E o iPad não salvou os jornais e as revistas…


E o iPad não vai ser a tábua de salvação pela qual toda a mídia impressa esperava… Segundo se imaginava, as “aplicações” do aparelho, mais do que a Web, iriam reinar e todos os usuários voltariam, alegre e bovinamente, a pagar por conteúdo. A pior notícia nesse sentido não é nem que os usuários não queiram pagar por conteúdo [algo que só se confirmará mais adiante], mas a simples constatação de que as agências de notícias estão cobrando “zero” pelas suas aplicações no iPad, enquanto os jornais e as revistas tentam vender as suas por preços equivalentes às edições impressas. [No Brasil, seria algo como a Agência Estado e a Folhapress cobrando “zero” pelas suas versões no iPad, enquanto os jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo tentariam vender suas edições diárias no mesmo aparelho.]

Novamente, as agências, que faturaram alto em cima dos portais de internet, vão levar a melhor sobre as publicações impressas. A revista eletrônica Salon inclusive sugere que o iPad funcionará como uma “distração fatal” para jornais e revistas. Na tentativa de cobrar, mais uma vez, por conteúdo, periódicos impressos fugiriam, novamente, da “realidade da internet”, desperdiçando, como de costume, tempo e dinheiro.

Marc Andreessen, fundador da Netscape, investidor do Ning e membro do conselho do Facebook, em entrevista ao TechCrunch, foi menos diplomático ao afirmar que: nenhum aparelho, por mais bem-sucedido que seja [em vendas], vai superar a base instalada de mais de 1 bilhão de usuários da World Wide Web. De novo: milhões de consumidores “pagantes” de aplicações no iPad não vão reverter os bilhões de usuários “grátis” da internet [salvando, da bancarrota, veículos originalmente impressos…]. Jeff Jarvis – onipresentemente – observou que a noção de “conteúdo” mudou depois do Google; e que a velha ferramenta de busca é a grande vencedora, mais do que a Apple, no iPad.

As especulações variam, mas, em pouquíssimo tempo de uso, já se sabe que a principal “aplicação” do iPad é, mesmo, a Web, seguida do velho e bom e-mail, seguido das aplicações musicais. Em vez de jogar a bóia ou o colete salva-vidas, Steve Jobs enche de água a boca dos jornais e revistas que hoje se debatem na chamada “economia da abundância”.

Publicado originalmente em Digestivo nº 461 | Quinta-feira, 29/4/2010

Anúncios