Em seu novo livro, Dominique Wolton desconstrói as utopias digitais


A internet é mesmo a grande revolução prevista por certos teóricos? Em seu novo livro, Informar não comunicar o sociólogo francês Dominique Wolton joga um balde de água fria nas utopias digitais, que cravaram que as novas tecnologias iriam resolver todos os problemas da comunicação. Para o prestigiado pesquisador do CNRS [Centro Nacional de Pesquisas Científicas, na sigla em português], fundador e diretor da revista Hermès, confundiu-se os – indiscutíveis – avanços técnicos de transmissão da informação com a nossa capacidade de absorvê-los e nos adaptarmos às mudanças. O resultado é paradoxal: mais rápido avançam as tecnologias, mais lento é o nosso progresso na comunicação. Wolton não nega a importância das novas ferramentas, mas desconstrói a ilusão de que a internet possibilitará um conhecimento sem intermediários. Ao contrário do espaço de integração e pluralidade idealizado por alguns, vê um sério risco de segmentação: usuários isolados em suas ilhas, ou limitados a seus grupos de afinidades, incapazes de dialogar com valores diferentes dos seus.

Antes que o acusem de conservadorismo, vale lembrar que o pensador defende, na verdade, uma visão mais humanista da comunicação, que coloque o indivíduo acima das tecnologias. Pede com urgência que a comunicação seja vista como um projeto político e cultural, para que possa enfim produzir um melhor entendimento entre os homens num mundo cada vez mais multipolar.

Os avanços da comunicação deflagraram a nossa dificuldade de se comunicar?

Há um descompasso entre a velocidade e o volume de informações aos quais temos acesso todos os dias e nossa capacidade de se comunicar. As informações avançam rápido, já a comunicação, muito devagar. Identificamos erroneamente as técnicas de comunicação ao progresso, e esquecemos da complexidade do homem. A comunicação é uma das apostas científicas do século 21: precisamos gerar nossas diferenças, coabitar, muito mais do que dividir o que temos em comum. O desafio é tomar consciência que a comunicação deve conviver pacificamente com as novas tecnologias da mesma maneira que a ecologia. O mundo finalmente deu atenção à ecologia, agora é preciso também ficar atento às ciências sociais da comunicação.

Quais são os maiores perigos da visão tecnicista da comunicação?

É uma visão que contém riscos porque cria uma confusão entre o que é informação e o que é comunicação. Não apenas releva a capacidade crítica do receptor exposto à mensagem, mas também a sua resistência a uma visão diferente do mundo. É preciso aceitar a ideia de que a comunicação também possui uma dimensão política e cultural. Se aceitamos que a ecologia deve ser um assunto político, por que não a comunicação?

Os ideólogos da revolução digital defendem que a internet pode produzir uma democracia mais direta, emancipada das instituições, e que se autorregulamentaria sem a necessidade de intermediários. É uma ideia populista?

É uma ideia democrática apenas na aparência. A internet ressuscitou a utopia da democracia direta. É ingênuo, porque se você não tem intermediários, é o dinheiro e as minorias que dominam. Não existe democracia sem intermediários: políticos, jornalistas, professores, médicos… A televisão comunitária existe há pelo menos 20 anos e não resultou na democracia direta. A mídia está cada vez mais interativa, mas não melhorou em nada. Para que haja democracia, é preciso haver eleições. Aliás, eleições servem para eliminar aquilo com o que não concordamos.

A internet é defendida como um agente do pluralismo. Mas o senhor vê um risco de conformismo, submissão ao receptor e às modas. Até agora, o digital contribuiu mais para uma homogeneização da mídia?

A internet pode se transformar em um espaço onde todo mundo pensa a mesma coisa, pois cada um se fecha em sua comunidade. Mas se for regulamentada, poderá refletir o pluralismo da sociedade. Aconteceu o mesmo na história da política, da ciência ou da arte. A comunicação é um projeto político. Com a internet, corremos o risco de entrar no comunitarismo: as comunidades se prendem em suas próprias afinidades, sem dar atenção a outras possibilidades. A comunicação é uma ida e volta, é preciso negociar as diferenças.

Em resposta à utopia de integração, o senhor aponta as “solidões interativas”…

Não podemos negar que a internet trouxe uma abertura formidável. Mas depois de um tempo, pode virar prisões individuais: as pessoas se trancam e não se comunicam com valores diferentes dos seus. A web é um sistema de informação baseado na demanda, enquanto as mídias clássicas se baseiam na oferta. A web não ultrapassa a demanda, e com isso produz uma segmentação. Por outro lado, as mídias clássicas enriquecem a demanda com a oferta.

Qual foi a verdadeira influência da internet nas últimas eleições presidenciais americanas?

Já se disse muita besteira sobre a campanha de Obama. Na verdade, ele percebeu a importância das redes sociais e se serviu delas. Mas era algo que já existia muito antes, pelos meios clássicos. Não foi a internet que deu a largada para o militantismo, ela simplesmente acelerou um sentimento que já existia na população.

O senhor afirma que o jornalismo é uma profissão, exige formação. Como vê a decisão da Justiça brasileira de anular a necessidade de diploma para praticar o jornalismo no país?

O jornalismo é uma profissão que exige responsabilidade, uma maneira de ver o mundo. É importante que ela mantenha as portas abertas para os mais jovens. Mas acreditar que ela pode acolher todo mundo, mesmo aqueles que não conhecem as dificuldades do métier, é uma visão demagógica, que pode vulgarizar o ofício. Quanto mais surgem novas mídias, mais é preciso reafirmar a importância dos intermediários e de seu profissionalismo.

Os jornalismo impresso vai acabar?

Cada um tem seu lugar. A internet tem como aspecto positivo a sua capacidade de ser um instrumento de contrapoder e, como negativo, a sua segmentação. Já as mídias clássicas são positivas por se abrir a todos, mas negativas por serem generalistas demais. Precisamos de cada um dos dois em suas visões positivas. Cada mídia tem sua cultura e competência.

Jornal do Brasil | 20:40 – 26/04/2010 | Por Bolívar Torres

Acervo de poesia de Vinicius de Moraes está na internet


Desde o final da manhã desta segunda-feira, admiradores de Vinicius de Moraes e amantes de livros antigos podem ler gratuitamente pelo computador 15 livros com todas as suas poesias pelo site da Biblioteca Brasiliana USP. A digitalização e publicação da coleção doada por José Mindlin e cuja publicação na internet foi autorizada pela VM Empreendimentos Artísticos e Culturais, dona dos direitos sobre a obra do autor, integra o projeto “Toda poesia de Vinicius de Moraes”.


Quem estiver passando pela Rua Martins Fontes [em frente ao Hotel Jaraguá], no centro de São Paulo, entre às 11h e 14h, poderá ver todo esse material no ônibus-biblioteca inspirado naquele da Biblioteca Mario de Andrade que circulava pela cidade nos anos 30. O ônibus é adaptado e lá também será possível ouvir o próprio Vinicius declamando seus poemas. São cinco e-books para isso.


A iniciativa inaugura o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado pelo Ministério da Cultura, Casa da Cultura Digital e Brasiliana USP, que será aberto hoje à noite. Informações sobre o simpósio podem ser acessadas aqui.


“Toda a poesia de Vinicius de Moraes” é composto pelas seguintes obras [resumidas, aqui, pelo professor Marcelo Sandmann]:


O caminho para a distância [1933] – Trata-se do primeiro livro de Vinicius de Moraes, publicado em 1933. Compõe-se ao todo de quarenta poemas, a maior parte em versos livres. Sob o influxo do catolicismo militante de Jackson de Figueiredo, Tristão de Athayde e Octavio de Faria, a estreia do autor põe em cena uma poesia às voltas com os temas do espiritualismo cristão, de tom elevado e solene, distante do humor e da irreverência que predominavam no Modernismo de 1922.


Forma e exegese [1935] – Publicado em 1935, o segundo livro de Vinicius de Moraes recebeu, nesse mesmo ano, o prêmio Filipe d’Oliveira. Seus vinte e sete poemas, escritos todos em versos livres e distribuídos em cinco seções numeradas, apresentam uma poesia de caráter hermético, onírico e visionário, tributária da escola simbolista e sua impregnação na poesia do início do Século XX.


Ariana, a mulher [1936] – Publicado originalmente no ano de 1936, em edição limitada de trezentos exemplares, numerados e fora do comércio, Ariana, a mulher apresenta um único e extenso poema, de título homônimo ao do livro, datado de maio de 1935. Escrito em longos versos livres, à maneira de versículos bíblicos, o poema distribui-se em dezoito estrofes de seis versos cada uma, com exceção da última, em destaque, com cinco versos.


Novos poemas [1938] – O quarto livro de poesia de Vinicius de Moraes, saído a público em 1938, traz em epígrafe verso de Poética, de Manuel Bandeira: Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis. De fato, o poeta apresenta neste volume uma poesia bastante variada, com textos em versos livres, outros com recurso a metros e formas tradicionais [como o decassílabo e a redondilha, o soneto e a balada], e ainda poemas em prosa. O tom elevado convive aqui com uma linguagem mais despojada e coloquial.


Cinco elegias [1943] – O livro é dedicado a Octavio de Faria, José Arthur da Frota Moreira e Mário Vieira de Mello, colegas do poeta durante seus anos de estudante na Faculdade de Direito do Catete, entre 1930 e 1933. No prefácio, escrito pelo autor, registra-se que as cinco elegias foram concebidas e realizadas entre o sítio do escritor Octavio de Faria, em Itatiaia, em 1937, e Londres e Oxford, na Inglaterra, onde Vinicius, com bolsa do Conselho Britânico, estudou língua e literatura inglesas entre 1938 e 1939. Merece destaque a de número 5, escrita em português e inglês, com seus neologismos e explorações gráficas.


Poemas, sonetos e baladas [1946] – Os quarenta e sete poemas contidos no volume, publicado em 1946, vêm acompanhados de vinte e dois desenhos de Carlos de Leão. Predominam textos metrificados e escritos dentro das formas da tradição, com especial destaque para o soneto. Encontram-se aqui algumas das mais celebradas realizações de Vinicius de Moraes dentro do gênero, como Soneto de fidelidade e Soneto de separação.


Pátria minha [1949] – Trata-se da publicação do poema inédito Pátria minha, em edição limitada de cinquenta e cinco exemplares, realizada por João Cabral de Melo Neto, em sua prensa manual, em Barcelona, Espanha, no ano 1949. Desde 1946, Vinicius ocupava o cargo de vice-cônsul em Los Angeles, Estados Unidos, onde permaneceria durante cinco anos sem retornar ao Brasil.


Orfeu da conceição [1956] – Com ilustrações de Carlos Scliar, esta é a primeira edição em livro, no ano de 1956, da peça Orfeu da conceição. Escrita em três atos e com o subtítulo Tragédia Carioca, a peça atualiza o mito grego de Orfeu e Eurídice, ambientado-o no contexto contemporâneo de uma favela de morro, com protagonistas negros e de origem popular, em pleno carnaval. O texto, premiado no Concurso de Teatro do IV Centenário de São Paulo, foi encenado pela primeira vez no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em setembro de 1956, com direção de Leo Jusi, cenografia de Oscar Niemayer e música de Antônio Carlos Jobim, entre outros colaboradores.


Livro de sonetos [1957] – Com este livro de 1957, Vinicius de Moraes consagra-se como um dos principais cultores modernos de uma das formas fundamentais da tradição lírica luso-brasileira. Reúnem-se aqui trinta e sete sonetos, alguns já publicados em outros livros. Com poucas exceções, predominam aqueles dentro dos moldes do soneto italiano, em versos decassílabos. Na temática, destacam-se as homenagens a outros poetas e artistas e o lirismo erótico e amoroso característico do autor. Abre o volume o ensaio O soneto na obra de Vinicius de Moraes, de Luiz Santa Cruz.


Receita de mulher [1957] – Edição volante e ilustrada do poema Receita de mulher, com data de outubro de 1957, Recife. O texto, um dos mais conhecidos de Vinicius de Moraes, iria integrar posteriormente o volume Novos Poemas II, de 1959.


Novos poemas II [1959] – Publicado em 1959, o volume reúne dezessete poemas, escritos entre 1949 e 1956. Entre eles, encontram-se alguns dos mais celebrados do poeta, como Receita de mulher e Soneto do amor total, na vertente lírico-amorosa, e O operário em construção, de engajamento social e político.


Antologia poética [1960] – Esta é a segunda edição, revista e aumentada, da Antologia poética, originalmente publicada no ano de 1954, que reunia uma seleção de poemas presentes nos primeiros volumes do autor e outros inéditos em livro até aquela data. Nesta segunda edição, acrescentam-se textos extraídos do volume Novos Poemas II, de 1959. Na Advertência, o autor reconhece a existência de duas fases em sua poesia, ambas contempladas na antologia: uma primeira, “transcendental, frequentemente mística, resultante de sua fase cristã”; e uma subsequente, “de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos”.


O mergulhador [1968] – Este volume, publicado em 1968, apresenta uma antologia de dezesseis poemas, entre eles alguns dos mais conhecidos do poeta, ilustrados com fotos de seu filho Pedro de Moraes. Da edição de dois mil exemplares, os cinquenta primeiros foram numerados e assinados por seus autores.


A casa [1975] – Com capa de Carlos Bastos, esta é a publicação do poema homônimo A casa, pela Edições Macunaíma, de Salvador, no ano de 1975. Neste poema em versos livres, datado 19 de outubro de 1974, Vinicius de Moraes toma como tema a casa por ele mandada construir na praia de Itapuã, em Salvador, onde viveu com a atriz baiana Gesse Gessy, a quem o texto é endereçado.



Um signo, uma mulher [1975] – Trata-se da edição em livro, datada de setembro de 1975, composta e impressa em Buenos Aires, de doze pequenos poemas, cada um deles intitulado e escrito a partir de um dos signos do zodíaco, com as características amorosas da mulher de cada signo, à maneira de horóscopo. Os poemas haviam sido originalmente publicados, sob encomenda, no primeiro número da Revista Manchete de 1971, como presente de Ano Novo aos leitores. A edição apresenta ilustrações de Aldary Toledo e reproduz xilogravuras do Século XVI.

PublishNews | 26/04/2010

Piratas clonam iPad e “lançam” tablet por US$410


Pouco mais de três semanas depois do lançamento, versões piratas do iPad começaram a surgir em lojas online e físicas na China

Pouco mais de três semanas depois do lançamento mundial, versões piratas do tablet iPad, da Apple, começaram a surgir em lojas online e físicas na China.

A Apple recentemente adiou o lançamento internacional do iPad, afirmando que a imensa demanda nos Estados Unidos apanhou de surpresa a companhia. Mas os consumidores chineses que estão em busca de versões do mais recente produto da empresa não precisam ir mais longe que um movimentado centro de eletrônicos em Shenzhen, próspera cidade do sul da China, próxima da fronteira com Hong Kong.

Lá, pequenas lojas estão repletas de versões piratas de toda espécie de produtos, do Windows 7 a dois dólares, a uma ampla gama de produtos da Apple, como iPhones, MacBooks e MacBook Air.

Depois de extensas consultas a diversos comerciantes, um deles, cujo sobrenome é Lin, ofereceu o item procurado, em uma sala escura do quinto andar do mercado, longe do movimento.

Pesado e espesso, com três portas USB e forma mais retangular que a do original, esse derivado com aspirações a iPad, acionado por um sistema operacional Windows, parece mais com um iPhone gigante. O preço é de 2,8 mil iuans [410 dólares], o que o deixa um pouco mais barato que o iPad, vendido por entre 499 e 699 dólares.

“Essa é apenas a primeira versão”, diz Lin, um agente de vendas com cabelos cortados à escovinha que fala rapidamente em cantonês, o idioma local.

“Embora a forma não seja exatamente a mesma, a aparência externa é bastante semelhante à do iPad, de modo que não acreditamos que isso afete demais as nossas vendas”, explicou ele, acrescentando que a diferença se deve à dificuldade de encomendar componentes semelhantes, devido ao curto prazo de dois meses para o desenvolvimento da primeira versão do aparelho.

Os ocupados piratas chineses estão correndo para preencher um vazio que não perdurará, criado pela demanda inesperadamente forte que o iPad encontrou nas primeiras semanas do aparelho no mercado.

“A China é basicamente um mercado que tem a capacidade de clonar tudo, então isso não chega a surpreender”, afirmou Edward Yu, presidente-executivo da empresa de pesquisa Analysys International. “Eu não creio que a pirataria seja uma coisa ruim para o iPad dado que a China tem uma enorme população. Pode ser que os iPads clonados deem aos potenciais usuários um gostinho do que se trata o aparelho.”

De volta a Shenzhen, Lin afirmou que fábricas na região do delta do rio Pérola, maior centro de exportação de manufaturas da China, estão trabalhando duro em uma versão atualizada dos iPads pirateados para satisfazerem a demanda.

“Essa é a apenas a primeira versão, sem ajustes”, disse Lin. “As fábricas poderão produzir uma cópia muito melhor mais para frente.”

James Pomfret e Melanie Lee | Reuters | 26/04/2010

Papel eletrônico


O eDGe é o primeiro tablet PC com tela de papel eletrônico para ler e-books, e também o primeiro e-reader com funções de tablet. São duas telas interligadas uma com 9,7″, para ler e-books e fazer anotações; e outra, com um LCD touchscreen de 10,1″, para navegar na Internet. A Entourage Systems, empresa que criou o sistema escolheu pecar pelo excesso e desenvolveu um equipamento que vai do céu ao inferno em uma página. Afinal, quem consegue ler um livro em preto e branco com uma tela colorida ali ao lado? O eDGe já está à venda por US$ 490. Para maiores informações: www.entourageedge.com.

Revista Locaweb | Edição 21