Apple apresenta iPad


O executivo-chefe da Apple, Steve Jobs, apresenta o iPad, computador tablet da empresa, em San Francisco.

A Apple lançou nesta quarta-feira [27] o iPad, minicomputador cuja interface parece um “iPhone expandido”, nas palavras do próprio fundador da companhia, Steve Jobs. O anúncio foi feito em um evento da empresa em San Francisco, nos EUA.

O iPad chega às prateleiras no final de abril nos EUA. Modelos com 3G estarão no mercado no final de maio. Serão três tamanhos de armazenamento: 16 Gbytes, 32 Gbytes e 64 Gbytes.

O preço inicial do tablet é US$ 499 [16 Gbytes, sem conexão 3G]. O iPad mais caro é o 64 Gbytes e conexão 3G: custa US$ 829. Sem conexão 3G, o iPad 32 Gbytes custa US$ 599 e o 64 Gbytes, US$ 699. Caso se deseje a conexão, há um custo extra de US$ 130 sobre cada dispositivo.

Nos EUA, a assinatura para tráfego de dados via operadora AT&T custará US$ 14,99 para um limite de até 250 MBytes e US$ 29,99 para tráfego de dados ilimitado. A Apple estima que o valor dos pacotes em demais países seja fechado entre junho e julho.

A tela do iPad tem 9,7 polegadas de dimensão. A espessura do aparelho é de 1,2 centímetro. Ele pesa 680 gramas. O chip foi desenvolvido pela própria Apple, e leva o nome de A4. A duração da bateria, de acordo com a empresa, é de 10h.

Apresentação

Que tipo de tarefas [o iPad executa]? Navega na internet, checa e-mails, compartilha imagens, exibe vídeos, toca música, roda games e livros“, listou Jobs, no início da apresentação de hoje.

Quanto mais eu vejo este dispositivo, mais eu começo a pensar que a Apple realmente quer que você substitua seu laptop com essa coisa“, provocou.

Para mostrar que iPad executa vídeos em alta definição, o executivo exibiu um trailer do filme “Star Trek”. A tela do aparelho é sensível a múltiplos toques simultaneamente. O aparelho terá um teclado opcional, que será acoplado ao dispositivo.

A resolução da tela pode ter seu desempenho duplicado, segundo demonstrou Scott Forstall, vice-presidente de software da Apple.

A prancheta digital é baseada no mesmo sistema operacional do iPhone –o que significa que arquivos e aplicativos voltados ao smartphone serão compatíveis com o novo dispositivo da Apple. Assim como no iPhone, a plataforma do tablet estará aberta para que programadores desenvolvam aplicativos.

Agora algumas pessoas acham que se trata de um netbook – o problema é que os netbooks não são os melhores [produtos]“, disse o executivo. “É um caminho melhor do que um laptop, melhor do que um telefone. Você pode escolher qualquer alternativa que quiser. Ver uma página inteira é sensacional.

Livros e jornais

O vice-presidente também apareceu no palco para reforçar o apelo editorial do novo produto.

Achamos que capturamos a essência da leitura de jornais. Uma experiência superior na aplicação nativa“, disse Frostall. O layout do jornal “The New York Times” aparecia em formato de papel standard.

À medida que se navega no jornal, as fotos se ampliam. Vídeos do “NYT” também rodam no iPad.

Minutos depois, Steve Jobs voltou ao palco para demonstrar um aplicativo voltado para livros, o iBooks. “A Amazon fez um excelente trabalho pioneiro, e nós vamos atrás disto. Nosso novo aplicativo se chama iBooks”, anunciou. A principal característica do iBooks é a possibilidade de mudança de fonte, segundo demonstrou o executivo.

A compra de livros será feita por meio da loja virtual. As grandes editoras norte-americanas já formalizaram parceria com a Apple.

iWork

A Apple também anunciou a criação do iWork – uma suíte de todos os aplicativos “que milhões de consumidores amam“, nas palavras de Phil Schiller, diretor de marketing de produto da Apple.

Trata-se de pacote de aplicativos que compila programas semelhantes ao Power Point e ao Photoshop, com diagramador de texto e imagens, tabelas variadas [desde organização simples de dados até estatísticas] e galerias de documentos com transições animadas. Entretanto, os aplicativos serão vendidos separadamente – cada um por US$ 9,99.

Mercado

O lançamento do tablet vem em um momento em que analistas estimam um lucro de US$ 1 bilhão para a Apple no mercado de aplicativos.

Recentemente, a empresa de pesquisas Gartner divulgou um relatório no qual aponta que mais de US$ 4,24 bilhões foram gastos em aplicativos móveis em 2009, com participação da Apple contabilizada em 99,4% deste segmento, em um total de 2,516 bilhões de downloads.

Ainda segundo a projeção, o mercado deve se ampliar para US$ 6,8 bilhões de dólares em 2010, e US$ 29,5 bilhões de dólares em 2013.

Folha Online – 27/01/2010 – 17h40

Analistas rechaçam ideia de que iPad seja “tábua da salvação” dos grupos de mídia


As editoras têm grandes esperanças de que o aguardado tablet da Apple atraia novos leitores e reforce sua receita, mas poucas esperam que ele reverta por si só a queda de um setor em crise.

Investidores e analistas veem com cautela as perspectivas para grupos editoriais como Time Warner, Conde Nast, New York Times e HarperCollins, parte da News Corp..

Mas eles alertam que o aparelho –que foi lançado nesta quarta-feira [27] – é apenas parte da solução para a fuga de leitores em busca do conteúdo mais barato oferecido na Web.

Os grupos editoriais estão desenvolvendo estratégias mais amplas que incluem celulares inteligentes e outros aparelhos.

Não é uma bala de prata, é uma bala de bronze. E será necessário um M-16 cheio delas“, disse o analista Mike Vorhaus, presidente da Magid Advisors.

Ele estimou que o tablet poderia elevar em 10% a 20% a receita digital dos grupos editoriais.

Configurações e mercado editorial

A tela do iPad tem 9,7 polegadas de dimensão e a espessura do aparelho é de 1,2 centímetro. Ele deve servir para ocupar a lacuna entre os celulares inteligentes e os laptops.

O chip foi desenvolvido pela própria Apple, e leva o nome de A4. Serão três tamanhos de armazenamento: 16 Gbytes, 32 Gbytes e 64 Gbytes.

O tablet posiciona a Apple de forma direta no mercado editorial do qual a Amazon.com foi pioneira com o leitor eletrônico Kindle, mas os analistas afirmam que o aparelho pode custar até US$ 1.000, o que limitaria suas vendas e seu impacto.

Mas ele provavelmente irá além do Kindle ao oferecer cor e vídeo, e pode reformular o setor editorial da mesma maneira que o iPod mudou a música, dizem os analistas.

Os grupos editorais estão muito conscientes do dano que a loja digital de música iTunes, da Apple, causou às gravadoras, ao ditar preços e permitir que os consumidores adquirissem as faixas individuais desejadas, o que destruiu as vendas de álbuns.

Para antecipar o tablet, Time Warner, News Corp, Conde Nast, Meredith e Hearst anunciaram em dezembro planos para uma loja digital apelidada de “Hulu para revistas”, que promoveria a venda de versões eletrônicas de todos os seus títulos.

ALEX DOBUZINSKIS e SUE ZEIDLER
da Reuters, em Los Angeles
Publicado na Folha Online
27/01/2010 – 17h03

Leitores de tela permitem navegação na rede


Graças aos programas leitores de tela, aproveitar o que há na internet também é possível para quem não enxerga. Uma voz -às vezes robótica e fanha demais- lê tudo o que está na tela e, em alguns casos, o software pode traduzir o que está na página para uma espécie de teclado que reproduz o sistema de linguagem braile.

Uma opção é o Jaws, vendido pelo Laratec [ www.laratec.org.br ], a parte tecnológica da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual.
A licença de instalação sai caro [ R$ 2.400 ], mas o programa é adaptável e, com ajustes, pode ler softwares específicos de empresas, segundo Leonardo Gleison, técnico em tecnologia assistiva do Laratec. Gleison não enxerga desde 2002 e considera os leitores uma “janela aberta para o mundo”.

Já Antonio Carlos Grandi, deficiente visual há dez anos, coordenador e instrutor de informática da Fundação Dorina Nowill, defende o uso do VirtualVision, que também sai caro, por R$ 1.800 [ www.micropower.com.br ] . Grandi diz que o programa é bom para ler softwares como o Microsoft Word, o Excel, o Outlook e o Internet Explorer.

Segundo Gleison, cada um é acostumado com um programa e sua voz. No início, a leitura é feita em velocidade menor, mas com a adaptação a voz fica tão rápida que quem enxerga não consegue entender. Os comandos são feitos no teclado.

Uma opção gratuita é o NVDA, um software visto como “quebra-galho” pelos entrevistados. Segundo Gleison, o programa tem dificuldades em ler tabelas e tem uma voz de entendimento ruim. Grandi o destaca como opção para deixar instalado em um pendrive e usá-lo em qualquer lugar.
Os três programas rodam em Windows e têm um problema: não podem ler as imagens. Assim, parte da navegação na internet é perdida. Mas Grandi afirma que alguns sites podem ser mais acessíveis se descreverem as imagens da página e os campos de formulários colocados neles.

Folha de São Paulo – 27/01/2010 – Por Amanda Demetrio

À espera de tablet, mercado conta as horas para anúncio da Apple


‘Nova criação’ da empresa será anunciada nesta quarta-feira [27].
Aparelho extraplano teria tela sensível de cerca de 10 polegadas.

O mercado de tecnologia mundial se volta nesta quarta-feira [27] para São Francisco, nos Estados Unidos, onde será anunciada uma nova criação da Apple. Apesar de a empresa não ter divulgado quais serão os produtos lançados a partir das 10h na hora local (16h em Brasília), espera-se que um deles seja o primeiro computador tablet da companhia.

Durante a divulgação do balanço trimestral da Apple, na noite de segunda-feira [25], Steve Jobs, CEO da companhia, confirmou que “uma grande novidade” está a caminho, o que reforçou a expectativa pelo tablet. “Os novos produtos que vamos lançar neste ano são muito fortes, começando nesta semana com uma grande novidade que nos deixa bastante entusiasmados“, disse.

Sem confirmações oficiais sobre o tablet, poucos detalhes são conhecidos sobre o produto, que se pareceria uma versão maior do iPhone, com uma tela de aproximadamente 10 polegadas. Analistas afirmam que o tablet tentaria criar uma ponte entre os smartphones e os laptops, permitindo aos usuários acessar a internet, assistir a vídeos e se divertir com jogos. O preço estimado do produto, que deve começar a ser distribuído entre março e abril, pode chegar a US$ 1 mil.

Os computadores tablet nunca chegaram a ganhar popularidade com os consumidores e observadores da indústria. Por isso, a Apple precisará apresentar um produto de forte apelo para fazer as pessoas comprarem o tablet. Se os consumidores aprovarem o aparelho, ele pode ainda levar a Apple a ganhar terreno no mercado de livros digitais popularizado pelo eReader Kindle, da Amazon, afirmam analistas.

A Apple estaria negociando com editoras como a New York Times, a Conde Nast Publications e a HarperCollins Publishers, de propriedade da News Corporation, para chegar a um acordo de cooperação e vender conteúdos dessas empresas no tablet. Segundo a empresa de consultoria Sanford Bernstein, o tablet tem potencial para se transformar automaticamente em um sucesso e poderia vender cerca de 3 milhões de unidades em seu primeiro ano, três vezes mais que todos os computadores similares do mercado juntos durante 2009.

Algumas versões dizem que a Apple também mantém conversas com algumas redes de televisão, como “CBS” e “ABC” para oferecer seus programas, e que negocia também com a produtora de videogames Electronic Arts.

O sucesso do tablet dependerá de como o produto se adaptará à vida diária do usuário e se oferecerá conteúdo suficiente para fazer com que valha a pena usá-lo“, disse ao diário “The Wall Street Journal” Henry Lu, presidente da taiwanesa Micro-Star Internacional, companhia que fracassou em sua tentativa de vender um computador parecido há alguns anos.

A feira Consumer Electronics Shows [CES], que ocorreu no início do mês em Las Vegas, estava abarrotada de tablets, ou “slates”, muitos deles protótipos de empresas como Hewlett-Packard, Dell e Lenovo. Os analistas dizem que os concorrentes da Apple estão tentando roubar alguma atenção antes do lançamento do tablet da fabricante do iPod.

Do G1, com informações das agências internacionais EFE e Reuters – 27/01/10 – 09h45

O tablet da Apple, a horas de ser lançado


Às 16h do Brasil, começa no Vale do Silício o evento patrocinado pela Apple para anunciar sua nova linha de produtos. Entre eles estará um tablet – computador de mão, um celular avantajado. As editoras esperam um concorrente para o Kindle. TVs cogitam a possibilidade de ser um novo lugar no qual apresentar sua programação. Mas em nenhum canto o aparelho é aguardado com tanta avidez quanto cá na indústria jornalística. No final do ano passado, a editora Time publicou no YouTube o protótipo de como seria uma edição da revista Sports Illustrated no tablet:

Algo do tipo já daria para fazer no computador. Então por que tanta avidez? Ora pois, voltamos à questão da criação de escassez numa conversa que puxa, também, pela discussão a respeito de modelos abertos e fechados na rede de computadores, inclui a experiência do consumo de informação e flerta com a música.

O computador ligado à internet é um bicho aberto. É a natureza da rede. Não é à toa que cobrar por conteúdo online é difícil. A tecnologia foi desenvolvida por engenheiros e cientistas que queriam um meio fácil, rápido e eficaz de transmitir informação. Foi exatamente isto que construíram. A ficha na indústria da informação começou a cair quando vieram os primeiros sinais de banda larga e os modems começaram a ficar potentes o suficiente para a transferência de arquivos de música.

A história do Napster e das outras redes de troca é bem conhecida – mas vamos nos focar na do iPod.

Já existiam outros players de arquivos mp3 no mercado quando a Apple lançou o iPod. E o iPod ainda demorou um ou dois anos para pegar. Hoje, distantes que estamos daquele lançamento em outubro de 2001, talvez seja difícil reconhecer o quanto o aparelho alterou a maneira de experimentarmos música. É mais que um Walkman: é a possibilidade de carregar consigo uma discoteca inteira. De ter toda sua música à mão a qualquer instante. É a possibilidade de alterar o ambiente no qual estamos. Estar em Ipanema e buscar Tom Jobim para incrementar nossa percepção do momento, se isolar no metrô buscando o conforto de Sinatra ou atravessar a Paulista do Paraíso à Consolação ouvindo Bruce Springsteen. É a combinação que for desejada.

Mas o iPod não é apenas o iPod – é também, para a maioria de seus usuários no mundo, a iTunes Store. A legislação de direitos autorais no Brasil é complexa, as partes que arrecadam a comissão de músicos e compositores não se entendem e as grandes gravadoras são tacanhas. Por conta, não temos a versão nacional desta loja. Mas ligar o iPod ao computador e no tempo de dois cliques ter uma música por 2 reais é tão simples que funciona.

Sim: música continua sendo pirateada na internet. Mas ela é também vendida digitalmente por alguns motivos. A maior parte da música baixada via internet é consumida em iPods. Uma loja conectada diretamente ao aparelho é coisa tentadora. E, segredo de polichinelo, piratear música dá um trabalho desgraçado. Dez dólares pelo disco não é tão caro assim se vai poupar meia hora de trabalho.

O iPod alterou fundamente a experiência de ouvir música e, de presto, criou uma maneira simples e prática de consumir música. Que escassez está explorando? A de capacidade técnica e tempo. Piratear é sempre possível – mas para quem não tem tempo ou não sabe fazê-lo a iTunes Store está sempre ali.

Um aparelho, uma ferramenta tecnológica que altere profundamente a maneira de experimentarmos informação, é fundamental para que se crie uma nova escassez. Queremos informação daquele jeito, naquele formato – quanto custa? Ao criar esta tecnologia separada do modelo aberto da internet, cria-se também um modelo de negócios. Foi o que a Apple fez com música. E foi o modelo copiado pela Amazon para criar seu leitor de livros eletrônicos, o Kindle.

Tudo parece simples mas não é – basta comparar um iPod a um Kindle. O primeiro é de uma elegância em sua simplicidade, é obra de engenheiros enquanto artistas. O Kindle, coitado, é bom e prático, eficiente, mas não é lá um aparelho muito inspirado. A verdade é que a maioria dos apetrechos tecnológicos com os quais convivemos não são lá muito inspirados. Não conseguem mudar nossa experiência.

Este, ora pois, não é um objetivo trivial.

Assim, todos os olhos para o Vale do Silício, hoje à tarde. Afinal, é a Apple que vai anunciar um aparelho que talvez mude completamente a maneira de nos informarmos.

Por Pedro Doria | 27 de janeiro de 2010 | 8h54|

Perfil do “leitor digital” é alvo de pesquisa


Até julho deste ano, o Book Industry Study Group, Inc. [BISG] deverá concluir uma pesquisa que determina as preferências e o comportamento dos leitores que aderiram ao livro digital.

Desde já, a pesquisa “Consumer Attitudes Toward E-Book Reading” revela que 30% dos compradores de livros impressos esperariam até três meses pela edição eBook de um título. E mais: no período dos últimos 12 meses, 20% dos entrevistados trocaram os livros impressos pelos digitais. Atenta a este movimento de mercado, a CBL prepara para março seu congresso, que terá como tema o livro digital.

CBL Informa – 27/01/2010

Boom de e-books e novos modelos para 2010


Argentina: Assim como no ano passado se viveu um furor com os telefones inteligentes e o anterior com os aparelhos MP4, parece que 2010 será a vez dos livros eletrônicos. Sem ir muito longe, só no último mês foram lançados cerca de 20 modelos novos. O fenômeno está em crescimento: em 2009, 2,2 milhões de leitores eletrônicos foram vendidos, quatro vezes mais que em 2008. Para este ano, estima-se que serão vendidos 5 milhões, de acordo com especialistas.

Marcelo Bellucci – Clarin.com – 27/01/2010

Apple pode mudar tudo hoje – de novo


O silêncio já vinha sendo quebrado desde antes do fim do ano, quando apenas rumores sobre um anúncio que seria feito pela Apple no início de 2010 fizeram as ações da empresa saltar, e à medida em que janeiro passava, surgiam ainda mais notícias e novidades relacionadas a mais um produto da empresa de Steve Jobs, cujo anúncio ocorre nesta quarta-feira, em São Francisco, nos EUA, a partir das 15h [em Brasília]. Até que o blogueiro e empreendedor Jason Calacanis começou a twittar na madrugada desta quarta-feira, 27:

A melhor parte do tablet é um sintonizador de TV digital com gravador de vídeo – além de um jogo de xadrez“, “o tablet da Apple é realmente impressionante para jornais. A videoconferência é super estável, mas nada novo“, “o preço será entre US$ 599, 699 e 799 depenendo do tamanho e da memória no tablet. Ele também tem um teclado sem fio e conexão do monitor para a TV“, “sim @HappyDrew, o tablet da Apple tem um sistema operacional parecido com o do iPhone com a possibilidade de manter múltiplos aplicativos rodando simultaneamente“, “ele conta com duas câmeras: uma na frente e outra nas costas (ou pode ser apenas uma lente dupla), assim ele grava tanto você quanto o que está à sua frente“, “os games do tablet da Apple são ótimos. Do nível de inovação da Nintendo. O aplicativo para o Farmville é insano. Mark Pincus (dono da Zynga, criador do Farmville) fará uma demonstração do aplicativo amanhã“.

São muitas novidades. Ao que parece, o novo dispositivo da Apple não será meramente um “iPhonão” como previsto – não é apenas um dispositivo que permite acessar a web como conhecemos hoje de forma menos espremida do que no celular. Também não parece ser só um meio termo entre o netbook e o smartphone, um aparelho que permite conectar-se à internet de forma prática e de qualquer lugar. Pelos relatos e rumores que já surgiram, especula-se que o território que a Apple quer desbravar não é apenas o da interação e conectividade, mas também o de conteúdo e entretenimento. Especula-se que o novo dispositivo da Apple venha elevar o conceito proposto pelo Kindle – o leitor eletrônico 1.0 – a um nível sequer sonhado pelo dispositivo da Amazon – aí sim, multimídia, interativo e diferente de tudo que já foi visto antes.

O que se espera é que a Apple lance o que a Amazon parecia ter lançado: um iPod das letras. E não apenas dos livros, como o Kindle. Mas que abranja para além do mercado livreiro, o editorial como um todo, incluindo não apenas jornais e revistas, mas provedores de conteúdo online e, em última instância, até blogs. Mais do que isso: o dispositivo, se for tudo o que promete, pode integrar de vez conteúdo multimídia ao texto, provocando um terceiro salto evolutivo em uma série de tecnologias que estão mudando nossa relação com o conteúdo. Primeiro veio a web, que tornou possível livro, jornal, TV, música, telefone, rádio e cinema num mesmo ambiente, ainda que primitivo. Depois veio a web móvel, que reempacotou tudo isso em nosso bolso – e em que a Apple foi capital (primeiro com o iPod, depois com o iPhone). E é possível que estejamos às vésperas de um salto ainda maior, que torne nossa relação com a web móvel tão corriqueira e natural quanto o manusear de uma revista ou de um jornal e nos livre, de vez, do computador.

No final de uma matéria de segunda-feira no LA Times em que o jornal detalhava os acordos que algumas empresas (como a editora Conde Nasté e o jornal New York Times) vinham fazendo com a Apple em relação ao novo tablet, o analista do Instituto Gartner Allen Weiner explicava que haveria muita tentativa e erro antes que os editores tradicionais descubram o que fazer com suas edições digitais.

Ninguém vai comprar um tablet para ler eBooks. O Sony Reader mais barato custa 199 dólares e é ótimo para ler livros. Mas onde está a oportunidade? Está em criar experiências de leituras. É colocar vídeos e atualizações feitas pelo autor em um livro de culinária. É uma oportunidade porque você pode cobrar algo extra por isso”.

O que nos leva a um post de setembro do ano passado do Fake Steve Jobs, o blogueiro que posta como se fosse o fundador da Apple falando sem papas na língua [mas que na verdade é o jornalista David Lyons], quando a especulação sobre o tablet já existia. Ele começa citando outro blog, o Gizmodo:

“O Brian Lam do Gizmodo dá uma dica esta manhã, mas vale uma explicação mais profunda. Uma pequena dica: não é sobre tecnologia. Eis o trecho do artigo de Lam sobre como ele acha que nós estamos querendo reinventar jornais, livros e revistas:

‘O objetivo final é fazer com que editores criem conteúdo híbrido que tenha áudio, vídeo e gráficos interativos em livros, revistas e jornais, onde o layout no papel é estático. Com as datas de lançamento do Courier da Microsoft ainda à distância [a MS apresentou seu tablet na CES deste mês, o Slate] e o Kindle preso à tinta eletrônica relativamente estática, parece que a Apple está se movendo rumo à liderança na distribuição da próxima geração de conteúdo impresso (…)’

O itálico em ‘conteúdo híbrido’ é meu. Pois aí está o ponto central. E é isso que Brian acerta quando ele fala sobre ‘redefinir’ jornais e outros produtos feitos de árvores mortas.

Novas tecnologias abrem novas formas de contar histórias. Eis o que é verdadeiramente excitante aqui. Não é o tablet, mas o que ele significa para as notícias, para o entretenimento, para a literatura. Sacou? É isso que o Tchekov queria dizer quando falava que o meio é a mensagem. E é por isso que o tablet é tão profundo.

Não faz sentido mudar para e-readers se formos fazer só o que já fazemos em papel. É por isso que o Kindle é tão ruim. Eles só abriram a picada. E é por isso que seguramos o nosso tablet – não porque não tínhamos a tecnologia, mas porque quem lida com conteúdo é tão devagar que eles não conseguem criar algo que valha a pena ser colocado no tablet.

É impressionante como poucos grandes nomes do mercado editorial realmente entendem isso. Nós convidamos alguns deles para reuniões e enquanto estávamos conversando, nós meio que passávamos um pequeno questionário para eles resumido em uma única pergunta: para onde você acha que o mercado editorial irá? A maioria deles não conseguia pensar em outra coisa a não ser no que já vinham fazendo no passado. Para eles é só um detalhe, uma pequena mudancinha em seus negócios, como os jornais deixando de ser preto e branco para ganhar cores ou mudando de formato, por exemplo.

Mas não tem nada a ver com isso. Estamos falando de uma forma completamente nova de transmitir informação, uma que incorpore elementos dinâmicos [áudio e vídeo] com estáticos [texto e fotos] mais a habilidade para o ‘público’ se tornar criador, não apenas consumidor.

O engraçado é que os caras do mercado editorial se consideram do lado ‘criativo’ do negócio, mesmo que eles não tenham visão alguma. Para eles, nós que lidamos com tecnologia somos um bando de parasitas. E se perguntam porque, em plena era digital, somos nós quem estamos colhendo a recompensa financeira.

Minha aposta é que o conteúdo verdadeiramente revolucionário não virá dos editores de velha guarda. Virá dos novos, dos moleques que cresceram no digital. Esta noção de fundir elementos é natural para eles. E em algum lugar há um gênio esperando ser descoberto – o Orson Welles da mídia digital, alguém que irá criar uma linguagem completamente nova para contar histórias. Se você estiver lendo isso, Orson Jr., entre em contato. Temos algo que queremos mostrar para você”

Pode ser ficção, pode vir em tom de piada, pode ser ríspido em vários trechos [e eu peguei leve na tradução], mas o fato é que as considerações do Steve Jobs de mentira têm um efeito profundo à luz do que a Apple de verdade pode anunciar mais tarde.

Por Alexandre Matias para o LINK | 27 de janeiro de 2010

Apple funde iPhone e laptop em seu novo iPad


Em uma aparente resposta ao boom dos livros eletrônicos e dos chamados netbooks, a Apple apresentou hoje na Califórnia o aguardado iPad, um aparelho que está entre o iPhone e os computadores Mac.

Há espaço para um produto entre o iPhone e o computador portátil, e a solução não é um netbook“, afirmou Steve Jobs, executivo-chefe da Apple, diante das dezenas de jornalistas que foram ao evento em San Francisco.

A solução da Apple se chama iPad e tem o aspecto de um iPhone grande com funções de computador. Com apenas 700 gramas de peso e 1,2 centímetro de espessura, o iPad conta com uma avançada tela tátil de 9,7 polegadas, conexão Wifi e uma bateria de dez horas de duração.

A última tábua que gerou uma expectativa semelhante levava os dez mandamentos gravados nela“, brincava recentemente o diário americano “The Wall Street Journal”.

E o jornal tinha razão. Rumores sobre o iPad circulavam há meses na imprensa e acredita-se que Steve Jobs tenha se envolvido pessoalmente no desenvolvimento do aparelho, mesmo na época em que teve que passar por um transplante de fígado.

O nome, no entanto, ninguém acertou. Especialistas asseguravam que se chamaria Tablet, iTablet ou iSlate, e a escolha de iPad gerou mais discussões.

O iPad oferece funções interessantes e infinitas possibilidades de negócio para a Apple, que pode arrecadar entre US$ 2,8 e 3,5 bilhões com vendas, segundo previsões de analistas.

Com ele, a Apple aposta oficialmente nos dispositivos eletrônicos móveis, com os quais já gera a maior parte de sua receita. “A Apple é a maior companhia mundial de aparelhos móveis”, anunciou hoje Jobs, um dos fundadores da empresa na década de 70 e responsável pelo desenvolvimento do Mac.

O iPad permite navegar na internet, escutar e baixar música, ver filmes e jogar videogames. Além disso, inclui um teclado virtual de tamanho quase real, o que o torna uma excelente ferramenta para trabalhar com e-mail.

Mas a grande jogada para a Apple são as três lojas na internet que possui integradas: iTunes, a loja de aplicativos do iPhone e a nova iBooks.

No iTunes, os usuários poderão baixar músicas, filmes, podcasts e séries de televisão como fazem até agora em seus IPods ou computadores. A tela do iPad permite ver os conteúdos com uma grande qualidade e se assemelha a ter um televisor de alta definição nas mãos, só que menor.

A loja de aplicativos do iPhone, na qual já há nada menos que 140 mil programas, também está disponível no iPad.

A ideia, no entanto, é que os programadores adaptem esses aplicativos às características específicas do iPad e, sobretudo, achem novos especialmente feitos para o aparelho recém-lançado.

Como ocorreu com o iPhone, fica aberto assim um mundo de possibilidades e oportunidades de negócio para a Apple, que atualmente tem 30% da receita derivada dos aplicativos para telefone.

Mas o iPad quer ser algo mais e pretende se aproveitar do cada vez mais atraente mercado de livros eletrônicos.

O novo computador tablet inclui um aplicativo chamado iBooks para download legal de livros, que, segundo a demonstração de hoje, oferece uma qualidade de leitura superior à de outros leitores eletrônicos atualmente no mercado.

Assinamos acordos com cinco grandes grupos editoriais“, explicou Jobs, que assinalou que a ideia é incluir o mais rapidamente possível muitos mais. “Estou também muito emocionado com a possibilidade de abrir no iBooks os livros“, acrescentou.

Uma das principais surpresas da apresentação foi o preço do iPad, que os analistas tinham antecipado que rondaria US$ 1 mil.

O aparelho de 16 GB custará US$ 499; o de 32 GB US$ 599 e o de 64 GB US$ 699. Os preços aumentam US$ 130 se o aparelho for adquirido com, além de WiFi, conexão 3G.

Os que já queiram comprar o iPad terão, no entanto, que esperar dois meses, três se quiserem a versão 3G. Fora dos Estados Unidos a espera será ainda mais longa, pois a Apple está negociando com as operadoras telefônicas o acesso à internet e não espera conseguir acordos até o meio do ano.

Paula Gil – EFE – 27/01/2010

Revista do Observatório do Livro e da Leitura – 29/02/2010

Mercado aguarda lançamento de tablet em evento da Apple nesta quarta-feira


iTablet Apple

O iPod e o iPhone marcaram um antes e um depois na indústria da música digital e da telefonia celular, mas a Apple, criadora dos dois produtos, quer agora causar uma provável reviravolta no setor editorial com um computador que apresentará nesta quarta-feira [27], nos Estados Unidos.

Após meses de rumores, o tablet – como a imprensa americana denomina o aparelho – provavelmente será mostrado ao mundo em um evento em San Francisco, mas deve ser preciso esperar até março para vê-lo nas lojas.

Segundo a empresa de consultoria Sanford Bernstein, o tablet se transformará automaticamente em um sucesso e poderia vender cerca de 3 milhões de unidades em seu primeiro ano, três vezes mais que todos os computadores similares do mercado juntos durante 2009.

Aqueles que já viram o equipamento afirmam que é um elegante computador extraplano e leve, com tela sensível de cerca de 10 ou 11 polegadas e teclado virtual semelhante ao do iPhone.

A Apple não quer que seja um simples computador portátil, mas busca fazer dele uma plataforma para conteúdos editoriais como livros, revistas ou jornais, que permitirá fazer download de textos por um preço ainda não especificado e através de um procedimento simples, como ocorre com o iPod e a loja de música on-line iTunes.

Segundo várias fontes, a Apple está negociando com editoras como a New York Times, a Conde Nast Publications e a HarperCollins Publishers, de propriedade da News Corporation, para chegar a um acordo de cooperação e vender conteúdos destas empresas no Tablet.

Algumas versões dizem que a firma de tecnologia também mantém conversas com algumas redes de televisão, como CBS e ABC para oferecer seus programas, e que negocia também com a produtora de videogames Electronic Arts.

O objetivo é repetir o sucesso do iPod e do iPhone com a mesma fórmula: hardware de design elegante com software e aplicativos atrativos que são os que realmente geram dinheiro à Apple.

O lançamento do iTunes fez disparar as vendas do iPod e transformou a Apple em líder no varejo on-line de música dos EUA.

A loja de aplicativos para o iPhone, incluída dentro do iTunes, fez do iPhone um pequeno computador com seus mais de 100 mil programas disponíveis por poucos dólares ou, inclusive, de graça.

Tábua de salvação

Se a Apple conseguir convencer os consumidores a adquirir seu Tablet, a indústria editorial sairia beneficiada.

Há anos, o setor está sofrendo as perdas pela redução da circulação em detrimento da internet, e ainda busca soluções criativas para que os usuários paguem na rede pelo que estão acostumados a receber de graça.

O tablet, no entanto, tem ainda um longo caminho a percorrer e terá que passar por vários obstáculos até provar seu êxito.

Em primeiro lugar, o preço do equipamento está relativamente alto, pois, segundo fontes ligadas à fabricação, será de US$ 1.000 nos EUA.

Além disso, a Apple tem que conseguir que os consumidores comprem o tablet quando muitos netbooks, eBooks e até telefones celulares realizam funções semelhantes pela metade do preço ou até menos.

O tablet também não é o único computador deste tipo no mercado. Durante 2009, cerca de 15 fabricantes de PCs lançaram produtos parecidos –e o número poderia chegar a 30 neste ano.

O sucesso do tablet dependerá de como o produto se adaptará à vida diária do usuário e se oferecerá conteúdo suficiente para fazer com que valha a pena usá-lo“, disse Henry Lu, presidente da firma taiuanesa Micro-Star Internacional, companhia que fracassou em sua tentativa de vender um computador parecido há alguns anos.

Por PAULA GIL – da Efe, em San Francisco – 27/01/2010 – 08h32