Conheça sites para baixar livros gratuitos


É vasta a oferta de sites com livros eletrônicos para download – isso se você procura obras da literatura brasileira e internacional em domínio público ou lançamentos em inglês. Ainda há poucos títulos comerciais em português disponíveis em forma de e-book.

O site Domínio Público [www.dominiopublico.gov.br], do Governo Federal, traz na íntegra obras de escritores como Machado de Assis e Fernando Pessoa. O portal também destaca uma edição de “A Divina Comédia” [Dante Alighieri] em português.

A maioria dos livros disponíveis no Domínio Público está no formato PDF, que pode ser lido no programa Adobe Reader e em alguns aparelhos leitores de e-books. Mas a obra completa de Machado de Assis, por exemplo, pode ser consultada diretamente do navegador, no formato HTML.

Outra fonte valiosa de livros em domínio público com texto completo é o Project Gutenberg [www.gutenberg.org], que se diz o primeiro produtor de livros eletrônicos e agrega títulos em diversas línguas.

Os livros no Project Gutenberg estão disponíveis em vários formatos, como ePub  [usado no Kindle, por exemplo], PDF, HTML e Mobipocket [para celulares].

No Google Livros [www.books.google.com.br] há obras com visualização parcial ou integral. São poucos os livros disponíveis para download -a maioria só pode ser lida no site. Fuçando, é possível se deparar com boas surpresas, como uma tradução em português de “A Metamorfose” [Franz Kafka] na íntegra.

Rafael Capanema – Folha de S.Paulo – 07/04/2010

Acervo vasto dá vantagem ao Kindle


São mais de 450 mil títulos compatíveis ao leitor da Amazon

Lançado em 2007 nos EUA, o Kindle virou sinônimo de aparelho leitor de livros eletrônicos. Apesar de não ter sido o pioneiro, ele se destaca pelo acervo de mais de 450 mil publicações na loja on-line Amazon [www.amazon.com], responsável pelo produto, e pela capacidade de se conectar à internet para baixar livros e receber novas edições de periódicos, como o “New York Times”.

Antes restrito aos EUA, o Kindle passou a ser vendido internacionalmente, inclusive para o Brasil. Há duas versões: o Kindle, com tela de seis polegadas [US$ 259], e o Kindle DX, com tela de 9,7 polegadas [US$ 489].

A tela com tecnologia E Ink é, ao mesmo tempo, um trunfo e uma deficiência do Kindle: desenvolvida para emular papel de verdade, ela promete cansar menos a vista, mas só reproduz tons de cinza e não é legível no escuro.

A plataforma do Kindle não se resume ao aparelho leitor. Ela se estende aos softwares que permitem ler livros eletrônicos no computador [Windows e Mac], no celular [iPhone e BlackBerry] e no iPad.

Concorrência
Na cola do Kindle surgiram aparelhos como o Nook, da livraria Barnes & Noble, lançado em 2009 nos EUA. Além da tela de E Ink, conta com um segundo display menor, colorido. Ele está à venda somente nos EUA, por US$ 259 [www.barnesandnoble.com/nook]. O Nook não foi tão bem recebido quanto o Kindle: houve críticas sobre a lentidão do aparelho e sobre a qualidade do software.

Folha de S. Paulo – 07/04/2010 – Rafael Capanema

iPad é recebido calorosamente pela imprensa especializada


Facilidade de uso, velocidade de operação, qualidade da tela e a duração da bateria foram destacados

Foi uma ensurdecedora unanimidade: os principais jornais e sites de tecnologia se derreteram em elogios sobre o iPad.”Depois de passar horas e horas com ele, acredito que este belo dispositivo novo com tela sensível ao toque da Apple tem o potencial de mudar a computação portátil profundamente e desafiar a primazia do laptop”, escreveu Walter S. Mossberg no “Wall Street Journal”. Em geral, as avaliações destacaram a facilidade de uso, a velocidade de operação, a qualidade da tela e a duração da bateria – que supera a promessa de dez horas da Apple. O teclado virtual foi o que recebeu as impressões mais destoantes. Para David Pogue, no “New York Times”, é “horrível”. Já Mossberg reportou não ter tido problemas para digitar rápida e corretamente. As principais críticas se centraram na falta de uma webcam e de Flash, complemento multimídia da Adobe, usado principalmente em sites de vídeo e em jogos, como o FarmVille. Também lamentou-se a falta de conexões USB e entradas para cartões de memória do tipo SD – para obtê-las, é preciso usar adaptadores vendidos separadamente pela Apple.

Folha de S. Paulo – 07/04/2010 – Rafael Capanema

Chegada do iPad deve aquecer mercado de publicações eletrônicas


Só nos Estados Unidos, o crescimento foi de 213% entre 2008 e 2009

Lançado nos EUA no sábado, o iPad, computador da Apple com tela sensível ao toque, nasceu com uma série de imodestas pretensões. Uma delas é a de revolucionar a indústria de livros e publicações eletrônicas. A vibrante tela colorida do iPad é seu principal trunfo para conquistar um mundo em tons de cinza, capitaneado pelo Kindle. Na segunda-feira, a Apple divulgou já ter vendido mais de 300 mil iPads até meia noite de sábado – mais do que o iPhone original, que vendeu 270 mil unidades no mesmo período, em 2007. No Brasil, o mercado de livros eletrônicos é infante, mas, principalmente nos Estados Unidos, cresce a olhos vistos. De acordo com a associação de editoras dos EUA, as vendas de livros eletrônicos em 2009 chegaram a US$ 165,8 milhões, ante US$ 53,5 milhões em 2008 – um crescimento de 213%.

Folha de S. Paulo – 07/04/2010 – Rafael Capanema

Paulo Coelho na final do Author Blog Awards


A lista tem 28 finalistas e Paulo Coelho concorre com seu Twitter

Paulo Coelho, Neil Gaiman e Emily Benet estão entre os 28 autores selecionados para concorrer à primeira edição do “Author Blog Awards”, organizado pela CompletelyNovel.com e Jon Slack, em parceria com editoras incluindo a Random House, Simon & Schuster e Penguin.

O objetivo é “reconhecer e divulgar escritores que usam seus blogs para se conectar com leitores de forma criativa, comprometiva e inspiradora”. Quartet Books, Bloomsbury, Allison & Busby, Faber, Mills & Boon e Headline também estão apoiando o prêmio com a doação de livros para aqueles que votam.

Mais de 15 mil pessoas indicaram mais de 500 blogs e microblogs e os mais votados foram para a segunda fase. Agora o público poderá votar nas categorias autor, autor inédito e microblog. Os vencedores serão anunciados em 20 de abril, na Feira do Livro de Londres.

The Bookseller – 07/04/2010 – Katie Allen

Google deve enfrentar processo por direito autoral


A queixa tentará status de processo de classe em nome de diversos artistas

O Google em breve deve ser processado por fotógrafos, ilustradores e outros artistas visuais que acusam a empresa de violar seus direitos ao copiar e exibir seus trabalhos sem compensação.

A American Society of Media Photographers e outros excluídos de um acordo pendente do segmento sobre digitalização de livros estão abrindo um processo nesta quarta-feira [7], afirmou o escritório que representa os queixantes, o Mishcon de Reya New York LLP. Segundo o escritório, a queixa tentará status de processo de classe em nome de diversos artistas e foi aberta em um tribunal do distrito de Nova York. “Esse caso é sobre equilíbrio e compensação“, disse James McGuire, sócio do escritório com sede em Londres, em comunicado.

O acordo pendente vem de um processo de 2005 do Authors Guild e outros publishers que acusam a empresa do Vale do Silício de violar direitos autorais e copiar milhões de livros de bibliotecas para o formato digital. Sob os termos propostos, o Google pagaria US$ 125 milhões para criar um registro de direito de livros, permitindo aos publishers que registrem seus próprios trabalhos ao mesmo tempo em que encontram outras formas de ganhar dinheiro para trabalhos publicados on-line. O Amazon.com e a Microsoft estão entre as empresas que se opõem ao acordo, enquanto a Sony, que fabrica leitores eletrônicos, é favorável.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou que o acordo, ainda que seja melhor do que o anterior, parece continuar violando leis de direito autoral no país. O juiz Denny Chin ouviu os argumentos sobre o acordo de US$ 125 milhões de dólares em 18 de fevereiro e ainda decidirá se o aprovará.

Reuters – 07/04/2010 – Jonathan Stempel

Livro interativo limita capacidade de imaginação, diz diretor da Feira de Frankfurt


Um livro que fala, canta, tem ilustrações animadas e tecnologia 3D. Há dez anos essas características seriam fantasia de filmes de ficção. Mas, daqui a outros dez, elas devem vigorar – e com a força total de um mercado em expansão.

O livro digital multimídia –que compila outros atrativos além da leitura trivial, como dublagem e animações– mal começou a ser desenvolvido na rota do mercado e, mesmo assim, já foi alvo de críticas pela possível subtração da capacidade imagética dos leitores.

A opinião é compartilhada por Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, um dos maiores eventos mundiais voltados ao segmento, que ocorre anualmente na Alemanha.

Em entrevista à Folha, Boos fala da limitação que o e-livro multimídia traz à imaginação do leitor. Mas acrescenta: “para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem“.

Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt; livro interativo vai limitar capacidade de imaginação, considera ele

FOLHA – Pesquisas recentes mostram que o leitor não quer pagar por conteúdo on-line, e que até deixaria de ler algumas publicações, caso elas optassem por esse caminho. O que o senhor pensa a respeito disso?

JUERGEN BOOS – A cultura do gratuito que existe on-line se tornou um problema existencial para pessoas e instituições que vivem da produção e exploração da propriedade intelectual. Consideramos nossa responsabilidade transmitir o valor real da propriedade intelectual para os usuários, para que também haja uma disposição de pagar por conteúdo on-line em um futuro próximo.

Em qualquer caso, é necessário chegar a uma solução o mais rápido possível, em que tanto provedores de conteúdo quanto usuários possam coexistir.

Isto significa que editoras vão ter que experimentar mais e mais modelos com novo pagamento no futuro –por exemplo, pay-per-view, publicidade ou conteúdo exclusivo.

FOLHA – Dentro dessa perspectiva, qual o futuro dos direitos autorais no mercado editorial?

BOOS – Editoras do mundo todo estão perdendo bilhões de dólares em vendas devido à pirataria –e a maior prioridade é o controle deste problema, encontrando uma solução que seja adequada para editores e fornecedores de conteúdos. A proteção de conteúdo é sempre central, independentemente do meio ou a forma em que ele é transmitido.

FOLHA – O senhor acha que o modelo Creative Commons oferece um tipo de vantagem financeira para a indústria editorial?

BOOS – O Creative Commons é uma abordagem interessante, na minha opinião. No passado, autores concediam seus direitos à editora –e ela tentava explorar toda a gama de direitos.

Hoje, o autor concede os direitos de edição da cópia de seu livro para a editora de livros tradicionais, os direitos de um audiobook a uma editora de audiolivros, os direitos de e-books para a Amazon ou outra plataforma. Em outras palavras, o negócio de direitos está se tornando cada vez mais fragmentado.

Em geral, o negócio está produzindo mão-de-obra com mais intensidade, e as partes envolvidas devem conversar entre si com mais frequência. Não faz muito sentido a concessão de direitos de uso diferentes para diferentes conteúdos.

Mas os editores, sem dúvida, vão colher menos benefícios financeiros a partir deste modelo; no lugar disso, os autores vão ganhar vantagem.

FOLHA – O que o senhor pensa sobre o iPad? O que ele representa para o mercado editorial?

BOOS – O iPad é um dispositivo fascinante. O que eu acho problemático, no entanto, é o fato de que se trata de um sistema fechado, que não permite a troca com outros sistemas.

Assim, estou certo que muitos mais dispositivos aparecerão no mercado nos próximos meses, que serão comparáveis ao [sistema do] iPad em termos das suas funções de multimídia, e que vão criar concorrência.

Em princípio, não existem limites para esse desenvolvimento, e estou realmente ansioso para ver quais os produtos que vão surgir nos próximos meses.

FOLHA – O senhor acredita no conceito dos livros multimídia que incorporam animação, gráficos, narração e interatividade?

BOOS – O e-book ainda está nas fases iniciais de desenvolvimento, e oferece inúmeras possibilidades.

A integração de fotos, animações e outros elementos interativos será certamente um aspecto que fará com que esta mídia seja particularmente atrativa no futuro.

FOLHA – Dentro desse conceito, o senhor crê que os leitores possam perder sua capacidade de criar suas próprias imagens e construção narrativa na leitura de livros multimídia?

BOOS – Quando eu leio um romance, a minha imaginação embarca em uma jornada. Eu imagino como um personagem deve se parecer, a figura definida do personagem e que tipo de voz que ele ou ela possa ter.

Eu fico total e completamente imerso na história. O e-book multimídia impõe limites para minha imaginação, desde o início, porque eu sou abastecido com imagens precisas.

Por outro lado, para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem.

Mas espero sinceramente que a nossa capacidade de explorar o poder de nossa imaginação, como um resultado [da leitura], não se perca por completo.

FOLHA – Com dispositivos digitais, o custo do livro reduz drasticamente. Sob esta ótica, qual a perspectiva para o mercado editorial?

BOOS – Não ocorre, necessariamente, a situação de que a produção de um e-book é substancialmente mais barata do que um livro impresso. Sim, o processo de impressão não faz parte da equação, mas o processo de produção de um e-book é mais complexo, pois ele deve ser preparado de forma completamente diferente.

Acima disso, na Alemanha existe o problema adicional do preço fixo do livro [a regulamentação alemã exige que todos os livros, digitais ou não, sejam vendidos sob mesmo preço; descontos são ilegais no país].

Exatamente como os preços dos e-books devem ser determinados já é objeto de intenso debate na indústria.

FOLHA – Existe a possibilidade de ocorrer a supressão do livro impresso?

BOOS – Quando o audiobook chegou no mercado, as pessoas também pensaram inicialmente que eles iriam substituir os produtos impressos –mas eles se revelaram complementares.

Estou convencido de que o livro impresso não morrerá, mas que o livro eletrônico vai se tornar um componente adicional e substancial da nossa socialização por meios de comunicação –como foram antes o rádio, a TV e a internet.

FOLHA – Qual o panorama atual das vendas de livros eletrônicos?

BOOS – Um estudo recente sobre os e-readers prevê que haverá cerca de 50 modelos no mercado em 2010.

Com base em estimativas conservadoras, o número de leitores eletrônicos vendidos na Alemanha, em meados de 2011, será em torno de 170 mil. E cerca de 65 mil livros eletrônicos foram vendidos nos primeiros seis meses de 2009 na Alemanha.

Os números são simples. A partir deles, podemos deduzir que a demanda do cliente sobre a informação está aumentando, mas a vontade de comprar ainda é pequena. No entanto, tudo pode mudar em breve.
Com relação ao Brasil, infelizmente, não há dados disponíveis no mercado. Será muito interessante observar o desenvolvimento desse mercado aí.

FOLHA – O que o senhor pensa a respeito da criação de um formato padrão para arquivos de e-book?

BOOS – Os usuários não querem sistemas fechados –caso eles tenham boas alternativas. Por isso acho que um formato padrão e-book será estabelecido a longo prazo –como foi o caso da indústria da música com o formato MP3, por exemplo. Qual será esse formato é algo que ainda está sendo visto.

Folha Online | MARINA LANG | 07/04/2010 | 09h53