E-books no celular, em português, para os portugueses


Por enquanto há títulos em domínio público e outros em inglês

Não comecem a fazer caretas. Ler livros no telemóvel é melhor do que não ter acesso a livro nenhum. Na semana passada, a TMN lançou no seu portal centenas de e-books, incluindo títulos em português, que podem ser lidos em mais de 80 telefones de vários sistemas operativos [na TMN App Store é possível fazer um teste e verificar quais são os telemóveis compatíveis].

Trata-se de uma parceria com a Mobcast Services Limited, a empresa que trata dos direitos de autor dos livros electrónicos que ali estão à venda. Rita Teixeira, responsável e gestora deste novo serviço, contou ao Ípsilon que a Mobcast já está a contactar e a conversar com os editores portugueses para no futuro estarem disponíveis mais livros. Os e-books em língua portuguesa que lá estão agora são quase todos grátis porque estão em domínio público [“A Relíquia”, de Eça de Queirós; “Viriatho”, de Teófilo Braga; e “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, de Júlio Dinis, a 1,50€]. Mas vai haver mais títulos, tanto em inglês como em português. “Somos a primeira operadora a disponibilizar e-books em Portugal e para todos os clientes”, explica Rita Teixeira [a Vodafone também disponibiliza este tipo de conteúdos, mas só para os clientes 360].

O catálogo de e-books na TMN App Store está organizado por categorias: romance, “thriller”, humor, clássicos, títulos em português, biografias, livros grátis, humor, etc. Além dos títulos gratuitos, existem os pagos, entre 1,50€ e 9,99€.

Por agora estão disponíveis “best-sellers” em língua inglesa, como a trilogia de Stieg Larsson [“The Girl with the Dragon Tattoo”], o “Angels and Demons”, de Dan Brown, e a saga “True Blood” de Charlaine Harris. Está lá também “Get Skin”, de Mo Hayder; “The Associate”, de John Grisham, o prémio Man Booker “Wolf Hall”, de Hilary Mantel, etc.

Quem quiser experimentar ler um destes livros no seu telemóvel pode fazê-lo gratuitamente. Basta aceder ao portal, por exemplo, através de um computador, escolher um dos títulos gratuitos que existem na loja de aplicações e clicar em comprar. Aparece então um quadro onde nos é pedido para colocar o número de telemóvel para onde queremos enviar o livro. Pouco tempo depois, o telemóvel apita. A mensagem chega: “Aceite, faça o download no seu telemóvel e divirtase!” Claro que, se o seu telemóvel for daqueles mais ultrapassados, pode não conseguir ler a mensagem, nem clicar no “link”, nem ler o livro.

Outra forma de se aceder à TMN App Store é através da Internet no telemóvel. O e-book ficará instalado no aparelho telefónico, dispensando qualquer ligação à Internet para acesso ou leitura do mesmo. Os livros estão em formato java e, uma vez descarregados para o nosso telemóvel, ficam ali disponíveis para sempre. Podemos passar as páginas, andar para a frente e para trás, ir directamente para o capítulo que nos interessa ler.

Fiquemos agora à espera das novidades em português.

As informações são do blog Ciberescritas, da jornalista Isabel Coutinho.

A Wikipédia não é mágica, é trabalho duro


Um dos fundadores da enciclopédia colaborativa fala com a Folha sobre a comunidade que compartilha seu conhecimento, as falhas e a concorrência

Na calçada da fama dos ícones da tecnologia, Jimmy Wales tem seu lugar garantido ao lado de personalidades como Bill Gates.
Ele ajudou a fundar a Wikipédia, a enciclopédia gratuita que se baseia na colaboração dos usuários, logo no início dos anos 2000. Tempos em que não existiam sites como o YouTube, o Facebook ou o Twitter. Wales fala amanhã no Info@Trends [info.abril.com. br/infotrends], evento em São Paulo, sobre o poder do conteúdo gerado e moderado pelo usuário.
À Folha, ele falou sobre a fundação da Wikipédia, as falhas e qualidades do site e a série de polêmicas que cerca a enciclopédia colaborativa -da pornografia às tentativas de uso político da ferramenta. Veja trechos da entrevista concedida por e-mail. [AMANDA DEMETRIO]

Folha – Como foi a criação da Wikipédia? Quais fatores do mercado mostraram que vocês estavam na direção certa?
Jimmy Wales – A Wikipédia foi o produto de um projeto anterior, chamado Nupedia, que foi um fracasso. A Nupedia era um projeto baseado em controle e comando, o que não era divertido para os voluntários. Quando eu instalei o software wiki e foi lançada a Wikipédia, nós tivemos mais trabalho feito em duas semanas do que havíamos tido em quase dois anos, no sistema antigo. Naquele momento, eu soube que estávamos lidando com algo grande.

O que mudou no perfil de quem colabora com o site desde a fundação?
Bem pouco! Os colaboradores da Wikipédia geralmente são bem inteligentes, pessoas do tipo geek, com uma paixão por compartilhar seu conhecimento com os outros.

Como você lida com os problemas de conteúdo de cunho sexual ou pornográfico na Wikipédia?
É um assunto bem complexo. De um lado, queremos fornecer informação séria e responsável sobre a sexualidade humana -isso é uma abordagem perfeitamente legítima e educacional. De outro, não queremos nos tornar um lugar no qual as pessoas postam pornografia casualmente. Essa é a parte fácil. A dificuldade está em encontrar um meio-termo, em trabalhar para termos o cunho educacional sem ser banal, especialmente quando nós estamos falando com pessoas de todo o mundo. Existem os lugares que são extremamente liberais sobre sexualidade, como os Estados Unidos e a Europa, e os que são bem conservadores, como a Índia e a China.

Qual sua posição sobre as tentativas de uso político do conteúdo publicado na Wikipédia? Acha certo intervir?
A Wikipédia se esforça para ser neutra. Nós temos uma cultura muito forte de só querer publicar o que é básico e largamente consensual sobre os fatos. E é certo nós intervirmos contra qualquer pessoa que esteja tentando usar a Wikipédia para outro propósito.

Qual é a principal falha da Wikipédia atualmente e como você pretende combatê-la?
Nesse momento, achamos que a usabilidade do software é a principal falha. Algumas vezes, editar a Wikipédia é mais difícil do que deveria ser, por razões técnicas. Queremos que isso se torne tão fácil quanto usar um programa que faz o processamento de palavras. Estamos investindo bastante em tecnologia para fazer isso acontecer.

Qual a principal qualidade da Wikipédia atualmente?
Para mim, a principal qualidade é a paixão da comunidade de querer tornar os fatos corretos. A Wikipédia não é mágica, é resultado de um trabalho duro. Trabalho duro feito por pessoas que realmente se importam em deixar as coisas certas. Sem isso, não há esperança.

A Wikipédia considera serviços como o Yahoo! Respostas concorrentes? Como vocês lidam com isso?
Não, nós nunca pensamos em termos de concorrência. Nós somos uma comunidade fazendo algo que amamos. Eu espero que as pessoas que estão respondendo às perguntas do Yahoo! Respostas estejam se divertindo. Acreditamos que estamos fazendo algo mais importante.

O que pode dizer sobre a nossa Wikipédia em língua portuguesa?
Eu estive várias vezes no Brasil e conheço pessoas da Wikipédia em português. O português sempre foi uma das nossas línguas mais fortes, com muita participação do Brasil. Eu acho que sempre houve uma competição saudável entre a Wikipédia em português e a Wikipédia em espanhol.

Você é uma personalidade do mundo da tecnologia e tem influência sobre as pessoas. Quem você enxerga como concorrente na condição de formador de opinião?
De novo, eu não penso em termos de competição. Não estou tentando acabar com ninguém. Estou apenas tentando fazer algo em que eu acredito e fazer isso bem.

Folha de S. Paulo | Tec | 16/06/2010 | Por Amanda Demetrio

Mais de 123 milhões de americanos leem jornal pela web


Mais de 123 milhões de americanos visitaram sites de notícias para ler a versão online de jornais em maio, o que equivale a 57% de todos os internautas americanos, que hoje somam 215 milhões, de acordo com pesquisa da comScore Media Metrix Data.

O New York Times lidera o ranking da empresa de pesquisas, com 32,5 milhões de usuários e 719 milhões de páginas visitadas durante o mês de maio. Em segundo lugar está o Tribune Newspaper, com 24,7 milhões e 359 milhões de páginas visitadas. O terceiro lugar ficou com o Advanced Internet, com 18 milhões e 359 milhões de páginas vistas.

Mesmo com o declínio das vendas de jornal impresso, os americanos não deixaram de consumir notícias. A internet foi o principal canal de leitura, segundo Jeff Hackett, vice-presidente da comScore. “A internet se tornou um canal essencial, por onde os americanos leem jornal online. Hoje em dia, 3 entre 5 usuários usam a internet para ler jornal“, diz.

Os jornais online representam um invenção “premium” para os publicitários, disse Hackett. Uma pesquisa da comScore conduzida no ano passado para a Associação de Publicitários Online mostra que os usuários que visitam sites de notícias estão mais expostos aos efeitos da publicidade online do que a média de visitantes de sites publicitários.

Tatiana Schnoor | Valor Online | 16/06/2010