Manguinhos ganha biblioteca high-tech inspirada em Medellín


Os moradores do Conjunto de Favelas de Manguinhos, no subúrbio do Rio de Janeiro, ganham nesta quinta-feira ]29] a primeira biblioteca-parque do Brasil. O projeto é inspirado em Medellín, na Colômbia, que investe na construção de equipamentos culturais como forma de promover inclusão social.

A biblioteca-parque de Manguinhos ocupará uma área de 2,3 mil m² do antigo Depósito de Suprimento do Exército ]1º DSUP] e atenderá a 16 comunidades da Zona Norte, cuja população soma, aproximadamente, 100 mil habitantes. O lugar foi criado a partir de uma viagem feita pela secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, à cidade colombiana.

Esse projeto tem a intenção de despertar o interesse dos moradores de Manguinhos e de toda sociedade pelo conhecimento digitalizado“, disse Adriana.

Com 900 DVD’s, 5 televisões de LCD, 3 livros digitais, 40 computadores, 25 mil livros e mais de 3 milhões de músicas distribuídas em aparelhos de Mp3, a infraestrutura de nível internacional custou R$ 8,7 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento [PAC].

Atendimento diferenciado
De acordo com a superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria estadual de Cultura, Vera Saboya, o lugar irá atender de forma diferenciada toda a população de Manguinhos e de toda a cidade do Rio. “É um local que terá vários ambientes digitalizados para pessoas que precisam de uma nova visão do conhecimento”, explicou.

O espaço terá ainda salas des estudo, de leitura e de multimídia, onde acontecerão apresentações de teatro e de filmes brasileiros e estrangeiros.

A inauguração da biblioteca terá a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira e do governador do Rio, Sérgio Cabral. O acesso será livre e estima-se que cem mil moradores da região compareçam ao evento. No local, também terá a presença da personagem de quadrinhos, Mônica, de Maurício de Souza, que será entitulada Embaixadora da Cultura.

Funcionários da região
Segundo Vera, todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região e contratados pela Secretaria estadual de Cultura. Eles foram teinados para atender à todas as pessoas que visitarem o local.

G1 | 28/04/2010

Editora brasileira diz que livros em papel ainda terão longa vida


O livro em papel tem ainda uma longa vida pela frente e pode conviver no futuro com os e-books, já que, segundo a editora brasileira Beatriz de Moura, o importante são os conteúdos.

A editora deu uma entrevista à Agência Efe em Buenos Aires.

Em 1968, Beatriz fundou a editora Tusquets Editores na Espanha com um capital equivalente a 1.500 euros, uma loucura “romântica”, segunda ela, que obteve sucesso quando seu “espírito aventureiro” e sua paixão pela literatura foram combinados com a experiência nos negócios de seu companheiro nesta aventura, Antonio López.

A combinação deu certo e “mais de 40 anos depois continuamos aqui“, disse Beatriz.

Apesar de reconhecer que a crise não foi tão dura para as editoras espanholas em 2009 como era temido, Beatriz prevê um ano difícil em 2010 e teme que a situação econômica leve ao fechamento de muitas das pequenas empresas do setor.

Sua recomendação para os novos editores é precisamente a chave da Tusquets: o equilíbrio, porque “podemos fracassar por excesso de risco econômico ou por excesso de romantismo”, afirma Beatriz, que está em Buenos Aires para participar da Feira Internacional do Livro.

A editora diz que a polêmica sobre os e-books contra os livros tradicionais não é, na realidade, mais que um tema de “continentes” e que o mais importante são os conteúdos.

“A tecnologia não me assusta”, afirma, embora admita que grandes grupos editoriais já estejam investindo nos aparelhos e que, por questões financeiras, os pequenos e médios estão ficando para trás. “Acho que não devemos precipitar-nos, porque vivemos do livro em papel e continuaremos vivendo do livro em papel. No futuro, as duas formas podem conviver, haverá gente que prefira papel e haverá quem prefira outro formato“, disse.

Mas assegura que “seja qual for o suporte, dentro haverá o conteúdo, e os conteúdos são fornecidos pelos editores. Vão precisar muito de nós“.

EFE | 28/04/2010