Graphic novel on-line é a nova cara da resistência no Irã


O momento em que a estudante Neda Soltan, caída no chão de asfalto em Teerã, revirou os olhos para o alto e começou a sangrar pela boca e pelo nariz tornou-se o símbolo maior dos protestos que se seguiram às fraudulentas eleições de junho de 2009 no Irã. Foi naquela época que a HQ Zahra’s Paradise, idealizada por um escritor iraniano e um cartunista árabe, começou a ganhar forma. A história fictícia trataria da busca de uma mãe, Zahra, por um filho, Mehdi, desaparecido durante as manifestações. Não só a agonia da jovem teve influência, mas também o modo como as imagens chegaram ao público, postadas horas depois do ocorrido no YouTube e linkadas ao Facebook e ao Twitter para, só então, repercutirem nos meios tradicionais. Em vez de esperar dois anos até a finalização e a publicação de uma graphic novel de 160 páginas, a editora norte-americana First Seconds resolveu seguir o exemplo do iraniano que jogou as cenas na rede e, do papel, o projeto migrou para a internet. O primeiro capítulo foi ao ar na sexta-feira passada, em página na internet, e novos episódios serão publicados todas as segundas, quartas e sextas-feiras pelos próximos 18 meses, quando, enfim, ganharão versão impressa.

O Estado de S. Paulo – 27/02/2010 – Por Raquel Cozer

Reforma ortográfica na internet; Kindle na ABL


A Academia Brasileira de Letras [ABL] teve uma ideia que vai ajudar quem leu a palavra “ideia” e achou que ela ainda tinha acento. Desde a última quinta-feira, o site da ABL traz uma versão para consulta online do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). A ferramenta online faz parte de um projeto maior de ampliação do acesso digital da população ao trabalho da ABL. Sessões da casa já podem ser assistidas em vídeo pela internet. Em janeiro, ela lançou um site comemorativo do centenário de morte de Joaquim Nabuco. E até março deve começar a distribuir Kindles aos acadêmicos. Há cerca de um mês, a ABL também entrou no Twitter. “Antes do carnaval, nosso Twiter estava tendo bastante acesso. Agora, caiu um pouco — conta Vilaça, e faz piada: “É porque é mais informativo, não faz fofoca… Se a gente quisesse fazer, até que tinha bastante, viu? Mas aí seria um projeto mais audacioso”.

O Globo – 27/02/2010 – Por Alessandra Duarte

Scliar vende pixels


O novo site do escritor gaúcho Moacyr Scliar entra no ar em março no mesmo endereço do atual, o www.moacyrscliar.com. Desenvolvida pelo filho do autor, Beto, a página terá um vasto material de arquivo sobre Scliar, vídeos de suas conferências e um canal para os leitores entrarem em contato com o escritor. De acordo com a coluna No prelo, para ajudar na manutenção do site, estão sendo vendidos espaços publicitários de R$ 300 a R$ 700 por mês, dependendo do número de pixels.

O Globo – 27/02/2010 – Por Manya Millen e Miguel Conde

Acusada de plágio, editora processa tradutora e tenta tirar blog do ar


Quando iniciou seu blog Não Gosto de Plágio em dezembro de 2007, a tradutora Denise Bottman, 55, não imaginava que, poucos anos depois, estaria no meio de um debate que envolve liberdade de expressão e internet.

Foi no final da tarde da última sexta-feira [19], no entanto, que Bottman entrou na discussão: a Editora Landmark e seu sócio-proprietário, Fábio Cyrino, abriram um processo pedindo a supressão imediata do blog, além de uma indenização de 400 salários mínimos por calúnia e difamação.

Tradutora Denise Bottman é processada por editora após denunciar suposto plágio feito em duas traduções de clássicos literários

Bottman apontou suposto plágio de tradução em duas obras literárias da Editora Landmark, ambas lançadas em 2007: “Persuasão”, de Jane Austen [que teria sido plagiado de uma tradução lançada em 1996 pela editora portuguesa Europa América, feita por Isabel Sequeira], e “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë –cuja tradução original teria sido publicada em 1971 pela já extinta editora Brugueira, sob autoria de Vera Pedroso.

Ela afirma ainda que tem como comprovar todas as alegações.

Liberdade de expressão

O pedido de retirada do blog do ar foi indeferido pelo Justiça, contudo. “As razões do juiz foram que se trata de uma questão complexa porque envolve o direito de expressão e crítica, e que não era possível avaliar a verossimilhança das alegações“, disse Bottman.

É minha área de estudo. Jamais evoquei a liberdade de expressão porque vivo em um Estado de Direito, nossa Constituição garante isso“, observa.

Procurado pela reportagem, o advogado da Editora Landmark, Alberto J. Marchi Macedo, respondeu à questão por meio de um comunicado, no qual informa que “a Editora Landmark propôs a ação competente em face da blogueira Denise Bottmann por entender que as denúncias por ela apresentada encontram-se totalmente desgarradas da realidade fática e das provas que serão produzidas no processo judicial, razão pela qual não existe qualquer cabimento quanto à acusação de plágio“.

A nota aponta ainda que, “em nenhum momento, a editora está pretendendo cercear o direito de liberdade de expressão, mas tão somente está solicitando a prestação jurisdicional para colocar fim as acusações infundadas que a prejudicam no mercado editorial“.

MARINA LANG da Folha Online | 25/02/2010 – 18h19

Tools of Change


Direitos autorais, pirataria e DRM [Digital Media Receiver] [ou melhor, o argumento anti-DMR], a necessidade de os editores aprenderem as lições da indústria fonográfica e das primeiras tentativas nos e-books foram os temas dominantes do Tools of Change [TOC], em Nova Iorque [realizado entre os dias 22 e 24 de fevereiro]. As inscrições para o TOC foram, mais uma vez, esgotadas, com mais de mil participantes, e os tecnomaníacos continuam os grandes vilões das reuniões digitais. Agora o evento tem três dias, embora alguns dias tenham sido destinados a workshops.

O segundo dia viu grandes nomes no palco. “Lei não é uma solução de negócios, ela deveria apenas ser usada para resolver problemas que são exclusivamente legais”, disse o advogado de direitos autorais da Google, William Patry, em uma das muitas palestras. Patry falou como pessoa física: “se eu fosse um porta-voz da Google eu não seria autorizado a falar”. Ele não fez comentários abertos sobre a últimas determinações, embora ela pairasse, podemos dizer, no ar.

O estilo “capitalismo regulatório” de Washinghton implica uma incapacidade de inovar e um medo do mercado como um processo dinâmico, afirmou Patry. “Os estados Unidos se tornaram a gorda complacente Detroit das nações. A lei de direitos autorais se tornou uma forma de tirar leite de uma vaca velha que está secando”. Muitas pessoas contam com a lei de direitos autorais como se fosse o plano de negócios delas. Como Kirk Biglione disse mais tarde sobre as lições aprendidas da indústria fonográfica, “litígio não vai parar o futuro”.

Skip Prichard, da Ingram, respondeu à questão “Os livros digitais estão mortos?”: “Não há direito fundamental para que ele sobreviva”. Dada a “velocidade da inovação”, os livros digitais de hoje estarão mortos amanhã. “Pensando como uma empresa, esqueça o foco no mercado internacional e ao invés disso foque no seu alvo, no seu “diferencial único” – os limites são variáveis dependendo de quem você é e de quem é o seu consumidor”, disse.

Dominique Raccah, fundador e presidente da Sourcebooks, apresentou alguns dados da indústria fonográfica: a despeito do que podemos entender como verdade, durante a primeira metade de 2009, os CDs ainda contabilizavam 65% de toda a venda de música. A lição: “o Mercado de massa responde um pouco mais devagar do que você pensa… Eu peso que trabalhar com vendedores será uma parte enorme do mercado do futuro. Ela aconselhou: “defina poucos alvos e compita fortemente em menos mercados”. Como Prichard, ela argumentou, “pense no que você é especialista, para qual comunidade você é um essencial. Pense no conteúdo que você tem e questione se existe a possibilidade de criar algo diferente.”. “Liderança de categoria permite que você expanda a marca”, como a Sourcebooks fez com o livro de nomes de bebês e agora o seu aplicativo para iPhone.

Brian O’Leary, da Magellan Media, que vem estudando o impacto do compartilhamento peer-to-peer (P2P) de arquivos de conteúdos pagos para a O’Reilly, seguindo sua lista de lançamentos de 2008, também teve algumas surpresas. O que ele encontrou foi mais “um volume pequeno de sementes e sanguessugas” do que pirataria difundida e pirataria que “tem picos precoces e cai rapidamente”.

Mais interessante, talvez, tenha sido o “aumento inesperado nas vendas de sites pagos depois que a pirataria foi percebida”. O’Reilly vende conteúdo sem DRM e no total, três terços da lista ainda não foi pirateado. Mas “correlação não é causalidade”, O’Leary advertiu. O único jeito de sabermos se há causalidade é fazer um estudo muito maior envolvendo mais editoras, ele disse repetindo o que já tinha dito na Feira de Frankfurt.

Ele está certo, porém, que “você cria pirataria quando falha ao lançar um conteúdo digital. Não tente resolver pirataria: pense em como administrá-la”. Ele advertiu contra a compra da última novidade para resolver isso, que pode facilmente resultar no “fazer a coisa errada”.

No último outono, O’Leary também começou a estudar a Thomas Nelson, que usa DRM para o compartilhamento P2P, mas ele não encontrou nenhum título da Thomas Nelson em sites monitorados a partir daquele mês. “DRM não tem impacto na pirataria, ele tem impacto no que os leitores fazem”, afirmou, numa mensagem que foi repetida em palestra anterior da Biglione. “A indústria fonográfica fez mal ao confundir a demanda dos consumidores por pirataria”, e Biglione demonstrou o que acontece hoje com os livros: ele é um fã do Thomas Pynchon, cujos romances ainda não estão disponívels para e-books – a menos que você vá a um site de compartilhamento.

A indústria fonográfica, Biglione nos relembrou, fez muito dinheiro com CDs nos anos 90. Editoras deviam “esquecer esse momento iPod. Se elas estiverem no momento da digitalização, elas têm um potencial para um momento-CD”.

Ele destroi o argumento pró-DRM ao lembrar dos ouvintes do desastroso “PlaysForSure”, no padrão DRM, lançado em 2004. “O iPod funcionou, era legal, as pessoas o queriam. A Apple nunca licenciou o PlaysForSure.” Ele conectou essa história com a situação do uso do ePub “envolto na propriedade DRM”; “não é mais ePub. Eu acho que essa história vai acabar como o PlaysForSure. As pessoas vão perceber que o DRM gratuito é o único caminho”.

The Bookseller – 24/02/2010 – Gayle Feldman

Para futurólogo, redes sociais terão mais receita que “velha mídia”


As mídias sociais, como Twitter e Orkut, deverão crescer mais em receita que os meios de comunicação tradicionais, como a TV e o rádio, diz o pensador alemão Gerd Leonhard, considerado pelo “Wall Street Journal” como um dos mais importantes futurólogos do mundo.

Segundo ele, as mídias sociais também alteram o molde original da publicidade: em vez de anúncios estáticos, o conteúdo de games, aplicativos e widgets dá o tema para as propagandas bem-sucedidas.

Autor de “Friction is Fiction: The Future of Content, Media & Business” [2009], “Music 2.0” [2008], “The End of Control” (2008) e “The Future of Music” [2005], Leonhard está hoje em São Paulo, onde participa de uma conferência para convidados. Ele também será entrevistado pelo programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

Na semana passada, Leonhard, 49, deu entrevista por e-mail à Folha Online, e falou sobre mídia, internet, consumo, pirataria e direitos autorais. Confira a entrevista na íntegra.

*

Folha Online – Qual é o papel das mídias sociais [como o Twitter e o Facebook] hoje?

Gerd Leonhard – Twitter, Facebook e Google Buzz são um pouco como redes sociais de notícias. São mais descentralizados e fazem uma companhia perfeita para a mídia tradicional. A TV e o rádio têm largo alcance, mas eles deverão ter que lidar com uma fragmentação completa da sua audiência, e eles realmente terão que abraçar a mídia social (e a troca de ideias que ocorre ali) ou deixarão de ser importantes, cedo ou tarde.

Todo o crescimento será na mídia social, móvel, em tempo real e de vídeo, não na TV e no rádio; meu prognóstico é um aumento em 50% na receita nesta direção. Levou muito tempo, mas quando isso acontecer (entre 18 e 24 meses) será muito maior do que qualquer coisa que nós antecipamos.

Para negócios, a mídia social é simplesmente uma gestão de relacionamento com o cliente, isto é, a maioria do marketing, das relações públicas e das operações tradicionais desse serviço vão ser substituídas pelas mídias sociais.

Marcas vão conversar com seus consumidores via Twitter, Facebook, Buzz ou Orkut. No lugar da comunicação em massa cara, regada por campanhas, a maioria das empresas vai mudar para o marketing de engajamento, atraindo pessoas com valores vigentes, e a mídia social é perfeita para esse tipo de ação!

Folha – Como as mídias sociais influenciam na mudança de conteúdo das mídias tradicionais?

Leonhard – O fato de estarmos conectados agora e de que nós podemos falar uns com os outros, compartilhar facilmente conteúdo (imagens, relatos, música, links), traz grandes mudanças para as indústrias de mídia em todo o mundo.

Esta mudança é quase tão grande quanto a mudança que aconteceu com a invenção da mídia gravada, rádio ou TV. Consumidores conectados são inerentemente diferentes, mais fragmentados, menos fáceis de agradar, mais exigentes, mais obcecados com seu próprio controle, e têm muito mais poder.

Mídias tradicionais devem perceber que este poder está se deslocando para os usuários – antes conhecidos como consumidores – e qualquer um que se recuse a ver este novo paradigma será considerado inútil [veja o caso das grandes gravadoras].

Dito isso, as mídias de massa vão continuar a ser importantes em conjunto com as mídias sociais –um alimenta o outro; mas os dias de “controle de audiência” estão acabados. Agora, é sobre confiança e compromisso; e sobre converter a atenção em receitas reais.

Folha – Como você enxerga a coexistência entre as mídias sociais e as mídias tradicionais no futuro?

Leonhard – Como TV e internet: convergência completa. A diferença está apenas nas nossas mentalidades: já não somos [apenas] diretores: nós somos conectores.

O futuro pertence àqueles que podem se envolver, criar poderosas histórias cross-media [marketing em todas as plataformas, on-line ou não], e jogar com a audiência.

Folha – O que muda na publicidade e no marketing com as mídias sociais?

Leonhard – Tudo, na verdade. Alguns argumentariam que nós precisamos apenas de publicidade tradicional porque não havia internet, porque não estávamos conectados –e há um pouco de verdade nisso. Consumidores conectados são relutantes a interrupções e têm valores incompatíveis com isso, e vão ignorar tudo que seja desta natureza.

É por isso que propagandas baseadas no CPM [custo por mil, forma de cálculo das mídias tradicionais] na internet nunca vão funcionar da mesma forma que nas propagandas de televisão.

A publicidade deve se tornar conteúdo, a fim de ser realmente ser bem-sucedida na internet. Por exemplo, aplicativos para telefones móveis, widgets, games, etc.

Algumas vezes, chamo isso de ContVertising [neologismo que funde as palavras “conteúdo” e “publicidade”, em inglês].

Esta mudança está acontecendo agora, guiada pela explosão da internet móvel, e pela mídia social e em tempo real, como Twitter e Google Buzz. A publicidade e o marketing estão sendo reinventados tanto quanto eu escrevo isso.

Folha – Desde a sua primeira obra, lançada em 2005, até então, quais foram as principais mudanças no consumo de informação (música, leitura, mídia) que você constatou? Quais as perspectivas para o futuro disso?

Leonhard – A maior mudança já não é realmente sobre informação – o que foi ótimo ter, há dez anos. Não se trata de música, livros e filmes gratuitos. Trata-se de mérito, qualidade, confiança e relevância.

Não quero apenas da gratuidade ali, quero exatamente o que eu preciso, no momento exato. Pessoas estão dispostas a pagar dinheiro real por grandes experiências, por serviços fantásticos, a entidades confiáveis.

É por isso que os condutores da indústria fonográfica estão guiando-a para os rochedos: eles ainda veem o mundo dos seus pontos de vista, e não a partir dos usuários ou dos artistas – eles se preocupam com a venda de cópias, não com as experiências.

Folha – Como você vê a questão dos direitos autorais na internet?

Leonhard – Os direitos autorais foram significativos para monetizar o conteúdo quando as palavras “direito” e “cópia” ainda eram oportunas. Agora, tudo o que fazemos on-line cria uma cópia.

Por exemplo, [simplesmente] ouvir é baixar, a leitura é cópia, de fato; e nossos “direitos” como autores devem ser revistos para permitir que o ato de copiar ainda exista na lei, mas que haja restituição de forma não-compulsória quando todo usuário conectado puder apenas clicar, copiar e colar.

O copyright era para dar certeza que autores e criadores fossem pagos, não para garantir que intermediários vendam discos de plástico, rastreassem downloads ou dispositivos.

O que nós precisamos agora é adicionar é o direito de uso no copyright, a fim de construir monetização neste acesso. É fazer dinheiro do acesso, não de cópias. Para a música, nós precisamos de uma taxa coletiva, fixa e obrigatória (não imposto!) que faça a música na internet tão legal quanto a música no rádio.

Para que fique claro, o copyright em si é um bom conceito –é preciso apenas adaptá-lo ao mundo atual em que vivemos, hoje!

Folha – Em 1º de julho de 2007, você publicou uma carta aberta à indústria fonográfica independente, citando MySpace, YouTube e Last.fm como modelos de sucesso à não-obediência aos direitos autorais. Hoje, o MySpace passa por problemas financeiros, o YouTube está se adequando às leis de direitos autorais e ao conteúdo profissional. O Last.fm cortou pessoas dos quadros e iniciou cobrança sobre conteúdos. Você ainda mantém a sua posição?

Leonhard – Bom ponto. O que todos os três têm provado é que você não pode inovar a indústria de música sem grandes esforços políticos, ou seja, se a estrutura de licenças, direitos autorais e permissão ficarem na mesma, você realmente não pode espalhar isso com consentimento.

O MySpace foi bem-sucedido porque eles começaram sem licença, sem permissão de gravadoras, e apenas faziam o que os usuários queriam: compartilhamento gratuito, reunião social em torno da música. Evidentemente, esse caminho foi condenado quando eles foram adquiridos pela News Corp/Fox, isso não podia continuar, eles tiveram que se tornar “legítimos”.

O ponto é que, quando a única maneira de inovar significa que você tem que fazer algo ilegal [ou semilegal, como o Last.fm], então algo está errado com o sistema.

O sistema de licenciamento da indústria da música tem que ser completamente revisado e redefinido, para se adaptar a uma economia digital.

A música on-line precisa ser licenciada como o rádio, com licença rentável de compartilhamento, pública e simples, que permita legalidade às companhias desde o início.

Penso que o Brasil seria o lugar perfeito para começar isso – dadas as recentes propostas de uma nova lei de direitos autorais no Brasil [Marco Civil da internet]. As receitas para os criadores serão, em qualquer caso, maiores do que nunca, a partir deste tipo de licença.

Folha – Nos últimos anos, surgiram vários casos de processos de grandes gravadoras contra pessoas que baixaram músicas. Como você enxerga essa situação?

Leonhard – Qualquer um que se proponha a desconectar pessoas porque elas estão compartilhando música on-line jamais vai ser votado novamente, e qualquer provedor de internet que implemente estas ideias vai achar que perderá usuários mais rapidamente do que a Kodak perdeu pessoas que compram rolos de filme analógico.

Há muita conversa em torno do conceito 3 Strikes [lei francesa que corta a conexão de internautas por download ilegal] (em grande medida, para apaziguar os lobistas e seus conglomerados internacionais), mas a aplicação será uma “missão impossível”: muito cara em termos de tecnologia, muito tediosa em termos das consequências sociais e culturais, e 100% inútil na geração de dinheiro para os criadores.

O único benefício será para as empresas de advocacia, e claro, para os lobistas. A única solução consiste em uma licença pública, padronizada e coletiva para as pessoas que estão, com a música, na internet você não pode ter controle total e fazer dinheiro novo ao mesmo tempo!

Folha – Dentro desse contexto, as gravadoras podem competir com a pirataria?

Leonhard – Gravadoras não competem com o gratuito: elas competem com cópias gratuitas. Tudo é possível e será vendido –se eles tiverem mais uma maneira de vender mais do que a cópia, e estiverem dispostos a dar aos usuários o que eles querem: preço baixo, altamente merecido.

Folha – Existe um modelo rentável para o mercado musical?

Leonhard – Absolutamente. Os custos on-line podem ser drasticamente reduzidos (ou seja, produção, fabricação, distribuição e marketing), portanto, os preços podem ser muito reduzidos, mais consumidores podem se interessar, e muito mais produtos e serviços podem ser os mais vendidos!

MARINA LANG | da Folha Online | 24/02/2010 – 08h40

Internet deixará as pessoas mais inteligentes


Uma pesquisa feita online com 895 internautas e especialistas mostrou que mais de três quartos dos entrevistados acreditam que a Internet deixará as pessoas mais inteligentes ao longo dos próximos 10 anos. A maioria dos entrevistados também afirmou que a Internet irá melhorar os níveis de leitura e escrita até 2020. Os dados são de um estudo do Imagining the Internet Center, da Universidade de Elon, e o projeto Pew Internet and American Life.

– Três em cada quatro especialistas afirmaram que o uso da Internet aumenta a inteligência humana, e dois terços disseram que o uso da Internet já melhorou os níveis de leitura, escrita e compreensão de conhecimento – disse a co-autora do estudo, Janna Anderson, diretora do Imagining the Internet Center.

Mas 21% dos entrevistados disseram que a Internet tem o efeito contrário e pode até diminuir a inteligência de quem a usa muito.

– Ainda há muitas pessoas que são críticas do impacto do Google, Wikipedia e outras ferramentas da Web – disse ela. A pesquisa coletou opiniões de cientistas, líderes de negócios, consultores, escritores e engenheiros de tecnologia, além de internautas escolhidos pelo pesquisadores. Das 895 pessoas entrevistadas, 371 delas seriam “especialistas”.

O que incitou os pesquisadores, em parte, foi uma reportagem de capa da Atlantic Monthly de agosto de 2008, escrita pelo repórter de tecnologia Nicholas Carr: “O Google está nos deixando burros?

No artigo, Carr sugere que o uso excessivo da Internet estaria afetando a capacidade de concentração e reflexão das pessoas. Carr, que participou do estudo, afirmou que ainda concorda com essa visão.

– O que a Internet faz é transferir o foco de nossa inteligência de uma inteligência meditativa ou contemplativa para o que pode ser chamado de uma inteligência utilitária – disse Carr no release que acompanha a pesquisa – O preço de ficarmos pulando de pedaço em pedaço de informação é a perda de profundidade de nossa reflexão.

Já o fundador do Craiglist, Craig Newmark, afirmou, que “as pessoas já usam o Google como adjunto de sua própria memória”.

– Por exemplo, eu acho que estou certo sobre alguma coisa, e preciso de fatos para sustentar isso e o Google me ajuda com isso – disse ele. A pesquisa também mostra que 42% dos especialistas acreditam que a atividade online anônima será “drasticamente reduzida” até 2020, graças a melhores
sistemas de segurança e de identificação, ao passo que 55% crêem que ainda será razoavelmente fácil navegar pela Internet em anonimato daqui a dez anos.

O Globo | 23/02/2010

Amazon e Microsoft assinam acordo para compartilhar patentes


A Microsoft anunciou nesta segunda-feira à noite [22] a assinatura de um acordo com a Amazon que estabelece que cada empresa pode aproveitar a tecnologia patenteada pela outra, incluindo a dos leitores digitais Kindle.

A empresa do Windows informou que a Amazon pagará à primeira como parte do acordo, mas não revelou o valor.

“Estamos muito felizes por ter alcançado este acordo de licença de patentes com a Amazon.com”, afirmou Horacio Gutierrez, vice-presidente corporativo e assessor geral adjunto de Propriedade Intelectual e Licenças da Microsoft.

“A carteira de patentes da Microsoft é a maior e mais forte da indústria do software, e este acordo demonstra nosso respeito mútuo da propriedade intelectual, assim como nossa capacidade de chegar a soluções pragmáticas para questões de propriedade intelectual”, disse.

O acordo abre o caminho para que os softwares da Microsoft e os programas utilizados pela Amazon.com sejam vinculados sem preocupações a respeito de violações de patentes.

O acordo, que envolve uma ampla gama de produtos e tecnologia, concede a cada empresa acesso à carteira de patentes da outra, segundo a Microsoft.

A Microsoft destacou que assinou quase 600 acordos de licenças similares desde dezembro de 2003, com empresas como Apple, Hewlett-Packard, LG Electronics, Novell, e Samsung Electronics.

da France Presse, em San Francisco | 23/02/2010 – 08h31

Veja lança canal online de livros


A VEJA  lançou uma nova plataforma de comunicação com e para leitores, o ‘VEJA Meus Livros’, em parceria com a Livraria Cultura.

Trata-se de um aplicativo hospedado nos sites de relacionamento Orkut e em breve no Facebook, que permite que o usuário compartilhe com os demais internautas quais são os seus livros preferidos, bem como visualizar o que os outros estão lendo. O serviço que está no ar desde dezembro já conquistou 17 mil usuários em menos de 15 dias.

Também neste canal o internauta poderá organizar suas futuras leituras, fazer comentários sobre os livros que já leu, marcá-los como favoritos e ainda acompanhar as resenhas dos editores de VEJA.

O aplicativo tem o objetivo de trazer para as redes sociais a crítica de VEJA em relação aos livros mais vendidos e permite que os usuários criem e compartilhem suas próprias listas de livros favoritos com os amigos. Tudo isso em parceria com a Livraria Cultura, que disponibiliza o acesso direto a compra dos exemplares que o usuário desejar.

Os cadastrados nas redes sociais terão disponível o widget ‘VEJA Meus Livros’, aplicativo grátis que, quando selecionado, passa a fazer parte da página de perfil do usuário. Neste aplicativo, basta inserir os livros prediletos, classificando-os em “Já li”, “Vou ler” ou “Recomendo”, compondo sua lista pessoal. É possível ainda navegar pelo acervo dos amigos adicionando, por exemplo, recomendações aos livros a serem lidos ou comentários relevantes.

Usuários poderão comparar suas bibliotecas com as de seus amigos, identificarem afinidades literárias, ou mesmo buscar entre parceiros de VEJA a loja virtual com a melhor opção para aquisição para presente ou próxima leitura.

A partir de março de 2010 também estará disponível no Facebook.

Adnews | 22/02/2010 | 14:13

Livros didáticos poderão ser reescritos digitalmente


Criando uma espécie de Wikipédia dos livros, a Macmillan, uma das cinco maiores editoras de livros didáticos e técnicos dos Estados Unidos, está lançando um software chamado DynamicBooks, que permitirá a professores universitários editar versões digitais de livros didáticos, adaptando-as às necessidades específicas de suas classes.

Os professores poderão reorganizar ou eliminar capítulos, inserir currículos ou anotações sobre os cursos, nos textos, bem como acrescentar vídeos, imagens e gráficos, e – o que talvez seja mais importante- reescrever e apagar parágrafos, ilustrações ou equações individuais. Embora muitas editoras ofereçam livros didáticos em versões específicas para alguns clientes já há anos – o que permite que capítulos sejam reordenados ou conteúdo criado por terceiros inserido em um livro em papel -, o DynamicBooks ofereceria aos professores o direito de alterar sentenças e parágrafos individuais sem consultar o autor do original ou a editora responsável.

Basicamente, o professor entra na rede, se conecta à ferramenta de redação e tem o conteúdo do livro ao seu dispor para realizar as alterações que deseje“, disse Brian Napack, presidente da Macmillan. “E nós nem veremos o que ele mudou”.

Em agosto, a Macmillan planeja começar a vender 100 títulos abertos ao DynamicBooks, entre os quais Chemical Principles: The Quest for Insight, de Peter Atkins e Loretta Jones, Discovering the Universe, de Neil Comins e William Kaufmann, e Psychology, de Daniel Schacter, Daniel Gilbert e Daniel Wegner. Napack disse que a editora estava considerando a possibilidade de oferecer a outras editoras a possibilidade de vender seus livros por meio do serviço DynamicBooks.

Os estudantes poderão comprar os livros eletrônicos no site www.dynamicbooks.com, em livrarias universitárias e por meio da CourseSmart, uma joint venture entre cinco editoras de livros didáticos. As edições produzidas com o DynamicBooks ¿que podem ser lidas online ou baixadas- serão legíveis em laptops e no Apple iPhone. Clancy Marshall, gerente geral da DynamicBooks, disse que a empresa pretende chegar a acordo com a Apple para que os livros eletrônicos possam ser lidos no iPad.

As edições eletrônicas alteráveis serão muito mais baratas que os livros didáticos em papel tradicionais. Psychology, por exemplo, que tem preço de tabela de US$ 134,29 [e está disponível por US$ 122,73 no site da Barnes & Noble], será vendido por US$ 48,76 em sua versão DynamicBooks. A Macmillan também está oferecendo versões alteradas impressas, que terão preços mais próximos aos dos livros didáticos tradicionais.

Fritz Foy, vice-presidente sênior de conteúdo digital na Macmillan, disse esperar que as vendas de livros eletrônicos substituam as vendas de livros usados. Parte do motivo para os altos preços dos livros didáticos tradicionais é que os estudantes tradicionalmente os revendem no mercado de usados ao completar seus cursos, por diversos anos antes que seja lançada uma edição atualizada. O DynamicBooks, disse Foy, será “específico em termos de período e de sala de aula¿, e o preço mais baixo, afirmou, deve atrair estudantes que de outra forma poderiam procurar por livros usados ou até edições pirata.

Professores que testaram o software DynamicBooks dizem gostar da ideia de realizar sintonia fina em um livro didático. “Sempre existe uma informação aqui e ali que um professor teria redigido diferente”, disse Todd Ruskell, professor de Física na Colorado School of Mines, que testou uma versão eletrônica de Physics for Scientists and Engineers, de Paul Tipler e Gene Mosca.

Frank Lyman, vice-presidente executivo da CourseSmart, afirmou esperar que alguns professores aproveitem a oportunidade de personalizar livros didáticos, mas acredita que a maioria continuará a depender das versões tradicionais.

Para muitos professores, ajuda saber que o livro passou por todo um processo e representa o melhor resultado prático para um determinado currículo“, afirmou.

Até mesmo outras editoras que permitem certo grau de personalização em seus títulos hesitam em autorizar mudanças em nível de sentença ou parágrafo.”Os livros têm o seu fluxo, e a sua voz”, disse Don Kilburn, presidente-executivo da Pearson Learning Solutions, que permite que professores mudem a ordem de capítulos e insiram materiais de fontes externas. Ele declarou não ter sido informado sobre os planos da Macmillan.

Ruskell diz não ter mudado muita coisa no livro de Física que testou com o DynamicBooks. “Ninguém vai querer fazer mudanças simplesmente porque não gosta de alguma coisa“, disse. “Será preciso pensar bem a respeito“. Comins, co-autor de Discovering the Universe, um popular livro didático de astronomia, disse que o novo programa de textos eletrônicos poderia atrapalhar o processo de incorporar sugestões recebidas, quando ele revisa seu texto para uma nova edição. “Aprendi como autor, ao longo dos anos, que não sou perfeito“, disse. “Se alguém em Iowa vê algo em meu livro que percebe como errado, estou completamente disposto a dar a essa pessoa o benefício da dúvida“.

Por outro lado, se um professor decidir reescrever parágrafos que tratam da origem do universo de um ponto de vista religioso, e não evolutivo, “eu ficaria furioso”.

Clancy, da Macmillan, disse que a editora se reservava o direito de “remover qualquer coisa considerada como plágio ou ofensa”, e que confiaria nos alunos, pais e outros professores para ajudá-la a monitorar as alterações.

Terra – 22/02/2010 – Por Motoko Rich, The New York Times

Venda de e-books cresce 176% nos EUA


A venda de e-books de 13 editoras que apresentaram seus resultados à Associação Americana de Editoras [AAP] aumentaram 176,6% em 2009 [US$ 169.5 milhões], disse a AAP na sexta-feira. O salto na venda de e-books, juntamente com um ligeiro declínio na venda de livros comerciais impressos, aumentou a fatia de mercado dos e-books de 1.2% em 2008 para 3.3% em 2009. Entre os impressos, as vendas caíram nos segmentos de paperback, capa maleável e também no mercado de capa dura para crianças. Mas aumentaram as vendas de livros em capa dura para adultos e paperback para crianças. O segmento de livros didáticos para o ensino fundamental e médio teve o desempenho mais fraco do ano, com a queda de quase 14% nas vendas das nove editoras que constam do relatório. O maior ganho do ano, excluindo os e-books, foi do setor de livros para educação superior, onde as vendas cresceram perto de 13% para as 10 editoras participantes.

Publishers Weekly – 22/02/2010 – Por Jim Milliot

The Future of the Internet, de Jonathan Zittrain


A discussão sobre a Apple querer controlar a Web, ou construir uma nova rede a partir de iPads, não é original. Remonta ao lançamento do iPhone, e a um livro que já aprofundava essas questões em 2008, The Future of the Internet – And How to Stop It, de Jonathan Zittrain. Advogado, professor de Oxford e também ligado a Harvard, Zittrain escreveu uma “introdução” em que diz tudo: Steve Jobs foi responsável pela revolução dos computadores pessoais, no final da década de 70, mas, nos anos 2000, era o mesmo sujeito que ansiava por fiscalizar (e taxar) os aplicativos para o iPhone. Zittrain argumenta que os computadores pessoais [ou PCs, em inglês], combinados com a internet, permitiram uma infinidade de aplicações desde as planilhas eletrônicas [o VisiCalc é de 1979] até a Web 2.0 [embora ele tema que alguém possa vir a controlar essa plataforma – o Google?]. Se os PCs têm bugs, a rede traz vírus e Web está sujeita a invasões de hackers, por outro lado, essa mesma “abertura” deu origem a sistemas operacionais como o Linux, a verdadeiros movimentos como o do “software livre” e a monumentos da colaboração como a Wikipedia. Aliás, a história da enciclopédia on-line – contada por Zittrain – é uma das melhores até agora, segundo o próprio fundador, Jimmy “Jimbo” Wales. Bill Gates e a Microsoft podem ter sido identificados com o “mal” por terem dominado o mundo com o Windows durante décadas, mas Jonathan Zittrain não acha que Steve Jobs seja, exatamente, “bonzinho” – quando deseja restringir o acesso à sua plataforma e “cobrar”, dos desenvolvedores, uma fração de tudo o que “roda” em iPhones [e, em breve, iPads]. E quando o Google fez sua IPO e lançou seu mantra “Don’t be evil”, era, naturalmente, à Microsoft que estava se referindo – mas o mundo nem sempre parou para pensar o quanto de informações pessoais o Google já detém… O livro de Zittrain é melhor no começo do que no final, e sua estrutura circular cansa um pouco, mas sua tese continua válida – sobretudo num mundo em que o iPhone vai se tornando o celular dominante e em que o iPad já acena no horizonte…

Digestivo Cultural | Julio Daio Borges | Segunda-feira, 22/2/2010 |

Alemanha desafia Google e trabalha para montar sua própria biblioteca online


A Biblioteca Digital Alemã quer tornar milhões de livros, filmes, imagens e gravações em áudio acessíveis online. Mais de 30 mil bibliotecas, museus e arquivos deverão contribuir com seus artefatos culturais digitalizados. A ideia, em parte, é competir com o Google Livros. Mas funcionará?

ScanRobot, uma máquina capaz de digitalizar livros inteiros automaticamente

Em um dia bom, o leitor mecânico lê até 1.216 páginas por hora. Assoviando silenciosamente, devorando livro após livro. De vez em quando ele diz: “Pffft”.

Este é um robô moderno em funcionamento. Ele escaneia automaticamente todo livro colocado aberto diante dele. Uma cunha fina desce até a dobra, varre as páginas da esquerda e da direita e copia seu conteúdo. Elas são fotografadas e com um gentil sopro de ar –pffft– o robô vira a página.

E assim prossegue, dia após dia, no Centro de Digitalização da Biblioteca Estadual Bávara em Munique. Cerca de 45 mil obras já foram escaneadas –de “Nibelungenlied” em pergaminho até uma partitura original escrita à mão por Gustav Mahler.

Reconhecidamente, tesouros dos primórdios da cultura do livro costumam ser escaneados à mão. O robô cede lugar quando se vê diante de livros frágeis, que podem pesar dezenas de quilos, estar encadernados em couro ou apresentar capas de madeira.

No final, um novo portal de Internet se beneficiará da riqueza desses bancos de dados de Munique. A Biblioteca Digital Alemã [Deutsche Digitale Bibliothek, ou DDB] se transformará em um centro online para milhões de livros, revistas, fotos e filmes. Bibliotecas, museus e arquivos de todo o país deverão contribuir com artefatos culturais digitalizados.

Uma câmara de maravilhas

Mas levará tempo. A primeira versão de teste poderá estar online em 2011 –“e será apenas para um grupo restrito de usuários”, diz Ute Schwens, uma diretora da Biblioteca Nacional Alemã em Frankfurt, que está coordenando a DDB.

O ministro da Cultura da Alemanha, Bernd Neumann, da União Democrata Cristã [CDU], chama a visão a longo prazo de “um projeto do século”. Os iniciadores prometem uma câmara virtual de maravilhas, boa tanto para pessoas leigas quanto para pesquisadores à procura de fontes específicas e documentos científicos. Digite “Beethoven” e você encontrará não apenas livros sobre o compositor, mas –no final– partituras escritas à mão, amostras de música e talvez até mesmo uma versão filmada de “Fidélio”.

O gabinete federal alemão deu o sinal verde no início de dezembro. A meta é integrar a DDB com o Europeana, o portal europeu lançado em 2008 com ambições semelhantes.

Essa diligência europeia foi estimulada, principalmente, pelo Google, que já digitalizou mais de 10 milhões de livros em todo o mundo. Houve alertas contra uma corporação privada obtendo um monopólio cultural. O Europeana e a DDB prometem respeitar os direitos autorais que o Google até o momento respeita apenas relutantemente. Jean-Noël Jeanneney, um ex-presidente da Biblioteca Nacional Francesa, falou sobre um “modelo anticapitalista para combater o poder do Google”.

A digitalização também é uma forma de combater a vulnerabilidade do livro como meio. Um incêndio em 2004 na Biblioteca Anna Amalia, em Weimar, destruiu 50 mil volumes, alguns deles insubstituíveis. Cópias digitais de backup poderiam limitar essas perdas no futuro.

Enquanto os especialistas na Alemanha embarcam nos trabalhos preliminares, está aparente que o empreendimento enfrenta desafios temíveis. As metas tecnológicas por si só parecem ambiciosas. O Instituto Fraunhofer em Sankt Augustin, perto de Bonn, é responsável pela tecnologia de informática da DDB. Ele está desenvolvendo programas para reconhecer pessoas em filmes, converter discursos gravados em texto pesquisável e indexar automaticamente os documentos.

Mais audaciosa é a abrangência proposta do novo portal. Mais de 30 mil museus, arquivos e coleções científicas por toda a Alemanha supostamente estariam interligados. Os criadores da DDB ficarão satisfeitos, por ora, com uma centena de participantes, mas instituições de prestígio como o Hamburger Kunsthalle ou o Museu Städel, em Frankfurt, ainda não estão nem mesmo na lista.

Ambição em excesso, recursos em falta

Rolf Griebel, diretor geral da Biblioteca Estadual Bávara, que considera o projeto “bom e que já devia ter sido iniciado há muito tempo”, todavia alerta contra planos exagerados. “Eu tenho sérias dúvidas sobre se a DDB conseguirá dispor de conteúdo apropriado e dentro de um prazo razoável”, ele diz.

Griebel estima que o escaneamento de um livro do século 16 ou 17 custa entre 70 e 140 euros, dependendo do volume de trabalho. Títulos contemporâneos são mais baratos, mas as quantidades envolvidas são enormes. A Associação Alemã das Bibliotecas está propondo a digitalização de cerca de 5,5 milhões de volumes nos primeiros 10 anos. Isso custaria pelo menos 165 milhões de euros. Mas de onde virá o dinheiro?

Os alemães estão olhando com inveja para a França, onde o presidente Nicolas Sarkozy prometeu recentemente levantar 750 milhões de euros para pagar pela digitalização da cultura nacional da França.

O projeto alemão, por sua vez, pode ter falhas culturais óbvias por muitos anos. O usuário ficará satisfeito em se deparar com grandes descobertas ocasionais? Não seria preferível fazer menos, mas fazer direito? “Para começar, certamente faria sentido limitar isto a áreas e temas selecionados”, diz Griebel.

Mas os planejadores da DDB não aceitam isso. Toda atividade cultural, toda ciência, todo tipo de documento é válido –preferivelmente de todos os museus e bibliotecas da Alemanha. E a tecnologia de busca será mais sofisticada do que apenas a procura por termos, como oferecida pelo Google. As coleções da DDB [segundo o plano atual] serão indexadas segundo uma variedade de critérios – local, tempo, tema. Esse índice só funcionará se os objetos forem descritos em detalhes.

Neste esforço, a DDB tem se beneficiado de alguma tecnologia básica do programa Theseus, financiado pelo governo alemão. Os pesquisadores do Theseus trabalham desde 2007 em métodos para indexação de imagens, filmes, gravações de áudio e livros. Se o computador tiver um entendimento rudimentar do que está acontecendo, ele pode preencher vários campos automaticamente – algo indispensável para as vastas quantidades de documentos com que a DDB terá que lidar.

Os pesquisadores estão informando um progresso inicial no reconhecimento de elementos em filmes e fotos. “Faces ainda são difíceis, mas está se saindo bem com árvores, carros e prédios”, diz Thomas Niessen, chefe do Theseus. O computador também está tendo certo sucesso em converter palavra falada em texto pesquisável –ele até mesmo tenta separar pessoas, lugares e eventos relevantes.

Completo com passagens de trem alemãs

Enquanto isso, um debate está em andamento sobre o quadro maior. Como exatamente a DDB deveria servir tanto a leigos quanto a pesquisadores? E como um portal ideal deve se parecer?

Reinhard Altenhöner, da Biblioteca Nacional Alemã, acha que os usuários poderiam poder postar suas próprias contribuições. “Se um arquivo municipal fornece material sobre a história de uma rua”, ele diz, “os moradores poderiam enriquecê-la com suas próprias histórias e fotos”.

Os museus poderiam inserir links em resultados de busca para exposições atuais relevantes. Uma pequena demonstração na tela ilustra como isso poderia funcionar. “E aqui”, diz Altenhöner, clicando em outro link, “aqui você até mesmo poderia comprar uma passagem para o Deutsche Bahn”.

Esses extras sutis não podem ser encontrados no Google. A empresa de ferramenta de busca prefere projetos que possam ser explicados em uma única sentença. No caso da digitalização, a meta é simples: todo livro do mundo em uma apresentação fácil para o usuário. Além disso, a melhor tecnologia de indexação é de pouca utilidade.

As consequências de ignorar este axioma são ilustradas pelo site Europeana. Após uma longa estagnação, a coleção deverá crescer para 10 milhões de artefatos culturais até meados de 2010. “Isso nos torna líderes globais”, diz Stefan Gradmann, um cientista da informação de Berlim e um membro do comitê executivo do Europeana.

Alguns itens já estão acessíveis pelo site, em caráter de teste, utilizando busca inteligente. Digite, digamos, “Paris” e o Europeana também retorna Montmartre e o Jardin des Tuileries; aparecem fontes relacionadas a Paris, o príncipe da mitologia grega. A ferramenta de busca também está familiarizada com seu feito fatídico, o “rapto de Helena”. Ele encontra documentos, em outras palavras, que não contêm o termo da busca. Mas navegar pelo Europeana não é muito agradável. Os resultados são exibidos em miniaturas do tamanho de selos postais. Se você clicar para ver uma imagem maior, você é levado ao instituto correspondente. Logo você se vê vagando impotente por dezenas de sites diferentes de museus e bibliotecas –e acaba perdido em algum ponto entre a “Vlaamse Kunstcollectie” e a “Wielkopolska Biblioteka Cyfrowa”.

Não seria preferível incorporar todas as exposições dentro da estrutura familiar do Europeana? “Nós preferiríamos isso”, diz Gradmann. “Mas então os museus não participariam.” Eles insistem em apresentar seus próprios tesouros.

Bibliotecas digitais, ao estilo babilônico

Se a DDB ceder à vaidade dos institutos participantes, o resultado será uma estrutura babilônica com 30 mil anexos. Alguém teria paciência para navegar por um índice consistindo de 30 mil sites idiossincráticos?

A promessa de observar rigidamente os direitos autorais também traz problemas. As únicas obras que a DDB pode escanear livremente são aquelas de autores que morreram há pelo menos 70 anos. Para documentos mais novos cujos autores não podem ser contatados, um acordo será acertado com as coletividades relevantes de direitos autorais.

Schwens, a coordenadora da DDB, também deseja incorporar material contemporâneo. “Seria uma vergonha”, ela diz, “se conhecimento científico atual não puder ser encontrado via a DDB”. As negociações com os editores também já estão em andamento. De modo ideal, diz Schwens, haveria uma “loja única” onde o usuário poderia comprar ou alugar eletronicamente a obra que o interessa.

A loja online Libreka, operada pela Associação Alemã das Livrarias, estaria disponível para venda de livros. Mas a Libreka tem uma reputação duvidosa: muitos de seus livros eletrônicos apresentam intricada proteção contra cópia. Os editores querem dessa forma. E muitos de seus livros best sellers tendem a não aparecer, por medo da pirataria digital.

O projeto alemão de digitalização é ameaçado de dois lados: não há dinheiro suficiente para o escaneamento de obras mais antigas, enquanto o acesso a novas obras – que podem já existir em formato digital– provavelmente será bloqueado por editores ansiosos.

Logo, não seria melhor deixar o Google assumir a coisa toda? Até meados de 2010, a empresa americana deseja começar a vender livros eletrônicos. Meio milhão de títulos já foi destinado para o projeto “Edições Google”, com 63% de cada venda destinada à editora e o Google ficando com o restante.

A experiência da Biblioteca Estadual Bávara com o Google tem sido boa até o momento. Desde 2007, o Google tem digitalizado livros sem direitos autorais e que estão sob custódia cultural de Munique –cerca de um milhão de volumes até o momento. Em duras negociações, a biblioteca assegurou o direito de ter sua própria cópia de cada livro, para apresentar da forma como bem desejar. O acesso livre a esses tesouros está, portanto, garantido.

E o escaneamento prossegue como um relógio. Toda semana cerca de 5 mil volumes deixam as salas da biblioteca estadual. Um caminhão os leva até um endereço secreto na Baviera, onde os scanners do Google trabalham sem parar. Neste ritmo, tudo estará concluído em apenas quatro anos.

UOL Notícias | Por Manfred Dworschak e George El Khouri Andolfato | 22/02/2010 – 00h01

Ele vai matar o livro


A varejista virtual norte-americana Amazon.com vendeu mais livros eletrônicos do que físicos no Natal de 2009

Da forma que conhecemos, o livro está fadado a sumir?

A varejista virtual norte-americana Amazon.com vendeu mais livros eletrônicos do que físicos no Natal de 2009. O Kindle, seu popular e-book, também foi o presente mais comprado da história da companhia. Os investidores começam a ficar irritados com a companhia de Jeff Bezos por não divulgar dados específicos sobre o desempenho comercial do produto.

At questão não é de números, mas de lógica. Assim como aconteceu com a indústria de música e a cinematográfica, o setor editorial também vai ter de se adaptar ao formato digital. Não será um tsunami, mas deixará os seus esqueletos pelo caminho.

O primeiro corpo será o livro no seu formato físico. O outro cadáver serão as editoras que acreditarem que a profecia é apenas previsão de falsos profetas apocalípticos. Há várias vantagens no livro eletrônico. Em primeiro lugar, ele é ecológico. Não é preciso derrubar árvores para produzi-lo. Ele também poupa espaço nas estantes dos leitores. O Kindle, por exemplo, pode guardar até 1,5 mil obras. Não se esqueça de que ele é portátil. Portanto, é possível levar sua biblioteca completa na pasta ou mochila. As telas dos e-books estão também cada vez mais sofisticadas e menos brilhantes. Quem já teve a experiência de ler em um Kindle diz que depois de minutos o formato eletrônico deixa de ser notado. O que resta é o prazer da leitura. É isto o que importa, independentemente de o livro ser digital ou de papel.

As editoras parecem já ter percebido que o livro no formato físico é um “animal” a caminho da extinção. Uma pesquisa realizada na Feira de Frankfurt com mais de mil representantes do mercado editorial de todos os continentes indicou que eles acreditam que em 2018 os livros eletrônicos superarão em volume de negócios os de papel. No Brasil, a Zahar começou a disponibilizar parte do seu acervo por meio da Gato Sabido, a primeira loja puro-sangue de e-books do País.

Os escritores Paulo Coelho e Rubem Fonseca já vendem seus livros em formato digital. E a recifense Mix Tecnologia promete lançar o primeiro aparelho brasileiro para ler livros eletrônicos. O Mix Leitor D chegará ao mercado no primeiro semestre de 2010. Ele se somará aos fabricados pela Samsung, Fujitsu, Sony e Amazon. Há outro incentivo que promete impulsionar ainda mais o livro eletrônico no Brasil. A Justiça decidiu que os leitores de e-books contem com a mesma imunidade tributária de livros e revistas importados. Até agora, eles vinham sendo tratados como eletrônicos, cuja taxa é de 60%.

Desde que a primeira Bíblia foi impressa por Gutenberg, em 1455, nunca houve uma tecnologia que tivesse durado por mais de 500 anos. O livro, neste período, pouco mudou do seu formato original. Se Gutenberg ainda estivesse vivo, provavelmente reconheceria um exemplar nos dias de hoje. O fundador da Amazon.com, Jeff Bezos, revolucionou o varejo quando fundou a empresa em 1994. Agora, ele está mudando a forma como lemos. Eu não sentirei saudade das traças.

Artigo publicado originalmente em ISTOÉ Dinheiro | Por Ralphe Manzoni Jr. | Nº EDIÇÃO: 640 | 21/02/2010 – 16:05

O devorador da web


O jornalista norte-americano David Kirkpatrick, 57, identifica no site de relacionamentos Facebook a ambição de dominar o mundo das informações pessoais. Para ele e os executivos do site, isso não é vilania, mas um serviço. Kirkpatrick está escrevendo The Facebook Effect -The Inside Story of the Company That’s Connecting the World, com previsão de lançamento em junho pela editora Simon & Schuster.

Folha de S. Paulo – 21/02/2010 – Por Ernane Guimarães Neto

Venda de e-books cresce 176% em 2009


Na última quinta-feira, o juiz nova-iorquino Denny Chin começou a escrever o último capítulo de uma história que parecia não ter fim. Após uma mal-sucedida tentativa de acordo no final do ano passado, finalmente a Justiça norte-americana decidirá se o Google pode ou não seguir em frente com projeto Books, que quer digitalizar 12 milhões de livros com o copyright expirado e criar a maior biblioteca da web.

Pouco depois de ser anunciado, em 2005, o Google Books foi bombardeado por editoras, autores e detentores de direitos autorais de livros fora de catálogo. O processo instalado na Corte norte-americana, movido pela associação de editoras Authors Guild, arrasta-se até hoje, após adiamentos.

Se liberada, a empresa poderá cobrar uma assinatura para o serviço ou mesmo vender e-books avulsos, direto pelo seu site. “Não é uma enorme biblioteca, é uma enorme loja”, atacou a porta-voz das editoras contrárias, Sarah Canzoneri, em uma audiência do caso, que chegou em sua última instância.

Ao mesmo tempo em que pode tornar os livros mais populares, principalmente aqueles sem interesse comercial, uma decisão favorável ao Google faria da empresa uma exceção: ela seria a única com autorização para ignorar direitos de autor.

A decisão é complicada por si só, mas fica mais ainda quando vemos as partes envolvidas. Microsoft e Amazon, que teme perder parte do mercado do Kindle, juntaram-se para fazer lobby contrário, ganhando o reforço até do Departamento de Justiça dos EUA. Já a Federação Nacional dos Cegos diz que as capacidades de áudio do sistema do Google fariam 10 milhões de livros acessíveis para os deficientes visuais, democratizando-os. Os argumentos são conflituosos, mas os dois lados têm um pouco de razão. A decisão, no entanto, será só uma. Finalmente é hora de saber se o Books sai ou não do papel.

Rafael Cabral – Estadão – 21/02/2010

Ameaça ao livro não é e-reader, mas falta de novos leitores, diz dono da Livraria Cultura


Numa viagem recente a Nova York, o dono da Livraria Cultura, Pedro Herz, fez um teste: ao andar de metrô pela cidade, observou quantos passageiros portavam e-readers. Em dez dias, encontrou um único leitor com o novo equipamento.

Herz diz já ter visto burburinho semelhante em outros tempos, avalia que tudo não passa de “uma nuvem” e atribui tanto barulho à sede da indústria eletrônica por escoar os novos produtos que cria em velocidade incontrolável. A ameaça real ao futuro do livro, opina, é ausência de novos leitores entre os jovens.

Apesar do ceticismo quanto à nova coqueluche do mercado, ele informa que em março a Cultura passará a vender 150 mil títulos de e-books em suas lojas.

Neste ano, a rede, que tem nove unidades [cinco em São paulo e as outras em Campinas, Recife, Porto Alegre e Brasília], abrirá mais três: Salvador, Fortaleza e uma segunda na capital federal.

Com mais de 3 milhões de títulos em catálogo e 1.400 funcionários [serão mais 400 para as três novas lojas], a Cultura teve faturamento de R$ 274 milhões em 2009, crescimento de 18% em relação a 2008.

Segundo Herz, está mantida a decisão de pôr fim à empresa familiar na terceira geração [ou seja, a de seus filhos] e de abrir em breve o capital. Por ora deu apenas o primeiro passo, se associando no ano passado ao fundo de investimento Capital Mezanino. O fundo tem hoje 16% da empresa e família Herz, 84% –Pedro é o presidente do Conselho de Administração.

Pedro Herz, dono da Livraria Cultura; em março empresa vai disponibilizar 150 mil títulos para e-readers

Leia a seguir a entrevista que ele deu à Folha num restaurante paulistano.

Folha – Quando a internet surgiu como uma ameaça ao mercado de livros, você começou antes a vender online. Agora, que o livro eletrônico paira como ameaça ao livro de papel, o que a Cultura vai fazer?

Pedro Herz – Em março vamos disponibilizar 150 mil títulos em formatos para e-readers. Eu acho que é uma opção a mais para o leitor. Não vamos vender o hardware, só conteúdo. Os formatos são tantos que pode ser que você compre num formato que o seu leitor [equipamento] não leia. A Amazon fez isso com o Kindle, se você comprar um e-book na [livraria] Barnes & Noble e tem um Kindle, não conseguirá ler. Foi um tiro no pé da Amazon, obrigar o leitor a comprar no seu formato. É o carregador de celular que só serve no seu, uma ideia totalmente superada.

Os formatos são vários, dependerá de como cada editora vai digitalizar seus livros.

Vai ser uma barafunda, porque se você tem um formato e teu e-reader não lê, onde o leitor vai reclamar? É o que está acontecendo um pouco nos EUA, com a MacMillan e a Amazon, mas pela guerra de preços [por discordância sobre o valor dos livros, títulos da editora foram retirados do catálogo da Amazon, mas depois elas chegaram a acordo].

Não sei bem, está tudo muito cru, muito no início, e não sei bem como serão as vendas. Acho que bem pequenas.

Acho o e-reader uma ferramenta fantástica, mas daí a virar o substituto do livro… Já vi esse filme antes, já vi o VHS chegar e dizer que ia acabar com o cinema. Já vi, na Feira de Frankfurt, dizerem que o mundo ia virar CD-ROM, e o mundo não virou CD-ROM. Dois anos depois não se falava nisso, as editoras me falavam: “Pô, perdemos um dinheirão, admitimos um monte de gente e não deu em nada”. A sensação que eu tenho é que a gente está vendo uma nuvem, que vai passar. Pode ser que chova, mas, num curto prazo, não vai acontecer nada.

Folha – O sr. tem e-reader, usa para ler?

Herz – Não, tem um monte na livraria, mas eu não uso.

Folha – E tem um monte para quê?

Herz – Pra conhecer. Eu estive em Nova York há pouco, passei dez dias, e fiquei muito atento a quantas pessoas eu ia ver lendo em e-reader. Gastei mais de US$ 80 em metrô, pra cima e pra baixo. Se eu te disser que vi um único cidadão com um na mão, você acredita? Em dez dias em Nova York, andando de metrô, onde todo mundo lia – ou uma revista, ou um jornal ou um livro -, eu vi uma pessoa com um e-reader. Um detalhe que me chamou a atenção foi que esse leitor lia segurando o aparelho com as duas mãos, e as pessoas que liam livros usavam uma mão apenas. São coisas interessantes. Dos leitores que entrevistei informalmente nas livrarias, 100% disseram que não vão trocar.

Folha – Em que medida o rebuliço em torno do e-reader se deve ao poder de marketing da indústria eletrônica?

Herz – Não só o marketing é tão forte como a indústria, qualquer indústria, tem necessidade de criar modelos novos, seja do que for, e escoar os modelos novos. E existem coisas paradoxais: todo mundo trabalha para ter mais tempo de lazer, aí chega a indústria e desenvolve um computador que é um centésimo de milésimo de segundo mais rápido do que aquele que você tem e tenta te convencer a comprar o desgraçado. Peraí, mas se eu quero ter mais tempo, por que meu computador tem que ser Fórmula 1? Eu não tenho certeza se as pessoas querem essa velocidade toda. Eu troco de carro a cada cinco anos, e sou um cara que ando pouco, quando compro um carro algum amigo já diz: “Esse carro é meu quando você vender“. Se você me perguntar por que que eu troquei, eu não sei te responder direito.

Folha – Qual a principal desvantagem do livro de papel?

Herz – Imagina um advogado que vai fazer uma audiência no Acre e tem que levar aquela papelada do processo. Um editor de uma grande editora de livros, que recebe 50 livros novos por semana de todo mundo, para resolver se vai publicar ou não, ter isso digitalizado e num voo de 12 horas para a Europa ir dando uma olhada no que interessa ou não. É de uma utilidade fantástica, mas não sei se é a melhor ferramenta para o leitor de livros. E tem outra pergunta que eu faço: fará novos leitores? Quem não lê livro de papel, não vai passar a ler por causa do livro eletrônico. Eu não sei como reagirão os que estão na maternidade.

Acredito que quem faz leitor são os pais, inegavelmente. Os jovens leitores são filhos de leitores. Dificilmente aparece uma criança ou adolescente que não tenha os pais leitores. A grande campanha que na minha opinião deveria ser feita pelo governo é mais ou menos assim: “Se você não lê, como quer que seu filho leia?“. Essa é a pergunta que deve ser feita. Porque os meus filhos “liam” sem ser alfabetizados, pegavam o livro na mão para imitar os meus gestos.

Folha – As vendas de livros pela internet representam quanto do total de vendas da Livraria Cultura?

Herz – É a nossa segunda loja. A primeira é a da Paulista. [As vendas pela internet] representam 16% do faturamento [em 2009].

Folha – Esse índice vem crescendo nos últimos anos?

Herz – Vem, mas as vendas das lojas físicas também.

Folha – Proporcionalmente, qual cresceu mais?

Herz – Não tenho a informação, teria de separar isso, ver quanto a internet cresceu sem abertura de lojas. Vi uma coisa interessante: abri uma loja em Brasília, que vai super bem. A [venda pela] internet na região fez isso [faz com a mão gesto de subida]. É de alguma forma um símbolo de segurança para o comprador. E muita gente usa a internet para pesquisa, e realiza a compra fisicamente. É muito comum você ver o cara chegar na livraria com o que ele imprimiu na internet.

FABIO VICTOR para a Folha de S.Paulo – 21/02/2010 – 07h42

Saiba como ler e-books mesmo sem ter um equipamento como o Kindle


Após o lançamento do Kindle, o mercado de e-readers [leitores eletrônicos] cresceu consideravelmente: tanto é que uma série de equipamentos foram apresentados durante a CES 2010, realizada no início do ano em Las Vegas. No entanto,  há poucas opções no país e as que têm ainda são caras [o Kindle sai por cerca de 1 mil e o Cool-er custa R$ 750]. Uma solução para contornar a situação é ler e-books no próprio computador ou em  smartphones. Confira abaixo algumas dicas de programas que cumprem essa função:

Pelo computador

Ainda que algumas pessoas não gostem de ler no computador, há pessoas que não veem problema em ler diante do monitor. Até por que, diferente de boa parte dos e-readers, os computadores têm telas coloridas, o que torna a leitura de alguns livros, quando tem imagens, mais interessante.

Kindle for PC

Com esse intuito, a Amazon, que fabrica o Kindle, disponibilizou um programa, o Kindle for PC, para a leitura de livros baixados na loja de comércio eletrônico. Após fazer um cadastro no site, o programa dá acesso direto à divisão destacada para a parte de e-books, porém o programa só lê arquivos com a extensão AZW, que é um formato proprietário para o leitor digital americano. Para contornar o problema, já há formas de transformar títulos PDF para o AZW. Um exemplo disso é o programa Calibre, que faz esse processo de conversão.

Outras alternativas

Em contrapartida, há ainda os formatos PDF e ePUB, com milhares de títulos gratuitos disponíveis em sites como o Google Books ou o Domínio Público. Para ler arquivos PDF, é necessário baixar algum leitor deste tipo de extensão. Há várias opções como: Adobe Reader, Foxit Reader, o Sumatra PDF, entre outras. Todas essas são gratuitas.

O formato ePUB, que promete ser uma espécie de MP3 do mundo dos livros digitais, sobretudo por não ter DRM [Gestão de Direitos Autorais, em português], também é largamente utilizado por sites de e-books. Para ler arquivos com essa extensão tem o FBReader e o Digital Editions, da Adobe. Muito mais que um leitor de arquivos, o Digital Editions é uma espécie de gerenciador de e-books. O programa organiza os livros em “prateleiras” e também lê arquivos PDF.

Smartphones

Para os que não se incomodam com o tamanho de tela reduzido, alguns smartphones oferecerem programas para leitura. Alguns são específicos para leitura como o iSilo ou o Kindle e outros, como o Adobe Reader Mobile só leem PDF.

Tela de um iPhone, rodando a versão do Kindle para celular

iPhone

Para quem não quer comprar um e-reader como o Kindle ou o Cool-er, pode optar em ler livros eletrônicos no  smartphone. Para usuários de iPhone tem algumas opções de programas: o Kindle for iPhone, que inclusive permite o download de livros; o iSilo, o PDF Reader e o Documents to GO. Esse último, além de ler PDF, edita arquivos do Word e do Excel. Há também opções gratuitas como o Good Reader Lite e o eReader. Todos disponíveis na iTunes AppStore.

Symbian

Os usuários com telefones Symbian podem baixar leitores de livros eletrônicos como os gratuitos eReader [lê PDF e ePUB] e Adobe Reader ou o Documents to GO, que é pago e conta com uma série de aplicativos que transformam o smartphone em um escritório: o programa lê e edita arquivos PDF, DOC, XLS. Algumas versões até editam apresentações do Power Point.

Windows Mobile

Para o sistema da Microsoft está disponível o Mobipocket. O programa permite configurar o espaçamento das linhas do texto e realizar buscas, porém ele usa o formato PRC, comum em dispositivos Palm. No site do aplicativo há uma série de títulos disponível para download.

Com o mesmo estilo e suportando mais formatos há também o iSilo e o eReader.

Android

Um dos aplicativo para leitura de livros em celulares com sistema Android é o Aldiko. O programa, que pode ser baixado gratuitamente na Android Market, quando conectado à internet, disponibiliza uma série de livros ePUB para download.

Para acessar a lista completa e atualizada de aplicativos Androids, o usuário deverá acessar a loja de aplicativos direto do celular com o sistema. Caso contrário, só será possível visualizar alguns aplicativos.

Blackberry

Recentemente, a Amazon disponibilizou o Kindle for Blackberry para usuários americanos. Até o momento não há previsão para que o programa fique disponível no Brasil. Porém, a Blackberry mantém uma loja de aplicativos, parecida com a iTunes Store e a Android Market, onde podem ser buscados e-readers. A Blackberry App World conta com programas pagos como o BeamReader PDF Viewer e o Documents to Go. Gratuito tem o  WattPad, que dá acesso a mais de 200.000 e-books.

GUILHERME TAGIAROLI | Do UOL Tecnologia | 20/02/2010 – 08h00

Amazon abre Kindle para autores e editoras em espanhol, português e italiano


O leitor digital nos modelos Kindle e Kindle DX

A Amazon anunciou que vai ampliar a oferta de livros nos idiomas espanhol, português e italiano para o seu dispositivo de leitura eletrônica Kindle. O anúncio foi feito nesta sexta-feira [19]. Com a manobra, o e-reader da Amazon fica com um total de seis idiomas – os já disponíveis são inglês, francês e alemão.

Russ Grandinetti, vice-presidente de conteúdo do Kindle, disse que a ampliação é boa para a empresa. “Estamos animados para oferecer ainda mais línguas para que proprietários de conteúdo possam oferecer os seus livros para o público, dentro da rápida expansão dos proprietários Kindle no mundo.

Folha Online – 19/02/2010 – 18h39

O futuro do livro


Jason Epstein escreve sobre o futuro digital dos livros no New York Review of Books:

O custo de entrada para futuras editoras será mínimo, exigindo somente o cuidado de um grupo editorial e seus serviços imediatos de apoio, mas sem as despesas da estrutura tradicional de distribuição com seus vários níveis de gerenciamento. Pequenas editoras já contam com serviços externos como administração, consultoria legal, contabilidade, design, revisão, publicidade e outros, enquanto a internet irá oferecer oportunidades de publicidade viral das quais o YouTube e o Facebook são os precursores. O financiamento dos adiantamentos aos autores virão de investidores externos em busca de lucro, como acontece hoje com filmes e peças de teatro. A mudança da administração complexa e centralizada para unidades editorias semi-autônomas já é evidente nos conglomerados [por exemplo, Nan A. Talese na Random House e Jonathan Karp na Hachette], uma tendência que irá se fortalecer enquanto a companhia controladora desaparece. Com a resistência dos conglomerados às exigências exorbitantes dos autores de best-sellers, cujos livros previsivelmente dominam as listas de mais vendidos, esses autores, com a ajuda de agentes e administradores, irão se tornar seus próprios editores, ficando com todo o resultado líquido do meio digital e das vendas tradicionais. Com a Expresso Book Machine, varejistas de livros poderão se tornar editores, com seus antecessores do século 18.

Epstein sabe do que fala. Ele lançou as edições de baixo custo [trade paperback] no mercado americano em 1952, criou o New York Review of Books em 1963 e fundou em 1979 a Library of America, editora sem fins lucrativos que lança clássicos americanos. Há três anos, Epstein criou a On Demand Books, empresa responsável pela Expresso Book Machine, citada no texto, que imprime na hora o livro que o consumidor quer comprar.

O autor enxerga perigos na transição para o mundo digital. Um deles é a questão do direito autoral, pois autores de livros não podem viver de shows e vendas de outros produtos como fazem os músicos. Outro é a fantasia de que todos os livros vão se fundir em um único, coletivo, no ambiente digital. Ele acredita, no entanto, que os livros de papel continuarão a ser impressos, mesmo com o crescimento do digital. Eu tenho dúvidas sérias a esse respeito.

Por Renato Cruz para o LINK | 19 de fevereiro de 2010| 17h19

Mais uma etapa


Ontem, durante mais de quatro horas, o juiz Denny Chin ouviu argumentos favoráveis e contrários à ideia do Google de escanear livros e disponibilizá-los em sua biblioteca digital. No entanto, ele disse que não tomaria sua decisão naquele momento porque era “muito para digerir”. Entre os entusiastas da biblioteca, que acreditam que o acordo permitirá acesso a milhões de livros difíceis de serem encontrados, estavam o presidente da Federação Nacional dos Cegos, o bibliotecário da Universidade de Michigan e o advogado da Sony Eletronics. Do outro lado, pensando na competição, privacidade e direitos autorais, estavam os advogados das rivais Amazon e Microsoft, além de representantes de vários autores, agentes literários e porta-vozes da Pensilvânia e da Alemanha. As informações são de Motoko Rich para o The New York Times e a matéria pode ser lida na íntegra aqui.

PublishNews – 19/02/2010 – Por Redação

Pesquisa investigará o leitor do livro digital


O que brasileiros acham de ler nos diversos suportes do livro digital? Os que não o conhecem querem ou não migrar para ele? O que poderia levar a esse tipo de leitura? Mas, afinal, o que os leitores pensam de verdade sobre isso?! Essas e outras questões estão animando o Observatório do Livro e da Leitura a realizar o primeiro estudo sobre o tema no País. A iniciativa da pesquisa é da Imprensa Oficial de SP e da Câmara Brasileira do Livro e os resultados serão anunciados em fins de março, no Congresso Internacional do Livro Digital, que acontece dentro do 36º Encontro de Editores e Livreiros.

Revista do Observatório do Livro e da Leitura | 19/02/2010

Kindle para BlackBerry


Como tudo o que acontece nos mundo da tecnologia, os EUA sempre serão os principais atores, ou seja, sempre serão beneficiados pelo grande mercado que possuem. E isso não é uma reclamação, mas sim uma afirmação.

Não seria diferente com a primeira versão do Kindle, da Amazon, para BlackBerry. Como sempre, a Amazon disponibilizou para download, mas somente para usuários dos Estados Unidos.

Mas se você tem uma conta na Amazon.com e está acostumado a comprar por lá, pode fazer o download do Kindle para BlackBerry e comprar sem problemas.

Eu já fiz um teste e comprei um livro que aqui no Brasil não sairia por menos de R$ 50,00 [nem sei se temos traduzido]. Veja telas abaixo:

Infelizmente, não consegui tirar uma foto da tela de como fica o livro, estou testando em um BlackBerry Storm, que tem a tela melhor para leitura.

É uma ótima dica, para aqueles momentos em que você fica sem fazer nada no saguão do aeroporto, aguardando seu dentista, ou na recepção aguardando para alguma reunião.

Até agora, o ponto falho que observei, e que seria o principal motivo da minha total adesão ao Kindle, é a ausência da possibilidade de ler jornais e revistas. Fora isso, vale a pena.

Se você, assim como eu tem uma conta na Amazon, baixe agora seu aplicativo Kindle para BlackBerry: www.amazon.com/kindlebb.

Sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010 às 09h00
Por Luciano Alves de Oliveira, criador do Blog BlackBerry World Brasil e Carrier Relationship Manager para América Latina da Navita Tecnologia. Lukemobile@uol.com.br. http://www.portalbbw.uol.com.br

Leitor digital Cool-er cumpre o que promete, mas trava na execução de áudio


O leitor digital Cool-er, vendido no Brasil por R$ 750, cumpre bem sua função: permite a leitura clara de textos no e-reader, sem cansar a vista. Porém, o gadget apresenta alguns problemas na execução de duas tarefas simultaneamente.

Se o usuário quiser, por exemplo, escutar música enquanto lê um texto precisará de muita paciência, pois o gadget começa a travar. Há duas opções: ou esperar o leitor obedecer o comando para desligar a música ou desligar e ligar o equipamento.

Atualmente, há cerca de 400 títulos de e-books disponíveis em português. O preço deles varia de R$ 1 [“O Zen na Arte de Apertar Baseados”, de Nelson Motta] a R$ 108 [“Curso de Direito da Criança e do Adolescente”], porém a grande maioria dos livros custa em média R$ 30. Para os que procuram títulos em língua estrangeira, é possível baixar e-books pela Coolerbooks, que tem cerca de 2 milhões de livros — alguns deles, gratuitos. O leitor também aceita documentos no formato PDF e, por isso, tem diversas outras fontes de conteúdo.

Testes

Para testes do UOL Tecnologia com o Cool-er foram usados dois livros: um baixado do site do Domínio Público e outro pelo site da Adobe Digital Editions. O primeiro foi “Mensagem” [97 KB], de Fernando Pessoa. O e-book estava em formato PDF. Após copiar para o e-reader, o livro foi aberto normalmente e foram realizados ajustes de tamanho de fonte [o zoom pode ser feito por botões laterais de “+” e “-“], no tipo de fonte [há 3 opções: Geórgia, Courier, NTX New]e também foram feitas marcações [nesta hora faltou um teclado para poder escrever observações].

O outro livro usado, baixado pelo acervo gratuito da Adobe, foi “Dom Quixote”  [2 MB], de Miguel de Cervantes, em espanhol. O interessante é que este livro, ao contrário do anterior, estava organizado em capítulos. Essa divisão ajuda muito na navegação sobre o conteúdo. Caso o livro não tenha esse tipo de divisão, será preciso navegar na raça, passando página por página. Junto com o eletrônico, vieram ainda títulos clássicos no formato ePub, que também são organizados por capítulos.

A entrada para fones de ouvido não aceita dispositivos com pino P2 [tipo de pino mais comum nesses acessórios]. Para isso, a empresa manda uma espécie de adaptador. Contudo, nos testes realizados pelo UOL Tecnologia, o som só saía por um dos fones. Para o par funcionar, foi preciso ficar mexendo no adaptador até achar uma posição adequada.

Características

O gadget é comercializado em oito cores e permite ler livros em vários formatos [PDF, TXT, RTF, ePUB, PRC, e FB2], além de ouvir áudio e jogar Sudoku. De fábrica, ele vem com um cartão de memória SD de 1GB — esse espaço pode ser aumentado para até 4 GB. Nesse cartão nativo vêm alguns clássicos da literatura universal em inglês como “Orgulho e Preconceito”, “Alice no País das Maravilhas”,” As Aventuras de Oliver Twist”, entre outros títulos.

Semelhante ao Kindle 2, o aparelho tem uma tela no formato e-ink de 6 polegadas monocromática, ou seja, não emite luz, como uma tela de computador ou um televisor. O design é parecido com o de um iPod. Os controles são todos feitos por botões laterais e por meio de uma espécie de joystick, onde é possível acessar as propriedades de um livro, por exemplo, ou fazer marcações.

Ergonômico e leve [o aparelho pesa 178 g], é também possível ler livros no gadget na posição vertical. Entretanto, a orientação do texto não é mudada automaticamente: é preciso apertar o botão lateral Portrait/Landscape.

Atualmente, mesmo celulares mais simples permitem troca de arquivos sem fio  [via Bluetooth ou infravermelho]. No entanto, para colocar livros no e-reader é preciso ligar o cabo USB, que o acompanha, no computador. O reconhecimento do hardware é automático e, em seguida, abre uma pasta como se fosse a de um pendrive. Depois disso, é só copiar e colar os arquivos.

GUILHERME TAGIAROLI | Do UOL Tecnologia | 18/02/2010 – 16h49

Com hardware limitado, e-reader vendido no Brasil desbanca biblioteca do Kindle


Cool-er é um dos poucos e-readers vendidos no país e tem preço salgado: R$ 750

O ditado diz que quem não tem cão caça com gato. É isso o que espera a Gato Sabido, uma loja brasileira de livros eletrônicos, que comercializa o Cool-er, uma alternativa ao leitor digital Kindle. Disponível desde o final do ano passado no país, a opção da Gato Sabido desbanca o concorrente internacional no número de títulos: 2 milhões de e-books contra cerca de 360 mil do produto vendido pela livraria online Amazon.

A grande vantagem de acervo da CoolerBooks, a loja oficial de e-books do Cool-er, sobre o Kindle está no fato de o site ter uma parceria com o Google Books. Essa vantagem se mantém em português: são 400 e-books disponibilizados pela Gato Sabido contra cerca de 50 do e-reader da Amazon.

Se o Cool-er, de fabricação britânica, sai na frente na quantidade de títulos, ele perde para o Kindle no quesito hardware, em que apresenta limitações. O leitor da Amazon, por exemplo, dita livros em inglês com vozes masculina e feminina, tem teclado para digitação de anotações e, ainda, internet via wi-fi [recurso ainda não disponível no Brasil]. Para baixar um livro, o usuário não precisa de qualquer tipo de conexão física: um chip embutido no equipamento permite o download sem fio dos arquivos em até 60 segundos.

O Cool-er basicamente lê livros e, quando roda áudio, começa a travar, conforme teste realizado pelo UOL Tecnologia. Além disso, para transferência de livros exige conexão via cabo USB com o computador.

Vale o quanto custa?

Os preços dos livros para o Cool-er na Gato Sabido variam de R$ 1, como “O Zen na Arte de Apertar Baseados”, de Nelson Motta, a R$ 108, como o “Curso de Direito da Criança e do Adolescente”. Mas a maioria dos livros está na casa dos R$ 30. Há também livros no formato PDF, que podem ser baixados gratuitamente em sites como o Domínio Público.

Só a caráter de comparação, a maioria dos livros em português disponíveis na biblioteca do Kindle são clássicos da literatura, como os livros de Machado de Assis e Lima Barreto, ou os bestsellers de Paulo Coelho [veja alguns títulos em português]. O custo dos títulos em português não passa dos US$ 15.

O Cool-er é comercializado no país por R$ 750. Já o Kindle 2, considerando as taxas de importação, fica em torno de R$ 1 mil para os brasileiros.

E os tablets?

Paralelo ao mercado de e-readers como o Kindle ou o Cool-er, há os dispositivos tablets. Esses eletrônicos são computadores portáteis, que permitem acesso à internet, edição de documentos e planilhas, acesso a conteúdos multimídia, têm tela touchscreen e, inclusive, permitem a leitura de e-books. O maior exemplo da categoria é o iPad, da Apple, apresentado na última semana de janeiro.

A Apple, durante o lançamento, anunciou a criação da iBooks, que é uma loja de livros eletrônicos parecida com a iTunes Store, e a parceria com editoras para produção de conteúdo como Penguin, Macmillion, Simon & Shuster, entre outras.

O CEO da Microsoft, Steve Ballmer, durante a CES 2010, também apresentou uma versão para tablet, feito em parceria com a HP. Durante o evento, Ballmer mostrou o tablet com a capa do livro Crespúsculo, provando que o computador suportará a leitura de e-books.

Porém, as novidades ainda não chegaram ao Brasil e não existe nem previsão de quanto custarão por aqui. O tablet mais barato da Apple, com armazenamento de 16 GB e sem tecnologia 3G, custará US$ 499 nos Estados Unicos. O mais caro, com 64 GB de espaço e 3G, vai chegar ao mercado norte-americano custando US$ 829.

GUILHERME TAGIAROLI | Do UOL Tecnologia | 18/02/2010 | 16h47

Amazon lança aplicativo gratuito do Kindle para Blackberry


A Amazon.com anunciou nesta quinta-feira lançamento de um aplicativo gratuito que permitirá aos usuários de vários modelos do celular Blackberry acesso a mais de 420 mil livros disponíveis na plataforma de livros digitais Kindle.

Chamado de “Kindle for Blackberry”, o aplicativo está disponível para usuários do celular nos Estados Unidos. A maioria dos livros para o leitor digital da Amazon custam US$ 9,99 ou menos.

Desde o lançamento do Kindle for iPhone no ano passado, os clientes têm pedido uma experiência similar para Blackberry“, afirmou Ian Freed, vice-presidente das operações Kindle da Amazon.

A Amazon vem enfrentando pressão de muitas editoras pelos preços baixos que cobra dos ebooks para incentivar a demanda do Kindle e dificultar a chegada de novos rivais como a Apple, que estão preparados para entrar no segmento de livros digitais com seus próprios aparelhos.

Reuters, em Bangalore – 18/02/2010 – 16h04

Livros na estante digital


Em Uma história da leitura, o pesquisador Alberto Manguel conta que “nas primeiras décadas do século XIX, um romance recém-publicado custava um terço do salário mensal de um trabalhador rural”. No Brasil, essa ainda é uma realidade em algumas regiões. Dados da pesquisa Retratos da leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), em 2008, revelam que 8% dos brasileiros não possuem livros em casa, sendo que 146,4 milhões de brasileiros (85% da população estudada) afirmam possuir pelo menos 1 livro em casa. O que ainda é muito pouco. No entanto, com o advento da internet, essa realidade vem ganhando novos contornos. Iniciativas como a Estante Virtual trabalham em prol da democratização do acesso ao livro, sem deixar de lado o perfil empreendedor.

Criada em 2005, com o objetivo de viabilizar o comércio eletrônico para sebos e livreiros, a Estante Virtual acabou se tornando um marco na história do livro usado no Brasil. Em 2006, contabilizava 100 mil livros; em 2007, 1 milhão; em 2008, 3 milhões; e, no ano passado,  5 millhões de livros cadastrados por 1.700 sebos, de 300 cidades de todos os Estados nacionais.

O serviço tem permitido que pessoas como a psicóloga Carine Sant’Anna encontrem livros esgotados, os quais procuravam há algum tempo. “Esse tipo de iniciativa amplia as opções de acesso a livros de difícil localização. Ao invés de percorrer a cidade em busca de um título, você consegue visualizar os acervos de sebos em todo o Brasil e isso aumenta as chances de achar o que procura. A princípio, fiquei desconfiada do recebimento, mas deu tudo certo e, o melhor, a um preço justo”, diz Sant’Anna.

Os valores praticados, a propósito, possibilitam que um número maior de pessoas adquira um livro. 74% do acervo custa até R$20, sendo 2 milhões de livros vendidos a R$5. Segundo posicionamento da Estante, seus empreendedores acreditam que “a verdadeira democratização da leitura acontece quando o leitor tem a sua disposição condições reais para escolher o livro que realmente deseja ler. E essa escolha só é possível em um universo que ofereça preços baixos e fácil acesso”.

A reunião de sebos que a psicóloga percebeu como vantagem também beneficiou a própria classe. A iniciativa estimula a informatização de acervos e permite que livreiros que quase não venderiam em suas regiões, comercializem seu produto em todo o território nacional. Além disso, também estendeu a possibilidade de comércio a leitores comuns que, sob a opção “vendedor-leitor”, conseguem vender os exemplares que não querem mais. “Eu e minha mulher disponibilizamos um acervo de 150 livros, como uma forma de escoar os livros que não queríamos mais e abrir espaço para novos. Ficamos surpresos com a quantidade de pessoas em busca de títulos que não encontraram em livrarias. Acho que essa é uma forma de criar sustentabilidade para uma área tão desprestigiada, mostrando que livro usado é fonte de conhecimento tanto quanto livro novo. ”, conta Andre Reis, arquiteto e vendedor-leitor do portal.

Com o intuito de ampliar ainda mais a democratização da leitura, o portal lançou, durante a Bienal do Livro do ano passado, o Programa Nacional de Troca de Livros . Durante o piloto, ocorrido na Bienal, foram trocados mais de 20 mil livros. Hoje, são 148 os sebos participantes, proveniente de 62 cidades. Acesse e participe!

Por Blog Acesso | Notícias_02.10

No widget, todo o catálogo de um autor


A Simon & Schuster, que lança cerca de 2 mil títulos ao ano, desenvolveu um widget que vai disponibilizar informações sobre livros de seus autores, resenhas, ranking dos leitores e muito mais e que poderá ser usado pelos autores, agentes, fãs e blogueiros em seus sites ou redes sociais. O widget de autor também permite que os usuários façam links para sites de vendas e ganhem comissão, informa a Publishers Weekly. O software está sendo distribuído pelo recém-lançado site da Simon & Schuster, dona de marcas como Pocket Books, Scribner, Free Press, Atria, Fireside, Touchstone, Gallery Books, Howard Books, Atheneum Books for Young Readers, Little Simon e Simon Spotlight.

Publishers Weekly – 17/02/2010 – Por Calvin Reid

Preço do e-book para o iPad pode ser menor


Desde que a Apple anunciou seus planos de vender livros digitais, ela tem sido apresentada como a salvadora da indústria editorial por permitir que o preço do livro supere os US$ 9,99 cobrados pela Amazon para o Kindle -considerado muito baixo pelos editores. Mas na medida em que mais detalhes sobre as negociações entre Apple e as editoras vêm à tona, fica parecendo que a Apple deixou margem para vender alguns dos livros mais populares com desconto. Quando Steve Jobs exibiu o iPad no mês passado, ele anunciou o acordo com cinco das seis maiores editoras. A Apple levaria 30% de cada venda, deixando 70% para as editoras dividirem com os autores. Mas de acordo com pelo menos três experts no assunto, que falaram anonimamente, a Apple incluiu cláusulas que obrigam as editoras a dar descontos nos best sellers – assim, a faixa dos US$12.99-US$14.99 foi simplesmente um teto. A Apple quer flexibilidade para oferecer preços mais baixos para os livros mais vendidos, que têm grandes descontos nas livrarias e nos sites rivais.

The New York Times – 17/02/2010 – Por Motoko Rich

Conheça um manual para compra de livros eletrônicos


Com Kindles e iPads da vida cada vez mais na vitrine, é de se esperar que o produto razão da existência destes dispositivos se tornem populares com o passar do tempo.

Sabemos que os eletrônicos tentam imitar a leitura de livros de verdade. Mas será que o processo de compra e todos os direitos envolvidos na leitura de um livro também seguem o mesmo padrão de alguma forma?

Segundo a Electronic Frontier Foundation [EFF], todo cuidado é pouco com as liberdades civis. E para ajudar os leitores [de e-readers, principalmente] a não entrar em frias com os livros em formato digital, a organização publicou um livro [também eletrônico] com uma espécie de check list sobre o que dar atenção na hora de comprar.

Desde a privacidade quanto ao que é lido ao compartilhamento da publicação, tá tudo lá. Para acessar, clique aqui. O PDF está em inglês.

Zero Hora – 17/02/2010

Revista de poesia para Kindle e Sony Reader


A revista de poesia “Be My Mafia Family!”, cujo nome refere-se ao jogo “Mafia Wars” do Facebook, terá lançamento virtual nesta quarta-feira [17].

Edição única, a publicação reúne 12 poetas e também amigos que decidiram compartilhar seus fracassos em forma de versos. “Cada um nos entregou um poema que fala sobre fracasso. Ou o poema é ruim ou narra alguma citação de fracasso. O poeta teve que colocar uma nota explicativa sobre isso –por que ele escreveu esse poema– e explicar o contexto da época”, esclareceu a escritora Ana Rüsche, uma das idealizadoras do projeto.

A revista será distribuída exclusivamente em formato digital, e poderá ser lida por qualquer internauta, seja em PDFKindle ou em Sony Reader.

Os “poetas mafiosos” Ana Guadalupe, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Érica Zíngano, Felipe Sentelhas, Lilian Aquino, Maiara Gouveia, Márcio-André, Paulo Ferraz, Rafael Daud, Renan Nuernberger e Ricardo Silveira vão oficializar o lançamento do volume no próximo sábado (20), a partir das 20h, na Choperia Liberdade.

*

Lançamento da revista de poesia “Be My Mafia Family!”
Quando: 20 de fevereiro, a partir das 20h.
Onde: Choperia Liberdade – r. da Glória, 523, Liberdade.

PAULA DUME colaboração para a Livraria da Folha – 16/02/2010 – 17h59

Jornal francês “Le Figaro” passa a cobrar por conteúdo on-line


O “Le Figaro”, o jornal nacional de maior tiragem da França, reformulou seu site e agora cobra para que os internautas acessem parte de seu conteúdo, tendência em andamento na imprensa do país.

O acesso a “toda informação em tempo real” continua gratuito, mas, pagando 8 euros por mês, o internauta pode acessar a opção “Mon Figaro Select”, que oferece ao leitor “recursos para ele ir além na compreensão da atualidade e discuti-la”.

Especificamente, essa seção inclui informações multimídia que aprofundam certos assuntos, um espaço para a publicação de artigos sobre os temas favoritos do assinante –que podem ser destacados pela redação– e algumas vantagens comerciais em serviços.

Já o “Mon Figaro Business”, que custa 15 euros ao mês, dá acesso a “conteúdos e serviços destinados a facilitar a vida profissional“.

Isso inclui, em primeiro lugar, uma base de dados “exclusiva” com fichas biográficas dos principais diretores das grandes empresas francesas e o organograma dessas companhias.

Além da base de dados, a cada semana são adicionados textos sobre temas econômicos e, diariamente, de manhã ou à tarde, são publicados resumos de bolsas como as de Wall Street, Xangai e Paris.

Fora isso, é oferecida uma série de “vantagens para facilitar a vida no escritório e depois” do trabalho, como um “conciérge particular” para reservas de restaurantes, hotéis ou espetáculos, ou um serviço de busca para licitações em áreas de interesse.

da Efe, em Paris – 16/02/2010 – 13h02

Jovens com opinião e gosto pela escrita se destacam em blogs


Os torcedores mal sabem, mas o jornalismo esportivo ganhou um baita reforço em janeiro do ano passado. Com os jogadores de férias, o são-paulino Luiz Armando, 12, nem sequer podia ir ao Morumbi, estádio que fica a poucos passos de seu prédio. Aceitou a sugestão da irmã e criou o blog Armando a Jogada.

Assim como ele, outros jovens encontraram na web uma forma de espalhar o que pensam sobre moda, culinária, política, cultura, esportes e a própria rotina -em textos que ultrapassam os 140 caracteres, padrão do microblog Twitter.

Luiz, por exemplo, já tem até padrinho na área, o jornalista José Trajano. “Desde que comecei, foram poucas reclamações de parcialidade“, recorda. “Trajano fala que tenho talento. Quer até me colocar na ESPN, num programa com linguagem mais jovem”, revela.

Outro blog já virou revista. Há três anos, a americana Kristin Prim, 16, expõe seu estilo na internet. Hoje, edita a revista “Prim” e atualiza seu blog.

Para ela, autoconfiança é uma palavra para todas as estações. “Meu estilo está definitivamente maduro. A revista serve como uma bíblia dele“, avalia a fã dos estilistas Rick Owens e Helmut Lang.

Já Pedro Lima, 17, e seus comparsas do Underaged Heartbreakers descartam o jornalismo nos blogs. “Queremos escrever por hobby, não por obrigação“, garante.

Há pouco mais de um ano, a turma juntou piadas internas, layout moderninho e compilações de looks.
O endereço virtual ganhou destaque quando o fotógrafo e hipster Mark Hunter entrou na vida dos garotos: o americano do CobraSnake.com deu uma entrevista exclusiva sobre a participação numa festa em São Paulo.

Com o blá-blá-blá, surgiu uma permuta com uma marca de roupas. “Só gostamos de escrever. Quando tem desfile é bom, porque ganhamos pulseiras. A correria de Fashion Week é ótima”, afirma Pedro.

Blog e chocolate

Longe das semanas de moda, Malú Azoni, 13, e Ludmila Bello, 16, blogam sobre o cotidiano. “Meu jeito de escrever não mudou, mas o blog amadureceu. Agora, falo de assuntos mais gerais, não só de coisas pessoais”, diz Ludmila, que mora em São Luís [MA]. Ela é dona do Unimaginative Kid.

Direto de Campinas [SP], Malú abastece o Pizza e Chocolate, batizado com sua combinação gastronômica preferida. No site, ela não deixa claro o que sai direto de sua vida e o que é ficção.”São poucos que gostam de ler blogs. E muito menos de escrever“, diz a chocólatra. Segundo Lud, os blogs saíram de moda entre os jovens. “É visto como coisa de nerd“, lamenta.

Para a americana Julie Zeilinger, 16, blog é coisa séria. A história do The F Bomb começou quando ela estava na oitava série e tinha de fazer um discurso na frente do colégio.

Ao ler um artigo sobre pais que matam bebês do sexo feminino, criou sua bomba virtual: uma resposta à “falta de uma visão adolescente sobre o feminismo“. “Fiquei perturbada por que isso acontecia e não sabiam”, conta Julie.

Nick Normile, 17, não tem a mesma intimidade com palanques, mas manda muito bem na cozinha. Desde 2007, seus insights culinários vão parar no Foodie at Fifteen.

Em busca do sonho do restaurante próprio, Nick cozinha para os amigos. “Tem também aquela que, talvez, seja minha atividade favorita: comer!“, diz.

BRAULIO LORENTZ  colaboração para a Folha de S.Paulo – 15/02/2010 – 10h21

“Garimpeiros” celebram o caos que internauta rejeita


Sentado num banco no corredor de um sebo no centro de São Paulo, o artista plástico Odires Mlaszho interrompeu o garimpo para contemplar uma pepita extraída do caos de livros velhos: um catálogo de produtos eletrônicos em alemão por R$ 3. Não que o conteúdo interessasse a Mlaszho – ele nem tentou ler o que estava escrito -, mas lhe encantou o projeto gráfico datado e a disposição das letras no índice do volume. O artista, que entre outras coisas trabalha com livro-objeto, acrescentou de pronto o achado à sua cesta de compras.

“Sou profissional em garimpagem. O que gosto nos sebos, principalmente nos bagunçados, é que eles permitem isso. Portais como Estante Virtual ajudam bastante, às vezes consulto, mas o bom mesmo é descobrir algo que eu não queria comprar”, diz Mlaszho, que vai a sebos pelo menos duas vezes por semana e diz que não pretende deixar de frequentá-los. Seu contraponto é o professor universitário de engenharia mecânica Whisner Fraga, de Ribeirão Preto (SP), que, desde a expansão do comércio online de livros no país, praticamente só compra no ciberespaço. Foram, contabiliza ele, mais de 700 títulos adquiridos desde 2005 em sebos de todo o país, sempre via Estante Virtual.

Compro diariamente pela internet, atualmente cerca de dez livros por semana. Muitas vezes alguém indica um livro, mas na loja não tem, está esgotado, então vou à internet e quase sempre acho“, explica Fraga, cuja biblioteca privada soma 4.000 volumes.

O professor, que hoje raramente vai às lojas [“Às vezes para folhear novidades”], conta que pela rede seleciona a partir do preço, depois da foto, do ano de publicação e da descrição do estado do livro.

Folha de São Paulo – 13/02/2010 – Por Fabio Victor