eBooks – Triunfo do Egoismo


Esqueça DRM. Esqueça formatos incompatíveis. Imagine que você tem o leitor de eBooks perfeito. Imagine que todos os seus livros estão lá. Todos os seus gibis, todas as suas revistas semanais. Meus parabéns, mesmo com botão do Facebook “Recomende este livro” você tem a mídia mais egoísta da história da Humanidade.

Até então chegávamos na casa de um amigo e o que ele estava lendo aparecia nas estantes, aparecia na mesa da sala, aparecia até no bidê do banheiro, excelente lugar para guardar gibis.

Com os eBooks isso tudo perde razão de ser. Pense quantas vezes você viu um conhecido [ou mesmo desconhecido] lendo algo, se interessou, esticou o pescoço e viu o título. Você com certeza já recebeu um exemplar de uma revista que não lia com um artigo marcado com post-it, leu e em seguida folheou o resto da revista.

A mídia eletrônica em teoria oferece ferramentas sociais, mas não precisamos necessariamente de recomendações formais. NEM precisamos necessariamente recomendar formalmente algo. A rigor NÃO recomendamos. Existe uma diferença entre “leia sim, é ótimo, recomendo” e “é legalzinho”. Uma revista deixada em cima de uma mesa diz apenas que você a compra, mais nada. Durante Séculos foi mais que suficiente como recomendação.

Mais ainda: É socialmente aceito que você olhe a estante de livros de um amigo, mas não é correto futucar o iPad ou o kindle dele atrás do que está lendo, não mais do que é listar os bookmarks do navegador para ver que sites anda visitando.

Algo que muita gente não pensou: As novas formas de distribuição da mídia impressa necessariamente trarão atreladas novas formas de divulgação, aposentando e inviabilizando muitas das formas antigas. Nós teremos que nos adaptar, pois a maior parte dessas formas de divulgação não depende das editoras, mas dos leitores. Há alternativa? Não, é o preço a pagar pelos eBooks.

Este texto foi publicado originalmente por Carlos Cardoso em 16 de maio de 2010, 15:04, no site Meio Bit