Disney terá site de livros eletrônicos para crianças


A Walt Disney espera que um novo e ambicioso serviço digital transforme a maneira pela qual as crianças leem as suas histórias. No que descreve como um momento de definição para o setor – ainda que os rivais certamente estejam céticos a respeito -, a Disney Publishing planeja introduzir um novo site de livros por assinatura.

Uma assinatura anual de US$ 79,95 permitirá que as famílias tenham acesso a centenas de livros da Disney em formato eletrônico, de Winnie the Pooh and Tigger Too a Hannah Montana: Crush-tastic!.

O site disneydigitalbooks.com, dirigido a crianças de entre três e 12 anos, está organizado por nível de leitura. Na seção “olhe e ouça“, para leitores iniciantes, os livros serão lidos por atores, com música de acompanhamento [ e cada palavra lida será destacada na tela no momento em que é pronunciada ].

Outra área é dedicada a crianças capazes de ler sem ajuda. Se não conhecerem uma palavra, basta clicar para que uma voz a leia em voz alta. Capítulos de livros para adolescentes e jogos de conhecimentos complementam o serviço.

Para os pais, isso não vai substituir o tempo dedicado a ler histórias para seus filhos“, diz Yves Saada, vice-presidente de mídia digital da Disney Publishing. “Acreditamos que é possível existir uma coexistência entre diferentes formatos de leitura”.

As editoras já vêm experimentando há alguns anos com livros eletrônicos, no mercado infantil. A HarperCollins dispõe de cerca de mil títulos infantis em formato digital, a Scholastic oferece o BookFlix, um serviço de assinatura para escolas e bibliotecas que combina um livro de histórias em vídeo com um livro eletrônico de não ficção sobre um tema aparentado. Curious George está disponível para os usuários do iPhone.

Não surpreende que as empresas tentem promover mais assinaturas para seus acervos de conteúdo“, disse Margery Mayer, presidente da Scholastic Education, sobre o novo serviço da Disney.

Mas alguns observadores do mercado de livros eletrônicos estão impressionados. “Não é nada parecido com os produtos da Disney que já existem no mercado“, diz Sarah Rotman Epps, analista de mídia na Forrester Research que pôde ver uma versão prévia do site. “Eles são os primeiros a dizer que vão oferecer todo o seu catálogo online em um só lugar, para venda direta aos pais“.

Ao adotar um modelo de assinatura para o conteúdo online – em lugar de concentrar atividades no download de conteúdo e venda de aparelhos, como a Amazon com o seu Kindle -, a Disney está fazendo uma aposta específica sobre o direcionamento do mercado infantil, ao menos nos próximos três a cinco anos. A decisão pode ter consequências mais amplas nesse segmento do mercado editorial, nem que seja pela dimensão das operações da Disney, que vende 250 milhões de livros infantis ao ano.

A empresa sente que aparelhos não oferecem uma experiência em nível Disney para as crianças e suas famílias, e concordo com ela quanto a isso“, disse Epps.

A Disney Publishing tem aspirações digitais para o segmento de celulares e dispositivos portáteis, no futuro, disse Saada, mas por enquanto se concentrará no site, que foi projetado tendo a segurança como prioridade. Há controles integrados, por exemplo, que dificultam visitas das crianças a porções menos salubres da web.

Queremos transformar a leitura em algo ainda mais importante na vida de uma criança, e se pudermos fazê-lo de maneira nova e interativa, excelente“, disse Russell Hampton, presidente da Disney Publishing.

Mas o ponto central da nova estratégia é promover os negócios. As crianças estão lendo menos, e a Disney, como outras editoras, está batalhando para reverter a tendência.

Robert Iger, o presidente-executivo do grupo, também notificou a todas as divisões da companhia que as mídias digitais terão de propiciar lucros. Já não basta que elas sirvam como uma extensão dos esforços de marketing.

Hampton disse que o site digital da Disney foi projetado de maneira a permitir a posterior inclusão de outros negócios ¿por exemplo, cursos digitais de idiomas. A Disney considera que os serviços de educação podem ser uma área frutífera de crescimento, especialmente no exterior.

Um grande esforço de marketing será lançado para divulgar o site. Três milhões de cartões postais promocionais serão distribuídos em exibições de filmes da Disney, e um componente voltado a sites de rede social tem o objetivo de atingir 14 milhões de mães. Também estão sendo preparadas demonstrações nas lojas da Apple.

Até o momento, a Disney Publishing havia agido apenas esporadicamente no segmento digital, oferecendo alguns títulos voltados ao público jovem para o Kindle e licenciando alguns de seus livros infantis para a LeapFrog, produtora de brinquedos educativos. Cerca de 500 títulos estarão disponíveis no site na terça-feira, e novos títulos serão acrescidos duas vezes ao mês. [ A Disney controla um catálogo de milhares de livros. ]  Haverá conteúdo exclusivo no final do ano. E o site começará a oferecer livros em outros idiomas em 2011.

A empresa testou uma versão do site junto a mil crianças e famílias, meses atrás. As crianças passaram em média três horas no site em um período de cinco dias, diz Saada. Depois de concluir o teste, 76% dos pais disseram que assinariam.

Algumas das crianças participantes tiveram dificuldade para navegar entre os níveis de leitura, porém. Epps também se queixou de alguns “problemas de usabilidade“. Hampton diz que os defeitos foram sanados.

Sempre vai haver certa dose de tentativas e erros quando uma nova dimensão é acrescentada a um negócio“, disse.

The New York Times – Brooks Barnes
Tradução de Paulo Migliacci ME

Como imprimir um livro em cinco minutos


1]  O usuário seleciona o livro desejado na base de dados interna. Ele pode fazer isso a partir de sua casa ou em um terminal da máquina. Neste último caso, pode ainda levar [ em CD, pendrive etc. ] uma cópia consigo de qualquer obra que queira imprimir, desde que esteja no formato PDF. Podem ser impressos livros de 40 a 830 páginas;

2] Uma impressora de alta velocidade [ 110 páginas por minuto ] imprime, em preto e branco, as páginas do miolo do livro em formato A4;

3] As páginas impressas caem num coletor para ficarem alinhadas;

4] Simultaneamente, outra máquina imprime a capa do livro em formato A3 em um papel de melhor qualidade. Esta capa desliza para baixo da máquina, com a face impressa para baixo, aguardando o miolo do livro;

5] Depois que o miolo do livro está impresso e alinhado no coletor, ele é apanhado por uma garra e viaja verticalmente até a capa;

6] A parte de baixo do miolo é lixada para absorver melhor a cola quente, que é aplicada logo em seguida;

7] O miolo do livro desce até a capa, que é dobrada em torno do livro;

8] Duas prensas apertam o livro na lombada, para garantir que as páginas sejam bem coladas;

9] O livro vai para uma guilhotina, que corta o conjunto em qualquer formato entre A4 [ 21cm x 29,7cm] e 11,4cm x 11,4 cm;

10) Pronto! Esse processo dura poucos minutos.

Ricardo F. Santos – Revista Galileu – Setembro 2009

Impressão de livros on line


Bandbook

Bandbook

O diretor presidente da Gráfica Bandeirantes, Mario Cesar de Camargo, confessa que não se sente confortável com o fato de na relação com as editoras, a gráfica sempre ser vista apenas como uma linha de despesa. “Queríamos ser um parceiro, gerador de receita para a editora.” Com isso em mente, Mario e o diretor comercial, Clineu Stefani, lideram um projeto que, na próxima segunda-feira, 5/10, será apresentado ao mercado editorial em evento no Jockey Club de São Paulo, com a participação de Lyn Terhune, diretora global de impressão digital da editora norte-americana John Wiley & Sons. Trata-se do www.bandbook.com.br. Um portal que permitirá a produção e a comercialização de livros por demanda, entregando o produto ao cliente no prazo de cinco dias. Ele elimina a necessidade de estoque e reduz consideravelmente o custo da logística no preço final do livro. O novo sistema tem uma previsão de custo de impressão cerca de 40% mais alto do que o off set, porém, a redução nos custos de logística são tão acentuados que o resultado final pode se tornar muito interessante para as editoras. O novo portal pode tanto ser acessado diretamente por quem deseja comprar um livro ou ser integrado aos sites das editoras parceiras onde, ao clicar para finalizar a compra, o cliente será direcionado para o BandBook a fim de concluir a operação. Uma vez concretizada a compra, o sistema dispara o processo de impressão, embalagem e envio do produto ao cliente. O BandBook opera em fase experimental há cerca de 30 dias e já conta com a parceria de 55 editoras. No último mês a Gráfica Bandeirantes produziu sob demanda, entre o BandBook e serviços contratados diretamente por editoras, 60 mil exemplares. O on demand responde por 20% do faturamento atual da empresa.

PublishNews – 30/09/2009 – Por Ricardo Costa

Máquina que faz livros sob demanda


A Expresso Book Machine reacende a polêmica, o que é melhor para o ambiente: e-books, livros tradicionais ou o novo método? Avaliamos as opções para você

Em agosto de 2007, o desenvolvimento de uma máquina que imprimia e encadernava livros de cerca de 300 páginas em menos de cinco minutos ganhou tímido espaço na mídia. Inicialmente, o acervo de impressões contava 20 obras de domínio público, e cresceria à medida que a empresa responsável, On Demand Books, conseguisse direitos de outros títulos.

A primeira unidade da Espresso Book Machine foi para a sede do Banco Mundial, em Washington, EUA, e a segunda, para a biblioteca pública de Nova York, para ficarem em exposição, mais como uma curiosidade tecnológica do que como uma potente impressora de livros. Dois anos depois, o acervo da On Demand Books havia crescido para 1,6 milhão de livros, mas nem por isso muitas lojas aceitaram pagar US$ 100 mil pela EBM, que ficou restrita a oito lojas e mais algumas bibliotecas pelo mundo.

Essa situação se manteve até a semana passada, quando a On Demand Books anunciou uma parceria com o gigante Google, adicionando mais 2 milhões de títulos ao acervo, graças ao Google Books, serviço que oferece livros digitalizados pela empresa. Metade dos livros adicionados pelo buscador são de domínio público; a outra metade, por acordo com editoras, pode ser impressa integralmente. O Google Books ainda tem mais 5 milhões de títulos, que pode reproduzir parcialmente.

A iniciativa foi surpreendente pelo fato de o Google ir na contramão da incipiente leitura virtual, por meio dos leitores eletrônicos (e-readers) como o Kindle, da Amazon, ou o Sony Reader. Em vez de procurar um acordo com a Amazon ou com a Sony para a distribuição virtual dos títulos, a empresa optou pela tecnologia de impressão sob demanda: onde houver uma máquina, o consumidor poderá imprimir uma cópia da obra desejada em poucos minutos. O acabamento, garante a On Demand Books, é igual ao de um livro que se encontra em uma livraria.

Ler livros digitais pode ser uma experiência agradável, mas nós percebemos que há momentos em que os leitores querem a cópia física de um livro“, afirmou o gerente de produtos do Google, Brandon Badger, em um post publicado na semana passada no blog oficial do Google Books. “Esse anúncio [da parceria] é mais um passo para […] ajudar as pessoas a acharem e lerem os livros de diferentes maneiras”, disse ainda no post.

Por enquanto, a máquina de US$ 100 mil ainda está localizada em poucas livrarias dos EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália, e cada livro custa a partir de oito dólares. Os mais de 2 milhões de títulos de domínio público incluem peças de Shakespeare, antigos ensaios filosóficos e romances como “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll; “As aventuras de Sherlock Holmes”, de Arthur Conan Doyle; “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen; “Moby Dick”, de Herman Melville; “Frankenstein”, de Mary Shelley; “Um conto de natal”, de Charles Dickens, e mais autores como H. G. Wells, irmãos Grimm, James Joyce, Franz Kafka e Oscar Wilde (somente os originais em inglês).

Impacto ambiental de livros tradicionais e e-books

Poucos dias antes do anúncio da parceria acima, o grupo americano Cleantech, que desenvolve tecnologias não-poluentes, divulgou o estudo “The environmental impact of Amazon’s Kindle” [O impacto ambiental do Kindle, da Amazon], em que afirma que os e-readers podem evitar o lançamento de cerca de 10 milhões de toneladas de CO² na atmosfera até 2012. Até agora, 1 milhão de leitores da Amazon foram vendidos, e o impacto ambiental não foi muito significativo. No entanto, se a projeção para 2012 da empresa se confirmar, e as vendas totalizarem 14,4 milhões, o ganho ambiental será enorme, afirma o relatório.

Tanto os e-books [livros eletrônicos] quanto os tradicionais produzem gás carbônico em sua produção. Porém, segundo o estudo, comprar três títulos por mês durante quatro anos lança 168 kg de CO² quando se trata de e-books, e 1.074 kg quando são livros de papel e tinta, uma relação de um para sete.

Os livros sob demanda, produzidos pela Espresso Book Machine, também são alardeados como menos prejudiciais ao meio ambiente. Apesar de emitir CO² na produção de papel e tinta e na impressão, o sistema sob demanda não tem gastos com o transporte dos livros, e não há desperdício de livros que não são vendidos e voltam para o fabricante [ taxa calculada em cerca de 30% ].

De acordo com um relatório de 2007 do Grupo de Estudos da Indústria do Livro, a produção e comercialização dos livros sob demanda emitem metade do gás carbônico que os processos tradicionais. É um bom índice, mas os e-books ainda produzem 70% menos CO² que o novo processo, mesmo com gasto de energia e com a produção dos componentes eletrônicos.

Influência na leitura

De acordo com o site britânico PC Pro, soldados do Reino Unido que estão servindo no Afeganistão pediram, como presente de natal, um leitor eletrônico. Além da praticidade de armazenar grande conteúdo, o gadget é ideal para as tropas porque, ao contrário de um mp3 player ou iPod, ele não bloqueia a audição, imprescindível para a situação.

Um fato como esse comprova que os leitores eletrônicos conseguiram relativa consolidação e renome no mercado. A praticidade é inegável – o estudo sobre os leitores eletrônicos afirmou que um e-reader substitui, em média, a compra de 22,5 livros. A venda de 1 milhão de Kindles até agora, e a previsão otimista de aumento nas vendas da Amazon, que tem 45% da fatia do mercado americano de e-readers, passa a impressão de que os leitores eletrônicos vão se popularizar.

Aqueles que não largam o livro de papel de jeito nenhum, porém, ganharam mais uma opção – um pouco mais ecológica e prática que o método tradicional. Resta saber se tanta praticidade vai realmente levar as pessoas a lerem mais, ou se aquela máquina de US$ 100 mil será apenas mais uma curiosidade tecnológica.

Ricardo F. Santos – Revista Galileu – Setembro 2009