O futuro do livro


Conforme a coluna No Prelo, no momento em que aparelhos como o Kindle e similares vão se tornando uma realidade cada vez mais concreta, um seminário promovido pelo Oi Futuro, em Ipanema, no Rio, na próxima semana, vai discutir os caminhos do livro como produto e objeto de consumo. O evento Livro@ Futuro.com, que tem curadoria de Valéria Martins e Suzana Vargas, terá debates nos dias 16, 18 e 19 com representantes de diversos setores do mercado editorial, além de workshops sobre novos recursos de expressão criativa na rede. Entrada franca. Informações: http://www.oifuturo.org.br.

O Globo – 14/11/2009 – Por Mànya Millen e Miguel Conde

Kindle traz mais vantagens para quem lê em inglês


KindleAntes de investir R$ 1.000 num Kindle, certifique-se de que o equipamento atenderá bem às suas necessidades. Como ainda levará certo tempo para que se acumule um razoável estoque de títulos em português -até anteontem, havia 154 obras disponíveis, entre edições lusitanas e brasileiras-, adquirir um Kindle faz mais sentido para quem lê compulsivamente em inglês, o idioma da esmagadora maioria dos 376.124 itens catalogados na livraria virtual da Amazon.

E é justamente para o leitor de textos estrangeiros residente no Brasil que o Kindle traz mais vantagens. Além de as edições eletrônicas já serem mais baratas que as impressas -por razões mercadológicas, a maioria dos lançamentos custa US$ 9,99  [R$ 17] -, o consumidor ainda se livra do custo do frete internacional, que, no mundo em papel, costuma ficar entre 50% [entrega padrão] e 200% [expressa] do valor de uma obra típica [de uns US$ 15; R$ 26]. Mais importante: o livro chega no tempo de um “down- load”. Não é mais necessário esperar semanas a fio pelo pacote do correio.

Outra característica positiva do Kindle é que a Amazon disponibiliza, a título de amostra grátis, o índice e o primeiro capítulo ou a introdução de todos os itens do catálogo.

Especialmente no caso de textos mais técnicos, você pode saber precisamente o que comprará antes de desembolsar o dinheiro.

Quanto à leitura propriamente dita, a gente se acostuma. Ler através do aparelho não é uma experiência dos sonhos, mas o desconforto inicial é compensado por vantagens como o dicionário inglês-inglês acoplado -basta colocar o cursor sobre a palavra que a definição surge no pé da tela. Outra característica valiosa é a possibilidade de sublinhar trechos e fazer pequenos apontamentos facilmente recuperáveis. Já não é necessário dobrar o cantinho das páginas rabiscadas.

Do lado negativo, destacam-se a ausência de cores – o que pode ser traiçoeiro em obras que tragam gráficos- e, pelo menos nas edições de que já me utilizei, a inexistência de uma forma prática de navegar entre o texto e as notas.

Para mim, pelo menos, que tenho um Kindle há seis meses comprado a preço norte-americano, o aparelho já “se pagou” e, o que é mais importante, tem sido um bom companheiro.

Folha de São Paulo – 14/11/2009 – Por Hélio Schwartsman

Taxas passíveis de eliminação


A diferença de preço entre o Kindle nos EUA (US$ 259; R$ 448) e no Brasil (cerca de US$ 550; R$ 951) se explica principalmente pela alta carga de impostos aqui cobrados em produtos eletrônicos. Só que existem bons argumentos jurídicos para pleitear na Justiça a eliminação das taxas.

O Kindle, afinal de contas, é um instrumento que se destina unicamente à leitura de livros, os quais, nos termos do art. 150, VI, “d” da Constituição, gozam de imunidade tributária.

Quando o constituinte proibiu a União, os Estados e os municípios de impor gravames sobre livros, tinha em mente proteger e incentivar a propagação de ideias através da palavra escrita. Não há nenhuma razão para que esse princípio não se aplique também a meios eletrônicos.

Diferentemente do computador, que tem múltiplas funções, o dispositivo de leitura só serve para ler livros. Para reclamar a imunidade, porém, é preciso constituir advogado e entrar com processo na Justiça. Alternativamente, pode-se torcer para que um órgão como o Ministério Público o faça em ação “erga omnes” [válida para todos].

Folha de São Paulo – 14/11/2009 – Por Hélio Schwartsman

Google apresenta à justiça novo acordo sobre digitalização de livros


O Google e representantes de escritores e editores norte-americanos apresentaram nesta sexta-feira [13] à Justiça um novo projeto de acordo sobre a difusão de milhões de livros na internet.

O acordo modificado, de quase 370 páginas, busca responder às objeções sobre o monopólio e direito autoral apresentadas pelo Departamento de Justiça à versão original do complexo acordo legal.

O Google, o sindicato de autores e a associação de editores americanos alcançaram o acordo original ano passado em resposta a uma ação que estes haviam apresentado contra a companhia em 2005.

Segundo este acordo, o Google aceitou pagar US$ 125 milhões para remunerar os autores cujas obras tenham sido digitalizadas sem autorização e se comprometeu a criar um registro de direitos literários independentes que receberia parte da renda das vendas e da publicidade, para os autores e editores que aceitarem digitalizar seus livros.

O departamento de Justiça considerou que o projeto de escanear livros tem o potencial de devolver vida a milhares de obras que estão fora do alcance do público, mas previu ao mesmo tempo problemas de direito autoral e de monopólio.

Folha Online – 14/11/2009 – 11h02, da France Presse, em Washington