Casa Libre & Nuvem de Livros


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Autor mais produtivo da Wikipédia já escreveu 10% de todo material


Com ajuda de software, sueco cria até 10 mil artigos novos em um dia

Além de escrever artigos para a Wikipédia, Sverker Johansson leciona na Universidade de Dalarna, na Suécia - Divulgação/ hem.hj.se  Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/autor-mais-produtivo-da-wikipedia-ja-escreveu-27-milhoes-de-artigos-quase-10-de-todo-material-13262849#ixzz37eXBm6Ia

Além de escrever artigos para a Wikipédia, Sverker Johansson leciona na Universidade de Dalarna, na Suécia – Divulgação/ hem.hj.se

RIO | Talvez você nunca tenha ouvido falar em Sverker Johansson, mas ele é o autor com maior número de artigos publicados na Wikipédia. Ele já escreveu 2,7 milhões de artigos para a enciplopédia on-line, ou seja, 8,5% dela.

O jornal “The Wall Street Journal” traçou um perfil do sueco de 53 anos cuja produção ultrapassa a de qualquer outro autor da Wikipédia. Com diplomas em linguística, engenharia civil, economia e física, ele já contribuiu principlamente com artigos sobre espécies obscuras de animais — particularmente borboletas e besouros — e sente muito orgulho seu trabalho em catalogar cidades nas Filipinas.

Apesar da enorme produção, é provável que muitos brasileiros nunca tenham lido nada escrito por ele, já que um terço de suas contribuições estão escritas em sueco, sua língua natal, e dois terços em dois dialetos filipinos, sendo um deles o idioma de sua mulher. Além disso, o trabalho de Johansson, que tem dedicado os últimos 7 anos de sua vida a isso, não é feito inteiramente sozinho.

O grosso de suas publicações foram criadas por um software de computador conhecido como um bot. O programa de Sr. Johansson vasculha bases de dados e outras fontes digitais de informação e, em seguida, empacota tudo em um artigo. Em um bom dia de trabalho, ele diz que sua “Lsjbot” cria até 10 mil novos artigos”, explica um trecho da reportagem.

Bots são ferramentas controversas na Wikipédia, já que algumas pessoas reclamam que ela descarta a criatividade humana, apesar de seu uso ser autorizado pelas regras do site.

Na Wikipédia, qualquer usuário registrado pode criar um artigo. Johansson tem de encontrar um banco de dados confiável, criar um modelo para um determinado assunto e, em seguida, ativar o seu bot de seu computador. O software — que o especialista demorou meses para programar — procura por informações e, então, as publica a enciclopédia virtual.

Eu estou fazendo isso para criar uma democracia absoluta na web”, disse Johansson ao jornal americano, sentado na frente de um computador em seu escritório na Universidade de Dalarna, na Suécia.

O GLOBO | 15/07/2014, às 11:49

Escritor britânico premiado vai escrever seu próximo livro no Twitter


O escritor britânico David Mitchell, autor de Cloud Atlas, vai publicar sua próxima obra no site de microblogs Twitter.

Trata-se do conto The Right Sort, escrito em segmentos com 140 caracteres cada um.

Os segmentos serão publicados em grupos com 20 tweets de cada vez, ao longo dos próximos sete dias. Ao todo, serão 280 Tweets.

Mitchell é autor de cinco livros, já ganhou vários prêmios importantes e é tido como um dos mais talentosos escritores britânicos de sua geração. Ele nasceu em 1969.

Apenas um de seus livros - Menino de Lugar Nenhum, cujo título original é Black Swan Green – foi traduzido no Brasil, publicado pela Companhia das Letras.

Já Cloud Atlas, transposto para as telas de cinema pelos diretores Andy Wachowski e Lana Wachowski [que também dirigiram a trilogia The Matrix], foi visto no Brasil com o título A Viagem.
Recurso Promocional

Falando à BBC, Mitchell disse que aprecia o potencial artístico das mídias sociais, mas confessou que não é um tuiteiro e que teve de abrir uma conta no Twitter especificamente para esse projeto.

Não sou um adepto da mídia social“, disse. “Gosto da minha privacidade, não quero tornar públicas as ante-salas da minha mente. Não quero contribuir para esse oceano de trivialidades e irrelevâncias, já é vasto e profundo o bastante“.

Mas Mitchell tem um novo romance para promover: The Bone Clocks está chegando em setembro.

Então, foi persuadido por seu editor a abrir uma conta – @david_mitchell – para auxiliar na divulgação do livro e de eventos programados em torno do lançamento. A editora envia os tweets em nome do escritor.

Ele admitiu que a publicação do conto no Twitter não deixa de ser um truque esperto de marketing para ajudar a promover seu novo livro.

Mas enfatizou que publicar uma história no Twitter foi a forma que encontrou de usar a tecnologia e ao mesmo tempo “preservar alguma integridade“.

Situado em 1978, o conto The Right Sort é narrado por um adolescente que descobre o remédio Valium.

Enquanto o personagem narrador “viaja” na droga, conta a história em uma sequência de “pulsos”, ou sentenças curtas.

Ele está pensando em tweets por causa do Valium“, explicou o escritor.

Mitchell – que em 2003 foi incluído pela influente revista literária Granta num ranking com os melhores jovens romancistas britânicos – disse que não tem a menor intenção de virar tuiteiro, mas não exclui a possibilidade de escrever mais uma história para essa plataforma caso The Right Sort seja um sucesso.

Foi realmente difícil, não foi fácil. Mas gosto dessas camisas de força“, contou. “Talvez você realmente precise do limite imposto por esses ridículos 140 caracteres para inventar algo novo“.

Mitchell é um dos mais importantes escritores da atualidade a publicar uma história no Twitter.

Em 2012, a escritora americana Jennifer Egan, ganhadora de um prêmio Pulitzer, publicou o conto Black Box no site de microblogs.

BBC Brasil | 15/07/2014

Escritores entram na guerra da Amazon com a Hachette


500 autores assinam uma carta aberta pedindo que a gigante da internet dê fim ao enfrentamento

MADRI — Longe de uma trégua, o conflito qua a Amazon enfrenta contra editoras da Alemanha, dos EUA e do Reino Unido vai de mal a pior. Grandes nomes da literatura americana, como Paul Auster, Stephen King, Tobias Wolff e Donna Tartt, vencedora do último prêmio Pulitzer, entraram na batalha pela primeira vez com a divulgação de uma carta aberta promovida pelo autor de best-sellers Douglas Preston. Eles acusam a Amazon de “tratar os livros como reféns”. O último episódio da disputa foi a oferta da gigante de vendas na internet de pagar 100% do valor de venda de cada e-book, caso a Hachette esteja de acordo. Tanto o grupo editorial quando a associação de escritores recusaram a ideia.

A proposta da Amazon está dirigida a autores da Hachette — que faz parte do grupo francês Lagardère —, agentes literários e à presidente da Associação de Escritores dos EUA, Roxana Robinson. “Enquanto dure a disputa, os autores receberão 100% do valor de venda de qualquer e-book que a gente venda. Tanto a Amazon quanto a Hachette renunciarão a todos os lucros por seus livros até que se chegue a um acordo. Se vendermos um livro a US$ 9,99, o autor receberá US$ 9,99, muito mais do que normalmente recebe. Se a Hachette estiver de acordo, podemos aplicar a oferta em 72 horas”, afirma o texto, liberado por um porta-voz da Amazon.

A Associação de Escritores dos EUA recusou a proposta em uma carta assinada por seu vicepresidente, o romancista Richard Russo, que foi duro com a companhia de Seattle e com o mercado das grandes editoras, a quem acusa de “não ter sido justo com os benefícios do e-book”. “Ao passar dos anos, nossa associação se opôs às táticas da Amazon, não porque somos anti-Amazon, mas porque acreditamos que a companhia passou dos limites e agora ameaça o ecossistema editorial, já que põe em risco tanto o modo de vida dos autores quanto o futuro do que representa ser um escritor. Acreditamos que o ecossistema do livro tem que ser o mais diverso possível, que abrigue grandes e pequenos editores, Amazon, Apple, Barnes & Noble, livrarias independentes, e-books e livros impressos. Mas acreditamos que este ecossistema não pode sobreviver se alguma das entidades que o formam quer destruir as outras”, diz a carta, difundida pela própria associação.

Já a carta apresentada por Douglas Preston, que reuniu a assinatura de 500 escritores, pede diretamente a Jeff Bezos que mude a sua estratégia. “Como escritores — alguns, mas não todos publicados pela Hachette — acreditamos firmemente que nenhum livreiro deve bloquear a venda de livros, impedir ou dissuadir seus clientes de comprar os livros que queiram”, diz o texto. “Proporcionamos à Amazon muitos milhões de dólares e, nos últimos anos, colaboramos de forma gratuita com a empresa. Essa não é a maneira de tratar um sócio comercial. Tampouco é a maneira correta de tratar os seus amigos. Sem tomar partido na disputa contratual entre Hachette e Amazon, pedimos que a Amazon ponha fim a seu enfrentamento, que prejudica o sustento dos escritores que ajudaram a construir o seu negócio. Nenhum de nós, nem leitores nem autores, se beneficia quando os livros são tomados como reféns.

A guerra comercial entre a Amazon e as editoras se divide em várias frentes de batalha. Nos EUA, há um conflito com a filial do grupo Hachette sobre a divisão das porcentagens entre o vendedor e o editor dos livros. Com a falta de um acordo, a Amazon tomou uma série de medidas — atrasar o envio, subir o preço ou retirar o botão de pré-venda — contra os volumes da editora, afetando autores tão conhecidos como J.K. Rowling. Na Alemanha, há um enfrentamento similar com as filiais do grupo sueco Bonnier. A Amazon já controla em torno de 60% do mercado de livros nos EUA e cerca de 25% na Alemanha. No caso dos livros eletrônicos, o domínio é ainda maior: 65%.

A revista britânica “The Bookseller” revelou no fim de junho que a guerra comercial chegou ao Reino Unido. Desta vez, no entanto, o problema afeta pequenos editores. Segundo a publicação, a Amazon mudou as cláusulas dos acordos que fecha com editoras independentes, adicionando um preocupante adendo: se um editor fica sem exemplares de um determinado título, a Amazon poderia enviá-lo a um possível comprador através de um sistema de impressão por demanda.

Alguns personagens da indústria do livro acreditam que a estratégia da Amazon é reduzir paulatinamente o papel das editoras. Ofertas como a de pagar 100% do valor de venda aos escritores em meio a uma disputa comercial ou imprimir diretamente os livros que uma pequena editora não tenha em estoque formaria parte, segundo diferentes editores, deste plano. “Os editores temem que a cláusula de impressão por demanda permitiria à Amazon controlar os seus estoques”, escreve a revista.

A Amazon insiste que uma disputa nestes termos é algo normal. “A negociação é o pão nosso de cada dia de qualquer comerciante. Estamos sempre em contato com milhares de fornecedores, com os quais ajustamos constantemente nossos acordos financeiros”, afirmou o presidente da Amazon alemã, Ralf Kleber, à revista Spiegel. Sobre a carta dos escritores, um porta-voz da Amazon disse ao jornal britânico “The Guardian”: “Nós lamentamos muito que uma disputa comercial tenha impacto sobre os autores.

Por Guilhermo Altares | El País | Publicado originalmente em O Globo | 14/07/2014 11:06

IMS cria site dedicado à obra de Clarice


O Instituto Moreira Salles colocou no ar um hotsite dedicado à obra de Clarice Lispector. A plataforma virtual tem seções que abordam a vida e obra da escritora, além de bibliografia, traduções comparadas, e de um blog sobre os livros escritos por ela. Para acessar o site, clique aqui.

PublishNews | 14/07/2014

Biblivre


Acaba de entrar no ar a mais nova versão internacional do software Biblivre, ferramenta para informatização de bibliotecas, com recursos para facilitar a vida de bibliotecários e dos usuários digitais. Entre as novidades da edição 4.0, o software, desenvolvido pela Sabin [Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional] e gratuito [pode ser baixado em www.biblivre.org.br], traz um módulo que disponibiliza a leitura e a impressão de livros de domínio público.

O Globo | 12/07/2014

Escritor hipermídia é entrevistado no programa “Livros em Revista”


O jornalista Ralph Peter apresenta o programa “Livros em Revista” com o objetivo de trazer informações sobre o mundo da literatura e neste bloco, recebe o escritor hipermídia Paulo Santoro – autor dos livros “O Centro do Universo” e “O Jogo dos Papeletes Coloridos

A Copa e os eBooks


Kobo analisou os hábitos de leitura de cinco países fanáticos pelo futebol

Para investigar o “Efeito Copa”, a Kobo olhou para os hábitos de leitura de cinco países fanáticos pelo futebol: Brasil, Inglaterra, Itália, Alemanha, e Holanda ao longo do último mês. A empresa garante que houve aumento nas vendas de e-books relacionados ao universo do futebol, embora não divulgue os números. Entre os brasileiros, a série A grande história dos mundiais [e-Galaxia], de Max Gehringer, uma espécie de almanaque das Copas, foi campeã de vendas. Na disputa homem-a-homem, o livro A Copa como ela é [Companhia das Letras], de Jamil Chade, e Quando é dia de futebol [Companhia das Letras], de Carlos Drummond de Andrade, fizeram bonito.  O resultado é fruto de uma curadoria feita pela equipe da Kobo no Brasil. “Não esperávamos crescimento durante a Copa, então fizemos uma seleção de e-books sobre futebol para a home e deu certo”, conta Camila Cabete, Senior Publisher Relations Manager da Kobo no Brasil e colunista do PublishNews.

Na Inglaterra, as biografias ganharam destaque. Na Itália os leitores demonstraram sua paixão pelo futebol e compraram livros que exaltam a beleza do esporte. Já os alemães também elegeram um almanaque sobre as Copas como o seu livro favorito e os holandeses estão preocupados com o lado escuro da força do futebol e ficaram com livros que falam sobre a máfia dos cartolas do esporte. Uma coisa, no entanto foi comum a todos os países. As vendas semanais de e-books sobre futebol quase dobrou na primeira semana do campeonato e de lá para cá, foram caindo semana a semana. A saída prematura das seleções da Itália e Inglaterra, ainda na fase de grupos, colaborou muito para a queda nas vendas nesses países, mas no geral, um olhar para as estatísticas de vendas de e-books sobre futebol durante a Copa do Mundo demonstrou que esportes e leitura se fundem em campo.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 11/07/2014

eBook “Sexorcista”, de Oscar Nestarez, é destaque em podcast


O podcast Mundo Freak, em seu número 48, bateu um papo sobre seu trabalho e literatura com o escritor Oscar Nestarez que lançou recentemente o eBook “Sexorcista e Outros Relatos Insólitos” [Livrus, 2014].

Tecnologia permite virar a página de eBook simulando o uso de um livro tradicional


Recursos ‘antiquados’ tornam as telas de toque mais confortáveis

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

Tecnologia permite virar a página de e-book simulando o uso de um livro tradicional | Sangtae Kim/The New York Times

As superfícies planas das telas de toque podem prejudicar a leitura de perto e a digitação acurada. As pessoas que folheiam páginas eletrônicas muitas vezes reportam menor retenção daquilo que leem, ante a leitura de páginas em papel, de acordo com alguns estudos. E digitar em uma superfície plana, sem teclas físicas para guiar os dedos, requer atenção visual reforçada, o que reduz a concentração quanto aos pensamentos que devem ser expressos.

Há empresas que estão tentando resolver esses problemas por meio de instrumentos adaptados do mundo analógico, a exemplo das teclas tridimensionais de máquinas de escrever, páginas tácteis em papel e provas de surpresa em salas de aula.

A Tactus Technology, de Fremont, Califórnia, está desenvolvendo um teclado com teclas que mudam de forma e saltam da superfície da tela quando necessário, disse Craig Ciesla, um dos fundadores da companhia. O fluido armazenado em microcanais eleva as teclas e depois volta a baixá-las, o que faz parecer que derreteram.

A tecnologia será oferecida neste ano como acessório para o iPad Mini, disse Ciesla. No ano que vem, será parte de muitas telas de toque usadas em tablets e smartphones.

Recursos tácteis como esses podem ajudar a criar memória muscular e melhorar a precisão perdida com a corrida para a adoção das telas de toque, disse Scott MacKenzie, professor da Universidade York, de Toronto, que se especializa em interação entre computadores e seres humanos. Muita gente que digita em telas de vidro planas precisa manter o olhar concentrado na tela a fim de atingir a tecla certa, ele diz. “As pessoas não só precisam de atenção visual como precisam de muita atenção visual“, ele diz.

Isso significa menos atenção ao ato da composição, diz Eric Wastlund, da Universidade de Karstad, Suécia.

Muitos estudos sugerem que a memória e compreensão das pessoas muitas vezes são superiores quando elas leem passagens longas em papel, e não em uma tela, diz Mariette DiChristina, editora chefe da revista “Scientific American”, que realizou uma conferência no ano passado sobre o aprendizado na era digital. Mas os livros didáticos eletrônicos estão incorporando maneiras de compensar esse problema, ela diz, “de modo que a pessoa distribua no tempo o que está aprendendo, com feedback imediato sobre o que está certo e o que está errado, a fim de ajudá-la a saber o que entendeu e o que não entendeu“.

Desacelerar os estudantes na leitura de livros eletrônicos pode ser importante, diz Marianne Wolf, neurocientista cognitiva na Universidade Tufts, em Medford, Massachusetts.

Você pode lembrar de que algo que leu ontem no jornal estava no meio da página, ou no canto direito“, diz Wastlund. “Esse tipo de mapa cognitivo é muito mais difícil de criar com páginas eletrônicas transitórias“. Pesquisadores de uma universidade sul-coreana construíram o protótipo de uma interface para tela de toque que permite que alunos folheiem um livro eletrônico como fariam com um livro em papel.

Todos esses recursos podem ajudar as pessoas que precisam desacelerar ao trabalhar com telas de toque. “Ler de passagem, ler por cima, multitarefas, tudo isso uma tela permite fazer melhor“, disse a Dra. Wolf, acrescentando que a melhora não precisa vir à custa do que ela classifica como “leitura profunda”: o aspecto contemplativo e concentrado da vida de leitura.

POR ANNE EISENBERG | DO “NEW YORK TIMES” | Publicado em português por Folha de S. Paulo | 09/07/2014 14h13 | Copyright Folha de S. Paulo. Todos os direitos reservados.

Amazon: ataques e defesas; mitos e realidade


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 08/07/2014

Semana passada a polêmica acerca do comportamento da Amazon em relação à disputa com a Hachette [prólogo para as próximas negociações com as grandes editoras] teve novas movimentações. Na Europa, dois lances colocaram a varejista em cheque e nos EUA, provocou novas manifestações, desta vez da própria Amazon e de autores.

Tentemos examinar um pouco esses desdobramentos, e também desmistificar alguns discursos.

Na Europa, a Amazon sofreu dois reveses importantes. O primeiro foi a aprovação final da extensão da “Lei do Preço Fixo – Lei Lang” ao comércio eletrônico, inclusive de e-books. Como sabemos, a legislação francesa já há décadas protege as livrarias independentes, estabelecendo um limite de descontos nos meses iniciais após o lançamento de um livro, a 5% sobre o preço de capa.

A legislação aprovada estendeu esse limite de descontos ao comércio eletrônico em geral, incluindo os e-books. Dito seja, o limite de 5% inclui também o custo do frete. Ou seja, o total do custo do chamado “frete grátis” – uma das grandes armas da Amazon – deve ser computado. Evidentemente a legislação não afeta tão somente a Amazon, como os demais varejistas do comércio eletrônico.

A segunda medida foi a demanda formal de explicações, por parte da Comissão Europeia junto ao governo de Luxemburgo, do nível de impostos pagos pela Amazon, que tem ali sua “sede” europeia oficial. A Amazon tem armazéns espalhados por vários países – e se aproveita inclusive de incentivos específicos para instalar esses armazéns de distribuição, como o que a Escócia concedeu. Mas paga o IVA segundo a altamente complacente legislação luxemburguesa, por volta de 2%, com o pretexto de que as vendas são feitas, faturadas e computadas pela filial luxemburguesa. Esse é um dos pontos contenciosos mais fortes das livrarias de outros países onde o livro não tem isenção, em particular no Reino Unido. A Comissão Europeia pode impor restrições a essa operação, tornando homogênea a tributação “amazonian”, que não vai gostar nada disso.

O segundo grupo de novidades aconteceu lá mesmo nos EUA. A Amazon é conhecida por ser extremamente parca em suas declarações sobre políticas comerciais, e sobre suas operações em geral. Tanto assim é que só temos estimativas sobre a proporção do faturamento dos e-books no seu faturamento.

Pois bem, Russ Grandinetti, vice-presidente sênior de conteúdo para o Kindle, deu entrevista para o Wall Street Journal sobre a disputa com a Hachette. Dois pontos importantes nessa rara declaração pública: 1] A Amazon está “disposta a sofrer algum dano em sua reputação” por conta da disputa; e 2] Faz o que faz por conta do “interesse a longo prazo de seus clientes”, e que “os termos em que negociamos determinarão quão bons serão os preços que poderemos oferecer aos nossos clientes”. Já houve anteriormente disputa do mesmo tipo com a Macmillan, em 2010, quando a editora tentou, pela primeira vez, emplacar o chamado “sistema de agenciamento” e viu o botão de compra desparecer do lado de seus títulos. A Macmillan resistiu apenas pouco mais de uma semana, e fez nova tentativa mais adiante, com as outras grandes, para instituir o sistema de agenciamento, sendo todas obrigadas a desistir diante da ação judicial feita pelo Departamento de Justiça dos EUA. Só a Apple – também ré, e condenada – continua na batalha judicial.

Grandinetti afirmou, na entrevista, que a empresa “luta pelo que pensamos ser o certo para os nossos clientes”. O que comentarei mais adiante.

O outro round aconteceu do lado dos autores.

A Amazon tem sido alvo da ira de autores, e por variadas razões. Scott Turrow, ex-presidente da Authors Guild [e publicado pela Hachette] qualificou a varejista de “Darth Vader do mundo literário”, logo depois apoiado por sua sucessora na presidência do sindicato dos autores, Roxana Robinson, que disse que “tentar negociar com a Amazon é como tentar negociar com Tony Soprano”, enfatizando “é coisa da máfia mesmo”. O coro foi engrossado por James Patterson, autor de mega best-sellers, que discursou na BookExpo America vituperando a varejista, e afirmou que “se a Amazon é o novo modo de ser americano, então talvez esse tenha que ser mudado”, sugerindo legislação ou outro tipo de ação que regule a atividade livreira/editorial. Patterson afirmou que a tática da Amazon impedirá que as editoras invistam em obras literárias que demandam tempo e dedicação de autores. Se é discutível que Patterson possa ser incluído na categoria de autores literários, o fato é que ele é um firme defensor das livrarias independentes, e recentemente abriu a carteira para tirar um milhão de dólares e distribuir para projetos apresentados por livrarias independentes.

A última movimentação desse lado anti-Amazon do ringue foi feita por um grupo de autores encabeçados por Douglas Preston, também autor de romances “techno-thrillers” populares, que lançou uma carta aberta a Jeff Bezos, acusando a empresa de boicotar os autores da Hachette, não fazer descontos de seus livros e, com isso, prejudicar esses autores e seus leitores antes de mais nada, negando o lema de ser uma empresa “centrada no cliente”. A carta já foi assinada por dezenas de autores, dos mais variados gêneros e qualificações literárias, entre os quais se incluem Paul Auster, David Baldacci, Anthony Beevor, Philip Caputo, Lee Child, Jeffery Deaver, Elizabeth Gilbert, Claire Messud, Sara Paretsky, Nora Roberts e um monte de outros.

A reação a favor da Amazon veio de um segmento que não tem grandes nomes, mas uma quantidade muito significativa de autores independentes que publicam diretamente com a Amazon. Como todas as suas informações, a empresa não divulga o número total de autores e títulos existentes no programa, mas certamente somam várias dezenas de milhares. Alguns desses autores conseguem alcançar um nível de vendas muito satisfatório, e são evidentemente a ponta de lança do programa. Os autores independentes publicaram sua carta um dia depois que Douglas Preston divulgou a sua dirigida a Jeff Bezos. A carta dos independentes foi postada através do site de petições online Change.org e contava, até o dia 7 de julho, com 5.510 assinaturas.

O abaixo-assinado vitupera contra a indústria editorial tradicional, particularmente as sediadas em Nova York, que “decidiam que histórias permitiriam que vocês lessem”, e a Amazon “ao contrário quer que você decida o que quer ler” e prossegue nas louvações à varejista, e vários dos que assinam a primeira leva comentam sobre sua relação com a empresa. Alguns desses comentários, francamente, são patéticos: “Trabalho de cuecas, graças aos meus leitores e à Amazon” – Hugh Howey; “Agora posso pagar o seguro de saúde da minha família” – J.A. Konrath; “Amazon me ajuda a alcançar meus sonhos” – Darren Wearmouth; “Por causa da Amazon, fui capaz de publicar 53 livros nos últimos três anos, sob três diferentes pseudônimos” – Lealea Tash; “Meus leitores e a Amazon mudaram completamente minha vida” – Nina Levine.

E vai por aí. Todos autores que conseguiram alcançar “o sonho americano” graças a Amazon. Não se sabe a porcentagem do total de autores representados por esses 5.500 subscritores do sonho americano. De qualquer maneira, são um número muito maior dos que subscreveram a carta de Preston, o que cola muito bem com a mentalidade de “um homem, um voto”. No caso, a contraposição é entre o “peso” dos autores anti-Amazon e a quantidade dos favoráveis.

O que está em jogo?

Em primeiro lugar, é necessário desmistificar o assunto.

A Amazon é uma empresa dentro do sistema capitalista – tal como as editoras e livrarias pelo mundo afora. Como tal, seu objetivo não é “satisfazer os clientes”. É, simplesmente dar lucro. Isso de “defender a longo prazo o interesse dos clientes” é, pura e simplesmente, cascata. Bullshit, diriam os americanos. É a forma ideológica de esconder seus verdadeiros objetivos, que são os de toda empresa capitalista. É apenas uma ferramenta ideológica de marketing.

O que está realmente em jogo, independentemente do palavreado de uns e outros, é a possibilidade muito concreta da Amazon vir a se tornar uma empresa virtualmente monopolista. Hoje, com a Apple, a Kobo, a Barnes & Noble, faz parte, no mercado norte-americano, de um oligopólio.

Na definição mais clássica, oligopólio corresponde a uma estrutura de mercado de concorrência imperfeita, no qual este é controlado por um número reduzido de empresas, de tal forma que cada uma tem que considerar os comportamentos e as reações das outras quando toma decisões de mercado. Os oligopólios ou são uma etapa da formação do monopólio ou uma imposição de ações regulatórias do estado para deter sua formação. A concorrência intra-oligopólio se dá, principalmente, na área de serviços. E a Amazon tem se mostrado imbatível nisso. Seu lema de “centrada no consumidor” expressa precisamente essa abordagem.

Só que, mesmo em uma situação oligopólica, se uma das empresas que faz parte do consórcio alcança uma posição dominante, passa inevitavelmente a buscar melhorar sua rentabilidade. Ou seja, controlar os preços no sentido de aumentá-los. E nisso será acompanhado em grande medida pelas demais, que também se impuseram sacrifícios para manter os preços baixos para ganhar, ou manter, sua faixa do mercado.

É certo que, no caso dos EUA, a Apple tem condições financeiras de manter preços baixos caso a Amazon resolva usar sua predominância para aumentá-los. Mas aí passa a entrar em consideração a competição nos serviços. Ou seja, a qualidade nos serviços reforça a posição da empresa, e essa posição melhora as condições para que esta busque melhorar sua rentabilidade.

Essa dinâmica provoca intensas disputas e rupturas nos sistemas e métodos anteriores de produção, distribuição e venda. É isso que o crescimento da Amazon já provocou. Principalmente com o lançamento do Kindle, a Amazon se transformou em um motor de transformações na indústria editorial e livreira.

Ora, se transformações e rupturas fazem parte também da dinâmica do capitalismo [daí as famosas “crises” que assustam periodicamente o sistema], também podem provocar rupturas muito mais sérias que a simples transformação interna de um segmento produtivo. Por isso mesmo a sociedade capitalista já aprendeu, a duras penas, que sistemas de regulamentação da concorrência para evitar a monopolização são importantes, sim, para a manutenção a longo prazo da saúde do sistema.

A busca por fatias cada vez maiores do mercado é uma dinâmica própria e inexorável do sistema capitalista. Não depende da “boa vontade” dos agentes econômicos. É intrínseca ao sistema e o passo seguinte é a busca do aumento da lucratividade.

E esse momento está chegando para a Amazon.

Os investidores cobram maiores taxas de retorno da empresa, já não mais simplesmente satisfeitos com a continuada valorização das ações que não pagavam dividendos. Agora querem lucros.

Os europeus, de certa maneira, já aprenderam e tem uma mentalidade mais consolidada de que a concorrência desregulamentada pode ser extremamente perigosa para o sistema, e aceitam que o Estado exerça uma capacidade regulatória muito maior que a aceita pelos EUA.

Até quando essa desregulamentação prevalecerá no mercado dos EUA? Na área de bancos, que já foi muito mais regulamentada, o abandono dessa perspectiva deu no que deu. Talvez o Patterson tenha mesmo razão em pedir uma ação regulatória mais presente.

Só que, por enquanto, o Departamento de Justiça dos EUA continua totalmente favorável ao “livre desenvolvimento do mercado”, sejam lá quais forem as consequências.

Quem sobreviver, verá o resultado.

Aqui pela Pindorama, onde a legislação reguladora sempre favoreceu o que parecia ser o “benefício do consumidor”, e que era defendido pelo SNEL para combater qualquer tentativa de regulamentação, a situação nos EUA já está tornando nossos editores mais cautelosos, como foi noticiado mais recentemente. Mas, sobre isso, voltarei em outra ocasião.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 08/07/2014

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blogwww.oxisdoproblema.com.br

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

MIT cria gadget que lê qualquer texto para cegos


FingerReader

FingerReader

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, estão desenvolvendo um gadget de leitura para auxiliar deficientes visuais. O aparelho, chamado FingerReader, tem o formato de um anel e possui uma câmera que escaneia textos impressos e os converte em áudio.

O sistema é capaz de fazer a conversão de textos de livros, revistas ou cardápios em tempo real. Para iniciar a “leitura”, o usuário só precisa deslizar o anel sobre o texto. O gadget possui um sensor que vibra, caso o dispositivo se afaste do livro ou revista.

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, o americano Jerry Berrier, de 62 anos, que nasceu cego, disse que o gadget FingerReader pode facilitar sua vida em atividades diárias. “Quando vou ao consultório médico, por exemplo, preciso assinar formulários que não consigo ler“, explica.

O protótipo do aparelho, que foi fabricado em uma impressora 3D, foi desenvolvido após três anos de pesquisa. A versão beta envolveu programação, experimentação de diferentes designs e também teste com um grupo de deficientes visuais.

De acordo com Roy Shilkrot, cientista envolvido no desenvolvimento do aparelho, essa é uma versão preliminar do gadget. “Há ainda muito trabalho antes do lançamento para o consumidor“, diz o pesquisador. De acordo com Shilkrot, agora será necessário adaptar o anel para textos em smartphones, tablets e e-reader.

Veja | 08/07/2014

10 Dicas Úteis para o Sucesso com eBooks


Estas dicas são destinadas principalmente a autores. Mas se você é editor ou melhor ainda, dono de editora, preste atenção… praticamente todas as dicas também se aplicam a você, com ligeiras modificações.

1 | Parar de reclamar das editoras

As editoras nunca prestaram atenção em você? Seu talento nunca foi reconhecido? Para de gastar energia falando mal das editoras e construa seu próprio caminho, sem elas.

2 | Ter talento

Parece óbvio, mas é incrível o volume de livros mal-escritos, mal-planejados, mal-desenhados, cheios de erros. Portanto, na dúvida, peça para uma pessoa meticulosa ler seu livro, ou pague um editor freelance. Qualquer pessoa que publique por conta própria, sem mostrar seu trabalho a alguém, provavelmente vai se dar mal.

3 | Ter várias habilidades

Um autor que só sabe escrever? Esse tempo já era. Qualquer candidato a autor de ebooks precisa ter dominar outras áreas, como design, marketing e mídias sociais. Não domina? Então vá aprender a dominar, estude, pesquise, se mexa. Tudo o que uma editora saberia fazer pelo seu livro, de cabo a rabo, você mesmo precisa saber. Isso é o mínimo. E você pode [e precisa] saber mais.

4 | Ter mais de um eBook já escrito

Os grandes best-sellers de ebooks, Amanda Hocking, Stephen Leather, John Locke e outros, tinha vários títulos prontos ao mesmo tempo. Mais ebooks igual a mais chances de venda. Tenha paciência, faça um planejamento e lance pelo menos 3 livros ao mesmo tempo – planeje bem a sequeência de títulos e tome o tempo necessário para escrever.

5 | Escolher o gênero certo

Seu objetivo é ganhar dinheiro? Então os melhores gêneros são thrillers, mistério e romance. De preferência, com heróis e protagonistas que possam ser acompanhados em vários livros.

6 | Escrever livros menores, com mais frequência

Todos os leitores reclamam que ebooks precisam ser baratos. Nenhum reclama que precisam ser longos. Não é razoável escrever um ebook com 200.000 palavras se ninguém quer pagar mais de R$ 10 por um ebook. A média é de 80.000 palavras, mas ebooks permitem formatos menores, do tamanho de um ensaio longo [a Amazon até criou uma categoria para livros assim, chamada “Kindle Singles”]

7 | Se preocupar com qualidade, não com o preço

Não adianta vender barato [ou mesmo oferecer de graça], se o seu livro for ruim. Ninguém irá querer ou divulgar seu livro. Além disso, em testes e pesquisas, as pessoas relacionam má-qualidade com preços muito baixos. Portanto… ao invés de se preocupar com preço, preocupe-se primeiro em fazer um trabalho bem feito.

8 | Ter sua própria base de usuários/consumidores

Algo essencial para quem vai publicar seu livro por conta própria. Você precisa, vamos frisar, PRECISA manter contato direto com leitores e fãs – eles são os seus clientes. Nesse sentido, é essencial ter uma presença junto a eles. Blog, Facebook e Twitter não serve só para divulgar link de venda do seu livro, serve principalmente para construir um relacionamento e uma comunicação constante com os leitores-clientes.

9 | Criar sua própria plataforma de vendas [seu próprio site]

Pode ser difícil e, no começo, estar fora do seu alcance. Mas considere isso no seu horizonte: as livrarias, especialmente as grandes livrarias brasileiras, cobram uma fatia enorme das vendas, de até 50% das vendas. As livrarias estrangeiras cobram um pouco menos, geralmente 30%. Se você vender diretamente seus livros, poderá ter um ganho maior, com a vantagem de ficar com a maior parte da receita para você.

10 | Não ter vida social

Você quer realmente ter sucesso com ebooks e como autor? Então comece a investir o máximo do seu tempo em planejar, escrever e divulgar a sua obra…

Publicado originalmente em revolucaoebook.com.br | 07/07/2014

5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital










Mercado quer controle de preço para peitar Amazon


Editores e livreiros brasileiros defendem limite de desconto para livros

Nos EUA e na Europa, a varejista on-line é acusada de chantagem e abuso de poder para obter os menores preços

Preocupados com os embates entre a Amazon e editoras da Europa e EUA, editores e livreiros brasileiros defendem a adoção de políticas de controle de preço e de descontos nas vendas de livros para enfrentar a varejista on-line norte-americana.

A Amazon vende e-books no Brasil desde 2012. Em breve deve também comercializar livros físicos. A Amazon não divulga a data nem comenta seus atritos com concorrentes.

Até agora, editores daqui descrevem as negociações com a gigante americana como “positivas”. O comércio de e-books no Brasil ainda é ínfimo [2,5% do mercado de livros de interesse geral] e equilibrado [Amazon disputa com Apple, Google e Saraiva].

O cenário internacional, entretanto, causa apreensão.

Nos últimos dois meses, a filial norte-americana da editora Hachette acusa a Amazon de restringir suas vendas e atrasar entregas de seus livros. A briga começou porque a editora não aceitou a política feroz de descontos da varejista.

Nos EUA, segundo especialistas, a Amazon controla 60% do mercado do livro. No ano passado, pela primeira vez no país, a internet [R$ 16,6 bilhões] superou o faturamento das livrarias em vendas de livros [R$ 15,7 bilhões].

Para atrair consumidores, a Amazon busca sempre descontos e promoções, chegando a perder dinheiro na venda de alguns livros.

Na Alemanha, a Amazon é processada pela associação de livrarias. É acusada de chantagem e abuso de posição dominante.

Já a França, na semana passada, estendeu sua política de preço único de livros para os títulos vendidos pela internet. Conhecida informalmente como “Lei anti-Amazon”, impede lojas on-line de praticar o frete grátis e descontos acima de 5%.

Leis de preço único para livros são adotadas em vários países: França, Alemanha, Argentina, Espanha, entre outros. As editoras estabelecem um valor para cada livro lançado. Por um período de tempo, livrarias só podem oferecer descontos entre 5% e 10%.

REGULAMENTAÇÃO

No Brasil, setores do mercado editorial consideram fundamental esse tipo de freio.

Para compensar o grande desconto a alguns títulos, essas grandes lojas on-line acabam por encarecer o preço médio dos demais. É uma política deletéria“, diz Haroldo Ceravolo Sereza, presidente da Libre [grupo de 120 editoras de pequeno e médio porte].

A ANL [Associação Nacional de Livrarias] também defende políticas de regulamentação: preço único, controle de desconto, apoio à distribuição dos títulos pelo país.

Essa busca pelo menor preço pode quebrar todo o mercado. Com todo o poder centrado na Amazon, ela decide o que você poderá ler ou não. Parece uma situação extrema, mas já começa a acontecer na prática“, diz Afonso Martin, diretor da ANL.

O Snel [Sindicato Nacional dos Editores de Livros] costumava se manifestar contra o preço único, mas agora diz que pretende rever a questão.

“Como as lojas físicas podem concorrer com as varejistas on-line? Nesse novo cenário, elas podem falir. Temos que estudar bem essas leis”, argumenta Sônia Jardim, presidente do sindicato.

Para Carlo Carrenho, fundador do PublishNews, portal dedicado ao mercado editorial, a solução está no aperfeiçoamento da cadeia do livro no Brasil, e não necessariamente na regulamentação.

A Amazon poderá, no futuro, exercer um monopólio extremamente prejudicial. Mas a culpa será mais da ineficiência da indústria brasileira do que da eficiência da empresa americana.

POR MARCO RODRIGO ALMEIDA DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S. Paulo | 05/07/2014

A Biblioteca 2.0


Autores independentes lançam petição pró-Amazon 


Uma segunda petição relacionada à disputa entre Amazon e Hachette acaba de ser lançada. Dessa vez uma carta pró-Amazon escrita por um grupo de escritores independentes. A petição assinada por “seus autores” e dirigida aos “queridos leitores” argumenta que a Amazon “construiu sua reputação na valorização de autores e leitores”. A petição foi lançada poucas horas depois de uma outra carta — escrita por Douglas Preston e assinada por vários autores convocando a Amazon a resolver a sua disputa com a Hachette e sugerindo que leitores enviassem e-mail ao diretor da Amazon, Jeff Bezos, com seus protesto – viesse a público.

Por Philip Jones | The Bookseller | 04/07/2014