Livraria Cultura vira palco para o Link


A organização política online, o empreendedorismo no século 21 e o livro finalmente se libertando do suporte papel e migrando para o digital. Serão essas as discussões da primeira edição da série Estadão & Cultura, que levará os temas do caderno Link [e de outros suplementos] para a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

O debate da quarta-feira, 12, mediado pelo editor-chefe de conteúdos digitais do Grupo Estado Pedro Doria, discutirá iniciativas de webcidadania como o site Cidade Democrática e o Transparência Hack Day, evento em que desenvolvedores criam aplicativos para organizar informações públicas.

Estamos tentando mostrar que a sociedade pode, através das ferramentas digitais, interagir com toda essa informação gerando riqueza de conhecimento e melhorando colaborativamente as práticas de governo”, opina o analista de mídias sociais Pedro Markun, um dos participantes do Hack Day e sócio da empresa Esfera. Na mesma linha, Rodrigo Bandeira, criador do Cidade Democrática, acha que “a web colaborativa abre caminho para construir um espaço aberto em que as pessoas falem o que quiserem, da forma que quiserem”, além de oferecer suportes para que elas se organizem e cobrem mudanças. É a política 2.0.

Já no segundo dia de evento, o assunto é o empreendedorismo na web. Se no começo da internet comercial no Brasil o desafio era entender um novo meio e descobrir como ganhar dinheiro com ele, agora a maior dificuldade é aparecer no meio de tantas iniciativas. “No começo, era um faroeste. Você tinha que criar toda a infraestrutura. Mas hoje a internet não é mais inovação, é cotidiano”, diz Aleksandar Mandic, criador de um dos primeiros provedores brasileiros.

Com a cultura da internet já fixada por aqui, a concorrência se acirrou. Para aparecer, hoje, o investidor tem que estar ligado nas tendências da rede, segundo o criador da HotWords, Gustavo Morales. “O futuro dos negócios na web aponta para iniciativas que envolvem mídias sociais, novos aplicativos, integração entre mobile e meios de pagamento, além de tudo que for ligado com o conceito de comunidades e a organização de grupos”, diz. Além deles, também marcam presença o presidente do Buscapé, Romero Rodrigues, e o gestor de fundos da Rio Bravo, Marcelo Romeiro. A mediação fica por conta do repórter de Economia do jornal Renato Cruz.

Um dia depois, o assunto é a leitura digital, que aos poucos ganha espaço. Afinal, agora ela tem suportes bem mais confortáveis que a tela do computador, seja nos e-readers como o Kindle ou nos tablets como o iPad, da Apple. Apesar de ainda representar uma fatia pequena dos lucros, os e-books já agitam editoras, escritores e todos ligados ao mercado de livros, e já há quem diga que quem não se preparar morrerá.

Para o diretor de programação da Festa Literária Internacional de Paraty [Flip], Flávio Moura, “aos poucos essa discussão está se afastando de previsões catastróficas de que tudo vai acabar ou que o bom mesmo é o cheiro do papel” e começando a tocar nos pontos que realmente importam: modelo de negócios de editoras, linguagem e uma popularização maior da literatura. Ele, o diretor do Instituto Moreira Salles Samuel Titan e o editor do Link Alexandre Matias fecham o evento, discutindo para onde vai a leitura no século 21.

Serviço

Encontros Estadão & Cultura
De 12 a 14 de maio, sempre na Livraria Cultura do Conjunto Nacional [Avenida Paulista, nº 2.073] a partir das 12h30. Entrada gratuita.

ENCONTROS

POLÍTICA 2.0 | O primeiro debate da série, mediado por Pedro Dória, editor-chefe de conteúdo digital do Grupo Estado, na quarta, 12, discute a internet como meio de fazer política. Participam Rodrigo Bandeira, do site Cidade Democrática, e Pedro Markum, do Transparência Hack Day.

NEGÓCIOS | Na quinta, 13, a mesa comandada por Renato Cruz, repórter de Economia do jornal, será sobre os negócios de tecnologia no Brasil. Estarão lá Aleksandar Mandic, da Mandic, Marcelo Romeiro, da Rio Bravo, Gustavo Morale, da HotWords, e Romero Rodrigues, do Buscapé.

E-BOOK | A leitura digital é pauta o debate comandado pelo editor do Link, Alexandre Matias, na sexta, 14, que terá participação de Flávio Moura, diretor de programação da Flip, e Samuel Titan, do Instituto Moreira Salles.

Estadão.com.br | Por Redação Link | 9 de maio de 2010 | 19h41

Clube do livro em escala mundial


Reino Unido: No ano passado, os moradores de Edimburgo se envolveram com a aventura de Arthur Conan Doyle, O Mundo Perdido. No mês passado foi a vez de os dublinenses participarem de uma leitura coletiva de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e os leitores da cidade litorânea britânica de Brighton estão atualmente envolvidos com o romance de Ian Fleming, Moscou Contra 007, uma aventura de James Bond. Agora um novo projeto espera levar a iniciativa “um livro, uma cidade” ao próximo passo, propondo ao mundo todo a leitura do mesmo romance.

Nascido da inspiração de Jeff Howe, autor de O Poder das Multidões e um dos editores da revista Wired, acaba de ser lançado o programa Um Livro, Um Twitter. Ao longo do último mês, os leitores votaram para escolher a obra que será lida para o projeto, e o vencedor foi o romance Deuses Americanos, fantasia de Neil Gaiman que superou concorrentes como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, Matadouro 5, de Kurt Vonnegut, Song of Solomon, de Toni Morrison, e O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy.

O objetivo do Um Livro, Um Twitter é – como no programa que o inspirou, Uma Cidade, Um Livro – fazer com que uma verdadeira multidão leia o mesmo livro e o comente. Não se trata, por exemplo, de uma tentativa de fazer com que um público mais seletivo de amantes da literatura leia uma série de livros e se reúna em horários preestabelecidos para debatê-los“, explicou Howe no endereço Wired.com.

Moda

Normalmente, programas de leitura de tamanho alcance são organizados com base na geografia. Seattle deu início à moda da leitura coletiva em 1998, quando incontáveis moradores da cidades leram O Doce Amanhã, de Russell Banks. Alguns anos mais tarde, Chicago deu prosseguimento à tendência com a leitura de O Sol É para Todos, de Harper Lee. Este programa de leitura de grande alcance tem como centro o Twitter, e despreza as limitações físicas.” Gaiman, cujo romance acompanha a história do ex-presidiário Shadow, que sai da cadeia e embarca numa bizarra jornada pelos Estados Unidos na companhia do misterioso sr. Wednesday, que afirma ter sido um deus, disse considerar o Um Livro, Um Twitter uma “grande ideia – uma espécie de clube do livro de alcance global“.

Entretanto, ele manifestou certa preocupação com a escolha de Deuses Americanos, afirmando estar “um pouco satisfeito e um pouco incomodado” com isto, pois “o livro é do tipo que divide o público. Algumas pessoas o adoram, outras parecem gostar menos, e outros leitores o detestam…”.

Não é o tipo de livro que eu distribuiria a todos, porque as pessoas que o detestarem nada sabem sobre minhas obras anteriores – e poderiam gostar de Stardust, ou de Lugar Nenhum, ou de O Livro do Cemitério, ou da série Sandman – e provavelmente deixarão de procurar estas leituras“, explicou o autor em seu blog.

Mas o livro foi escolhido, e de certa forma estou contente em poder ajudar a dar início a algo tão novo, e farei todo o possível para colaborar. Isso significa que hoje avisarei a todos os editores que já publicaram Deuses Americanos pelo mundo a respeito do programa e, nos próximos meses, manterei uma correspondência útil ou apologética via twitter para aqueles que ficarem encalhados na leitura, ou que se sintam ofendidos, ou apenas extremamente confusos.” O projeto Um Livro, Um Twitter está no endereço @1B1T2010 – que já conta com mais de 1.500 seguidores poucos dias depois de seu lançamento. O hashtag é #1b1t.

Alison Flood | Guardian | O Estado de S.Paulo | 09/05/2010 | TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL