Autopublicação nunca foi tão fácil, mas fama e dinheiro são escassos


FRANKFURT | Para qualquer escritor frustrado por rejeições de editoras ou querendo cortar intermediários, nunca houve um momento mais fácil ou mais barato de ser um autor autopublicado.

Uma série de plataformas gratuitas de autopublicação oferecidas por Amazon, Apple e especialistas como Smashwords criaram novas oportunidades e um enorme mercado tanto para desconhecidos que galgam lugares mais altos quanto para alguns escritores estabelecidos.

Louvada por alguns pois teria democratizado o mercado, e criticada por outros pois teria banalizado a cultura literária, a autopublicação transformou o que significa ser um escritor. Simplesmente enviar um arquivo PDF e gastar um pouco com o design da capa pode transformar qualquer um em um autor publicado em uma plataforma de livros digitais como o Kindle, da Amazon, recebendo até 70 por cento do preço de capa.

O papel tradicional das editoras – fazer a seleção entre vários manuscritos, editar os selecionados e criar o pacote, fazer o marketing e distribuir o livro finalizado – foi eliminado. As editoras, no entanto, não estão muito preocupadas. A autopublicação pode funcionar a favor delas também.

A escritora E.L. James é um exemplo. Seu livro “Cinquenta Tons de Cinza” foi autopublicado. A obra foi então selecionada pela Random House e se tornou o livro de formato brochura, conhecido como “paperback” nos Estados Unidos, com vendas mais rápidas de todos os tempos, impulsionando Erika ao topo da lista da Forbes de autores mais bem pagos em 2013.

Poucos escritores autopublicados verão esse tipo de sucesso. Mas aqueles que promoverem ativamente seus próprios trabalhos e definirem preços com perspicácia – às vezes tão baixos quanto 99 centavos por cópia – podem conseguir uma audiência de massa.

Muitos livros autopublicados, embora não atendam os padrões que editoras estabelecidas podem desejar, são bons o bastante“, disse o editor-chefe da revista online Publishing Perspectives, Edward Nawotka.

Eles tem preços em um ponto que atende a demanda do leitor”, disse ele à Reuters durante a feira de livros de Frankfurt. “Acredito que isso tenha ampliado o mercado para livros.

Cerca de meio milhão de títulos foram autopublicados somente nos Estados Unidos, um aumento de 17 por cento na comparação anual e um salto de 400 por cento ante 2008, de acordo com relatório publicado na semana passada pela empresa de informações bibliográficas Bowker.

Para se conseguir viver da escrita é preciso uma sorte incrível, ou determinação e senso de negócios, afirma a escritora alemã de ficção Ina Koerner. Ele vendeu mais de 300 mil livros pela Amazon sob o nome Marah Woolf.

Você tem que entregar um livro a cada meio ano, caso contrário será esquecido”, disse a autora de 42 anos, mãe de três filhos, à Reuters durante a feira, maior do gênero no mundo. “Eu escrevo para um mercado e o livro é um produto.

Ina vende seus livros a 2,99 euros [3,79 dólares]. Ela fica com dois euros e a Amazon com o restante.

Reuters | 13/10/2014, às 13h55

Um novo modelo de mecenato para a literatura?


POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Como levantar grana para publicar aquele seu eBook que ainda está “na gaveta”

No século 1 antes da era cristã, Caio Cílnio Mecenas foi um influente conselheiro do imperador Augusto. Em torno de si formou um círculo de intelectuais e poetas para a sustentação de suas produções artísticas. Mecenas criou, com seu jeito inovador de influenciar pessoas, todo um modelo de incentivo e patrocínio para outros artistas e literatos. O termo ‘mecenas’ passou a indicar uma pessoa que fomenta concretamente uma produção cultural.

Recentemente, com o advento da web, o mecenato ganhou nova roupagem e força com a obtenção de capital para iniciativas de interesse coletivo, através de múltiplas fontes de financiamento. Ações são engendradas na internet com o objetivo de, por exemplo, arrecadar verba para projetos de publicação de livros. É o chamado crowdfunding, uma ação que pode ser usada por escritores para viabilizar projetos literários por intermédio das mídias sociais.

Crowdfunding vem da junção das palavras crowd [que, traduzido para o português, quer dizer multidão] e funding [financiamento]. Financiamento coletivo talvez traduza melhor o termo, embora alguns prefiram financiamento colaborativo. O crowdfunding intensificou-se a partir de 2009, juntamente com o fortalecimento da chamada social media [cujas redes sociais são sua principal ferramenta], mas ganhou realmente massa crítica por conta da cultura de colaboração natural da própria internet.

Uma plataforma online de crowdfunding funciona como uma espécie de portifólio de ideias e projetos, criados por internautas que geralmente não dispõe do capital inicial para levar adiante seus empreendimentos. No caso dos projetos literários, o escritor pode optar por apresentar seus projetos de livros em uma das plataformas online de crowdfundingdisponível [uma das principais em nosso país é a Bookstart]. Após criar o projeto do livro, o autor divulga sua ideia para amigos através das redes sociais. Os internautas que se interessam pelo projeto serão, eles mesmos, os futuros leitores da obra e farão as doações que viabilizarão financeiramente a edição.

Cada projeto proposto pensa em como recompensar quem colabora. É comum, em troca da ajuda, o internauta doador esperar por algum tipo de recompensa. O autor proponente pode, por exemplo, trocar o nome de um dos personagens da obra, no caso de ficção, pelo nome do doador. O doador pode ter o seu nome impresso nas páginas iniciais do livro, nos créditos; pode receber um autógrafo personalizado do autor; pode ter acesso a exemplares numerados, e por aí vai.

Mas tudo deve ser planejado com a máxima atenção. Principalmente a planilha financeira do projeto, que deve abarcar desde os custos de produção da obra até os “mimos” para os doadores. As plataformas online de crowdfunding geralmente retêm 5% do montante arrecadado. E se um determinado projeto não alcança o financiamento necessário, as plataformas de crowdfunding devolvem os valores aos doadores.

Para que uma ação de crowdfunding alcance o resultado esperado, é preciso muita projeção; é necessário que o proponente faça um pré-teste com os amigos, com seu networking. É preciso que o autor tenha a certeza de que a obra proposta é realmente seu melhor livro. Revisar a obra inúmeras vezes até ter a certeza de que ficou perfeita, é o mínimo que se pode fazer. É preciso também criar uma resenha matadora, pois é ela quem irá convencer o doador. Além disso, o autor proponente pode apelar para os vídeos, de preferência curtos que, na internet, são mais propícios a se tornarem virais.

È o que fez, na prática Rosseane Ribeiro, autora do livro “Tudo o que eu queria te dizer” que, segundo o site cidadeverde.com, contou com a ajuda de pessoa interessadas em ler sua obra para custear as despesas para a publicação.

Mas nem tudo são flores, durante uma convenção de quadrinhos, em setembro, o quadrinista Rafael Coutinho afirmou, segundo a Gazeta do Povo [jornal de Curitiba], que, abre aspas: “O Catarse é uma droga”. As palavras de Rafael Coutinho refletem o drama de um projeto mal elaborado: “Fiz um livro pelo Catarse e hoje tenho uma dívida moral com 600 pessoas. Este modelo, o crowdfunding, exaure, faz com que você tenha de monetizar os amigos, transformá-los em público-alvo. Fiquei bem deprimido. Foi selvagem, patético, ridículo”.

Conversando por e-mail com um amigo do mercado crowdfunding sobre o assunto, ele me disse que “se o proponente promete, tem que entregar. Esse compromisso moral é de qualquer pessoa que se comprometa com qualquer coisa. Fora subir a campanha em uma plataforma segura, o proponente precisa buscar uma editora ou prestadores de serviço que façam todo o processo de editoração do livro. Antes de subir uma campanha de qualquer tipo e em qualquer plataforma, vale a pena fechar com quem irá fazer os recursos angariados virarem o produto em questão.

O crowdfunding poderia a princípio parecer uma moda passageira, mas segue uma tendência cultural de colaboração mútua que se estabelece sobre a internet e que já demonstrou resultados em massa. Ações colaborativas como as observadas, por exemplo, nas compras coletivas, são na verdade o efeito e não a causa de uma revolução no modo de pensar e viver em sociedade. O consumo passa a ser feito de modo sustentável e em grupo.

Hoje, existem cerca de 300 sites de crowdfunding espalhados pela grande rede mundial, dos quais pelo menos umas dez sejam importantes e influentes canais da cultura web. Por conta da intermediação financeira proporcionada por estas plataformas online, em 2011 foram arrecadados 1,5 bilhão de dólares. Algumas estimativas publicadas por empresas de pesquisas afirmavam que, até o final de 2013, seriam arrecadados mais de 3 bilhões de dólares. Números ainda não confirmados. Atualmente no Brasil existem pelo menos 30 sites de crowdfunding, cujas ideias financiadas representaram cerca de 75% de projetos artísticos.

Treze séculos após Caio Cílnio Mecenas ter influenciado toda uma elite do império augustino, um novo jeito inovador de chamar a atenção das pessoas para um determinado projeto ressurgiu através da internet. Hoje em dia, uma produção artística pode sustentar seu próprio início através do incentivo e patrocínio de milhares de internautas e ao mesmo tempo leitores. Por acreditar no trabalho do escritor, o leitor compra a obra antes mesmo que ela seja publicada.

Se esta é ou não uma onda passageira, só o tempo dirá. Por enquanto, o financiamento coletivo pode ser a chance que muitos escritores tem de levantar capital para publicar aquele eBook guardado “na gaveta”. Ou, na maioria dos casos, guardado em um pendrive.

POR EDNEI PROCÓPIO | Editor especialista em livros eletrônicos

Editores falam sobre a ameaça da internet


Empresas criam artifícios para combater a pirataria

FRANKFURT – No boletim mensal que envia a seus associados, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros lista as dez obras que foram mais pirateadas na internet no mês anterior. E, entre os títulos, há tanto de ficção como de não ficção – ironicamente, em setembro, ostentava o segundo lugar o romance A Menina que Roubava Livros [Intrínseca], do australiano Markus Zusak, que há anos faz sucesso no Brasil.

Não temos condições de dimensionar quantos downloads de cada obra são feitas por dia, apenas temos um software que vasculha a rede em busca de sites piratas, que oferecem os títulos gratuitamente de forma ilegal”, comenta Sônia Machado Jardim, presidente do Snel e executiva da editora Record. “Tão logo detectamos um site, entramos na Justiça para impedir a pirataria. Mas, é como enxugar gelo, pois para cada site fechado, outro é rapidamente aberto.

De fato, com o avanço tecnológico, um livro ocupa uma parte ínfima de um arquivo, exigindo apenas alguns segundos para a transferência completa de seu conteúdo. E, graças à tecnologia e-ink presente nos e-readers, um livro eletrônico pode acomodar milhares de textos em um único arquivo do tamanho de um vídeo. “É incrível a facilidade”, comenta Sônia.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Feira. Visão hiper-realista do pavilhão pelo alemão Von Hassel
Como ainda não há uma jurisdição específica para o tema, o que implicaria, por ora, na violação dos direitos do cidadão, a solução prática é aumentar o policiamento e a filosófica é acreditar na conscientização dos usuários.

Desde que o Snel começou a apoiar a operação de busca e notificação de oferta de cópias piratas na web, percebemos que número de ofertas e de download tem se mantido alto, independentemente do crescimento da oferta de e-books, aumento no número de livrarias digitais e da distribuição de dispositivos de leitura”, comenta Roberto Feith, da Alfaguara/Objetiva. “Perdura um fenômeno de comportamento bastante curioso: pessoas que seriam absolutamente contra a ideia de alguém entrar numa livraria, escolher meia dúzia de livros e sair sem pagar, acham perfeitamente normal fazer o mesmo no formato digital. Enquanto a sociedade como um todo não compreender que a remuneração do trabalho do autor, em qualquer formato, impresso ou digital, é fundamental para preservar a produção de cultura e conhecimento, a pirataria digital continuará como um grave problema para todo o universo dos livros.

O mesmo pensamento é compartilhado por Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. Para ele, a disposição de reconhecer o livro como o trabalho de um conjunto de pessoas é fundamental para controlar a ilegalidade. “Ao menos não vivemos a mesma situação que a Espanha, onde a pirataria quase liquidou com o mercado digital do livro”, comenta.

Um dos mais importantes centros editoriais da Europa, a Espanha foi surpreendida quando, em 2010, os downloads ilegais de livros digitais saltaram para 35% do total do mercado, frente a 19% do ano anterior. Por conta disso, estima-se em 400 milhões de euros o total da perda só no primeiro semestre daquele ano, número superior ao correspondente de todo 2009.

O fenômeno logo se tornou assunto de Estado. Ainda em 2010, a Federação de Grêmios de Editores da Espanha revelou que, em abril, a pirataria digital havia superado todas as fotocópias ilegais de 2009, a pirataria da pré-história. O surgimento dos tablets e sua rápida difusão eram apontados como principais responsáveis.

Já na Rússia, o que os editores esperavam se transformar em uma nova fonte de receitas – conteúdos comercializados por meio de dispositivos eletrônicos – quase se converteu em um buraco negro. Lá, com o surgimento de novas ferramentas digitais, subiu para 70% a quantidade de russos que leem e-books. O problema é que 92% desse total admitiu baixar seus livros gratuitamente na internet. Para se ter uma ideia da gravidade dessa cifra, nos EUA o número não passa de 12%.

Apesar do tremendo malefício provocado na indústria, a pirataria é vista, muito particularmente, como um selo de garantia. “Com exceção dos técnicos, normalmente obrigatórios, os livros de ficção, quando copiados ilegalmente, servem para nós como sinal de aceitação”, conta um editor, que pede anonimato. “Afinal, ninguém vai perder tempo pirateando porcaria.

A prática, aliás, também não auxilia na definição do perfil do leitor que busca download gratuito proibido. “Não se pode dizer que se trata, em sua maioria de jovens, só porque eles dominam as ferramentas da internet”, acredita o escritor Eduardo Spohr, raro exemplo de sucesso que começou na web e que se transferiu para uma grande editora, a Record, na qual publica, desde 2011, a série Filhos do Éden. “Percebo nessa meninada uma adoração pelo livro como objeto de colecionador. Assim, quando eles não resistem e baixam algum arquivo ilegal, é normalmente para ter uma ideia de como é a trama – algo como, em uma livraria, ler a orelha e os primeiros capítulos do volume para ter a certeza da escolha.

Idêntica impressão tem Paulo Rocco, presidente da editora que leva seu nome. “Os fãs baixam, sim, arquivos ilegais, mas é porque querem ter o sabor de serem os primeiros a descobrir a nova edição”, acredita. “Depois, com o livro lançado, eles compram.

Rocco enfrentou um verdadeiro ataque na web quando publicava a saga do bruxinho Harry Potter, entre 1997 e 2011, dividida em sete volumes que venderam mais de 600 milhões de cópias em todo o mundo. Segundo ele, o mais comum era algum fã afoito adquirir um exemplar do original em inglês e, depois de passar madrugadas traduzindo de forma atabalhoada, colocar sua versão na internet. “Normalmente, era rejeitada porque mal escrita.

O editor, no entanto, realmente ficou surpreso com a audácia de alguns leitores que, como verdadeiros hackers, conseguiram invadir o computador da tradutora Lia Wyler em busca de seus arquivos sobre a série. “Fomos obrigados a acomodar a Lia em uma sala na editora, onde mantinha contato direto com os editores, conseguindo assim terminar sossegadamente a tradução.

O desejo de um fã, realmente, não tem limite. Sônia Jardim conta que determinada obra da americana Meg Cabot, autora da famosa série O Diário da Princesa, certa vez, já estava disponível na internet enquanto o livro ainda rodava na gráfica. “Isso revela que, a partir do momento em que o texto sai do computador e viaja para alguém na editora e daí para a gráfica, existem diversos pontos frágeis, que abrem brechas para o vazamento do conteúdo”, explica.

Para tentar ao menos detectar em qual ponto aconteceu o desvio, Rocco [assim como diversas editoras] instituiu diferentes marcas d’água que ficam nas páginas e identificam quem detinha aquele arquivo pirateado. “Assim, conseguimos ter uma ideia de quem poderia ter feito o desvio.

Medidas como essa formam conjunto de defesa arquitetada pelos editores, que contam ainda com rastreadores na internet e eficientes escritórios de advocacia, que notificam os infratores. Isso enquanto aguardam uma definição da Justiça, que poderia ter vindo com o projeto de lei 5937, apresentado no ano passado e examinado pela comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

O projeto pedia a “proibição de publicação de conteúdo na internet sem autorização prévia do autor”. Ainda estabelecia que o usuário ou provedor que disponibilizem conteúdo na internet sem autorização prévia autor devem ser responsabilizados por danos gerados. A deputada Iara Bernardi, relatora do processo, rejeitou-o, alegando que apenas o Poder Judiciário pode julgar se determinado conteúdo fere os direitos autorais.

Os 10 Livros Mais Pirateados em Agosto [fonte Associação Brasileira de Direitos Reprográficos]

1) Atlas de Anatomia Humana;
2) A Menina que Roubava Livros;
3) Alienação Parental;
4) As 48 Leis do Poder;
5) Álgebra Linear;
6) A Náusea;
7) A Vida Como Ela É;
8) A Torre Negra;
9) As Sete Leis Espirituais do Sucesso;
10) Anatomia Humana – Atlas Fotográfico Anatomia.

Por Ubiratan Brasil | ENVIADO ESPECIAL À FRANKFURT | Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo | 11 Outubro 2014 | 03h 00

Os planos da Houghton Mifflin para o Brasil


Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 13/10/2014

Executivo da editora número 15 no ranking global de editoras fala dos planos para o Brasil

Tim Cannon

Tim Cannon

O PublishNews contou, em agosto, que três executivos da Houghton Mifflin Harcourt [HMH] desembarcaram no Brasil em busca de novas oportunidades no mercado brasileiro. Tim Cannon, vice-presidente executivos para alianças estratégicas globais, fazia parte da comitiva. Agora, o executivo concedeu entrevista ao PublishNews na qual contou quais os planos da editora número 15 do Ranking Global para o Brasil. Cannon detectou que o País tem um potencial nas áreas de conteúdo digital e serviços para escolas internacionais e bilíngues. E é esse mercado que a editora quer explorar. “ Estamos animados com o potencial de tecnologia para ajudar a transformação do aprendizado de forma a garantir o sucesso dos estudantes nesta era digital”, comentou. Para alcançar estes objetivos, Cannon quer contar com parceiros brasileiros com quem quer desenvolver vendas, distribuição, tradução e adaptação dos produtos já ofertados pela HMH. “Recentemente trabalhamos com uma empresa de ensino local, Planeta Educação, para criar uma versão traduzida e localizada de nosso programa líder de mercado ScienceFusion para 1ª – 5ªsérie, que será lançado em outubro de 2014”, exemplificou o executivo. Leia abaixo a íntegra da entrevista concedida por Cannon ao PublishNews.

PublishNews | Como muitas outras editoras internacionais, a Houghton Mifflin vê o Brasil como um mercado promissor. Quais são seus planos para o Brasil?

Tim Cannon | O mercado brasileiro apresenta uma enorme oportunidade para a HMH nas áreas de conteúdo digital e serviços para escolas internacionais e bilíngues, assim como em soluções digitais localizadas em parceria com fornecedores locais.  Estamos animados com o potencial de tecnologia para ajudar a transformação do aprendizado de forma a garantir o sucesso dos estudantes nesta era digital. Como uma empresa global voltada para o ensino, apresentamos um bom número de elementos ao mercado brasileiro, incluindo conteúdo educativo interessante, baseado em pesquisas nos assuntos centrais como matemática, ciência e leitura. Além disso, oferecemos soluções digitais, serviços profissionais e sistemas de gerenciamento de dados como edFusion que facilitam análises e relatórios de dados em tempo real. Também estamos trazendo parcerias estratégicas com líderes da indústria e de tecnologia incluindo Apple, Google, Intel e Microsoft, além de marcas que são ícones como Curious George e Carmen Sandiego, games que são conhecidas entre estudantes, educadores e pais, em todo o mundo. Nosso objetivo é aumentar o conhecimento da marca e as vendas, primeiro através de um modelo de parceria – identificar parceiros locais estratégicos que possam complementar nossa competência comprovada e eficiente em conteúdo educacional, além de serviços profissionais com conhecimento local e relacionamentos. Abrimos recentemente um escritório em São Paulo, e expandimos nossa equipe local para aumentar a presença no país.

PN | Que tipo de parceiras vocês procuram no mercado editorial e entre os distribuidores/livrarias brasileiras?

TC | Parceiros locais são parte integral de nossa estratégia – eles fornecem conhecimentos incomparáveis, um forte canal de vendas e a capacidade de trabalhar conosco para desenvolver estratégias de mercado apropriadas. Nosso objetivo é ter parcerias não só com empresas editoriais locais, mas também com empresas de tecnologia de educação e escolas particulares. Estamos procurando parceiros fortes para trabalhar conosco em vendas e distribuição, tradução e adaptação local, assim como desenvolvimento conjunto de produtos baseados nas peculiaridades locais. Por exemplo, recentemente trabalhamos com uma empresa de ensino local, Planeta Educação, para criar uma versão traduzida e localizada de nosso programa líder de mercado ScienceFusion para 1ª – 5ª série, que será lançado em outubro de 2014.

PN | Há planos para uma operação editorial no Brasil com as marcas da Houghton Mifflin, como joint venture ou sozinha?

TC | Neste momento estamos focados em parcerias que permitirão alavancar o conhecimento local para desenvolver produtos localizados baseados na qualidade pelo qual o conteúdo educacional da HMH é conhecido.

PN | Uma recente pesquisa realizada pela Fipe [Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas], a pedido da CBL e da SNEL, mostrou que o lucro do mercado editorial cresceu 7,52% de 2012 a 2013. O crescimento aconteceu quase exclusivamente graças às compras do governo que chegaram a R$ 1,47 bilhão em 2013. Isso representa 27,51% do lucro das editoras neste ano. A Houghton Mifflin deve conhecer estes números. Quais são os objetivos da Editora no mercado governamental e quais ações poderiam ser tomadas?

TC | A HMH contribui com conhecimento e experiência significativos em adoções pelo governo dentro e fora dos EUA. Nosso objetivo no Brasil é trabalhar com o governo e não apenas com o Ministério da Educação, também com estados e municípios.

Avanço da leitura em celulares é discutido na Feira de Frankfurt


O avanço da leitura em aparelhos celulares foi um dos temas mais discutidos na Feira do Livro de Frankfurt deste ano, que termina neste domingo [12].

Uma pesquisa apresentada durante o evento pela empresa Publishing Technology mostrou que 43% entre 3.000 entrevistados nos Estados Unidos e Reino Unido leem livros nos seus celulares e, dentre estes leitores, dois terços estão lendo mais desta forma em 2014 do que liam em 2013. Mas, segundo a Unesco, o maior potencial para a leitura no celular não está nos países desenvolvidos, e sim nos países em desenvolvimento, especialmente na região da África subsaariana e no Oriente Médio, onde boa parte da população não tem acesso a livros tradicionais e encontra no celular um instrumento fundamental para acessar textos.

Existe um enorme potencial nesses países para empresas e governos desenvolverem a leitura pelo celular, porque existe uma demanda crescente e nenhuma saturação de oferta“, disse Mark West, coordenador dos programas de leitura móvel da Unesco, em uma palestra neste domingo pela manhã na Feira de Frankfurt.

Daniel Roland | AFP

Daniel Roland | AFP

Ele apresentou as principais conclusões do estudo “Reading in the Mobile Era” ["Leitura na Era Digital"], publicado em maio deste ano pela organização, que investigou a leitura de textos pelo celular com 4.000 pessoas em 16 países da África subsaariana.

Segundo a pesquisa, a mais extensa feita até hoje, 77% dos leitores pelo celular são homens, que têm uma taxa de escolaridade duas vezes maior do que as mulheres. Em compensação, as mulheres que usam a tecnologia leem em média duas vezes mais do que os homens. Em relação à habilidade de leitura, 47% consideram que seu nível é “iniciante”, 25% consideram-no “intermediário” e 28%, “avançado”. Do total, 55% leem mais agora que têm um aparelho celular do que liam antes.

De acordo com West, a Unesco vem trabalhando para aprimorar o World Reader, aplicativo que hoje é o mais usado para leitura no celular nos países em desenvolvimento —são 250 mil usuários por mês. O objetivo é melhorar o programa para que adultos possam encontrar com mais facilidade livros infantojuvenis. Segundo o estudo da Unesco, 33% das pessoas entrevistadas leem a partir do celular para crianças.

O World Reader oferece textos que já estão em domínio público e textos protegidos por direitos autorais que foram negociados com editoras. Ele pode ser usado mesmo nos modelos mais simples de celular. Mas, segundo West, o conteúdo oferecido precisa ser ampliado e melhorado, o que passa pela negociação com os detentores dos direitos autorais. “As pessoas querem ler os lançamentos, querem ler o ‘Harry Potter’, o, não apenas clássicos em domínio público“, diz.

Outras barreiras que precisam ser transpostas são a baixa qualidade das conexões à internet e principalmente o custo de acesso.

Segundo West, enquanto o gasto com acesso à internet tem um peso de 1% ou 2% na renda de um europeu, ele chega a representar mais de 10% da renda média de pessoas em países como Etiópia, Paquistão e Gana.

POR ROBERTA CAMPASSI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE FRANKFURT | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 12/10/2014

Entrevista Liliana Giusti Serra | Livro digital e bibliotecas


A forma de se consumir livros será alterada e a tendência indica que bibliotecas precisam aprender rapidamente a conviver e manusear acervos híbridos. Quem diz isso é a Liliana Giusti Serra, a autora de Livro digital e bibliotecas, que a Editora FGV acaba se lançar na sua edição de bolso, em formato impresso e eBook. “É um processo que vem ocorrendo, com o amadurecimento de editores, autores, livreiros e leitores”, ela diz, fazendo questão de ressaltar as diferenças com o que ocorreu com a indústria da música: “será diferente, mas isso não significa que o mercado editorial deverá se reinventar como o fonográfico, até porque aprendeu muito com ele”.

O trabalho do bibliotecário em proporcionar o encontro entre livro e leitor se transforma de forma definitiva. Com a modernização e a facilidade de acesso à informação os processos que estavam estabelecidos se alteram. Os bibliotecários se deparam com desafios sobre aplicação de novos modelos de negócio para licenciamento de conteúdo, empréstimo de livros digitais e privacidade dos usuários.

A expectativa dos leitores, a biblioteca do futuro, a alteração da forma física da documentação e os impactos no consumo causados pelas transformações na forma de acesso à leitura são temas atuais e de grande repercussão na estrutura das tradicionais bibliotecas.

Além de todo o avanço tecnológico que essas instituições vêm providenciando na disponibilização de seus acervos, uma outra necessidade deve ser considerada: a atuação profissional do bibliotecário.

Esse ‘novo’ profissional deve alterar sua forma de atuação, priorizando o serviço prestado e a atividade desempenhada, utilizando as disciplinas técnicas como meio e não como atividade-fim da profissão, tornando o espaço da biblioteca um local convidativo de conhecimento, crescimento e troca. O local da biblioteca também deve ser repensado como um ambiente que seja atrativo ao usuário, que permita interação alinhada com liberdade, não sendo apenas um espaço de troca e aprendizado, mas uma opção de lazer, repleto de oportunidades de descobertas e conhecimento.

É nesse cenário de tantas mudanças que a Editora FGV lança a obra Livro digital e bibliotecas, de Liliana Giusti Serra.

A autora, responsável pelo desenvolvimento dos softwares SophiA Biblioteca e SophiA Acervo, respondeu a 3 perguntas nossas. Confira:

Quais são as principais dificuldades encontradas pelas bibliotecas tradicionais na adequação da preservação e do acesso público às obras de seu acervo, funções originais dessas instituições, com o aumento cada vez maior da oferta e da demanda por publicações digitais?

O tratamento e gestão dos livros digitais são distintos dos impressos. As Bibliotecas precisam aos poucos iniciar a inclusão dessas fontes aos acervos. Vejo que o digital não inviabiliza ou inutiliza o impresso. Eles se complementam e permitem às bibliotecas poderem oferecer mais opções de conteúdo ao usuário, com variação de suporte, formato etc. A tendência é as bibliotecas possuírem acervos híbridos, com os ajustes que cada tipo de documento exige. O digital favorece a preservação ao eliminar a manipulação e deslocamento de originais. O acesso é ampliado, com títulos disponíveis nos catálogos das bibliotecas, podendo ser consultados de qualquer lugar, em qualquer horário.

O capítulo Sobre livros e música no formato digital inicia constatando uma certa resistência do mercado editorial sobre o avanço dos livros digitais com base nas grandes mudanças que ocorreram no mercado fonográfico há alguns anos. Até que ponto o futuro da leitura digital pode realmente seguir os mesmos passos da indústria fonográfica?

O mercado editorial está passando por período de transformações e as possibilidades e consequências ainda não são claras. A forma de consumir, ler, produzir livros está alterada. Os impressos coexistirão com os digitais e existe, a meu ver, espaço para essa convivência. Os editores têm resistência pois o caminho é incerto e pode comprometer o negócio do livro. É natural que queiram se cercar de seguranças ou controles, mesmo que isso signifique adicionar barreiras. A forma de consumir livros será alterada. Não tenho dúvidas disso. Porém, é um processo que vem ocorrendo, com o amadurecimento de editores, autores, livreiros e leitores. Será diferente, mas isso não significa que o mercado editorial deverá se reinventar como o fonográfico, até porque aprendeu muito com ele.

Qual a principal contribuição dessa obra para os profissionais envolvidos e leitores diversos?

Os livros digitais não são muito discutidos no Brasil. Ainda é muito novo para bibliotecas e bibliotecários. Se considerarmos que a oferta desses recursos já existe há mais de 10 anos nos Estados Unidos e Europa, podemos dimensionar o quanto temos que caminhar até estarmos familiarizados com o recurso. Os bibliotecários precisam conhecer a complexidade em trabalhar com os livros digitais, visando fazer as escolhas acertadas de fornecedores, modelos de negócios, tipos de conteúdo etc. Se o bibliotecário não conhece, como irá oferecer os livros digitais a seus usuários? A obra busca trazer o tema para discussão, alertando os profissionais da informação sobre a complexidade e possibilidades de aplicação desses recursos. É um tema aberto, com modelos de negócios e suas implicações sendo estabelecidos. Entender o que já foi utilizado em outros países pode auxiliar o Brasil no momento de estabelecer suas políticas de livros digitais para bibliotecas.

Incluir livros digitais exige planejamento – assim como criar bibliotecas digitais. O profissional bibliotecário precisa estar ciente da complexidade da gestão do conteúdo licenciado para posicionar-se no momento da definição de contratação de conteúdo. Dessa forma terá mais subsídios para fazer os acertos necessários em suas atividades profissionais.

Blog do Galeno | Edição 369 | 16/10/2014

Bibliotecas comemoram Dia da Leitura com palestra sobre empréstimo de eBooks e leitura digital


Além de contação de histórias para pequenos leitores e um amplo calendário de atividades literárias que acontecerão pelo país afora, as bibliotecas brasileiras vão comemorar, este ano, o Dia Nacional da Leitura [que coincide com Dia da Criança, que em 2014 cai em um domingo] com uma inovação, que também sinaliza a predisposição dos bibliotecários de se manterem antenados com os tempos atuais, marcados por uma forte presença das tecnologias digitais no mundo dos livros. Junto com a Árvore de Livros, uma plataforma de empréstimo de eBooks, o Conselho Federal de Biblioteconomia vai promover uma palestra virtual, seguida de debate, para mostrar como estão funcionando as primeiras bibliotecas de empréstimo de livros digitais e o impacto sobre a leitura.

O convidado para falar sobre o tema, com a palestra “Dos tabletes de argila aos eBooks: a revolução na palma da mão”, é o ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional Galeno Amorim, autor de pesquisas sobre o assunto e CEO da Árvore, que já opera em mais de 300 bibliotecas em 26 estados brasileiros. Segundo pesquisa do Observatório do Livro e da Leitura, que ele próprio coordenou, dois em cada três bibliotecários consideram que as novas tecnologias de empréstimo de livros devem atrair mais usuários às bibliotecas e, por isso, 97% estão dispostos a se engajar para promover os novos meios de leitura.

A palestra virtual será na terça-feira [14/10], das 11 às 12 horas, com transmissão ao vivo pelo serviço Hangourt, do Google. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link http://migre.me/m9IHK.

Blog do Galeno | Edição 369 | 16/10/2014

Portal inova com uma ideia de incentivo à leitura


ARKOS é um portal com uma ideia inovadora de incentivo à leitura para classes do 2º ao 5º ano do ensino fundamental. ARKOS motiva alunos a ler mais e a criar o hábito da leitura. O portal usa para este fim conceitos comuns em jogos como pontuação, rankings, níveis, medalhas e adesivos virtuais, entre outros. O projeto foi inspirado em portais existentes na Europa e nos EUA usados por milhões de alunos. E a ideia foi aprimorada e adaptada à realidade brasileira.

Clique aqui para conhecer a ideia.

Tabletes cuneiformes à um clique de distância


POR EDNEI PROCÓPIO | PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 23/11/2012

Tablet da Epopeia de Gilgamesh

Tablet Original da Epopeia de Gilgamesh

Deixando um pouco de lado, apenas como exercício, toda essa questão dos livros digitais empacotados em arquivos ePub, PDF, HTML5 ou Apps, e expandindo um pouco mais o nosso horizonte de alcance, eu gostaria de indicar aos interessados em bibliotecas digitais o ótimo The Cuneiform Digital Library Initiative.

A Biblioteca Digital Cuneiforme [CDLI na sigla original] representa a iniciativa de um grupo de assiriólogos, curadores de museus e historiadores da Ciência, no sentido de disponibilizar, através da Internet [somente através da World Wide Web isto seria possível], a forma e o conteúdo dos tabletes cuneiformes que datam do início da descoberta da escrita, por volta de 3350 antes da Era Cristã.

Os tabletes cuneiformes foram praticamente inventados pelo cultura suméria por volta do IV milênio a.C., e são considerados os primeiros ‘hardwares’ a permitirem o registro e o compartilhamento de informação e conhecimento pelos nossos ancestrais.

E a nossa tecnologia atual, no entanto, está avançando a uma velocidade tão vertiginosa que está permitindo até que conhecimentos antigos, disponíveis antes somente em bibliotecas físicas e museus distantes, estejam disponíveis, olha só que sensacional, através dos modernos tablets.

Segundo os dados do próprio CDLI, o número de documentos como estes atualmente mantidos em coleções públicas e/ou privadas pode exceder 500 mil títulos, dos quais pelo menos 270 mil já foram brilhantemente catalogados pela iniciativa CDLI.

Através de iniciativas como a do CDLI, é possível, por exemplo, ter acesso ao texto original do que é considerado uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial, a “Epopeia de Gilgamesh“, um antigo poema épico da antiga Mesopotâmia [atual Iraque], compilado no século VII a.C. pelo rei Assurbanipal.

Eu vejo o fututo repetir o passado / eu vejo um museu de grandes novidades…” – Cazuza

POR EDNEI PROCÓPIO | PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 23/11/2012

Vem aí o Clube de Leitura Livrus


Clube de Leitura | LIVRUS

Livros para ouvir


Chegam ao mercado brasileiro duas plataformas de audiolivros para smartphones e tablets

ubook.com.brOs audiolivros demoraram para se adequar aos novos tempos. No Brasil, a transposição do conteúdo de um livro para o formato em áudio era comercializada, até pouquíssimo tempo, somente em CDs. Demorou, mas os provedores desse tipo de conteúdo começam a aparecer. Já está no ar – e disponível para iOS e Android – o UBook. A plataforma cobra R$ 18,90 por mês [ou R$ 4,99 por semana para clientes Claro] e os usuários têm acesso ilimitado ao seu catálogo de mais de mil títulos, segundo os idealizadores do projeto Flávio Osso e Eduardo Albano, respectivamente CEO e diretor de parcerias. Cinco dias depois do lançamento, Osso e Albano garantem que amealharam mais de 20 mil usuários. Indo mais ou menos pelo mesmo caminho, a TocaLivros prepara o lançamento oficial de sua plataforma para novembro [uma versão beta entra no ar em meados de outubro]. De diferente, a TocaLivros optou pela venda unitária dos audiolivros, ao contrário da UBook, que adotou o serviço de subscrição.

http://tocalivros.comEm comum, a UBook e a TocaLivros têm a preocupação de criar um mercado de audiobooks no Brasil. “Não é que o mercado de audiolivros é fraco no País. Ele não existe ainda”, comenta Osso. “A nossa missão é difundir o audiolivro. Queremos, junto com as editoras, fomentar esse mercado no Brasil”, defende Marcelo Camps, que ao lado do irmão Ricardo Camps, fundou a TocaLivros. Os irmãos Camps acreditam que o formato em áudio se molda bem à cultura do brasileiro. “O brasileiro lê pouco, mas quer aprender sem perder tempo”, observa Ricardo. É na interseção dessas duas coisas [tempo x querer aprender] que os empreendedores apostam.

O mercado no Brasil é mesmo muito pequeno. “Não é que o audiolivro seja um mau negócio. O meio do audiolivro é que era equivocado. Não enxergamos que o mercado está falido. Para nós, o mercado ainda não aconteceu”, defende Eduardo Albano. E de repente, eles têm razão. Não há dados no Brasil, mas estima-se que o mercado recebe, a cada ano, algo entre 30 e 50 novos títulos em audiolivros. Nos EUA – onde nasceu a Audible, comprada pela Amazon -, a coisa é bem diferente. De acordo com a Audio Publishers Association, o mercado norte-americano tem mais de 18 mil títulos, cresce a taxas de 10% ao ano e movimenta mais de US$ 800 milhões ao ano.

Modelo de negócios

Se na ponta do consumidor a TocaLivros e a UBook diferem [uma vende o audiolivro em formato digital enquanto que a outra vende a subscrição], na ponta da editora as duas se assemelham em alguns pontos. As duas empresas fornecem um modelo de parceria, em que produzem o audiolivro, sem custas às editoras parceiras [os custos de produção podem chegar a R$ 20 mil]. No caso da UBook, as editoras que colocarem audiolivros produzidos por elas recebem pelo simples fato de estarem no catálogo e também pela audiência [vezes em que o audiolivro foi acessado pelos usuários]. Já a TocaLivros remunera as editoras garantindo parte do valor arrecadado por cada título, exatamente como funciona em livrarias de livros físicos.

Outra coisa em comum, as duas plataformas garantem a segurança dos arquivos, com sistemas anti-pirataria e um dashboard pelo qual as editoras podem acompanhar em tempo real o desempenho de cada um dos seus títulos.

Rede Sociais

A UBook promete para breve o lançamento de uma nova fase da plataforma que vai passar a funcionar como uma rede social. A ideia é que os usuários troquem informações sobre os títulos, criem grupos de discussões sobre livros e compartilhem trechos pela rede social. Mais para frente, a UBook quer se tornar em uma grande marketplace do audiolivro, reunindo em uma mesma página editores ou escritores que querem produzir um audiolivro e profissionais envolvidos na cadeia de produção do audiolivro. Mas, por enquanto, são planos para o futuro. Há que se esperar que o mercado passe a existir.

Por Leonardo Neto | Publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

‘Gerador de poesia’ vira atração na Feira de Frankfurt


Máquina que cria versos a partir de ondas cerebrais é destaque da Finlândia, país homenageado no evento

No 1º dia, executivo da inglesa HarperCollins disse que ‘o Brasil está no topo dos lugares onde queremos estar’

http://www.youtube.com/watch?v=keDBDUVrCKg

Um aparelho que se propõe a gerar poemas a partir da medição das ondas cerebrais dos usuários é uma atração da Feira de Frankfurt, maior evento editorial do mundo, que começou na quarta [8].

Criado pelo coletivo de arte e ciência Brains on Art, da Finlândia, o país homenageado nesta edição da feira, a divertida invenção, chamada de Brain Poetry [poesia cerebral], quer mostrar que homem e máquina podem interagir nos processos criativos.

Jukka Toivanen, doutor em inteligência artificial e membro do coletivo, explica que o padrão das ondas cerebrais define o algoritmo do poema, determinado por um estilo e uma métrica. A partir daí, palavras e frases são combinadas para ter algum sentido.

Ainda não é perfeito, mas os métodos para criar poesia e música automaticamente estão evoluindo“, diz Toivanen, citando o caso do Songsmith, aplicativo da Microsoft que gera letras de música a partir da voz do usuário.

Na feira, muitos não levaram a sério. “Não tive de fazer nada! Acho que é só brincadeira“, disse Maarit Lukkarinen, intérprete finlandesa.

A agente literária alemã Alexandra Legath ficou pensativa após “gerar” um poema. “O texto é masculino, fala sou o filho de Marte’, mas sou filha de Vênus”. Achei que sairia um poema do coração, mas é muito cerebral.

Gerar poesia, e não prosa, é o que torna o Brain Poetry possível. “Gerar prosa com sentido seria difícil. Um poema permite interpretação livre. Mesmo sem sentido claro, as pessoas veem significado“, disse o pesquisador.

A Folha testou o aparelho. O poema, em inglês, foi: “Você sossegando e tentando escalar/ Uma vez virei-me sob as copas do cedro/ Você quer/ Você, nunca um amigo /Eu sorri discretamente por toda resposta /Eu evoco a idade /Pobre e decrépita alma“.

POR ROBERTA CAMPASSI | DE FRANKFURT | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 09/10/2014

E audiobook? Você já experimentou?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Não é só de epub que vive o mundo de livro digital. Considero o audiobook um tipo de arquivo que o livro pode se travestir. Mais um formato meio esquecido pelas editoras e o pior, o audiobook carrega uma carga maior de preconceito. Como assim ouvir um livro?

Olha, nem vou entrar no âmbito do quanto isso é importante para os portadores de necessidades especiais. Vou falar da praticidade mesmo.

Há um ano, acho… A Amazon comprou a Audible. Experimentei, e fiquei impressionada com a quantidade de títulos e novamente com a lavada com os gringos nos dão na arte de produzir conteúdo e dar às pessoas acesso a este conteúdo. O grande problema – que nós do ramo do e-book também enfrentamos – é que não tem quase conteúdo nenhum em português brasileiro. Encontrei somente o Adultério do Paulo Coelho. Óbvio que experimentei. Pelo que pude descobrir, o arquivo é produzido pela editora. Caso a Audible produza, ela detêm os direitos de uso de seu conteúdo. Ouvi o Adultério e me incomodava algumas entonações que a locutora fazia… Algumas vezes me questionei se ela seria brasileira… Mas o melhor do app é o uso da velocidade. Você se acostuma a aumentar a velocidade do áudio, sem mudar o timbre da voz. Acho que futuramente teremos pouca paciência de ouvir uma pessoa falar devagar, pois com o uso do app eu fiquei meio gaga, querendo falar depressa [hihi]. Mas isso nem é importante. O mais importante é que é uma forma muito boa e prática de consumo de literatura. Mais uma fonte de renda para as editoras.

Aqui no Brasil experimentei o app Ubook. O que mais gostei é que o app é leve, simples de usar… Pude fazer um plano de R$ 4,99 com a Claro (minha operadora) e esta taxa permite que eu baixe qualquer livro do acervo pra escutar. Ele também tem marcador e espaço para anotações. Muito simpático, porém com deficiência de conteúdo. As editoras mais uma vez, não pensaram nesta forma de “ler” e na produção deste tipo de arquivo.

Toda forma de ler é válida, vamos incentivar a leitura, seja ela como for…. Obra literária é obra literária e se podemos usar a tecnologia para ter mais acesso a elas, por que não?

Será que as outras lojas de livros digitais entrarão no ramo? Ora, quem vende ePub não poderia vender também audiobook?

E pelo amorrrrr…. Esqueça DRM. DRM de áudio já se provou um fracasso!

Alguém tem mais informações sobre audiobook? Ou mais informações do que coloquei na coluna? Me escreva que publicarei para compartilhar com os leitores: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/10/2014

Camila CabeteCamila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica, a Ciência Moderna, por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Foi uma das fundadoras da Caki Books [@CakiBooks], editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e possui uma start-up: a Zo Editorial [@ZoEditorial], que se especializa em consultoria para autores e editoras, sempre com foco no digital. Camila vive em um paraíso chamado Camboinhas, com sua gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre o dia-a-dia do digital, críticas, novos negócios e produtos.

Pesquisa mostra como estudantes usam smartphones para estudar


Pesquisa realizada pela rede colaborativa para estudantes universitários Passei Direto traz levantamento sobre comportamento de estudantes em relação ao uso de smartphones. Segundo o estudo, 94,5% deles têm acesso à internet pelo celular, e somente 5,2% deles não possuem smartphone. A pesquisa apontou também que os jovens têm preferência pelo sistema Android, com 68% de usuários; em seguida vem o iPhone com 17%. A maioria, 64%, prefere acessar aplicativos pelo smartphone, e apenas 24,5% acessam sites também.

A enquete foi realizada entre junho e agosto deste ano com 2.143 universitários do norte ao sul do país. Os dados foram coletados pela SurveyMonkey, principal fornecedor mundial de soluções de questionário pela web e que permite análises estatísticas das respostas coletadas. De acordo com Rodrigo Salvador, gestor e criador da rede Passei Direto, o assunto é atual e relevante. “Decidimos fazer a pesquisa devido à importância que os celulares ganharam na vida das pessoas, por sua versatilidade como veículo de informação e interação coletiva. Além disso, faltam fontes de dados secundários sobre este tema“, explica.

A pesquisa confirmou que o uso da internet para estudar e a formação de grupos on-line para ajudar nas tarefas acadêmicas é um hábito consolidado entre os estudantes. 87% dos universitários afirmaram que fazem pesquisa on-line e 61,5% não fazem anotações das matérias em sala de aula. 22% estudam em grupo e 13% trocam informações por WhatsApp. Antes de uma prova, 58% acessam seus aparelhos inteligentes. Veja mais dados da pesquisa no infográfico abaixo.

A Passei Direto é uma rede social de estudos para universitários, que apresenta uma nova maneira de estudar. No ar há 1 ano, tem mais de 2 milhões de usuários de todas as universidades do Brasil. Por meio da rede, os usuários podem trocar dicas, compartilhar materiais de estudo, mensagens e oportunidades de estágios, além de tirar dúvidas e debater assuntos de todas as disciplinas, cursos e universidades.

Publicado originalmente em Correio Braziliense | 07/10/2014

A Revolução dos eBooks # 3


Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

"A Revolução dos eBooks", por Ednei Procópio

“A Revolução dos eBooks”, por Ednei Procópio

O futuro do mercado editorial é o self-publishing?

Os mitos se avolumam quando um mercado antes dominado pelos barões da mídia passa, hoje, às mãos de um exército de empreendedores que assumiram o controle do futuro dos livros. Entre os novos empreendimentos estão aqueles ligados às chamadas edições de parceria, cujos custos de produção são pagos por parceiros de fora desses empreendimentos editoriais.

Um desses parceiros financeiros pode ser o próprio autor. Mas o chamado autor independente não é aquele que paga pelas publicações. Autor independente é aquele profissional da escrita que não mantém exclusividade com um único selo editorial, podendo ou não custear a publicação de seu trabalho sem estar obrigatoriamente preso a um grupo ou selo editorial.

A independência desses novos autores não se restringe às questões financeiras. Dois pontos são cruciais para serem desmistificados quando o assunto é o self-publishing. Primeiro: não importa quem custeia a publicação de um livro, se é a editora, o autor, o governo, o patrocinador externo, o mercado, um mecenas ou algum doador de um site de crowdfunding. O que importa é que o livro tenha qualidade editorial. Segundo: praticamente metade das publicações das editoras brasileiras é custeada pelo governo e nem por isso essas edições são chamadas governamentais. As vendas são governamentais, e não as edições em si.

Muitas edições são custeadas por prêmios ou incentivos culturais. E parte das edições das próprias editoras não é paga por ela, mas pelo resultado das vendas de outros títulos no catálogo. Portanto, é correto afirmar que quem paga as edições das obras nas editoras convencionais não são os editores, mas os leitores e os próprios livros — estes fornecem o lucro. Se não houvesse o lucro, não haveria o custeio das publicações por parte das próprias editoras.

Apenas uma parcela menor das edições é custeada pelos próprios autores, o que não constitui falta de qualidade do material publicado. É necessário separar o processo de seleção, avaliação de originais e de curadoria do processo financeiro, que permite o custeio da publicação das obras. Muitos livros custeados pelo próprio editor podem ser considerados ruins, assim como alguns bancados pelos autores são avaliados como bons.

A segunda questão tem a ver com a equipe editorial necessária para que uma obra tenha qualidade. Independentemente de quem custeia a publicação de determinada obra, a existência de um corpo editorial mínimo para a viabilização qualitativa da edição põe por terra a tese de que haveria uma desintermediação do editor quando o assunto é edição independente. Por mais que uma edição seja considerada independente, se o custo financeiro é levantado fora da casa editorial, conforme afirmado anteriormente, será sempre dependente de um corpo editorial que faça o trabalho de avaliação, leitura crítica, seleção, preparação de texto, revisão, formatação, paginação, diagramação. Sem isso, uma obra não terá qualidade, independentemente de quem custeie a publicação.

Edição do autor é uma coisa, edição independente, outra?

Na edição do autor, o próprio profissional cuida do livro; na edição independente o processo de produção pode ser cuidado por uma equipe. Ambas as opções sempre existiram. Aliás, até a parceria financeira entre editora e autor sempre existiu. Antes da transparência causada pelo advento da internet, o que não ocorria era o acesso à informação de que isso era mais comum do que se imaginava.

O que estamos vivenciando talvez seja a desintermediação do processo financeiro do custeio da obra, mas não dos processos de produção editorial, tão imprescindíveis para a qualidade das edições e sem os quais o próprio leitor perceberá a falta de qualidade e deixará de comprar os livros. Então, independentemente de quem paga as edições, se estas não mantiverem a qualidade editorial, o livro não venderá e a cadeia de valor do livro não fechará seu ciclo.

Portanto, insisto, autor independente não é aquele agente presente na cadeia produtiva do livro que paga pela publicação de seu próprio trabalho. Pagar pela publicação é somente uma das possibilidades econômicas de viabilizar a edição. Não é a única e não é prerrogativa para nenhum tipo de avaliação editorial. Autor independente é aquele que, antes de qualquer editor ou editora, é o real dono de sua carreira literária. E, por ser livre, pode simplesmente optar por bancar seu trabalho.

É fácil controlar uma mentira, basta mistificar um fato. Se um determinado editor discordar disso, pode ficar à vontade para bancar com recursos próprios toda e qualquer publicação que achar pertinente, já que, nesse caso, nenhum autor deva se declarar realmente independente.

É difícil desconstruir os mitos

Depois de uma década de o livro digital ter iniciado sua trajetória rumo à conquista da totalidade dos leitores, ainda hoje se vê o uso de informações redundantes, desinformações que são usadas para desacelerar o ritmo frenético imposto pela revolução dos eBooks. Informações desencontradas, sem sentido, sem nexo, são usadas por diferentes canais que tentam controlar o fluxo de negócios por meio de uma influência na comunicação com o mercado.

Aqueles que tentam inutilmente controlar o rumo do emergente mercado de eBooks usam de subterfúgios antes usados no mercado de livros impressos, mas não percebem que o mundo mudou, girou, saiu de sua antiga órbita, e que hoje existe um canal, o único de real independência chamado internet, que absorve qualquer manipulação e a torna vapor barato, quase em tempo real, tal o fluxo de conversas que trafegam pelas redes sociais. Deixando de lado a subjetividade, o que resta, na prática, é o que chamo de sincronicidade, informações reveladas sem que haja necessidade de confirmação da fonte.

Por Ednei Procópio | Este texto foi originalmente publicado em “A Revolução dos eBooks” | Capítulo Caçando Mitos | Páginas 197 até 200 | SENAI-SP Editora/2013 | Indicado ao Prêmio Jabuti 2014

Plataforma de livros, Widbook, participa da Feira do Livro de Frankfurt


Um dos fundadores do Widbook participa da Contec, conferência que antecede a abertura da Feira do Livro de Frankfurt

Joseph Bregeiro

Joseph Bregeiro

Em junho de 2012, três jovens empreendedores de Campinas, no interior de São Paulo, se juntaram para lançar a Widbook, uma plataforma social on line para pessoas lerem, escreverem e compartilharem histórias em formato de e-book. Sete meses depois do lançamento, a Widbook recebeu investimentos do W7 Brazil Capita, um fundo privado de investimentos em companhias focadas no mercado web. Hoje, a plataforma global tem 200 mil usuários em 100 países e 30 mil e-books em desenvolvimento. Joseph Bregeiro, um dos três empreendedores que gestaram o Widbook, é um dos convidados da Contec, conferência que antecede a abertura da Feira do Livro de Frankfurt, no dia 7 de outubro. Joseph participa da palestra Rebels of Publishing, marcada para começar ao meio dia e quinze, na Sala Europa (Hall 4.0). Leia abaixo entrevista que Joseph concedeu ao PublishNews:

PublishNews: O que levou você a abandonar a segurança de um emprego na Fnac para apostar todas as fichas na Widbook?
Joseph Bregeiro: A possibilidade de mudar a forma como um escritor se relaciona com o seu leitor foi o maior dos fatores de decisão. Na nossa visão, as mudanças deviam ir muito além do ato da compra que é praticado de forma eficiente mas fria pelos grandes portais de distribuição de conteúdo. Seria necessária a disposição de alguém que se colocasse como uma plataforma de escrita e que abraçasse escritores e leitores desde o início do processo de produção da obra. E disposição nós tínhamos de sobra.

PN: Entre os fundadores da Widbook, você é o único que tinha alguma experiência com o mercado de livros. Isto ajudou?
JB: Sim, me tornei especialista na venda dos livros e isso se uniu à minha paixão pela leitura. Isso ajudou sim, mas era necessário aliar este conhecimento à ciência das start-ups tecnológicas e ao complexo mundo do mercado editorial. Nós nos complementamos e procuramos um grupo de investimento e advisors que fortificassem ainda mais a nossa união.

PN: O Widbook quer criar rupturas no mercado editorial ou pretende se inserir nele?
JB: Temos muito a aprender ainda com o mercado editorial. A cadeia toda foi muito eficiente em todos estes anos de grandes escritores e obras de sucesso. O que buscamos é alcançar níveis de excelência ainda maiores e isso só se faz colaborando e conectando-se ao mercado editorial já estabelecido.

PN: Vocês se consideram editores?
JB: Não. Widbook e editoras se complementam. Somos especialistas no processo da escrita da obra e na relação que o escritor estabelece com seus leitores durante e após este processo. Nossa comunidade traz força às novas obras e isso garante o lançamento de novos autores. A prova disso é que diversas editoras já trabalham com o Widbook.

PN: Por que a plataforma foi lançada internacionalmente antes que fosse lançada no Brasil?
JB: Primeiro porque o Widbook é uma plataforma global e o inglês é o idioma que possibilita a conexão de escritores e leitores do mundo todo. Também tínhamos que testar a tração da ideia simultaneamente em diversos países e decidimos desenvolver EUA e Brasil de forma mais próxima. Depois destes dois países, aparecem Índia, Reino Unido, Filipinas e Paquistão no ranking de usuários. A falta de plataformas locais mais profissionais que aproximem o escritor de sua audiência é a maior causa do grande crescimento nestes países.

PN: Há tanto leitores como escritores entre os usuários. Fale um pouco do desafio de atingir estes dois públicos.
JB: De fato, a construção de uma plataforma eficiente para leitores envolve desafios completamente diferentes dos da de uma que seja eficiente para escritores. Optamos por aceitar o duplo desafio e trabalhamos constantemente tanto nas melhorias do editor de texto e de tudo que rodeia o universo do escritor quanto nas funcionalidades que muito claramente são destinadas aos leitores. Entendemos que a opção do escritor por uma plataforma para a escrita de um livro parte do princípio de que haja um bom ambiente para que seus leitores possam degustar sua obra.

PN: Quais foram as maiores surpresas?
JB: Talvez a maior das surpresas esteja relacionada à dúvida que tínhamos se haveria público interessado em ler livros ainda não finalizados. E há! Isso se provou ao longo do tempo na medida que observamos leitores pedindo os próximos capítulos. Estamos acostumados a consumir conteúdo de forma fracionada com novelas, séries de TV, etc. Isso vem fortalecendo muito a relação do escritor com seus leitores e talvez isso seja o que mais nos diferencia de uma plataforma self-publishing tradicional.

PN: Durante a Contec, você vai participar da sessão Rebels of Publishing. Você se considera um rebelde?
JB: Sempre que alguém sai do trilho tradicional das coisas, um certo grau de rebeldia lhe é atribuído. Entendemos isso e, neste sentido, aceitamos o título. Mas está muito claro com as nossas parcerias e nossa postura que iremos todos co-existir para alcançar um único objetivo, que é o de revelar novos autores e o de transformar a experiência da escrita e leitura de livros. Estamos dispostos a trilhar estes novos caminhos e abertos a nos conectar com todo o mercado editorial.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em PublishNews | 06/10/2014

Biblioteca dos EUA recorre a robôs para dar aulas


A biblioteca de Westport Library, em Connecticut, nos Estados Unidos, adquiriu dois robôs que serão utilizados para ensinar programação e codificação aos visitantes do local. O “casal” de robôs Vincent e Nancy será apresentado oficialmente na próxima semana, no dia 11 de outubro. No futuro, serão realizados workshops com a presença deles. Eles falam 19 idiomas, podem dançar, andar e chutar pequenas bolas.

Pioneira em adoção de diversos usos de tecnologia, como o de impressão 3D, há três anos, a biblioteca agora utiliza a robótica para ficar ainda mais atrativa. A responsável pelas inovações, Maxine Bleiweis, diretora executiva do local, destaca que faz isso para aproximar as pessoas das novas tendências.

A robótica é a próxima tecnologia inovadora que entrará em nossas vidas, e sentimos que era importante fazê-la acessível para que pessoas pudessem aprender a respeito”, explicou.

Os robozinhos têm 58 centímetros de altura e são equipados com diversos recursos: duas câmeras, quatro microfones, sensores de movimento e detecção de áudio, rosto e paredes. Foram comprados por US$ 8 mil [R$ 20 mil] cada.

Eles são fabricados pela empresa francesa Aldebaran, especializada na criação de soluções de robótica e que já vendeu mais de seis mil unidades em todo o mundo. Os robôs são da série NAO Evolution, equipados ainda com um “gerenciador de quedas”, que permite que eles se levantem rapidamente caso acabem caindo.

O mais interessante é que eles ainda podem “aprender” novas habilidades, porque têm suporte a linguagens como Python e Java. Esta capacidade será um dos temas abordados nos workshops que a biblioteca planeja fazer com os robôs. A ideia é usar Vincent e Nancy para falarem justamente sobre robótica.

Mas isso é apenas o começo. A expectativa é de que robôs possam ser utilizados para diversas outras tarefas, como ajudar pessoas a encontrar livros ou recepcionar o público que chegar à biblioteca.

A Universidade de Tóquio e a Universidade King Fahd, na Arábia Saudita, são alguns exemplos de instituições que já utilizaram os simpáticos humanóides. Os robôs já foram utilizados como auxiliares na educação de crianças autistas na Inglaterra e para jogar futebol na RoboCup.

TechTudo | 06/10/2014 | Via WSJ, The Verge e LA Times

Plataforma de eBooks lança nova funcionalidade


As coleções do Widbook já está no ar na home da plataforma

Já está na home da plataforma Widbook uma nova funcionalidade para tornar mais prática a navegação dos usuários. Trata-se da seção Coleções, onde é possível encontrar e-books selecionados e agrupados pela equipe do Widbook. Se antes eles eram adicionados para ler mais tarde em prateleiras, agora, farão parte das coleções temáticas. Ao passar o cursor em cima de qualquer e-book na comunidade, no símbolo reticências, você consegue adicionar o livro à coleção de sua escolha, ou colocar um bookmark para ler mais tarde. O usuário também pode criar quantas coleções quiser, públicas ou privadas, de acordo com seus próprios critérios. Confira as novas coleções aqui.

PublishNews | 02/10/2014