assis.

A população está diante de uma imensa estante de livros. Estamos realmente caminhando bem em relação à digitalização de acervos. Mas isso faz o povo ser mais instruído? Não!”, argumenta o professor Gilberto Lacerda Santos, especialista em tecnologia na educação da Universidade de Brasília [UnB], para quem falta à população saber buscar e utilizar a informação de forma pertinente.

De acordo com ele, a democratização do acesso só ocorrerá depois que o país tiver leitores qualificados e conscientes. Para isso, o especialista aponta a escola como fator fundamental nessa inclusão. “Só com uma escola de qualidade teremos informação transformada em conhecimento”, destaca.

O perfil do usuário da rede mundial de computadores reforça a análise feita por Gilberto Santos. Revelando a disparidade entre aqueles que têm acesso ao mundo digital e seus excluídos, pesquisas apontam que mais da metade da população brasileira [60%] nunca surfou na net. Somente 17% das classes D e E tiveram acesso a um computador nos últimos três meses, segundo dados da mais recente pesquisa TIC Domicílios, feita pelo Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e Comunicação [Cetic]. Dados que contrastam com o número de internautas das classes A e B com acesso à rede mundial de computadores: quase 70%.

Responsável pelo Mapa da Inclusão Digital de 2009, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia [Ibict], a pesquisadora Anaísa Gaspar admite que ainda há muito a fazer. “Colocamos o Brasil científico na rede, mas falta atingir a parcela da população que está à margem desse processo”, diz. De acordo com o levantamento, há apenas 21 mil pontos de inclusão digital [em escolas, por exemplo] em todo o país. “É muito pouco”, reconhece. E para evitar que as mudanças de governo prejudiquem o avanço dos projetos, ela sugere que órgãos e programas públicos trabalhem ao lado da iniciativa privada. É o caso do Projeto Curta na Escola, braço social do site Porta Curtas.

O projeto fornece 270 curtas-metragens considerados de conteúdo pedagógico a 19 mil escolas cadastradas no site portacurtas.com.br, que é de iniciativa privada, mas tem patrocínio da Petrobras. Em apenas dois anos, esses filmes foram vistos on-line por mais de 10 milhões de alunos em salas de aula, fortalecendo o material didático de milhares de professores da rede pública de ensino e permitindo que esses jovens de norte a sul do país conheçam um pouco da sétima arte. O site tem mais de 8 mil filmes cadastrados.

Mudanças à vista


Os direitos autorais protegem as criações intelectuais, expressas por quaisquer meios e em quaisquer suportes. Estão nesse contexto obras literárias, artísticas e científicas. Entre os beneficiados pelos direitos autorais estão compositores, músicos, escritores, tradutores, cineastas, arquitetos, escultores, pintores, e outros.

Há dois anos, o Ministério da Cultura vem tentando elaborar um texto novo visando atualizar a lei que trata dos direitos autorais [nº 9.610/98]. O texto está disponível para consulta e crítica públicas. Dentre as regras que podem sofrer alteração há desde a descriminalização da xerox de livros até a possibilidade de acervos públicos poderem disponibilizar obras para fins educacionais. Artistas contrários à mudança da lei avaliam que os artigos propostos pelo governo flexibilizam demais os direitos, colocando em risco a sobrevivência de quem vive apenas dos direitos de sua obra – caso, por exemplo, de compositores que não fazem shows.

Sites que divulgam seus acervos

www.tempoglauber.com.br
» Foi chamado de tempo e não templo em uma homenagem à obra do cineasta, que seria imune a ele. Lá estão a biografia, a filmografia, contextualizadas historicamente, além de documentos, fotos e anotações íntimas.

www.ims.com.br
» Hospedado no Uol, o site dos Instituto Moreira Salles agrada principalmente quem se interessa por fotografias [há 5 mil imagens digitalizadas] e literatura.

www.portacurtas.com.br
» Site com mais de 8 mil curtas-metragens.

www.dominiopublico.gov.br
» São mais de 130 mil obras – em som, imagem, texto e vídeo – livres de direitos autorais. Entre eles, toda a obra de Machado de Assis.

http://prossiga.ibict.br/bibliotecas/
» Lá você acessa os repositórios digitais de várias universidades públicas do país e bibliotecas virtuais sobre diversos temas, entre eles artes cênicas e literatura.

http://aplauso.imprensaoficial.com.br
» Somente da coleção Aplauso, são 174 obras, entre biografias, roteiros e histórias da TV brasileira. Outros livros também estão disponíveis no acervo digital da editora, como Retratos da LEITURA, LIVRO que reúne dados e artigos sobre os hábitos de LEITURA do brasileiro, coordenado pelo jornalista Galeno Amorim.

Confira o anteprojeto no site:
www.CULTURA.gov.br/consultadireitoautoral

Para enviar propostas, o e-mail é: direitoautoral@planalto.gov.br

Regina Bandeira | Correio Braziliense | 30/07/2010

Pequena livraria sai da crise com ajuda da internet


A Broadway Books, em Portland, estava prestes a fechar as portas, vítima da crise econômica americana. Até que o Twitter e a blogosfera surgiram em seu socorro, provando que as novas tecnologias podem, sim, resgatar velhos modelos de negócio

Encontro de gerações | Roberta Dyer contou com a ajuda do filho, Aaron Durand, e do seu blog para impedir o fechamento da livraria Broadway Books

Em janeiro de 2009, a crise econômica mostrava sua face mais opressiva. Por toda parte, o que se via eram negócios fechando as portas e funcionários antigos perdendo seus empregos. Era um fim de tarde quando parei na livraria do meu bairro em Portland, estado de Oregon, para pegar alguns livros que minha mulher precisava para um curso. Eu era o único cliente. O silêncio parecia assustador. “Como vão as coisas?“, perguntei à proprietária, Roberta Dyer, enquanto ela recebia o meu pagamento. Eu era um cliente habitual da Broadway Books havia mais de uma década, mas há meses não entrava na loja. Roberta fez uma pausa antes de responder, e imaginei o pior. “Nosso ano foi péssimo“, admitiu. “Mas, em dezembro, aconteceu um milagre.
Há 17 anos, Roberta enfrentava com coragem o desafio de manter a loja aberta, mesmo diante da concorrência das franquias e das livrarias on-line. Nunca pensei nela como alguém que acreditasse em milagres. Por isso, ao ouvir sua resposta, imaginei que ela ainda estivesse abalada pelos fatos do ano anterior. Qualquer que fosse o golpe de sorte que havia salvado a livraria – uma herança de família, uma doação de um cliente ou outro fato inesperado – , o mais provável era que ainda estivesse muito emocionada para pensar claramente.

Eu estava enganado. A história que ela me contou a seguir era absolutamente surpreendente. Não é todo dia que as novas tecnologias, consideradas as destruidoras das antigas tradições, colaboram para manter de pé dois pilares da velha cultura – os livros e a tradicional loja de bairro, comandada pelo dono. Mas não era só isso. O que eu ouvi de Roberta Dyer era uma história sobre uma mãe e um filho que se conectaram, apesar de sua diferença de gerações; sobre blogs, burritos e tempestades de neve; e sobre o poder de resistência quase místico das pequenas empresas locais. Só o cético mais insensível não chamaria aquilo de milagre.

Tudo começou na manhã de 8 de dezembro de 2008, durante a temporada de compras de fim de ano, quando a Broadway Books normalmente alcança 25% de suas vendas anuais. Sentada atrás do balcão de sua livraria vazia, cercada de pilhas de livros não vendidos, Roberta percebeu que o seu faturamento estava prestes a desabar. Ela havia aberto a livraria em 1992, depois de passar duas décadas trabalhando para uma loja de departamentos. Quando eu me mudei para o bairro, no ano seguinte, a Broadway Books já estava estabelecida. Era pra lá que os moradores do bairro se dirigiam quando queriam encontrar um bom livro.

Foi assim até setembro do ano passado. Mas aí tudo mudou. “Comecei a ver um olhar triste nas pessoas“, lembra Roberta. “Era como se elas tivessem perdido a fé nas coisas mais básicas. Ninguém comprava mais nada nas lojas do bairro.” Os meses de outubro e novembro foram igualmente sombrios. Diante dos maus resultados do início de dezembro, Roberta começou a perder a fé: talvez fosse mesmo hora de fechar as portas. Antes de tomar qualquer decisão, porém, decidiu ligar para o filho. Precisava dizer a ele que não encontrara aquele livro de música encomendado havia alguns meses. Mas, acima de tudo, precisava ouvir a voz do único filho. Aaron Durand, de 28 anos, estava em seu trabalho, numa empresa de calçados Birkenstock USA em Novato, na Califórnia, quando recebeu a ligação.

Não consegui aquele livro para você“, disse ela. “Tudo bem“, respondeu o filho. “Não tenho pressa.” Ela insistiu. “Você não entendeu, eu não posso te ajudar. Meus distribuidores não trabalham com essa editora. Você vai ter de entrar on-line, fuçar um pouco e encomendar o livro.” Estranhando o tom desanimado da mãe, Aaron perguntou: “Está tudo bem com você?“. Ela disse apenas: “Sinto muito, filho, não posso te ajudar“. Encafifado, Aaron mandou um e-mail para o pai. “O que está acontecendo com a mamãe?” Foi David Durand quem deu a notícia ao filho: a Broadway Books ia fechar suas portas.

Aaron ficou atônito. Ele tinha 12 anos quando sua mãe abriu a loja. Roberta era tão dedicada à livraria que a família costumava dizer que ela era sua filha. Perdê-la seria um golpe terrível. Sem pensar, Aaron abriu o laptop, entrou em sua página no Twitter e começou a digitar: “Se você estiver em Portland, pode me fazer um favor? Compre um livro na Broadway Books. Não, espere, compre 3…“. Ele costumava entrar no Twitter para contar aos amigos que música estava escutando ou falar sobre minigolfe. Mas, naquele momento, as palavras vieram com mais força. Aaron teve uma inspiração, e completou: “…e eu lhe pagarei um burrito na próxima vez que for à cidade“, digitou.

Continua em Pequenas Empresas & Grandes Negócios | Edição 257 | Junho/2010 | Por John Brant, da INC.

Impostos mais que dobram preço do novo Kindle para os brasileiros


O modelo do Kindle é novo, mas a história para os brasileiros continua a mesma: os impostos vão mais que dobrar o preço do leitor de livros eletrônicos, anunciado pela americana Amazon por US$ 139.

Levantamento feito no site da Amazon com os 28 países em que é possível verificar as taxas de importação mostra que em nenhum deles se paga mais do que no Brasil.

Aqui, o Kindle só com tecnologia Wi-Fi [internet sem fio], que é a versão mais barata, sai por US$ 312,15 [cerca de R$ 550], sendo que US$ 152,17 são referentes a taxas de importação.

Novo Kindle Wi-Fi anunciado hoje pela Amazon; preço do aparelho é R$ 280 nos Estados Unidos

O segundo lugar onde é mais caro é a Índia: as taxas de importação somam US$ 56,34 -quase dois terços menos que no Brasil.

Em alguns países, casos de Hong Kong ou Hungria, não há taxa de importação. Só é preciso custear o frete, que é fixo para todos os 28 países: US$ 20,98.

A mesma situação vale para o Kindle que tem a tecnologia 3G [terceira geração], além de Wi-Fi. O aparelho, que custa US$ 189 no mercado norte-americano, chega ao Brasil por US$ 409,71 [aproximadamente R$ 725], sendo que US$ 199,73 são taxas de importação.

Os novos produtos começaram a ser vendidos ontem, mas só passarão a ser enviados para a casa dos compradores em 27 de agosto.

De acordo com a Amazon, caso as taxas de importação cobradas no país sejam inferiores à estimativa feita por ela, a empresa irá devolver a diferença. Na hipótese oposta, ela se responsabiliza em cobrir os custos.

Recentemente, um advogado conseguiu uma liminar para trazer o produto ao Brasil sem pagar tributos, já que ele é colocado na mesma categoria de livros e jornais, que não pagam impostos.

Mas a sentença não vale para todos. O comprador que não quiser pagar as taxas terá que obter liminar.

NOVO PRODUTO

Os novos modelos do Kindle, apresentados ontem, são mais leves e menores que as suas versões anteriores, mas a tela permanece do mesmo tamanho. A bateria passa a ter maior duração, podendo funcionar por até 30 dias.

A faixa inicial de preços também caiu. Antes, o modelo mais barato custava US$ 189, ante os US$ 139 atuais, uma aposta para massificar os livros eletrônicos.

A notícia não animou os investidores, e a ação da Amazon caiu 0,23% ontem.

Folha de S. Paulo | 30/07/2010 | Por Álvaro Fagundes

Vem aí nova livraria virtual


Em dois meses, haverá no mercado uma nova livraria virtual. A Terra Sapiens, especializada em atendimento de biblioteca e indicação de livros para instituições de ensino brasileiras e com 19 anos de experiência, amplia sua atuação com a criação dessa livraria, que será um pouco diferente das que já existem por aí. Intitulada Terra do Saber, será focada em atendimento e conteúdo e tem tudo para se tranformar em um portal de conhecimento. “Vender será pura consequência”, diz Ana Falcão, que está tocando o projeto ao lado de Marcos Mendonça.

PublishNews | 30/07/2010

Amazon lança nova versão com Wi-Fi do Kindle por R$ 280 nos EUA


A Amazon lançou, nesta quarta-feira [28] o Kindle Wi-Fi, nova versão do leitor eletrônico com rede sem fio como única opção de conexão. O preço do aparelho é de US$ 139 [R$ 280].

A empresa revelou, também, a terceira geração do Kindle tradicional.

Apesar de aproximadamente 21% menor e 15% mais leve que a versão anterior, o produto manterá o preço de US$ 189 [R$ 333].

Novo Kindle Wi-Fi anunciado hoje pela Amazon; preço do aparelho é R$ 280 nos Estados Unidos

A Amazon não forneceu previsões de venda para o novo Kindle, mas afirmou, na última semana, que o mercado triplicou após a redução de preço da versão anterior, que custava US$ 259 [R$ 457].

Com esse nível de preços, estamos começando a ter evidências suficientes para afirmar que esse é um produto de massa“, disse o executivo-chefe Jeff Bezos, em entrevista.

Segundo ele, o sucesso de vendas do Kindle permitiu que a Amazon baixasse os preços mesmo enquanto concorrentes entravam no mercado.

Vendemos milhões de Kindles da geração anterior, e venderemos milhões desta versão“, afirmou.

Os aparelhos, que estão disponíveis em pré-venda, serão enviados a partir do dia 27 de agosto.

A Amazon melhorou o contraste da tela de seus novos Kindles, mas o tamanho de 6 polegadas continua o mesmo.

As páginas também viram mais rapidamente e cerca de 3.500 livros podem ser armazenados, o dobro da versão anterior. Os dois modelos apresentam bateria com um mês de vida útil.

O analista da Forrester, empresa de pesquisa em tecnologia, James McQuivey, afirmou que não esperava um novo Kindle antes do final do ano.

Isso sugere que a Amazon está falando sério quando diz que entrou nesse mercado para ficar“, disse ele.

Folha.com | TEC | 29/07/2010 – 12h58 | DA REUTERS, EM SEATTLE

Wylie ameaça expandir a Odyssey


Andrew Wylie, o agente literário cujo acordo exclusivo com a Amazon na semana passada chacoalhou o mundo editorial norte-americano, ameaçou expandir seus negócios de publicação digital caso os editores tradicionais se recusem a incrementar os royalties dos e-books. Em entrevista, Wylie disse que prefere negociar com editroes que tratem ao mesmo tempo dos direitos para os livros impressos e para os digitais, mas depois de nove meses de discussões não conseguiu chegar a um acordo satisfatório com nenhuma das grandes editoras. “Se não chegarmos a um acordo, a Odyssey vai crescer. Não serão vinte títulos, mas dois mil. E a editora terá investidores e estará aberta para outros agentes”, afirmou Wylie ao Financial Times. “Estou apenas tentando deixar claro o meu ponto de vista, com o objetivo de ressaltar a importância de conseguir bons acordos que juntem os ganhos das duas origens [digital e impresso].” Editoras como a Penguin, que pertence ao grupo Pearson, acreditam que o agente tem um poder de barganha limitado porque os direitos para e-books foram incluídos nos contratos dos escritores desde meados dos anos 1990. Os vinte livros incluídos no acordo com a Amazon são anteriores a esse período. A criação da Odyssey Editions, que transformou o senhor Wylie em agente e editor, foi amplamente criticada por autores e editores, devido ao conflito de interesses que pode haver.

Financial Times | 29/07/2010 | Kenneth Li e John Gapper

O que acontece quando uma mentira é contada várias vezes?


Reza a lenda que a Amazon teria vendido mais livros digitais que livros impressos.
Mas s
erá que é realmente verdade isso?

Eu trabalho com livros eletrônicos há muito tempo, sou especialista no tema a mais de dez anos. Neste site aqui, no eBook Reader, eu não costumo colocar a minha visão sobre as matérias que estão sendo veiculadas na imprensa. Procuro evitar, porque sempre que eu falo algo, alguém do próprio mercado editorial torce o nariz. Portanto, este espaço aqui seria apenas um trabalho de clipping que realizo e que me ajuda a saber o que está rolando no universo dos livros digitais. E eu compartilho isso com os leitores deste espaço.

Mas é tanta asneira que eu ouço e leio sobre os livros digitais que, chega uma hora, irrita e não dá pra segurar.

Com todo o respeito a classe jornalística ainda profissional e ética, mas para mim é realmente muito difícil acreditar que algumas matérias estejam sendo produzidas. O Bom Dia Brasil [que é um dos programas matutinos televisivos mais visto e importante do nosso país], por exemplo,  veiculou recentemente uma matéria que é, ao mesmo tempo, de uma falta de informação inacreditável e lastimável.

Antes de continuar a ler este meu artigo, por gentileza, confira a matéria ao qual eu me refiro.


Agora que você conferiu a matéria, vamos lá:

PRIMEIRO: Quem fez o anúncio dos tais números veiculados pela matéria foi a Amazon. Mas Amazon nunca foi nem nunca será uma das maiores livrarias dos Estados Unidos. A Amazon é o maior e-commerce especializado em livros [principalmente impressos] vendidos pela Internet. A Amazon é uma livraria online. Se alguém tiver o endereço de alguma livraria Amazon física, por favor, me avisa que eu gostaria de conhecer. A maior cadeia de livrarias físicas, cujas imagens são mostradas na matéria é, na verdade, da Barnes & Noble. Quem escreveu o texto da matéria sequer foi dar uma olhada na fonte.

SEGUNDO: O texto da matéria diz que “nos últimos três meses as vendas de livros eletrônicos ultrapassaram as dos livros de papel“.

A qual livro eletrônico a matéria se refere? Ao aparelho, hardware, e-reader, ou aos títulos digitais que circulam também nos aplicativos?

De qualquer modo, mesmo assim, isso é simplesmente impossível. Tecnicamente impossível. Matematicamente impossível. O anúncio feito pela Amazon definitivamente não foi esse. O que a Amazon disse, quando divulgou os números é que, a venda de títulos digitais em versão Kindle agora ultrapassa, de certo modo, a venda de títulos em acabamento capa dura [lá fora chamados de harcovers]. Ou seja, títulos em versão Kindle está vendendo mais do que esses títulos específicos.

A saber: no mercado editorial existem vários tipos de acabamento de livros. Os livros de capa dura [espero não ter de explicar ao jornalista o que seja isso] são, digamos, uma modalidade, e os livros impressos em papel flexível, chamados de brochura, são outra.

Os números da Amazon se referem, ou são comparados, às vendas de livros de capa dura. E não aos livros em brochura [cujas vendas até hoje nunca foram ultrapassadas].

Mas, mesmo assim, e daí? Que notícia mais medonha! Será que isso tem relação com o anúncio de faturamento da Amazon em comparação com o valor de sua marca e de suas ações, anunciada também recentemente? Nem vou me adentrar na questão.

TERCEIRO: O texto da matéria do programa Bom Dia Brasil diz que: “São, em média, 143 livros digitais para cada cem unidades tradicionais”. Não. Não é isso. O livro em capa dura não é tradicional, é excessão para o mercado. O tradicional é o livro brochura e, nos Estados Unidos o capa dura é menos popular até que os livros de bolso [que ganham em audiência exatamente por conta dos preços populares].

Quando é que as vendas de livros digitais [eu digo da cópia do arquivo mesmo] vai ultrapassar as vendas dos pockets?

É claro, é óbvio que se venda mais eBooks do que livros em capa dura na Internet. Os livros em capa dura são caros e comprados por leitores muito específicos em livrarias físicas, pois, ou são table books ou são livros infantis, ou edições especiais de best-sellers para um público muito específico.

informação da matéria está, portanto, errada. Completamente distorcida. Um erro brutal no jornalismo. Não foi isso o que foi dito pela Amazon. Embora tenha sido essa a intenção da empresa.

É a mesma coisa que aconteceu com a notícia no último final de ano.

A Amazon dizia que o Kindle batia todos os recordes de venda no Natal. Ok, mas recordes de venda comparado ao que ou a quem? Eu gostaria que alguém comparasse todo esse recorde de vendas do Kindle com as vendas do iPhone naquele final de ano. Porque é muito fácil dizer que há recorde de venda em comparação a si mesmo, quando sabemos que toda a mídia estava com os olhos voltados para o tal produto.

Naquela ocasião, a Amazon dizia que o produto era o preferido dos clientes da loja para dar de presente. A imprensa entendia que o produto dela era o mais vendido no Natal. A Amazon dizia que de cada três exemplares, ou cópias digitais vendidos para o Kindle, um era em versão papel. Ou seja, a informação era muito clara, de um determinado título específico havia três exemplares vendidos em versão digital e uma versão impressa.

Vejamos. Naquela ocasião, havia apenas 300 mil títulos em versão digital. A Amazon não dizia quantos títulos diferentes vendia três vezes mais exemplares que a versão impressa. E a Amazon também não dizia quais eram esses títulos.

Eu vou dizer, a maioria eram ou títulos fora de catálogo e esgotados, ou eram títulos de autores independentes, ou eram títulos cujas editoras estavam testando o sistema. Enfim, não tinha a versão impressa disponível de modo fácil, o leitor comprava no Kindle.

Ora, os títulos vendidos para o Kindle naquela ocasião eram exatamente os únicos disponíveis. Quem tinha um Kindle na mão só poderia comprar aqueles títulos mesmo, não outros. Se todos os títulos em versão impressa também estivessem sendo vendidos simultaneamente em versão eletrônica, aí sim a notícia faria sentido. Aliás, a notícias seria outra.

Mas voltando a matéria do Bom Dia Brasil, porque eu até aceito alguns blogueiros e alguns clipeiros do mercado editorial não saberem analisar a verdade por trás dos pronunciamentos das empresas, mas eu não consigo aceitar isso de um jornal que eu até considerava de qualidade.

QUATRO: São as vendas do produto Kindle especificamente que estão aumentando mês a mês. Essa é a notícia correta a se dar. As vendas do Kindle triplicaram sim desde que a Amazon baixou o preço. Dizer que as vendas de livros digitais, “de certo modo”, quadruplicaram é distorcer completamente a notícia dada porque dá-se a impressão de que estamos falando de títulos. E não é isso. A notícia se referia ao e-reader em si, ao hardware, e não aos títulos.

A Amazon noticiou sobre as vendas do hardware juntamente com a tal comparação das vendas de títulos para Kindle com os livros impressos em acabamento capa dura, exatamente porque ela sabia qual seria a notícia dada lá na frente para os leitores.

QUINTO: O texto da matéria diz que “De modo geral as vendas de todos os e-books, como são chamados, quadruplicaram nos cinco primeiros meses do ano.” Será que alguém se perguntou quantos Kindles foram vendidos antes que houvesse o tal draduplicamento de vendas? Porque se vendeu 1 e, mais tarde, vendeu 4 unidades, aí é claro que houve um quadruplicamento nas vendas.

Outra coisa, nesta “quadruplicagem” nas vendas [eu não sei porque aumentaram o que Jeff disse], soma-se o número de iPads vendidos também que, reza a lenda, vendeu 3 milhões de unidades? Porque veja bem se incluir os números do produto iPad, a informação está ainda mais errada. Caso o jornalista não saiba, o iPad não é um e-reader [ou seja, não é um device dedicado especialmente à leitura de livros digitais], e sim um tablet.

Ah, eu espero não ter de explicar ao jornalista o que seja um tablet.

Será que o jornalista, o pauteiro ou o redator deu uma olhada no tamanho do mercado de livros impressos nos Estados Unidos? Porque se o mercado americano recentemente cresceu 22%, é ainda mais impossível os livros digitais terem vendidos mais cópias que as versões impressas. Alguém já se perguntou o que significa 22% do crescimento americano na venda de livros impressos [apresentados pela Associação Americana de Editoras]? Será que algum jornalista já se perguntou o quanto isto quer dizer? O quanto significa essa cifra?

Eu nem vou perder o meu tempo dizendo ao jornalista quantos livros impressos são vendidos nos Estados Unidos por ano.

Segundo a Idea Logical Company, menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas. Alguém se perguntou porque a companhia, até então desconhecida, resolveu soltar essa também? Qual é o contexto? Se você estivesse no lugar deles, ou seja, se você fosse uma empresa que assessora editoras de livros na mudança para a versão digital, o que você diria?

Eu vou reptir: “…menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas.” Mas afinal  que porra isso quer dizer? Porque inverter a sentença? Porque usar frases indiretas? A que tipo de números estamos sendo expostos [pra não dizer manipulados]? Será que ninguém percebe essas coisas básicas? Será que ninguém sabe ler as notícias?

Penso agora que a imprensa realmente morreu. Mas não por causa da baixa audiência em relação a influência da Internet. E o pior é que toda essa informação é replicada por todo o canto e o mercado editorial brasileiro, coitado, acredita.

Me lembrei daquela música: “É que a televisão / Me deixou burro / Muito burro demais.”

Por Ednei Procópio

Na guerra de preços, novo Kindle por US$ 139


A Amazon.com apresenta hoje duas novas versões do Kindle [que começará a ser vendido em 27 de agosto] – uma delas custará US$139, o e-reader mais barato mercado. Ao fazer um novo ataque nessa guerra dos preços que mira as vendas de final de ano, a Amazon também sinaliza sua intenção de lutar contra a Apple e outros fabricantes de e-readers, como Sony and Barnes & Noble. Ao contrário dos Kindles anteriores, esse “Kindle Wi-Fi” de US$ 139 vai se conectar à internet usando apenas Wi-Fi ao invés de telefone celular. A Amazon também está apresentando um modelo para substituir o Kindle 2, que será vendido pelos mesmos US$ 189. Os dois modelos novos têm área de leitura de seis polegadas como na edição anterior, mas pesam 15% menos e são 21% menores. A capacidade dobrou – 3.500 livros. Alguns analistas imaginam que os e-readers serão a sensação dos presentes de fim de ano.

The New York Times | 28/07/2010 | Claire Cain Miller

Stieg Larsson é o primeiro a entrar no “Kindle Million Club”


A Amazon anunciou ontem [27] que sua Kindle Store vendeu mais de 1 milhão de livros de Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium. Para homenageá-lo – e a todos os que depois conseguirem a proeza, criou o “Kindle Million Club”. Seus três livros já estão entre os 10 mais vendidos de toda a história da Amazon. Essa conta da loja inclui livros vendidos para Kindle, Kindle DX, iPhone, iPod touch, BlackBerry, PC, Mac, iPad e devices Android.

PublishNews | 28/07/2010

O livro digital aos quatro ventos


Durante dois dias seguidos, Ethevaldo Siqueira e Heródoto Barbeiro conversaram sobre o livro digital na CBN. Na segunda [26], a assunto de destaque foi a realização do Fórum Internacional do Livro Digital nos dias 10 e 11 de agosto, às vésperas do Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Na terça [27], Ethevaldo Siqueira, que é colunista do Estado e da CBN na área de tecnologia, comentou sobre o leitor da Lenovo, com lançamento previsto para o fim do ano. O jornalista será o mediador da palestra de Jean Paul Jacob. O encontro terá ainda Mike Shatzkin e John B. Thompson como participantes.

PublishNews | 28/07/2010

Jean Paul Jacob no Fórum Internacional do Livro Digital


Jean Paul Jacob estará participando do Fórum do Livro Digital com a palestra: “O futuro já não é mais o que era!”, dia 11/08, das 18h às 19h30. Ele é brasileiro e vive em Berkeley, na Califórnia [EUA]. Considerado guru do mundo digital, Jacob é pesquisador emérito da IBM e cientista consultor residente na Universidade da Califórnia.

Como será a sua palestra?

Durante minha palestra, “O Futuro já não é mais o que era!”, faremos um passeio [com guia] por cenários que poderão fazer parte de sua vida no futuro a longo e curto prazos. O mundo físico em que vivemos está sendo ampliado por muitos mundos digitais virtuais. No cinema, uma cena de grande perigo para um ator ou atriz é, na verdade, “vivida” por desenhos ultra-reais produzidos por tecnologia digital.

E as transformações no mundo dos livros?

Nesse mundo estão os leitores eletrônico-digitais [e-readers] que usam tinta eletrônica, como o Kindle, o iPad etc. É nesse mundo virtual, em que os átomos foram substituídos por bits, que vamos explorar novas paisagens nunca antes imaginadas. Páginas de livros e revistas, por exemplo, terão a possibilidade de mostrar um vídeo e até manter um diálogo por voz com o usuário. Outro aspecto a ser visitado é o conceito de “leitura colaborativa”. O que será isso? O que mais está “lá fora” pronto para invadir as nossas vidas? Eu irei mostrar exemplos dessa invasão digital e outros mundos virtuais como sensores, redes sociais, saúde & medicina, web 3D, Internet do futuro, além de muitas inovações que estão por vir. Será um passeio pelo futuro!

Treviso Comunicação

Apple retira livros eróticos do catálogo do iPad


A Apple está sendo acusada de censura depois que quarto romances eróticos desapareceram da iBookstore. Ontem pela manhã, o livro Blonde and Wet, the Complete Story, de Carl East, estava liderando o catálogo, seguido de outro título de East, Big Sis, em segundo, e Six Sexy Stories, de Ginger Starr, em quinto lugar. À tarde eles desapareceram e foram substituídos por outros como The Perfect Murder, de Peter James. De acordo com o The Times, a iBookstore “aparentemente censurou seu catálogo britânico depois que o The Times questionou sobre como a lista era feita”. No entanto, a Apple não quis explicar o desaparecimento ao jornal. Em abril, Steve Jobs disse que queria que o iPad ficasse livre de aplicativos pornográficos.

The Bookseller | 27/07/2010 | Victoria Gallagher

Stieg Larsson supera marca de 1 milhão no Kindle


LOS ANGELES – Stieg Larsson, autor de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, tornou-se o primeiro escritor a superar a marca de 1 milhão de livros eletrônicos vendidos no Kindle, graças à trilogia de sucesso “Millennium”, informou a varejista online Amazon.com nesta terça-feira.

Daniel Craig vai estrelar remake de ‘ Os homens que não amavam as mulheres’
O sueco Larsson, que morreu em 2004 antes que seus romances se tornassem best-sellers ao redor do mundo, foi nomeado o primeiro membro do “Kindle Million Club”, de acordo com a Amazon.com

Os três livros da trilogia, cuja terceira parte “A Rainha do Castelo de Ar” foi publicada pela primeira vez na Suécia em 2007, estão entre os 10 livros eletrônicos mais vendidos para o leitor Kindle em todos os tempos.

As versões impressas venderam mais de 27 milhões de cópias ao redor do mundo e foram traduzidas do sueco para mais de 40 idiomas.

Os livros de Larsson cativaram milhões de leitores ao redor do mundo e despertaram um interesse voraz pelas vidas de seus personagens principais Lisbeth Salander e Michael Blomqvist“, disse Russ Grandinetti, vice-presidente do conteúdo para o Kindle, em comunicado.

O Amazon.com, maior vendedor mundial online de livros, lançou seu leitor eletrônico Kindle em 2007. O aparelho compete com o iPad, da Apple, o Reader, da Sony, e o Nook, da Barnes & Noble.

Reuters | 27/07 às 16h05

Agência literária publica e-books!


Todos nós já vimos autor virar editor, editor virar autor, mas agente virar editor era novidade… Não é mais!

The Wylie Agency[1] fechou negócio com a Amazon[2] e, agora, você pode saborear as “kindle-letras” de autores como: Saul Bellow, Jorge Luis Borges, William S. Burroughs, John Cheever, Ralph Ellison, Louise Erdrich, Norman Mailer, Vladimir Nabokov, V.S. Naipaul, Orhan Pamuk, Philip Roth, Salman Rushdie, Oliver Sacks, Hunter S. Thompson, John Updike, Evelyn Waugh entre outros que virão, claro.

O fato novo é que não iremos refletir sobre uma agência qualquer, com quaisquer autores. O nome da empresa é The Wylie Agency[3], a qual tem negócios com editoras de porte, como Random House[4], Macmillan[5] e muitas mais. Se você está pensando que isto parece “briga de cachorro grande”, saiba que não parece, é mesmo. A decisão básica da The Wylie em abrir a empresa Odyssey Editions[6]para publicar os e-books de seus autores gerou reações nada simpáticas, bem como reflexões sobre os papéis dos profissionais no mercado editorial[7].

As considerações revêem os contratos já firmados para língua inglesa pela agência, sua nova posição de “concorrente” das editoras com as quais trabalha, sua postura de aumentar as porcentagens de direitos autorais para seus autores, além de questionar a exclusividade com o Kindle como nada interessante para o leitor. E não param por aí, até porque nem todas as questões esgotaram-se. A internet só está começando a questionar os modelos de negócios das publicações. Vamos pensar a respeito:

1. Contratos via agentes: não é comum agentes cederem direitos para vários tipos de publicação e de uso de uma obra a uma editora. As ofertas em dinheiro, para conseguir os direitos de uma obra, ajudam muito a ampliar ou reduzir os meios para publicar nos acordos entre editoras-agentes-autores. Logo, até aqui, The Wylie não criou nada de novo nessas relações comerciais.

2. Agência-editora: a pergunta que se faz agora com a internet é – Com quem você está negociando direitos autorais? Com editoras, distribuidoras ou livrarias? Um portal ou site[8] na internet é uma editora, distribuidora ou livraria? Concordo, com quem está lembrando, que o Kindle é entendido mais como uma distribuidora do que uma editora. Porém, pense comigo, uma obra só de texto que entra em formato digital pré-determinado, precisa de um novo processo editorial? A abertura da empresa Odyssey Editions, realmente, pode ser entendida que a Wylie “virou concorrente das editoras”, ou é apenas uma formalização administrativa exigida para negociar suas obras em e-books? Será que a novidade é a agência[9] atualizar-se com a nova maneira de negociar direitos autorais…?

3. Porcentagens maiores de direitos autorais: agentes literários começaram a negociar no final dos anos 1800, na Inglaterra. Temos aqui, mais ou menos, 200 anos de história desse tipo de negócio e suas necessidades. Quem defende a ideia que as novas formas de publicações com custos diferentes não iriam modificar os antigos modelos das porcentagens de direitos autorais, pode começar a repensar seus argumentos…

4. O kindle é o limitador até 2012[10]: como leitora, até hoje, já com mais de 200 páginas de leitura na internet sobre os modelos que recebem os e-books, confesso que não consegui me decidir entre qual comprar. Acredito que irei ficar assim até que editoras, distribuidoras, plataformas físicas de e-books, agora agências, consigam lembrar que nós, leitores, não colecionaremos instrumentos eletrônicos para as palavras digitais. Queremos apenas ler! No meu caso, sonho com o dia em que um livro de 700 páginas irá pesar tanto em minhas mãos quanto outro de 100 páginas.

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[1] http://www.wylieagency.com/
[2] http://mashable.com/2010/07/23/amazon-deal-threatens-ebook-market/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=hellotxt&utm_campaign=Feed%3A+Mashable+%28Mashable%29
[3] http://harvardmagazine.com/2010/07/fifteen-percent-of-immortality
[4] http://www.thebookseller.com/news/124089-random-house-says-it-will-no-longer-deal-with-wylie-agency.html.rss?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
[5] http://blog.macmillanspeaks.com/macmillan-response-to-wylie-exclusive-publishing-deal/#comment-1229
[6] http://www.odysseyeditions.com/
[7] http://www.gather.com/viewArticle.action?articleId=281474978390186
[8] Site que se propõe a ser a porta de entrada da Web para as pessoas em geral. Tipicamente, um portal possui um catálogo de sites e um mecanismo de busca. http://tecnologia.uol.com.br/dicionarios/
[9] http://www.ft.com/cms/s/0/36ad8464-981e-11df-b218-00144feab49a.html
[10] http://jwikert.typepad.com/the_average_joe/2010/07/how-will-ebookstores-earn-your-loyalty.html

Por Marisa Moura | Publicado originalmente em PublishNews | 27/07/2010

Alfa, o leitor eletrônico da Positivo


O mais recente “furo” em termos de notícias sobre o mercado editorial brasileiro foi dado pela IstoÉ Dinheiro que, na semana do dia 14 de julho, anunciou o lançamento do Alfa, o leitor de livros eletrônicos da Positivo Informática. Maior fabricante de computadores do Brasil, a Positivo teve um insight parecido com o de Steve Jobs: enxergou que caminhamos para um “mundo pós-PC”, onde quem vai dominar serão os fabricantes de dispositivos móveis. A revista afirma que o leitor de e-books é apenas a ponta do iceberg de um movimento que prevê o lançamento de televisores, celulares e… tablets! Leitor da recente biografia não-autorizada de Jobs, Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, reconhece que vai concorrer até com o superpoderoso iPad. Ambicioso, Rotenberg acredita que seu Alfa é mais fácil de usar que o Kindle, da Amazon, embora não ofereça conectividade Wi-Fi na primeira versão [prevista para agosto], só em 2011. A vantagem do Alfa, para as editoras brasileiras [que, até agora, fizeram cara feia para o Kindle], é que a Positivo não quer ser “dona” do formato, e promete um leitor compatível, por exemplo, com as recentíssimas iniciativas da Livraria Cultura e da Saraiva. Rotenberg, sabiamente, percebeu que, sem a adesão maciça do mercado editorial brasileiro, nenhum leitor eletrônico vai decolar no País. Que o diga o leitor da Gato Sabido, que atrai acessos, mas não vendas [proporcionalmente], já que faltam títulos. Mesmo o Kindle carece de mais títulos em português [ou seja: mesmo a gigante Amazon sofre com a retaliação de nossas editoras]. A desvantagem do Alfa, no entanto, é o preço, de 750 reais [considerando-se, novamente, que o Kindle está sendo vendido por menos de 200 dólares agora]. E como se não bastasse a Positivo, outro fabricante nacional, a Mix Tecnologia, também promete entrar na briga. E as nossas editoras… será que vão, finalmente, comprar a ideia do livro eletrônico? ;-]

Publicado originalmente em Digestivo nº 467 | Terça-feira, 27/7/2010 | Por Julio Daio Borges

Site estimula a leitura nas férias


As férias estão acabando, mas ainda dá tempo de aproveitar o tempo que resta para aprender e se divertir. O site do movimento Todos pela Educação traz um programa para incentivar o aprendizado durante o recesso escolar. “No Ar: Todos Pela Educação” de julho já está disponível para download e traz o depoimento de Raí, que pede aos pais que estimulem nos filhos a leitura e o gosto pelo cinema.

O Estado de S. Paulo | 26/07/2010

E-books ganham do papel


A semana que passou foi histórica para o universo dos livros – se é que eles existirão no futuro. A Amazon.com, uma das maiores vendedoras de livros dos EUA, anunciou que, nos últimos três meses, as vendas de livros para o seu leitor eletrônico Kindle ultrapassaram as de livros de capa dura.

Neste período, a Amazon afirma ter vendido 143 livros Kindle para cada 100 de capa dura, inclusive aqueles que não foram editados para o Kindle. O ritmo da mudança também está acelerando, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas, as vendas subiram: 180 livros de formato digital para cada 100 de capa dura. A Amazon tem 630 mil livros Kindle, uma pequena fração dos milhões vendidos no site.

Os amantes dos livros, que lamentam o fim dos de capa dura com seu peso e seu cheiro de antigo, precisam encarar a realidade, observou Mike Shatzkin, fundador e diretor executivo da Idea Logical Company, que assessoras as editoras de livros na mudança para a versão digital. “Este dia era esperado, um dia que tinha de vir“, acrescentou. Ele prevê que numa década, menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas. A mudança na Amazon é “espantosa, considerando que vendíamos livros comuns há 15 anos, e os livros Kindle há 33 meses“, afirmou o diretor executivo, Jeffrey P. Bezos No entanto, o livro impresso não está absolutamente em extinção. As vendas de todo o setor subiram 22% este ano, segundo a Associação Americana de Editoras.

Os números não incluem os livros Kindle gratuitos, 1,8 milhão dos quais foi publicado originalmente antes de 1923 [de domínio público, porque os direitos expiraram]. A Amazon não apresenta uma comparação entre as vendas de livros de papel e eletrônicos, mas acredita-se que as vendas dos livros de papel ainda superam as dos eletrônicos.

A grande surpresa, segundo Shatzkin, foi que o dia chegou durante o primeiro período em que o Kindle enfrentava uma grave ameaça competitiva. O iPad da Apple, que começou a ser comercializado em abril, é vendido como um aparelho para leitura, e tem sua própria loja de livros digitais. Entretanto, as vendas do Kindle também cresceram em todos os meses do trimestre, segundo a Amazon. A Amazon recebeu a ajuda de uma explosão de vendas de livros digitais em geral. Segundo a Associação Americana de Editoras, as vendas de livros eletrônicos quadruplicaram este ano até o final de maio.

A Amazon informou que suas vendas superaram esta taxa de crescimento. Um dos motivos pelos quais as vendas do Kindle se sustentaram é que os proprietários de iPads e de outros aparelhos móveis de leitura compram livros Kindle, que podem ler no computador, em iFones, iPads, e telefones BlackBerry e Android. Mas, com exceção dos livros gratuitos isentos de direitos autorais, os proprietários do Kindle precisam comprar ou baixar conteúdo via Amazon. “Toda vez que eles vendem um Kindle, ganham um cliente“, disse Shatzkin.

Alguns analistas do setor afirmam que muitas pessoas não consideram o iPad um dispositivo para leitura como o Kindle, e acham imprescindível ter os dois. Os últimos números relativos às vendas da Amazon são “uma clara indicação de que o iPad é um complemento do Kindle, e não um substituto”, disse Youssef H. Squali, diretor-gerente da Jefferies & Company do setor de pesquisa da Internet e de novas mídias.

A taxa de crescimento das vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon baixou o preço do aparelho no final de junho, de US$ 259 para US$ 189, informou a Amazon. Isto aconteceu pouco antes de a Barnes & Noble baixar o preço de seu leitor eletrônico Nook de US$ 259 para US$ 199.

O Estado de S.Paulo | 26/07/2010 | TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA | Publicado originalmente em The New York Times | Por Claire Miller –

Lucia Riff sobre o ‘affair’ Wylie: agente não é editor


O mercado editorial americano foi sacudido na semana passada por um terremoto que promete se desdobrar em novos abalos no futuro próximo, à medida que as placas tectônicas se ajustarem num ambiente de negócios que o revolucionário livro digital, até ano passado pouco mais que uma curiosidade e uma promessa, começa finalmente a redesenhar na marra. No epicentro do fenômeno está o agente literário Andrew Wylie, de Nova York, um peso pesado que representa autores como Philip Roth e Martin Amis e, entre as obras de escritores mortos, as de Vladimir Nabokov e Jorge Luis Borges.

Wylie anunciou a criação de um selo próprio, o Odyssey, para lançar versões digitais de títulos que, presos a editoras tradicionais por contratos de edição em papel, não tinham a seu juízo – por terem sido contratados antes de 2000, quando o e-book não existia no horizonte – seus direitos digitais cedidos a ninguém. Só que as grandes editoras pensam diferente. A Random House divulgou uma nota violenta declarando que não fechará nenhum novo contrato com a Wylie Agency “enquanto essa situação não for resolvida”. O que, tudo indica, só ocorrerá nos tribunais [mais sobre o caso aquiaqui, em inglês].

A Odyssey tem contrato de exclusividade de dois anos com a Amazon, que venderá todos os títulos na Kindle Store por 9,99 dólares, e pagará direitos autorais acima da faixa de 25% que vem sendo praticada para e-books pelas casas tradicionais – especula-se que a fatia do autor possa chegar a 50%.

E nós com isso? Que lições o digitalmente atrasado mercado brasileiro pode tirar do furdunço? Quem responde é Lucia Riff, a principal agente literária do país, cuja empresa – representante de Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, entre outros – completará duas décadas de atividade em janeiro do ano que vem. [No interesse da transparência, aquilo que na terra de Andrew Wylie chamam de full disclosure, convém acrescentar que também sou representado pela Agência Riff.]

Lucia conversou com o Todoprosa por e-mail:

1. A nova fronteira digital deixou o agente Andrew Wylie e as grandes editoras americanas em guerra aberta. É possível dizer quem tem razão, se é que alguém tem razão?

– Os dois lados têm razão e não têm. A questão é supercomplexa, e é provável que, infelizmente, acabe sendo decidida nos tribunais. O que está em jogo são os direitos digitais dos contratos assinados antes de 2000: foi há mais ou menos dez anos que os contratos nos EUA passaram a incluir direitos digitais de forma clara [nem todos, mas a maioria, pelo menos]. Como os contratos americanos são leoninos, abrangentes e duradouros, o que se discute agora é se as cláusulas que listavam os diversos formatos que seriam explorados pela editora nos contratos anteriores a 2000 já incluíam implicitamente formatos novos ainda por serem descobertos [como o é caso do e-book] ou não. Se discute ainda se e-book é um novo formato para um público distinto – assim como pocket book, book-club ou audiobook –, podendo então ser negociado livremente [caso não esteja citado no contrato de edição da obra], ou se entra diretamente no mesmo segmento de mercado da edição do livro trade, ficando portanto dentro da área de atuação da editora original. Além de definir quem vai poder explorar os direitos digitais, estão discutindo as bases: o mercado acordou com um padrão de 25% sobre as vendas líquidas, mas as editoras novas, que estão surgindo apenas para explorar a publicação de e-books, acenam com royalties maiores, chegando mesmo aos 50%. As editoras tradicionais, de modo geral, estão concordando que este modelo dos 25% terá que ser repensado quando o mercado de livros digitais estiver mais estabilizado. As editoras precisam pensar no front list e no back list – é todo um catálogo com centenas, às vezes milhares de livros que precisam ser preparados para serem lidos como e-books… Não é fácil, não basta um simples apertar de teclas. Além disso, temos o grande e complicadissimo problema da distribuição entre as Amazons e Apples e Barnes & Nobles da vida, cada uma com seu pacote de exigências, discussões sobre exclusividade, etc. E temos também os e-readers, que ainda estão sendo testados, aprimorados… No momento é tudo muito novo, mesmo para o mercado americano, que, de um jeito discreto mas consistente, já trabalha com e-books há pelo menos cinco anos e pensa no assunto há dez.

O Wylie entrou com um anúncio bombástico: ele está montando uma editora de e-books e vai publicar seus próprios autores. Ou seja, a questão não é apenas se o autor deve ficar fiel à sua editora e manter no mesmo selo livros em papel e e-books – ou se deve ouvir as novas editoras de e-book ou mesmo outras editoras tradicionais que possam estar fazendo um trabalho melhor com o novo formato. A questão que incomoda na posição do Wylie é que me parece haver um certo conflito de interesses quando um agente se propõe a ter uma editora. Antes desta crise do mercado com o Wylie, circulou em Frankfurt ano passado uma outra notícia alarmante: que a Simon & Schuster não cederia direitos digitais para nenhuma editora estrangeira, uma vez que traduziria e lançaria seus próprios livros em e-book, diretamente dos EUA. Não sei dizer se essa ideia foi adiante ou não. De todo modo, a declaração causou mal-estar e preocupação. O que se nota claramente é que não temos ainda nenhuma estatística confiável, nada em que possamos nos basear para realmente availiar o mercado de livros digitais. O que se vê é muito marketing, muita pressa, muitas informações vazias, dadas pela metade.

Não creio que exista uma única resposta certa para a grande questão de quem deve ter os direitos de publicar e-books: depende da editora, depende do autor, depende da obra, depende de como é o relacionamento entre as partes. Num mundo ideal, faz todo sentido que a editora de livros físicos passe também a publicar os e-books – mas a gente sabe que este “mundo ideal” não se encontra em toda esquina…

2. Entre agentes e autores parece haver a sensação cada vez mais forte de que existe margem para ampliar os 25% de royalties que vêm sendo praticados para edições digitais. Fala-se até no dobro disso. Você acredita que o Brasil também chegará lá?

– Acho que vamos, sim, ver estes 25% aumentarem nos próximos dois anos. Não sei se chegaremos aos 50% para todas as obras, mas é muito provável que a base de 25% seja aumentada quando os números melhorarem e tudo estiver mais estável. Imagino que aconteça com os e-books o que acontece nas vendas de livros em papel: passaremos a trabalhar com uma faixa de royalties que começa em 25% e vai subindo, de acordo com a força do autor, vendas, etc.

3. Que lições podem ser tiradas desse episódio para o mercado brasileiro, que está alguns passos atrás do americano na exploração do mundo digital? No aspecto jurídico da questão, nossas zonas cinzentas são parecidas?

– O mercado brasileiro está muitos passos atrás do americano na questão digital. Poderemos recuperar o tempo perdido, mas não será do dia para a noite. Para nós existe um componente de complicação adicional: ao contrário do mercado americano, que lida com poucos livros contratados de fora, cerca de 50% do que é publicado no Brasil na área de livros trade [não didáticos] é de livros estrangeiros [não sei se chega a tanto, mas de toda forma é um percentual bem alto]. Isso significa que a editora brasileira depende do que o proprietário dos direitos da obra no exterior puder negociar. Se este proprietário tiver os direitos digitais, a tendência é que se negocie um adendo ao contrato original, incluindo os e-books. Se o proprietário não tiver esses direitos, aí fica mais complicado. Nos contratos novos, já existe a preocupação de incluir os e-books [como uma obrigação contratual ou como uma simples opção]. Para os livros já lançados, com contratos mais antigos, o jeito é negociar um por um, à medida que for sendo interessante lançar a versão digital da obra. Como os e-books não têm – por definição – território, nada impede que um livro seja retraduzido e oferecido em várias linguas por uma só editora, como pretende a Simon & Schuster, o que é outra preocupação neste nada fácil mundo digital. Sem contar a pirataria, praga que atinge o mercado editorial como um todo. No mais, se pensarmos nos autores brasileiros, algumas questões são parecidas, mas os contratos brasileiros não são como os americanos, e portanto nossas zonas “cinzentas” são menores. Mas acho que é cedo para pensarmos nas lições desta ou daquela crise. O certo é que a zona de conforto do mercado pré-digital já acabou, ficou no passado. Agora temos que correr para nos adaptarmos a este novo e fascinante mundo dos e-books.

Por Sérgio Rodrigues | Veja On Line | 26/07/2010 às 14:19

Pressões econômicas e evolução tecnológica


Assim define a atual situação do mercado editorial, no mundo, o inglês John B. Thompson, autor de Books in the Digital Age e professor de sociologia em Cambridge, na Inglaterra. Thompson, que participará do Fórum Internacional do Livro Digital, dias 10 e 11/8, em São Paulo, analisa há duas décadas a transformação da indústria editorial. “São tempos de turbulência. Os maiores, talvez, desde Gutenberg”, diz.

Como você vê o atual momento do mundo editorial?
Estes são tempos de turbulência no mundo editorial. Durante quase 5 séculos, os métodos e práticas de publicação de livros mantiveram-se praticamente inalterados. No alvorecer do século XXI, o setor encontra-se confrontado com, talvez, os maiores desafios desde Gutenberg. Uma combinação de pressões econômicas e a evolução tecnológica está forçando as editoras a alterarem suas práticas e refletirem muito sobre o futuro dos livros na era digital.

Fale sobre seu livro: Mercados da Cultura, o negócio de publicação no século XXI.
Neste livro – o primeiro grande estudo da publicação de comércio de mais de 30 anos – eu situo os desafios atuais da indústria em um contexto histórico, analisando a transformação da publicação do comércio nos Estados Unidos e Grã-Bretanha desde 1960. O livro faz um relato pormenorizado de como o mundo das editoras comerciais realmente funciona, dissecando os papéis de editores, livreiros e agentes e mostrando como suas práticas são moldadas por um campo que tem uma estrutura e dinâmica. Ao reconstruir essa dinâmica, lanço uma nova luz sobre como best-sellers são feitos e porque milhares de livros e autores encontram-se esquecidos em uma indústria cada vez mais focada no crescimento a curto prazo e de rentabilidade.

E a revolução digital?
Eu analiso o impacto da revolução digital sobre a publicação do livro e examino as pressões – tanto econômicas e tecnológicas – que são reconfiguração do campo da publicação do comércio hoje. Este livro novo e importante se estabeleça como um trabalho exemplar no estudo da cultura contemporânea e será leitura essencial para qualquer pessoa interessada em livros e seu futuro.

Gloriete Treviso | Ascom | 24/07/2010

Decisão isenta Kindle de impostos de importação


Imunidade tributária do leitor digital Kindle foi reconhecida pela Justiça Federal. Photo: Eric Thayer -6.mai.09/Reuters

O leitor digital Kindle, da Amazon, teve sua imunidade tributária reconhecida pela Justiça Federal.

A decisão vale apenas para a compra feita por Marcel Leonardi, advogado e professor da FGV-SP, que já havia conseguido, há sete meses, liminar para trazer o produto ao Brasil sem pagar tributos. Cada comprador precisará conseguir uma nova autorização via decisão judicial.

Isso significa que o Kindle, assim como os livros, fica isento de impostos na importação, conforme assegurado pelo artigo 150 da Constituição. A Receita Federal ainda pode recorrer.

Livros, periódicos e jornais são imunes a tributos, independentemente do respectivo suporte de exteriorização. Seja em papel, seja em plástico, seja em pele de carneiro“, afirma o juiz federal José Henrique Prescendo, na sentença. “O papel como suporte de comunicação tem seus dias contados.

O Kindle se encaixa na legislação, segundo o juiz, pois tem como finalidade o acesso a livros eletrônicos. A regra não vale para aparelhos que tenham outras funções, como iPads e notebooks.

VALE A PENA?

Para Leonardi, o custo da ação não compensa. “Dificilmente você gastaria menos de R$ 1.000. O produto com o imposto sai a mesma coisa“, diz, e destaca que há a chance de o consumidor perder o processo e ter de bancar ambos os custos. “Só se você conseguir um advogado que assine sem cobrar“, brinca.

Ele diz que entrou com o pedido apenas para criar a discussão sobre a tributação do aparelho, mas que não espera que gere efeito prático direto para o comprador.

Para valer para todos os consumidores, Leonardi afirma que seria necessária uma decisão favorável do STF [Supremo Tribunal Federal] ou uma ação coletiva, que poderia ser promovida pelo Ministério Público. Porém, o órgão apresentou, no processo, parecer contrário.

POR GRAZIELLE SCHNEIDER | Publicado originalmente em Folha.com | 24/07/2010 – 09h09

Os e-books têm futuro no Brasil?


SÃO PAULO – Os livros digitais começam a sair do papel no Brasil. iniciando uma transformação nos hábitos de leitura do brasileiro.

Todas as previsões indicam que eles vão se espalhar rapidamente nos próximos anos. Mas isso não significa que você já possa começar a esvaziar a estante. Não são poucos os obstáculos que os e-books ainda enfrentam para se popularizar por aqui. Há dificuldades no processo de digitalização, resistência das editoras e pequena variedade de leitores eletrônicos, que custam caro. Enquanto lá fora os e-readers se multiplicam, por aqui só chegaram dois modelos: o Cool-er, vendido pela livraria virtual Gato Sabido, e o Kindle, da Amazon. A quantidade de obras em português cresce sempre, mas ainda é pequena. Poucos best-sellers e livros de autores consagrados estão disponíveis.

Apesar do cenário desfavorável, as empresas do setor já investem nesse novo mundo. Aos poucos, o número de livrarias que vendem conteúdo digital aumenta. A primeira a surgir foi a Gato Sabido, inaugurada no fim do ano passado. Depois, foi a vez da Livraria Cultura. Já a Saraiva planejava abrir sua loja de e-books na web até o fim de maio. Outra que tem planos de entrar na disputa é a Fnac, que pretendia iniciar a venda de e-readers neste mês. Esse movimento quase repentino tem uma razão.

Estudos indicam que o mercado de livros digitais vai crescer nos próximos anos, inclusive no Brasil.Um levantamento divulgado em abril pela empresa americana InStat aponta que serão vendidos neste ano 10 milhões de e-readers no planeta, contra 3,9 milhões no ano passado — um crescimento de 156%. A empresa prevê que, em 2013, a quantidade de equipamentos comercializados chegue a 28,5 milhões. “Esses aparelhos estão ganhando mais funções e os preços começaram a cair”, diz Stephanie Ethier, analista-sênior da InStat.

A expansão ocorre em escala global. Em 2009, 83% dos leitores digitais foram vendidos nos Estados Unidos, e apenas 17% em outros países. Em 2013, a parcela correspondente ao resto do planeta deve atingir 45%. Já a venda de tablets como o iPad, da Apple, crescerá de 2,7 milhões de unidades em 2010 para 16 milhões em 2013, prevê a InStat.

Outra análise, feita pela Forrester Research no fim de 2009, chegou a números que também indicam crescimento acelerado. As vendas de e-readers projetadas para o fim do ano nos Estados Unidos devem alcançar 6 milhões de unidades, contra 3 milhões em 2009. A empresa acredita que a chegada de uma nova geração de equipamentos, com telas coloridas e sensíveis ao toque, deve impulsionar o setor. A Forrester também destaca que o lançamento do iPad e de outros tablets aumentará o interesse por e-books.

Hora de experimentar

Entre as editoras brasileiras, a ordem é experimentar. Todas estão de olho no potencial desse mercado, mas preferem agir com cautela. A receita adotada é escolher alguns títulos, convertê-los para o formato digital e acompanhar a reação do consumidor. Um dos principais receios está na possibilidade de a obra ser baixada ilegalmente. “Na Espanha, há uma lei que obriga as editoras a digitalizar as obras. Por causa dela, a pirataria aumentou muito”, afirma Sérgio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura. Segundo ele, também sobram dúvidas quanto aos contratos com os autores, o modelo de negócios e o preço. “Hoje, os e-books representam de 1% a 2% do mercado brasileiro”, diz.

Pode parecer pouco, mas os dados da pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, feita em 2007 pelo Observatório do Livro e da Leitura, mostram que 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento indicou também que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. É bem possível que uma parte desse público, acostumado com o formato, passe a consumir e-books e e-readers. A adesão vai depender do preço cobrado pelos aparelhos e pelas obras. Atualmente, dá para encontrar edições por um valor médio de 25 reais e leitores na faixa entre 750 e 1 000 reais.

A aposta em formatos alternativos também pode ser uma solução. “No futuro, será possível comprar capítulos e ler livros multimídia”, afirma Marcílio D’Amico Pousada, presidente da Livraria Saraiva. Por enquanto, contudo, a empresa preferiu investir no modelo mais tradicional. A loja da Saraiva vai vender títulos nos formatos EPUB e PDF, que poderão ser lidos na tela do computador, por meio de um software. Outra opção será usar um aplicativo para iPhone e iPad, que ainda está sendo desenvolvido.

O leitor quer mais títulos

Enquanto algumas editoras brasileiras lançam um punhado de livros digitais e esperam o resultado, outras não perdem tempo. Uma das que mais têm apostado em e-books é a Zahar, que já converteu cerca de 400 obras do seu catálogo. “Tomamos essa decisão porque temos certeza de que as pessoas vão consumir livros em formatos digitais. Nossa meta era entrar nesse mundo o quanto antes”, explica Mariana Zahar, diretora-executiva da empresa.

Ao mergulhar nessa experiência, ela descobriu as limitações do formato EPUB, que está se consolidando como o padrão mundial de arquivo para e-books. “Esse formato é ultrapassado. E o processo de publicação é muito mais lento e árduo do que imaginávamos.”Converter um livro não significa que a editora vá pegar o arquivo de uma obra, clicar em “Salvar como EPUB” e esquecer o assunto. É preciso formatar o texto novamente. Os problemas são maiores quando existem imagens, gráficos e tabelas. Criar uma obra interativa, então, é missão quase impossível. Apesar das dificuldades, as editoras brasileiras e as lojas virtuais têm seguido a tendência mundial de adotar o EPUB. O formato permite incorporar proteção de direitos autorais [DRM], criar arquivos compactos e pode ser lido com o software Adobe Digital Editions, compatível com múltiplos e-readers.

Para os leitores, o pequeno volume de obras em português parece ser o principal impedimento à popularização dos e-books. Faltam principalmente títulos de ficção nas lojas virtuais. “Todo mundo construiu uma estrada em que não estão passando carros. Os clientes, muitas vezes, passam de cinco a dez minutos procurando um livro e se frustram por não achá-lo”, diz Carlos Eduardo Ernnany, presidente da Gato Sabido.

Cadê o iPad?

Colorido, com ampla tela sensível ao toque e bateria de fôlego, o tablet da Apple pode mudar radicalmente a indústria de e-books. “Existe um otimismo em relação ao iPad. Ele é visto como um dispositivo capaz de virar o jogo”, diz Fabiana Zanni, diretora de mídia digital da Editora Abril. As possibilidades oferecidas pelo aparelho vão muito além do que pode ser feito com o EPUB nos atuais e-readers. Revistas e jornais já conseguem, por exemplo, ter edições recheadas de conteúdo multimídia. O dispositivo, porém, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Também não se sabe se a loja online da Apple [que agora vende também livros] estará disponível aqui. São sinais de que a epopeia dos e-books tem futuro, mas está só começando.

Maurício Moraes | InfoAbril | 23/07/2010

Mailer e Borges no Kindle


A varejista online Amazon.com afirmou nesta quinta-feira, 22, que irá publicar edições digitais de 20 livros clássicos da editora Wylie Agency, incluindo obras de autores como Philip Roth, John Updike e Norman Mailer, pela primeira vez para seu e-reader Kindle.

A medida é um sinal do acirramento da concorrência no mercado de livros digitais, que inclui o tablet iPad, da Apple, e o e-reader Nook, da rede de livrarias Barnes & Noble.

O acordo com a Wylie pode dar início a uma corrida entre as fabricantes dos aparelhos para adquirir os direitos de publicação de obras clássicas em formato digital, o que ajudará a atrair mais consumidores.

Esta é a primeira vez que livros como “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth, e “Ficções”, do argentino Jorge Luis Borges, serão publicados em formato digital, afirmou a Amazon. O contrato de exclusividade dos livros para o Kindle é de dois anos.

Consumidores do Kindle poderão baixar os livros nos aparelhos por 9,99 dólares.

REUTERS | 22 de julho de 2010 | 18h27| Link do Estadão

Blucher com um pé na iBookstore


Alguns livros são mais difíceis de serem transformados em e-book do que outros. Não dá para comparar, por exemplo, um de literatura com outro técnico – e todas as suas notas de rodapé, tabelas, imagens… Sabendo desses obstáculos, a Blucher começou a estudar o assunto e durante quatro semanas trabalhou em um piloto. Este foi o tempo necessário para negociar com Rafael Pinotti, o autor de Educação ambiental para o século XXI, adaptar o livro para o formato ePub, preparar os metadados, determinar o preço e cuidar dos trâmites de negociação junto a Apple. Agora, o livro já está devidamente incluído na iBookstore e pode ser lido tanto no iPad quanto no iPhone 4. O ponto negativo, só por ora, é que os brasileiros cadastrados na loja com um endereço nacional não podem comprar. Quando a Apple descobrir o Brasil, isto é, quando começar a vender o iPad, tudo vai mudar. Mas este não parece ser um empecilho tão grande para a Blucher, já que ela edita livros científicos, técnicos e profissionais em português, espanhol e em inglês e já vende no mercado internacional. De acordo com Eduardo Blucher, ainda em agosto a editora vai disponibilizar outros títulos, sobretudo em línguas estrangeiras, na loja, que por enquanto vende para os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha. Ele conta ainda que está preparando o lançamento de Bioetanol de Cana-de-Açúcar/Sugarcane Bioethanol, obra que nasce simultaneamente nas versões impressa e eletrônica e também em português e em inglês. O livro tem nada menos do que 992 páginas!

PublishNews | 22/07/2010

“Histórias possíveis” em e-book


Em 2007, André de Leones reuniu amigos que gostavam de escrever e lançou a revista eletrônica “Histórias Possíveis”. A ideia era criar narrativas literárias inspiradas em notícias. Hoje, 58 edições depois, Erwin Maack, um dos colaboradores, selecionou 12 entre os contos publicados lá para integrarem o e-book Histórias possíveis [KindleBookBR, R$ 18], que chega às livrarias nesta semana. Assinam os textos do livro os atuais editores Daniela Mendes e Wesley Peres, o próprio organizador, e ainda Lúcia Bettencourt, André de Leones, Nereu Afonso da Silva, Maurício Melo Júnior, Leandro Resende, Susana Fuentes, Daniela dos Santos, Dheyne de Souza e Gerusa Leal. O livro pode ser comprado na Cultura, Saraiva, Gato Sabido e também na Amazon. Quem quiser receber as próximas edições da revista, basta mandar uma mensagem para historiaspossiveis@gmail.com colocando “assinante HP” no assunto. Vale a pena! E vem mais pela frente… Além deste livro, Erwin lança o e-book de contos Dança ritual urbana e outros movimentos [KindleBookBR,R$ 15]. E na próxima semana, André de Leones apresenta o seu Como desaparecer completamente [Rocco] no Rio e em São Paulo.

PublishNews | 22/07/2010

Xeriph já está funcionado


Enquanto a DLD se prepara para entrar de vez no mercado no fim do ano, a Xeriph corre por fora e já está pronta para distribuir livros digitais para as livrarias. Ou melhor, já está distribuindo. Quem comprar um livro da Zahar hoje na Gato Sabido já baixa o arquivo diretamente do servidor da Xeriph. A nova distribuidora é comandada por Duda Ernanny, que inovou no ano passado ao criar a primeira eBookstore brasileira. Além da Zahar, outras editoras como a Vieira & Lent, Sá Editora, Pallas, Lexicon, Ficções, Alpha Books e Mosaico começam a chegar. Ernanny está negociando também com a Libre para atender a todos os seus associados.

O investimento, totalmente brasileiro, foi de R$400 mil e o “0800” deles não é na Índia, é no Rio de Janeiro, ali no Jardim Botânico. O custo para livrarias é zero. Para as editoras há duas alíquotas diferenciadas. Se venderem para uma livraria que já tenha DRM proprietário, pagam 2% do preço de capa pelo serviço de distribuição. Quando a venda for para uma livraria que utilize o DRM da Xeriph, pagam 5%. Com o sistema, as editoras terão total controle do que foi vendido e poderão até fazer alterações no livro.

De maneira resumida, o processo funciona assim:

  1. Editora – faz o upload automatizado dos seus e-books, sem interferência humana, direto no servidor da Xeriph, e preenche um cadastro completo [título, autor, tradutor, páginas, isbn, preço etc.]
  2. Livraria – acessa o site da Xeriph [login e senha] e consulta os catálogos das editoras. Seleciona os títulos desejados. Faz requisição online automática, que é direcionada à editora
  3. Editora – autoriza a livraria, que recebe e-mail informando o link para cada título solicitado. O link será acessado pelo comprador no momento do download
  4. Consumidor – compra o livro normalmente na eBookstore, usando todo o sistema de venda da loja. Ao clicar no link de download, acessa diretamente o servidor da Xeriph, que imediatamente contabiliza esse download em relatório que fica disponível para a editora e para a livraria. O servidor da Xeriph controla e audita todo o processo de download.

Em caso de inadimplência de uma livraria, a editora tem total controle sobre as autorizações e pode suspender o acesso imediatamente. Com isso, o e-book fica indisponível para venda até que a editora libere novamente.

Quando a editora desejar fazer qualquer tipo de atualização em algum e-book já publicado, basta atualizar o arquivo e logo em seguida todas as livrarias que tiverem acesso a esse livro receberão a informação da atualização, que também poderá ser repassada pela livraria àqueles que compraram tal livro.

Para contratar ou tirar dúvidas, basta entrar em contato através do site.

PublishNews | 22/07/2010 | Maria Fernanda e Ricardo Costa

Agência americana resolve cuidar pessoalmente dos e-books de seus autores


Depois de anunciar que estava descontente em negociar a edição dos e-books dos autores que representa [John Updike, Salman Rushdie, Philip Roth e outros] com suas respectivas editoras, a Wylie Agency resolveu abrir sua própria distribuidora de e-books. De acordo com matéria do Publishers Lunch veiculada ontem [22], ela fará o contato direto com as lojas virtuais por meio da Odyssey Editions. No anúncio feito pela empresa, a Odyssey vai emitir versões digitais de alguns títulos e deu exclusividade de venda para a Amazon por dois anos. Os livros custarão US$ 9,99 e foram desenvolvidos em parceria com a Enhanced Editions. Wylie não falou sobre os termos financeiros e nem sobre os royalties, mas disse que eles serão muito mais favoráveis do que as editoras estão oferecendo. Matéria do New York Times fala em 50% para o autor. Grande parte desses primeiros 20 títulos que a Odyssey Editions vai distribuir para Kindle foi lançada em papel pela Random House. O porta-voz da editora, Stuart Applebaum, disse: “Estamos muito desapontados com a atitute do sr. Wylie, com a qual discordamos. Nós enviamos uma carta à Amazon contestando o seu direito de vender esses títulos, que são objeto de acordos ativos da Random House”. Por conta disso, a editora resolveu romper relações com a agência enquanto o assunto não for resolvido.

PublishNews | 22/07/2010

Amazon escreve outro capítulo em sua estratégia


Em novembro, a rede varejista on-line Amazon.com levou um pequeno grupo de agentes literários americanos a uma reunião em sua sede em Seattle para tentar tirar os arranhões de sua imagem de gigante da venda de livros indiferente aos demais atores. A reunião centrou-se em discutir o melhor momento para o lançamento de livros digitais e a estrutura de remuneração pelo produto. Executivos da Amazon não discutiram a possibilidade de negociar diretamente com autores [o que atualmente eles fazem de forma bem limitada], nem de se tornar uma editora, segundo um agente a par das conversas. Um mês depois, no entanto, “tudo isso mudou”, afirmou o agente. Em janeiro, John Sargent, executivo-chefe da Macmillan, deu um ultimato à Amazon. Sargent vinha pressionando pela mudança do contrato da Macmillan com a Amazon para o modelo conhecido como “modelo de agência”. Desde então, a Amazon vem tentando cimentar sua posição como um participante não convencional no mundo editorial, com intenção de explorar oportunidades à margem da indústria. Isso trouxe a varejista para mais perto do centro do negócio editorial, segundo agentes. “A missão da Amazon é muito ampla e abrange um grande espectro“, afirmou Robert Gottlieb, presidente do Trident Media Group, uma das principais agências literárias dos EUA. A Amazon não desencoraja as agências literárias e autores de trabalhar com as editoras, mas “o que eles vêm fazendo é dizer ‘temos outra opção’ “, afirmou Gottlieb.

Valor Econômico | 22/07/2010 | Publicado originalmente no Financial Times | Por Kenneth Li

Livros eletrônicos estão caindo no gosto de leitores americanos


A escolha não é por apenas um modelo. De modo geral as vendas de todos os e-books, como são chamados, quadruplicaram nos cinco primeiros meses do ano.


Quando os livros fazem história é assim: uma das maiores livrarias dos Estados Unidos anuncia que nos últimos três meses as vendas de livros eletrônicos ultrapassaram as dos livros de papel. São, em média, 143 livros digitais para cada cem unidades tradicionais.

Seria a facilidade de levar para lá e para cá, de grifar um texto, de ter instantaneamente o sinônimo de uma palavra? Seria a capacidade de armazenar milhares de livros em um aparelhinho fininho?

Ninguém sabe exatamente, mas a desconfiança é que tudo isso junto está levando as pessoas a trocarem o papel pelo digital. A escolha não é por apenas um modelo: há o Kindle, da Amazon, o nook, da livraria Barnes and Noble, o Reader, da Sony ou o Ipad, da Apple.

De modo geral as vendas de todos os e-books, como são chamados, quadruplicaram nos cinco primeiros meses do ano. Claro, por trás disso, esteve a concorrência e a redução no preço dos aparelhos.

São muitas mudanças. Só que ainda não dá para dizer que os livros de papel foram esquecidos pelos leitores. No último ano as vendas de livros impressos, nos Estados Unidos, cresceram 22%, de acordo com a associação de editoras americanas. Mas especialistas apostam que em uma década eles vão representar apenas 25% do mercado.

Uma mudança de comportamento na sua forma e não no conteúdo. A busca pelo conhecimento continua e continuará a mesma. Seja por meio de livro de capa dura, seja por meio de um livro eletrônico. É que todos apostam. É o que todos esperam.

RODRIGO BOCARDI, de Nova York | Bom Dia Brasil | Edição do dia 22/07/2010 | 07h44

Mercado de e-books ganha mais dois modelos no Brasil


Em vez de geladeiras modernas, fogões tecnológicos e liquidificadores, o grande destaque da feira Eletrolar Show 2010, que acontece até sexta-feira [23] na cidade de São Paulo, são leitores digitais. No evento, dois aparelhos com focos distintos que chegarão ao mercado brasileiro no segundo semestre foram apresentados ao público, o Alfa, da Positivo Informática [leia mais sobre ele], e o E-Reader, da Pandigital, conhecido nos Estados Unidos como Pandigital Novel, que deve chegar ao Brasil em outubro pela Tecnoworld. O aparelho vai no caminho oposto do Alfa, da Positivo: em vez de e-ink, uma tela tradicional de cristal líquido, colorida. O sistema operacional Android, do Google, permite que o Pandigital seja utilizado não apenas para ler livros, mas também para rodar aplicativos e acessar a internet. Ele já vem com acesso à livraria virtual da Barnes & Noble. O preço sugerido pela empresa é de R$ 850. Disponível na cor branca, o tablet possui tela sensível ao toque, de 7 polegadas. Ele tem conexões Wi-Fi e 3G. Leve e menor que o iPad, seu concorrente direto, o E-Reader ainda possui 1 GB de armazenamento interno, podendo se expandido para até 32 GB por meio da entrada de cartões SD. Para a leitura de livros, um diferencial é poder inverter as cores da página, deixando o fundo preto e as letras brancas.

Portal G1 | 21/07/2010 | Gustavo Petró

Sharp disputa mercado digital com Amazon


Segundo a empresa, o novo formato XMDF permite ao usuário acessar conteúdos de áudio e vídeo, fotos e textos eletrônicos, em equipamentos compatíveis

A japonesa Sharp planeja entrar no mercado de leitores eletrônicos com o lançamento de um leitor para concorrer com o Kindle, da Amazon, em setembro deste ano, informou a empresa ontem. A nova geração de leitores apresentada pela Sharp vai adotar um padrão próprio de leitura. Segundo a empresa, o novo formato XMDF – uma evolução da tecnologia criada em 2001 pela empresa – permite ao usuário acessar conteúdos de áudio e vídeo, fotos e textos eletrônicos, em equipamentos compatíveis. O formato XMDF permite que o usuário navegue pelo mesmo conteúdo em dispositivos diferentes como smartphones, computadores e TVs, informa a Sharp.

Valor Econômico | 21/07/2010 | Daniela Braun

Sharp vai lançar e-reader


A Sharp afirmou nesta terça-feira que planeja ingressar no mercado de leitores eletrônicos, buscando deter uma fatia do aquecido e disputado mercado popularizado pela Amazon.

A Sharp planeja oferecer um serviço de distribuição de livros virtuais e lançar ainda este ano equipamentos compatíveis para leitura, que também permitirão aos usuários assistir a vídeos e ouvir arquivos de áudio.

A empresa disse que conta com o apoio de diversas editoras no Japão e em outros países.

A rápida popularidade do iPad, da Apple, impulsionou o crescimento dos mercados de leitores e de livros virtuais, e a concorrência mundial vem aumentando a cada dia entre Amazon, Barnes & Noble e Sony, que reduziram os preços de seus equipamentos no mês passado como resposta ao iPad.

No Japão, empresas como a Sony e a operadora de telefonia celular KDDI se uniram para distribuir livros digitais, buscando eliminar a resistência de editoras.

O Google também afirmou este mês que planeja lançar um serviço de livros eletrônicos no Japão no início de 2011.

REUTERS | 21 de julho de 2010 | 8h58 | Link do estadão

Dia histórico para o livro digital


A segunda-feira ficará marcada na história dos livros – se eles continuarem a existir no futuro. A Amazon.com, uma das maiores livrarias dos Estados Unidos, anunciou que nos últimos três meses as vendas de livros para o seu e-reader, o Kindle, superou as vendas de livros de capa dura. No período, disse a Amazon, foram vendidos 143 livros para Kindle para cada 100 livros de capa dura – incluindo livros em papel que não têm edição para Kindle.

O ritmo da mudança é acelerado, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas as vendas de livros digitais chegaram a 180 para cada 100 exemplares de capa dura. A Amazon oferece 630 mil títulos para Kindle, uma pequena fração dos milhões de livros vendidos pelo site.

Amantes de livros estão de luto pela morte das obras impressas, com seu peso e seu cheiro de mofo e precisam de um choque de realidade, disse Mike Shatzkin, fundador e executivo-chefe da Idea Logical Co., que aconselha editores de livros sobre as mudanças digitais. “Esse foi um dia que viria, que tim de vir”, disse ele. Shatzkin prevê que dentro de uma década, menos de 25% dos livros vendidos serão versões em papel.

A mudança na Amazon é “impressionante quando você considera que vendemos livros de capa dura por 15 anos e Kindle há 33 meses”, disse o presidente da livraria, Jeffrey Bezos, em um comunicado. Ainda assim, os livros impressos estão longe da extinção. As vendas devem crescer 22% este ano, de acordo com a American Publishers Association.

Os dados não incluem os e-books gratuitos para Kindle, do qual existem 1,8 milhão, originalmente publicados antes de 1923 [livros de domínio público porque seus direitos autorais expiraram]. A Amazon não divulgou as vendas de brochuras comparadas com a de e-books, mas elas ainda superam a de livros digitais.

A grande surpresa, disse Shatzkin, é que a vendas de e-book suplantaram a de livros de capa dura durante o período em que o Kindle enfrentou uma séria ameaça competitiva. O iPad, da Apple, que começou a ser vendido em abril, oferece um dispositivo para leitura e tem sua própria loja de livros. Mesmo assim, as vendas do Kindle também cresceram a cada mês durante o trimestre, segundo a Amazon. A venda de e-books quadruplicou este ano.

A Amazon afirmou que suas vendas foram além da taxa de crescimento. Uma das razões é que donos de iPad e outros aparelhos podem comprar livros para Kindle e lê-los em computadores, iPhones, iPads, Blackberrys e telefones com o software Android. A taxa de crescimento de vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon abaixou o preço do aparelho no final de junho para 189 dólares [custava 259 dólares]. No mesmo período, a Apple vendeu 3 milhões de iPads.

Veja | 20/07/2010 – 10:53 | Publicado originalmente em The New York Times

Venda de e-books supera a de livros físicos


Diferente de filmes e músicas que rapidamente migraram de DVDs e CDs para o ambiente digital, o livro sempre foi um meio que resistiu com mais dureza. Não mais. A Amazon anunciou nesta terça-feira, 20, que pela primeira vez as vendas de e-books superaram às de livros físicos, de capa dura.

Jeff Bezos, presidente da Amazon, credita o sucesso dos livros digitais à queda de preço do Kindle, o e-reader [leitor eletrônico]. “O número de Kindles vendidos triplicou com o novo preço – de US$ 259,00 para US$ 189,00”, disse o executivo.

Bezos afirma que ao número de livros físicos que são vendidos continua crescendo, mas que a crescimento dos e-books é tão forte que mesmo assim superou o tradicional formato. “Os consumidores da Amazon compram mais livros para o Kindle agora, o que é assombroso, já que trabalhamos com livros sfísicos há 15 anos, enquanto que com e-books há apenas 33 meses”. Para se ter uma ideia, para cada 100 livros físicos vendidos, outros 143 e-books são comercializados.

Estadão.com.br | 20 de julho de 2010 | 18h12 | Link