Livro Falado ganha site com 350 títulos


O projeto criado por Analu Palma pretende ser referência para deficientes visuais de todos os países de língua portuguesa

O projeto Livro Falado lançou o site www.livrofalado.pro.br onde deficientes visuais podem ter acesso a mais de 350 livros gravados, de cerca de 280 autores brasileiros. “O objetivo também é atender pessoas com cegueira dos outros países de língua portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné Bissau”, disse à Agência Brasil a criadora do projeto, a mestre em teatro da Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ], Analu Palma. Para isso, o projeto, que existe há dez anos, conta com patrocínio da BR Distribuidora e a parceria da Academia Brasileira de Letras [ABL]. “Com a ABL, fiz uma parte desses livros que estão sendo colocados no ar”. A gravação da Coleção Voz da Academia contou com a adesão de artistas e locutores, como Lea Garcia e Iris Lettieri. Para acessar os livros gravados, as pessoas cegas devem entrar no site. Para obter a gravação de um livro específico, é preciso enviar e-mail para livrofalado@livrofalado.pro.br. A remessa é gratuita.

Agência Brasil – 06/04/2010 – Alana Gandra

Autor ou Avatar?


Marisa Moura escreve sobre como a tecnologia está botando lenha na fogueira das publicações

Semana passada, o assunto em pauta no Twitter foi #livrodigital, pelo menos aqui em São Paulo – estendamos para o mercado editorial brasileiro – devido ao 1º Congresso Internacional do Livro Digital. Na verdade, considerações sobre o tema começaram a ganhar força há mais de dez anos, com a popularização do CD-ROM. Porém, a conversa esquenta agora, no momento em que novas plataformas eletrônicas chegam e se tornam atraentes e acessíveis ao “leitor”.

Vocês podem me perguntar: por que “leitor”? Respondo: já não é comum a todos nós a ideia de alguém que leia palavras dispostas em linhas impressas nas páginas de papel. Temos agora uma linguagem multimídia, ou transmedia – termo utilizado por Jeff Gomez [CEO da Starlight Runner Entertainment] no congresso em São Paulo, onde palavras, sons, imagens se movimentam no mesmo espaço… Mas qual exatamente é esse espaço? Onde o leitor busca por tal novidade? Para essas duas últimas questões ainda não se pensam em respostas conclusivas, temos apenas possibilidades.

Estamos atentos às novas formas de publicação, desde o já citado CD-ROM. A iniciativa de digitalização de livros do Google, somada à entrada do Kindle no mercado e ao lançamento do iPad – para ficar só com algumas “superstars” – aumentaram muito a quantidade de lenha na fogueira das publicações.

Tudo é repensado, desde a produção, conteúdo, marketing, distribuição, direitos autorais. E já temos editoras e livrarias brasileiras vendendo livros em formatos compatíveis com tais equipamentos. Sim, já podemos comprar, ou em alguns casos “baixar” em nosso computador, muitas vezes de graça. Mais: podemos comprar diretamente de uma livraria brasileira um leitor digital, o Cool-er.

A cada debate, um bordão nos chama muita atenção, já tendo sido lembrado no Tools of Change for Publishing Conference, em Nova York, nesse fevereiro de 2010, e repetido no Congresso do Livro Digital em São Paulo: “Sem conteúdo não existe e-book; e o editor tem papel fundamental no conteúdo.” [Michael Smith, diretor executivo da Internacional Digital Publishing Forum/IDPF].

Bom, se alguém aí do outro lado, que ainda leia na horizontal, em frente da tela do computador, pensou: “mas não tem nada de novo nessa frase de Michael Smith”, parabéns! Entendeu em que ponto queremos chegar. Você, escritor, que já coleciona respostas negativas de algumas editoras, talvez não aceite assim, de primeira, a premissa.

A conclusão é simples: editores buscam conteúdo para publicar. O sinônimo mais usado para esse conteúdo é texto. Se você negar essa linha de raciocínio, terá de negar todas as ofertas das livrarias no formato megastores do Brasil e, também, do mundo. Coragem, pode tentar, se quiser.

Se alguém procura texto – editores e agentes – logo alguém está querendo escritores. Já se repete, entre as rodas de autores e muitas entrevistas, a preocupação de escrever não só para nosso tradicional livro em papel, mas considerando-se o teatro, a televisão e até o cinema. Um livro, ou texto, ou conteúdo que se desdobre para outros formatos. Uma idéia que emocione o leitor e o espectador.

Os criadores de textos cada vez mais influenciados por essa transmedia, ou linguagem multimídia, estão germinando novas expressões da linguagem humana… estão buscando novas manifestações para suas ideias, mas isso não é a definição de avatar? Do The Oxford Dictionary: “avatar – definition – manifestation of a person or idea”. Vale lembrar que, nas redes sociais, avatar também é como costuma ser chamado o ícone que representa uma pessoa no meio eletrônico. Será que o escritor tem de escolher entre ser autor ou avatar? Avatar é a nova postura do autor?

Marisa Moura, Na coluna Meio de campo, publicada quinzenalmente, sempre às terças-feiras, refletiremos sobre o trabalho do agente literário, um profissional atuante nas negociações de direitos autorais internacionais e nacionais e já presente no mercado editorial brasileiro.

Artigo publicado por Marisa Moura originalmente em PublishNews – 06/04/2010