eBooks seguem como “nova” fronteira do livro


Os e-books não são novidade para quem está acostumado às novas tecnologias, porém este suporte contemporâneo da escrita segue sendo uma “nova” fronteira para os livros. Na palestra “Quando sua mãe lê um e-book é sinal que algo mudou. Como os e-books transformam a leitura?”, realizada no domingo, dia 8, na Feira do Livro de Porto Alegre, dois fatos ficaram claros.

O primeiro é que pouquíssimas mães [e pais, e tios, e filhos] leem e-books atualmente. A popularidade do formato é baixa. O segundo diz respeito a uma questão técnica: apesar dos avanços da informática, os equipamentos portáteis para livros eletrônicos têm muitas diferenças funcionais entre si [impedem troca de arquivos, os sistemas não dialogam] e, no geral, ainda são muito caros, o que dificulta muito o acesso a estes utilitários em larga escala.

Conforme Jorge Campos da Costa, editor-chefe da ediPUCRS, os motivos para o e-book se manter distante das pessoas podem ser tanto a aversão às novidades quanto o propalado medo da ‘morte’ do livro em papel, tendo em vista o romantismo ideológico e simbólico que os volumes físicos imprimem ao leitor. No entanto, Costa ressaltou que o nascimento de uma mídia não significa a morte de outra, como o passado já mostrou no caso TV/rádio.

– O livro em papel jamais morrerá, já que o que importa é a escrita, que vem dos tempos do saibro e do papiro e chega até os aparelhos de hoje, como o iPhone. Foi a escrita que passou para a história, e não seu suporte – lembrou.

Costa disse que é importante diferenciar a escrita dos formatos e instrumentos, e declarou que, apesar dos livros comuns não terem uma morte anunciada, no futuro eles certamente dividirão mais espaço com os e-books.

– O livro em papel perderá a posição de “herói solitário”, já que diferentes formatos vão coexistir. Hoje, há uma cultura muito mais rica. É sobre este prisma que temos que entender a evolução. Já Eduardo Melo, responsável pela editora virtual Plus, comentou que uma das formas de se popularizar e-books é manter a gratuidade das publicações eletrônicas – pelo menos em se tratando de novos autores. Melo também criticou estratégias de venda equivocadas. Ele citou o exemplo de O Seminarista, livro de Rubem Fonseca que foi lançado por um valor mais caro em sua versão virtual do que na de papel. Para ele, essa prática prejudica o desempenho comercial dos e-books.

– Nessa cadeia (da Plus), todos trabalham de graça – disse Melo, indicando que sua editora atua a partir dos preceitos do Creative Commons e do “copyleft”, no qual os autores “entregam” os direitos autorais para o público. Mas, se por um lado a Plus abre mão de pagamentos e lucros, por outro se vê obrigada a subutilizar as ferramentas tecnológicas possíveis para a edição de um e-book justamente por não ter dinheiro para este tipo de investimento. Assim, as publicações da Plus são desprovidas, por exemplo, de hiperlinks que poderiam levar à internet e à produção midiática em geral, como a de TV, cinema, música, rádio, jornais, blogs, etc.

Seja como for, a Plus não está sozinha nesta deficiência. A ediPUCRS, que não deverá cobrar pelos seus e-books no futuro próximo, também não aposta neste tipo de funcionalidade em suas publicações digitais, apesar de utilizar estes recursos em casos específicos como artigos e documentos acadêmicos. Apesar disso, Costa acredita que os avanços da informática vão provocar revoluções constantes.

– O enriquecimento da tecnologia é tão rápido que nem podemos imaginar o que vem pela frente – comentou Costa. Porém, se o futuro nos reserva muitas surpresas, Costa dá a entender que o presente segue bastante nebuloso:

– Ainda há um certo caos neste mundo, no qual autores, público e editoras ainda têm muito o que debater. Fazer planos precisos hoje é muito complicado – afirmou.

Conclusão? Apesar dos avanços tecnológicos, a popularidade e a eficácia dos e-books ainda estão para se tornar algo concreto. Muito provavelmente a maioria das mães não lê e-books nos nossos dias, e este suporte tecnológico ainda ‘não transformou’ a leitura em larga escala. Dessa forma, talvez só notaremos que algo realmente mudou nessa esfera da escrita quando nossos parentes se tornarem e-mães, e-pais, e-tios e e-filhos leitores de livros holográficos.

Zero Hora – 08/11/2009

17ª Conferência de Publicações Digitais


Espanha: Mercado aposta em iPhone

Quem vai ser a nova plataforma de leitura: Kindle ou iPhone? O tema esquentou o primeiro dia da 17ª Conferência de Publicações Digitais da WAN/IFRA [Associação Mundial de Jornais e Empresas de Conteúdo], na quarta-feira (4) em Barcelona.

Inmaculada Martinez, presidente da companhia inglesa Stradbroke Advisors Investments [especializada em start up de empresas virtuais na Europa], diz crer que o iPhone vencerá porque: ninguém quer mais um gadget, o Kindle e as assinaturas de notícias nele são caros e os livros de papel são amados.

O jornal francês Le Parisien lançou versão para iPhone e está fazendo testes com o Kindle mas o diretor-adjunto de novas mídias, Eric Leclerc, afirma que, hoje, lançar serviço para Kindle não é rentável. “A assinatura no Kindle é cara. Já no iPhone temos resultados incríveis .

Sandra Silva – Estadão – 08/11/2009

Publishing Business Virtual Conference & Expo: Digital Content Day @ Your Desk


A revista nova-iorquina Book Business realizou dia 29 do mês passado o Publishing Business Virtual Conference & Expo: Digital Content Day @ Your Desk. Referência no meio editorial de livros e revistas, a Book Business organiza um disputado seminário anual sobre o universo do livro. Agora, organiza também conferências online.

A questão principal, pra variar, é: como os editores devem se adaptar à era digital e como se sair bem no universo da edição multimídia. O evento foi transmitido ao vivo, mas não acabou aí. Continua disponível na web, por 3 meses. A navegação do site é simples e recria em ambiente digital a estrutura física de um seminário, muito bem organizado. Os temas são antigos conhecidos de todos os envolvidos na indústria editorial.

O diferencial está nos palestrantes, figuras de ponta nos Estados Unidos. Um dos destaques do evento, Jane Friedman, ex-CEO da HarperCollins, acaba de fundar a Open Road Integrated Media, que lançará em formato digital grandes sucessos do passado para um novo público leitor e livros que “nasceram digitais”. Para ela, e-books, impressão sob demanda e vídeos andam de mãos dadas e se alimentam.

Nessa mesma direção, Erik Qualman, autor de Socialnomics socialnomics.net [como a mídia social transforma a maneira como vivemos e fazemos negócio] afirma que as redes sociais são a grande ferramenta de comunicação dos editores. Através delas é possível ouvir, interagir e vender, diretamente, para os mais interessados.

Essa iniciativa traz à tona uma realidade: o e-book é só uma parte do universo digital em que o livro está inserido. E o universo é muito maior.

Rodrigo Villela – Estadão – 08/11/2009