Referências online no século 21


Minutos após o anúncio da morte do escritor americano J.D. Salinger, na quinta-feira, o verbete dedicado a ele na Wikipédia já incluía, ao lado da data de nascimento, a nova informação. Não é algo que surpreenda hoje, mas, quando a enciclopédia colaborativa surgiu na rede, em janeiro de 2001 – como uma espécie de continuação do ambicioso projeto iluminista de reunir todo o conhecimento -, a proposta de voluntários adicionarem conteúdo tornou-se alvo de críticas. Parte delas veio de editores da Encyclopedia Britannica, publicada desde 1768 e a mais antiga em língua inglesa ainda em impressão. A rejeição não era ao meio, a internet – no mesmo ano a Britannica estreou a sua versão online -, mas ao fato de a Wikipédia dar ao usuário o poder de manipular informações. A polêmica se estendeu por anos e, em 2006, a revista Nature fez um teste. Pediu a 42 especialistas que analisassem 50 artigos científicos das duas publicações. A conclusão: a Wikipédia tinha média de quatro inconsistências por verbete, ante três da Britannica. “Empate técnico”, decretou a Nature.

O Estado de S. Paulo – 30/01/2010 – Por Raquel Cozer