É clicar e levar


No dia 22 de agosto de 1994, uma filial da Pizza Hut na Califórnia anunciava pela primeira vez um serviço então inusitado. A partir daquela data, seria possível pedir pizzas pelo computador. Passados 15 anos, pizza online não impressiona mais ninguém. Até 2008, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, 61% da nossa população nunca haviam acessado a internet. Entre quem acessa, 16% compram na rede. Só no Natal, foi R$ 1,6 bilhão em mercadorias, de acordo com a e-bit, empresa que monitora o setor. Líderes no serviço, os Correios entregaram 15 milhões de pacotes comprados pela internet no ano passado. Um recorde. Foram 38% mais compras do que em 2008. A maioria dos produtos é livro – o campeão do varejão online. Mestrando em design na Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ, Adriano Renzi vem estudando livrarias virtuais há dois anos. Pesquisando as vendas e a usabilidade dos sites, ele constatou que 80% dos clientes já se conectam sabendo o livro que procuram. “As lojas estão cada vez maiores e ainda assim há sempre livros que você não encontra lá, já reparou?”, questiona o professor Fernando Meirelles, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV. Fernando acompanha de perto o avanço da internet no país. E lembra que o Brasil tem um jeitinho todo seu de usar a rede.

O Globo – 24/01/2010 – Por Fátima Sá

Tecnologias que vão mudar a universidade


Seis tecnologias emergentes podem fazer uma verdadeira revolução na universidade, na pesquisa científica e na economia de muitos países nos próximos cinco anos. São elas: computação móvel, conteúdo aberto [open content], livros eletrônicos [  e-books ou e-readers ], realidade aumentada, computação baseada em gestos e, por fim, a análise de dados visuais.

Essas conclusões estão na sétima publicação anual do Horizon Report, de 2010, relatório de tendências que descreve o trabalho entre o Consórcio New Media [NMC, na sigla em inglês] e a Educause Learning Initiative [ELI], com a contribuição de mais de 400 líderes nos campos de indústria, negócios, tecnologia e educação, ao longo dos últimos sete anos.

Na opinião dos autores, nestes novos tempos torna-se ainda mais relevante o papel clássico da universidade de orientar e preparar o jovem para o mundo em que ele vai viver – o mesmo papel central da universidade quando ela alcançou sua forma moderna no século 14.

MAIORES TENDÊNCIAS

As duas maiores tendências tecnológicas no curto prazo, ou seja, nos próximos 12 meses, são: 1] computação móvel e 2] conteúdo aberto.

A computação móvel é entendida como o uso de dispositivos pessoais de computação com capacidade de conexão à rede de que os estudantes já dispõem. Esses dispositivos vão de smartphones a netbooks e são ferramentas portáteis que elevam a produtividade, auxiliam a comunicação e oferecem uma gama crescente de atividades inteiramente apoiadas em aplicações projetadas especialmente para dispositivos móveis.

Para muitos educadores, o acesso amplo e gratuito ao conteúdo do conhecimento equivale a um processo gigante de democratização do conhecimento a ser conduzido pela maioria das universidades do mundo, graças à internet e aos meios de comunicação em geral.

O mundo caminha para a ampliação do número de conteúdos abertos. Em visita à Universidade da Califórnia em Berkeley há poucos dias, vi em diversos monitores, a repetição de aulas da universidade, livremente oferecida a quem quiser aprender, estudar remotamente ou atualizar-se. Isso significa que todo o conteúdo das aulas de Berkeley está disponível na internet, em IPTV, para acesso gratuito, a qualquer pessoa, dentro e fora da universidade.

Esse movimento de abertura do conteúdo começou há cerca de dez anos, no Massachusetts Institute of Technology [MIT].

O QUE VEM EM 3 ANOS

Livros eletrônicos e realidade aumentada são duas outras tecnologias que, muito provavelmente, começaremos a ver adotadas, de forma cada vez mais ampla, com apoio das redes celulares globais e da internet.

Progressivamente, eBooks e realidade aumentada estão caindo no gosto e na cultura populares. Ambas tecnologias já são usadas em um surpreendente número de universidades.

Os melhores projetos de e-books combinam não apenas a capacidade da leitura eletrônica, de comunicação sem fio, de armazenamento muito maior, da ampliação do tamanho dos textos, da possibilidade de anotações nos próximos textos digitais, das telas de LED orgânico [OLED] de alta resolução, da aquisição de dezenas ou centenas de outros textos de digitais.

A realidade aumentada é uma das recentes inovações na indústria eletrônica, que sobrepõe gráficos, áudio e outros melhoramentos das telas dos computadores sobre o ambiente real. Muito mais rica de possibilidades do que os gráficos estáticos da tecnologia de TV, ela pode arranjar e empilhar gráficos para cada perspectiva e ajustar as imagens a cada movimento da cabeça e olhos do usuário.

EM 5 ANOS

As duas tecnologias que poderão viabilizar-se num horizonte de quatro a cinco anos, segundo o relatório, são a computação gestual, ou seja, baseada em gestos (gesture-based computing) e na análise de dados visuais. Na computação gestual, os dispositivos reconhecem e interpretam gestos e movimentos do usuário como comandos e controles. É claro que o uso dessa tecnologia exige treinamento para que o usuário aprenda como funciona o sistema.

Embora exista grande interesse no desenvolvimento da computação gestual e da análise visual de dados e enormes volumes de recursos estejam sendo investidos em pesquisa em ambas as áreas, nenhuma delas chegou ainda a disseminar-se nas universidades.

A análise de dados visuais é uma mistura de estatística, data mining e visualização, um campo emergente que promete tornar possível a qualquer pessoa examinar cuidadosamente, exibir e entender conceitos complexos e inter-relações.

INTERDISCIPLINAR

Entre os grandes fatores de transformação da universidade, um deles é a ampliação da interdisciplinaridade, no convívio acadêmico. O brasileiro Jean Paul Jacob, cientista emérito e professor, diz que em seu laboratório, na Universidade de Berkeley, trabalham lado a lado mais de uma centena de cientistas de várias formações: engenheiros, sociólogos, economistas, psicólogos, filósofos, artistas e muitos outros.

Mais informações e a íntegra do Horizon Report 2010, em inglês, em meu site http://www.ethevaldo.com.br.

Estadão.com – 24/01/2010

Livros podem ser encomendados em áudio


Títulos não disponíveis em áudio nas sete bibliotecas públicas de São Paulo que oferecem material para deficientes visuais ou no acervo da Fundação Dorina Nowill podem ser encomendados gratuitamente. No Programa Crer para Ver, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, o usuário contribui com os CDs para a gravação dos audiolivros e tem prioridade na leitura. Devolvido, o novo título volta às prateleiras da biblioteca.

A maior delas, a Louis Braille, que funciona no Centro Cultural São Paulo e tem mais de 6 mil títulos, em braile e áudio, tem estúdio próprio.

Na Fundação Dorina Nowill, oito ledores e cinco editores contratados gravam os audiolivros em dois estúdios, na sede, e outros 30 voluntários leem de casa. O serviço é gratuito, financiado por patrocinadores.

Com R$ 10 por mês, é possível patrocinar o envio de uma revista semanal, em áudio, para uma pessoa com deficiência.

Na quinta-feira, Rosa de Carvalho Costa e Silva, de 74 anos, entoava a voz como numa dublagem ao ler A Décima Profecia. “É preciso transmitir emoção porque eles [ deficientes visuais ] vão “ler” o livro não por meio dos nossos olhos, mas da nossa fala.”

Já os didáticos, como não demandam entonação, são digitalizados em voz por um programa de computador. O trabalho, no entanto, envolve detalhes, como a substituição de palavras abreviadas ou em outros idiomas, que o computador não entende.

No arquivo, um editor reescreve, por exemplo, o nome do psicanalista Freud como “fróide” para que o programa transcreva em voz a palavra na fonética correta.

Estadão.com – 24/01/2010