Nova tecnologia permite escanear livros em segundos


Japão: Folhear um livro não parece ser a melhor forma de escaneá-lo, mas um grupo japonês de pesquisa da Universidade de Tóquio criou um software que permite que centenas de páginas sejam escaneadas em minutos.

Escanear papel costuma ser um processo entediante, com cada página precisando ser inserida em um escaner plano, mas o grupo liderado pelo professor Masatoshi Ishikawa usa uma câmera de alta velocidade que captura 500 imagens por segundo para escanear páginas à medida em que elas são folheadas.

Os scanners normais somente conseguem a informação que está diante deles na página. O novo scanner em desenvolvimento é capaz de ajustar as deformações feitas na imagem das páginas que estão sendo folheadas.

Ele tira uma foto do formato, realiza o cálculo e utiliza esse cálculo para escanear“, disse Ishikawa, explicando o sistema usado para reconstruir a página original.

Como ele pode filmar enquanto absorve o formato, é muito fácil capturar a página que está sendo escaneada e salvá-la como uma cópia normal“.

No iPad ou iPod
O atual sistema é capaz de escanear, em média, de 200 a 250 páginas em pouco mais de 60 segundos usando um hardware básico de computador disponível em qualquer loja. Ainda que exija mais tempo para processar as imagens escaneadas, os pesquisadores esperam, eventualmente, tornar a tecnologia mais rápida.

Em um futuro mais distante, uma vez que seja possível inserir esse processo em um chip e colocá-lo em um iPad ou iPod, uma pessoa pode fazer o scan usando somente esse chip. Nesse ponto, será possível escanear algo rapidamente e salvar para leitura posterior“, disse Ishikawa à Reuters, apontando que uma versão comercial do sistema pode estar disponível em dois ou três anos.

Reuters | 17/04/2010

Sucesso no YouTube, “The story of stuff” vira livro


Zahar acaba de comprar os direitos de “A história das coisas”

Hit no YouTube, com mais de 5 milhões de acessos, o vídeo A história das coisas virou o livro The story of stuff: How our obsession with stuff is trashing the planet, our communities, and our health – and a vision for change [Free Press, 352 pp., US$ 26], recém-publicado nos EUA e cujos direitos a Zahar acaba de comprar. Foi escrito depois que a especialista em sustentabilidade Annie Leonard, idealizadora do documentário, começou a receber milhares de e-mails com dúvidas de internautas. O livro, como o filme animado, tenta responder “de onde vêm todas as coisas que compramos e aonde vão quando jogamos fora”, informa a coluna Babel.

O Estado de S. Paulo | 17/04/2010 | Raquel Cozer

Ediciona chega ao Brasil em agosto


Rede social espanhola é voltada ao mercado editorial

A Ediciona, rede social espanhola voltada à indústria editorial, estreará em agosto sua versão Ediciona.br, com agenda de lançamentos e calendário de eventos locais. Brasileiros poderão divulgar trabalhos, criar blogs e se informar sobre tendências do setor, avisa a coluna Babel. A ideia é desenvolver projetos ligados à contratação de serviços editoriais, mas a empresa ainda não fala sobre o assunto.

O Estado de S. Paulo | 17/04/2010 | Raquel Cozer

“A internet não significa ameaça”


Juan Luis Cebrián fez do jornal espanhol símbolo da luta contra o franquismo. Hoje, em novo livro, fala em salvar o jornalismo

Não contem para minha mãe que sou jornalista. Prefiro que ela continue pensando que toco piano num bordel”. Engraçado até que é, mas o ditado popular espanhol tem lá um quê de nostalgia, além de nos contar sobre o estado de espírito de uma das grandes grifes do jornalismo do século 20. Juan Luis Cebrián, fundador e primeiro diretor do El País, este que é um dos melhores e mais importantes diários do mundo, não hesita em apelar para o humor quando se trata de refletir sobre o futuro da imprensa. Combina tiradas irônicas com raciocínios minuciosos e previsões realistas. “Isso aqui? Diga adiós…“, brada, esgrimindo no ar um exemplar do jornal que se transformou no símbolo da transição democrática espanhola e na pá de cal do franquismo. Mesmo golpeando a entrevistadora na alma, Cebrián avança com seu arsenal de argumentos para explicar por que teremos de aceitar que jornais impressos, tal como os conhecemos hoje, são típicos produtos da Revolução Industrial e, queiramos ou não, já fomos transferidos para um outro tempo pela Revolução Digital. Esta conversa de altas emoções aconteceu há uma semana, em São Paulo, por onde Cebrián passou para lançar o livro O Pianista no Bordel [Objetiva, 168 pp., R$ 36,90 – Trad. Eliana Aguiar], conjunto de dez reflexões sobre jornalismo, democracia e solavancos tecnológicos. Histórias a perder de vista temperam as páginas de O Pianista no Bordel, ao mesmo tempo em que demonstram o esforço extremo de um homem de imprensa que em breve completará 66 anos, ainda apaixonado pelo cheiro da tinta e do papel, mas compelido a adaptar-se às tecnologias. Cebrián parece preparado para tudo, inclusive receber romances pelo celular.

O Estado de S. Paulo – 17/04/2010 – Laura Greenhalgh