Editora lança Consolidação das Leis do Trabalho em versão digital


App reúne em mapa locais ligados à obra de Machado de Assis


Bentinho e Capitu, personagens do romance “Dom Casmurro” [1899], foram moradores da rua Riachuelo, na Lapa. Já em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” [1881], o narrador reencontra uma antiga paixão ao caminhar pela rua do Ouvidor, no centro da cidade.

As referências à cidade que pontuam a ficção de Machado de Assis [1839-1908] motivaram o projeto “Rio de Machado”, que lista 81 endereços citados nos livros do autor, além de 20 locais associados à rotina do escritor.

Idealizadoras do projeto, a curadora Daniela Name e a consultora digital Gabriela Dias reuniram, em um aplicativo, um mapa no qual cada local aparece contextualizado em relação à vida e à obra do escritor.

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Fonte: Editoria de Arte | Folhapress

Desenvolvido pela produtora 32 Bits, o programa estará disponível para download gratuito em tablets e celulares a partir de 1º de outubro.

No dia 2, terá início uma exposição nos pilotis do Museu de Arte do Rio [MAR], na praça Mauá, baseada no conteúdo do “Rio de Machado”.

É um jeito de comunicar muito contemporâneo, que pode ajudar a formar e a conquistar novos leitores. Na Inglaterra, por exemplo, fizeram um aplicativo do [Charles] Dickens com quatro percursos pela cidade de Londres vinculados a personagens do autor“, conta Dias.

Por cinco semanas, a cada sábado [a partir do dia 4 de outubro], os organizadores do projeto vão promover visitas guiadas gratuitas por mais de dez endereços associados a Machado de Assis pelo centro da cidade.

O ponto de partida do passeio será o MAR, que receberá também um seminário sobre a obra do escritor, nos dias 1º e 2 de outubro.

POR FABIO BRISOLLA | Publicado originalmente em Folha Online | 22/09/2014, às 02h29

Biblioteca Central da UFPB vai digitalizar 10 mil teses e dissertações


Previsão é a de que todo o acervo esteja disponível em 2015.Em torno de 3 mil teses e dissertações já estão digitalizadas.

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Em torno de 10 mil teses e dissertações impressas produzidas na UFPB vão passar pelo processo de digitalização a partir de novembro. Material será disponibilizado na internet. [Foto: Maurício Pereira da Costa ]

Teses e dissertações produzidas em quase quatro décadas na Universidade Federal da Paraíba, que antes se restringiam à consulta presencial, vão estar disponíveis a partir de 2015 com mais de 10 mil títulos correspondentes à produção de 1970 até 2007. Outros três mil títulos já estão disponíveis na plataforma da Base Digital de Teses e Dissertações Brasileiras, vinculada ao Ministério da Educação e Cultura [Mec]. A Biblioteca Central da instituição está entrando em contato com os autores para solicitar autorização de digitalização e publicação posterior.

A intenção é tornar toda a produção acadêmica da pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba acessível à população, que atualmente só tem a busca presencial como alternativa de pesquisa no próprio prédio da Biblioteca Central, no Campus I, em João Pessoa.

A bibliotecária e diretora da Divisão de Serviço ao Usuário, Susiquine Ricardo da Silva, explicou que a partir de novembro o trabalho de digitalização começa e todo o acervo deve estar disponível em 2015. “Esse trabalho vai tornar acessível todo esse trabalho de pesquisa realizado em âmbito nacional e internacional. Atualmente, esse acervo só está disponível na Biblioteca Central e não pode ser emprestado. Poucos alunos e professores têm acesso. Com a digitalização ampliamos a possibilidade de divulgação das pesquisas da UFPB”, frisou.

O Setor de Coleções Especiais, onde ficam armazenadas as coleções de dissertações e teses recebe a visita diária de 15 usuários, nos três turnos, para consultar os exemplares. O acervo impresso da Bibilioteca Central da UFPB é de 13 mil dissertações e teses impressas. Desse total, 3 mil já estão inseridas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações [BDBT].

Por Wagner Lima | Publicado originalmente em Portal G1 | 21/09/2014

Autoficção uma ova


O e-book “Delegado Tobias”, que Ricardo Lísias lançou pela e-galáxia, chegou ao topo da lista de livros digitais mais vendidos na Amazon. O livro é apenas o primeiro de cinco volumes de um folhetim virtual do autor. Fragmentada, a trama — na qual Ricardo Lísias é acusado de ter assassinado Ricardo Lísias — brinca com a ideia de autoficção e se alimenta da repercussão na internet e na imprensa [o que significa que esta nota corre o risco de sair do jornal para entrar na literatura].

No Facebook, um perfil com o nome do personagem Tobias foi criado e “ameaçou” tirar o livro das lojas, gerando reações debochadas e indignadas de leitores -devidamente incluídas no volume dois, que sai na quarta [24]. A informação é da coluna Painel das Letras.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 20/09/2014

Projetos de lei incentivam adoção de livros digitais


eBook. Livro eletrônico. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

eBook. Livro eletrônico. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Atentos aos avanços tecnológicos na educação, os senadores têm apresentado projetos que incentivam o uso de livros eletrônicos nas escolas. Além de estender ao formato os benefícios fiscais já oferecidos ao livro de papel, as propostas também visam garantir o acesso de alunos da rede pública a esse tipo de conteúdo.

Pesquisas recentes reforçam as vantagens da leitura digital no aprendizado. Estudo da universidade norueguesa de Stavanger sobre o uso do livro eletrônico revelou que a compreensão do texto é praticamente a mesma de quem faz a leitura no papel. Outra pesquisa, realizada nos Estados Unidos, com estudantes disléxicos revelou uma melhora na compreensão do texto e na velocidade da leitura feita na tela. O livro eletrônico, em geral, também permite ajustar o tamanho e o tipo da letra.

A leitura digital pode ser feita em e-readers, tablets, computadores ou até smartphones, por meio de aplicativos próprios. No ano passado, os livros eletrônicos representaram em torno de 2,5% do faturamento do mercado editorial brasileiro.

Tributos

Projeto que equipara, na legislação brasileira, os livros eletrônicos aos impressos [PLS 114/2010], do senador Acir Gurgacz [PDT-RO], aprovado em caráter terminativo na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado [CE] em 2012, aguarda votação na Câmara. O objetivo é alterar a Política Nacional do Livro [Lei 10.753/2003] para garantir aos conteúdos [e-books] e equipamentos de leitura digital [e-readers] os mesmos benefícios tributários do livro impresso. De acordo com a Constituição, os livros são livres de impostos.

A imunidade tributária para livros e leitores eletrônicos também tem sido discutida na Justiça. O assunto já chegou ao Supremo, no Recurso Extraordinário 330.817, onde é relatado pelo ministro Dias Toffoli.

Educação

No Senado tramitam dois projetos de iniciativa do senador Cícero Lucena [PSDB-PB] para estimular o desenvolvimento de aplicativos para tablets e aumentar o uso dessa tecnologia no aprendizado escolar.

O PLS 394/2012 propõe a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social [Cofins]  sobre a receita da venda a varejo de softwares educacionais e livros eletrônicos para utilização em tablets. A matéria aguarda parecer do relator, senador Delcídio do Amaral [PT-MS], na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática [CCT].

PLS 109/2013 determina o fornecimento de tablets aos estudantes das escolas públicas de educação básica até 2023. Cícero Lucena argumenta que os aparelhos têm “enorme potencial pedagógico” e devem se tornar objeto da atenção das políticas públicas de educação. Para o senador, o livro didático e o caderno continuam a ter o seu papel no processo educativo, mas as inovações nesse campo “não devem constituir privilégio de poucos”.

- A dimensão da minha proposta é a da inclusão, para que as pessoas sem acesso a esse conteúdo eletrônico possam passar a usar o tablet como ferramenta obrigatória na escola. E ainda há o ganho ecológico desse equipamento contra a produção do livro de papel e todas as suas consequências para o meio ambiente – explica o senador.

O projeto tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte [CE], onde tem voto favorável do relator, senador Cristovam Buarque [PDT-DF], com duas emendas que estabelecem a capacitação dos professores e a avaliação dos alunos que usam o equipamento.

Questão de tempo

Cristovam Buarque entende que as crianças preferem os livros eletrônicos e devem ter professores preparados. Ele próprio tem mais de mil livros arquivados em seu tablet.

- Eu, pessoalmente, já começo a preferir ler no tablet. Sublinho mais fácil, jogo nota para o final, é muito mais prático. Ler no papel é a mesma coisa de voltar a usar o papiro depois de Gutenberg – compara.

Para o presidente da Comissão de Educação, senador Cyro Miranda [PSDB-GO], é apenas “uma questão de tempo” até que se vençam as últimas resistências à leitura eletrônica.

- A oferta do papel sempre vai existir, por determinado apego que a pessoa tem, mas acho que nós temos que quebrar paradigmas. Os livros já estão disponibilizados em bibliotecas eletrônicas. É uma ferramenta muito importante o tablet nas escolas para as novas gerações; isso vai tomar conta – prevê.

Agência Senado | 19/09/2014, às 14h06

Site traz coleção de capas de livros


Mesmo que você não escolha seus livros pelas capas, vale a pena passear pelos projetos gráficos de centenas de edições

Um link útil para designers e amantes de livros em geral: um site que coleciona capas de livros. Você pode simplesmente passear pelas inúmeras capas disponíveis ou pode procurar por designers, ilustradores, tipografias etc. Uma parada obrigatória para quem busca referências — ou para aqueles que escolhem o livro [também] pela capa. Salve nos favoritos.

Por Ricardo Lombardi | O Estado de S. Paulo | sexta-feira 19/09/14

Bibliotecas podem digitalizar livro sem autorização, decide corte europeia


O Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que o direito dos autores pode ser flexibilizado em prol do compartilhamento do conhecimento. Por isso, uma biblioteca pode digitalizar uma obra mesmo contra a vontade do detentor dos direitos autorais e disponibilizar essa obra para o público. O documento digitalizado pode até ser impresso ou salvo em cartões de memória pelos leitores, mas, nesse caso, é necessário que seja paga uma quantia ao autor, como se a obra tivesse sido comprada.

A decisão da corte, anunciada recentemente, joga luzes sobre como as bibliotecas têm de se portar frente ao aumento da procura por livros digitais, os chamados e-books. Pelo entendimento firmado, ainda que a editora ofereça à biblioteca a obra digitalizada, esta pode recusar e fazer a sua própria digitalização.

O julgamento aconteceu num pedido de esclarecimentos feito pelo Tribunal Federal de Justiça da Alemanha. Lá, uma biblioteca se negou a adquirir a versão digital de determinados livros e decidiu escanear a obra para disponibilizar para os usuários em seus terminais de leitura. A editora não gostou e reclamou à Justiça, alegando ser a detentora dos direitos autorais.

Como regra geral, cabe ao autor o direito exclusivo de autorizar ou proibir a reprodução e comunicação das suas obras. A Diretiva 2001/29/CE do Parlamento Europeu, no entanto, prevê algumas exceções. Uma dessas exceções garante que as bibliotecas disponibilizem em computadores internos a obra para os leitores acessarem.

Ao analisar o conflito, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que esse direito das bibliotecas também garante a elas que digitalizem obras sem consultar seus autores. Esses livros devem ficar disponíveis gratuitamente apenas em computadores internos. O tribunal avaliou que o leitor pode imprimir ou salvar partes da obra em um cartão de memórias. Mas, nesse caso, deve ser paga uma contrapartida ao detentor do direito autoral.

Consultor Jurídico | 19/09/2014

Editores buscam escritores fora do ‘centro’


“Latitudes” é a coleção de e-books que estreou recentemente para apresentar a ficção brasileira de fora dos grandes centros. De escritores pouco conhecidos, alguns ainda inéditos, os títulos chegam aos leitores em formato digital, adquiridos via e-galáxia para todas as plataformas. O novo selo “busca superar barreiras geográficas, distâncias, complicações da logística de distribuição de livros físicos, apostando no crescimento evidente da leitura digital no Brasil e no mundo, para trazer à luz a literatura de grande qualidade produzida por todo o país, longe dos holofotes mais potentes“.

As editoras são Mirna Queiroz, à frente da Mombak, que edita a revista Pessoa, de literatura lusófona; e a escritora Maria Valéria Rezende, santista radicada em João Pessoa, do recente Quarenta dias [Objetiva], convidada para a curadoria. Os cinco primeiros escolhidos sairão em sequência: Aqui as noites são mais longas, de Geraldo Maciel, A paixão insone, de Ronaldo Monte, O beijo de Deus, de Dôra Limeira, Já não há golfinhos no Tejo, de Joana Belarmino, Palavras que devoram lágrimas, de Beto Menezes. Três são da Paraíba, um de Alagoas, outro de Pernambuco.

Por Josélia Aguiar | Valor Econômico | 19/09/2014, às 05h00

Amazon apresenta novo modelo da família de e-readers Kindle


A Amazon apresentou na quarta-feira [17] o Kindle Voyage, novo modelo do leitor de livros digitais da companhia.

O e-reader custará a partir de US$ 199 e será lançado no dia 21 de outubro nos Estados Unidos, onde já está em pré-venda. Ainda não há previsão de lançamento nem de preço para o Brasil

É o leitor eletrônico mais fino já mostrado empresa [7,6 milímetros de espessura]. “A nossa missão com o Kindle é fazer o dispositivo desaparecer para que o leitor ‘se perca’ no mundo do autor“, disse Jeff Bezos, presidente-executivo da companhia, em um comunicado. “O Voyage é o nosso próximo grande passo nesse sentido“.

Entre as novidades, figura uma nova maneira [opcional] de se virar as páginas em que basta pressionar levemente um sensor na borda do dispositivo. O aparelho vibrará para indicar a mudança de página e evitar possíveis confusões. A maneira antiga, deslizando o dedo na tela, ainda estará disponível.

A resolução da tela do e-reader foi melhorada para 300 pixels por polegada contra os 212 do antecessor Kindle Paperwhite.

Leitor de e-books Kindle Voyage (esq.) e tablet Fire HDX 8.9, novidades anunciadas pela Amazon | Foto: Divulgação

Leitor de e-books Kindle Voyage (esq.) e tablet Fire HDX 8.9, novidades anunciadas pela Amazon | Foto: Divulgação

TABLETS

A empresa também atualizou o seu acervo de tablets Kindle Fire.

O Fire HDX, aparelho topo de linha lançado pela empresa no ano passado, ganhou uma versão mais rápida para seu modelo de 8,9 polegadas, com processador Snapdragon 805 de 2,5 GHz –0,3 GHz a mais que o de 2013.

O produto custará a partir de US$ 379 em versões de 16, 32 e 64 Gbytes.

Na linha mais econômica Fire HD, a novidade é um modelo de 6 polegadas que sairá por de US$ 99 e será duas vezes mais rápido do que as versões anteriores do dispositivo, de acordo com a Amazon.

Os novos tablets foram apresentados pela companhia no mesmo dia em que sites da imprensa especializada vazaram a possível data em que a Apple anunciará os seus próximos iPads.

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM FOLHA DE S.PAULO | COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS | 18/09/2014, às 12h43

Depois de conquistar os leitores, eBooks agradam aos poetas


Editoras começam a se dedicar à formatação de poesia nos livros digitais e buscam manter “integridade física” dos textos

NOVA YORK – Quando John Ashbery, Prêmio Pulitzer de poesia, constatou que as edições digitais de seus poemas não se pareciam com a versão impressa, ficou chocado. Não havia quebra de linhas e os versos haviam sido espremidos num bloco como se se tratasse de um texto prosa. A cuidadosa arquitetura dos seus poemas desaparecera.

Queixou-se com a editora, a Ecco, e os quatro livros em formato eletrônico foram imediatamente retirados do mercado. Isto aconteceu há três anos. Desde então, a publicação digital evoluiu consideravelmente. As editoras agora criam e-books que preservam melhor a meticulosa formatação dada pelo autor. Portanto, quando a editora digital Open Road Mediaed contactou Ashbery a respeito da criação de versões eletrônicas dos seus livros, ele decidiu dar-lhe mais uma chance.

Na semana passada, a Open Road publicou 17 coleções digitais da obra de Ashbery, pela primeira vez a maior parte dos seus poemas estará disponível em formato de e-book. E ele não pediu nenhum recall.

É muito fiel à formatação original”, disse Ashbery, 87, reconhecidamente um dos maiores poetas vivos do país.

A revolução do e-book já tem mais de dez anos, mas as editoras de poesia lutam para encontrar um lugar no mercado digital. Em 2013, foram lançados 2.050 e-books deste gênero literário, em comparação a cerca de 200 em 2007, ano em que saiu o primeiro Kindle, segundo a Bowker, que acompanha os lançamentos do mercado. No ano passado, os e-books, representaram aproximadamente 20% dos quase 20 mil livros de poesia publicados, em comparação com cerca de 10% em 2012.

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Poeta americano John Ashbery | Foto: Reprodução

Entre todos os gêneros, a poesia revelou-se o mais resistente à tecnologia digital, não por razões culturais, mas por complexas razões mecânicas. A maioria dos e-books estraçalha as quebras de linhas e versos, tão fundamentais para a aparência e o ritmo do poema. Consequentemente, muitas editoras desistiram de digitalizar poesia, e as obras de alguns dos maiores poetas ainda não estão disponíveis em e-books, inclusive os Cantos de Ezra Pound e poemas de Jorie Graham, Tracy K. Smith, Elizabeth Bishop e Czeslaw Milosz.

O verso é a unidade na qual a poesia se expressa, mas a tecnologia da maioria dos e-books não favorece esta unidade”, disse Jeff Shotts, editor executivo da Graywolf Press.

Entretanto, à medida que a tecnologia foi evoluindo, as editoras começaram a se adaptar. Algumas contrataram programadores para codificar manualmente os livros de poesia de modo que as quebras de linha e os versos são mantidos; outras recorreram ao uso dos PDFs, ou arquivos estáticos, para reproduzir imagens digitais de poemas de formato elaborado, como os versos em forma de raios projetados para fora de Mary Szybist. Certas editoras acrescentaram avisos nos seus e-books, recomendando aos leitores que utilizem um tamanho específico de fonte para visualizar a representação mais acurada de um poema.

A editora independente New Directions, fundada em 1936, começou a publicar e-books de poesia no ano passado. Até o momento, lançou mais de 60 volumes digitais de poesia, inclusive obras de Pablo Neruda, Dylan Thomas e William Carlos Williams.

Farrar, Straus e Giroux começou uma grande arrancada para digitalizar seu catálogo de poesia em janeiro, depois de solucionar algumas espinhosas questões de design e de programação. Este ano, está lançando 111 coleções de poesia digital, em comparação com 17 no ano passado e apenas uma em 2012.

Antes de fazer esta transferência, quisemos ter a certeza de que o que os poetas faziam em termos visuais poderia ser encontrado nos e-readers”, disse Christopher Richards, editor assistente da Farrar. “O aspecto digital de um poema é realmente importante e pode comunicar um tipo de significado; se não for preservado no e-book, o leitor perderá de fato alguma coisa”. A produção de poesia digital ainda é inexpressiva diante da poesia impressa, e alguns escritores e editoras questionam se existe de fato muita demanda de e-books de poesia.

Uma grande porcentagem de leitores de poesia é fetichista: gosta de segurar o livro físico”, disse Michael Wiegers, editor executivo da Copper Canyon Press, especializada em poesia. Para as editoras, o custo é um fator importantíssimo. As vendas de poesia sempre foram muito limitadas em relação às de outros gêneros, e a criação de e-books especificamente programados é dispendiosa, principalmente considerando que o trabalho de poetas menos conhecidos talvez venda apenas poucas centenas de exemplares.

Mas as editoras de poesia dizem que não podem mais ignorar a migração para o digital que começa a dominar a indústria; algumas delas decidiram investir consideravelmente na produção de e-books. A Copper Canyon gastou cerca de US$ 150 mil no projeto de editar livros digitais, utilizando recursos da Fundação da Família Paul G. Allen e de outros doadores. Grande parte do dinheiro foi utilizada para pagar os programadores , disse Wiegers. Nos últimos anos, a Copper Canyon lançou cerca de 125 volumes de poesia digital.

Foram necessárias diversas experiências na base da tentativa e erro, e também no que se referia à programação”, explicou Wiegers.

Alguns poetas continuam inflexíveis quanto à superioridade do livro impresso. Albert Goldbarth, que escreveu mais de 30 livros de poesia, recusa-se a publicar e-books. “Me recuso a fazer isto; é uma questão de princípio”, afirmou, acrescentando que, com as edições impressas ele pode controlar os caracteres, o tamanho da fonte e o layout.

Outros poetas pediram insistentemente que as editoras incluíssem avisos em os seus e-books. O consagrado poeta americano Billy Collins fez a solicitação há alguns anos, ao constatar que a mudança do tamanho da fonte num e-reader “desequilibrou o poema”, como ele disse. Seus e-books agora trazem a advertência de que algumas funções de um e-reader podem mudar a “integridade física do poema”. “A primeira impressão que se tem de um poema é o formato da página”, disse Collins. “Um poema tem uma integridade escultural que nenhum e-reader pode registrar”. A poesia de Ashbery, que escreve frequentemente em versos longos, no estilo de Walt Whitman, e usa a complexa técnica de continuação do verso na linha seguinte alinhado à direita, foi difícil de digitalizar.

Muitos dos meus poemas têm versos muito longos, e para mim é importante que sejam cuidadosamente reproduzidos na página”, afirmou. “O impacto de um poema muitas vezes depende da quebra de linhas, que as editoras de poesia costumam não consideram tão importante quanto o autor do poema”. Depois da primeira experiência fracassada, Ashbery relutou em vender novamente seus direitos para e-books. Mas, há dois anos, seu agente literário contatou Jane Friedman, diretora executiva da Open Road, que estava interessada em publicar versões digitais da obra de Ashbery. Ela assegurou a Ashbery e ao agente que a formatação dos e-books preservaria os seus versos.

Depois de negociações que duraram cerca de um ano, Ashbery concordou em ceder os direitos de 17 coleções.

A produção dos e-books levou vários meses. Inicialmente os livros foram escaneados, digitalizados e cuidadosamente revisados. Então a Open Road enviou os arquivos para a eBook Architects, uma empresa de desenvolvimento de e-books de Austin, Texas. Lá, o texto foi programado à mão e recebeu marcações/ instruções semânticas, para que os elementos formais fossem assinalados respectivamente como versos, estrofes ou quebras de linhas intencionais. Quando um verso não cabe na tela porque ela é pequena demais ou a fonte é grande demais, ele é quebrado na linha de baixo – convenção observada na imprensa há séculos. A tecnologia ainda está longe de ser perfeita. Os poemas de Ashbery conservam melhor sua forma nas telas maiores do iPad, e ficam espremidos, e mais versos ultrapassam a margem num Kindle ou num iPhone.

Segundo os especialistas do gênero, estas pequenas discrepâncias são um preço ínfimo a pagar para garantir o legado de Ashbery na era digital.

John Ashbery é o nosso T.S. Eliot, a nossa Getrude Stein”, observou Roberto Polito, presidente da Poetry Foundation. “É vital que sua obra seja apresentada ao público da maneira mais perfeita no maior número possível de formatos”.

Por Alexandra Alter | Publicado originalmente em The New York Times | Tradução de Anna Capovilla publicada em Estadão | 18 Setembro 2014, às 11h37

AudioAppBook para carros!


A Ford se associou à Penguin Random House para desenvolver e lançar um aplicativo ativado por voz que dará acesso a áudio livros de Roald Dahl. O aplicativo será compatível com o Syn AppLink, tecnologia embarcada em alguns carros da Ford que permite o acionamento de aplicativos a partir do comando de voz. Uma vez dentro do carro, o motorista deverá abrir o app no seu smartphone e conectá-lo ao seu veículo via USB. A partir daí, pode dará os comandos: play, pause, stop, back e forward.

O app contém 19 histórias de Roald Dahl, incluindo Charlie and the chocolate factory, Matilda e James and the giant peach, lidas por atores como David Walliams, Stephen Fry e Kate Winslet. O App é gratuito e o primeiro capítulo de cada história é gratuito. Para ter acesso à íntegra do livro, os usuários terão que desembolsar £4.99. O app será lançado entre outubro e novembro e estará disponível para download em todo o mundo – exceto América do Norte-, mas os livros estarão exclusivamente em inglês.

Por Charlotte Eyre | The Bookseller | 17/09/2014

Encontro trata da literatura digital


Nesta quinta-feira [18], às 19h, o Instituto Estadual do Livro [Rua André Puente, 318, Independência, Porto Alegre/RS] recebe a palestra Leitura digital e empréstimo de e-books: uma revolução na palma da mão. O bate-papo será conduzido por Galeno Amorim, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional e um dos fundadores da biblioteca digital Árvore de Livros. O encontro vai abordar o atual cenário do mercado editorial em vista das novas tecnologias relacionadas à área da leitura e literatura. O evento é aberto ao público e com entrada franca.

PublishNews | 17/09/2014

Biblioteca digital passa a ter Cecília Meireles, Cora Coralina e Manuel Bandeira no acervo


Biblioteca digital capitaneada por Galeno Amorim passa a ter Cecília Meireles, Cora Coralina e Manuel Bandeira no seu acervo

Em junho passado, quando recebeu o PublishNews na sua casa da rua Pirapitingui, Luiz Alves Jr., proprietário da Global, falou do seu entusiasmo com a leitura digital. Ele contou na ocasião que tudo o que for publicado pela Nova Aguilar [a visita era para falar sobre a aquisição da Nova Aguilar pela Global] sairá também em digital e disse ainda que estava acompanhando o crescimento de bibliotecas digitais no Brasil. No papo disse: “A ideia de bibliotecas digitais como a Árvore de Livros, no Galeno [Amorim] é fantástica”. Agora, a Árvore de Livros anuncia que fechou com a Global e que parte do catálogo da Global passam a fazer parte do acervo da biblioteca digital. Sempre bem bom lembrar que a Global detém a obra completa de grandes figurões da literatura brasileira como Cecília Meireles, Cora Coralina, Manuel Bandeira e, mais recentemente, Bartolomeu Campos de Queirós. A seleção das obras que vão fazer parte da biblioteca ainda não está fechada.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/09/2014

Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de eBooks


Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de e-books

Amazon deixa escapar Kindle Voyage, seu novo leitor de e-books

Um site alemão notou que surgiram informações sobre a próxima geração do Kindle na versão alemã da Amazon. Isso foi removido, mas não antes de revelar que haverá dois novos modelos: uma versão básica atualizada, e um novo produto high-end chamado Kindle Voyage.

O Kindle básico aparentemente traz uma touchscreen como novidade principal. Ou seja, daqui em diante todos os Kindles – mesmo o mais barato – devem vir com tela sensível ao toque. Claro, sua resolução de tela ainda seria menor que em modelos mais caros, e ele não teria iluminação. Este Kindle é listado por €59 [cerca de R$ 180].

Quanto ao Kindle Voyage, uma versão em cache da Amazon Japão revela mais informações: ele terá uma tela mais nítida de 300 ppi, novos botões para virar páginas, e virá em modelos Wi-Fi e 3G. Parece que a Amazon manteve a tela de 6 polegadas. A imagem acima, do manual de instruções, mostra como ele deve ser.

Outro detalhe interessante: parece que teremos algo chamado “luz dianteira inteligente”, provavelmente um recurso para aumentar ou diminuir o brilho de forma automática.

A página japonesa também lista as dimensões do Voyage: 6,2 x 11,5 x 0,8 cm e 186 g. Ou seja, ele deve ser menor e mais leve que o Paperwhite.

Por Kate Knibbs | Publicado originalmente em GIZMODO Brasil | 17 de setembro de 2014 às 11:17

Novo Kindle?


Vazam as especificações do novo modelo do Kindle

Essa quarta-feira amanheceu com buchichos de que a Amazon estaria se preparando para lançar novo modelo do Kindle. O Kindle Voyage viria com um novo sistema de mudança de páginas, sensível ao toque. Na página japonesa da Amazon, o novo device ficou acessível por alguns instantes [o cache da página pode ser acessado aqui], tempo suficiente para saber que o possível novo modelo vem com tela de alta resolução, com 300 ppi [os modelos atuais alcançam até 212 ppi, no caso do Paperwhite e Paperwhite 3G]. O device seria ligeiramente mais fino, com 8mm de espessura [os modelos atuais têm entre 8,7 e 9,1 mm] e menores, com 16,2 x 11,5 cm [o Kindle mais básico mede 16,5 x 11,4 cm e o Paperwhite mede 16,9 x 11,7]. O preço que aparece na página japonesa é de 28.814 ienes [ou aproximadamente R$ 630] na versão com 3G.

Por Leonardo Neto | PublishNews | 17/09/2014