enTourage eDGe


Em mais de dez anos, desde 1998, por várias vezes eu vi ser anunciado na mídia [a imprensa parece adorar os eReders] os eBook Readers de duas telas. Difícil imaginar a utilidade disto, uma vez que a gente sempre lê uma página de cada vez, mesmo no livro impresso. A marioria dos devices anunciados antes deste eram o que eu acho de “vapoware”. O fato é que agora, mais uma vez, está sendo anunciado, durante a Consumer Electronics Show [CES], realizada em Las Vegas [Nevada], o enTourage eDGe que, reza a lenda, seria o primeiro eReader de duas telas.

Hum, isto depende muito. O Nook, da Barnes and Noble [a maior rede de livrarias do mundo] e o Alex Reader, da empresa Spring Designs, também utilizam duas telas [tudo bem que duas telas verticais, uma embaixo da outra e com tecnologias diferentes].

Assim mesmo, o enTourage eDGe [não tinha um nome mais fácil?] não deixa de parecer interessante. O que precisa agora ser avaliado é a durabilidade da bateria do equipamento, porque se as baterias comuns não conseguem manter uma simples tela funcionando por algum tempo útil, imagine então duas telas. E outro ponto também a ser levado em conta é o custo do device para o consumidor final. Se um equipamento de apenas uma tela, já é meio caro, imagine então um device com duas telas.

Agora, uma coisa bacana que eu estou percebendo em todos estes devices que estão sendo anunciados e lançados neste ano de 2010, é que todos eles têm como referência os eBooks. Há mais de dez anos eu defendia com todas as pessoas com quem eu conversei sobre o tema, que o futuro do livro eletrônico estava nos equipamentos. Muitas pessoas discordaram e continuam discordando de mim. E agora a gente percebe estava mais próximo da realidade. O futuro dos devices podem até não ser o livro eletrônico, mas o futuro do livro eletrônico, acredito eu, certamente está nos devices.

Ednei Procópio

Calibre


A ideia do software Calibre eBook Management é simplesmente sensacional. Guardada todas as proporções, me lembra até um pouco o software Rocket Librarian, programa para o antigo device Rocket eBook, desenvolvido pela Nuvomedia. O Calibre serve para que o usuário, leitor, organize todos os eBooks que tem guardado em seu computador. Porém, além de permitir o gerenciamento dos eBooks no computador pessoal de cada usuário [o software roda em Windows, Mac e Linux], o Calibre eBook Management também permite: a conversão de títulos em diversos formatos; a sincronização de conteúdo para diversos devices [eReaders]; permite o download de conteúdo diratamente de diversos sites e ainda é um eBook Viewer [leitor de títulos eletrônicos na tela]. Só falta agora o pessoal do Calibre inserir uma ferramenta P2P como o Kazaa, o eMuler e o Napster e aí sim será o que eu chamo de software killer. Calibe é animal. Muito bom. Parabéns para o pessoal do Calibre.

Ednei Procópio

Computador de “bolso” procura seu lugar no mercado


O futuro imediato da informática passa pelos computadores de “bolso”, um nicho de mercado a meio caminho entre o telefone celular e o portátil no qual uma gama de “tablets”, “e-readers” e “netbooks” competem para atrair um mesmo tipo de consumidor.

Sem novidades revolucionárias em questões de software, as empresas de tecnologia começaram a buscar um novo produto que reúna tamanho reduzido e alta funcionalidade, uma luta ainda sem vencedor travada no campo de batalha da maior feira do setor, a Consumer Electronics Show [CES], realizada em Las Vegas [Nevada].

Se 2009 foi o ano dos “netbooks”, minicomputadores de baixo custo, lançados para contentar a quem considerava que os portáteis normais eram sofisticados demais, a mudança de ano constatou que em 2010 vão se popularizar os leitores de livros digitais ou “e-readers” que, à margem de sua função literária, trazem outras funcionalidades próprias de um computador para uso diário.

A fronteira entre o computador e o leitor digital ficou definitivamente tênue na semana passada com o desembarque dos anunciados “tablets” ou “slates”, espécies de lousas com tela tátil e de dimensões similares a seus primos “netbooks” e “e-readers” que lembram os antigos PDAs, mas equipados para se transformar em uma plataforma multimídia de bolso e com acesso à internet.

A primeira a disparar nesta direção foi a Microsoft que revelou seu “tablet” fabricado pela Hewlett-Packard, um protótipo lançado na apresentação realizada na quarta-feira passada pelo CEO, Steve Ballmer, na inauguração desta edição da CES.

Ballmer não entrou em detalhes sobre o dispositivo, embora tenha mostrado suas 10 polegadas de tela tátil e explicou que contava com sistema operacional Windows7 e serviria como “e-reader”, reprodutor de vídeo e com acesso à web.

Outras versões de “tablets” exibidas sem data de lançamento no mercado foram o Ultra do fabricante ICD, e a proposta da Dell, embora seus dispositivos tenham apontado na direção de uma ferramenta de conexão à internet mais do que na do conceito exposto pela Microsoft, o mesmo acontecendo no caso da Sony, que mostrou seu modelo ao qual qualificou de “visualizador pessoal de internet”.

Os analistas do setor acreditam que a Apple vá dissipar a confusão diante de tantos aparelhos parecidos quando realizar sua primeira apresentação anual prevista para o próximo dia 26 em San Francisco.

Tudo indica que a vanguardista empresa californiana, criadora do Macintosh, do iPhone e do iPod, poderia revelar o que já veio a ser denominado de “iSlate”, um quadro-negro digital sobre o qual não cessam os rumores e que se espera reúna a funcionalidade do “e-reader” e dos serviços do “netbook”.

Nesse rio revolto de computadores portáteis algumas empresas exibiram na CES apostas interessantes de sinergia entre os diferentes formatos em disputa.

Tal é o caso do enTourage edge, um “e-reader” anunciado como o primeiro “livro dual” por seus criadores por constar de duas telas simétricas, uma para ler e outra para navegar pela internet e que ao ser fechado tem o aspecto de um “netbook”; ou o Alex, o “e-reader” da Spring Designs com sistema operacional Android do Google, que integra uma minitela para navegar pela web e permite ver vídeo e escutar música.

Spring Design Android Alex

A Lenovo, por sua vez, escolheu uma aproximação ao conceito “tablet” a partir da perspectiva de “netbook”, e desenvolveu o IdeaPad U1 Hybrid um computador do qual se pode retirar a tela para trabalhar com ela como dispositivo independente, tendo seu próprio processador e acesso à internet.

10/01/2010 – 13h52, da Efe, em Los Angeles [EUA] – Por Fernando Mexía para a Folha Online

Google se desculpa por publicar livros de escritores chineses sem permissão


O Google pediu desculpas a centenas de escritores chineses por ter disponibilizado em sua livraria digital milhares de obras deles sem pagar os devidos direitos autorais, informa hoje a agência oficial “Xinhua”.

O pedido de desculpas foi feito por meio de uma carta à Associação de Escritores da China, disseram representantes da organização, integrada por 2.600 autores e conhecida como CWA.

Na carta, segundo a CWA, o Google manifestou a intenção de solucionar o problema negociando com os escritores chineses. O site também se comprometeu a não disponibilizar mais livros chineses em sua livraria digital antes do fim destas negociações.

Em outubro de 2008, as autoridades chinesas denunciaram o Google por ter publicado na internet 18 mil livros de 570 escritores chineses, sem que estes tivessem sido informados ou recebido pagamentos pelos direitos sobre as obras.

da Efe, em Pequim – Publicado na Folha Online – 10/01/2010, às 09h45