Editora amplia seus planos para o livro digital


Luiz Alves Jr, proprietário da Editora Global, está muito entusiasmado com o digital. Em conversa que teve com o PublishNews na semana passada, contou que tudo o que for publicado pela Nova Aguilar, recentemente comprada por ele, de agora em diante sairá também em digital. E não é só isso… O grupo Global terá mais um selo – com nome ainda a definir – que vai reunir textos pequenos de livros que já estão no catálogo da casa. Só da obra completa de Darcy Ribeiro, por exemplo, a editora detectou 106 textos que poderiam compor o catálogo do novo selo. “Esse é um projeto que está em ebulição e deve explodir em 2015”, adianta Luiz. A ideia é vender esses títulos a R$ 1,99.

Mas o entusiasmo de Luiz vai além. Ele comentou sobre as iniciativas de bibliotecas digitais que começaram a aparecer com mais força no início desse ano. “A ideia de bibliotecas digitais como a Árvore de Livros, do Galeno [Amorim] é fantástica. O grande problema do Brasil é o acesso à leitura e as bibliotecas digitais podem dar um impulso nisso. O livro, muitas vezes, não chega em bibliotecas no interior do Brasil e o digital seria uma solução para isso“, comentou.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 13/06/2014

ABL lança Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa em aplicativo para tablets e smartphones


O acesso ao app é gratuito

A Academia Brasileira de Letras [ABL] acaba de lançar o aplicativo do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa [VOLP] para tablets e smartphones. O usuário, que pode baixar o app gratuitamente na App Store ou no Google Play, poderá fazer consultas aos 381 mil verbetes descritos no VOLP. “A tendência do mundo é a composição entre o que é impresso e o que é digitalizado e disponibilizado através dos serviços da Internet. A popularização dos iPads, celulares, e de todos os novos veículos de comunicação é inevitável,  e a Academia, com o aplicativo, poderá prestar serviço a um número cada vez maior de usuários, especialmente os estudantes”, afirma  o presidente da ABL, Acadêmico Geraldo Holanda Cavalcanti.

PublishNews | 12/09/2014

“Os livros eletrônicos hoje são uma realidade”


Conforme a pesquisa Bibliotecas e Leitura Digital no Brasil, encomendada pela Árvore de Livros S.A. [noticiado este ano pela Revista Biblioo], o impacto dos livros eletrônicos [ebooks] nas bibliotecas tem se dado de forma positivo, pelo menos do ponto de vista dos profissionais destas instituições. Nesta pesquisa, estimulados a responder sobre o que acreditam que poderá acontecer com a chegada dos ebooks às bibliotecas, a grande maioria dos bibliotecários e demais gestores [82% dos que respondera] apontaram que os dois tipos de suportes [o livro impresso e o ebook] deverão conviver juntos em harmonia. No caso das bibliotecas universitárias, esse tipo de resposta esteve na boca de 100% dos entrevistados. Apesar da ampla aceitação, ainda existem muitas dúvidas por parte dos profissionais, o que acaba por inibir os avanços deste novo instrumento de leitura. Pensando nisso, o bibliotecário do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro [CT/UFRJ], Moreno Barros, tem se dedicado a ministrar cursos sobre o tema, mostrando como eles podem funcionar nas bibliotecas, explorando questões que vão desde os formatos de arquivo, aparatos de leitura, contratos de assinatura e o seu impacto nas instituições, tanto agora como no futuro.

Como você avalia o avanço dos livros eletrônicos sobre os tradicionais impressos?

Francisco, acho que é um caminho sem volta. Obviamente que o livro impresso não vai acabar, mas o livro eletrônico está aí e veio para ficar. E seu avanço e força se dá muito mais por uma lógica de mercado do que pelo embate do fetiche entre impresso ou eletrônico. Bastou que os varejistas e editoras entrassem de cabeça nesse mercado, que certamente tem menor custo de produção e é mais lucrativo, para ditarem o ritmo. Se você pensar bem, um editor pode determinar que um lançamento seja exclusivamente digital. E o que iremos fazer? Espernear? Como consumidores, nós temos muito a ganhar, pois é uma nova modalidade de serviço e produto, e podemos reivindicar preços mais justos, distribuição mais veloz etc. O momento é esse! Mas ao mesmo tempo precisamos estar muito atento a certas práticas que cerceiam o hábito de leitura e consumo de livros digitais, como o monopólio sobre plataformas de distribuição de livros e controle sobre formatos digitais. Mas bem, no final das contas, não restam dívidas: hoje eu leio muito mais conteúdo digital [seja livros ou não] do que impresso. Eu e muitos outros “nativos digitais” já representam uma fatia significativo de um mercado e de uma cultura de consumo de informação e literatura. Falar de livros eletrônicos poucos anos atrás era um futuro distante. Hoje é realidade. Então o avanço foi enorme.

Quais as principais dúvidas dos bibliotecários quando o tema são os e-books em bibliotecas?

Os bibliotecários normalmente têm dúvidas sobre os dispositivos de leitura [kindle, kobo, ipad, tablets, smartphones], as modalidades de empréstimo de livros eletrônicos e os contratos estabelecidos com as editoras. Esses três elementos englobam quase tudo o que diz respeito a uma estratégia de adoção de ebooks em bibliotecas, de diferentes tipos. Na verdade os bibliotecários já lidam com arquivos digitais há bastante tempo [repositórios digitais e livros em pdf para download, por exemplo], mas agora existe uma demanda específica para livros eletrônicos e isso exige um planejamento. É como se você estivesse criando uma coleção nova, que precisa ser gerenciada e disseminada. Não é muito diferente do que já estamos acostumados a fazer, mas por se tratar de um formato novo, é normal que essas dúvidas apareçam. Claro, à medida que as experiências forem sendo compartilhadas, os ebooks deixarão de gerar dúvidas e passarão a ser rotina padrão das principais bibliotecas.

Que conhecimentos básicos os bibliotecários precisam ter na hora de fazer aquisição deste tipo de material?

Além de conhecer bem a demanda da sua comunidade, uma boa estratégia é o bibliotecário confrontar os benefícios dos ebooks com os impressos, uma vez que o impresso ainda é o formato prevalecente e que utilizamos como parâmetro. E isso implica em uma série de medidas, como verificação de preços, disponibilidade de títulos, possibilidade de empréstimos simultâneos, decidir se a aquisição é perpétua ou leasing, se os títulos podem ser adquiridos individualmente ou em pacote, analisar como os arquivos digitais serão hospedados e distribuídos, se os formatos são compatíveis com os diversos dispositivos de leitura disponíveis no mercado, entre outras. Na maior parte, isso vai exigir uma conversa bastante estreita com as editoras fornecedoras e o bibliotecário assegurar que está fazendo um bom negócio.

Publicado originalmente em Biblioo | 12/09/2014

Livros de cabeceira dos usuários das redes sociais


‘Harry Potter’ é o livro de cabeceira favorito dos usuários do Facebook

Vocês já devem ter visto em algum momento no Facebook uma corrente em que as pessoas listavam seus livros preferidos e instigavam uma lista de amigos a fazer o mesmo.

Era um texto mais ou menos assim: “Não pense muito. 10 livros que você leu e que sempre estarão com você. Liste os primeiros dez livros que você lembrar em menos de quinze minutos. Marque quinze amigos, eu inclusive, afinal quero saber que livros meus amigos escolheram.” Basicamente, isso, com uma ou outra variação.

Ou seja, não são os livros que as pessoas julgam mais importantes, mas sim os que leu, gostou e ficarão em sua cabeceira.

Baseado nesta corrente, o Facebook decidiu colher durante a segunda quinzena de agosto todas as postagens que citassem os termos “10 livros” ou “dez livros” e compilar os resultados. Neste período cerca de 130 mil pessoas fizeram essa listagem.

A liderança coube à série de livros “Harry Potter”, de J. K. Rowling. A saga do jovem bruxo foi citada por 21% das pessoas que fizeram as listas no período da pesquisa.

A Bíblia, livro com maior número de impressões na história, ficou em sexto lugar.

Veja a lista dos 10 mais, com a respectiva porcentagem de presença:

10 livros mais citados no Facebook

A equipe do Facebook Data Science, que fez a compilação, deixou alguns poréns importantes. A grande maioria das postagens são de língua inglesa [quase 80% das postagens coletadas vieram dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Índia, todas com o inglês como língua oficial], a proporção de mulheres participantes é mais de três vezes maior do que de homens e a idade média foi de 37 anos.

Apenas um livro de um brasileiro aparece na lista dos 100 mais citados. Trata-se de ‘O Alquimista’, de Paulo Coelho, que ficou com o 20º lugar, presente em 4% das listas.

Caso você queira saber quais são os 100 livros mais citados e outros detalhes da pesquisa, é só clicar aqui.

PS: Participei de uma corrente dessas no longínquo ano de 2010. E eram 15 livros, na época. Vejam os que eu escolhi:

1 – O Primo Basílio, Eça de Queirós
2 – Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
3 – A Laranja Mecânica, Anthony Burgess
4 – O Urso e o Dragão, Tom Clancy
5 – A Sangue Frio, Truman Capote
6 – Vidas Secas, Graciliano Ramos
7 – Notícia de Um Sequestro, Gabriel Garcia Márquez
8 – Germinal, Émile Zola
9 – Misto Quente, Charles Bukowski
10 – Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes
11 – Febre de Bola, Nick Hornby
12 – Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto
13 – A Metamorfose, Franz Kafka
14 – O Cortiço, Aluísio Azevedo
15 – Os Irmãos Karamazov, Fiodor Dostoiévski

Por Ygor Salles | Publicado originalmente no Blog Hashtag, da Folha de S.Paulo | 10/09/14 19:29

Barnes & Noble reduz perdas e avalia cisão


A Barnes & Noble vai continuar a explorar alternativas de desmembramento para sua divisão de leitores eletrônicos Nook, apesar de os prejuízos associados a ela terem diminuído no trimestre mais recente. O prejuízo líquido total da varejista caiu 67%, para US$ 28,4 milhões, ou US$ 0,56 por ação, no trimestre encerrado em 2 de agosto, puxado principalmente por cortes de custos promovidos na divisão Nook.Em junho a empresa anunciou planos de desmembrar sua divisão Nook. No entanto, não informou quando essa operação ocorrerá nem confirmou se realmente a levará a cabo. A cisão está no prelo desde pelo menos 2012, quando a Microsoft comprou uma fatia de 17,6% na Nook, por US$ 300 milhões, e as cláusulas do negócio previam que a divisão seria desmembrada como empresa independente dentro de cinco anos.

Por Jennifer Bissel, do Financial Times | Valor Econômico | 10/09/2014, às 05h00

Autor escreve livro na tela do celular


Escritor carioca lança pela romance sobre a trajetória de um menino no crime

Depois de um ler um livro, o sentimento de ter uma história melhor do que aquela pode não ser lá muito comum. Insistir no caso, escrever a história e publicar por uma grande editora é menos comum ainda – aliás, nada de comum mesmo é a história de Jessé Andarilho [1981], jornalista e escritor carioca que lança, agora, pela Objetiva, o romance Fiel.

O livro narra a história de Felipe, menino bem-educado e inteligente, morador de Antares, zona oeste do Rio [como Jessé], que depois de atuações expressivas na seleção de futebol da comunidade local é atraído pelo crime e então sofre a ascensão e queda de um menino no tráfico carioca, como anuncia o subtítulo da edição.

A relação de Jessé com a literatura começou quando ele já era um adulto, lá por 2004. “Quando comecei a ler livros, eram sempre histórias que faziam parte do meu dia a dia, como o Zona de Guerra, do Marcos Lopes, e o Abusado, do Caco Barcellos”, conta – nessa época, percebeu que tinha uma história intensa que poderia render um livro. Ficou com a ideia na cabeça, até 2011. Enfim, rendeu. “Eu demorei 32 anos para escrever o Fiel”, brinca, mas nem tanto.

Jessé. Idas e vindas de Antares, zona oeste do Rio | Foto: Édipo Ferraz/Divulgação

Jessé. Idas e vindas de Antares, zona oeste do Rio | Foto: Édipo Ferraz/Divulgação

Jessé costuma gastar pelo menos três horas por dia no transporte público carioca. Pensou que além da leitura poderia fazer outra coisa: escrever. O celular passou a ser a sua Remington em miniatura. “Indo pro trabalho, dentro do trem, comecei a escrever no bloco de notas, sem pretensão”, conta. Durante a escrita do romance, em casa, ele lia o texto no celular e reescrevia no computador.

Quando já tinha uns quatro capítulos prontos, mostrei para um amigo de Ipanema. Ele gostou e começou a me dar livros.” Passou a ler George Orwell e Albert Camus. Terminou o Fiel, entregou o manuscrito a Celso Athayde, um de seus sócios no projeto Central Única das Favelas [Cufa], que gostou tanto que o indicou para a editora.

Jessé diz que não tinha pretensão de assinar contrato ou mesmo mandar o livro para fora da favela. “Conforme fui conhecendo pessoas, ampliando minha rede, começaram a me incentivar, isso é literatura, é bom, as pessoas vão gostar de ler. Acreditei”, conta.

Fiel. “Patrão, eu nunca pensei nisso pra minha vida, mas se isso for ajudar, aceito dentro das minhas condições”, responde Felipe para o chefe do tráfico, quando o convite acontece. Quando o patrão anuncia seu novo fiel, “todos ficaram sem entender direito o que estava acontecendo”. A verdade é que o personagem cava seu espaço e vira um verdadeiro fenômeno no meio. Mesmo sendo um prodígio na vida dentro da lei.

O fascínio acontece”, diz Jessé. “Imagina o preto, pobre, favelado, assistindo aos comerciais de TV de tênis, mulheres, aí vê um cara criado contigo, mais feio, de repente bota uma pistola na cintura e começa a sair com as garotas mais bonitas”, supõe. “Mesmo tendo uma boa criação, o cara acaba num deslize, no lugar errado e na hora errada. É uma sedução e o cara acaba cedendo”, explica.

Na contracapa do livro, MV Bill escreve: “A escrita é interna, vinda de um cara que viveu ali, bem de perto, e só não se afundou na criminalidade porque foi resgatado pela arte”. Atualmente, Jessé é presidente do Centro Revolucionário de Inovação e Arte [Cria], ONG de Antares, e operador de áudio freelance – depois de uma passagem pela TV Brasil como repórter do programa Aglomerado.

Além disso, Jessé está trabalhando em outros seis livros – o mais adiantado é O Efetivo Variável, romance sobre um jovem que se vê obrigado a servir o exército brasileiro.

Questionado se acredita no poder real da arte frente ao crime, por exemplo, ele é taxativo: “Acredito”. “Conheço muita gente que tinha tudo para dar errado: foram criados em favelas, tomando tapa na cara de polícia, passaram por vários perrengues com traficantes. Até quando ele conhece a arte e aí é regenerado. Um amigo em Antares, Wallace, dá aulas de balé, os caras zoam ele, mas ele não se importa, aprendeu e hoje ensina. A arte mostra que o mundo não é só aquilo que está em Antares.

TRECHO DO LIVRO FIEL

Quando o pai acusava a mãe de preguiçosa e ela já ia responder com alguma palavra ofensiva, ele entrava no caminho e perguntava à mãe o que havia colocado de diferente na comida. A partir daí, elogiava o tempero e ainda pedia confirmação ao pai. Na mesma hora, a discussão era interrompida. Essa mesma habilidade era usada para conquistar as garotas na igreja e no colégio.

Felipe era um admirador da arte da guerra – um amigo de seu pai lhe disse que as estratégias poderiam ser usadas em muitas situações na vida, inclusive na hora de conquistar uma mulher. Pronto, foi o suficiente para ele comprar vários livros sobre o assunto. Com isso, começou a guerrear nos campos de batalha da vida sentimental. Logo ficou com fama de namorador.

Além da boa aparência, tinha uma habilidade incrível com a bola. Ganhava todas as competições de que participava pela seleção da escola e com os Embaixadores do Rei. Aprendeu a falar pouco e só abria a boca quando alguém pedia sua opinião. Seu Hélio dizia: “Boca fechada não entra mosquito”. Se alguém falasse mal de outra pessoa, ficava quieto, não concordava nem discordava com a ofensa. Apenas ouvia o desabafo. Sabia que se concordasse com a ofensa, no futuro a pessoa poderia usar a opinião dele como referência para continuar falando mal da outra. E se fosse contra o fofoqueiro, estaria defendendo a outra e também acabaria sobrando para ele.

Com esse conflitos penetrantes foi criado. Seu Hélio sempre ensinou as malandragens da vida ao filho, sem saber que isso seria usado de forma diferente da que almejava.

Por Guilherme Sobota | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 08 Setembro 2014, às 19h 00

Authors United’ preparam nova investida contra Amazon


Há quase um mês, a Authors United, um grupo de mais de 900 autores preocupados com o envolvimento de escritores na disputa entre Amazon e Hachette, assinaram uma carta veiculada no New York Times. Agora, o grupo está se preparando para levar adiante mais uma investida contra as táticas de negociação da Amazon. Em um e-mail enviado na última quarta-feira aos signatários do anúncio no NY Times e de outros escritores que aderiram à causa posteriormente, o autor Douglas Preston escreveu: “Amazon continua sua sanção contra os livros da Hachette: 2500 autores e mais de sete mil títulos foram aparentemente afetados. Autores da Hachette viram as vendas de seus livros caírem mais de 50% na Amazon e em alguns casos, a perda chega aos 90%”. Preston está preocupado também com o que poderia acontecer aos autores da Simon & Schuster, outra editora que está em negociações com a Amazon. Ele concluiu escrevendo: “somos forçados a passar para a nossa próxima iniciativa”. Essa iniciativa pode ocorrer nos próximos dias.

Publishers Weekly | 08/09/2014

“Livro vai se adaptar à revolução das plataformas digitais”, afirma especialista em literatura


O fim do livro impresso representa, para os apaixonados pelo cheiro e textura do papel, o apocalipse, sem exageros — mais aterrorizante que qualquer saga de zumbis ou vampiros. Mas os especialistas em mercado literário tranquilizam o público do livro impresso. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — realizada pelo Ibope em parceria com o Instituto Pró-Livro — apesar da crescente ascensão dos tablets, os chamados e-books ainda não são muito populares entre os leitores brasileiros, uma vez que 82% afirmam nunca ter lido um.

O professor da Unesp, João Ceccantini, especializado em literatura e mercado, acredita se tratar de uma “falsa guerra”. Ceccantini admite ter lido estimativas bem apocalípticas que apontam para a extinção do livro impresso. Mas, para ele, a tendência é que cada tipo de leitura se adapte à plataforma mais adequada e que tanto o eletrônico quanto o papel terão espaço no mercado.

O escritor está muito ligado às práticas contemporâneas e a trama conta muito na hora de escolher o tipo de suporte de leitura. Se o livro impresso vai acabar, o tempo vai dizer. Porém, o que eu vejo é uma falsa guerra, porque, se alguns gêneros precisam de recursos eletrônicos para que as pessoas tenham acesso, há os gêneros que se encaixam melhor no impresso. Por exemplo, muitas pessoas preferem ler poesia no papel.

A pesquisa sobre o perfil dos leitores brasileiros — realizada entre junho e julho de 2011 — foi apresentada neste ano na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. De acordo com o estudo, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. A presidente da Câmara do Livro, Karine Pensa, avalia que os resultados podem ser considerados bons.

Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo, principalmente da chamada nova classe média — que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa, de 45% em 2007 para 48% em 2011 —, e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens“, afirma ela.

Correio Braziliense | Publicado em Diário de Pernambuco | 08/09/2014

Seduc-PI beneficia 5 mil alunos com a abertura de 22 bibliotecas virtuais


Acreditar na educação como pilar fundamental de desenvolvimento. Foi dessa forma, apostando no ensino como instrumento de formação da cidadania, que o secretário de Estado da Educação e Cultura, Alano Dourado, lançou, na última sexta-feira [05], o Projeto “Aplicar – Bibliotecas Virtuais”, em Parnaíba, na Região Norte do Piauí. Com a iniciativa, 22 salas do futuro irão beneficiar mais de 5 mil alunos no município.

Mais de 5 mil alunos serão beneficiados com as 22 salas do projeto “Aplicar – Bibliotecas Virtuais”, entregues em solenidade realizada nesta sexta-feira [05/09] na cidade de Parnaíba, região Norte do Estado. O projeto simboliza a aposta do secretário de Educação, Alano Dourado, que vê a educação como pilar fundamental de desenvolvimento e formação da cidadania do jovem.

Durante o evento realizada no auditório do Centro Estadual de Educação Profissional – Ceep Ministro Petrônio Portela, um total de 660 professores/multiplicadores receberam os certificados dos Cursos de Formação que os tornam aptos a executar os trabalhos nas escolas.

É muito gratificante estar aqui hoje e trazer essa novidade que vai incentivar ainda mais o saber. Nossa preocupação é garantir a qualidade do ensino ofertado nas nossas escolas. Essas salas do futuro, como o próprio nome já diz, vão servir para ajudar na busca por um futuro melhor através da educação”, destacou do Secretário Alano Dourado. Para o gestor da Educação, entregar a nova tecnologia aos alunos e professores é uma forma de estimular o conhecimento e de aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem.

Ainda em sua fala, Alano Dourado procurou motivar a comunidade escolar, relatando histórias de sucesso que foram frutos de empenho e dedicação aos estudos. Segundo ele, a educação é a principal responsável por eliminar barreiras e ampliar horizontes. Atentos às palavras do Secretário, os estudantes se comprometeram em utilizar os novos equipamentos para melhorar o desempenho escolar.

A estudante Francisca Barbosa foi uma das beneficiadas pelo projeto lançado nesta sexta. Ela comemora a nova ferramenta de ensino, que possibilitará melhoria no aprendizado e mudará a realidade dos jovens de Parnaíba. “Estou muito feliz com a biblioteca virtual. Creio que ela nos ajudará na realização de atividades dentro da escola e será uma ótima fonte de pesquisa. É uma nova realidade que vamos viver aqui”, afirmou a aluna.

Além de possibilitar novas experiências educacionais, as salas darão suporte para que o ensino da região continue seguindo rumo ao desenvolvimento. Como uma das maiores cidades do Estado, Parnaíba é responsável pela formação de milhares de jovens.

À frente da 1ª Gerência Regional de Educação [Gre], Fátima Silveira disse que o Projeto é um marco na história do município. Para ela, os alunos e professores são beneficiados pelo fato das salas do futuro facilitar a pesquisa e o conhecimento.

A educação de Parnaíba ganha muito com essa iniciativa. Aqui, buscamos sempre ofertar o melhor no que diz respeito ao ensino e agora ganhamos mais esse suporte que vai ser fundamental para conseguirmos evoluir ainda mais”, concluiu a gerente.

180 graus | 06/09/2014

‘Computador não faz com que se leia menos’, diz Ruth Rocha; leia entrevista


Há 45 anos, em setembro de 1969, Ruth Machado Lousada Rocha teclava uma máquina de escrever trancada no quarto. Acostumada a criar textos para adultos, ela tentava terminar a sua primeira história infantil, para a revista “Recreio”.

Só abriu a porta quando finalizou o conto “Romeu e Julieta”, sobre duas borboletas de cores diferentes. Como uma lagarta que sai do casulo,”nascia” ali também a escritora Ruth Rocha.

Mais de 200 livros depois e 12 milhões de exemplares vendidos, Ruth Rocha, 83, conversou com a “Folhinha” em seu apartamento, em São Paulo.

Folhinha – A infância mudou nesses 45 anos?

Ruth Rocha – As crianças são muito parecidas. Por isso, livros infantis mais antigos e contos de fadas ainda encantam gente do mundo todo.

Mas hoje tem o computador e outras tecnologias.

O problema não é o computador ou a TV, é o uso excessivo deles. Tem criança que fica o dia inteiro com as telinhas ligadas. Não pode. É preciso ter hora para brincar, estudar, sair, comer e, claro, também para o computador e a TV. Tem que ter disciplina.

As escolas atuais estão colocando a disciplina em segundo plano?

Por um lado, as escolas estão muito caretas. Não são nada divertidas. Mas há muitos colégios metidos a modernos que vão para o lado oposto. Como o autoritarismo no passado era grande, eles acabam jogando fora o respeito e a disciplina. Essas escolas também estão erradas. A criança tem que ter regras, senão fica impossível. Ela pede por limites, quer ouvir um “não”, seja dos pais ou do professor.

Brincar na rua faz falta?

Faz falta, claro. Mas hoje é muito perigoso. E a criança inventa brincadeiras onde estiver. Quando meus netos eram pequenos, por exemplo, eles transformavam tudo o que eu tinha na sala de casa em pista de carrinho. A imaginação é muito forte.

Usar o computador faz com que as crianças leiam menos?

Não acho. Nunca se vendeu ou produziu tanto livro. Na minha época, não tínhamos opções, meus colegas não conversavam sobre literatura e as escolas não tinham bibliotecas. Conhecíamos só as histórias do Monteiro Lobato. Hoje há mais opções.

Há muitas opções ruins nas livrarias.

Pouca coisa de qualidade é produzida. Existem duas pragas atualmente nos livros: o “bom mocismo” e o politicamente correto. Eles estão matando a literatura infantil brasileira. Ninguém pensa em livros bons para crianças.

A sra. lia muito quando era criança?

Muito. Quando eu tinha 13 anos, decidi ler todos os livros de uma biblioteca circulante que ficava na avenida São Luís. Claro que não consegui. Mas acho que li a biblioteca inteira do colégio Rio Branco, onde estudei e trabalhei.

E ouvia muitas histórias também?

Meu avô era um grande contador de histórias. Era um velhinho engraçado que adorava contar contos de folclore, dos irmãos Grimm, fábulas, histórias das “Mil e Uma Noites”. Já meu pai só sabia três histórias: do Aladim, de um homem com a perna amarrada, que eu não sei de onde ele tirou, e outra que não lembro. E minha mãe, quando descobriu o Monteiro Lobato, lia várias histórias para a gente.

Há algum tema impossível de escrever?

Já fiz histórias sobre preconceito, autoritarismo e até adaptei a “Ilíada” e a “Odisseia”, de Homero [700 a.C.]. Só não consigo fazer histórias tristes. Preciso de esperança.

Quais seus planos para o futuro?
Voltar a escrever. Tive que parar por um tempo, pois deu um trabalho muito grande fazer a reedição da minha obra de ficção pela editora Salamandra. Foram quase 120 livros.

Planeja fazer lançamentos em livro digital?

O livro digital não pegou no Brasil. Eles geralmente não aproveitam a tecnologia que têm à disposição. Eu vendo muito livro, mas minhas obras disponibilizadas em e-book não vendem nada. Talvez um dia o livro físico acabe, mas esse movimento ainda não começou.

POR BRUNO MOLINERO DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | Caderno Folhinha | às 06/09/2014 00h01

A Era mobile e suas implicações


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2014

Esta é uma coluna pós Bienal do Livro de SP. A Bienal que foi galgada na internet pelos blogueiros e fenômenos youtubísticos. Nunca isso foi tão evidente e nunca se fez tanta falta uma conexão 3G num evento.

Reclamações à parte…afinal para quê falar sobre falta de estrutura, transporte, conexão no país da falta de estrutura, transporte e conexão, não é mesmo?  Terminamos a Bienal com mais de 720 mil visitantes, visitantes estes que foram ver seus vlogueiros/blogueiros/autores favoritos.

Depois de algumas palestras tanto na área editorial quanto na área dos blogs mesmo [fui ao evento dos blogueiros do Publishnews e amei!!!], uma coisa se mostra clara e evidente: bem-vindos à Era Mobile, [entenda: apps e gadgets móveis].

Na parte dos blogueiros, eles comentaram o quanto têm trabalhado para conseguir pouca interação nos comentários dos blogs e até mesmo no Facebook. A realidade é que a galera tem usado apps de mensagens instantâneas. Não foi à toa que Facebook mudou a estrutura do messenger e que outras empresas, como Viber tem anunciado grandes novidades na área de grupos públicos. Muito interessante também o fenômeno do Instagram. Já viram Instagram de livro? Instagram que chama o vídeo do youtube, que chama compra de livros pela capa que também indica maquiagem? Críticas à parte, a mudança de mídia social é uma realidade. O que faremos com isso, mercado editorial?

Em plena virada de plataforma, vejo ainda editoras sem investimento em marketing para os meios digitais. Falta analitcs, falta um relacionamento direto com os formadores de opinião reais do mercado [sim, falo dos blogueiros]. Muito, muito mais efetivo em termos de vendas, um investimento num blog [investimento no relacionamento!] que em uma crítica na Folha de S. Paulo [esta frase ouvi no evento do Publishnews!!]. Olha que coisa maravilhosa… Agora, como sempre, vejo editoras comendo mosca: marketing na era do papel e budget mal empregado.

Ah mas o que tem de gente chata falando somente do lado negativo disso tudo… Que a geração está cada vez mais superficial, que estão somente fazendo propaganda de moda com capa de livro, que os jovens de hoje blá blá blá… Ignoro veementemente essa história negativa, pois mais uma vez o papel do curador/educador se mostra fundamental. Os maiores blogs de literatura são organizados por profissionais da educação, mestrados e doutorandos até. Os pais continuam com papel fundamental também na formação do caráter e gosto literário. Não, nada ainda substitui esse pessoal das antigas.

A Bienal por sua vez também comete o erro crasso de deixar esses profissionais de fora. Temos que repensar o evento como um todo. Não é à toa que tivemos centenas de estandes a menos e o espaço vem encolhendo. Agora, pensando comigo: se o espaço vem encolhendo, mas o público tende a crescer, temos alguma coisa errada nessa equação, certo?

E o livro digital, nessa história toda? Vai muito bem obrigada! Totalmente engajado nas tecnologias móveis para leitura mobile. Só falta a bendita divulgação, e a bendita organização das editoras. Embora pintem a Amazon como a bruxa do 71, os editores dão mais chances competitivas a eles do que às outras lojas. Mandam um preço para Amazon, e outros preços para as concorrentes. Assim fica difícil, né minha gente? Precisamos ter as mesmas chances. Tanta gente reclamando e demonizando o bicho papão e ao mesmo tempo alimentando ele com Whey Protein… Me explica?

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 05/09/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Escritor propõe difusão dos eBooks em programas sociais


O escritor e jornalista Galeno Amorim, ex-presidente da Biblioteca Nacional, veio a Curitiba esta semana para apresentar seus projetos de difusão dos livros digitais como instrumentos de políticas públicas para a área de literatura e incentivo à leitura. Nesta quarta-feira [03] esteve em reunião com a secretária municipal de Educação, Roberlayne Roballo, e com o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marcos Cordiolli. Nesta quinta-feira [04], visitou a sede da Fundação Cultural e a Casa da Leitura Dario Vellozo [Praça Garibaldi].

Galeno Amorim é diretor do Observatório do Livro e da Leitura e considerado um dos maiores especialistas em políticas públicas do livro e leitura da América Latina. Atualmente desenvolve pesquisas no campo da literatura, especialmente analisando o reflexo das atuais tendências de suportes digitais [e-books] na formação de novos leitores. Ele considera Curitiba uma referência nacional em rede pública de bibliotecas e acredita que a cidade está apta a assumir a vanguarda no uso das plataformas digitais.

Amorim observa que as pessoas aceitam cada vez mais o suporte digital, que na sua opinião não é um substituto do livro e das bibliotecas físicas, mas certamente deve ser valorizado e considerado como mais um instrumento de apoio para os mediadores de leitura. “As pessoas estão tendo uma outra concepção sobre essa tecnologia. Um livro é um livro, não importa o suporte”, diz. O pesquisador acredita também que o papel do mediador de leitura continua sendo indispensável e que o contato humano é imprescindível para orientar e incentivar a leitura.

Galeno Amorim foi responsável pela criação do Plano Nacional do Livro e Leitura [PNLL], dos ministérios da Cultura e da Educação. Na ocasião, dirigiu a área do livro e leitura na Fundação Biblioteca Nacional e no Ministério da Cultura. Criou e dirigiu programas como o Fome de Livro [para zerar o número de cidades sem bibliotecas], o Ano Ibero-americano da Leitura [VivaLeitura], a Câmara Setorial, o Prêmio VivaLeitura e a desoneração fiscal do livro, entre outros. Também integrou os conselhos estaduais de leitura dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, e foi secretário municipal da Cultura em Ribeirão Preto, onde iniciou sua carreira. É autor de 16 livros, entre ensaios e literatura infanto-juvenil.

Em sua visita a Curitiba, também foi recebido pelo diretor de Patrimônio Cultural da Fundação Cultura, Hugo Tavares, pela coordenadora de Literatura, Mariane Filipak Torres, e pelo coordenador de Ação Cultural Getúlio Guerra.

Bem Paraná | 5/09/2014

Confira a entrevista do autor do eBook “Após um tumor cerebral”


LIVROS EM REVISTA

KDP Kids


Amazon lança programa de autopublicação específico para livros infantis

A Amazon acaba de lançar o KDP Kids, sua plataforma específica para autopublicação de livros infantis. Pelo KDP Kids, os autores poderão fazer o download do Kindle Kid´s Book Creator, que permite importar textos e imagens em diferentes formatos. Ao final da composição do livro, os autores poderão estabelecer os parâmetros de vendas, como faixa etária, escolaridade indicada para que alcance, de forma eficaz, o seu público. Os royalties para os usuários do KDP Kids são os mesmos praticados pela plataforma para livros adultos, podendo chegar até 70% do valor do livro. Também pela plataforma, os usuários poderão escolher participar de programas como o Kindle Unlimited, que dá aos clientes Kindle acesso ilimitado aos livros inscritos no programa.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 04/09/2014

eBook do começo ao fim


Curso acontece em setembro no Espaço Revista Cult

Espaço Revista CultNos dias 19 e 20 de setembro o Espaço Revista Cult [Rua Aspicuelta, 99, Vila Madalena, São Paulo/SP] promove o curso E-book do começo ao fim. A atividade abordará de forma teórica todos os aspectos relacionados ao e-book. As aulas temáticas seguem o fluxo de produção de um livro digital do começo ao fim. Ou seja, da escolha do título até a comercialização; passando pela produção, pelos direitos autorais e pelo marketing. As aulas serão ministradas por Léo Wojdyslawski, Tiago Ferro, Sandra Espilotro, Greg Bateman, Marina Pastore, profissionais do mercado no País. O investimento é de R$ 500. Para se inscrever, clique aqui.

PublishNews | 04/09/2014

Fundação Dorina lança app de leitura cegos em 3 idiomas


A Fundação Dorina Nowill para Cegos lança um aplicativo inédito no Brasil para os leitores com deficiência visual. O DDReader – Dorina Daisy Reader para Android é um app gratuito e com interfaces em português, inglês e espanhol. O leitor de livros digitais para tablets e smartphones em formato Daisy amplia o acesso dos portadores de deficiência visual à leitura e passa a ser o primeiro app brasileiro para aparelhos móveis que poderá atender a demanda de pessoas que precisam de livros digitais com acessibilidade.

O app DDReader para Android permite ler com os dedos e os ouvidos, facilitando ainda mais o acesso à leitura para as pessoas com deficiência visual. Com este app, que está disponível no Google Play desde o dia 15 de agosto, além do transporte dos livros, mantêm-se as vantagens do livro digital Daisy, que possibilita a leitura dos conteúdos da mesma forma que um livro impresso: com inserção de marcações, anotações ou observações, consideradas intervenções facilitadoras para o público que busca conteúdos específicos, como consultas a dicionários, por exemplo.

“Este aplicativo é um passo muito importante para o público com deficiência, pois aumenta significativamente o acesso às bibliotecas virtuais, com acervo formado por títulos em vários idiomas e que, em breve, serão conectadas ao aplicativo, dando mais liberdade, facilidade e acesso à leitura”, explica Pedro Milliet, desenvolvedor do APP na Fundação Dorina. “Com a evolução do aplicativo, prevê-se a integração com displays braille, além da implementação da capacidade da leitura de arquivos em formato EPUB3”.

Serão disponibilizados cerca de dois mil títulos em português e não é necessário estar conectado à internet para ler os livros que forem adicionados à biblioteca pessoal do usuário. Quem utilizar o app do DDReader e for cadastrado na biblioteca online acessível BookShared – http://www.bookshare.org terá acesso a um acervo ainda maior, com mais de 9 mil títulos em outros idiomas. Vale lembrar que o Brasil tem 18 milhões de tablets em funcionamento, segundo a FGV – Fundação Getúlio Vargas, e o público com deficiência visual também está incluído digitalmente.

Instituições de outros países como o INCI – Instituto Nacional Para Ciegos, da Colômbia, e a Benetech/Bookshare.org, dos Estados Unidos, também deverão adotar o uso do app gratuito e em código aberto. A novidade ainda permite o acesso a bibliotecas virtuais via smartphones e tablets, devido à mobilidade em nuvem, desde que o usuário seja cadastrado em bibliotecas online que tenham acervo de livros em Daisy.

O aplicativo é um desenvolvimento da Fundação Dorina em parceria com a Results, empresa de softwares acessíveis.

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos atua há 68 anos facilitando a inclusão de crianças, jovens e adultos cegos e com baixa visão, por meio de serviços gratuitos e especializados de reabilitação, educação especial, clínica de visão subnormal e programas de empregabilidade. A instituição foi fundada por Dorina de Gouvêia Nowill, que ficou cega aos 17 anos e percebeu a defasagem de livros para pessoas com deficiência visual no Brasil. A partir disso, iniciou um trabalho para que os livros em braille e a alfabetização por este método chegassem ao país. Com o passar do tempo, a Fundação do Livro para o Cego no Brasil tornou-se Fundação Dorina Nowill para Cegos e passou a oferecer novos produtos e serviços, além dos livros em braille. Atualmente, a instituição é referência na produção de livros e revistas acessíveis nos formatos braille, falado e digital Daisy, distribuídos gratuitamente para pessoas com deficiência visual e para mais de 2500 escolas, bibliotecas e organizações em todo o Brasil.

Mais informações: http://www.fundacaodorina.org.br

Publicado originalmente em http://www.joribes.com.br | 04/09/2014

FGV inicia vendas de eBooks na Kobo


Editora disponibiliza cerca de 200 e-books na loja virtual

A Editora FGV inicia a venda dos seus livros digitais pela Kobo. Cerca de 200 e-books estão disponíveis nessa loja, que atua em 190 países e promove as vendas no Brasil através do seu próprio site e no site da Livraria Cultura. A editora já atingiu a marca de mais de 10 mil exemplares digitais comercializados em seu próprio site, além de dois mil e-books vendidos através da iBooks Store, da Apple.

PublishNews | 03/09/2014