Samsung estreia leitor de eBooks com Editora Babel


A apetência dos utilizadores portugueses pelos livros em formato digital é um dos argumentos que a Samsung usa como impulsionador do lançamento do leitor de eBooks E60, que chega ao mercado em Junho mas que é hoje apresentado em parceria com a Editora Babel. Este é o primeiro leitor de eBooks da marca coreana, mas outros modelos estão já na calha.

O interesse pelo Kindle da Amazon e o iPad da Apple é apenas um dos exemplos de referências para o crescimento deste mercado, mas há já outros leitores de eBooks, menos “badalados” à venda nas lojas nacionais, e os conteúdos continuam também a crescer.

Paulo Costa, Sales & Marketing Manager da Samsung Electrónica Portuguesa, adiantou ao TeK que a estimativa aponta para vendas de “10 mil unidades dos modelos sem conectividade 3G até ao final do ano”, mas o potencial de vendas dos modelos 3G que a Samsung irá lançar num futuro próximo é substancialmente superior.

O Samsung E60, que foi anunciado na CES, vai estar à venda só em Junho, custando 359 euros. O leitor tem um ecrã de 6 polegadas a preto e branco com tecnologia e-ink que facilita a leitura, e é sensível ao toque para reconhecer as notas do utilizador. A ligação Wi-Fi integrada permite a conectividade com os serviços de conteúdos através da introdução do endereço web ou clicando no ícone de um fornecedor de conteúdos.

A parceria exclusiva com a Editora Babel vai garantir para já o acesso aos livros electrónicos. Na nova livraria que é hoje inaugurada em Lisboa está disponível o «Cubo Babel», que dá acesso a cerca de 60 títulos em formato electrónico, sendo alguns deles gratuitos.

Embora noutros mercados existam parcerias com outras livrarias, como a Barnes and Noble, todos os acordos são geridos localmente, estando previstas várias lojas online.

Mas os jornais e revistas não ficam fora da estratégia, admitindo Paulo Costa que o acesso a notícias online é um dos argumentos fortes destes equipamentos. O responsável da Samsung não adianta porém detalhes sobre a operacionalização desta ligação.

Os modelos com conectividade a redes 3G estão já na calha, estando a comercialização prevista para o final do 3º trimestre, tal como o modelo E61, que dispõe de um teclado QWERTY.

Por enquanto a linguagem dos menus do E60 não está ainda em português, assim como a funcionalidade de leitura do texto – o text-to-speach-. Só no final do ano deverão ser lançados os equipamentos já com software em português.

Este modelo suporta vários formatos de ficheiros, do e-pub, ao PDF, TXT, BMP and JPG, servindo também como leitor de música em MP3, através das colunas frontais ou recorrente a auriculares que são usados também na funcionalidade text-to-speech.

A memória interna é de 2GB, que permite guardar 1.500 livros, mas pode ser alargada a 16GB com um cartão microSD.

Publicado originalmente por Casa dos Bits às 16.22h no dia 23 de Abril de 2010

Alice ganha quiz no Facebook


Para comemorar a edição de Alice no País das Maravilhas [168 pp., R$ 45], de Lewis Carroll, a Cosac Naify lança o quiz “Com qual personagem de Alice você se parece?”. A iniciativa da editora tem a intenção de transportar para a internet o universo do livro. Publicado na rede social Facebook, o questionário reúne características e frases famosas dos principais personagens e pode ser acessado aqui.

PublishNews | 23/04/2010

Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais


Especialistas discutem em SP estratégias para que o Brasil disponibilize gratuitamente pela internet parte de seu patrimônio cultural

Será realizado em São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet, entre os dias 26 e 29 de abril, o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. A iniciativa é do Ministério da Cultura, Projeto Brasiliana USP e Casa da Cultura Digital e vai discutir a digitalização de acervos do patrimônio cultural como estratégia de ampliação do acesso à cultura. A entrada é gratuita, mas quem não puder ir ou não conseguir um dos 250 lugares do auditório pode acompanhar os debates por aqui. Entre os palestrantes brasileiros e estrangeiros, estarão representantes do Creative Commons, do Google América Latina, além de pesquisadores do Canadá, Alemanha, França, Holanda e outros.

Dados Ministério da Cultura mostram que mais da metade dos municípios brasileiros não contam com nenhum centro cultural, museu, teatro, cinema ou espaço multiuso. Cerca de 60% das bibliotecas públicas e comunitárias estão concentradas em sete dos 27 estados do país. A parcela da população que nunca visitou um museu supera os 90%. Esses números revelam que grande parte do Brasil ainda vive à margem de seu próprio patrimônio cultural e uma das saídas para mudar essa realidade é digitalizar os acervos culturais – hoje hospedados em museus, bibliotecas, cinematecas – e assim permitir que esse patrimônio circule pelo país em formato digital por meio da internet.

“Um equipamento eletrônico, seja ele um leitor digital, um celular ou um computador, pode armazenar ou acessar um acervo tão rico quanto o do Real Gabinete de Leitura, da Biblioteca Nacional, ou mesmo da Cinemateca de São Paulo”, compara um dos coordenadores do simpósio, Roberto Taddei. De acordo com ele, não se trata mais de apenas publicar conteúdos apenas em sites na rede. “É preciso organizar tudo de maneira intercambiável, com acesso por meio de diferentes suportes e plataformas, de fácil indexação e consulta por parte do público”, explica o jornalista que integra a Casa da Cultura Digital.

Seis mesas temáticas discutirão as questões essenciais desse processo. A digitalização dos acervos culturais do Brasil dialoga com a reflexão sobre os limites impostos pela atual legislação do direito autoral, as novas tecnologias, os padrões e normas, assim como os caminhos para a formação de uma rede efetiva entre as instituições e os projetos já existentes.

Também são destaques da programação a presença de representantes dos grandes projetos mundiais de digitalização em curso atualmente, como Wikimedia e Gallica, da França, e a Brasiliana, da USP, que recebeu a doação do acervo do bibliófilo José Mindlin.

Políticas culturais – No momento em que o governo brasileiro estimula a discussão para uma nova lei de direito autoral e tem como prioridade a definição de um plano nacional de banda larga para o país, a discussão sobre padrões e estímulos para a digitalização e circulação de conteúdos digitalizados passa a ser fundamental no planejamento estratégico para o crescimento do país.

De acordo com o coordenador de Cultura Digital do Ministério da Cultura, José Murilo Carvalho, o MinC coloca prioridade máxima na ampliação do acesso à cultura. “Ao abordar o processo de digitalização dos acervos culturais, estamos lidando com texto, imagem, áudio, vídeo e objetos”, diz. “Nossa proposta é explorar os diferentes nichos técnicos envolvidos em cada mídia/suporte, mas tratando de não perder a visão geral que pode integrar ações que hoje acontecem de forma dispersa. O objetivo é promover o acesso qualificado como elemento orientador de todo o processo”.

A curadoria é de Roberto Taddei, também coordenador do Simpósio; José Murilo Carvalho, pelo MinC; Marcos Wachowicz, do GEDAI – UFSC; Pablo Ortellado, do GPOPAI – USP; e Pedro Puntoni e Edson Gomi, pela Brasiliana USP. Tem produção da Beijo Técnico Produções Artísticas, plataforma digital e transmissão ao vivo pela Fli Multimídia.

Programação

26/04 – segunda-feira
14h – 17h – Visita à Brasiliana USP [convidados]
19h30 – Abertura – palestra com José de Oliveira Ascensão

27/04 – terça-feira
9h – 11h30 – Mesa 1 – Grandes Projetos de Digitalização
Moderação: Abel Paker / Scielo
Mathias Schindler / Wikimedia Foundation [Alemanha]
Frederic Martin / Representante da Gallica Bibliotèque Numérique [França]
Pedro Puntoni / Brasiliana USP [Brasil]

14h – 15h – Apresentação GT Áudio e GT Vídeo

15h30 – 18h – Mesa 2 – Direito à Cultura – Acesso Qualificado
Moderação: Beatriz Busaniche / Via Livre [Argentina]
Jean-Claude Guedon / Universidade de Montreal [Canadá]
José Murilo / MinC [Brasil]
Evelin Heidel / Bibliofyl [Argentina]
Pablo Ortellado / GPOPAI [Brasil]

28/04 – quarta-feira

09h – 11h – Mesa 3 – Preservação [patrimônio cultural]
Moderação: Muniz Sodré / Biblioteca Nacional
Andreas Lange / Digital Game Archive [EU]
Carlos de Almeida Prado Bacelar / Arquivo do Estado [Brasil]
Anne Vroegop / DISH [Holanda]

14h – 15h – Apresentação GT Direito Autoral

15h30 – 18h – Mesa 4 – Direitos de Autor e Diversidade Cultural
Moderação: Manoel Joaquim Pereira dos Santos
Jeremy Malcolm / Consumers International
Marcos Wachowicz / Universidade Federal de Santa Catarina
Marcos Souza / Gerência de Direitos Autorais – GDA/MinC

29/04 – quinta-feira

09h – 11h30 – Mesa 5 – Sustentabilidade para Ações de Digitalização
Moderação: José Luis Herência / MinC
Paul Keller / Creative Commons [Holanda]
Ivo Corrêa / Google América Latina
Eliane Costa / Petrobras [Brasil]
Instituto Moreira Salles [Brasil]

14h – 15h – Apresentação GT Texto e Imagem

15h30 – 18h – Mesa 6 – Políticas Públicas – Por um Plano Nacional
Moderação: Alfredo Manevi / MinC
Nelson Simões / CGI.br
José Castilho / Secretário-Executivo do PNLL
Carlos Ditadi / Conarq [Arquivo Nacional]

18h00 – 19h – Encerramento

Serviço
Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais
De 26 a 29 de abril
Novotel São Paulo Jaraguá Convention
Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo
Tel.: [11] 2802.7000
Entrada gratuita – 250 lugares
Estacionamento no local.
Metrô linha 3 – Anhangabaú.
Transmissão pela internet no site http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais

PublishNews | 23/04/2010

E-book, na democratização da leitura


Para 72% das pessoas, o livro digital vai, sim, ajudar a democratizar a leitura. Uma pequena parcela dos internautas, porém, não concorda com essa afirmação. Esse é o resultado da enquete quinzenal do Blog do Galeno, que agora quer saber se o preço mais baixo do e-book vai provocar uma queda no preço do livro de papel. E aí, o que você acha?

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | 23/04/2010

Paulo Coelho: “A indústria editorial se adapta ou morre”


Paulo Coelho

Ou a indústria editorial se adapta ou morre.” A afirmação, com pretensão de sentença, é do escritor best seller Paulo Coelho. O criador de O Alquimista se refere, é claro, à suposta ameaça que os e-books, livros em formato digital, oferecem ao modelo consagrado. De olho na onda virtual que já começou, ele resolveu surfar: foi o primeiro autor brasileiro a transformar toda a sua obra em e-books e colocá-la à venda na Amazon. Desde janeiro, os adeptos do e-reader Kindle, dispositivo de leitura eletrônica da livraria on-line, podem comprar, por exemplo, a edição virtual de Veronika Decide Morrer por 9,19 dólares [equivalente a 16 reais] – em papel, disponível na Amazon só em inglês, sai por 11,19 dólares [19,50 reais]; nas livrarias brasileiras, em português, custa 24,90 reias. Na Amazon é possível encontrar também e-books em inglês, francês e espanhol assinados pelo “ex-mago” – título que, há alguns anos, ele preteriu pelo de “imortal” da Academia Brasileira de Letras. Na entrevista abaixo, realizada por e-mail, Coelho fala sobre o avanço das obras e dispositivos de leitura em formato digital, critica editores brasileiros e prevê que os celulares darão novo fôlego à literatura.

O senhor foi um dos primeiros escritores a oferecer suas obras em formato digital. Por quê?
Porque o universo de leitura está se ampliando para além dos livros. Hoje em dia, com Twitter, Facebook e meu blog, estou diariamente escrevendo, única e exclusivamente por prazer, para este tipo de plataforma. O e-book é apenas um suporte diferente para o formato clássico.

Qual foi a reação de seu editor quando o senhor optou por vender os direitos digitais de suas obras diretamente para a Amazon?
Eu sempre retive os direitos eletrônicos. Vendi os da língua inglesa para a editora HarperCollins, porque ela veio com uma proposta clara e consistente. As outras propostas mostravam um certo desconhecimento do mercado. Como adoro internet, imaginei que em algum momento os suportes que não dependessem do papel iriam terminar vingando. Há tentativas desde a década passada, mas o Kindle foi o primeiro projeto consistente, e resolvi apostar em outras línguas além do inglês. Colocar meus livros em português não foi difícil, mas para conseguir comprar as traduções em outras línguas demorou mais que imaginava. Em primeiro lugar, porque nenhum autor tinha proposto isso. Em segundo, porque embora os editores vejam o potencial do e-reader, ainda não conseguiram saber exatamente quais os próximos passos.

Como o senhor vê a chegada dos e-readers e o impacto disso no mercado editorial?
O impacto será a longo prazo, mas virá. Não é um factóide para chamar atenção para a literatura, mas uma mudança radical, como foi a do disco para o suporte digital. E da mesma maneira como a indústria da música sentiu o impacto da internet, a indústria editorial ou se adapta ou morre. Por outro lado, assim como o teatro continuou existindo depois do cinema, e o cinema continuou existindo depois da televisão, o mesmo acontecerá com o livro em papel e o livro digital.

No Brasil, os editores discutem bastante, mas parecem não fazer ideia do que vai acontecer.
Os editores do mundo inteiro estão discutindo muito. Mas os ingleses e americanos estão agindo enquanto os outros discutem. A minha parceria com a HarperCollins tem dado resultados excelentes.

É possível pensar no fim das livrarias?
O que mais me preocupa são as livrarias. Não há nada melhor que uma livraria: convívio, atmosfera, possibilidade de encontros interessantes. Mas também, há alguns anos, o mercado nota uma nova tendência: em todos os países as grandes cadeias estão tomando o lugar das livrarias independentes. De qualquer maneira, tenho certeza de que as livrarias continuarão existindo, como um lugar de culto, de respeito.

Há alguma diferença entre escrever para o papel e para o livro digital?
Existe uma grande diferença entre escrever para uma plataforma digital, como um blog, e para um livro. São duas linguagens que não combinam. Mas a única diferença que existe entre o papel e o digital é o suporte para leitura.

Teme-se que e-book abra espaço para um novo tipo de pirataria. Como ficaria a remuneração dos autores?
Pirataria de livros já existe desde que os sites P2P [peer-to-peer, ou par a par, rede de computadores que permite a troca de dados entre usuários] foram criados. Mas com o e-book vai ficar muitíssimo mais difícil, porque vem com arquivos encriptados – não é a mesma coisa que copiar ou escanear um livro e colocar na web. Com relação à remuneração de autores: o autor pode vender diretamente para a livraria virtual e passar o resto dos seus dias se chateando com faturas, contas, problemas etc. Ou pode fazer como eu fiz: escolher uma editora que se encarrega disso, e remunerá-la com uma pequena porcentagem. No meu caso, a Gold Editora se encarregou de tudo. Nós só fornecemos as traduções e os livros originais em português. Entretanto, se você está falando da remuneração de autores sendo lesada pela “pirataria”: eu tenho livros [físicos] piratas em quase todos os países da África, alguns da America Latina, e no continente asiático. Você acha que isso me chateia? A pirataria, neste caso, é uma glória – só autores que vendem muito são pirateados.

O senhor acredita que os e-books podem ajudar a conquistar novos leitores? Ou mais: a aumentar o índice de leitura num país como o Brasil?
Não, porque o suporte custa caro. O que eventualmente poderá ajudar a conquistar leitores, mas leitores de um outro tipo de texto, será o telefone celular. O escritor do futuro será capaz de escrever Guerra e Paz em dez páginas.

O senhor tem um e-reader? Afinal, como é ler nesse tipo de equipamento?
Tenho o Sony e o Kindle. Hoje em dia, como viajo muito, só tenho lido nesse tipo de suporte. Compro o novo livro na hora utilizando as redes wi-fi, carrego menos peso. É justamente pela facilidade de comprar livros que a indústria do e-book está se movimentando mais.

Por Natalia Cuminale | Revista Veja | 23 de abril de 2010