Justiça rejeita acusação de editora contra blogueira pela 2ª vez


O caso da blogueira e tradutora Denise Bottman, que atiçou uma polêmica sobre liberdade de expressão na internet, ganhou mais um capítulo nesta semana, a partir da rejeição de um recurso em segunda instância, na terça-feira [30].

Dessa vez, contudo, trata-se de Martin Claret – proprietário da editora homônima, que acusou a blogueira de calúnia e difamação. Em primeira instância, o juiz rejeitou o processo por falta de provas.

Tradutora Denise Bottman, que teve acusação por calúnia e difamação, feita por dono da Martin Claret, rejeitada pela Justiça

Segundo Bottman, a decisão favorável de ontem – cuja análise coube a uma junta recursal, ou seja, vários juízes decidindo a respeito do assunto– ocorreu por unanimidade.

Eu acho que as duas partes se comportaram de acordo com procedimentos de lei, representados por advogados. Me sinto honrada de fazer parte de um país com procedimentos jurídicos plenamente operacionais“, disse.

Procurada pela Folha Online, a editora Matin Claret informou que seu proprietário ainda não foi notificado oficialmente, e que vai esperar a comunicação oficial para tomar a decisão.

Acho que é uma boa vitória da liberdade de expressão consciente, ou seja, daqueles que se identificam e têm responsabilidade pelo conteúdo publicado“, analisa Marcel Leonardi, especialista em direito na internet da Faculdade Getúlio Vargas.

Histórico

No mês passado, a tradutora entrou em outro imbróglio judicial. Desta vez, entretanto, a outra parte era a Editora Landmark e seu sócio-proprietário, Fábio Cyrino, que abriram um processo pedindo a supressão imediata do blog, além de uma indenização de 400 salários mínimos por calúnia e difamação.

Bottman apontou suposto plágio de tradução em duas obras literárias da Editora Landmark, ambas lançadas em 2007: “Persuasão”, de Jane Austen (que teria sido plagiado de uma tradução lançada em 1996 pela editora portuguesa Europa América, feita por Isabel Sequeira), e “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë –cuja tradução original teria sido publicada em 1971 pela já extinta editora Brugueira, sob autoria de Vera Pedroso.

Em seu blog Não Gosto de Plágio , Bottman costuma apontar plágios feitos por editoras e tradutores brasileiros. Ela afirma que tem provas que embasam suas indicações. “O blog é um reflexo do meu trabalho“, afirma. A blogueira diz ainda que tem como comprovar todas as alegações sobre trabalhos fraudulentos.

MARINA LANG | da Folha Online | 31/03/2010 – 18h24

Editoras apostam seu futuro em iPad que nem viram ainda


Editoras de jornais e revistas estão apostando no iPad, da Apple, para dar o arranque em uma forma de transição comercialmente viável para a digitalização de suas publicações –apesar de apenas uns poucos executivos terem chegado a colocar as mãos no aparelho, poucos dias de o produto chegar às prateleiras.

Inclusive, muitos grupos de comunicação provavelmente não anunciarão aplicativos próprios para o iPad enquanto o tablet não chegar às lojas nos Estados Unidos, o que deve ocorrer no sábado, devido a várias restrições de acesso ao aparelho impostas pela Apple sobre seus parceiros.

Embora o conteúdo seja essencial para o sucesso do iPad – um computador tablet de 9,7 polegadas, que mais parece um iPhone gigante que busca integrar o nicho do mercado entre um smartphone e um notebook -, a Apple tem guardado seus planos a sete chaves.

Executivos do setor afirmam ter testado o aparelho ou na sede da Apple, na Califórnia, ou em outro local, mas apenas sob medidas de segurança extremamente restritivas.

“Nos ofereceram a oportunidade de ter um iPad no prédio, mas as implicações à segurança eram tantas que simplesmente não valia a pena”, disse o dono de uma editora que pediu para não ser identificado.

Apenas alguns felizardos receberam pessoalmente o presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, que esteve em Nova York no começo do ano para promover o iPad para grupos como o Wall Street Journal e o New York Times.

Apesar das restrições, a tela colorida sensível a toque do iPad é considerada seu grande diferencial para atrair grupos de comunicação, que há tempos lutam para ganhar dinheiro com conteúdo digital, ao qual a maioria dos consumidores esperam ter acesso gratuitamente, ou, no mínimo, a um preço muito baixo.

Agora, as editoras veem no aparelho uma nova chance para acertar um modelo de negócios eletrônico –além de ganhar maior poder para negociar licenciamento, caso o iPad surja como um rival à altura do Kindle da Amazon.com.

Todos nós sofremos nessa indústria para encontrar um modelo online bem-sucedido em termos de conteúdo e da inclinação do consumidor em pagar por ele“, disse recentemente o presidente-executivo da Penguin Books, John Makinson.

Pessoalmente, acho que o iPad representa uma primeira oportunidade real de criar um modelo de conteúdo pago que será atraente para o consumidor. E acho que a psicologia do conteúdo pago no tablet é diferente da psicologia do conteúdo pago em computadores pessoais.

Trinta por cento da receita da Penguin com vendas de livros digitais para o iPad ficará com a Apple, o que, para Makinson, é melhor que os atuais 50 por cento normalmente cobrados por livrarias e varejistas, incluindo a Amazon.com.

Yinka Adegoke e Georgina Prodhan – Reuters – 31/03/2010

Brasileiros ainda desconhecem livro digital


Os leitores brasileiros ainda não sabem da existência do livro digital e também não sabem como ter acesso a eles. Esse traço do comportamento dos 95 milhões de leitores brasileiros inclui até mesmo os mais jovens, que também o associam muito à internet. Os dados constam da pesquisa Os leitores brasileiros e o livro digital, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura para a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, e divulgada nesta quarta [31], no Congresso Internacional do Livro Digital. Foram realizados oito grupos de discussão em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Recife no início do mês.

A única unanimidade é a aposta dos leitores brasileiros que tão cedo o livro impresso em papel não vai acabar”, afirmou o diretor do Observatório, Galeno Amorim, que coordenou o estudo. Apesar da falta de conhecimento sobre o livro digital, os leitores deixaram claro que a chegada do e-reader será um fator decisivo para vencer a curto prazo a resistência atual da população à leitura nas telas do computador. Entre as vantagens enumeradas, está a grande capacidade de armazenamento – os leitores acreditam que poderão levar sua biblioteca pessoal em viagens, à faculdade e local de trabalho de forma mais simples.

A pesquisa qualitativa mostrou, ainda, que o consumidor brasileiro não está disposto a pagar pelo livro digital. Nas respostas, o raciocínio utilizado é o mesmo para o download de músicas e que acaba gerando pirataria: se está na internet, deve ser gratuito.

Foram entrevistados leitores de livros em papel e em dois dos grupos os participantes eram também leitores de livros digitais. O levantamento constatou que o livro impresso tem um valor muito grande no imaginário coletivo da sociedade brasileira. Para os entrevistados, ele representa o saber, o conhecimento. Por sua vez, o livro digital é visto como mais ecológico, mais barato ou até mesmo gratuito.

Os consumidores, segundo o estudo, não se sentem incomodados por baixar músicas de forma ilegal na Internet. Os entrevistados dizem que música é fugaz e para ser ouvida em grupo. O pensamento muda quando o assunto é livro: para eles, uma obra é para ser lida silenciosa e solitariamente e acrescentam conhecimento. Ainda assim, relutam em pagar para fazer o download. Outro dado encontrado é que poucas pessoas procuram livros digitais na Internet para ler no computador. Alegam dificuldades para a leitura na tela de PCs e notebooks. Os entrevistados querem baixar os arquivos gratuitamente e dizem que se tiverem de pagar o preço deverá ser um quarto do atual preço de capa do livro impresso em papel.

A resistência desaba quando são apresentados aos e-readers, embora estranhem não contar ainda com a tecnologia i-touch. A reação das pessoas é deslizar o dedo pela tela esperando que alguma coisa aconteça, o que mostra como o conceito touch screen já faz parte do inconsciente dos consumidores digitais. A pesquisa mostrou, ainda, que o leitor brasileiro não tem pressa porque viveu uma situação semelhante com os telefones celulares e sabe que as primeiras gerações de novos produtos são mais caras. Para a tradicional pergunta “o livro de papel irá acabar”, as respostas garantem que tão cedo isso não acontecerá. Os mais apegados ao suporte papel têm a certeza que o livro impresso nunca acabará.  Outros acreditam que é uma questão de tempo, décadas ou mesmo anos. Por enquanto os brasileiros preferem os livros impressos e a tendência é uma convivência pacífica com a chegada dos e-readers.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, também coordenada por Galeno Amorim e que resultou em livro publicado pelo Instituto Pró-Livro e Imprensa Oficial, existem 4,6 milhões de leitores de livros digitais no Brasil e 7 milhões que baixam livros gratuitamente pela internet. Eles dedicam, em  média, 97 minutos por semana para a leitura de livros digitais.

Agência de Notícias Agência Brasil Que Lê – 31/03/2010

Imortal digital


Presidente da ABL aprova e-reader em teste entre os imortais

Conforme a coluna Gente Boa, o acadêmico José Murilo de Carvalho enviou e-mail ao presidente da Academia Brasileira de Letras [ABL] Marcos Vilaça aprovando o e-reader em teste entre os imortais: “Gostei. É ideal para ler na cama e fora de casa. Pena que não permita anotações”.

O Globo – 31/03/2010 – Joaquim Ferreira dos Santos

Editoras apostam seu futuro em iPad


Há poucos dias de o produto chegar às prateleiras, poucos executivos tiveram acesso ao aparelho

Editoras de jornais e revistas estão apostando no iPad da Apple para dar o arranque em uma forma de transição comercialmente viável para a digitalização de suas publicações – apesar de apenas uns poucos executivos terem chegado a colocar as mãos no aparelho, poucos dias de o produto chegar às prateleiras. Inclusive, muitos grupos de comunicação provavelmente não anunciarão aplicativos próprios para o iPad enquanto o tablet não chegar às lojas nos Estados Unidos, o que deve ocorrer no sábado, devido a várias restrições de acesso ao aparelho impostas pela Apple sobre seus parceiros. Embora o conteúdo seja essencial para o sucesso do iPad – um computador tablet de 9,7 polegadas, que mais parece um iPhone gigante que busca integrar o nicho do mercado entre um smartphone e um notebook -, a Apple tem guardado seus planos a sete chaves. Executivos do setor afirmam ter testado o aparelho ou na sede da Apple, na Califórnia, ou em outro local, mas apenas sob medidas de segurança extremamente restritivas.

Reuters | 31/03/2010 | Yinka Adegoke e Georgina Prodhan

Singular está dentro do projeto do Haiti


A impressão dos 100 primeiros exemplares do livro 101 histórias pelo Haiti foi garantida pela Singular na tarde de ontem durante o 1º Congresso Internacional do Livro Digital. A Garimpo, que está tocando o projeto cujo lucro será revertido às vítimas do recente terromoto, vai usar esses exemplares para divulgar a obra. Outras duas gráficas estão interessadas em ajudar a imprimir o livro, mas há sempre espaço para quem quiser entrar no projeto. A Gato Sabido já é responsável pela versão digital da obra. Além dessa tiragem inicial, a Singular se comprometeu em cobrar o preço de custo nas impressões que fizer sob demanda. Os revisores e preparadores voluntários estão só esperando o final da tradução para iniciar a parte deles. O lançamento será em maio e a edição brasileira terá mais uma novidade: o prefácio será escrito por Carlos Namoto, vice-presidente para Sustentabilidade do Santander – e autor da Garimpo, que foi recentemente ao Haiti para ajudar na reconstrução do país. Clique aqui e leia mais sobre a iniciativa.

PublishNews | 31/03/2010 | Maria Fernanda Rodrigues

Consultor mostra futuro para além do livro


Para ser bem-sucedida na criação de novos produtos a partir de uma boa história, a editora deve pensar no conteúdo que está recebendo e ver se ele tem abrangência universal e ainda potencial para se transformar em alguma outra coisa. A dica é de Jeff Gomez, diretor da Starlight Entertainment e consultor na área de criatividade de grandes empresas como a Disney e a Coca-Cola. Livros ou filmes, não importa o que vem antes, são veículos restritos. Deles, podem ser gerados jogos de baralho ou de video game, sites, brinquedos e tudo o mais que você for capaz de imaginar. “Trata-se da extensão da marca que amplia o ciclo de vida e o faturamento do conteúdo criativo”, informa. Ele falou sobre narrativas transmedia nesta terça-feira no 1º Congresso Internacional do Livro Digital. “Devemos ter em mente que é a história o que conta para o sucesso de um produto”, diz. A parceria entre autor e editor é ponto de partida para a construção desse novo mundo – que deve ser rico, com passado, presente, futuro e diversos cenários, e a história deve ser divisível. “É um quebra-cabeça onde o público vai juntar as peças. E eles vão se tornar super fãs, ajudando, inclusive, a proteger sua propriedade”. Ele diz que o trabalho é difícil, mas as recompensas “podem ser incríveis”. E alertou: o conteúdo deve acrescentar – e não repetir. No Brasil, Gomez publicou Cultura da convergência (Aleph, 232 pp., R$ 69), já em sua segunda edição.

PublishNews – 31/03/2010 – Por Maria Fernanda Rodrigues

Quem não se comunica…


Arantxa Mellado disse em palestra que as editoras devem estar nas redes sociais para ouvir e falar com os leitores

O recado foi dado por Chacrinha há pelo menos três décadas e nos últimos dois dias o assunto esteve na boca dos participantes do 1º Congresso Internacional do Livro Digital. A advogada espanhola Arantxa Mellado, criadora da Ediciona.com, é entusiasta das redes sociais e afirma que editoras devem ter seus perfis em todas elas, ouvir e responder ao que estão falando de seus livros. Isso porque o que torna o livro um best-seller é a recomendação sistemática, especialmente vinda de pessoas – e não só dos sites das livrarias. “Deixem de perseguir e comecem a seduzir. E não subestimem o poder do Facebook”, diz.

De acordo com ela, os usuários são pouco permissivos com mensagens como “compre”. A informação pode ter a ver com os livros sim, mas não de forma direta. Redes sociais de nichos relacionados aos livros que publica também valem. E lembrou o papel do autor nesse novo cenário: “Hoje ele está tão interessado quanto a editora em divulgar um livro. Somado a isso está o fator ego. Então, podem pedir para eles ajudarem a promover o lançamento no Facebook, por exemplo”.

A advogada lembrou que as pessoas adoram coisas de graça e que está provado que 80% dos que lêem o primeiro capítulo de um livro vão comprá-lo. “Façam sorteios no seu perfil”. Disponibilizar alguns exemplares para que os autores façam o mesmo também pode ser uma boa ideia. Em alguns casos, o escritor já está combinando a venda do livro com a remessa da obra autografada. Qualquer material que se espalhe pela rede é uma boa ajuda: “Vale a pena permitir que o trailer do livro seja postado em blogs, perfis…

Nos blogs, os internautas podem ajudar a escolher a capa ou o título para o livro. Um bom exemplo sobre como considerar a opinião do internauta vem da editora Maeva. Antes do lançamento de um livro, ela mandou 50 exemplares para integrantes de redes sociais literárias lerem e o assunto rendeu muito, e bem, na internet.

O custo disso tudo é a imaginação e algumas horas para montar o perfil no Facebook. O Twitter não pode ser esquecido… seja um perfil pessoal com fins corporativos, como fazem alguns editores, ou seja o perfil da própria empresa. Mas de novo: não tentem vender ou convencer os integrantes das redes a comprarem alguma coisa.

Ela alertou ainda para o fato de que nem todos têm catálogos que se encaixam na rede. Mas quem tiver, não pode perder tempo. Arantxa sugeriu que as editoras não deixem a responsabilidade da alimentação das redes sociais com funcionários despreparados e sem tempo. “Existem os community managers, mas são profissionais caros. Se não der para ter um, deixe a função com algum funcionário que fará exclusivamente isso”. Por fim, deixou o recado: “Não caiam na tentação de apagar ou não responder a um comentário negativo”. E a dica: “Dá para vender livros pelas redes sociais, sim”.

PublishNews – 31/03/2010 – Maria Fernanda Rodrigues

Tecnologia, direitos e sociabilidade em pauta


Segundo dia do Congresso Internacional do Livro Digital reuniu especialistas estrangeiros de diversas áreas do mercado editorial

A vantagem da entrada tardia do Brasil no mercado de livros digitais é que se pode aprender com os erros já superados por editoras e livrarias americanas e europeias. Lá, entretanto, e apesar do crescimento das vendas, as discussões sobre direitos autorais e preços ainda não terminaram, como disseram ontem os participantes do 1º Congresso Internacional do Livro Digital. Mas uma coisa é certa: estamos vivenciando a chegada de uma nova forma de leitura. Essa nova onda chega timidamente por aqui e as perguntas dos brasileiros ainda são muitas e não se esgotaram neste encontro. Por aqui também se peleja para fazer os novos contratos e também se discute a questão dos direitos e dos preços dos livros. Algo feito exemplarmente por grandes editoras que deve ser repetido pelas brasileiras é a participação ativa em todas as redes sociais, sejam elas apenas literárias ou relacionadas aos assuntos abordados em seus livros. Formas de publicação, pirataria e desdobramento do livro em outros produtos também estiveram em debate no segundo dia do congresso.

Para ser bem-sucedida na criação de novos produtos a partir de uma boa história, a editora deve pensar no conteúdo que está recebendo e ver se ele tem abrangência universal e ainda potencial para se transformar em alguma outra coisa, explica Jeff Gomez, diretor da Starlight Entertainment e consultor na área de criatividade de grandes empresas como a Disney e a Coca-Cola. Livros ou filmes são veículos restritos. Deles, podem ser gerados jogos de baralho ou de vídeo game, sites, brinquedos e tudo o mais que você for capaz de imaginar. “Trata-se da extensão da marca que amplia o ciclo de vida e o faturamento do conteúdo criativo”, informa. Ele falou sobre narrativas transmedia e disse que devemos ter em mente que é a história o que conta para o sucesso de um produto.

Calvin Baker, criador do Iceberg Reader, um software de leitura para iPhone, disse que a tecnologia não vai afastar o editor de sua tarefa de mergulhar nos originais e separar o que tem valor. Quanto aos amores e ódios despertados pela nova tecnologia de leitura, disse que nos Estados Unidos já ouviu de um editor que ele não publicará nenhum e-book e de outro que não via a hora de ter os seus. No Iceberg Reader, a pessoa pode ler, postar no Facebook, mandar trechos por e-mail, pesquisar e muito mais. As crianças podem registrar o que acharam da história e a voz fica gravada. Lá, revistas ganham novos formatos e a edição é reconfigurada para o tamanho do aparelho. “Mobile reading cresceu em 100% nos Estados Unidos em 2009”, conta. E faz um alerta: “Cuidado com seus preços. Publicar digitalmente é mais barato”.

O setor livreiro foi representado por Patricia Aranciba, gerente de conteúdo internacional da Barnes&Noble. Ela contou que as vendas de e-books pela rede americana aumentaram em 261% no ano de 2009. Estima-se que haverá 10 milhões de e-readers ativos em 2010. No ano passado a marca era de 3 milhões. Por ora, a maior parte dos livros digitais é lida no computador. Ela falou sobre os problemas enfrentados em seu país. “O pesadelo nos Estados Unidos é que estamos acostumados com conteúdo grátis e as pessoas não querem pagar US$ 10 por isso”. No país, vendiam o aparelho e davam o conteúdo. “Como somos livreiros, não podemos fazer isso e nem vender com os preços da Amazon”.

A rede tem um milhão de títulos e nenhum em português. Mas Patrícia quer corrigir isso. Para entrar lá, as editoras devem ter os direitos da obra, claro, o livro em ePub, o contrato em inglês e a ficha completa do livro para então mandar um e-mail para parancibia@book.com. “Há coisas maravilhosas que estamos experimentando e que depois de 15 minutos já não são mais tão boas. Em dois ou três anos vamos olhar para trás e ver que essas inovações são primitivas”, diz. Ela acredita se evoluirá para a convergência, “mas não sou futuróloga”, brinca

A advogada espanhola Arantxa Mellado, criadora da Ediciona.com, é entusiasta das redes sociais e afirma que editoras devem ter seus perfis em todas elas, ouvir e responder ao que estão falando de seus livros. Isso porque o que torna o livro um best-seller é a recomendação sistemática, especialmente vindo de pessoas – e não só dos sites das livrarias. “Deixem de perseguir e comecem a seduzir e não subestimem o poder do Facebook”.

O canadense Michael Smith, diretor do Fórum Internacional de Publicações Digitais [IDPF], destacou o crescimento gradual do e-book por causa das novas gerações e disse que existem vários formatos de publicação. “Se o título é escolar ou um manual e a editora entende que ele deve ser lido tal como está na versão impressa, então se usa o PDF”. Já o ePub, padrão mais adotado no exterior, dá mais flexibilidade ao texto, que pode ser ajustado à fonte – seja ela uma tela de 16 polegadas ou um iPhone. Ele acredita que este será mesmo o novo padrão, especialmente porque China e Taiwan estão usando isso e porque a maioria dos dispositivos que temos são fabricados em Taiwan.

De acordo com Smith, deve-se mudar o jeito como a editora trabalha a informação e implementar o processo XML do começo ao fim. Ele deixou um conselho aos editores: “Não dá para o mercado editorial ser robusto, sem uma massa crítica de conteúdo. Vocês precisam se adaptar e começar a entregar o conteúdo em diversas línguas, por exemplo”.

Para Diane Spivey, diretora de Contratos e Direitos autorais da Little Brown Group Book, editora de Crepúsculo, cinco verbos devem permear as discussões internas nessas duas áreas das editoras: adquirir, proteger, explorar, licenciar e contratar. E repetiu seu mantra: “Adquira amplamente e licencie estreitamente”. Ela orientou que antes de decidir o que vai entrar no contrato, temos que saber qual é o objetivo daquela aquisição. Disse também que poucos editores podem fazer longas ou publicar em outros territórios. Outros podem e não querem. “São os direitos que nos permitem estar em outros mercados. Se não podemos fazer sozinhos, desistimos? Não, licenciamos. E esses licenciamentos não precisam ser para sempre”.

De acordo com ela, os contratos precisam cobrir em termos digitais tudo o que cobria em termos impressos e deve-se prever tudo o que pode acontecer. “Temos o direito de publicar trechos em blogs? Podemos mandar cópias por e-mail? Podemos liberar trechos para jornais e revistas?”. Tudo deve estar lá. Sobre a entrada de grandes editoras no mercado editorial internacional, disse: “Publicar em outro país não é uma questão de língua”. Ela acredita que o trabalho continuará sendo feito individualmente.

Ninguém vai matar o livro. O futuro vai respeitar o passado”, disse o colombiano Pablo Arrieta, diretor da Monitor Capacitação Digital, em sua palestra performática. Hoje, o consumidor se transformou em produtor, modificador e distribuidor de conteúdo. Ele lembrou que em 1981 Bill Gates disse que 640 Kb seriam suficientes para cada pessoa e comentou que Gutenberg foi o primeiro pirata. Aliás, a boa pirataria é defendida por Arrieta. “Somos todos meio piratas. Gravamos discursos, postamos vídeos, tiramos fotos, compartilhamos coisas”. Ele, inclusive. Arrieta é autor de Leyendo Hipertexto, editado na Colômbia. Sistematicamente o autor disponibiliza trechos da obra em seu site. “Quero dividir isso com o mundo. Quem quer ler o livro rápido e de uma só vez pode comprar”.

Sobre o novo formato do livro, deu o exemplo dos estudantes que não gostam de carregar malas, mas gostam dos seus celulares e podem levar neles os livros que precisam ler. Disse também que os livros impressos vão ser muito bonitos e deu como exemplo a Cosac Naify. Aliás, ele está curioso para conhecer a edição de Alice no país das maravilhas. “Acho que vou querer comprar”.

Vendo que a plateia não estava muito familiarizada com conteúdos literários que vão chegar ao PlayStation, disse: “Como vocês podem dominar alguma coisa se vocês não conhecem as novidades, se não passam um fim de semana com seus filhos?”. E avisou que a molecada nas escolas de design já sabe fazer coisas que a plateia nem sequer imagina e que por isso devem pedir a ajuda dessa nova geração. Apesar de favorável ao avanço da boa pirataria, que é o compartilhamento de informação, repudiu aquela que enche as ruas com cópias não autorizadas de filmes e CDs.

No fim da tarde, em uma mesa reunindo todos os palestrantes, exceto o colombiano, mediada por Ricardo Costa, do PublishNews, Jeff Gomes disse que consegue ver o futuro próximo e aonde estamos indo. “Somos todos contadores de histórias e vocês devem tomar cuidado com o que estão contando. Devem se concentrar mais no conteúdo e menos no veículo”. Ele afirmou que editores têm se preocupado muito com o veículo porque parece que é onde se ganha dinheiro. “A história é a essência do que estão vendendo”.

Patricia Aranciba acha que no Brasil esse começo será melhor. “Se vocês podem lidar com a questão de precificação desde cedo não haverá tanta luta. Vai ser diferente do que tivemos nos Estados unidos, onde a Amazon começou e fez o que pode para ganhar market share”.

O congresso continua hoje e o PublishNews segue com sua cobertura on-line pelo Twitter (@publishnews)

PublishNews – 31/03/2010 – Maria Fernanda Rodrigues

Saraiva entra tranquilamente no negócio do e-book


Em seu favor está a experiência com site de venda e aluguel de vídeos digitais, além de sua liderança no mercado

Apesar de novidade, a entrada da Saraiva na venda de livros digitais não é um terreno desconfortável para a maior rede de livrarias do País. Desde maio de 2009 ela opera um site de venda e aluguel de vídeos digitais, o primeiro da América Latina e que acumula números expressivos: 30 mil downloads e 8 mil clientes. “Esse foi o embrião do nosso negócio com os livros digitais”, disse Marcílio D’Amico Pousada, diretor-presidente da Livraria Saraiva, que participa do 1º Congresso Internacional do Livro Digital na tarde desta quarta-feira.

Em um mês a livraria começa a disponibilizar e-books. Em dois, os brasileiros já poderão encontrar o iPad em suas prateleiras. “Nosso objetivo é abrir uma loja relevante e contamos com a relação construída ao longo desses 95 anos com nossos clientes e fornecedores”, diz. Para montar essa livraria virtual, espelhou-se no exemplo da Barnes&Noble antes do lançamento do Nook.

A ideia de ter seu próprio leitor também povoa os planos da Saraiva, mas Pousada vai deixar a decisão para mais tarde. Por ora, pensa no novo desafio e comemora o faturamento de R$ 1 bi em 2009, os 13 mil pedidos diários e os quase 54 mil seguidores do Twitter, recorde entre as livrarias.

As editoras podem mandar os livros em PDF ou ePub. “Entendemos que é difícil e mais lento publicar em ePub e como todo mundo opera muito bem com PDF vamos receber nesse formato também”. Marcílio ainda não fala em quantidade de títulos nacionais e estrangeiros. A loja tem hoje um acervo de 2 milhões de livros impressos, CDs e DVDs. “E a gente adoraria ter 2 milhões de livros digitais também”. Como ele mesmo diz, não vai ser de hoje para amanhã que todos os livros lançados por aqui estarão disponíveis digitalmente.

Quanto ao preço, imagina que será mais barato que o livro físico. Ele está discutindo isso com as editoras porque considera que toda a cadeia deve ser respeitada. “O consumidor vai buscar conteúdo gratuito e vai querer alguma vantagem naquele negócio, mas não acredito em preços aviltantes”, diz. “A parte de software e interface é toda nossa e também cuidaremos da operação do começo ao fim”, conta. Vale lembrar que a Saraiva investe nas novas mídias desde o ano passado quando criou, em julho, o Saraiva Conteúdo, além, claro, de sua participação exemplar no twitter.

PublishNews – 31/03/2010 – Maria Fernanda Rodrigues

Livraria Cultura vende e-books na web


O internauta pode ver uma lista com cerca de 20 readers

A Livraria Cultura estreia hoje a venda de livros digitais pela internet. São mais de 120 mil títulos importados e cerca de 500 nacionais, compatíveis com diversos leitores digitais. Seguindo o mercado norte-americano, as publicações brasileiras estão em média 20% mais baratas em relação aos livros de papel.

Antes de comprar o livro, o internauta poderá ver, no próprio site da Cultura, uma lista com cerca de 20 readers compatíveis com a tecnologia que utilizamos”, explica o coordenador do departamento de e-books da livraria, Mauro Widman. Os leitores encontrarão compatibilidade com readers da Sony e Nook, por exemplo. No entanto, o Kindle, o leitor mais famoso do mundo, da norte-americana Amazon, não é compatível com os livros da Cultura.

Os arquivos são comercializados em formato PDF e ePub. A Cultura protege os arquivos contra cópia e impressão nos dois formatos, que também podem ser lidos em PC e Mac. Segundo Widman, o ePub seria o mais indicado para leitores de e-book, uma vez que a sua diagramação é feita automaticamente, de acordo com o tamanho da letra, diferente do PDF, que mantém um diagramação fixa e obriga a navegar pela página para realizar a leitura.

Infelizmente, os usuários de iPhone, Blackberry, iPad, Windows Mobile e iPod Touch deverão esperar um pouco para ler os livros digitais. O Digital Rights Management [DRM], tecnologia utilizada pela Cultura para proteção contra cópias criada pela Adobe, ainda não é compatível com esses gadgets. “Reconhecemos que existe um grande público usuário de smartphones. Esperamos resolver esse problema em dois ou três meses”, explica Widman.

Para os que usam sistemas compatíveis com a tecnologia, o processo de compra é bem simples e conta com serviços de apoio que instruem os consumidores a acessar as obras com DRM. “O internauta faz uma compra normal no site. No final do processo, ele recebe um e-mail com o link. Basta clicar e baixar o livro”, diz.

O internauta pode fazer o download pelo link quantas vezes quiser. No entanto, cada cópia será supervisionada pela Adobe, que limita em seis o número de computadores e readers com o arquivo. Se o leitor estiver interessado em adquirir mais cópias, deve entrar em contato com a Adobe, justificar a sua necessidade e, se acatada pela empresa, receberá a licença. Se por algum motivo o computador ou reader perder as cópias, é possível reavê-las entrando em contato com a Adobe.

Inicialmente, a livraria contará com títulos de editoras norte-americanas, como Simon & Schuster, HaperCollins e Penguim. Entre as nacionais, Zahar, Saint Paul e GS & MD. “Temos encontrado dificuldades em conseguir livros digitalizados brasileiros, por isso, um número tão pequeno. Como é tudo muito novo, as editoras ainda não têm a cultura do livro digital. Muitos contratos não chegam nem a citar a permissão para distribuição digital”, confessa Widman.

Perguntado sobre a possibilidade de fabricar um reader próprio da livraria, como o Nook da norte-americana Barnes & Nobles, Wieder afirmou que a Cultura tem interesse em comercializar e já está em busca de um equipamento que cumpra todas as necessidades da empresa. Agora, é só esperar pela disseminação dos leitores – pessoas e equipamentos – digitais no País.

GRATUITO – Para os que ainda estão desconfiados com a nova tecnologia, uma boa maneira de experimentar os e-books e decidir sobre o investimento – o Kindle custa, em média, R$ 1 mil para o brasileiro – é fazer o download de livros gratuitos. A webdesigner Aline França, 30 anos, é uma das internautas que aderiu a essa estratégia. “Sempre tive vontade de comprar o leitor, mas como eles ainda são muitos caros e não são vendidos em lojas brasileiras, acabo baixando os livros e lendo no computador, o que não é muito confortável, porque sempre fico com os olhos cansados”, explica a webdesigner. Aline afirmou também que já pensou em até comprar um netbook apenas para ler os livros digitais.

É possível encontrar na web diversos sites que apoiam a democratização da leitura. Uma das iniciativas mais notórias é o Projeto Gutenberg, que disponibiliza livros digitalizados em português, inglês, francês, alemão, holandês e até finlandês. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. É possível fazer o download gratuito de mais de 30 mil e-books, que podem ser lidos em computadores, iPhones, Kindle, Sony Reader, entre outros dispositivos portáteis. Todos os textos podem ser descarregados nos formatos ePub, Mobipocket, HTML ou texto simples.

Outra opção é o Virtual Books, ligado ao Portal do Terra. A maioria das obras é gratuita e de domínio público, cujos autores já morreram há mais de 70 anos.

Jornal do Commercio | Jessica Souza | 31/03/2010 | 07h46

Apple vê forte demanda pelo iPad, que chega às lojas sábado


O lançamento do iPad, o tablet da Apple, será no dia 3 de abril – nas lojas, porque os applemaníacos mais apressados já fizeram seus pedidos pela internet, que tiveram início em 12 de março. Para o ano, já se fala em vendas acima de seis milhões de unidades. Segundo o blog MacRumors, a Apple já está despachando os aparelhos, mas quem deixou para fazer o pedido agora terá de esperar até 12 de abril, informa a empresa em seu site.

Isso mostra que pode haver dificuldade para atender à demanda dos consumidores. Segundo analistas, a Apple não estaria conseguindo aumentar sua produção devido a gargalos na cadeia de suprimento de componentes.

O iPad tem uma tela de toque de 9,7 polegadas e oferece acesso à internet e conteúdo de mídia, como leitura digital – livros, jornais e revistas -, filmes e jogos. Apesar de na aparência lembrar bastante o celular da Apple, o iPhone, o iPad não tem a função telefone. Ele é considerado o principal lançamento da Apple desde o iPhone, em 2007.

Preços internacionais serão divulgados em abril

Relatório divulgado ontem pelo banco Morgan Stanley estima que a Apple pode vender mais de seis milhões de iPads este ano, informou o jornal britânico “Independent”. O relatório afirma que os fornecedores vão despachar 2,5 milhões de unidades do iPad nos próximos três meses. No ano, seriam entre oito milhões e dez milhões. Com isso, calcula o banco, as vendas aos consumidores devem ultrapassar as seis milhões de unidades, praticamente o dobro das projeções iniciais, entre três milhões e quatro milhões.

O modelo básico do iPad, com WiFi e capacidade de armazenamento de 16GB, custará US$ 499 nos Estados Unidos. A versão de 64GB, que tem conexão WiFi e 3G, sairá por US$ 829. Segundo o “Independent”, os preços para o mercado internacional só serão divulgados em abril. O iPad estará disponível no fim de abril em Japão, Austrália, Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Espanha e Suíça. O aparelho deve chegar a outros países ainda este ano.

No próximo sábado, o iPad estará em algumas lojas dos Estados Unidos, como Best Buy, revendedoras da Apple e livrarias de universidades. A Apple, informou o “Independent”, colocará nas lojas, à disposição dos clientes, um serviço gratuito de configuração do iPad.

O serviço vai englobar instruções para baixar aplicativos, personalização da tela e configuração de e-mail. A ideia é permitir que os usuários obtenham o máximo de seus aparelhos. Repetir sucesso de iPod será desafio para novo aparelhoMuitos analistas, porém, acham melhor esperar a euforia passar para julgar os méritos do iPad. Gene Munster, da consultoria Piper Jaffray, disse ao “New York Times” que, na realidade, a utilidade do iPad para o consumidor vai depender dos aplicativos que forem instalados no aparelho.

Outros chamam a atenção para o risco de canibalização dentro da própria Apple. Segundo o “Times”, um consumidor pode decidir pagar US$ 499 por um modelo básico de iPad em vez de US$ 999 por um laptop MacBook.

O iPad também terá uma árdua tarefa pela frente: repetir o sucesso de iPod e iPhone. Michael Abramsky, analista da RBC Capital Markets, ressaltou ao “Times” que a Apple terá de convencer o consumidor que pensa em comprar um e-reader ou um netbook, ambos com funções similares às do iPad. “Se eles conseguirem convencer essas pessoas, indo para além dos fãs que fazem fila para tudo, há potencial”.

O Globo – 30/03/2010

Só na faixa


Pesquisa aponta os desafios para o mercado de livros digitais no País

Uma pesquisa qualitativa feita com leitores nas cidades de SP, Rio, Porto Alegre e Recife pela Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Imprensa Oficial de SP apontou que os desafios para o mercado de livros digitais no País são enormes. Dos oito grupos consultados, em apenas dois as pessoas consumiam obras em versão digital. Conforme Mônica Bergamo, os leitores também disseram que, assim como acontece na música, não se incomodariam em baixar livros ilegalmente – e não se mostraram muito dispostos a pagar para ler. Os dados serão apresentados nesta quarta-feira no 1º Congresso Internacional do Livro Digital, em SP.

Folha de S. Paulo – 30/03/2010 – Mônica Bergamo

Livro na mão, ação!


Festival BiblioFilmes 2010 está com as inscrições abertas até o dia 16 de abril

Estão abertas até o dia 16 de abril as inscrições para o BiblioFilmes 2010. O festival está na sua 3ª edição e traz um desafio para os amantes de livros e bibliotecas: façam um “filme” em que contem a sua história e provem o quanto gostam da sua biblioteca e/ou de livros. Para participar, os interessados podem se inscrever na categoria “BiblioFilmes”: concurso de vídeos através do YouTube, sempre com o limite de tempo de 3,14 m, “Prêmio Trailer de Livros”: especialmente dedicado às editoras de livros, mas também a autores e leitores, e “Curta BiblioFilmes”: curtas-metragens sobre/inspiradas em livros e bibliotecas, até 30 minutos. O anúncio dos vencedores será feito no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro. Outras informações sobre o Festival e como participar podem ser conferidas através do site do BiblioFilmes.com.

PublishNews – 30/03/2010 – Redação

Apple aposta em seu iPad


Novidade chegará às lojas no próximo sábado

O lançamento do iPad, o computador tablet da Apple, será no próximo sábado, dia 3 de abril – nas lojas, porque os applemaníacos mais apressados já fizeram seus pedidos pela internet, que tiveram início em 12 de março. Para o ano, já se fala em vendas acima de seis milhões de unidades. Segundo o blog MacRumors, a Apple já está despachando os aparelhos, mas quem deixou para fazer o pedido agora terá de esperar até 12 de abril, informa a empresa em seu site. Isso mostra que pode haver dificuldade para atender à demanda dos consumidores. Segundo analistas, a Apple não estaria conseguindo aumentar sua produção devido a gargalos na cadeia de suprimento de componentes. O iPad tem uma tela de toque de 9,7 polegadas e oferece acesso à internet e conteúdo de mídia, como leitura digital – livros, jornais e revistas -, filmes e jogos. Apesar de na aparência lembrar bastante o celular da Apple, o iPhone, o iPad não tem a função telefone.

O Globo – 30/03/2010 – Redação

Experimentar é palavra de ordem no mundo digital


Diretor da Feira de Frankfurt diz que todas as ferramentas são gratuitas e que as editoras não devem ter medo de errar neste início da era do livro digital

O mercado editorial não é mais uma indústria isolada. Estamos no negócio do conteúdo que se move on-line. Temos que experimentar, conversar e ser flexíveis. A maioria das ferramentas é gratuita. Se tentar e falhar, é só tentar novamente”. Foi com essa ideia que Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt e um dos homens mais influentes no mundo editorial, abriu na noite desta segunda-feira, em São Paulo, o 1º Congresso Internacional do Livro Digital.

Ao PublishNews, ele disse que o fato de o Brasil ter boa parte de suas editoras sob administração familiar pode ser um entrave para essa transição para a era digital. “Vai demorar mais para elas se adaptarem e experimentarem, mas acho que não vão se arrepender”.

Ele destacou ainda que São Paulo é muito simpática a mídias sociais, muito mais que a Alemanha, e que as editoras devem capitalizar isso para se aproximarem de seus clientes.

Sobre o e-reader, disse que para alguns profissionais, como os editores, eles serão uma ótima ferramenta de trabalho. “Imagine todos os originais ali naquele aparelho… Não tem mais volta”. Mas ressaltou que o celular, porque combina todas as mídias, é o futuro. “Não quero ficar carregando um aparelho desse tamanho”, disse Boos mostrando seu leitor muito menor que o Kindle ou o iPad.

Ele tranquilizou ou editores: “A atenção é a nova moeda on-line e o que nos distingue é a seleção do melhor conteúdo”. “Vocês já fizeram isso antes. Já identificaram seu público-alvo, já aprenderam a selecionar o conteúdo. Elegem um livro porque o consideram divertido, educativo… Ninguém melhor que vocês para escolher isso, mas em como todo relacionamento devem ouvir o outro lado”.

Boos contou que a cada minuto, 24 horas de vídeos são colocados na internet e que 42 mil novos blogs são criados todos os dias. As pessoas estão se expressando mais e as ferramentas de publicação e de criação de conteúdo estão disponíveis a todos. Hoje, ao invés de só ler, a pessoa pode escrever e até vender seu próprio livro. De acordo com ele, a concorrência é maior, mas o público também.

Ele disse que nesse novo modelo a distribuição não será mais um problema. “Não temos que convencer um livreiro japonês a comprar nossos livros. Vendemos direto para quem quer comprar”.

Há ferramentas gratuitas que podem ajudar a aproximar editoras e clientes, como o Google Analytics”, destacou Boos. “Como é que a Amazon consegue indicar livros para mim?”, brincou. Para ele, ter esses resultados ajuda na hora de criar e adaptar, por exemplo, textos de marketing.

Sobre o Twitter e Facebook, a febre do momento e cujo crescimento é assustador – só o Facebook ampliou em 1000% o número de usários em 2009 -, disse que são usados para conversar com seu cliente, mas que as redes sociais não devem ser focadas apenas na venda e no marketing, apesar de serem boas para isso também. Elas são, sobretudo, ferramentas de relacionamento porque permitem uma maior interação entre os públicos.

Boos lembrou que a Paulo Coelho construiu um produto a partir de conteúdo gerado por seus fãs na internet. E não gastou nada. Os fãs, aliás, são grandes aliados do mercado editorial. “Por iniciativa deles – talvez motivados por marketeiros e editores, conteúdos sobre determinado livro são gerados na internet e viram febre”.

Falou também sobre o triângulo amoroso entre editora, cliente e autor, uma relação que como qualquer outra só funciona quando os lados se ouvem e sabem o que o outro quer.

Outro assunto preocupante, a pirataria foi abordada pelo palestrante longe no palco. “Pirataria vai existir sempre. O que precisamos é educar as pessoas e informá-las de que direitos autorais devem ser pagos. É uma questão política”.

Por fim, alertou que tecnologia e formatos aparecem o tempo todo e também mudam o tempo todo. Ao migrar para a publicação digital devem pensar nisso para não ficar refém de coisas ultrapassadas. “Seu conteúdo deve ser flexível”. Disse que “o português brasileiro é uma das línguas do futuro” e deixou um recado às livrarias: “As pequenas que se especializarem vão encontrar o seu caminho e não terão concorrentes”.

CBL

Rosely Boschini, presidente da CBL, estava feliz com a grande adesão de editores ao encontro. “Tínhamos uma média de 150, 200 participantes nas outras edições do Encontro Anual de Editores e Livreiros, mas agora com o congresso chegamos a um número perto de 550 pessoas”, disse.

A discussão sobre o livro digital é um começo de conversa no Brasil. “Mas uma discussão importante porque se não começarmos a nos preparar, vamos perder muito tempo especialmente porque se trata de tecnologia”.

Ela disse que com esse debate “saímos do lugar comum e vemos que tem vida além desse mundinho que vivemos”.

Imprensa Oficial

Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, organizadora ao lado da CBL e da Frankfurter Buchmesse deste primeiro encontro sobre o livro digital, vê o e-book como um forte apelo para conquistar mais e mais leitores. “Não importa se em papel ou digital, mas o livro tem que ganhar novos públicos.

Sobre a impressão de livros, disse: “Continuaremos fazendo edições cuidadosas, mas não posso deixar de festejar os 33 mil internautas que fizeram download dos livros da Coleção Aplauso. Em dezembro de 2009, a Imprensa Oficial criou um site especialmente para essa coleção – de biografias de artistas, cineastas e dramaturgos brasileiros, roteiros de filmes e peças de teatro – onde qualquer pessoa pode ler ou fazer o download dos livros gratuitamente.

O PublishNews está fazendo a cobertura on-line pelo Twitter [@publishnews] com a tag #livrodigital. Fotos da abertura podem ser vistas na galeria de imagens.

PublishNews – 30/03/2010 – Maria Fernanda Rodrigues

Vai começar o Congresso do Livro Digital


No Brasil, livrarias como a Gato Sabido, Cultura e Saraiva saem na frente e investem no e-book muito antes de as editoras terem certeza do melhor caminho para entrar nesse novo negócio. A hesitação é sentida por essas livrarias que oferecem, ou estão prestes a oferecer, muito mais livros em inglês do que em português [relação de 100 mil para 800, na pioneira Gato Sabido].


Direitos autorais de livros antigos ou novos, digitalização, pirataria, formas de publicação, distribuição, venda, preço e o que faz um bom e-reader são algumas das questões ainda não respondidas nem nos Estados Unidos e países da Europa, onde o e-book já é uma realidade. Aqui, considerando que cada brasileiro lê em média 4,7 livros de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil [e isso inclui o que é exigido pelas escolas, tornando o valor ainda mais baixo quando saímos do ambiente escolar – apenas 1,3 livros por habitante], acrescentaríamos ainda uma outra questão: Para quem vamos lançar os livros digitais?


De hoje até quarta-feira, editores brasileiros se reúnem com especialistas estrangeiros para tentar entender o momento vivido pelo mercado editorial com seus desafios e oportunidades. O I Congresso Internacional do Livro Digital é organizado pela Câmara Brasileira do Livro, Frankfurter Buchmesse e Imprensa Oficial. Já na abertura, Juergen Boos, diretor da Feira de Frankurt, fala sobre “A nova era de ouro das editoras”.



PROGRAMAÇÃO



29/03


18h30 – 19h30: Cadastramento


19h30 – 20h30: Palestra de abertura [Juergen Boos]


20h30 – 21h30: Coquetel


30/03


8h00 – 9h30: Cadastramento


9h30 – 10h15: O poder do Transmedia Storytelling [Jeff Gomez]


10h15 – 11h: Publicação no Século 21- Conteúdo móvel conquista o mundo [Calvin Baker]


11h – 11h30: Coffee Break


11h30 – 12h15: Criação, conversão e distribuição – Desenvolvendo uma estratrégia para livros digitais que funciona [Patricia Arancibia]


12h15 – 13h: Como usar as ferramentas de mídia social no mercado do livro [Arantxa Mellado]


13h – 14h30: Almoço


14h30 – 15h15: Novos formatos e players – Um mapeamento de mercado [Michael Smith]


15h15 – 16h: Os contatos de amanhã – como lidar com os direitos autorais no futuro [Diane Spivey]


16h – 16h30: Coffee Break


16h30 – 17h15: Chegamos ao ponto de desequilíbrio? [Todos os palestrantes]


17h15 – 18h: Atenção: o que foi concluído até agora? [Pablo Arrieta Gomes]


31/03


9h-11h: O livro do futuro [Aníbal Bragança, Claudio de Moura e Castro e Fredric Litto]


11h-11h30: Coffee Break


11h30-12h30: Apresentação da pesquisa sobre o hábito do consumidor de conteúdo digital [Rosely Boschini, presidente da CBL, e Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial]


12h30-14h: Almoço


14h-17h30: E o Brasil nesse contexto? [Jorge Carneiro, Guy Gerlach e Marcílio Pousada]


17h30-18h30: O marketing do livro e a realidade digital [Sergio Valente]


18h30-19h30: O impacto econômico das tecnologias de informação e comunicação [Sílvio Meira]


PARTICIPANTES


Calvin Baker é co-criador do “Iceberg Reader” e diretor chefe de conteúdo da ScrollMotion, Inc. Antes de ingressar em tecnologia, trabalhou como jornalista para jornais e revistas incluindo “People and Life”. Ele também trabalhou para a JPMorgan, subordinado do CEO, antes de ingressar nas faculdades de Columbia University e Bernard. Já escreveu três romances. O mais recente, Dominion [Grove, 2006], foi um sucesso crítico e finalista para o Prêmio Hurston-Wright.


Marcílio D’Amico Pousada é diretor presidente da Livraria Saraiva. Especialista no ramo de varejo, o executivo colocará à disposição dos participantes sua experiência obtida na carreira iniciada na C&A. Ele também trabalhou como diretor comercial do WalMart e foi um dos responsáveis pela implementação de toda a área comercial do site de compras Submarino. Também foi o fundador e presidente da Officenet, participando efetivamente da venda da empresa para a Staples, a maior empresa no mundo em venda de papelaria e informática. Atualmente, Marcílio está à frente dos negócios da Livraria Saraiva. Líder de mercado, faturou, só no ano passado, R$ 827,3 milhões.


Juergen Boos é um dos homens mais influentes no mundo editorial e diretor da Feira do Livro de Frankfurt. No comando do grupo alemão desde 2005, atuou antes como diretor-executivo de marketing, vendas e distribuição de Wiley-VCH Verlag. Em seus 26 anos de experiência na indústria editorial, ele passou pela Lange & Springer / Springer Verlag e pela Literarischer Verlag Carl Hanser Verlag, trabalhando como diretor de vendas.



Diane Spivey é a diretora de Contratos e Direitos Autorais da Little Brown Group Book, editora que publica os livros de Stephanie Meyer, autora da saga Crepúsculo. Diane atua na área do livro há cerca de 30 anos e já trabalhou em empresas como Simon & Schuster UK, Harrap, Methuen e Hodder and Cassel.


Norte-americano radicado no Brasil desde 1971, Fredric Michael Litto é especializado em educação à distância e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Ele também coordena a Escola do Futuro, um laboratório de pesquisa que investiga as novas tecnologias de comunicação em aplicações educacionais [www.futuro.usp.br]. Além disso, preside a Associação Brasileira de Educação a Distância [www.abed.org.br].


Michael Smith tem mais de 20 anos de experiência no setor livreiro e é considerado uma das fontes mais preparadas para falar das novas tecnologias para o setor. Ele é o diretor executivo do Fórum Internacional de Publicações Digitais [IDPF na sigla em inglês], entidade que reúne a indústria de publicações digitais [e-book].


Pablo Francisco Arrieta Gomez fundou e é o principal executivo do Monitor Capacitação Digital. O colombiano presta consultoria para empresas como Macromedia, Adobe, Wacom e Nokia e atua, desde 2000, como professor na Pontifícia Universidade Xavieran, em Bogotá; na Faculdade de Comunicação, onde possui três cadeiras relacionadas com a criação digital, e também na Faculdade de Arquitetura, onde o cruzamento entre a tecnologia digital, urbanismo e design são analisados.


Sérgio Valente é o presidente da DM9DDB e representará o mercado publicitário no congresso. Formado em Engenharia Civil e Administração de Empresas, começou na carreira de propaganda aos 21 anos, em Salvador. Após figurar cinco vezes na lista dos redatores mais premiados no Norte/Nordeste, mudou-se para São Paulo em 1992. Na DM9 participou da criação de campanhas para clientes como a cerveja e guaraná Antarctica, o “i digital” do Banco Itaú e o lançamento da marca Telefônica no Brasil.



A Barnes&Noble, uma das maiores livrarias dos Estados Unidos, será representadada no congresso pela gerente de conteúdo internacional para o setor digital do Grupo Barnes & Noble.com, Patricia Arancibia. Ela dirigiu a área de relações internacionais com empresas, editores e agências governamentais de cultura. Em sete anos de experiência na B&N.com, ela atuou como gerente de publicidade para livros e e-books.



Jeff Gomez, CEO da Starlight Runner Entertainment, é um pioneiro na narrativa transmedia, e também um reconhecido expert ementretenimento. Como consultor de criatividade para empresas presentes à lista da Fortune 500, ele contribui para o planejamento estratégico e a produção na instalação de conteúdo cross-midia. Gomez é membro da Liga de Produtores da América Leste e ocupa uma cadeira no conselho da PGA New Media. Tanto ele como sua empresa Starlight Runner foram foco de matérias recentes nas revistas Forbes, Business Week, Variety e no The Wall Street Journal. Ele é autor de Cultura da convergência [Aleph, 232 pp., R$ 69], já em sua segunda edição.


A espanhola Arantxa Mellado é advogada atuante no mercado editorial internacional. Responsável pela criação da “ediciona.com”, um dos mais importantes espaços virtuais de encontro do mundo literário com mais de sete mil usuários, dedica-se a uma empresa de serviços editoriais, o que permitiu vislumbrar as oportunidades de negócios a serem exploradas pelo setor. Mellado também dirigiu o departamento editorial Emecé e Salamandra e fundou a Borealia, empresa de serviços editoriais que produziu dezenas de livros para vários editores.


O professor Silvio Meira possui graduação em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e mestrado e doutorado em Ciências da Computação. Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Engenharia de Software, atuando nos seguintes temas: reuso de software, sistemas de informação, software livre, redes sociais, performance, métricas e qualidade em engenharia de software. Ele é cientista-chefe do C.E.S.A.R – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. Desde 1996, o C.E.S.A.R interliga centros de inovação numa rede de conhecimento que realiza projetos de desenvolvimento conectados ao futuro, com qualidade e agilidade.


Guy Gerlach é presidente da Pearson Education do Brasil desde 2002. Exerceu o mesmo cargo na Macmillan Publishers, Argentina, e foi diretor regional da Heinemann para a América Latina. Iniciou sua carreira no Brasil como professor e, há 25 anos, atua em editoras educacionais. Em 2005, sob sua direção, a Pearson lançou a Biblioteca Virtual, um acervo de livros universitários digitalizados que podem ser acessados via Internet, que hoje é adotada por várias das principais instituições de ensino superior do país.


Formado em Economia pela UFMG e mestrado pela Universidade de Yale, Claudio de Moura Castro iniciou programa de doutoramento na Universidade da Califórnia em Berkeley, terminando na Universidade de Vanderbilt [em Economia]. No exterior, foi chefe da Divisão de Políticas de Formação da OIT [Genebra], economista senior de Recursos Humanos do Banco Mundial, passando para o BID como Chefe da Divisão de Programas Sociais. Ao aposentar-se do BID em fins do ano 2001, assumiu a posição de presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, permanecendo até a metade do ano 2009. Atualmente é assessor especial da presidência do Grupo Positivo. Autor de mais de 35 livros e mais de trezentos artigos científicos, é articulista da revista Veja.


Aníbal Bragança é historiador e professor da Universidade Federal Fluminense. É autor de Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia [Edusp, 248 pp., R$ 40]. Foi livreiro e editor e pesquisa sobre a leitura e a cultura letrada no Brasil.


PublishNews – 29/03/2010 – Por M.Fernanda Rodrigues

A edição é o livro


Chega às lojas dos Estados Unidos no próximo dia 3 de abril o iPad, o aguardado tablet da Apple, a combinação de notebook com leitor digital [e-reader]. Esse aparelho, assim como outros do gênero, tenta ser uma opção à relação secular mantida pelo homem com os livros impressos desde a invenção da prensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg, no século XV.

Com a proliferação dos livros eletrônicos, o processo de impressão física está em via de extinção? Para discutir o impacto das novas tecnologias no setor, a Câmara Brasileira do Livro, em parceria com a Imprensa Oficial, convidou especialistas no assunto para participar do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, realizado em São Paulo de 29 a 31 de março.

Um dos palestrantes é Juergen Boos, diretor da Feira de Frankfurt, o maior e o mais importante evento do mercado mundial de livros. Na semana passada, dias antes de sua visita ao Brasil, Boos falou ao repórter Luís Guilherme Barrucho.

O IMPACTO DOS E-READERS

O mercado de livros já passou por uma série de mudanças na história. O tempo em que elas ocorrem, entretanto, tem sido cada vez menor. Essas transformações sempre impuseram novos desafios ao setor, mas recentemente se tornaram mais visíveis, porque nos obrigam a encontrar maneiras de oferecer ao leitor os mais diversos conteúdos. Com os dispositivos eletrônicos móveis e compactos, temos a oportunidade de atrair um novo tipo de leitor. Existe uma complementaridade entre entretenimento e educação. A proposta dos livros digitais é, dessa maneira, diferente da dos livros físicos, que devem continuar a existir. Acredito que, daqui para a frente, haverá maior quantidade de conteúdo sendo utilizada em meios diferentes, tanto físicos quanto eletrônicos. Teremos outras plataformas para a leitura que não se restrinjam à forma impressa.

AS NOVAS LIVRARIAS

Há duas maneiras de garantir a sobrevivência das livrarias. A primeira é que elas não se limitem ao comércio de livros. É preciso transformar o espaço de venda em um centro de entretenimento com múltiplas ações de marketing. Nesses locais, seriam vendidos produtos relacionados ao autor, por exemplo. A segunda é que elas devem migrar seus negócios para a área digital, procurando oferecer serviços de alta qualidade.
Qualidade é algo que ainda falta na internet. Na Amazon, por exemplo, os leitores podem postar comentários sobre os livros que compraram. Antes de qualquer coisa, entretanto, é preciso entender os assuntos de que eles mais gostam, direcioná-los para o que querem comprar e tornar essa experiência mais fácil e rápida. Uma das maneiras de assegurar essa qualidade é por meio das editoras e das livrarias. Quanto mais formas de acesso ao conteúdo, maior a necessidade de ter instâncias que filtrem esse material e assegurem ao leitor a qualidade do que está sendo produzido. Esse já é o papel atual das editoras e continuará sendo por muito tempo.

RELAÇÃO COM OS AUTORES

O conceito de autoria já não é mais o mesmo. Antigamente, somente literatos ou jornalistas podiam emitir opiniões sobre os acontecimentos mais marcantes da sociedade. Hoje, todos podem se manifestar com facilidade inédita, graças à internet. Esse processo tem sido liderado pelos mais jovens, que já nasceram na era digital. Acredito que muitos desses escritores “virtuais” formarão a nova safra de autores. Caberá às editoras identificar esses talentos. Não será surpreendente ver, com muito mais assiduidade, autores que iniciaram sua atividade na internet. Mas isso não prescinde de um forte exercício de editoração. Haverá mais autores, muitos deles amadores, que necessitarão de uma atenção especial das editoras. É preciso assegurar a confiabilidade daquilo que se lê. Por outro lado, temos visto casos em que grandes nomes dispensam a intermediação das editoras na venda de seus livros digitais. Paulo Coelho é um exemplo. O autor brasileiro negociou recentemente um contrato com a Amazon, sem interferência da editora da versão física de seus livros. Mas ainda é um caso raro. Não tenho certeza de que isso será uma tendência. Mesmo que esse tipo de relacionamento comercial vingue, acredito que somente será popular entre aqueles de maior vendagem.

PERENIDADE DOS LIVROS

Não acredito na morte dos livros em papel. Simplesmente porque o ato da leitura não é o mesmo, quando feito em leitores digitais. Ler um livro em papel requer uma habilidade especial. A começar porque se leva, pelo menos, meia hora para entender minimamente um contexto. Além disso, há uma forte conexão física entre o leitor e o livro. Essa relação se altera no mundo virtual. Na internet, é comum que se bus-quem informações breves, para ser absorvidas num menor tempo possível. Essa falta de profundidade não se deve apenas ao tipo de plataforma em questão, mas também ao tipo de conteúdo produzido para esse fim. Há alguns fatores que, na minha opinião, permitem uma imersão mais profunda na leitura em papel. O primeiro deles é o próprio hábito. Em segundo lugar, a leitura significa mais do que simplesmente obter informação; representa a essência da alfabetização em seu significado amplo. Ou seja, a possibilidade de não apenas ler as palavras impressas no papel, mas entender o contexto, aprofundar-se nele, refletir e formar uma opinião. Os livros impressos exigem mais, intelectualmente, dos leitores.

O PAPEL DAS FEIRAS

As feiras de livros vão continuar a existir, mas de um jeito diferente. Elas serão mais parecidas a festivais, tais como os grandes concertos de música, e terão grande potencial de crescimento. O contato entre autores, editoras e público continua sendo vital. Os leitores querem conhecer os autores de perto. Por isso, não imagino que teremos feiras virtuais.

O BRASIL EM FRANKFURT

A cada ano, temos um país como nosso convidado de honra em Frankfurt. Na feira deste ano, em outubro, será a Argentina. O país foi escolhido, entre outros motivos, pela imigração europeia. Nossa intenção também foi pôr em destaque a língua espanhola e a cultura hispânica. O Brasil foi homenageado em 1994 e deve voltar a sê-lo em 2013. Mas isso ainda está em negociação e esperamos selar o contrato nas próximas semanas.

Luís Guilherme Barrucho – Veja – 29/03/2010

Vaticano: Biblioteca entra na era da Internet


Biblioteca começa a digitalizar seus 80 mil manuscritos religiosos

A Biblioteca Apostólica do Vaticano, fundada em 1475, começou a digitalizar seus 80 mil manuscritos religiosos em um projeto que deverá levar dez anos para ser concluído, informou ontem o responsável pela Biblioteca, Cesare Pasini.

Esta será a primeira vez que todos os manuscritos serão fotografados para serem disponibilizados na internet. Ao todo serão 40 milhões de páginas, todas em alta definição.

A biblioteca abriga 1,6 milhão de textos e 80 mil manuscritos. Entre suas joias destacam-se o antigo Codex Vaticanus, o mais completo códice da Bíblia grega, ou a “Topografia cristã”, desenhada por Cosma Indicopleuste, em 518, primeiro geógrafo cristão, que descrevia a terra perfeitamente plana e unida ao céu por suas bordas.

Estado.com | 29/03/2010

30 mil livros gratuitos


Mais de 30 mil livros clássicos, em domínio público, serão disponibilizados na iBooks Store no dia 3 de abril. O dia marca não só o lançamento do iPad  como o anúncio oficial da parceria da entre a Apple o Projeto Gutenberg, uma iniciativa voluntária de digitalização de livros com o copyright expirado.

De acordo com uma foto do aplicativo da iBook Store, a loja virtual de e-books lançada junto com o tablet, as obras serão oferecidas gratuitamente. Além disso, todos os livros serão livres de DRM, a trava anticópias que o próprio iTunes deixou de lado em 2009.

De qualquer maneira, você nem precisa do iPad: todos os livros do projeto estão disponíveis na internet, no site oficial da iniciativa.

Estado.com – 29/03/2010 – Rafael Cabral

Biblioteca Britânica disponibiliza versão digital do manuscrito de “Alice”


Escrito e ilustrado por Lewis Carroll, manuscrito pode ser lido na internet

A Biblioteca Britânica disponibiliza agora o manuscrito de “Alice no País das Maravilhas”, em versão digital. O leitor terá acesso ao original da história, escrito e ilustrado por Lewis Carroll, pseudônimo do professor de matemática e diácono inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898).

A história da menina, que entra na toca do coelho e se perde em um mundo cheio de fantasias, surgiu em 1862, enquanto Carroll divertia as irmãs Lorina, Alice e Edith Liddell com a narrativa oral. Alice, com dez anos, pediu que ele escrevesse a história. Tocado pelo singelo pedido da menina, o matemático compôs o volume com 37 ilustrações e entregou o livro para a garota em novembro de 1864.

Alice leiloaria anos depois o volume, que foi comprado por um colecionador americano, mas retornou para a Inglaterra em 1948 quando um grupo de benfeitores o apresentou para a Biblioteca Britânica.

Para publicar, Carroll reescreveu a história e removeu algumas das referências pessoais que fez à família de Alice. Adicionou dois capítulos e lançou o livro com ilustrações do artista John Tenniel (1820-1914).

A toca do coelho em evidência

A obra está mais do que em evidência por conta da adaptação de Tim Burton que deve estrear nos cinemas brasileiros em abril. A versão cinematográfica terá Johnny Depp no papel do Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha e Anne Hathaway como a Rainha Branca.

Segundo o ranking divulgado no último sábado (20) pelo caderno “Ilustrada”, da Folha de S.Paulo“Alice” é o quinto livro mais vendido na categoria ficção. Este volume reúne duas histórias, as “Aventuras de Alice no País das Maravilhas” [1865] e sua continuação, “Através do Espelho e o que Alice Encontrou por Lá” [1871]. Com ele, o leitor poderá tatear os belos desenhos de Tenniel.

Alice no nosso país

A intencionalidade existente no romance diverge da presente em contos infantis. Carroll apronta uma armadilha simples e de fácil captação a todos desde a primeira fala da menina: “Porque eu não sou, está vendo?”.

Alice se empenha no absurdo e não no convencional para contar sua estória, e se utiliza de um jogo de significados baseado na linguagem. A menina sofre várias mudanças após entrar na toca do coelho –metamorfoseia-se em coisa e em criança que se esconde, mas governa o mundo.

Quando toma consciência de que precisa ser, torna-se um adulto/objeto das ferramentas perniciosas do mundo. Deixa de atentar ao absurdo, porque cresce e morre duplamente. Carroll comprova por esta hipótese a própria mobilidade de sentidos que sua narrativa assume.

Livraria da Folha | 28/03/2010 | 16h19

Cultura e Saraiva vão entrar no mercado de e-book


A partir desta terça, Cultura passa a vender e-books em seu site.

Já a Saraiva promete até colocar um e-reader próprio no mercado

Os próximos capítulos dos ebooks no Brasil serão escritos pelas livrarias Cultura e Saraiva. A primeira vai oferecer, a partir de terça-feira, mais de 120 mil títulos internacionais e 500 nacionais em formato digital. Os números são bem similares aos da Gato Sabido e reforçam a postura acanhada das editoras em relação ao e-book. Já a livraria Saraiva não estabeleceu uma data, mas promete levar aos consumidores não apenas os livros, mas um e-reader que vem sendo desenvolvido pela empresa, nos próximos dois meses. Segundo o diretor presidente da Saraiva, Marcílio D‘Amico Pousada, o momento é de finalização de contratos. “Estamos muito preocupados em fornecer uma boa experiência para o leitor e em preservar todo o processo produtivo desta cadeia, com lucros para o autor, a editora e para nós. Queremos chegar mais perto do que a Amazon faz”, afirma Pousada, explicando que o leitor de e-books desenvolvido pela Saraiva será compatível ePub e PDF, dois formatos populares do mercado.

O Globo – 26/03/2010 – André Miranda e Thaís Britto

Editora hesita, mas livraria investe no e-book


Carlos Eduardo Ernanny fez carreira no mercado financeiro. Como muitos antes dele, resolveu deixar investimentos de lado ao fazer 30 e poucos anos e abriu um novo negócio. Montou a livraria virtual Gato Sabido, a primeira — e até agora única — a trazer para o Brasil um leitor de e-books e oferecer títulos para seus clientes. Sua aposta é que o livro virtual vai, aos poucos, substituir o físico. Mas Ernanny, ao menos por enquanto, não tem muita companhia neste páreo no Brasil. A Gato Sabido oferece apenas 850 obras nacionais, contra mais de 100 mil Estrangeiras. “Eu já me reuni com todas as grandes editoras brasileiras. Um editor chegou a aceitar a proposta, mas depois me ligou dizendo que iria esperar para negociar em bloco”, diz Ernanny. Lançada há um ano, a Gato Sabido foi a primeira empresa nacional a acreditar e aderir a uma tendência que vem se firmando no mundo. A editora Globo já indicou que vai oferecer livros pela Gato Sabido. A Ediouro também começou a colocar suas obras no site, como O seminarista, de Rubem Fonseca, e Sherlock Holmes — Edição completa, de Arthur Conan Doyle, ambas pelo selo Agir. Mas a empresa planeja outra abordagem para o formato do livro digital. A Ediouro criou a loja virtual Singular, que pertence ao grupo, mas é independente, para vender e-books de diversas editoras. Newton Neto, diretor geral da Singular, garante que já na semana que vem serão 100, e, até o fim do ano, mil e-books do catálogo da Ediouro disponíveis para venda — não apenas na Singular, mas em outras lojas, como Amazon, Livraria Cultura e a própria Gato Sabido.

O Globo – 26/03/2010 – Por André Miranda e Thaís Britto

Os leitores brasileiros e os livros digitais


Como reagem os leitores do Brasil diante de um livro digital na tela do computador? E será que a reação dele muda quando é apresentado a ele qualquer um dos modelos de e-reader que vêm por aí? Vale a pena dar uma olhadela nos resultados da pesquisa Os Leitores Brasileiros e o Livro Digital, que o Observatório do Livro e da Leitura fez para a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Câmara Brasileira do Livro. O resultado será apresentado na quarta  [31/3], durante o Congresso Internacional do Livro Digital, em São Paulo.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura – De 26/03/2010

Livraria digital vende mais de 100 mil obras


Carlos Eduardo Ernanny fez carreira no mercado financeiro. Como muitos antes dele, resolveu deixar investimentos de lado ao fazer 30 e poucos anos e abriu um novo negócio. Montou a livraria virtual Gato Sabido, a primeira – e até agora única – a trazer para o Brasil um leitor de ebooks e oferecer títulos para seus clientes.

Sua aposta é que o livro virtual vai, aos poucos, substituir o físico. Mas Ernanny, ao menos por enquanto, não tem muita companhia neste páreo no Brasil.

A Gato Sabido oferece apenas 850 obras nacionais, contra mais de 100 mil estrangeiras, estas de importantes casas editoriais, como Penguin, Random House e Simon & Schuster. Está à venda, por exemplo, o best-seller “O símbolo perdido”, de Dan Brown. Mas somente na edição original em inglês, da Knopf Doubleday.

– Eu já me reuni com todas as grandes editoras brasileiras. Um editor chegou a aceitar a proposta, mas depois me ligou dizendo que iria esperar para negociar em bloco. Enquanto isso, nos EUA, o mercado dos e-books não para de crescer – diz Ernanny. – Só que acredito no meu negócio e não vou desistir.

Cultura e Saraiva vão vender e-books
Lançada há um ano, a Gato Sabido foi a primeira empresa nacional a acreditar e aderir a uma tendência que vem se firmando no mundo. A ela em breve vão se juntar a Livraria Cultura, que passará a comercializar e-books a partir da semana que vem, e a Saraiva, que promete lançar, em dois meses, seu próprio aparelho de leitura.

Esse mercado passou a ser viável com a junção de dois fatores tecnológicos: o e-paper e o DRM. O primeiro é simplesmente uma tela cuja luminosidade não cansa a visão, permitindo leituras mais prolongadas do que num computador. Já o DRM (Digital Rights Management) é um código que impede a cópia ilegal de um livro de um ereader para outro. O primeiro modelo a chegar ao mercado foi o Sony Reader, em setembro de 2006.

Mas os aparelhos só estouraram mesmo quando a Amazon, maior livraria virtual do planeta, entrou no negócio e lançou, em novembro de 2007, seu leitor digital, o Kindle. No último Natal, as vendas de livros para Kindle superaram as de obras físicas. A reboque, já existem cerca de 60 diferentes modelos de e-readers no mundo hoje. Até o fim do ano, este número deve passar de 100.

No BRASIL, porém, os e-books ainda são uma raridade. A ideia inicial de Ernanny ao criar a Gato Sabido era apenas vender os livros digitais. Só que, ao perceber que não haveria e-readers disponíveis, ele começou a importar e vender o Cool-er, aparelho fabricado na Inglaterra. O segundo passo foi visitar as editoras nacionais, em busca de conteúdo para sua loja. Vinte casas já fecharam com a livraria, sendo que, das grandes editoras, a Zahar foi a única a abraçar a proposta inicialmente, colocando 40 títulos de seu acervo à venda. Sua diretora geral, Mariana Zahar, usa a palavra “experimentação” diversas vezes para explicar o porquê do pioneirismo: – Tenho certeza de que haverá uma demanda grande nesse mercado num futuro próximo. E a gente tem interesse em experimentar para entender como vai funcionar.

O e-book é um processo a ser aprendido. Olhando a experiência da música, se não oferecerermos rapidamente uma alternativa legal para o cliente, não vamos conseguir controlar a pirataria.

Já Ernanny espera que novas parcerias sejam firmadas logo. De acordo com ele, um impeditivo para as empresas é o temor de que o número de obras digitais comercializadas seja adulterado pela livraria.

Por isso, a Gato Sabido está desenvolvendo um software para permitir que os editores acompanhem a venda de seus livros praticamente em tempo real.

– O meu interesse é que a Gato Sabido tenha o maior número de obras disponíveis. Além das editoras, também procuramos universidades e outras instituições.

Tive uma reunião na Academia Brasileira de Letras e apresentei a eles o meu projeto. Eles gostaram e estão avaliando a ideia de ter suas publicações em e-book – conta.

A editora Globo já indicou que vai oferecer livros pela Gato Sabido. A Ediouro também começou a colocar suas obras no site, como “O seminarista”, de Rubem Fonseca, e “Sherlock Holmes – Edição completa”, de Arthur Conan Doyle, ambas pelo selo Agir. Mas a empresa planeja outra abordagem para o formato do livro digital. A Ediouro criou a loja virtual Singular, que pertence ao grupo, mas é independente, para vender e-books de diversas editoras.

Newton Neto, diretor geral da Singular, garante que já na semana que vem serão 100, e, até o fim do ano, mil e-books do catálogo da Ediouro disponíveis para venda – não apenas na Singular, mas em outras lojas, como Amazon, Livraria Cultura e a própria Gato Sabido. A casa, porém, já havia feito uma promessa parecida em outubro do ano passado, ao anunciar que seus livros teriam equivalentes digitais na loja da Amazon a partir de novembro. Hoje, não há livro algum da Ediouro na loja americana.

Até ontem, havia apenas sete títulos digitais na Singular.

– Em relação à Amazon, ainda estamos finalizando a negociação do contrato. A Singular vai distribuir conteúdo em todas as plataformas possíveis, em todos os canais de vendas, em diversos formatos.

Mas a estratégia das editoras não pode ser totalmente voltada para o e-book. Os números ainda são tímidos para os altos investimentos necessários – diz ele, lembrando que a empresa aposta muito na impressão sob demanda para suprir uma necessidade do mercado.

Da transportadora para o computador

A imprevisibilidade do formato digital foi uma das razões que fizeram com que a Companhia das Letras não corresse para lançar seu acervo em e-book. Matinas Suzuki, diretor de Novos Negócios da editora, acredita que o mercado brasileiro de livros virtuais ainda vai permanecer muito pequeno em 2010. A Companhia criou um grupo de trabalho e promete lançar obras digitais ainda este ano. Mas de forma lenta e cautelosa.

– Há duas grandes barreiras para o ebook no momento: o preço e a indefinição tecnológica. Os e-readers custam muito caro, e ainda há uma desconfiança por parte do leitor sobre que tipo de aparelho e de formato são melhores. Enquanto isso não estiver muito claro, o consumidor terá prudência – avalia Suzuki.

– A edição do LIVRO digital não é tão simples. Exige um investimento grande, porque é praticamente outro livro, uma outra edição. Estamos fazendo não apenas a transformação tecnológica dos livros, mas estudando que caminhos seguir editorialmente.

Mas essa transformação pode ser feita rapidamente pelas livrarias digitais. A Gato Sabido garante que converte um livro físico para e-book em uma semana, independentemente do tamanho da obra. Para Ernanny, o único desafio é familiarizar o leitor brasileiro com o livro digital.

– O conceito é tão novo que as pessoas ainda estão muito perdidas. Esta semana recebi um e-mail de um cliente confuso com a informação de que os dez livros comprados na Gato Sabido chegariam via computador e não por uma transportadora.

A gente está vivendo uma revolução. As edições devem ser as mais simples possíveis, porque as pessoas ainda precisam começar a entender como o formato funciona – diz.

André Miranda e Thaís Britto – O Globo – 26/03/2010

Sony baixa preço de e-reader para concorrer com o iPad


Não dá para dizer ainda que é um sucesso estrondoso, mas os centenas de milhares de iPads comercializados desde o início da pré-venda são um indicador de que o mercado de tablets anda agitado. Não apenas para a Apple como para os concorrentes.

Para concorrer com o iPad, a Sony decidiu usar um velho artifício do comércio. A companhia japonesa reduziu em US$ 30 o preço do tablet Pocket Style – para US$ 169 -, numa promoção válida até 4 de abril, um dia depois da chegada do iPad às lojas.

Como as pré-vendas são influenciadas por vários fatores, não são consideradas um indicador do que acontecerá a partir da chegada do aparelho da Apple às lojas. Especialistas ainda não estão certos de que há demanda para o iPad, mas o aparelho tem realmente mostrado vitalidade. Apenas no primeiro dia de pré-vendas foram 120 mil iPads.

Terra | 25 de março de 2010 • 20h17

O livro digital no centro das atenções


O livro digital já é uma realidade. Encontros recentemente realizados no exterior e os inúmeros lançamentos de  suportes [e-readers] comprovam essa afirmação. O  momento agora é de encontrar e promover mecanismos que tornem  o livro digital uma importante oportunidade de novos negócios  para os representantes do setor, extraindo o melhor das novas tecnologias.

A Câmara Brasileira do Livro abraçou o tema e quer  o Brasil  dentro desse contexto global. Firmou para isso uma parceria com a Frankfurter Buchmesse, responsável pela maior e mais importante feira editorial do mundo, realizada em Frankfurt, e  transformou o Livro Digital no principal tema do mais importante encontro de profissionais ligados  à cadeia produtiva do livro do País.

Assim, para falar sobre os novos rumos desse efervescente mercado será realizado entre os dias 29 e 31 de março, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, o Primeiro Congresso Internacional do Livro Digital. Trata-se de uma grande oportunidade para o debate sobre os desafios e oportunidades que o futuro reserva ao setor de livros no País. Os principais representantes do segmento estarão presentes ao privilegiado fórum de discussões que vai tratar não apenas o presente e o futuro do livro, como também da convergência das mídias e novos modelos de negócios.

Organizado pela Câmara Brasileira do Livro  [CBL], em parceria com a Frankfurter Buchmesse e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o evento terá a duração de três dias com diversas conferências e workshops.

Além de editores, livreiros e distribuidores, são esperadas também as participações de autores, gerentes de marketing, executivos da área de negócios e conteúdo digital, advogados especializados em Direito Autoral, jornalistas, profissionais de TI e Web, publicitários, e todos que de alguma forma têm interesse no assunto do momento, o livro digital.

Entre as personalidades internacionais confirmadas estão Michael Smith, diretor executivo do Fórum Internacional de Publicações Digitais [IDPF na sigla em inglês], entidade que reúne a indústria de publicações digitais [e-book]. Com mais de 20 anos de experiência no setor livreiro,  Smith é considerado uma das fontes mais preparadas para falar das novas tecnologias, bem como sobre a adoção das normas do IDPF para leitura eletrônica e seus produtos. Pablo Francisco Arrieta Gomez, o colombiano que é hoje o CEO, diretor acadêmico e fundador do Monitor Capacitação Digital e consultor de empresas como Macromedia, Adobe, Wacom e Nokia e ainda a  espanhola Arantxa Mellado, advogada atuante no mercado editorial, responsável pela criação da ediciona.com, um dos mais importantes espaços virtuais de encontro do mundo literário. Outras presenças de grande relevância neste universo e que estarão em São Paulo são Diane Spivey, Diretora de Contratos e Direitos Autorais da Little Brown Group Book (Editora que publica Stephanie Meyer, autora da saga Crepúsculo), a espanhola Patrícia Arancibia , diretora internacional da divisão do conteúdo digital da Barnes Noble.com. Ela vem trazer  sua experiência de sete anos na publicação virtual de livros em espanhol, revistas e jornais, incluindo na Argentina a edição Elle e o jornal Clarin. O luso-brasileiro, Aníbal Bragança, Professor Associado da Universidade Federal Fluminense, como docente do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, do Instituto de Arte e Comunicação Social [IACS]. Coordenador do LIHED/UFF [Núcleo de Pesquisa do Livro e da História Editorial no Brasil] está entre os palestrantes nacionais juntamente com o Prof. Fredrerick Litto e o Prof. Silvio Meira.

Mercado brasileiro de livro
Entre 2004 e 2008 o faturamento do mercado saltou 37,5%, passando de R$ 2,4 bilhões para R$ 3,3 bilhões. Por outro lado, o preço médio do livro caiu no último ano de de R$ 8,58 para R$ 8 por unidade vendida, queda de 6,75%. O número de títulos lançados por ano  chega a superar a casa dos 50 mil. As livrarias continuam sendo um dos principais canais de distribuição com 45,6% das vendas.

1 CONGRESSO INTERNACIONAL DO LIVRO DIGITAL

PROGRAMA

DIA 29 DE MARÇO:
18h30-19h30:  Boas vindas e cadastramento de participantes
19h30-20h30: Palestra de abertura com Juergen Boss – presidente da Feira de Frankfurt
20h30-21h30: Coquetel entre os participantes

DIA 30 DE MARÇO:
8h00- 9h30: Cadastramento dos participantes
9h30-10h15- Jeff Gomez –
10h15-11h- Calvin Baker: Publicação no Século 21- Conteúdo móvel conquista o mundo
11h-11h30- Coffee Break
11h30-12h15- Patricia Arancibia: Criação, conversão e distribuição: Desenvolvendo uma estratrégia para livros digitais que funciona
12h15-13h- Arantxa Mellado : Como usar as ferramentas de mídia social no mercado do livro
13h-14h30- Almoço
14h30-15h15-Michael Smith:  Novos formatos e players: Um mapeamento de mercado
15h15-16h- Diane Spivey: Os contatos de amanhã: como lidar com os direitos autorais no futuro
16h-16h30- Coffee Break
16h30-17h15- Todos os palestrantes: Chegamos ao ponto de desequilíbrio
17h15-18h- Pablo Arrieta Gomes:  Atenção: o que foi concluído até agora?

DIA 31 DE MARÇO:
9h-11h- Aníbal Bragança e  Fredric Michael Litto: O livro do futuro
11h-11h30- Coffee Break
11h30-12h30- Rosely Boschini e Hubert Alquéres: Apresentação da pesquisa sobre o hábito do consumidor de conteúdo digital. 12h30-14h- Almoço
14h-17h30- Jorge Carneiro, Guy Gerlach e Marcílio Pousada:  E o Brasil nesse contexto?
17h30-18h30- Sergio Valente: O marketing do livro e a realidade digital
18h30-19h30- Sílvio Meira: O impacto econômico das tecnologias de informação e comunicação

Mais informações em www.congressodolivrodigital.com.br.

Agência de Notícias Brasil que Lê | 25/03/2010 | agencia@brasilquele.com.br

Mercado de e-book ainda vai crescer muito, diz especialista


Patricia Arancibia, gerente de conteúdo internacional do Grupo Barnes & Noble, lembra que “o mercado do livro eletrônico é uma evolução na década, mas no ano passado explodiu“. E cita o aumento das vendas de e-book nos EUA em 261% em 2009. A executiva, que garante que esse boom é só o começo, é uma das palestrantes do 1º Congresso Internacional do Livro Digital, que acontece de 29 a 31/3, em São Paulo. Confira a entrevista:

Qual a sua opinião sobre a questão dos direitos de publicação de e-books?
As livrarias  podem incentivar os editores na obtenção de direitos digitais para territórios e em formatos tantos quanto possíveis. Parece-me essencial que os editores construam um futuro digital para o seu negócio.

Como os editores estão trabalhando com esse tema?
Muitos editores estão preocupados em tranquilizar os autores que têm dúvidas sobre como mover a sua carreira no mercado digital de livros impressos.

O que você pensa sobre o mercado de e-books em seu país e no mundo?
O mercado do livro eletrônico é uma evolução na década, mas no ano passado, explodiu. Vendas do e-book nos EUA subiram 261% em 2009 comparado a 2008. E é só o começo. Menos de 3% dos leitores leem e-books, mas o crescimento é exponencial quase que diariamente. É um mercado que parece estar explodindo em todo o mundo. Digitalização de processos e modelos possíveis e comercialização estão começando a ser estudados em todos os continentes. Uma confluência de desenvolvimentos de hardware, software e canais de comercialização geralmente tornam o produto mais atrativo e mais fácil de levar livros para leitores de todo o mundo.

CILD – 25/03/2010

Preços de livros no iPad devem manter-se competitivos


Os preços dos livros eletrônicos para o iPad não devem ser tão mais caros que os das publicações oferecidas pela Amazon para o Kindle. O site App Advice publicou nesta quarta-feira os valores de alguns títulos para o tablet, a maioria custando US$ 9,99 – na Amazon, eles custam pouco menos de US$ 9.

Na prática, ainda que mais caros que os e-books do Kindle, as produções para iPad não são absurdamente mais dispendiosas, podendo até manter competitividade.

Devemos lembrar que o iPad pode oferecer uma experiência de leitura mais interessante que os e-readers atuais, com recursos multimídia, integração com conteúdos online, gravuras e ilustrações em cores. Tanto que o conceito de alguns editores é trabalhar os livros como se fossem aplicações, e não simplesmente textos que iriam para páginas impressas sendo visualizados num novo suporte.

Explica-se que a Amazon tenha lançado uma versão do Kindle para o gadget nesta semana. Dessa forma, a plataforma Kindle segue “amiga” da família dos Macs, iPhones e iPods. A espera era de livros bem mais caros no iPad, já que o modelo de negócios para os e-books no tablet é o mesmo dos desenvolvedores de apps – o programador estabelece o preço e a Apple fica com 30%.

Os preços flagrados pelo App Advice são de livros na lista de best sellers do jornal norte-americano New York Times. O iPad chega ao mercado no dia 3 de abril.

Zero Hora – 25/03/2010

Editora Random House teme guerra de preços com iPad


iPad começará a ser vendido no dia 3 de abril, mas Random House e Apple ainda não entraram em acordo

A Random House, maior editora de livros do mundo em vendas, poderá manter suas publicações fora do iPad, da Apple, quando o aparelho for colocado à venda no mês que vem. A unidade do grupo Bertelsmann teme os efeitos do aparelho sobre os preços dos livros eletrônicos. Segundo se comenta no mercado, as cinco maiores concorrentes da Random House – Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, Harper-Collins e Penguin – já aderiram à iBookstore. Mas a ausência da líder do mercado de livros será um golpe para a Apple. Markus Dohle, executivo-chefe da Random House, não excluiu, ontem, a possibilidade de um acordo antes do início das vendas do iPad, mas disse que está dando seus passos com cuidado, uma vez que o regime de fixação de preços da Apple poderia prejudicar as práticas das editoras. Até agora, as livrarias tradicionais e os grupos varejistas da internet como a Amazon vinham comprando livros das editoras com descontos para depois remarcá-los e vendê-los com lucro para os leitores. Mas, numa ampliação do modelo de preços, a Apple quer que as editoras estabeleçam os preços que serão pagos pelos usuários – ficando a própria Apple com 30% das vendas resultantes. Dohle disse que o iPad e a iBookstore significam “mudanças, em especial para os nossos acionistas”, que exigiriam que a editora consultasse mais os autores e seus agentes.

Valor Econômico – 24/03/2010 – Gerrit Wiesmann

Livros ganham tratamento tridimensional na Coreia do Sul


Livros com “pop-ups” que saltam das páginas são ultrapassados: cientistas sul-coreanos desenvolveram uma tecnologia tridimensional para livros que leva os personagens a literalmente saltarem das páginas. No Instituto Gwangju de Ciência e Tecnologia, na Coreia do Sul, pesquisadores usaram tecnologia 3D para animar dois livros infantis de contos folclóricos coreanos, com dragões que se contorcem e heróis que saltam sobre montanhas. As imagens nos livros têm dispositivos que desencadeiam a animação em 3D para leitores que estiverem usando óculos especiais de tela de computador. Quando o leitor lê o livro e o movimenta, a animação 3D se movimenta de acordo. Mas quem estiver esperando para ler livros tridimensionais talvez precise ter paciência.

Reuters – 24/03/2010 – Por Christine Kim

Cultura entra no mercado de e-books


A partir do dia 30 de março, a Livraria Cultura passará a vender títulos no formato digital através de seu site. Serão mais de 120 mil obras estrangeiras e 500 nacionais disponíveis para download. “Estamos indo com as tendências do mercado digital e certamente vamos aprender muito com nosso pioneirismo”, diz o diretor de operações da Livraria Cultura, Sergio Herz. Os arquivos serão comercializados em formato PDF e ePub, reconhecido pela maioria dos e-readers e também por PC e Mac. De acordo com Mauro Widman, coordenador do departamento de e-books da Livraria Cultura, “este segundo formato é mais indicado para os leitores de e-book porque ele se rediagrama com o tamanho da letra, diferente do PDF, que mantém uma diagramação física que obriga a navegar pela página para realizar a leitura”.

PublishNews – 24/03/2010

Editora teme guerra de preços com iPad


A Random House, maior editora de livros do mundo em vendas, poderá manter suas publicações fora do iPad, da Apple, quando o aparelho for colocado à venda no mês que vem. A unidade do grupo Bertelsmann teme os efeitos do aparelho sobre os preços dos livros eletrônicos.

Segundo se comenta no mercado, as cinco maiores concorrentes da Random House – Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, Harper-Collins e Penguin – já aderiram à iBookstore, o site de varejo onde os e-books para o iPad serão vendidos.

Mas a ausência da líder do mercado de livros será um golpe para a Apple. Markus Dohle, executivo-chefe da Random House, não excluiu, ontem, a possibilidade de um acordo antes do início das vendas do iPad, em 3 de abril, mas disse que está dando seus passos com cuidado, uma vez que o regime de fixação de preços da Apple poderia prejudicar as práticas das editoras.

Até agora, as livrarias tradicionais e os grupos varejistas da internet como a Amazon vinham comprando livros das editoras com descontos para depois remarcá-los e vendê-los com lucro para os leitores.

Mas, numa ampliação do modelo de preços estabelecido para os aparelhos que já vende, a Apple quer que as editoras estabeleçam os preços que serão pagos pelos usuários de sua iBookstore – ficando a própria Apple com 30% das vendas resultantes.

Dohle disse que o iPad e a iBookstore significam “mudanças, em especial para os nossos acionistas“, que exigiriam que a editora consultasse mais os autores e seus agentes.

Hartmut Ostrowski, executivo-chefe da Bertelsmann, usou a entrevista anual concedida pelo grupo para dizer que o iPad e outros aparelhos, como o Reader, da Sony, chegaram para ficar, e estão influenciando o setor da mídia “mais do que qualquer outra coisa”.

A Bertelsmann registrou perdas no ano passado. A crise econômica afetou as receitas publicitárias e forçou o grupo a fazer uma baixa contábil no valor de seus ativos. Após os pagamentos a acionistas minoritários em joint ventures, o prejuízo foi de € 82 milhões [US$ 110,7 milhões], frente ao lucro líquido de € 142 milhões em 2008. As receitas caíram 5,4%, para € 16,2 bilhões.

Os custos de reestruturação e reavaliação de ativos eliminaram € 730 milhões do lucro operacional, que ficou em € 1,4 bilhão – contra € 1,6 bilhão em 2008. Os pagamentos de juros e impostos reduziram ainda mais os ganhos, rendendo ao grupo um lucro líquido de € 35 milhões.

O desempenho do grupo, que também controla o canal de TV RTL e a editora de revistas G+J, foi reforçado por um corte de custos de € 1 bilhão. O endividamento total caiu 9% para € 6 bilhões.

Thomas Rabe, diretor financeiro, disse que a Bertelsmann espera uma estabilização da economia mundial neste ano. Como resultado, a companhia prevê vendas e lucro operacional estáveis, além de um lucro líquido entre € 400 milhões e € 500 milhões.

Rabe confirmou o possível interesse da Bertelsmann nos ativos da EMI Music Publishing [de administração dos direitos de composições musicais], através de sua própria joint venture no segmento com a Kohlberg Kravis Roberts, a BMG Rights Management. “Não sabemos se e quando a EMI vai colocá-los à venda. Mas se isso acontecer, daremos uma olhada“, disse o executivo.

Gerrit Wiesmann | Financial Times | 24/03/2010

Congresso do Livro Digital vai debater “transmedia”


Marcado para o período de 29 a 31 de março, encontro terá a participação de Jeff Gomez,
CEO da Starlight Runner Entertainment em Nova York

Jeff Gomez, CEO da Starlight Runner Entertainment em Nova York, vai participar na semana que vem do I Congresso Internacional do Livro Digital. Ele falará sobre o tema Transmedia – a arte de transmitir uma mensagem, tema ou história para um determinado público através de múltiplas plataformas como anúncios, livros, videogames, quadrinhos e filmes -, no encontro que vai reunir editores brasileiros e palestrantes estrangeiros entre os dias 29 e 31, em São Paulo. A realização é da Câmara Brasileira do Livro e Frankfurter Buchmesse, com co-realização da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

Confira a entrevista dada por Gomez à Forbes, cedida pela organização do evento:

Forbes: O que exatamente é Transmedia?
É a arte de transmitir uma mensagem, tema ou história para um público de massa através de múltiplas plataformas de mídia, como anúncios, livros, videogames, quadrinhos e filmes. Cada parte da história é original e joga para os pontos fortes de cada meio. O público é freqüentemente convidado a participar e de alguma forma interage com a narrativa. Vimos pela primeira vez o termo usado desta forma pelo professor Henry Jenkins em seu livro Convergence Culture, publicado em 2006. No mundo interligado de hoje, os jovens adultos, adolescentes e até crianças tornaram-se tão confortáveis com tecnologia de mídia que mudam de uma plataforma para a próxima. O problema é que seu conteúdo não está fluindo com eles. Como uma disciplina, Transmedia nos fornece uma fundação para o desenvolvimento, produção e implantação de unidades de entretenimento, ou marcas de consumo através de múltiplas plataformas de mídia. Transmedia cria o fluxo. Em vez de repetir as parcelas repetidamente a cada meio, os criadores podem continuar e expandiram as suas histórias, gerando mitologias deslumbrantes e narrativas complexas.

Forbes: As empresas têm falado sobre a incorporação de produtos e mensagens em entretenimento para o ano. Como distinguir Transmedia de entretenimento de marca?
Eu acho que é importante ressaltar que Transmedia storytelling não é entretenimento de marca. Por outro lado, Transmedia constrói a mitologia da marca, colocando à frente da marca a construção narrativa em torno dele. Em Transmedia, histórias são eternas e construídas sobre uma base de estrutura narrativa clássica. As histórias de grandes filmes como The Dark Knight, Watchmen e Wolverine estão sendo complementadas por direct-to-releases animação de DVD, cada uma das quais está vendendo muito bem. O videogame Watchmen serve como um prelúdio para o filme e que contém a evolução, história importante que os fãs querem saber.

Forbes: Transmedia é freqüentemente usado para promover programas de TV e filmes, mas como é que funciona para os comerciantes?
Estamos vendo Transmedia em elementos na comercialização de produtos de consumo e publicidade. Com “The King” campanha do Burger King, por exemplo, as audiências foram envolvidas com este bizarro personagem, assistindo aos comerciais, comprando e jogando o videogame. Em 2002, minha empresa Starlight Runner foi encarregado de criar um enredo em torno dos carrinhos Hot Wheels para a Mattel. Trabalhamos com a empresa e compreendemos a essência da marca e vimos como as crianças brincavam com os brinquedos. Então nós inventamos um universo de corrida elaborada e personagens motoristas que, ao longo de 3 anos, tomaram corpo em cinco filmes de animação por computador, um videogame, uma série em quadrinhos, jogos e um novo site elaborado. As vendas em toda a linha aumentaram dramaticamente.

Forbes: Como você sabe que funciona Transmedia?
Alguns anos atrás, a agência de publicidade Wieden + Kennedy apareceu com “The Coke Side of Life”, campanha e um dos comerciais de destaque num mundo de fantasia selvagem de personagens e criaturas que existiam dentro de uma máquina de Coca-Cola. O comercial foi chamado Happiness Factory. As pessoas adoraram e a Coca-Cola queria de alguma forma continuar a trabalhar com a premissa. Minha empresa Starlight Runner foi chamada para fazer parte deste desenvolvimento criativo e gerar vários pontos de contato para a propriedade. Coca-Cola nos fez chegar a uma Transmedia, enredo concebido para durar anos. O lançamento inicial na segunda metade de 2007 foi um sucesso. O mundo da Happiness Factory deu-nos personagens que poderiam se conectar. Trabalhamos em um site que transforma você em um empregado da fábrica do desenho animado. Coca-Cola se juntou com os seus distribuidores em vários países do mundo para personalizar a maneira como as pessoas se conectam com base na cultura e orçamento. Houve quadrinhos no Brasil, instalações mecânicas em shoppings na Dinamarca, serração de madeira em supermercados no Japão. Além disso, fala-se de transformá-lo em um filme e série de videogame que seriam vinculados a um anúncio de TV.

PublishNews – 23/03/2010 – Por Redação

Apple fecha acordo com grande distribuidora


A Apple prepara seu armamento para rivalizar com o leitor de livros digitais Kindle, da Amazon. De acordo com uma reportagem do jornal The New Yok Times, a empresa de Steve Jobs fechou um acordo com a importante distribuidora independente de livros digitais Perseus Books. A marca é responsável por distribuir mais 330 produções, entre eles, livros da Zagat e da Harvard Business School Press.

A reportagem informa que o acordo firmado entre as duas empresas vai seguir o mesmo padrão usado na App Store. O preço dos livros é definido pelas editoras e como forma de comissão, a Apple fica com 30% das vendas.

A estratégia da Apple pode trazer mudanças significativas para o mercado do livro eletrônico, onde a Amazon, até agora, conquistou mais de 90% do negócio.

Este, inicialmente, é o mesmo negócio que a Apple teria feito com quatro das cinco maiores editoras.

Macworld – UOL – 23/03/2010