Livrarias veem Google como aliado no mercado de e-books


A Google está preparando sua investida no mercado de livros eletrônicos – o “Google Editions” – um esquema de venda de publicações digitais que poderão ser lidas em qualquer navegador web ou dispositivo conectado à rede.

Segundo o New York Times, a empresa está prestes a fechar acordo com a American Booksellers Association, a associação americana de vendedores de livros, que congrega as mais de 1.400 livrarias independentes dos EUA. Esses estabelecimentos sofreram duros golpes no passado recente, primeiramente desferidos pelas redes de livrarias de descontos, como a Barnes & Noble, e depois pela gigante das vendas online de livros convencionais, a Amazon.com.

O Google Editions pretende se tornar o principal vendedor de ebooks em sites, numa época em que começa a se mostrar expressivo o número de pessoas que preferem ler numa tela a ler em papel. No entanto, por não ter grande experiência em venda no varejo, a Google provavelmente enfrentará dificuldades para penetrar no já congestionado mercado de ebooks. Além disso, seu cadastro de clientes ainda é muito menor que os da Amazon ou da Apple, e seu sistema de pagamentos, o Google Checkout, ainda não foi amplamente adotado.

Consciente desses obstáculos, a Google pretende também vender no atacado, permitindo que as livrarias independentes e outros parceiros vendam seus ebooks em seus próprios sites.

A Google já tem em seu acervo mais de dois milhões de livros que editoras selecionadas disponibilizaram em um programa de parcerias. Qualquer internauta pode ter acesso online a longos trechos desses livros. Em paralelo, a empresa prossegue escaneando milhões de obras esgotadas e raras, num projeto que vem enfrentando disputas jurídicas desde 2005.

O grande salto da nova empreitada da Google é diferenciar-se do método engessado de venda de ebooks da Amazon, que são lidos no Kindle, da Barnes & Noble, lidos no Nook, e da Apple, lidos no iPad – os ebooks da Google não estão atrelados a um ou outro dispositivo de hardware.

O próximo passo da gigante das buscas seria atacar o filão da música online. Aliás, se a Google trilhar um caminho semelhante ao percorrido pela Amazon, em breve estará dominando um expressivo naco do mercado. Vale lembrar que a Amazon começou vendendo online livros convencionais, e hoje vende via web ebooks, CDs, DVDs, Blu-rays, música digital, equipamentos eletrônicos, e mais quase qualquer coisa que se procure, desde alfinetes até mamadeiras e acessórios automobilísticos.

O Globo | 30/06/2010

Google será aliado de pequenas lojas no mercado de livros eletrônicos


As pequenas livrarias independentes dos Estados Unidos sentiram o peso da concorrência dos livros digitais nos últimos dias. Primeiro foram atingidas pelo desconto do leitor eletrônico Nook, da rede de livrarias norte-americana Barnes & Noble, e logo depois pela queda do preço do Kindle, e-reader da loja on-line Amazon.

Forçadas a competir com grandes companhias, essas pequenas lojas terão em breve um novo aliado, que tem força para equilibrar a briga: o gigante das buscas Google.

O Google planeja lançar até o final do verão norte-americano [inverno aqui no Brasil] o Google Editions. A empresa revelou pouco sobre a projeto, até agora, descrevendo-o geralmente como um espaço para venda de livros digitais, que serão acessíveis de qualquer dispositivo com acesso à internet.

Mas uma recente investida da gigante dá indícios mais claros de onde o Google planeja começar: a empresa está prestes a concluir um acordo com a Associação Americana de Livreiros, um grupo de comércio para as livrarias independentes, para tornar o Google Editions a principal fonte de e-books em sites de centenas de livrarias independentes dos Estados Unidos, de acordo com representantes do Google e da associação.

O Google provavelmente irá enfrentar uma batalha difícil na venda de e-books, já que tem pouca experiência como um varejista, principalmente com comparação a Amazon ou a Apple. Outro obstáculo é que seu sistema de pagamento online, o Google Checkout, não tem sido amplamente adotado.

Mas as pessoas que comprarem livros do Google poderão encontrar o arquivo pronto para ser executado em qualquer programa ou plataforma, ao contrário dos livros comprados pela iBookstore da Apple, por exemplo, que só podem ser lidos em equipamentos da própria Apple.

Outra vantagem do Google nesta guerra é que ele pode contar com um grande número de pessoas que procuram títulos, resumos e sugestões de livros pelo site, que podem ser clientes em potencial.

Folha Online | 30/06/2010 | 14h44