Os riscos de um monopólio digital


Especializado no Iluminismo francês e pioneiro no campo da história do livro, Robert Darnton diririge a biblioteca de Harvard desde 2007 e é uma das vozes mais ativas no debate sobre a digitalização de livros promovida pelo Google. Entusiasta da iniciativa, na qual vê traços do ideal iluminista da universalização do conhecimento, ele critica, porém, os termos do acordo proposto pelo Google, que criaria um “monopólio do acesso à informação”, diz. Convidado da Flip 2010, Darnton falou com O Globo sobre A questão dos livros: passado, presente e futuro [Companhia das Letras, 232 pp., R$ 42,50 – Trad. Daniel Pellizzari]. “O acordo despertou uma série de protestos. O tribunal recebeu mais de 400 contestações formais, incluindo memorandos dos governos francês e alemão, da União Europeia, de bibliotecas de todo o mundo e do Departamento de Justiça americano. Isso obrigou o Google a revisar o acordo, mas a segunda versão também foi criticada. Este é o estado atual da questão. E acho que há uma forte possibilidade de o acordo ser rejeitado pela corte. Se isso acontecer, o Google pode apelar, arrastando o caso por anos e continuando a digitalizar livros. É a única empresa no mundo que tem as condições financeiras e tecnológicas para isso. Mas se o acordo for mesmo rejeitado, surgiria a oportunidade para algo que defendo há anos e que acredito ser a melhor solução: a criação de uma Biblioteca Digital Nacional.

O Globo – 01/05/2010 – Por Guilherme Freitas

Darnton, Eco e Carrière discutem impacto da tecnologia sobre o livro


Um dos convidados mais aguardados da edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty [Flip], o historiador americano Robert Darnton se viu envolvido, desde que assumiu a direção da biblioteca da Universidade de Harvard, em 2007, no complexo debate jurídico em torno do projeto do Google de criar um gigantesco acervo digital de obras de referência. Em entrevista ao Globo, Darnton aplaude a iniciativa, mas aponta problemas jurídicos e técnicos do projeto, que poderia dar ao Google o monopólio do acesso a obras digitais e geraria arquivos mais frágeis que microfilmes, temas abordados nos ensaios de A questão dos livros: passado, presente e futuro [Companhia das Letras, 232 pp., R$ 42,90 – Trad. Daniel Pellizzari]. A discussão sobre a digitalização e as novas plataformas de leitura também está no centro de Não contem com o fim dos livros [Record, 272 pp., R$ 39], com lançamento previsto para 14/5, uma coletânea de diálogos entre o ensaísta Umberto Eco e o escritor Jean-Claude Carrière, amigos de longa data unidos pela bibliofilia.

O Globo – 01/05/2010 – Guilherme Freitas