Sebos do Centro do Rio, um breve panorama do mercado


Veja o que pensam os livreiros cariocas sobre o futuro dos sebos

Fotógrafa: Clarissa Pivetta / Arissas Multimídia

Na busca desesperada por algum título esgotado ou com o preço mais em conta, duas alternativas se abrem a um leitor brasileiro. Cinco das maiores editoras do país acabam de se unir na criação da Distribuidora de Livros Digitais. Com isso, o dia em que poderemos buscar, comprar e baixar livros esgotados em poucos minutos torna-se mais próximo. Por enquanto, o principal alívio são os chamados sebos virtuais, templos sagrados dos estudantes duros e refúgio definitivo do mercado informal de livros. Na verdade, plataformas de e-commerce para livreiros independentes, portais como a Estante Virtual vêm revolucionando o varejo de livros usados e raros. Mas o que pensam os livreiros sobre as novas possibilidades que a internet oferece? Como ela afeta o seu negócio? O que traz de bom e de ruim para o comércio de livros usados? E como vislumbra o futuro dos sebos, num prazo de cinco anos? Munida da quarta edição do Guia dos sebos [Nova Fronteira, 2003], de Antonio Carlos Sechin, a TV Literal visitou o Centro do Rio de Janeiro, nas adjacências da Praça Tiradentes, região com uma das maiores concentrações de sebos no país, para ouvir dos próprios livreiros como as mutações pelas quais passa o universo do livro afetam os seus lendários negócios. Para ler a matéria completa e assistir aos vídeos produzidos, acesse o Portal Literal.

Portal Literal | 15/06/2010 | Bruno Dorigatti e Felipe Pontes

Livro digital pode democratizar a leitura, mas muda o mercado


Confira os principais destaques da XXIII Reunião Anual da Abeu

Os universitários estão lendo menos? O livro digital ameaça as editoras e sugere o desaparecimento do livro tradicional? O livro digital facilita o acesso à leitura dos alunos e do público em geral? Estas foram algumas das questões discutidas durante a XXIII Reunião Anual da Abeu [Associação Brasileira das Editoras Universitárias], que reuniu, entre os dias 7 e 10 de junho, na sede da Fundação Editora da Unesp, em São Paulo, profissionais do mercado editorial e acadêmicos para reflexão sobre a leitura na universidade e o livro digital.

Segundo pesquisa divulgada por Eliane Yunes, da Cátedra Unesco de Leitura [PUC-RJ], os índices de leitura dos estudantes é baixíssimo ao ingressarem na universidade, mas, ao saírem, há uma melhoria significativa, da ordem de 20%. Um aspecto fundamental levantado pela especialista é o papel dos professores como mediadores da leitura, “ensinando os alunos a lerem os textos, destrinchando-os, articulando-os, correlacionando os conhecimentos“.

Outro fator identificado como estimulante é o acesso aos bens. Nesse sentido, “a internet configura-se como um instrumento facilitador“, afirma Yunes, ressalvando, entretanto, que não é neste espaço que se forma um leitor.

A universidade pode formar novos e perenes leitores, mas cabe ao professor perceber e trabalhar a heterogeneidade de seus alunos“, comentou João Luiz Ceccantini, professor do curso de Letras da Unesp, campus de Assis.

Carlos Erivany Fantinati, docente no mesmo campus, reiterou a importância de o professor exercitar a explicação de texto que, para ele, “não se trata de apenas elencar seus elementos constitutivos, mas sim de identificar os elos e liames entre esses elementos”, tornando a leitura um desafio permanente.

Para o filósofo Pablo Ortellado, professor da USP, a digitalização do livro tem um impacto fundamental na difusão do conhecimento entre classes sociais, que antes não conseguiriam adquirir os livros.

A renda familiar de muitos estudantes é inferior ao valor da bibliografia solicitada em cursos universitários. Sem a digitalização deste conteúdo, eles não teriam uma formação adequada, como explica Ortellado, que também é coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Publicas para o Acesso à Informação [GPOPAI].

Podemos fazer um comparativo com a indústria fonográfica, que precisou se reinventar após a digitalização da música. Eles utilizam a disseminação de arquivos em MP3 para divulgar o produto. E seu modelo de negócio passou por reestruturações“, diz Ortellado, para quem as editoras deverão repensar seus modelos de negócios.

Segundo dados do Observatório do Livro e da Leitura, pelo menos 3% dos leitores brasileiros são adeptos de mídias digitais [dados de 2008]. “O livro digital veio para ficar“, afirmou o diretor da entidade, Galeno Amorim.

Nesse sentido, Flávia Garcia Rosa, presidente da Abeu, foi enfática ao afirmar que “os professores universitários devem estar atentos aos desafios e possibilidades deste novo cenário“.

Ainda não há números oficiais sobre a venda de conteúdo digital no Brasil, mas estima-se que cerca de 7 milhões de habitantes baixem livros diariamente pela internet e, destes, a maioria é jovens de 14 a 17 anos.

Segundo o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil, há um esvaziamento nas bibliotecas de universidades, pois “os alunos preferem pesquisar na internet a buscar livros na biblioteca“.

Mudanças no mercado editorial
Se de um lado há uma perspectiva de ampliação de acesso aos bens culturais, o livro digital impõe novos desafios para a indústria livreira. Durante a reunião, alguns participantes expuseram suas primeiras experiências com o livro digital.

No caso da Imprensa Oficial de São Paulo, Hubert Alquéres, presidente da entidade, diz ter ficado muito surpreso com a quantidade de downloads feitos no site da Coleção Aplauso e revelou que “algumas pessoas que baixam o livro, depois de ler, procuram o exemplar em papel, o que vai na contramão da ideia de que o digital substitua o tradicional“.

Já o editor executivo da Editora Unesp, Jézio Hernani Bomfim Gutierre, contemporiza: “O e-book não deve ser considerado uma salvação para a difusão e tampouco o fim das editoras.

Experiência espanhola
Dentre os estrangeiros, Antonio Ávila Álvarez, diretor executivo da Federación de Grêmios de Editores de España, e Inés Miret, diretora da Neturity/Madri, apresentaram uma pesquisa sobre o impacto da digitalização no catálogo, canais de distribuição e vendas e políticas de preços na Espanha.

Algumas constatações: por lá, os editores já admitem uma queda no preço de capa, para o formato virtual, entre 30% e 50%. E a aposta é que em oito anos a receita com a venda de livros digitais ultrapasse o volume de vendas de livros impressos em papel.

Dados da Fundação Germán Sánchez Ruipérez apontam que, naquele país, dos 50 primeiros livros mais visitados da Biblioteca Hispânica Digital, 40 são novos. “Até o fim de 2010, esperamos disponibilizar na rede cinco mil títulos“, diz Álvarez.

Para o diretor presidente da Editora Unesp, José Castilho Marques Neto, o encontro representou um marco para que as editoras universitárias se situem em relação ao que está acontecendo.”Ninguém tem certeza do que virá daqui para frente, mas essa é uma discussão substantiva que nos dá maior tranquilidade para buscar novos caminhos”, disse.

A Editora Unesp lançou, neste ano, uma primeira coleção de livros digitais, com acesso totalmente gratuito e disponível para download em http://www.culturaacademica.com.br. Mais de 35 mil downloads foram feitos em menos de três meses.

PublishNews | 15/06/2010