Pesquisa mostra que 71% das bibliotecas municipais do país não têm internet


Fabiano Piúba, diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, durante lançamento do Censo das Bibliotecas Municipais

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério da Cultura aponta que 71% das bibliotecas públicas municipais não disponibilizam acesso à internet aos usuários. Os dados foram coletados durante o primeiro censo nacional das bibliotecas municipais feito no país.

A falta de acessibilidade foi classificada como “gravíssima” por Fabiano Piúba, diretor de livro, leitura e literatura do ministério. Segundo ele, a responsabilidade por essas bibliotecas é principalmente dos municípios. O governo federal, diz ele, tem o papel de definir políticas públicas e instigar as prefeituras a disponibilizarem esses equipamentos culturais.

Para tentar alterar a situação, o ministério pretende investir R$ 30,6 milhões na modernização e construção de bibliotecas públicas brasileiras. Prefeituras e Estados podem se inscrever até o dia 15 de junho no edital de convocação.

A pesquisa também mostra que 91% das bibliotecas não têm ferramentas que permitam a utilização por deficientes visuais [como livros em braile e audiolivros].

Os dados apontam que 8% dos municípios brasileiros não possuem bibliotecas públicas mantidas pela prefeitura. Existem bibliotecas ainda em fase de implantação ou de reabertura em 13% dos municípios. Ou seja, funcionando de fato, há bibliotecas públicas municipais em 79% das cidades.

Também há disparidades regionais em relação às estruturas existentes e ao comportamento dos usuários. O Sul, por exemplo, é a região que oferece o maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes [1.127 bibliotecas para cerca de 28 milhões de pessoas]; já o Norte contabiliza o pior índice [310 bibliotecas para pouco mais de 15 milhões de habitantes].

Por outro lado, os nordestinos são os que mais frequentam as bibliotecas [2,6 vezes por semana], segundo o censo. Sudeste e Sul têm a menor média de visitações [1,6 vezes por semana].

O censo mapeou as bibliotecas públicas municipais em todas as cidades brasileiras. Foi feito pela FGV [Fundação Getúlio Vargas], ao custo de R$ 3,7 milhões, pagos pelo Ministério da Cultura.

Folha Online | JOHANNA NUBLAT, da Sucursal de Brasília | 30/04/2010 – 13h57

Em menos de um mês, iPad já conta com 4.870 programas


Menos de um mês após seu lançamento, o iPad, o tablet da Apple, já conta com 4.870 aplicativos desenvolvidos para ele na App Store, segundo análise feita pela empresa Distimo, nos Estados Unidos. Trata-se de um aumento de quase 33% nos programas para a novidade só nas duas últimas semanas.

Do total, 3.437 programinhas foram criados especificamente para o tablet, enquanto os 1.433 restantes podem rodar tanto no iPad quanto no iPhone, em cuja interface o computador portátil se inspira. A categoria com mais programas é, como se poderia esperar, a de jogos, com 1.577 títulos. Em segundo lugar, vem a de entretentimento, com 455 aplicativos, e a de livros, com 396 opções. Mas também há aplicativos para educação [388], utilitários diversos [366], música [237], viagem [180], fotografia [133] e notícias [103], entre outros.

Entre os programas gratuitos, o número um do ranking do iPad é o iBooks, para leitura de livros eletrônicos. Já entre os aplicativos pagos, o topo da lista está com o Pages, para edição de documentos [custa US$ 10].

O Globo | 30/04/2010

Kindle liga-se ao Twitter e Facebook em maio


O Kindle conhecerá a versão 2.5 do software em fins de maio. Com vista a aproximar-se das qualidades interactivas do iPad, o leitor digital da Amazon apresentará como novidades:

– Mais organização: será possível “arrumar” livros e documentos em uma ou mais colecções;

– Melhor experiência em PDF: fazer zoom, mover, ver gráficos e tabelas neste formato;

– Password: protecção por chave de acesso quando não está a usar o Kindle;

– Fontes e claridade: melhor experiência de leitura com duas novas fontes de letra e propriedades de nitidez;

– Ligação ao Facebook e Twitter: Passa a ser possível partilhar informação nestas redes sociais;

– Destaques populares: Para saber a opinião da comunidade de utilizadores do Kindle quanto aos livros que está a ler.

O leitor digital da Amazon está programado para fazer o download automático de qualquer actualização. A versão 2.5 deverá chegar aos Kindle e Kindle DX dentro de um mês.

eBook Portugal | 30/04/2010

França: Sindicato de autores de quadrinhos fará manifestação contra editoras


O Groupement des Auteurs de Bande Dessinée [Associação dos Autores de Histórias em Quadrinhos], grupo ligado ao SNAC – Syndicat National des Auteus et Compositeurs, entidade francesa que luta pelos direitos dos autores de histórias em quadrinhos, está mobilizado numa ação contra a atual estrutura da publicação digital de quadrinhos no mercado franco-belga.

A mobilização começou no final de janeiro, no Festival de Angoulême, numa palestra cujo tema era as novas práticas editoriais e o perigo que isso representava para os autores.

Com a entrada do consórcio de 12 editoras [Bamboo, Casterman, Circonflexe, Dargaud, Dupuis, Fei, Fluide Glacial, Grand Angle, Jungle, Kana, Le Lombard e Lucky Comics] no mercado digital, no site Izneo, em março, seguida pela entrada da Glénat e da Ave! Comics, a ação do Groupement des Auteurs de Bande Dessinée/SNAC se intensificou.

Foi criado um abaixo-assinado, chamado Apelo Digital, que já conta com mais de mil assinaturas, inclusive de artistas de renome como Lewis Trondheim, Joann Sfar, Manu Larcenet, Florence Cestac, Riad Sattouf e Charles Berberian.

Os defensores dos direitos dos autores lamentam a total falta de consulta aos artistas e escritores na forma de se fazer a transposição das obras para o mercado digital, resultando numa leitura que nem sempre é gradável.

Mas o problema central envolve temores futuros relativos a perda de receita para os autores.

Segundo o escritor Fabien Vehlmann, atualmente os autores recebem entre 8% e 12% em royalties sobre preço de capa de um álbum publicado. Um álbum custa em média entre 10 e 15 euros [entre R$ 22,90 e R$ 34,35 reais]. O resto do valor é dividido entre custos de produção, manufatura, impressão, distribuição e promoção.

Considerando royalties de 10% sobre um preço de capa médio de € 13,00 [R$ 29,77], o autor estaria recebendo € 1,3 [R$ 2,97] por álbum. As tiragens na Europa estão na casa dos milhares e até milhões de exemplares [como no caso de Asterix], e os álbuns permanecem em catálogo por décadas.

Só para exemplificar a questão, um álbum de autores famosos, com uma venda de 500 mil exemplares [algo que não é tão raro no mercado franco-belga] pode gerar facilmente € 50.000,00 [R$ 114.500,00] em lucros para seus autores, apenas na primeira edição.

As editoras querem que esta estrutura de divisão de custos e lucros permaneça a mesma para as edições digitais, que estão sendo vendidas com um valor aproximado situado entre € 3,00 [R$ 6,87] € 5,00 [R$ 11,45], sem a maioria dos custos de impressão, manufatura e distribuição física [embora exista o custo de adaptação dos arquivos para a plataforma digital utilizada e o uso de um canal digital de distribuição].

Com isso, os autores passariam a receber entre 8% e 12% em royalties sobre os € 5,00 [R$ 11,45], ou seja, considerando royalties de 10% sobre o valor máximo de € 5,00 os autores receberiam € 0,5 [R$ 1,14] por edição digital.

A médio prazo, isso pode significar que os autores teriam que vender no mínimo o dobro de álbuns para manter seus salários atuais. Isso sem mencionar que nem todas as editoras estão pagando os royalties sobre os álbuns digitais e que os mecanismos independentes de verificação de vendas online são novos e não possuem a mesma força e credibilidade dos sistemas tradicionais de verificação de tiragem e distribuição em papel.

Diante disso, um protesto ocorrerá no dia 5 de maio, com a criação de um mural digital de protesto, chamado de dazibao numerique [dazibao é um termo chinês, relativo aos murais com temas políticos relativamente comuns naquele país], com textos, imagens, vídeos, desenhos, pinturas e fotografias.

O evento ocorrerá às 20h, no bar Les Furieux, rue de la Roquette, 74, em Paris, na França. O bar fica no 11e arrondissement de Paris, um bairro notável por suas história de revoltas e protestos políticos, desde a revolução francesa.

O dazibao numerique será apresentado à imprensa e o conteúdo estará disponível no site da entidade.

Sérgio Codespoti | Universo HQ | 30/04/2010

Digitalização de Acervos: especialistas propõem regulamentação da atividade


No quarto e último dia do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado em São Paulo entre 26 e 29 de abril, os convidados e participantes do encontro discutiram a criação e implantação de um Plano Nacional para regular e organizar o setor de digitalização de acervos documentais e bibliográficos no país.

A mesa de debates contou com a presença do secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura [PNLL], José Castilho, do diretor geral Rede Nacional de Ensino e Pesquisa [RNP], Nelson Simões, e do representante da Coordenação-Geral de Gestão de Documentos do Arquivo Nacional, Carlos Ditadi.

Um olhar simples não resolve o que tem pela frente”, alertou Nelson Simões, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil [CGI.br]. Para ele, o mercado sozinho não resolve os problemas para digitalização e acesso de acervos em meios digitais e é preciso “resgatar o dever do Estado e da sociedade”.

José Castilho, também diretor-presidente da Fundação Editora da Universidade Estadual Paulista [Unesp], apresentou os resultados práticos desde a criação do PNLL, uma iniciativa conjunta entre os Ministérios da Cultura [MinC] e da Educação [MEC].

Ele explicou que o foco do Plano é a formação de leitores sob uma política supragovernamental e suprapartidária e com a participação de vários atores da sociedade: “É fundamental. Não avançaríamos nem 10% sem o cuidado da gestão compartilhada. Todo mundo se sente dono”, afirmou o secretário executivo do PNLL.

Baseado nessa perspectiva, Carlos Ditadi, integrante do Conselho Nacional de Arquivos [Conarq], apresentou o Plano Nacional de Digitalização de Acervos Documentais. Esclareceu como foi digitalizado, pelo Arquivo Nacional, acervos que não estavam em meio digital. Tratavam-se das relações de passageiros vindos da Europa para o Brasil por meio de imigração.

Um programa pioneiro no país para a publicação de livros originalmente em formato digital, com acesso integral gratuito, também foi apresentado por Castilho. Os primeiros 44 títulos já estão editados e disponíveis na Internet no formato Creative Commons – licença para uso não comercial. Saiba mais no site http://www.editoraunesp.com.br.

Encerrado na noite de quinta-feira, 29 de abril, com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais foi organizado pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Brasiliana USP e pela Casa da Cultura Digital. A iniciativa objetivou a indicação de possíveis rumos para que a digitalização dos acervos culturais no Brasil seja uma estratégia eficaz para facilitar o acesso da população à cultura.

Confira outras notícias sobre o encontro: http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais.

Sheila Rezende | MinC | 30/04/2010

“Retratos da Leitura no Brasil” em formato digital


Obra pode ser baixada gratuitamente, mas quem quiser ter o livro físico não terá de desembolsar mais do que R$ 20

O livro Retratos da Leitura no Brasil [Instituto Pró-Livro/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 358 pp., R$ 20] já pode ser acessado em formato digital. O IPL disponibilizou o conteúdo em seu site com o objetivo de possibilitar o acesso de todos às análises sobre o comportamento dos brasileiros em relação à leitura. A obra foi lançada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2008, e reúne artigos de especialistas que se debruçaram sobre os resultados da pesquisa Retratos da Leitura II, divulgada pelo Instituto Pró-Livro no início do mesmo ano. A coordenação dos trabalhos é de Galeno Amorim. Quem quiser ler, basta fazer o download pelo site. É grátis.

PublishNews | 29/04/2010

Seminário vai debater e-readers no Rio


Readers 2.0 tem entrada gratuita e data marcada para 15 de maio

Os novos dispositivos móveis realmente representam uma revolução no mercado editorial? O papel está com seus dias contados? Quais os modelos vigentes de negócio no Brasil e no mundo e as tendências envolvendo os leitores eletrônicos e tablet computers? Para tentar responder a essas e a outras questões, o site Jornalistas da Web, em conjunto com as Faculdades Integradas Hélio Alonso [FACHA], realizará, no dia 15 de maio, das 9 às 12h30, no campus 1 da FACHA [Rua Muniz Barreto, 51 – Botafogo – Rio de Janeiro/RJ], o seminário Readers 2.0.

Com a participação de Aline Polycarpo, Ana Claudia Ribeiro, Carlos Eduardo Ernanny e mediação de Bruno Rodrigues, o evento é aberto ao público e a entrada é franca. Como o número de vagas é limitado, são apenas 80 lugares, é melhor correr. As incrições podem ser feitas pelo e-mail extensao@facha.edu.br.

Programação
9h – Credenciamento e Coffee Break
9h30 – Abertura e apresentação dos palestrantes
10h – Apresentação Carlos Ernanny – Gato Sabido
11h10 – Apresentação Ana Claudia Ribeiro – E-papers
11h30 – Apresentação Aline Polycarpo – Infoglobo
11h50 – Debate e conversa com o público
12h30 – Encerramento e Coffee Break

Palestrantes
Aline Polycarpo – Coordenadora de Novos Projetos da área de Novos Negócios da Infoglobo. Coordena, entre outros, as edições Kindle e iPad do jornal O Globo.
Ana Claudia Ribeiro – Sócia-gerente da E-papers Serviços Editoriais, editora brasileira especializada em livros impressos e eletrônicos.
Carlos Eduardo Ernanny [Duda] – Fundador da Gato Sabido, primeira e-bookstore brasileira. A livraria virtual é também distribuidora do leitor de livros eletrônicos Cool-ER no Brasil.

Mediação
Bruno Rodrigues – Consultor de Informação e Comunicação Digital, autor dos livros “Webwriting” [2000 e 2006], sobre o comportamento da escrita na mídia digital.

PublishNews | 29/04/2010

E o iPad não salvou os jornais e as revistas…


E o iPad não vai ser a tábua de salvação pela qual toda a mídia impressa esperava… Segundo se imaginava, as “aplicações” do aparelho, mais do que a Web, iriam reinar e todos os usuários voltariam, alegre e bovinamente, a pagar por conteúdo. A pior notícia nesse sentido não é nem que os usuários não queiram pagar por conteúdo [algo que só se confirmará mais adiante], mas a simples constatação de que as agências de notícias estão cobrando “zero” pelas suas aplicações no iPad, enquanto os jornais e as revistas tentam vender as suas por preços equivalentes às edições impressas. [No Brasil, seria algo como a Agência Estado e a Folhapress cobrando “zero” pelas suas versões no iPad, enquanto os jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo tentariam vender suas edições diárias no mesmo aparelho.]

Novamente, as agências, que faturaram alto em cima dos portais de internet, vão levar a melhor sobre as publicações impressas. A revista eletrônica Salon inclusive sugere que o iPad funcionará como uma “distração fatal” para jornais e revistas. Na tentativa de cobrar, mais uma vez, por conteúdo, periódicos impressos fugiriam, novamente, da “realidade da internet”, desperdiçando, como de costume, tempo e dinheiro.

Marc Andreessen, fundador da Netscape, investidor do Ning e membro do conselho do Facebook, em entrevista ao TechCrunch, foi menos diplomático ao afirmar que: nenhum aparelho, por mais bem-sucedido que seja [em vendas], vai superar a base instalada de mais de 1 bilhão de usuários da World Wide Web. De novo: milhões de consumidores “pagantes” de aplicações no iPad não vão reverter os bilhões de usuários “grátis” da internet [salvando, da bancarrota, veículos originalmente impressos…]. Jeff Jarvis – onipresentemente – observou que a noção de “conteúdo” mudou depois do Google; e que a velha ferramenta de busca é a grande vencedora, mais do que a Apple, no iPad.

As especulações variam, mas, em pouquíssimo tempo de uso, já se sabe que a principal “aplicação” do iPad é, mesmo, a Web, seguida do velho e bom e-mail, seguido das aplicações musicais. Em vez de jogar a bóia ou o colete salva-vidas, Steve Jobs enche de água a boca dos jornais e revistas que hoje se debatem na chamada “economia da abundância”.

Publicado originalmente em Digestivo nº 461 | Quinta-feira, 29/4/2010

Bibliotecas hi-tech


Na inauguração da primeira biblioteca-parque do Brasil, nesta quinta-feira [29], no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, anunciou os próximos quatro locais que receberão o novo modelo hig-tech de centro de leitura: Niterói, na Região Metropolitana, em maio; favela Fazendinha, no Complexo do Alemão, ainda em 2010; favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, também este ano; e ainda a reabertura da Biblioteca Pública do Estado, no Centro, prevista para estrear no início de 2011.

A biblioteca de Manguinhos ocupa um terreno de 2,3 mil m², possui 25 mil livros no acervo e ainda filmoteca com 800 filmes, sala de leitura para deficientes visuais, acervo de música digital, cineteatro e acesso gratuito à internet.

O projeto faz parte das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e foi inspirado na experiência de Medellín, na Colômbia, que investe em equipamentos culturais para promover a inclusão social. Para a construção da biblioteca-parque, o governo federal investiu R$ 7,4 milhões, enquanto o governo do estado entrou com a verba de R$ 1,2 milhão.

Onde tem cultura em geral o índice de violência abaixa
Participaram do evento o governador do Rio, Sérgio Cabral, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, além de outras autoridades e também personalidades, como o cineasta Cacá Diegues e o ilustrador Maurício de Souza, que doou cem mil publicações para o local.

Cultura não combina com violência. Cultura qualifica relações humanas. Onde tem cultura em geral o índice de violência abaixa. A estratégia de Nova York mostrou isso, assim como em Medellín e em vários locais do mundo”, afirmou o ministro da Cultura. Segundo ele, toda obra do PAC terá uma biblioteca “ou um equipamento semelhante”.

Cabral ressaltou a integração da biblioteca com o conjunto habitacional e o parque. Para o governador, todas as outras comunidades carentes do Rio precisam se espelhar no modelo de Manguinhos. “Junto com a pacificação, é uma mudança de rumo na história da vida do pobre do Rio de Janeiro”, afirmou.

A Academia Brasileira de Letras [ABL] é a madrinha do local e concedeu apoio por meio de doações de livros, além de consultoria para a aquisição de novos títulos e programação de seminários.

Maioria dos funcionários é da comunidade
De acordo com Adriana Rattes, a expectativa é que a biblioteca, que ela define como um complexo cultural, receba cerca de 1.500 visitantes por dia, para atividades de leitura, além de oficinas e cursos.

A dona de casa Isabel Cristina da Silva, que mora em um dos apartamentos do PAC de Manguinhos, disse que pretende frequentar o local com os três filhos e os seis netos. “Isso é uma bênção. Saímos da lama para o paraíso”, disse ela.

Segundo a secretária, são cerca de 30 funcionários, sendo que a maioria é moradora da comunidade de Manguinhos ou do entorno. A voluntária Marina Francisco Lopes, de 47 anos, contou que desde os 12 trabalha com crianças e agora ele está como atendente na sala de leitura infantil. “Para mim está sendo um conhecimento. A gente aprende com eles”, revelou.

A biblioteca-parque da Manguinhos abre de terça a domingo, das 9h às 21h. Os visitantes podem levar os livros para casa e ainda contam com três aparelhos Kindle, um leitor eletrônico com capacidade para armazenar até cem livros.

Carolina Lauriano | G1 | 29/04/2010

Manguinhos ganha biblioteca high-tech inspirada em Medellín


Os moradores do Conjunto de Favelas de Manguinhos, no subúrbio do Rio de Janeiro, ganham nesta quinta-feira ]29] a primeira biblioteca-parque do Brasil. O projeto é inspirado em Medellín, na Colômbia, que investe na construção de equipamentos culturais como forma de promover inclusão social.

A biblioteca-parque de Manguinhos ocupará uma área de 2,3 mil m² do antigo Depósito de Suprimento do Exército ]1º DSUP] e atenderá a 16 comunidades da Zona Norte, cuja população soma, aproximadamente, 100 mil habitantes. O lugar foi criado a partir de uma viagem feita pela secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, à cidade colombiana.

Esse projeto tem a intenção de despertar o interesse dos moradores de Manguinhos e de toda sociedade pelo conhecimento digitalizado“, disse Adriana.

Com 900 DVD’s, 5 televisões de LCD, 3 livros digitais, 40 computadores, 25 mil livros e mais de 3 milhões de músicas distribuídas em aparelhos de Mp3, a infraestrutura de nível internacional custou R$ 8,7 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento [PAC].

Atendimento diferenciado
De acordo com a superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria estadual de Cultura, Vera Saboya, o lugar irá atender de forma diferenciada toda a população de Manguinhos e de toda a cidade do Rio. “É um local que terá vários ambientes digitalizados para pessoas que precisam de uma nova visão do conhecimento”, explicou.

O espaço terá ainda salas des estudo, de leitura e de multimídia, onde acontecerão apresentações de teatro e de filmes brasileiros e estrangeiros.

A inauguração da biblioteca terá a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira e do governador do Rio, Sérgio Cabral. O acesso será livre e estima-se que cem mil moradores da região compareçam ao evento. No local, também terá a presença da personagem de quadrinhos, Mônica, de Maurício de Souza, que será entitulada Embaixadora da Cultura.

Funcionários da região
Segundo Vera, todos os 28 funcionários da biblioteca são moradores da região e contratados pela Secretaria estadual de Cultura. Eles foram teinados para atender à todas as pessoas que visitarem o local.

G1 | 28/04/2010

Editora brasileira diz que livros em papel ainda terão longa vida


O livro em papel tem ainda uma longa vida pela frente e pode conviver no futuro com os e-books, já que, segundo a editora brasileira Beatriz de Moura, o importante são os conteúdos.

A editora deu uma entrevista à Agência Efe em Buenos Aires.

Em 1968, Beatriz fundou a editora Tusquets Editores na Espanha com um capital equivalente a 1.500 euros, uma loucura “romântica”, segunda ela, que obteve sucesso quando seu “espírito aventureiro” e sua paixão pela literatura foram combinados com a experiência nos negócios de seu companheiro nesta aventura, Antonio López.

A combinação deu certo e “mais de 40 anos depois continuamos aqui“, disse Beatriz.

Apesar de reconhecer que a crise não foi tão dura para as editoras espanholas em 2009 como era temido, Beatriz prevê um ano difícil em 2010 e teme que a situação econômica leve ao fechamento de muitas das pequenas empresas do setor.

Sua recomendação para os novos editores é precisamente a chave da Tusquets: o equilíbrio, porque “podemos fracassar por excesso de risco econômico ou por excesso de romantismo”, afirma Beatriz, que está em Buenos Aires para participar da Feira Internacional do Livro.

A editora diz que a polêmica sobre os e-books contra os livros tradicionais não é, na realidade, mais que um tema de “continentes” e que o mais importante são os conteúdos.

“A tecnologia não me assusta”, afirma, embora admita que grandes grupos editoriais já estejam investindo nos aparelhos e que, por questões financeiras, os pequenos e médios estão ficando para trás. “Acho que não devemos precipitar-nos, porque vivemos do livro em papel e continuaremos vivendo do livro em papel. No futuro, as duas formas podem conviver, haverá gente que prefira papel e haverá quem prefira outro formato“, disse.

Mas assegura que “seja qual for o suporte, dentro haverá o conteúdo, e os conteúdos são fornecidos pelos editores. Vão precisar muito de nós“.

EFE | 28/04/2010

Escola do Livro realizará curso sobre mídias digitais


Em 13 de maio, a Escola do Livro realizará o curso eBook Reader: a Indústria Editorial e as Mídias Digitais. A aula será ministrada pelo editor e sócio-fundador da Giz Editorial, Ednei Procópio, e abordará assuntos como: as diferenças entre um e-reader Kindle e um tablet iPad para o mercado editorial; as formas de prover conteúdo para devices portáteis, como o iPhone e outros smartphones; porque os novos contratos devem conter os formatos de livros em novas mídias; entre outros temas. O curso se destina aos profissionais da cadeia produtiva da indústria editorial brasileira e a todos os interessados em geral. Mais informações pelo e-mail: escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone: [11] 3069-1300.

CBL | 27/04/2010

Simpósio: Especialista propõe limites para direito autoral


O Direito Autoral não pode ser um elemento desgarrado da ordem jurídica contemporânea. Foi com base nessa crítica que o professor José de Oliveira Ascensão, catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, abriu as atividades do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado em São Paulo até esta quinta-feira, 29/4. O encontro reuniu especialistas do Brasil e de outros países para discutirem a digitalização de obras e acervos culturais como uma estratégia para ampliação do acesso à cultura.

No Brasil, a digitalização de acervos não pode ser discutida ao largo da Lei de Direitos Autorais. Isso porque essa última não permite nenhuma reprodução de obras sem a autorização do titular do direito, o que vai no caminho contrário tanto da criação de acervos em meio digital como da permissão de novos usos dessas obras.

Para Ascensão, há uma tensão natural entre o direito autoral e a cultura. Enquanto o primeiro se pauta em privilégios, o segundo se materializa a partir do diálogo e seu fomento trata de generalizar o acesso à cultura. O equilíbrio disso – de acordo com o advogado – é feito pela concertação entre os interesses do autor e da sociedade. Não se pode conviver com o autismo do direito autoral, como se fosse soberano em relação até mesmo à Constituição”, criticou ao falar do direito ao conhecimento e à cultura. O que não faz sentido, segundo ele, é deixar de digitalizar obras que, em grande parte, estão destinadas a se perder.

Economia
Atualmente, o direito autoral é uma mercadoria. É, inclusive, no âmbito internacional tratado pela Organização Mundial do Comércio [OMC]. Em seu relatório de 2009, a própria instância destacou que as regras do direito autoral devem ser mais uma base que um obstáculo para a criação.

Mas, na visão do catedrático, há um paradoxo nessa grande movimentação financeira: “O autor nem sempre ganha mais com a proteção”, disse o especialista português.

Sobre a digitalização especificamente, ele sugere uma compensação entre o que se gostaria de ganhar com o que se pode pagar pelas obras. O momento atual seria, então, o da transformação da cultura física para a digital. Ascensão indicou que formuladores de políticas e especialistas de todo o mundo atentem para o ‘Acordo Google’ como um caminho possível para essa mudança de paradigma.

O acerto entre o Google e a Author’s Guild viabiliza juridicamente a imediata disponibilização na Internet de todas as obras órfãs, as que continuam sujeitas ao regime de proteção autoral mas que seus titulares não são localizáveis. Trata-se do livre acesso a 75% do conteúdo que está sendo ou será digitalizado nas bibliotecas de todo o mundo.

Veja tudo sobre o Simpósio em: http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais

Ismália Afonso | MinC | 27/04/2010

Novo concurso de microconto


Prêmios somam cerca de R$ 15 mil.

O site colaborativo de prosa e poesia Talentos está com as pré-inscrições abertas para seu concurso de microcontos. A iniciativa, que vai distribuir cerca de R$ 15 mil em prêmios, é inspirada na chamada Twitteratura, textos escritos em 140 caracteres e publicados no Twitter. O Talentos é um domínio da Editora MM Comunicação Integrada Ltda e está ligado ao BrasilWiki!. No ar desde agosto de 2009, já organanizou outro concurso – de poesia, com mais de 1.250 trabalhos inscritos.

PublishNews | 27/04/2010

Seminário de acervos digitais em novo endereço


Evento será realizado no Teatro da Memória, mas pode ser acompanhado pela internet

Aberto na noite desta segunda-feira [26], o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais mudou de lugar. Está sendo realizado no Teatro da Memória [Rua Álvaro Ramos, 97/103 – República – São Paulo/SP]. Quem não puder ir, tem a oportunidade de assistir aos debates pelo site. Confira a programação aqui.

PublishNews | 27/04/2010

I Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais


Teve início ontem, 26 de abril, em São Paulo, o I Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais que, até quinta-feira, 29/04, reunirá especialistas nacionais e internacionais em seis mesas temáticas. O intuito é discutir tecnologias, modelos, limites e ideais para digitalizar os acervos culturais – hoje hospedados em museus, bibliotecas, cinematecas – e assim permitir que esse patrimônio circule pelo País em formato digital, via internet.

Fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura, o Projeto Brasiliana USP e a Casa da Cultura Digital, o encontro visa indicar possíveis rumos para que a digitalização dos acervos culturais no Brasil seja uma estratégia eficaz de facilitação do acesso à cultura. O primeiro passo, nesse sentido, fica a cargo da própria organização, que transmite o simpósio ao vivo no endereço http://www.acervosdigitais.blog.br/, o que possibilitará a participação de pessoas de diversas partes do País.

Segundo dados do Ministério da Cultura, mais da metade dos municípios brasileiros não contam com nenhum centro cultural, museu, teatro, cinema ou espaço multiuso. Cerca de 60% das bibliotecas públicas e comunitárias estão concentradas em sete dos 27 Estados nacionais, e mais de 90% da população nunca visitou um museu. Tais números revelam que grande parte dos brasileiros não tem acesso ao próprio patrimônio cultural. Fazê-lo circular via web parece ser parte da solução que visa reverter esse quadro.

Para o coordenador de Cultura Digital do MinC, José Murilo Carvalho, é preciso “promover a conversa entre experiências locais e internacionais de digitalização e disponibilização de acervos, aprofundando a reflexão sobre arranjos institucionais e diretrizes técnicas que podem compor um plano nacional para articular e apoiar os projetos de digitalização de acervos públicos”. O coordenador acredita que a digitalização dos acervos e posterior disponibilização na internet ajudará a expandir o acesso ao patrimônio cultural brasileiro.

“Ao abordar o processo de digitalização dos acervos culturais, estamos lidando com texto, imagem, áudio, vídeo e objetos”, diz. “Nossa proposta é explorar os diferentes nichos técnicos envolvidos em cada mídia/suporte, mas tratando de não perder a visão geral que pode integrar ações que hoje acontecem de forma dispersa. O objetivo é promover o acesso qualificado como elemento orientador de todo o processo”. O coordenador revela que o simpósio poderá ter outras edições, sempre que identificada a necessidade de se aprofundar a reflexão e o debate em setores específicos.

Como destaques da programação estão representantes de grandes projetos mundiais de digitalização em curso atualmente, como Wikimedia e Gallica, da França, e a Brasiliana, da USP, que recebeu a doação do acervo do bibliófilo José Mindlin.

O Simpósio ocorre no momento em que o governo brasileiro estimula a discussão para uma nova lei de direito autoral e tem como prioridade a definição de um plano nacional de banda larga para o território nacional. Por isso, a discussão sobre padrões e estímulos para a digitalização e circulação de conteúdos digitalizados tem papel fundamental no planejamento estratégico para o crescimento do País.

De acordo com o Secretário-Executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho, não há desvantagens na digitalização do acervo cultural. “a preservação da memória é inerente ao homem e à civilização. Temos necessidade de preservar a cultura, e digitalizar acervos para conservar essa memória e democratizar o acesso”. Para ele, desvantagens tecnológicas como a dificuldade de manuseio e a durabilidade das mídias em que o acervo era guardado, foram superadas. Castilho acredita que a digitalização é a tendência para o futuro. “Por meio da digitalização ou de outra tecnologia que seja superior a essa, poderemos fazer a preservação do acervo cultural”, diz.

O secretário reitera que os grandes desafios hoje são a questão dos direitos autorais, da propriedade, do uso indevido de arquivos digitalizados para uso comercial ilícito, e do acesso ao direito à informação. “Vivemos num regime democrático, mas ainda existem acervos de difícil acesso. No mundo, há países onde o acesso à informação é vetado, e isso é um empecilho imenso para que um programa como o do Simpósio vire algo concreto”, afirma. Castilho ressalta que, no que tange a discussão sobre direito autoral, algumas questões devem ser preservadas, como o reconhecimento à existência da propriedade intelectual e o direito do produtor sobre seu produto. “Estamos passando por um tempo em que pontos básicos são esquecidos ou minimizados como se fossem pouco importantes. É preciso haver entendimento entre as partes, autores e consumidores, e essa discussão deve ser conduzida sem muito radicalismo, já que não se trata de um problema que será resolvido do dia para a noite”, opina.

Serviço
I Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais

Quando
De 26 a 29 de abril

Onde
Novotel São Paulo Jaraguá Convention
R. Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo
(final da Rua Augusta, sentido centro)
55.11.2802.7000
Auditório Jaraguá – 250 lugares
Metrô linha 3 – Anhangabaú.

Transmissão pela internet no site: http://www.acervosdigitais.blog.br/

Acesso ao público gratuito, sujeito à lotação do auditório.

Mais informações: http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais

Por Blog Acesso | 27.04.10

Em seu novo livro, Dominique Wolton desconstrói as utopias digitais


A internet é mesmo a grande revolução prevista por certos teóricos? Em seu novo livro, Informar não comunicar o sociólogo francês Dominique Wolton joga um balde de água fria nas utopias digitais, que cravaram que as novas tecnologias iriam resolver todos os problemas da comunicação. Para o prestigiado pesquisador do CNRS [Centro Nacional de Pesquisas Científicas, na sigla em português], fundador e diretor da revista Hermès, confundiu-se os – indiscutíveis – avanços técnicos de transmissão da informação com a nossa capacidade de absorvê-los e nos adaptarmos às mudanças. O resultado é paradoxal: mais rápido avançam as tecnologias, mais lento é o nosso progresso na comunicação. Wolton não nega a importância das novas ferramentas, mas desconstrói a ilusão de que a internet possibilitará um conhecimento sem intermediários. Ao contrário do espaço de integração e pluralidade idealizado por alguns, vê um sério risco de segmentação: usuários isolados em suas ilhas, ou limitados a seus grupos de afinidades, incapazes de dialogar com valores diferentes dos seus.

Antes que o acusem de conservadorismo, vale lembrar que o pensador defende, na verdade, uma visão mais humanista da comunicação, que coloque o indivíduo acima das tecnologias. Pede com urgência que a comunicação seja vista como um projeto político e cultural, para que possa enfim produzir um melhor entendimento entre os homens num mundo cada vez mais multipolar.

Os avanços da comunicação deflagraram a nossa dificuldade de se comunicar?

Há um descompasso entre a velocidade e o volume de informações aos quais temos acesso todos os dias e nossa capacidade de se comunicar. As informações avançam rápido, já a comunicação, muito devagar. Identificamos erroneamente as técnicas de comunicação ao progresso, e esquecemos da complexidade do homem. A comunicação é uma das apostas científicas do século 21: precisamos gerar nossas diferenças, coabitar, muito mais do que dividir o que temos em comum. O desafio é tomar consciência que a comunicação deve conviver pacificamente com as novas tecnologias da mesma maneira que a ecologia. O mundo finalmente deu atenção à ecologia, agora é preciso também ficar atento às ciências sociais da comunicação.

Quais são os maiores perigos da visão tecnicista da comunicação?

É uma visão que contém riscos porque cria uma confusão entre o que é informação e o que é comunicação. Não apenas releva a capacidade crítica do receptor exposto à mensagem, mas também a sua resistência a uma visão diferente do mundo. É preciso aceitar a ideia de que a comunicação também possui uma dimensão política e cultural. Se aceitamos que a ecologia deve ser um assunto político, por que não a comunicação?

Os ideólogos da revolução digital defendem que a internet pode produzir uma democracia mais direta, emancipada das instituições, e que se autorregulamentaria sem a necessidade de intermediários. É uma ideia populista?

É uma ideia democrática apenas na aparência. A internet ressuscitou a utopia da democracia direta. É ingênuo, porque se você não tem intermediários, é o dinheiro e as minorias que dominam. Não existe democracia sem intermediários: políticos, jornalistas, professores, médicos… A televisão comunitária existe há pelo menos 20 anos e não resultou na democracia direta. A mídia está cada vez mais interativa, mas não melhorou em nada. Para que haja democracia, é preciso haver eleições. Aliás, eleições servem para eliminar aquilo com o que não concordamos.

A internet é defendida como um agente do pluralismo. Mas o senhor vê um risco de conformismo, submissão ao receptor e às modas. Até agora, o digital contribuiu mais para uma homogeneização da mídia?

A internet pode se transformar em um espaço onde todo mundo pensa a mesma coisa, pois cada um se fecha em sua comunidade. Mas se for regulamentada, poderá refletir o pluralismo da sociedade. Aconteceu o mesmo na história da política, da ciência ou da arte. A comunicação é um projeto político. Com a internet, corremos o risco de entrar no comunitarismo: as comunidades se prendem em suas próprias afinidades, sem dar atenção a outras possibilidades. A comunicação é uma ida e volta, é preciso negociar as diferenças.

Em resposta à utopia de integração, o senhor aponta as “solidões interativas”…

Não podemos negar que a internet trouxe uma abertura formidável. Mas depois de um tempo, pode virar prisões individuais: as pessoas se trancam e não se comunicam com valores diferentes dos seus. A web é um sistema de informação baseado na demanda, enquanto as mídias clássicas se baseiam na oferta. A web não ultrapassa a demanda, e com isso produz uma segmentação. Por outro lado, as mídias clássicas enriquecem a demanda com a oferta.

Qual foi a verdadeira influência da internet nas últimas eleições presidenciais americanas?

Já se disse muita besteira sobre a campanha de Obama. Na verdade, ele percebeu a importância das redes sociais e se serviu delas. Mas era algo que já existia muito antes, pelos meios clássicos. Não foi a internet que deu a largada para o militantismo, ela simplesmente acelerou um sentimento que já existia na população.

O senhor afirma que o jornalismo é uma profissão, exige formação. Como vê a decisão da Justiça brasileira de anular a necessidade de diploma para praticar o jornalismo no país?

O jornalismo é uma profissão que exige responsabilidade, uma maneira de ver o mundo. É importante que ela mantenha as portas abertas para os mais jovens. Mas acreditar que ela pode acolher todo mundo, mesmo aqueles que não conhecem as dificuldades do métier, é uma visão demagógica, que pode vulgarizar o ofício. Quanto mais surgem novas mídias, mais é preciso reafirmar a importância dos intermediários e de seu profissionalismo.

Os jornalismo impresso vai acabar?

Cada um tem seu lugar. A internet tem como aspecto positivo a sua capacidade de ser um instrumento de contrapoder e, como negativo, a sua segmentação. Já as mídias clássicas são positivas por se abrir a todos, mas negativas por serem generalistas demais. Precisamos de cada um dos dois em suas visões positivas. Cada mídia tem sua cultura e competência.

Jornal do Brasil | 20:40 – 26/04/2010 | Por Bolívar Torres

Acervo de poesia de Vinicius de Moraes está na internet


Desde o final da manhã desta segunda-feira, admiradores de Vinicius de Moraes e amantes de livros antigos podem ler gratuitamente pelo computador 15 livros com todas as suas poesias pelo site da Biblioteca Brasiliana USP. A digitalização e publicação da coleção doada por José Mindlin e cuja publicação na internet foi autorizada pela VM Empreendimentos Artísticos e Culturais, dona dos direitos sobre a obra do autor, integra o projeto “Toda poesia de Vinicius de Moraes”.


Quem estiver passando pela Rua Martins Fontes [em frente ao Hotel Jaraguá], no centro de São Paulo, entre às 11h e 14h, poderá ver todo esse material no ônibus-biblioteca inspirado naquele da Biblioteca Mario de Andrade que circulava pela cidade nos anos 30. O ônibus é adaptado e lá também será possível ouvir o próprio Vinicius declamando seus poemas. São cinco e-books para isso.


A iniciativa inaugura o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, realizado pelo Ministério da Cultura, Casa da Cultura Digital e Brasiliana USP, que será aberto hoje à noite. Informações sobre o simpósio podem ser acessadas aqui.


“Toda a poesia de Vinicius de Moraes” é composto pelas seguintes obras [resumidas, aqui, pelo professor Marcelo Sandmann]:


O caminho para a distância [1933] – Trata-se do primeiro livro de Vinicius de Moraes, publicado em 1933. Compõe-se ao todo de quarenta poemas, a maior parte em versos livres. Sob o influxo do catolicismo militante de Jackson de Figueiredo, Tristão de Athayde e Octavio de Faria, a estreia do autor põe em cena uma poesia às voltas com os temas do espiritualismo cristão, de tom elevado e solene, distante do humor e da irreverência que predominavam no Modernismo de 1922.


Forma e exegese [1935] – Publicado em 1935, o segundo livro de Vinicius de Moraes recebeu, nesse mesmo ano, o prêmio Filipe d’Oliveira. Seus vinte e sete poemas, escritos todos em versos livres e distribuídos em cinco seções numeradas, apresentam uma poesia de caráter hermético, onírico e visionário, tributária da escola simbolista e sua impregnação na poesia do início do Século XX.


Ariana, a mulher [1936] – Publicado originalmente no ano de 1936, em edição limitada de trezentos exemplares, numerados e fora do comércio, Ariana, a mulher apresenta um único e extenso poema, de título homônimo ao do livro, datado de maio de 1935. Escrito em longos versos livres, à maneira de versículos bíblicos, o poema distribui-se em dezoito estrofes de seis versos cada uma, com exceção da última, em destaque, com cinco versos.


Novos poemas [1938] – O quarto livro de poesia de Vinicius de Moraes, saído a público em 1938, traz em epígrafe verso de Poética, de Manuel Bandeira: Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis. De fato, o poeta apresenta neste volume uma poesia bastante variada, com textos em versos livres, outros com recurso a metros e formas tradicionais [como o decassílabo e a redondilha, o soneto e a balada], e ainda poemas em prosa. O tom elevado convive aqui com uma linguagem mais despojada e coloquial.


Cinco elegias [1943] – O livro é dedicado a Octavio de Faria, José Arthur da Frota Moreira e Mário Vieira de Mello, colegas do poeta durante seus anos de estudante na Faculdade de Direito do Catete, entre 1930 e 1933. No prefácio, escrito pelo autor, registra-se que as cinco elegias foram concebidas e realizadas entre o sítio do escritor Octavio de Faria, em Itatiaia, em 1937, e Londres e Oxford, na Inglaterra, onde Vinicius, com bolsa do Conselho Britânico, estudou língua e literatura inglesas entre 1938 e 1939. Merece destaque a de número 5, escrita em português e inglês, com seus neologismos e explorações gráficas.


Poemas, sonetos e baladas [1946] – Os quarenta e sete poemas contidos no volume, publicado em 1946, vêm acompanhados de vinte e dois desenhos de Carlos de Leão. Predominam textos metrificados e escritos dentro das formas da tradição, com especial destaque para o soneto. Encontram-se aqui algumas das mais celebradas realizações de Vinicius de Moraes dentro do gênero, como Soneto de fidelidade e Soneto de separação.


Pátria minha [1949] – Trata-se da publicação do poema inédito Pátria minha, em edição limitada de cinquenta e cinco exemplares, realizada por João Cabral de Melo Neto, em sua prensa manual, em Barcelona, Espanha, no ano 1949. Desde 1946, Vinicius ocupava o cargo de vice-cônsul em Los Angeles, Estados Unidos, onde permaneceria durante cinco anos sem retornar ao Brasil.


Orfeu da conceição [1956] – Com ilustrações de Carlos Scliar, esta é a primeira edição em livro, no ano de 1956, da peça Orfeu da conceição. Escrita em três atos e com o subtítulo Tragédia Carioca, a peça atualiza o mito grego de Orfeu e Eurídice, ambientado-o no contexto contemporâneo de uma favela de morro, com protagonistas negros e de origem popular, em pleno carnaval. O texto, premiado no Concurso de Teatro do IV Centenário de São Paulo, foi encenado pela primeira vez no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em setembro de 1956, com direção de Leo Jusi, cenografia de Oscar Niemayer e música de Antônio Carlos Jobim, entre outros colaboradores.


Livro de sonetos [1957] – Com este livro de 1957, Vinicius de Moraes consagra-se como um dos principais cultores modernos de uma das formas fundamentais da tradição lírica luso-brasileira. Reúnem-se aqui trinta e sete sonetos, alguns já publicados em outros livros. Com poucas exceções, predominam aqueles dentro dos moldes do soneto italiano, em versos decassílabos. Na temática, destacam-se as homenagens a outros poetas e artistas e o lirismo erótico e amoroso característico do autor. Abre o volume o ensaio O soneto na obra de Vinicius de Moraes, de Luiz Santa Cruz.


Receita de mulher [1957] – Edição volante e ilustrada do poema Receita de mulher, com data de outubro de 1957, Recife. O texto, um dos mais conhecidos de Vinicius de Moraes, iria integrar posteriormente o volume Novos Poemas II, de 1959.


Novos poemas II [1959] – Publicado em 1959, o volume reúne dezessete poemas, escritos entre 1949 e 1956. Entre eles, encontram-se alguns dos mais celebrados do poeta, como Receita de mulher e Soneto do amor total, na vertente lírico-amorosa, e O operário em construção, de engajamento social e político.


Antologia poética [1960] – Esta é a segunda edição, revista e aumentada, da Antologia poética, originalmente publicada no ano de 1954, que reunia uma seleção de poemas presentes nos primeiros volumes do autor e outros inéditos em livro até aquela data. Nesta segunda edição, acrescentam-se textos extraídos do volume Novos Poemas II, de 1959. Na Advertência, o autor reconhece a existência de duas fases em sua poesia, ambas contempladas na antologia: uma primeira, “transcendental, frequentemente mística, resultante de sua fase cristã”; e uma subsequente, “de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos”.


O mergulhador [1968] – Este volume, publicado em 1968, apresenta uma antologia de dezesseis poemas, entre eles alguns dos mais conhecidos do poeta, ilustrados com fotos de seu filho Pedro de Moraes. Da edição de dois mil exemplares, os cinquenta primeiros foram numerados e assinados por seus autores.


A casa [1975] – Com capa de Carlos Bastos, esta é a publicação do poema homônimo A casa, pela Edições Macunaíma, de Salvador, no ano de 1975. Neste poema em versos livres, datado 19 de outubro de 1974, Vinicius de Moraes toma como tema a casa por ele mandada construir na praia de Itapuã, em Salvador, onde viveu com a atriz baiana Gesse Gessy, a quem o texto é endereçado.



Um signo, uma mulher [1975] – Trata-se da edição em livro, datada de setembro de 1975, composta e impressa em Buenos Aires, de doze pequenos poemas, cada um deles intitulado e escrito a partir de um dos signos do zodíaco, com as características amorosas da mulher de cada signo, à maneira de horóscopo. Os poemas haviam sido originalmente publicados, sob encomenda, no primeiro número da Revista Manchete de 1971, como presente de Ano Novo aos leitores. A edição apresenta ilustrações de Aldary Toledo e reproduz xilogravuras do Século XVI.

PublishNews | 26/04/2010

Piratas clonam iPad e “lançam” tablet por US$410


Pouco mais de três semanas depois do lançamento, versões piratas do iPad começaram a surgir em lojas online e físicas na China

Pouco mais de três semanas depois do lançamento mundial, versões piratas do tablet iPad, da Apple, começaram a surgir em lojas online e físicas na China.

A Apple recentemente adiou o lançamento internacional do iPad, afirmando que a imensa demanda nos Estados Unidos apanhou de surpresa a companhia. Mas os consumidores chineses que estão em busca de versões do mais recente produto da empresa não precisam ir mais longe que um movimentado centro de eletrônicos em Shenzhen, próspera cidade do sul da China, próxima da fronteira com Hong Kong.

Lá, pequenas lojas estão repletas de versões piratas de toda espécie de produtos, do Windows 7 a dois dólares, a uma ampla gama de produtos da Apple, como iPhones, MacBooks e MacBook Air.

Depois de extensas consultas a diversos comerciantes, um deles, cujo sobrenome é Lin, ofereceu o item procurado, em uma sala escura do quinto andar do mercado, longe do movimento.

Pesado e espesso, com três portas USB e forma mais retangular que a do original, esse derivado com aspirações a iPad, acionado por um sistema operacional Windows, parece mais com um iPhone gigante. O preço é de 2,8 mil iuans [410 dólares], o que o deixa um pouco mais barato que o iPad, vendido por entre 499 e 699 dólares.

“Essa é apenas a primeira versão”, diz Lin, um agente de vendas com cabelos cortados à escovinha que fala rapidamente em cantonês, o idioma local.

“Embora a forma não seja exatamente a mesma, a aparência externa é bastante semelhante à do iPad, de modo que não acreditamos que isso afete demais as nossas vendas”, explicou ele, acrescentando que a diferença se deve à dificuldade de encomendar componentes semelhantes, devido ao curto prazo de dois meses para o desenvolvimento da primeira versão do aparelho.

Os ocupados piratas chineses estão correndo para preencher um vazio que não perdurará, criado pela demanda inesperadamente forte que o iPad encontrou nas primeiras semanas do aparelho no mercado.

“A China é basicamente um mercado que tem a capacidade de clonar tudo, então isso não chega a surpreender”, afirmou Edward Yu, presidente-executivo da empresa de pesquisa Analysys International. “Eu não creio que a pirataria seja uma coisa ruim para o iPad dado que a China tem uma enorme população. Pode ser que os iPads clonados deem aos potenciais usuários um gostinho do que se trata o aparelho.”

De volta a Shenzhen, Lin afirmou que fábricas na região do delta do rio Pérola, maior centro de exportação de manufaturas da China, estão trabalhando duro em uma versão atualizada dos iPads pirateados para satisfazerem a demanda.

“Essa é a apenas a primeira versão, sem ajustes”, disse Lin. “As fábricas poderão produzir uma cópia muito melhor mais para frente.”

James Pomfret e Melanie Lee | Reuters | 26/04/2010

Papel eletrônico


O eDGe é o primeiro tablet PC com tela de papel eletrônico para ler e-books, e também o primeiro e-reader com funções de tablet. São duas telas interligadas uma com 9,7″, para ler e-books e fazer anotações; e outra, com um LCD touchscreen de 10,1″, para navegar na Internet. A Entourage Systems, empresa que criou o sistema escolheu pecar pelo excesso e desenvolveu um equipamento que vai do céu ao inferno em uma página. Afinal, quem consegue ler um livro em preto e branco com uma tela colorida ali ao lado? O eDGe já está à venda por US$ 490. Para maiores informações: www.entourageedge.com.

Revista Locaweb | Edição 21

Formato e direitos travam e-book


Carência tecnológica e dúvida sobre divisão de receitas impedem expansão

Editoras brasileiras recorrem a asiáticos para converter arquivos, enquanto mercado nacional se debate sobre modelo de negócios a adotar

A máquina-robô "Maria Bonita", que digitaliza livros e documentos raros da coleção de José Mindlin doada à Brasiliana da USP

Se livrarias virtuais brasileiras já têm milhares de livros eletrônicos à venda, por que tão poucos títulos são em português? Por que esse mercado, ascendente nos EUA, não deslanchou no Brasil? As perguntas, que circulam no meio editorial e entre leitores, não têm respostas prontas nem simples, mas por ora duas surgem como mais esclarecedoras.

Uma, inacreditável, é tecnológica: o país praticamente não tem mão de obra especializada para converter os livros para o formato escolhido até agora como padrão pelo mercado, o ePUB. A outra razão é empresarial: editoras, livrarias e autores não definiram um modelo de negócios, ou seja, não há consenso sobre o preço médio do livro, sobre a divisão de receitas entre as partes da cadeia produtiva e, o mais grave, a maioria das editoras terá de renegociar os contratos com os autores, já que os atuais não preveem direitos digitais.
No primeiro caso, chama a atenção a experiência da Zahar, pioneira na venda de e-books no país. A editora recorre a empresas na Índia e nas Filipinas, subcontratadas de firmas nos EUA, para transformar em ePUB os seus livros digitais.

Desenvolvido pelo IDPF [fórum internacional de publicações digitais] para ser o formato padrão do mercado, o ePUB é mais dinâmico que o popular PDF, pois o fluxo e o corpo do texto se adequam ao aparelho.

Após diagramar o livro, a Zahar envia o arquivo para a Ásia. Quando ele volta, em formato ePUB, “perde a formatação e às vezes o conteúdo”, conta a diretora Mariana Zahar. Dá-se então um contato tortuoso com indianos ou filipinos, para que o serviço seja corrigido. “Vira um caos, é uma novela”, queixa-se. A editora, por isso, estuda voltar ao PDF.

O tradicional formato é defendido também por Carlos Eduardo Ernanny, dono da Gato Sabido, primeira loja de e-books do país. “É muito bizarro, há quatro meses tenho dois desenvolvedores de sistema sêniores trabalhando na criação de um conversor de formatos, e estamos apanhando.” Ele afirma que insistirá, mas defende que “não se deve atrasar publicação de livro se só houver PDF, que é um formato gostoso de ser lido“.

Não adianta editoras quererem recuperar o passado inteiro. Ele está perdido“, diz Ernanny, outro a sofrer com os prestadores de serviço asiáticos. “É seríssimo. Os livros vêm sem cedilha nem hífen. Você também não entende o que eles falam, aquilo não é inglês.

Recém-chegada à venda de e-books [começou as vendas neste mês], a Livraria Cultura diz ter especialistas que já convertem os livros para ePUB. “É gente daqui e de outro mundo“, despista o dono da rede, Pedro Herz, questionado sobre onde contratou a mão de obra. A Cultura, apurou a Folha, já está convertendo sob encomenda para editoras. Mas Herz continua cético quanto a um crescimento veloz do livro digital. Em quase um mês, diz ter vendido apenas 134 e-books. “É muito pouco.

O livreiro é um dos que defendem que o maior nó do mercado é a rediscussão dos direitos autorais. “O medo está aí. Isso vai inundar o Judiciário.” Diretor da Singular, loja virtual do grupo Ediouro, Newton Neto concorda com Herz. Embora também seja cliente dos asiáticos para converter formatos, ele avalia que o debate sobre modelo de negócios e renegociação de direitos ainda está “muito aberto e confuso“.
Ainda incipiente na oferta de e-books, a Singular aposta também em outros canais, como a impressão sob demanda e a parceria com o Google na polêmica investida da multinacional para digitalizar todos os livros possíveis e negociar direitos só com quem buscá-los.

Outro entrave ao desenvolvimento do mercado no Brasil é o preço dos leitores eletrônicos. Todos são importados e custam em média US$ 250 [R$ 440], fora impostos, que podem dobrar o valor. A Gato Sabido vende seu Cool-er, inglês, ao preço final de R$ 750.

Folha de S.Paulo | Sábado, 24 de abril de 2010 | Fabio Victor

Chargista Orlando Mattos ganha Página na web


O chargista Orlando Mattos, colaborador da Folha entre os anos 1950 e 1970 e morto em 1992, ganha página na web e lançamento de edição digital de livro dedicado à sua obra. No site www.cidadespaulistas.com.br/divulgacao/orlando-mattos estão fotos, charges, cronologia do artista e depoimentos. A iniciativa é parceria da Opy Comunicação com a Prefeitura de Diadema e o portal Cidades Paulistas.

Folha de S.Paulo | Sábado, 24 de abril de 2010

Brasiliana e Biblioteca Nacional mostram avanço de acervos públicos


A “Maria Bonita” é mais alta que uma mulher grande e bem mais larga que uma mulher gorda. Tem um tubo de vento para separar as páginas dos livros e um braço de sucção para pegar uma folha por vez. Lá em cima, como olhos de caranguejo, duas câmeras digitais fotografam as páginas, que depois são tratadas e convertidas em formato digital antes de ir para a internet.

Ela é o robô da biblioteca Brasiliana Digital da USP, projeto que começa a levar ao público o acervo de livros e documentos raros doados à universidade pelo bibliófilo José Mindlin, morto em fevereiro.

Embora funcione em caráter experimental [a versão 2.0, operacional, está prevista para outubro], a página [www.brasiliana.usp.br] já reúne as primeiras centenas de pérolas da coleção de Mindlin, de 17 mil títulos. Estão lá, com páginas nítidas e textos de apresentações de especialistas, primeiras edições de Machado de Assis e José de Alencar, periódicos, dicionários, relatos de viagem e clássicos como a “História Geral do Brazil” de Varnhagen.

Enquanto o mercado ainda patina para vender livros digitais, a Brasiliana é um dos exemplos de como os acervos públicos estão mais adiantados em trazer à luz, e gratuitamente, obras neste formato.
O diretor da Brasiliana, Pedro Puntoni, coordena uma equipe de 15 bolsistas da Fapesp, a fundação de amparo à pesquisa do Estado de SP, que em 2008 injetou R$ 980 mil no projeto [o robô custou US$ 220 mil, R$ 378 mil em valor atual].

Trabalha em conjunto com a equipe da curadora da coleção de Mindlin, Cristina Antunes. A “Maria Bonita”, assim batizada porque os primeiros servidores da Brasiliana ganharam nome de cangaceiros, fica na casa onde vivia o bibliófilo.

A princípio, a digitalização começaria pelo acervo do IEB, Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que integra o projeto. Mas, segundo Puntoni e Antunes, o IEB desistiu da parceria. AFolha tentou falar com a diretora do instituto, Ana Lucia Lanna, mas não houve resposta ao pedido de entrevista.

Exemplo mais desenvolvido é o da Biblioteca Nacional Digital [bndigital.bn.br], da fundação homônima do governo federal, criada em 2006 e que, segundo a coordenadora Angela Bettencourt, já tem 30 mil itens digitalizados (dos 9,5 milhões da biblioteca). Na internet pode-se consultar raridades como a coleção fotográfica do imperador D. Pedro 2º e documentos sobre a escravidão e a Guerra do Paraguai.

Folha de S.Paulo | Sábado, 24 de abril de 2010 | Fabio Victor

Obra poética de Vinicius será aberta


A partir da próxima segunda-feira, a obra poética de Vinicius de Moraes estará aberta ao público na biblioteca Brasiliana Digital USP.

A publicação foi autorizada pela VM Empreendimentos Artísticos e Culturais, que detém os direitos sobre a obra.

Trata-se de um caso raro de autor famoso a ter seu trabalho liberado para publicação mesmo ainda protegido pela lei de direito autoral -a obra dele só entrará em domínio público em 2040.

Integram o projeto “Toda poesia de Vinícius de Moraes” 15 livros digitalizados do escritor, entre eles primeiras edições raras do acervo doado por José Mindlin à USP, e um texto de apresentação de Marcelo Sandmann.
A obra digitalizada vai ser lançada na segunda-feira, em São Paulo, durante a abertura do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais, promovido por Ministério da Cultura, Casa da Cultura Digital e Brasiliana USP.

Das 11h às 14h, um ônibus modelo 1928, inspirado na Biblioteca Circulante de Mário de Andrade, ficará estacionado em frente ao Novotel Jaraguá, local do evento [r. Martins Fontes, 71, centro], aberto ao público, com cinco leitores eletrônicos com as obras digitalizadas e som ambiente de Vinicius declamando poemas.
A programação do simpósio está detalhada na página www.acervosdigitais.blog.br, que traz também links para acessar acervos públicos digitais no Brasil e no exterior.

Folha de S.Paulo | Sábado, 24 de abril de 2010 | Fabio Victor

E eu com isso?


Os brasileiros que possuem leitores eletrônicos de livros têm de saber inglês -ou ler pouco. A Livraria Cultura oferece 120 mil e-books, mas menos de 50 nacionais. A Gato Sabido tem 115 mil títulos em inglês e mil em português. O preço, de 20% a 30% menor que o do livro de papel, está além do que o leitor está disposto a pagar, segundo pesquisa recente. Na Cultura, “Leite Derramado” [Cia. das Letras], de Chico Buarque, sai por R$ 39 em papel e por R$ 29 em e-book.

Folha de S.Paulo | Sábado, 24 de abril de 2010

Sebos modernos


O domínio da internet e a chegada de e-readers ao mercado podem ter sido vistos inicialmente como uma pedra no sapato dos amantes dos livros de papel. No entanto, segundo os livreiros e proprietários de sebos de Niterói, isso é página virada. Eles garantem que é possível viver em harmonia com a modernidade. Prova disso é a margem de vendas de livros antigos via web. Esse número, em alguns casos, representa mais da metade do total. Segundo Cristiano Cardoso, proprietário do sebo Universo do Livro, no Centro, as vendas pela web chegam a 60% do total da empresa. A multiplicidade já está inserida em todo o contexto de venda de livros. Há sites especializados nesse tipo de comercialização e que fazem muito sucesso, como a Estante Virtual, Sebo Online e A Traça. Paulista e radicado há dez anos na cidade, Paulo Toledo resolveu, há apenas oito meses, abrir a Livraria Econômica, em Icaraí, após ver que sua loja de produtos odontológicos já não estava dando certo. “Estou estupefato com a evolução do negócio” Toledo deposita grande parte dessa esperança na internet, responsável por 80% das vendas em sua loja.

Érika dos Anjos | O Globo | 24/04/2010

Ex-executivo da Apple cria enciclopédia colaborativa para fotos


Tela do Fotopedia, enciclopédia colaborativa de fotografia fundada por ex-funcionário da Apple; lema é "imagens para humanidade

Depois de viajar pelo mundo, quis compartilhar minhas fotos com outros. O Flickr e demais sites de fotografia dão a você uma exposição por apenas um breve período de tempo, e adicionar fotos à Wikipédia se mostrou muito complicado para o usuário comum“, escreve Jean-Marie Hullot, um dos fundadores do site e ex-executivo da Apple e da NeXT –ambas as empresas foram fundadas por Steve Jobs.

O objetivo de Hullot foi criar uma “Wikipédia para fotos”, que combinasse “a permanência e a colaboração da comunidade da Wikipédia com a facilidade de uso de softwares para computadores“.

Atualmente, o acervo da Fotopedia é de quase 500 mil imagens e mais de 30 mil artigos de enciclopédia.

As fotografias são divididas em categorias como cidades, flores, museus, pontes e montanhas.

Imagens para a humanidade” é o lema da Fotopedia [www.fotopedia.com], que se intitula a primeira enciclopédia de fotografias colaborativa.

Folha Online – Informática | da Reportagem Local de RAFAEL CAPANEMA | 24/04/2010 – 10h35

Samsung estreia leitor de eBooks com Editora Babel


A apetência dos utilizadores portugueses pelos livros em formato digital é um dos argumentos que a Samsung usa como impulsionador do lançamento do leitor de eBooks E60, que chega ao mercado em Junho mas que é hoje apresentado em parceria com a Editora Babel. Este é o primeiro leitor de eBooks da marca coreana, mas outros modelos estão já na calha.

O interesse pelo Kindle da Amazon e o iPad da Apple é apenas um dos exemplos de referências para o crescimento deste mercado, mas há já outros leitores de eBooks, menos “badalados” à venda nas lojas nacionais, e os conteúdos continuam também a crescer.

Paulo Costa, Sales & Marketing Manager da Samsung Electrónica Portuguesa, adiantou ao TeK que a estimativa aponta para vendas de “10 mil unidades dos modelos sem conectividade 3G até ao final do ano”, mas o potencial de vendas dos modelos 3G que a Samsung irá lançar num futuro próximo é substancialmente superior.

O Samsung E60, que foi anunciado na CES, vai estar à venda só em Junho, custando 359 euros. O leitor tem um ecrã de 6 polegadas a preto e branco com tecnologia e-ink que facilita a leitura, e é sensível ao toque para reconhecer as notas do utilizador. A ligação Wi-Fi integrada permite a conectividade com os serviços de conteúdos através da introdução do endereço web ou clicando no ícone de um fornecedor de conteúdos.

A parceria exclusiva com a Editora Babel vai garantir para já o acesso aos livros electrónicos. Na nova livraria que é hoje inaugurada em Lisboa está disponível o «Cubo Babel», que dá acesso a cerca de 60 títulos em formato electrónico, sendo alguns deles gratuitos.

Embora noutros mercados existam parcerias com outras livrarias, como a Barnes and Noble, todos os acordos são geridos localmente, estando previstas várias lojas online.

Mas os jornais e revistas não ficam fora da estratégia, admitindo Paulo Costa que o acesso a notícias online é um dos argumentos fortes destes equipamentos. O responsável da Samsung não adianta porém detalhes sobre a operacionalização desta ligação.

Os modelos com conectividade a redes 3G estão já na calha, estando a comercialização prevista para o final do 3º trimestre, tal como o modelo E61, que dispõe de um teclado QWERTY.

Por enquanto a linguagem dos menus do E60 não está ainda em português, assim como a funcionalidade de leitura do texto – o text-to-speach-. Só no final do ano deverão ser lançados os equipamentos já com software em português.

Este modelo suporta vários formatos de ficheiros, do e-pub, ao PDF, TXT, BMP and JPG, servindo também como leitor de música em MP3, através das colunas frontais ou recorrente a auriculares que são usados também na funcionalidade text-to-speech.

A memória interna é de 2GB, que permite guardar 1.500 livros, mas pode ser alargada a 16GB com um cartão microSD.

Publicado originalmente por Casa dos Bits às 16.22h no dia 23 de Abril de 2010

Alice ganha quiz no Facebook


Para comemorar a edição de Alice no País das Maravilhas [168 pp., R$ 45], de Lewis Carroll, a Cosac Naify lança o quiz “Com qual personagem de Alice você se parece?”. A iniciativa da editora tem a intenção de transportar para a internet o universo do livro. Publicado na rede social Facebook, o questionário reúne características e frases famosas dos principais personagens e pode ser acessado aqui.

PublishNews | 23/04/2010

Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais


Especialistas discutem em SP estratégias para que o Brasil disponibilize gratuitamente pela internet parte de seu patrimônio cultural

Será realizado em São Paulo, com transmissão ao vivo pela internet, entre os dias 26 e 29 de abril, o Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. A iniciativa é do Ministério da Cultura, Projeto Brasiliana USP e Casa da Cultura Digital e vai discutir a digitalização de acervos do patrimônio cultural como estratégia de ampliação do acesso à cultura. A entrada é gratuita, mas quem não puder ir ou não conseguir um dos 250 lugares do auditório pode acompanhar os debates por aqui. Entre os palestrantes brasileiros e estrangeiros, estarão representantes do Creative Commons, do Google América Latina, além de pesquisadores do Canadá, Alemanha, França, Holanda e outros.

Dados Ministério da Cultura mostram que mais da metade dos municípios brasileiros não contam com nenhum centro cultural, museu, teatro, cinema ou espaço multiuso. Cerca de 60% das bibliotecas públicas e comunitárias estão concentradas em sete dos 27 estados do país. A parcela da população que nunca visitou um museu supera os 90%. Esses números revelam que grande parte do Brasil ainda vive à margem de seu próprio patrimônio cultural e uma das saídas para mudar essa realidade é digitalizar os acervos culturais – hoje hospedados em museus, bibliotecas, cinematecas – e assim permitir que esse patrimônio circule pelo país em formato digital por meio da internet.

“Um equipamento eletrônico, seja ele um leitor digital, um celular ou um computador, pode armazenar ou acessar um acervo tão rico quanto o do Real Gabinete de Leitura, da Biblioteca Nacional, ou mesmo da Cinemateca de São Paulo”, compara um dos coordenadores do simpósio, Roberto Taddei. De acordo com ele, não se trata mais de apenas publicar conteúdos apenas em sites na rede. “É preciso organizar tudo de maneira intercambiável, com acesso por meio de diferentes suportes e plataformas, de fácil indexação e consulta por parte do público”, explica o jornalista que integra a Casa da Cultura Digital.

Seis mesas temáticas discutirão as questões essenciais desse processo. A digitalização dos acervos culturais do Brasil dialoga com a reflexão sobre os limites impostos pela atual legislação do direito autoral, as novas tecnologias, os padrões e normas, assim como os caminhos para a formação de uma rede efetiva entre as instituições e os projetos já existentes.

Também são destaques da programação a presença de representantes dos grandes projetos mundiais de digitalização em curso atualmente, como Wikimedia e Gallica, da França, e a Brasiliana, da USP, que recebeu a doação do acervo do bibliófilo José Mindlin.

Políticas culturais – No momento em que o governo brasileiro estimula a discussão para uma nova lei de direito autoral e tem como prioridade a definição de um plano nacional de banda larga para o país, a discussão sobre padrões e estímulos para a digitalização e circulação de conteúdos digitalizados passa a ser fundamental no planejamento estratégico para o crescimento do país.

De acordo com o coordenador de Cultura Digital do Ministério da Cultura, José Murilo Carvalho, o MinC coloca prioridade máxima na ampliação do acesso à cultura. “Ao abordar o processo de digitalização dos acervos culturais, estamos lidando com texto, imagem, áudio, vídeo e objetos”, diz. “Nossa proposta é explorar os diferentes nichos técnicos envolvidos em cada mídia/suporte, mas tratando de não perder a visão geral que pode integrar ações que hoje acontecem de forma dispersa. O objetivo é promover o acesso qualificado como elemento orientador de todo o processo”.

A curadoria é de Roberto Taddei, também coordenador do Simpósio; José Murilo Carvalho, pelo MinC; Marcos Wachowicz, do GEDAI – UFSC; Pablo Ortellado, do GPOPAI – USP; e Pedro Puntoni e Edson Gomi, pela Brasiliana USP. Tem produção da Beijo Técnico Produções Artísticas, plataforma digital e transmissão ao vivo pela Fli Multimídia.

Programação

26/04 – segunda-feira
14h – 17h – Visita à Brasiliana USP [convidados]
19h30 – Abertura – palestra com José de Oliveira Ascensão

27/04 – terça-feira
9h – 11h30 – Mesa 1 – Grandes Projetos de Digitalização
Moderação: Abel Paker / Scielo
Mathias Schindler / Wikimedia Foundation [Alemanha]
Frederic Martin / Representante da Gallica Bibliotèque Numérique [França]
Pedro Puntoni / Brasiliana USP [Brasil]

14h – 15h – Apresentação GT Áudio e GT Vídeo

15h30 – 18h – Mesa 2 – Direito à Cultura – Acesso Qualificado
Moderação: Beatriz Busaniche / Via Livre [Argentina]
Jean-Claude Guedon / Universidade de Montreal [Canadá]
José Murilo / MinC [Brasil]
Evelin Heidel / Bibliofyl [Argentina]
Pablo Ortellado / GPOPAI [Brasil]

28/04 – quarta-feira

09h – 11h – Mesa 3 – Preservação [patrimônio cultural]
Moderação: Muniz Sodré / Biblioteca Nacional
Andreas Lange / Digital Game Archive [EU]
Carlos de Almeida Prado Bacelar / Arquivo do Estado [Brasil]
Anne Vroegop / DISH [Holanda]

14h – 15h – Apresentação GT Direito Autoral

15h30 – 18h – Mesa 4 – Direitos de Autor e Diversidade Cultural
Moderação: Manoel Joaquim Pereira dos Santos
Jeremy Malcolm / Consumers International
Marcos Wachowicz / Universidade Federal de Santa Catarina
Marcos Souza / Gerência de Direitos Autorais – GDA/MinC

29/04 – quinta-feira

09h – 11h30 – Mesa 5 – Sustentabilidade para Ações de Digitalização
Moderação: José Luis Herência / MinC
Paul Keller / Creative Commons [Holanda]
Ivo Corrêa / Google América Latina
Eliane Costa / Petrobras [Brasil]
Instituto Moreira Salles [Brasil]

14h – 15h – Apresentação GT Texto e Imagem

15h30 – 18h – Mesa 6 – Políticas Públicas – Por um Plano Nacional
Moderação: Alfredo Manevi / MinC
Nelson Simões / CGI.br
José Castilho / Secretário-Executivo do PNLL
Carlos Ditadi / Conarq [Arquivo Nacional]

18h00 – 19h – Encerramento

Serviço
Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais
De 26 a 29 de abril
Novotel São Paulo Jaraguá Convention
Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo
Tel.: [11] 2802.7000
Entrada gratuita – 250 lugares
Estacionamento no local.
Metrô linha 3 – Anhangabaú.
Transmissão pela internet no site http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais

PublishNews | 23/04/2010

E-book, na democratização da leitura


Para 72% das pessoas, o livro digital vai, sim, ajudar a democratizar a leitura. Uma pequena parcela dos internautas, porém, não concorda com essa afirmação. Esse é o resultado da enquete quinzenal do Blog do Galeno, que agora quer saber se o preço mais baixo do e-book vai provocar uma queda no preço do livro de papel. E aí, o que você acha?

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | 23/04/2010

Paulo Coelho: “A indústria editorial se adapta ou morre”


Paulo Coelho

Ou a indústria editorial se adapta ou morre.” A afirmação, com pretensão de sentença, é do escritor best seller Paulo Coelho. O criador de O Alquimista se refere, é claro, à suposta ameaça que os e-books, livros em formato digital, oferecem ao modelo consagrado. De olho na onda virtual que já começou, ele resolveu surfar: foi o primeiro autor brasileiro a transformar toda a sua obra em e-books e colocá-la à venda na Amazon. Desde janeiro, os adeptos do e-reader Kindle, dispositivo de leitura eletrônica da livraria on-line, podem comprar, por exemplo, a edição virtual de Veronika Decide Morrer por 9,19 dólares [equivalente a 16 reais] – em papel, disponível na Amazon só em inglês, sai por 11,19 dólares [19,50 reais]; nas livrarias brasileiras, em português, custa 24,90 reias. Na Amazon é possível encontrar também e-books em inglês, francês e espanhol assinados pelo “ex-mago” – título que, há alguns anos, ele preteriu pelo de “imortal” da Academia Brasileira de Letras. Na entrevista abaixo, realizada por e-mail, Coelho fala sobre o avanço das obras e dispositivos de leitura em formato digital, critica editores brasileiros e prevê que os celulares darão novo fôlego à literatura.

O senhor foi um dos primeiros escritores a oferecer suas obras em formato digital. Por quê?
Porque o universo de leitura está se ampliando para além dos livros. Hoje em dia, com Twitter, Facebook e meu blog, estou diariamente escrevendo, única e exclusivamente por prazer, para este tipo de plataforma. O e-book é apenas um suporte diferente para o formato clássico.

Qual foi a reação de seu editor quando o senhor optou por vender os direitos digitais de suas obras diretamente para a Amazon?
Eu sempre retive os direitos eletrônicos. Vendi os da língua inglesa para a editora HarperCollins, porque ela veio com uma proposta clara e consistente. As outras propostas mostravam um certo desconhecimento do mercado. Como adoro internet, imaginei que em algum momento os suportes que não dependessem do papel iriam terminar vingando. Há tentativas desde a década passada, mas o Kindle foi o primeiro projeto consistente, e resolvi apostar em outras línguas além do inglês. Colocar meus livros em português não foi difícil, mas para conseguir comprar as traduções em outras línguas demorou mais que imaginava. Em primeiro lugar, porque nenhum autor tinha proposto isso. Em segundo, porque embora os editores vejam o potencial do e-reader, ainda não conseguiram saber exatamente quais os próximos passos.

Como o senhor vê a chegada dos e-readers e o impacto disso no mercado editorial?
O impacto será a longo prazo, mas virá. Não é um factóide para chamar atenção para a literatura, mas uma mudança radical, como foi a do disco para o suporte digital. E da mesma maneira como a indústria da música sentiu o impacto da internet, a indústria editorial ou se adapta ou morre. Por outro lado, assim como o teatro continuou existindo depois do cinema, e o cinema continuou existindo depois da televisão, o mesmo acontecerá com o livro em papel e o livro digital.

No Brasil, os editores discutem bastante, mas parecem não fazer ideia do que vai acontecer.
Os editores do mundo inteiro estão discutindo muito. Mas os ingleses e americanos estão agindo enquanto os outros discutem. A minha parceria com a HarperCollins tem dado resultados excelentes.

É possível pensar no fim das livrarias?
O que mais me preocupa são as livrarias. Não há nada melhor que uma livraria: convívio, atmosfera, possibilidade de encontros interessantes. Mas também, há alguns anos, o mercado nota uma nova tendência: em todos os países as grandes cadeias estão tomando o lugar das livrarias independentes. De qualquer maneira, tenho certeza de que as livrarias continuarão existindo, como um lugar de culto, de respeito.

Há alguma diferença entre escrever para o papel e para o livro digital?
Existe uma grande diferença entre escrever para uma plataforma digital, como um blog, e para um livro. São duas linguagens que não combinam. Mas a única diferença que existe entre o papel e o digital é o suporte para leitura.

Teme-se que e-book abra espaço para um novo tipo de pirataria. Como ficaria a remuneração dos autores?
Pirataria de livros já existe desde que os sites P2P [peer-to-peer, ou par a par, rede de computadores que permite a troca de dados entre usuários] foram criados. Mas com o e-book vai ficar muitíssimo mais difícil, porque vem com arquivos encriptados – não é a mesma coisa que copiar ou escanear um livro e colocar na web. Com relação à remuneração de autores: o autor pode vender diretamente para a livraria virtual e passar o resto dos seus dias se chateando com faturas, contas, problemas etc. Ou pode fazer como eu fiz: escolher uma editora que se encarrega disso, e remunerá-la com uma pequena porcentagem. No meu caso, a Gold Editora se encarregou de tudo. Nós só fornecemos as traduções e os livros originais em português. Entretanto, se você está falando da remuneração de autores sendo lesada pela “pirataria”: eu tenho livros [físicos] piratas em quase todos os países da África, alguns da America Latina, e no continente asiático. Você acha que isso me chateia? A pirataria, neste caso, é uma glória – só autores que vendem muito são pirateados.

O senhor acredita que os e-books podem ajudar a conquistar novos leitores? Ou mais: a aumentar o índice de leitura num país como o Brasil?
Não, porque o suporte custa caro. O que eventualmente poderá ajudar a conquistar leitores, mas leitores de um outro tipo de texto, será o telefone celular. O escritor do futuro será capaz de escrever Guerra e Paz em dez páginas.

O senhor tem um e-reader? Afinal, como é ler nesse tipo de equipamento?
Tenho o Sony e o Kindle. Hoje em dia, como viajo muito, só tenho lido nesse tipo de suporte. Compro o novo livro na hora utilizando as redes wi-fi, carrego menos peso. É justamente pela facilidade de comprar livros que a indústria do e-book está se movimentando mais.

Por Natalia Cuminale | Revista Veja | 23 de abril de 2010

Lucro da Amazon.com sobe 68% e chega a US$ 299 mi no 1º tri


A Amazon.com divulgou nesta quinta-feira um salto de 68% no lucro líquido do primeiro trimestre, desempenho muito acima do esperado por analistas. Apesar disso, as projeções de receita e lucro da companhia ficaram abaixo das expectativas de Wall Street.

A maior varejista online do mundo registrou um lucro líquido de US$ 299 milhões, ou US$ 0,66 por ação, ante os US$ 177 milhões, ou US$ 0,41 por ação, registrados um ano antes.

Analistas esperavam, em média, um lucro de US$ 0,61 por ação, segundo a Thomson Reuters I/B/E/S.

A receita da Amazon também registrou um salto, de 46%, para US$ 7,13 bilhões, acima dos US$ 6,87 bilhões previstos por analistas.

A Amazon, que viu seu lucro disparar 71% durante o último trimestre de 2009, vem ganhando força desde o ano passado, com suas vendas crescendo a um ritmo muito mais acelerado tanto em relação ao comércio online como um todo, quanto em comparação ao varejo tradicional.

Para o segundo trimestre, a Amazon espera um lucro operacional de entre US$ 220 milhões e US$ 320 milhões e receita de entre US$ 6,1 bilhões e US$ 6,7 bilhões.

Analistas, enquanto isso, esperam em média lucro operacional de US$ 327,8 milhões e uma receita de US$ 6,43 bilhões no segundo trimestre.

Por conta das previsões abaixo do esperado, as ações da Amazon chegaram a cair 6% no pregão after-market.

Folha Online – Dinheiro | Com informações da Reuters, em São Francisco | 22/04/2010 | 18h39

Bibliotecas Digitais e Projetos de Digitalização pelo Mundo


Separei neste post uma série de projetos de digitalização de acervo e bibliotecas digitais pelo mundo. A lista é apenas uma pequena amostra de iniciativas antenadas à preservação do conhecimento e acesso ao patrimônio cultural e serve como pontapé inicial para coletar referências e descobrir outros projetos. Acrescente sua sugestão!

A França no Brasil: portal digital conjunto das bibliotecas nacionais da França e do Brasil com mapas, fotografias, textos impressos e desenhos sobre a relação entre a França e o Brasil desde o século XVI até o início do século XX.

Access to Knowledge [A2K]: site do movimento “Acesso ao Conhecimento”, que procura promover novos paradigmas para a criação e distribuição da cultura.

Acervo Digital da Unesp: biblioteca digital de teses e documentos publicados na Universidade.

Acesso Livre: portal da CAPES com periódicos, teses, dissertações e outras publicações acadêmicas.

Arquivo Público do Estado de São Paulo: site da instituição que abriga aproximadamente 25 mil metros lineares de documentação textual, um acervo iconográfico com cerca de um milhão de imagens e alguns milhares de rolos de microfilmes.

BiblioFyL: biblioteca digital criada pelos alunos da Universidade de Buenos Aires para disponibilizar o material de consulta acadêmica dos cursos de letras e filosofia.

Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações: integra os sistemas de informação de teses e dissertações existentes nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras e estimula o registro e a publicação dessas teses em meio eletrônico.

Biblioteca Digital Gallica [França]: biblioteca digital da Biblioteca Nacional da França. Tem um acervo de mais de 1 milhão de documentos, incluindo livros, manustritos, cartas, imagens, revistas e jornais, partituras, músicas e letras de músicas.

Biblioteca Digital IPB [Portugal]: reúne a produção científica do Instituto Politécnico de Bragança.

Biblioteca Nacional de Portugal: disponibiliza o conteúdo digitalizado da Biblioteca Nacional do país.

Biblioteca Nacional Digital do Brasil: Biblioteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional.

Bookshare: disponibiliza livros para pessoas com deficiências visuais.

Brasiliana: projeto referência em digitalização de acervos no Brasil, fica no Universidade de São Paulo.

Cibertecário 0.2: blog sobre bibliotecas, informação e tecnologias, acesso livre do português Eloy Rodrigues, Diretor dos Serviços de Documentação de Universidade do Minho.

Computers Museum: museu virtual alemão dedicado à preservação de jogos de computador.

Consumers International: organização sem fins lucrativos que luta pelo direito à informação e direito do consumidor, no geral.

Curadoria de Memória do Fórum da Cultura Digital: Acervo Digital: blog do Rogério Lourenço dedicado a discutir as grandes questões que envolvem a digitalização de acervos.

Digitaal Erfgoed Nederland: órgão holandês dedicado à preservação do patrimônio cultural.

Digital Book World: comunidade de discussão sobre livro digital e bibliotecas na rede.

Digital Strategies for Heritage: conferência bienal realizada na Europa pelo órgão de proteção ao patrimônio holandês sobre digitalização de acervo.

Domínio Público: portal que disponibiliza arquivos em domínio público em português e outras línguas.

Dspace: software para construção de repositórios digitais abertos. É licenciado em Creative Commons.

European Virtual Museum: coalizão de vinte e sete museus europeus que exibe pela Internet artefatos da história das antigas civilizações européias no formato tridimensional.

Europeana: plataforma de busca que integra diversas bibliotecas digitais europeias.

Fedora-Commons: software para repositórios digitais desenvolvidos por universidades dos Estados Unidos.

Google Books: serviço do Google que procura textos completos de livros scanneados por eles.

Literatura UFSC: fonte primária e gratuita de textos literários do Brasil e Portugal em versão integral.

Livros Raros: projeto de restauração de livros raros dos séculos XVI, XVII, XVIII e XI do Mosteiro de São Bento da Bahia.

Open Access and Institutional Repositories with EPrints: software para criar repositório online de informações, com acervo de textos de diversos países do mundo.

Projeto Gutemberg: primeiro repositório de ebooks.

Rede da Memória Virtual Brasileira: projeto da Biblioteca Nacional que integra diversos acervos sobre a cultura brasileira.

Repositorium Universidade do Minho: acervo de teses e dissertações produzidas na universidade.

Scielo: livraria online de artigos científicos brasileiros.

Teses e Dissertações USP: banco de textos acadêmicos produzidos na instituição.

Wikimedia Fundation: instituição que luta pelo acesso ao conhecimento e compartilhamento de informações pela rede.

World Digital Library: biblioteca digital internacional operada pela UNESCO e pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

Gabriela Agustini | 22/04/2010

Alice no País das Maravilhas é lançado em versão áudio


Alice no País das Maravilhas é a obra mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudônimo de Lewis Carroll, que foi professor de matemática. A obra foi publicada em 4 de julho de 1865. É uma das mais célebres do gênero literário nonsense ou do surrealismo, sendo considerada obra clássica da literatura inglesa.
O audiolivro conta a história de uma menina chamada Alice. Ela cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico, povoado por criaturas peculiares e antropomórficas, revelando uma lógica do absurdo característico dos sonhos. Este está repleto de alusões satíricas dirigidas tanto aos amigos como aos inimigos de Carrol, de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e também de referências linguísticas e matemáticas, frequentemente por meio de enigmas que contribuíram para a sua popularidade. É, assim, uma obra de difícil interpretação, pois contém duas obras num só texto: um para crianças e outro para adultos.

Sobre o autor: Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll, nasceu em Cheshire, em 27 de janeiro de 1832, e faleceu em Guildford, em 14 de janeiro de 1898.
Foi um escritor e um matemático britânico. Lecionava matemática no Christ College, em Oxford, e é mundialmente famoso por ser o autor deste clássico que agora ganha sua versão inédita em audiolivro na língua portuguesa. Criou a história quando fazia um passeio de barco no rio Tâmisa com sua amiga Alice Pleasance Liddell (com 10 anos na época) e suas duas irmãs, sendo as três filhas do reitor da Christ Church. Lá ele começou a contar uma história que deu origem à atual, sobre uma garota chamada Alice que ia parar em um mundo fantástico, após cair em uma toca de um coelho. A Alice da vida real gostou tanto da estória que pediu que Carroll a escrevesse.

Ficha Técnica

Título: Alice no País das Maravilhas
Autor: Lewis Carroll
Editora: AUDIOLIVRO Editora
Formato: CD-MP3
Duração: 3h10min
Narração: Annete Moreira e Cassia Akemi
ISBN: 978-85-8008-010-0
Preço: R$24,90