Arquivo da categoria ‘Software’

Livrus e Simplíssimo são cases no Congresso do Livro Digital


Startups apresentam seus projetos durante
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital

O empreendedorismo no emergente mercado do livro digital parece ir de vento em popa — novos modelos de negócios na área surgem a cada oportunidade. Mas como fazer para transformar ideias em negócios? O que é determinante para a sobrevivência de um business focado em livros digitais, em seus primeiros meses de vida? Que questões e desafios surgem para o novo empreendedor, e como encará-los?

Com o tema “O empreendedorismo no mercado do livro digital – Transformando Ideia em Negócios“, dois empreendimentos voltados para o livro digital são analisados pelos seus fundadores. O case será apresentado durante o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital com o testemunho dos fundadores de duas startups, Livrus Negócios Editoriais e Simplíssimo Livros, em um relato das suas vivências e experiências com a abertura e a manutenção dos seus negócios.

As apresentações dos cases serão breves [um terço do tempo de apresentação, para cada um dos dois ministrantes]. O terço final do tempo restante será reservado para participação e perguntas do público presente. Serão enfatizados os desafios que precisam ser superados no início do negócio, a postura que o mercado espera dos novos empreendedores e os problemas práticos que surgem pelo caminho [e algumas soluções adotadas].

Anote em sua Agenda

Case: O empreendedorismo no mercado do livro digital
14 de junho, sexta-feira, das 10 às 11 horas
4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital
Centro Fecomercio de Eventos | Auditório B | 1º. Andar

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Ministrantes

Ednei Procópio | Especialista em livros digitais, trabalha com o assunto desde 1998. Já escreveu livros sobre o tema e mantém o blog eBook Reader. É Diretor Executivo da Livrus Negócios Editoriais, empresa criada com o objetivo levar autores e obras para a Era Digital.

Eduardo Melo

Eduardo Melo

Eduardo Melo | Fundador e Diretor Executivo da Simplíssimo Livros, empresa especializada em produção e publicação de eBooks. Eduardo, que trabalha com eBooks desde 2007, também é editor-chefe do site de notícias Revolução eBook. Sua formação acadêmica inclui graduação em História e mestrado em Letras.

Economia criativa e perspectivas para pequenas editoras


POR EDNEI PROCÓPIO

Ednei Procópio

Ednei Procópio

Acima de questões como interface, acesso, quantidade e distribuição de exemplares digitais talvez esteja aquela que irá forjar o verdadeiro e novo mercado editorial: a questão da precificação dos livros.

Eduardo Melo, da Simplíssimo Livros, ensinou-me como traçar um paralelo entre a crise econômica mundial atual e o fortalecimento do mercado de eBooks através da popularização do preço de capa dos livros. Aprendi, em uma de suas palestras, que crises econômicas mundiais geralmente influenciam diretamente no consumo dos livros. Desde as Primeira e Segunda Guerra Mundial, passando pelas primeiras crises do petróleo [1972 e 1975], houve alteração no preço de capa do livro na versão paperback que, inclusive, culminou com a criação do livro, impresso, em formato pocketbook, mais barato e acessível que o seu antecessor.

Refletindo um pouco mais sobre o assunto, tal tese me fez concluir que, se realmente existe um reflexo paralelo no consumo dos livros em época de crises econômicas, os contextos econômicos mundiais influenciam diretamente no consumo de produtos culturais de maneira ainda mais intensa em comparação a outros mercados, tornando-os assim ainda mais acessíveis. E a tendência, no Brasil, é que haja uma ascensão na quantidade e qualidade de títulos disponíveis, a preços bem populares, tal qual ocorreu com o mercado de aplicativos para dispositivos móveis.

O mercado econômico brasileiro, porém, de um modo geral deve passar, em minha opinião, por mais uma forte retração futura que influenciará mais uma vez no rumo do mercado editorial, antes que haja uma consolidação efetiva do consumo de eBooks no país.

As perspectivas para os eBooks pelo mundo não diferem do nosso país uma vez que vivemos uma época de economias globalmente interligadas. O que nós sabemos é que multinacionais como Kobo, Google e Amazon continuarão influenciando os mercados regionais na tentativa expandir ainda mais os seus domínios e consolidar suas marcas. O que ainda falta saber é como pequenas e médias empresas editoriais, regionais, irão sobreviver a uma ruptura no mercado de consumo marcada por uma falta de regulamentação dos Governos que, em tese, poderia até talvez sair em defesa de suas empresas internas.

Por trás de toda a revolução em andamento causada principalmente pelo advento e avanço da Internet, ainda existem as leis que regem o livre mercado, a livre concorrência. Mas creio poder ainda assim haver sim um estabelecimento de parâmetros mínimos para o mercado, para dar respaldo a toda cadeia produtiva do livro, embora não fosse possível influenciar diretamente em cada um dos novos modelos de negócios que estão sendo testados pelo próprio mercado. Assim, o que resta ainda saber é de que modo pequenas e médias empresas podem sobreviver encontrando caminhos alternativos. Apenas com criatividade e empreendedorismo?

A tecnologia na interface dos livros

Um dos itens que mais poderão influenciar o rumo do mercado de livros nesta economia criativa de escala global, sem sombra de dúvida é a tecnologia já que esta superou por si mesma os limites de adoção perante o mercado consumidor.

Dispositivos de uma variedade impressionante de tamanhos, pesos, espessura e desempenho fazem hoje parte do dia-dia de milhares de usuários que consultam simultaneamente informações sobre o trânsito, o clima, a cotação do dólar, etc., em tempo real aos acontecimentos diários de suas vidas nas cidades. Nenhum acontecimento público de elevada proporção fica sem o registro imediato de centenas de testemunhas que, ainda mais rápido que a imprensa, divulgam ocorrências em vídeos, fotos e áudios numa escala quase que desproporcional ao nível de consumo destas mesmas informações. Tudo isso através de uma gigantesca rede social chamada Internet.

Algo bastante importante a ser levada em conta neste contexto é a questão da interface entre o leitor e o conteúdo do livro. Esta interface pode estar atrelada tanto ao conteúdo, por conta da diagramação dos livros utilizando as ricas plataformas de autoria e edição; mas podem estar também atrelada às limitações técnicas ou possibilidades do próprio dispositivo onde o livro será lido. Certo, porém, é afirmar que o aplicativo é o limite entre o conteúdo e o dispositivo.

Vencida a questão primária de um modelo de negócios sustentável, uma empresa de mídia editorial precisa focar os seus esforços em criar uma interface no mínimo padrão tanto para a criação quanto para o consumo dos livros.

Os livros tem, a seguir, que conquistar um novo espaço na agenda diária dos consumidores modernos que podem optar por uma leitura talvez mais lenta, mais íntima, mais densa. Para alcançar o leitor disposto a trocar algumas horas de seu dia pela leitura de um eBook, o mercado editorial deverá buscar a diversidade.

O novo leitor baixa cerca de dois mil aplicativos por segundo através da Internet e, para superar o desafio da escalabilidade de conteúdo versus qualidade editorial, se faz necessário o foco nos negócios voltados a uma rica bibliodiversidade. A diversidade de conteúdo, de catálogo, de títulos, de novos autores e novas conversas, que possam atrair a atenção deste novo leitor um tanto mais disperso, é um dos caminhos para os pequenos negócios. Talvez deste desafio renasça um novo e próspero período para todo o mercado editorial, antes mal acostumado, e acomodado, com o antigo sistema de produção de obras em versão impressa.

Livros via interfaces

O Brasil já alcançou mais de 250 milhões de linhas telefônicas para celulares. Pelo menos 20% deste efetivo vem de linhas chamadas pós-paga; próximo dos 10% temos as chamadas linhas 3 ou 4G.

Uma tecnologia básica, no entanto, atinge quase que 100% dos clientes das operadoras que oferecem serviços de telefonia em nosso país: os serviços de SMS. Embora o número de dispositivos smartphones tenha superado o de aparelhos celulares mais simples, mensagens curtas, de no máximo 140 letras ou caracteres [inspiração para o Twitter, inclusive], poderiam eventualmente servir para o tráfego de literatura [e-shorts stories] através dos celulares.

O mercado de mídia está sempre na fronteira da alta tecnologia, e na dependência do que realmente é utilizado pela maioria dos usuários. Estágios intermediários entre eles podem configurar, com uma boa dose de criatividade, possibilidades inúmeras nos campos da publicação, comercialização e divulgação dos livros.

Para os celulares, aparelhos mais simples que os smartphones, ao contrário do Japão, por exemplo, não houve o desenvolvimento, no Brasil, de um case de sucesso que usasse a transmissão de textos literários utilizando a tecnologia SMS. Antes de fundar a Simplíssimo Livros, o próprio Eduardo Melo esteve envolvimento com um projeto que pudesse suprir este tipo de carência.

Enquanto tecnologias novas de comunicação através de aplicativos como WhatApp e Skype vão se tornando populares e onipresentes, a tecnologia SMS poderia ser usada para a publicação de micro narrativas, haicais, salmos, e uma infinidade de frases de efeito utilizadas em livros de autoajuda, por exemplo. É claro que ler um texto na tela de um celular, antes dos aparelhos ganhar um aumento no ganho de tela, era um sacrifício. Mas, com a melhora na legibilidade das écrans, tornou-se possível, por exemplo, usar esta tecnologia básica para a divulgação de livros e escritores.

Mesmo não sendo tecnologicamente possível o tráfego de livros inteiros utilizando a transmissão SMS, é possível utilizar-se desta plataforma já amplamente difundida para atrair a atenção de milhares de leitores antes um tanto indecisos, para não dizer perdidos, com relação a escolha do seu próximo livro.

E este é apenas um exemplo de como enxergar de um modo mais amplo o mercado de livros como um mercado de conteúdo voltado para o digital. A ideia é usar toda a tecnologia existente como um meio para se levar livros às pessoas. E os meios tecnológicos formam a interface entre os dispositivos e os conteúdos por escritores criados.

O livro, enfim, está livre

Os novos negócios para as editoras brasileiras neste sentido é, no presente, o cerne de um cenário esplêndido de oportunidades. Se, no passado, o suporte papel assumia o modo como entregávamos os nossos livros, agora esse modo de entrega se dá através de uma infinidade de écrans em uma miríade de suportes e dispositivos digitais. O livro finalmente superou a mídia, e está agora disponível para além das mídias.

E, estando livre, o livro pode ser melhor explorado por escritores, editoras e leitores. A exploração comercial, por sua vez, pode alcançar um patamar de audiência nunca antes atingido pelo mercado editorial convencional, que sempre se restringiu e limitou-se a logística de um suporte caro, pesado e inacessível. Muito pouco democrático, inclusive para as pequenas editoras.

Neste cenário do livro além do livro, o maior desafio é manter a escala de consumo dos títulos digitais acima da média em número de exemplares comprados, já que o preço de capa das obras estará abaixo dela. Superadas às limitações técnicas, de bibliodiversidade, de política precificatória, o eBook terá finalmente se consolidado como uma mídia rica, e interativa, em todos os sentidos para o leitor final.

Publicado originalmente em Revolução eBook | 08/09/213

PHORTETV entrevista Ednei Procópio


PHORTETV entrevista Ednei Procópio

PHORTETV entrevista Ednei Procópio

Caçando mitos


O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 10 | POR EDNEI PROCÓPIO

Mesmo depois de mais de uma década após o livro eletrônico ter iniciado sua trajetória rumo a conquista de leitores, e depois de algum tempo ter finalmente não se popularizado, mas entrado finalmente na pauta das editoras, ainda paira sobre o mercado editorial como um todo dúvidas bastante cruciais à respeito do assunto. É até de certo modo natural haver um nível de equívocos frequentes em torno dos eBooks, mas mesmo esta frequência depois de algum tempo vem se tornando um tanto corrosiva.

Uma vez que a Revolução dos eBooks avança a passos largos, muitas vezes não temos o tempo hábil de maturar as informações que nos chegam diariamente sobre o tema. Selecionamos aqui algumas e verificamos também alguns pontos afim de tentar ajudar a elucidar ou a esclarecer, antes que as distorções criem raízes e se tornem como mitos.

O livro eletrônico vende mais que o livro impresso

Se, neste estágio inda inicial de digitalização das mídias, o livro eletrônico vendesse realmente mais que os livros impressos, eu, por exemplo, talvez já teria me tornado um milionário.

Para desmistificar a informação de que o livro eletrônico já venderia mais que títulos impressos, o primeiro exercício que precisamos praticar é ou isolar a Amazon de um contexto global do mercado editorial, ou inseri-la de vez em um contexto ainda mais amplo, sem perder de vista o fato de que a gigante ponto.com não comercializa apenas livros, impressos ou eletrônicos, mas um número crescente de outros produtos e serviços dispersos em diversas áreas.

AmazonÉ fato que neste período atual a Amazon, isoladamente, vende mais unidades digitais que impressas, mas a empresa não divulga a diferença que haveria no lucro existente entre os dois formatos. Mesmo vendendo mais unidades digitais que exemplares impressos, precisamos pensar em quanto o montante dos eletrônicos representa no faturamento total dos livros para a empresa de Jeff Bezos; e o quanto este montante representa dentro das editoras que abastecem aquele acervo. No máximo 30% de faturamento as vendas dos eBooks trazem para as editoras americanas que já estão de certo modo há algum tempo mais acostumadas a explorar comercialmente este nicho.

Sim, comparado ao mercado de apps, músicas e vídeos, o eBook ainda encontra-se em um nível considerado nicho.

No geral, olhando para o mercado interno, no entanto, o livro eletrônico ainda não vende mais que os livros impressos por uma simples razão: aqui no Brasil nós temos cerca de 300 mil títulos impressos sendo simultaneamente comercializados. O número de títulos em versão eletrônica chega pela primeira vez à casa dos 20 mil títulos apenas no segundo semestre de 2013. Se chegar, pois há forte pressão para que as casas editoriais brasileiras o façam, mas elas ainda estão bastante reticentes, para não dizer assustadas, indecisas.

Só para se ter uma ideia, em uma determinada livraria online de São Paulo, por exemplo, com faturamento na venda dos livros impressos superior a uma de suas lojas físicas, o eBook representou em 2012 apenas cerca de 0,05% das vendas.

O faturamento do mercado editorial tradicional é da casa dos 4 bilhões. Com a venda dos títulos eletrônicos, o mercado em 2013 não alcançará 3% deste mercado interno.

O livro eletrônico é mais barato que o livro impresso

O livro eletrônico não é mais barato que o livro impresso. Nem com relação ao seu custo de produção, nem em relação ao preço de capa para o consumidor final [embora, neste último caso, até devesse ser].

A produção tanto dos títulos em versão impressa quanto dos títulos eletrônicos envolvem custos com processos como a seleção de originais; a preparação de texto, ou o copidesque; a revisão [onde o texto original às vezes passa por duas ou três revisões]; a pesquisa de imagens para o miolo e até para a capa do livro; o desenvolvimento de ilustrações, imagens, gráficos ou tabelas; ISBN; Ficha Catalográfica e fechamento dos arquivos.

O custo entre os dois formatos só se diferencia quando há a necessidade ou a decisão da impressão. E aqui haveria custos com tinta, papel, transporte, logística, etc. No caso dos títulos eletrônicos os custos logísticos envolvem a validação dos arquivos para determinadas plataformas, às vezes até uma nova conversão, e o cadastro dos títulos nos canais de vendas [e, como consequência, o manuseio dos metadados]. Ou seja, embora no caso dos eBooks não haja os custos de impressão, há custos envolvidos de trabalho/hora até que o título esteja disponível para o público consumidor.

Embora hoje o leitor esteja disposto a pagar por um preço mais acessível pelo livro eletrônico é fato que, neste estágio mais acelerado das digitalizações, alguns canais de venda e distribuição cobrem dos detentores do conteúdo o mesmo percentual dos livros impressos. Ou seja, o percentual sobre a venda está baseado em uma conta qualquer que alguém fez para o livro impresso. Como editor é preciso cautela na hora de negociar com estes canais.

Portanto, nesta fase, há uma diferença entre reconhecer a cultura do preço acessível imposto pela Internet, influenciada por sua vez pela chamada freeculture [sem falar na tal da pirataria], e os custos reais de produção, hospedagem segura e a comercialização dos livros eletrônicos. Embora a tecnologia tenha avançado a níveis sólidos na redução dos custos, depois aplicação da chamada Cloud Computing [computação em nuvem], ainda assim o livro eletrônico gera muitas vezes custos tão marginais que só podem se observados e reconhecidos quando há um volume de produção, conversão e comercialização muito bem registrado em planilhas financeiras.

Pense bem, porque a Amazon entraria no mercado de hospedagem? Pelo simples fato de que ela não estava conseguindo bancar seus próprios servidores. Foi assim que a companhia resolveu repassar os seus custos de hospedagem para o mercado. E o mercado, claro, está pagando como se não houvesse vantagens com hostings antigos como Locaweb, UOLHost, etc.

Amazon, Apple, Google e Kobo formam a Internet dos livros

Big players como Amazon, Apple, Google e Kobo formam em conjunto uma rica fonte de consumo de livros eletrônicos; ainda assim elas não são as únicas empresas que compõem o universo todo de opções de acervos, bibliotecas e repositórios de livros na Internet.

Na realidade, a própria Internet em si é a única, a maior e verdadeira biblioteca dos livros. Por maiores que sejam as empresas cujas plataformas somam hardware, software e conteúdo em um único sistema de convergência cultural e tecnológica, ainda assim elas não são maiores que a soma da própria Internet como provedora do maior acervo de livros da história da humanidade.

É necessário levar em conta que ferramentas digitais estão cada vez mais próximas do usuário comum, o que torna democráticos os processos de publicação, comercialização, distribuição de livros eletrônicos através da rede, independente das big datas. Com isso há inúmeros outros canais que disponibilizam conteúdo literário, que se quer aparecem na primeira página do resultado de busca.

Neste sentido, está mais do que na hora de a Yahoo! ou A Microsoft dar uma resposta e uma alternativa para não ficarmos escravos de uma única search engine. Nada contra, é apenas um modo de sempre me ver livre, já que vivemos em um mundo redondo preso a uma única órbita gravitacional.

Mas o universo é grande demais!

A Amazon, por exemplo, para alcançar o impressionante volume de títulos em seu acervo, teve que revelar um processo canibal de negociação junto às editoras que, por conta da atmosfera da urgência criada, algumas vezes não conseguiram enxergar o verdadeiro negócio por trás da plataforma Kindle.

Google vs. AmazonA Google, por sua vez, possui um diferencial à partir de seu próprio buscador que a mantém quase que onipresente mesmo quando concorre com seus rivais mais próximos. E somente este mecanismo já a torna um gigante imã de audiência. Mas, se recuássemos no tempo, teríamos a Google com o seu projeto de digitalização e indexação de obra que, lá atrás, prometia nunca vender os livros, mas que hoje se comporta [com o perdão da expressão] como um cão correndo atrás do próprio rabo.

Já a Apple trouxe para um mercado acostumado com tudo de graça na Internet, a opção de rentabilizar toda uma cadeia de valor, e que atrai para si própria um conteúdo de relevância e popularidade. E faz disto um de seus pontos mais fortes.

Em geral, a audiência [de leitores em busca de livros] se concentra onde o produto, o preço e a praça se convergem para o consumidor final. Portanto, é preciso cautela em conclusões baseadas apenas no recorte de um cenário que se alterna a todo o instante. Por exemplo, a audiência de alguns destes citados players poderiam se afugentar caso alguma startup criasse um modo seguro e barato de circular eBooks dentro da rede social Facebook. E este é apenas um exemplo de como a própria Internet se molda conforme a audiência e a relevância com que milhares de conectados percebem e consomem bens digitais através da grande rede, não fora dela.

O ePub é o formato padrão dos livros eletrônicos

ePub Infelizmente, o formato ePub ainda não se tornou o padrão de mercado para os livros eletrônicos. E muitos são os motivos. Historicamente, o mercado editorial aprendeu a formatar e a diagramar o bom e velho PDF. Talvez, no futuro, o mercado finalmente aprenda a conviver com a ideia de um padrão baseado em um consórcio livre. Por enquanto, nesta fase de aceleração das conversões, o que temos é uma lista de problemas que envolvem desde o custo que não baixa por mais que o mercado tente; passando pelas questões de adaptação de cada livro, até chegar na questão da validação.

A Amazon, quando chegou ao Brasil, teve problemas inúmeros com a qualidade dos ePubs oferecidos por uma certa distribuidora. Na maioria dos arquivos havia erros básicos que dependiam tecnicamente do manifesto obrigatório que reconhece o formato como um padrão. Havia problemas com hifenização, problemas com links, imagens, tabelas, etc. E havia mais um problema dentro da própria Amazon que tentou reutilizar os arquivos ePub numa conversão interna para arquivos .mobi lido pela maioria das versões de hardware e aplicativos da plataforma Kindle.

A ideia de se criar um formato padrão para o livro eletrônico nasceu em meados do início da década de 2.000, quando a maioria das empresas que estavam trabalhando com os livros eletrônicos resolveu criar e utilizar extensões proprietárias em seus projetos. A Microsoft, por exemplo, utilizava o formato LIT, lido com o aplicativo MS Reader. A Adobe avançava com a extensão PDF, que era lido no aplicativo Adobe eBook Reader. A Palm utiliza a extensão PRC [e até PDB] em seu Palm Reader. A empresa francesa Mobipocket utilizava a extensão MOBI em seu projeto multiplataforma Mobipocket Reader, o primeiro a rodar em diversos ambientes e que, ironicamente, mais tarde, depois de ser comprado pela Amazon, passou a ser lido apenas através da plataforma Kindle. E a extensão .mobi tornou-se um dos maiores erros da Amazon quando o assunto é extensão de arquivos de livros. A Amazon sabe, ela teria economizado tempo e dinheiro se houvesse simplesmente adotado as extensões ePub, PDF e HTML.

HTML5E, por falar em HTML, existem ainda outras questões a serem discutidas com relação a este outro padrão [também baseado em um consórcio livre], que poderia eventualmente num futuro próximo subverter formatos que atualmente o incorporam fisicamente em um empacotamento, como é o caso das extensões .ePub e .mobi. Isto poderia ocorrer por estes arquivos em particular esconderem em suas espinhas dorsais conteúdos hipertextuais. A questão que se discute é, porque ao invés de empacotar conteúdo criado e desenvolvido com linguagem de marcação, já não se utiliza o próprio HTML dentro dos aplicativos e softwares voltados aos livros eletrônicos?

É preciso mais do que coragem para admitir que a extensão padrão ePub perde, se o caminho for o livro-aplicativo que utiliza, além da semântica da linguagem de marcação HTML, usa também outras linguagens de programação que enriquecem o livro e que vão bem além na utilização de hardwares quando se transformam em aplicativos ricos, dinâmicos mas presos em soluções muitas vezes proprietárias.

É preciso haver uma melhor dinâmica tanto na aceitação da extensão ePub pelo mercado, quanto no desenvolvimento do formato para que esse cresça em utilização e torne-se realmente um padrão para todo o mercado. Caso contrário, o HTML5 se tornará a grande pedra no caminho dos livros eletrônicos.

O futuro do livro é ser um aplicativo

Eis outro mito que precisamos exterminar. O livro do futuro não será um aplicativo. O livro eletrônico do futuro, se observadas às prerrogativas básicas da utilização do prefixo ISBN, que diz qual material textual é efetivamente um livro, pode ser desde um arquivo simples, sem marcação, em formato TXT [que pode ser interpretado por um aplicativo]; mas pode também ser uma rica enciclopédia online com textos, sons e imagens. Ou seja, pode haver qualquer aplicação para o liro no futuro, desde que este utilize o prefixo ISBN para identificá-lo frente a infinidade de conteúdos existentes e disponíveis.

Atualização do aplicativo iBooks pretende deixar leitura de livros digitais ''mais interativa''

Aplicativo iBooks pretende deixar leitura de livros digitais ”mais interativa”

Agora, quem determina se um livro será ou não um aplicativo é a sua utilização em si, o seu propósito, não a fetiche hoje existente pela tecnologia. Por exemplo, há textos mais simples como contos, poesias, crônicas, novelas, que não precisam estar fisicamente acoplados a aplicativos com recursos hipermídias e que podem ser acessados, lidos, em sistemas mais simples. O fato de alguns livros necessitarem de recursos hipermídia, como será em breve provavelmente o caso da maioria dos livros didáticos que, por sua natureza intrínseca, necessitam de recursos de ilustrações diversas, isto não quer dizer que todos os livros devam transformar-se em algo multimídia ou em um game.

Se faz necessária uma avaliação não só de conteúdo que, na maioria dos projetos, não está a mão quando se precisa, mas também uma avaliação técnica que torna muitos projetos de livros-aplicativos um engodo se o objetivo é fazer o produto rodar em diversas plataformas.

Pois os livros-aplicativos não poderão rodar simultaneamente em diversas plataformas, pela própria natureza tecnológica; somente rodarão naquelas plataformas sob a qual foram desenvolvidas. Enfim, cada texto da obra, cada livro pede um tipo de aplicação diferenciada para que possam ser finalmente acessados pelos leitores.

Tablets, smartphones e e-readers não as únicas opções para a leitura dos eBooks

Segundo pesquisa divulgada no início do segundo trimestre de 2013, realizada pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada, pertencente à Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas [FGV], o Brasil tem três dispositivos computacionais para cada cinco habitantes. Segundo o estudo, a quantidade de computadores existentes e utilizados no país alcançou a base instalada de 118 milhões [somados os equipamentos domésticos e corporativos]. Ainda segundo mesmo o estudo, a projeção para 2016 é que haja uma base instalada de 200 milhões de unidades de dispositivos computacionais, cujo crescimento é impulsionado pelas vendas de 22,6 milhões somente no ano de 2013.

Com a miniaturização dos microchips, com o advento da computação pessoal, coma democratização geral e irrestrita da tecnologia da informação, o número de artefatos, gadgets e produtos voltados para o consumo de conteúdo digital vem crescendo e se expandindo. Outras opções vão desde aparelhos de DVDs portáteis, monitores de LCD ou plasma, televisores com conversores digitais embutidos; passam pelos games portáteis como a linha PlayStation Portable, da fabricante Sony, ou pelas edições portáteis da Nintendo, entre outras opções; e chegam até as linhas de laptops, notebooks, netbooks, ultrabooks e por aí vai.

Uma vez que a cultura digital contribui com a desmaterialização dos filmes, que hoje não necessitam obrigatoriamente de mídias em CD, DVD ou BlueRay; e das músicas que não necessitam obrigatoriamente das fitas K7, do vinil ou da mídia CD para serem consumidas; os livros igualmente também passam pela desmaterialização da mídia papel para serem consumidos.

E-readers perdem espaço para os tablets e smartphones

E-readers perdem espaço para os tablets e smartphones

Embora os aplicativos desenvolvidos para a leitura dos livros eletrônicos ganhem maior legibilidade e portabilidade em e-readers, tablets e smartphones, o livro eletrônico está livre para ser acessado e consumido em inúmeras possibilidades de telas que antigamente passou por suporte como  paredes das cavernas, tablets de argila, folhas de papiro, peles de animais e até pedaços de bambu; e hoje avançam para serem lidos em telas que se adaptam ao horário e local onde o leitor esteja apto e disponível para a experiência. Estes novos suportes poderão oferecer a experiência da leitura em telas de um relógio digital de pulso, passando por um óculos e podem chegar a uma lousa digital em uma sala de aula do futuro.

O futuro do mercado editorial é o Self Publishing

Os mitos se avolumam quando um mercado antes dominado pelos barões da mídia, hoje está nas mãos de um exército de reserva de empreendedores que assumiram o controle do futuro dos livros. Dentre os novos empreendimentos estão àqueles ligados às chamadas edições de parceria, cujos custos das produções são pagos por parceiros de fora deste empreendimentos editoriais.

Um desses parceiros financeiros pode, lógico, ser o autor. Mas o chamado autor independente não é aquele que paga pelas publicações. Autor independente é aquele profissional da escrita que não mantém uma exclusividade com um único selo editorial. Podendo ou não custear a publicação de seu trabalho sem estar obrigatoriamente preso a um grupo ou selo editorial.

A independência desses novos autores não se restringe a questões financeiras. Dois pontos são cruciais a serem desmistificado quando o assunto é o Self Publishing. Primeiro: não importa quem custeia a publicação de um livro, se é a editora, o autor, o Governo, patrocinador externo ao mercado ou um mecenas. O que realmente importa é que o livro tenha qualidade editorial.

Praticamente metade das publicações das editoras brasileiras é custeada pelo Governo e nem por isso estas edições são chamadas governamentais. As vendas é que são governamentais e não as edições em si.

Muitas edições são custeadas por prêmios, incentivos culturais, etc. Parte das edições das próprias editoras não é por elas pago, mas é sim pago com o resultado das vendas de outros títulos do catálogo. Portanto, é correto afirmar que quem paga as edições das obras dentro das editoras convencionais não são os editores, mas os leitores e os próprios livros que dão o lucro. Se não houvesse o lucro, não haveria o custeio das publicações por parte das próprias editoras.

Apenas uma parcela menor das edições é custeada pelos próprios autores, o que não constitui em si falta de qualidade do material publicado. É necessário separar o processo de seleção, avaliação de originais e de curadoria, do processo financeiro que permite o custeio da publicação das obras. Muitos livros custeados pelo próprio editor podem ser considerados ruins. Assim como alguns livros custeados pelos autores podem ser considerados bons.

E a segunda questão tem exatamente a ver com a equipe editorial necessária para que uma obra tenha qualidade. Independente de quem custeia a publicação de uma determinada obra, a existência de um corpo editorial mínimo para a viabilização qualitativa da edição põe por terra a tese de que haveria uma desintermedição do editor quando o assunto é edição independente.

Por mais que uma edição seja independente, no sentido de que o custo financeiro é levantado fora da casa editorial, ela será sempre dependente de um corpo editorial que faça o trabalho de avaliação, leitura crítica, seleção, preparação de texto, revisão, formatação, paginação, diagramação, etc. Sem isto, uma obra não terá qualidade, independente de quem custeie a publicação.

Edição do autor é uma coisa, edição independente é outra. Na edição do autor, o próprio profissional cuida do livro; na edição independente o processo de produção é cuidado por uma equipe. Ambas as opções sempre existiram. Aliás, até a parceria financeira editora/autor também sempre existiu. O que não ocorreria, antes da era da transparência, também ocorrida com o advento da Internet, era o acesso a informação de que isto era mais comum do que se imaginava.

O que estamos vivenciando talvez seja a desintermediação do processo financeiro do custeio da obra, mas não a desintermediação dos processos de produção editorial tão imprescindíveis para a qualidade das edições. E sem as quais em breve o próprio leitor perceberá a falta de qualidade e deixará de compras os livros por conta disso. Ou seja, independente de quem paga as edições, se estas não mantiver a qualidade editorial o livro não venderá e aí a cadeia de valor do livro não fecha o seu ciclo.

Enfim, autor independente não é aquele agente presente na cadeia produtiva do livro que paga pela publicação de seu próprio trabalho. Pagar pela publicação de seu próprio trabalho é apenas uma das possibilidades econômicas de se viabilizar a edição de um livro. Não é a única e não é prerrogativa para nenhum tipo de avaliação editorial. Autor independente é aquele agente da cadeia produtiva do livro que é, antes de qualquer editor ou editora, o real dono de sua própria carreira literária. E por ser livre, independente, pode simplesmente optar por bancar o seu próprio trabalho.

É fácil controlar uma mentira, basta mistificar um fato. Se um determinado editor discordar disto, basta então ficar à vontade para bancar com recursos próprio todo e qualquer publicação que achar pertinente; já que, neste caso, para ele, nenhum autor deve se declarar realmente independente.

É difícil desconstruir os mitos

Depois de uma década após o livro eletrônico ter iniciado sua trajetória rumo a conquista da totalidade dos leitores, ainda hoje se vê o uso de informações redundantes; desinformações que são usadas para desacelerar o ritmo frenético imposto pela Revolução dos eBooks.

Informações desencontradas, sem sentido, sem nexo, são usadas por diferentes canais que tentam controlar o fluxo dos negócios através de uma influência na comunicação com o mercado. Aqueles que tentam inutilmente controlar o rumo do emergente mercado de eBooks usam de subterfúgios outrora usado no mercado dos livros impressos, mas não percebem que o mundo mudou, girou, saiu de sua antiga órbita, e que hoje existe um canal, o único de real independência, chamado Internet, que absorve qualquer manipulação, e a torna vapor barato, quase que em tempo real, tal o fluxo de conversas verdadeiras que trafegam pelas rede sociais.

Deixando de lado, no entanto, um pouco da subjetividade, na prática o que resta é o que chamo de sincronicidades, ou seja, informações reveladas verdadeiras sem que seja necessária a confirmação da fonte.

Por exemplo, não é verdade que não existe jurisprudência para o livro eletrônico no Brasil. E como resolver todas as questões jurídicas relacionadas ao livro eletrônico na região? Muito simples: utilizando-se de todas as prerrogativas da Lei de Direito Autoral já amplamente aceita e utilizada em nosso país. Dizer que a lei existente não serve é apenas uma das inúmeras desculpas que ouvimos diariamente para deixarmos de resolver questões mais práticas com relação ao tema. Neste sentido, é claro que o livro eletrônico nos trás questões jurídicas novas, mas são básicas como a questão do formato, idioma, territorialidade e prazo em um determinado contrato; e são tão óbvias as suas aplicações quanto a sua utilização nas versões das obras impressas.

Enfim, afirmam por aí que a maioria dos usuários da Internet são superficiais, que não leem os textos longos e que por isso não consumiriam os livros em versão eletrônica. Se isto fosse realmente uma verdade, e não um mito, você não teria lido este post até o fim.

O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 10 | POR EDNEI PROCÓPIO

eBooks responderam por 23% do mercado editorial nos EUA em 2012, diz estudo


A venda de e-books nos Estados Unidos correspondeu a quase um quarto do mercado de livros norte-americano no ano passado, de acordo com o estudo StatShot, da Associação Americana de Editores.

Segundo a AAP, na sigla em inglês, os livros eletrônicos geraram receita de US$ 1,54 bilhão em 2012. O valor equivale a 22,55% dos US$ 7,1 bilhões arrecadados pela indústria no período.

No formato digital, só os livros de gênero adulto [ficção e não ficção] trouxeram lucro de US$ 1,25 bilhão. O restante veio da venda de e-books infantis, juvenis e religiosos.

CEO da Amazon, Jeff Bezos, apresenta o Kindle Paperwhite, o e-reader mais recente da empresa

CEO da Amazon, Jeff Bezos, apresenta o Kindle Paperwhite, o e-reader mais recente da empresa

A AAP lembra que em 2002, quando começou a analisar o mercado de e-books, as vendas dos digitais não representavam mais de 0,05% do total do mercado editorial.

A pesquisa mostra que o segmento continua a crescer – em 2011, os e-books representavam 17% do total de livros vendidos; em 2009, apenas 3% -, mas sugere que esteja se estabilizando.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | TEC | 12/04/2013, às 17h42

Como Empreender Selos de Livros Digitais


Como Empreender Selos de Livros Digitais

Gabriel Chalita pagou R$ 1 milhão por biblioteca digital nunca entregue


Na época em que chefiava a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, o deputado federal Gabriel Chalita [PMDB-SP] pagou R$ 1,1 milhão por uma biblioteca digital que jamais foi entregue. Quase uma década mais tarde, as autoridades ainda procuram uma maneira de recuperar o dinheiro.

O negócio foi feito em 2004, quando Chalita era secretário de Geraldo Alckmin [PSDB], chegou a ser alvo de duas investigações paralelas dentro do governo. Uma delas foi enviada ao Ministério Público, que apura os prejuízos.

Compra suspeita | Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Compra suspeita | Fonte: Editoria de Arte Folhapress

Chalita também é investigado em 11 inquéritos desde outubro do ano passado, quando um ex-colaborador foi ao Ministério Público para acusá-lo de cobrar propina de empresas que vendem para a Secretaria da Educação. Ele nega as acusações.

Em valores da época, a biblioteca digital custou R$ 690 mil e foi paga de uma vez só, apenas três dias depois da assinatura do contrato. O dinheiro foi repassado a uma empresa de Miami, a E-Libro, numa transação intermediada pela Unesco, o braço da Organização das Nações Unidas para educação e cultura.

A aquisição foi feita com base num acordo de cooperação que Chalita assinara com a Unesco para viabilizar investimentos de R$ 148 milhões no programa Escola da Família, que previa a abertura de algumas escolas estaduais nos fins de semana. A biblioteca digital, porém, não tem relação com esse programa.

Por ser um braço das Nações Unidas, a Unesco não pode ser processada no Brasil. A E-Libro também não, porque fica em Miami e não tem representação no Brasil.

Chalita diz que a biblioteca digital não foi para frente por culpa de sua sucessora, Maria Lucia Vasconcelos. A Unesco diz que houve problemas técnicos, solucionados em 2006, e também atribui o fracasso ao desinteresse da secretaria.

A biblioteca digital permitiria que os professores lessem no computador quase 40 mil obras de ficção e não-ficção em inglês, 4 mil em espanhol e só 400 livros em português.

Técnicos da secretaria que investigaram a compra concluíram que ela era desnecessária, porque o governo já tinha uma biblioteca digital.

A investigação aponta que a E-Libro não conseguiu entregar uma tradução para o português do programa que ensinava a usar o sistema. Técnicos perderam mais de um ano para refazer a tradução.

A compra da biblioteca digital foi autorizada por dois dos principais assessores de Chalita, segundo a investigação: Paulo Barbosa, seu secretário-adjunto e hoje é prefeito de Santos, e Cristina Cordeiro, chefe do Escola da Família.

A investigação mostrou que havia pressa. Em e-mail enviado no início do processo a um departamento encarregado de examinar a proposta, Barbosa escreveu: “Segue nesta mensagem o site da E-libro para sua análise. Precisamos de uma resposta imediata“.

O departamento sugeriu que pedissem uma apresentação “mais detalhada” do produto, mas Barbosa contrapôs: “Já está autorizado, precisamos agilizar isso.

O então diretor da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, chegou a ser recebido na secretaria com um dos sócios da E-Libro. Um mês após o início do Escola da Família, Werthein levou Chalita para falar da experiência na sede da Unesco, em Paris. No ano seguinte a organização premiou-o pelo programa.

POR DANIELA LIMA, MARIO CESAR CARVALHO e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO | DE SÃO PAULO | Publicado originalmente e clipado à partir de Folha de S.Paulo | 08/04/2013, às 03h30

O livro além do livro


Depois que a Internet, a mídia das mídias, transformou drasticamente as indústrias de telecomunicaçoes, entretenimento, música, jogos, cinema, e o modo como assistimos tevê, ouvimos rádio e lemos jornais e revistas, o artefato livro é a última fronteira na digitalizaçao dos meios de comunicação.

As oportunidades que podem ser exploradas ao redor de um novo universo que surge com a digitalização dos livros são inúmeras. Mas qual seria o segredo no entanto por trás do sucesso de alguns empreendimentos voltado aos eBooks? E a resposta é, antes de tudo, ter a compreensäo exata das ferramentas de distribuição digital dos novos tempos.

E como compreender, e romper, as barreiras e a urgência impostas pelos novos modelos de negócios da Era Digital? Atualizando-se em espaços criativos como os oferecidos pelo Congresso Internacional do Livro Digital [congressodolivrodigital.com.br], evento seminal promovido pela Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Johannes Gutenberg [1398 - 1468], que aprimorou para o Ocidente a prensa de tipos móveis, e possibilitou com a sua invenção que a manufatura de um novo produto cultural fosse rapidamente popularizada, criando mais tarde toda uma cadeia de valor, certamente poderia estar entre os convidados das mesas e debates. Mas, como um bom empreendedor, gráfico, editor e ao mesmo tempo livreiro, o gênio alemão ficaria entusiasmado tanto com as inúmeras possibilidades de circulação dos livros, quanto pelas perspectivas de conversas em torno do tema se simplesmente acompanhasse as atividades do evento.

Com uma boa dose de senso crítico, e com a ajuda de novos métodos de curadoria de conteúdo, é possível hoje por exemplo ter um livro publicado simultaneamente para diversos hardwares [desktops, ultrabooks, tablets, e-readers, smartphones], sistemas operacionais [Windows Phone, iOS, Android] e formatos [ePub, PDF, MOBI, HTML5]. As novas agências editoriais que estão nascendo com o eBook, estão permitindo a publicação de obras baseado em novos modelos também precupados com a qualidade, acabamento, design e divulgação para obter audiência, acesso e consumo das obras.

Com a democrarização das tecnologias é possível hoje manter uma pequena agência editorial, enxuta, com um fluxo de caixa mínimo na casa dos cinquenta mil reais, mas com uma rede interessante por volta dez colaboradores externos, todos recebendo no regime de free lancers, entre eles copidesques, revisores, diagramadores, capistas, programadores, designers, etc.

Com uma equipe multidisciplinar, um investimento na casa dos três zeros, uma boa ideia, é possível até criar aplicativos, mashups, sites baseados em redes sociais e uma infinidade de canais para a venda, troca, circulação, distribuição e publicação dos livros eletrônicos. Que podem passar por plataformas integradas às redes de metadados, cloud computing, social e mobile commerce, e nas API’s das soluções robustas de empresas como Amazon, Adobe, Google, disponíveis se o empreendedor souber o que está buscando, e se procurar as soluções no lugar certo.

Mas qual é o lugar certo e para que lado empreender, se os desafios postos são na verdade gigantescos e a própria democratização das tecnologias criou paradoxalmente uma fila de startups concorrentes? A resposta está nas entrelinhas das conversas que podemos trocar e ouvir com pessoas interessadas no mesmo tema.

A Câmara Brasileira do Livro, uma das mais importantes e influentes entidades do livro na América do Sul, vem liderando e propiciando debates e conversas à respeito dos eBooks quando se propõe juntar, em dois dias do próximo inverno de São Paulo, a cidade da garoa, as cabeças pensantes de um novo mundo conectado. Os desenvolvedores que põem a mão na massa dentro dos mais adiantados players mundiais estarão presentes demonstrando seus cases para uma plateia de verdadeiros antenados, uma vez que o evento terá transmissão via streaming e através das mídias digitais.

O Congresso Internacional do Livro Digital em sua quarta edição, com o tema ‘O Livro Além do Livro’, se torna um espaço compartilhado de ideias e conversas que podem nos ajudar a pensar melhor nossas carreiras como escritores, como editoras, agregadores de conteúdo, sistemas middleware, livrarias online, estantes digitais, distribuidoras, etc. É uma opção bastante oportuna não só para os jovens e estudantes que buscam conhecimento de como turbinar e gerar novos networks, mas também para aqueles que pretendem empreender negócios com os eBooks e, claro, produzir bom conteúdo em forma de livros.

Nos vemos lá!

Por Ednei Procópio | Publicado originalmente em TI INSIDE | 29/03/2013, às 18:50

Uma solução para livros didáticos eletrônicos baseada em Mozilla OS


O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 09 | POR EDNEI PROCÓPIO

Mozilla Firefox OS

Se faz mais que necessária a criação de alternativas para o emergente mercado de livros eletrônicos. Embora tenhamos hoje uma boa gama de reading devices disponíveis aqui no Brasil, e no mundo [incluindo ótimos aplicativos], ainda assim a oferta de plataformas baseadas em softwares open source para serem trabalhadas por iniciativas independentes são praticamente nulas.

Para as pequenas e médias editoras que pretendem publicar e comercializar eBooks didáticos, o que temos hoje no mercado são tecnologias praticamente excludentes, caras, sem falar na limitação técnica e financeira da maioria dos projetos existentes, baseados quase sempre em caminhos sem volta das big players [Amazon, Apple, Google, etc].

Embora pareça haver alternativas sem fim, há interesses em jogo que mais atrapalham o crescimento do mercado, não somente no que diz respeito a expansão dos limites de leitores, mas também no que tange a própria tecnologia que fora criada exatamente para romper barreiras [mas que hoje, pelo contrário, cria novas barreiras, as digitais, contraditórias, concorrentes, caras e que não são confiáveis pois podem sair do ar se as "bigs" assim decidirem].

Nem todo projeto de código aberto é realmente um projeto de código aberto, como diz o pessoal da própria Mozilla. Um exemplo é o inicial projeto Android que acabou recebendo um grande aporte importante da Google e acabou por transformar-se em um dos principais imãs de negócios daquela corporação. A Google, cujo poder de inovação ultrapassaria os limites da aceitação, hoje vê-se se intrometendo em negócios voltados para conteúdo onde, na verdade, nunca deveria estar pois concorre diretamente com o próprio mundo que a mantém viva. Vamos ver quanto tempo isto vai durar, Google!

Felizmente agora temos mais uma alternativa interessante aos sistemas proprietários da Google, Microsoft, Apple e BlackBerry, etc. Trata-se do Firefox OS que mantém licenças de código aberto e tecnicamente obedece a uma estrutura profissional de dar inveja às citadas bigs. A ideia do Mozilla é criar uma alternativa aos sistemas operacionais para smartphones. Assim como aconteceu com o Android, e com o famigerado iOS, será rápida também a utilização dos sistemas em outros dispositivos tecnológicos como e-readers e tablets. Estou certo disto, confio no radar dos chineses.

Enquanto isso, por aqui, o Governo brasileiro, através do FNDE [Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação], por exemplo, ao invés de dar ouvidos às grandes corporações estrangeiras, cujos sistemas são fechados, proprietários, excludentes e com interesses bastante comerciais, para não dizer, exploratórios, poderia dar mais ouvido às iniciativas de soluções baseadas em códigos abertos [como o HTML5 e Mozilla Firefox OS, por exemplo]. O Governo, claro, não sabe, pois perde mais o seu tempo recebendo oportunistas em sua sede; mas a dobradinha HTML5/Firefox vai certamente enriquecer ainda mais as possibilidades de criação de livros didáticos e educacionais com recursos hipermídias.

De qualquer modo aqui vai mais uma previsão nossa. Em breve, será lançado uma solução de leitura de livros eletrônicos baseado em sistema Mozilla Firefox OS, usando o código padrão HTML5 para criar livros arrasadores. Quando isso ocorrer, iremos relembrar por aqui.

Só lamento não estar no Porto Digital ou no Vale do Silício; seria um prazer encabeçar um projeto de livros didáticos eletrônicos baseada nesta nova iniciativa da Mozilla. Criar uma plataforma baseada em código aberto é a solução para um Governo que se deixa infiltrar-se por empresas estrangeiras; que não estão interessadas no conteúdo educacional mas sim em concentrar ainda mais o seu  império de magnatas da infiltração.

O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 09 | POR EDNEI PROCÓPIO

Os Autores e os Ambientes Digitais


Palestra “Os Autores e os Ambientes Digitais: Como publicar no formato digital“, ministrada por Ednei Procópio durante o 13º Encontro de Férias HUB/SBS Tecnologia e Educação: desconstruindo mitos e receios. A palestra foi ministrada no dia 17 de fevereiro de 2013 no Instituto Cervantes, em São Paulo.

De olho na telinha


De olho na telinha

Publicado originalmente e clipado à partir de Correio Braziliense | 12/03/2013

Inscrições abertas para o 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


4º congresso Internacional CBl do Livro Digital

Curso | A Revolução dos Livros Digitais


Escola do Escritor

Muito se tem falado sobre a chegada de empresas como Google, Kobo, Copia e Amazon ao Brasil. As plataformas que esses players oferecem podem no entanto estar mais próximas do alcance do autor do que ele possa imaginar. Mas é preciso preparar-se.

Pensando em desmistificar um tema aparentemente complicado, a Escola do Escritor desenvolveu um curso especialmente para autores que desejam saber mais sobre esse novo meio de edição e publicação dos livros.

Ednei Procópio, um dos maiores especialista em livros digitais do País, junta arte e tecnologia em um curso inspirador, voltado para quem gosta das histórias por trás da História; mas também para quem pretende entrar na Era Digital através dos livros.

Venha aprender como a sua obra pode estar ao mesmo tempo em diversas mídias e porque o livro se tornou alvo das maiores empresas de tecnologia do mundo e, portanto, o artefato cultural mais influente da História.

O Conteúdo

• O que é um Livro Digital
• A História dos Livros Digitais no Brasil e no Mundo
• A Cadeia Produtiva do Livro Antes e Depois dos eBooks
• A Questão dos Hardwares [smartphones, tablets, e-readers, etc.]
• A Questão dos Softwares [Android, iOS, Windows Phone, etc.]
• A Questão dos Formatos [PDF, ePub, HTML5 e o livro-aplicativo ou enhanced books]
• A Questão da Conversão, Digitalização e Produção dos eBooks
• A Gestão de Catálogo e Conteúdo [Publicação, comercialização e distribuição dos livros digitais.]
• A Gestão dos Direitos Autorais

Quem Pode se Beneficiar do Curso

O curso se destina a todos os interessados em livros eletrônicos; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Incluindo profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

Anote na agenda

A Revolução dos Livros Digitais
Quando: 23 de fevereiro de 2013, sábado
Carga horária: 6 horas
Horário: 9h00 às 15h00
Valor único: R$ 170,00
Lotação: 20 vagas

Sala de aula

Rua Deputado Lacerda Franco, nº 253
CEP 05418-000 – Pinheiros, São Paulo, SP
Metrô Faria Lima – Saída Teodoro Sampaio

Escola do Escritor
escoladoescritor@escoladoescritor.com.br
http://www.escoladoescritor.com.br
Telefone: [11] 3032-8300

Plataformas oferecem a terra prometida como solução para os eBooks


O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 07 | POR EDNEI PROCÓPIO

Há algum tempo, estive visitando uma editora, média, bem maior que a minha Livrus, e conversando a respeito das plataformas de edição e circulação de eBooks. Em minha análise eu defendia que, estas plataformas que hoje parecem a única opção para o livro digital, no futuro elas seriam como as atuais soluções para mensagens eletrônicas, disponíveis aos montes, de graça e compatíveis com a lógica da interoperabilidade tecnológica.

Em poucas palavras, elas serão open source.

Para uma melhor compreensão de minha tese, eu defendia haver uma diferença básica, e uma necessidade urgente de separação, entre uma plataforma usada para editar os livros digitais, e as demais usadas para a comercialização das obras. Elas podem até estar integradas, mas devem ser independentes. Caso contrário, livros produzidos em uma determinada plataforma não poderiam ser comercializados em outra.

Kleverbook

O Kleverbeast [www.kleverbeast.com], para confirmar minha tese, é o exemplo de uma plataforma que permite a criação de livros, que são convertidos não para formatos ou arquivos independentes, livres, como os ePubs; mas permite a criação de eBooks como se estes fossem verdadeiros aplicativos. O que a gente chama de livro aplicativo. Ou seja, o conteúdo e o software estão intimamente ligados a uma única aplicação que não podem ser separados e que, por conta disso, são naturalmente incompatíveis com diversos outros sistemas de leitura hoje disponíveis.

E este conceito, é importante, não pode ser confundido com a proposta da HTML5, que defende a independência do conteúdo.

Escravo de si próprio

É ainda raro, infelizmente, encontrar uma boa plataforma para a específica tarefa de edição de livros digitais, e que depois permita a saída [output] para os formatos mais convergentes do mercado. O que se encontra por aí são softwares instaláveis, offlines, usados para a conversão de conteúdo digital, que não validam ao mesmo tempo os arquivos automaticamente. Do mesmo modo, existem algumas plataformas que prometem certa integração entre a conversão e edição, e a circulação ou distribuição do conteúdo; mas que, na verdade, quando se edita livros através destes caminhos os conteúdos ficam presos à plataforma e ao seu leitor específico.

O Kleverbeast é uma aplicação 100% online, o que já aponta uma tendência irreversível. No futuro não teremos mais que instalar softwares para converter, criar e editar os nossos livros. Poderemos fazer isto no modo online. O Kleverbeast permite uma edição rica, muito interessante na parte estética, e o selo editorial pode circular o aplicativo por ele criado tanto através da plataforma da Apple [que roda através do sistema iOS] quanto na plataforma da Google [baseado em todo o sistema Android]. Mas o que parecia ser uma alternativa, pode passar a ser um engodo.

O Kleverbeast, embora permita a criação, edição e publicação de livros, ele não permite, a exportação do livro em si para extensões de arquivos como PDF, ePub, HTM5, MECDaysi, etc. Sem estes arquivos, livres, independentes de plataformas, se torna impossível a livre circulação da obra em outros canais de vendas como Amazon, iBookStore, Saraiva, Cultura, Iba, Copia, etc. Ou seja, com o Kleverbeast o livro fica preso aos canais iTunes e Google Play, respectivamente, com uma ótima audiência, é claro, mas ao mesmo tempo com uma concorrência avassaladora para os próprios livros quando comparada à audiência dos games, vídeos, apps, etc.

Perceba o seguinte, em breve o Kleverbeast tenha talvez de ser obrigado a dar suporte a outros sistemas como o Windows 8/Phone, ou mesmo para o mais novo sistema BlackBerry, caso estes ganhem espaços entre os hardwares preferidos pelos consumidores. Isto quer dizer que é impossível uma plataforma de edição acompanhar todas as mudanças diárias do universo digital em ampla expansão das opções. É mais lógico cada um dos módulos disponíveis nessas plataformas [conversão, validação, distribuição, comercialização, leitura, etc.] se bastarem em si quando se tratar de edição de livros.

O software como commodity

É claro que plataformas como a Kleverbeast permitem que livros, ricos, sejam criados e adaptados às telas de smartphones e tablets. Os livros ficam bem bonitos de se ver, de se folhear, de se ler. Para artistas independentes, que curtem criar livros de arte, o Kleverbeast é perfeito. Mas, para os selos digitais, é preciso não esquecer de que tão importante quanto à qualidade na edição do próprio livro, é ficar atento também à questão da comercialização da obra, que está intimamente ligado aos modelos de negócios das novas editoras virtuais.

A plataforma Kleverbeast ainda está em modo beta — se bem que isto não quer dizer muita coisa, afinal, o Orkut, por exemplo, ficou em modo beta até o final da sua vida. E assim ficou também para sempre o projeto Folio, da Adobe, que não saiu do laboratório mas que inspirou o Kleverbeast em seu modo de ser.

Ocorre que a Adobe está ficando lenta.

— Aliás, Adobe, além de descontinuar o Adobe Content Server, você poderia repetir aquela fórmula consagrada e comprar o Kleverbeast. Só não caía no erro de tentar integrar a solução ao Flash, como foi tentado com o projeto Folio, não vai rolar, OK?

Se bem que, se eu estiver errado, e a Kleverbeast der certo, a Adobe terá mais um concorrente direto.

Onde eu estava mesmo? Ah, sim, o Kleverbeast é licenciado em três modelos: o KB+, o KB Pro e o BK Enterprise. Um modelo de assinatura que a própria Adobe pensa em testar em breve nos seus produtos. O fato é que os selos digitais podem testar a solução Kleverbeast por um curto período de tempo, o bastante para aprender a usar as ferramentas. Ou seja, fique à vontade se a sua ideia for gastar dinheiro com uma solução que no futuro também deixará de ser commodity.

Livre[o]

Se a ideia é empreender com os livros digitais, preste muita a atenção naquelas duas plataformas brasileiras [que, por respeito as iniciativas dos amigos, não posso citar o nome], mas que prometem um visual arrasador e uma edição impecável, barata e rápida. Estas plataformas não permitem a liberdade de se criar arquivos que possam mais tarde ser vendidos em diversos canais, para uma infinidade de aplicativos e readers disponíveis.

Fuja de soluções que integram os módulos de conversão e edição, e o da comercialização ou distribuição em uma única solução. Estas opções de ‘faz tudo ao mesmo tempo agora’ podem até parecer interessante em curto prazo, mas elas se mostram ineficazes quando resolvemos futuramente mudar a plataforma. Um exemplo é o seguinte, imagine se um livro, publicado no modo impresso, só pudesse ser vendido em uma livraria física específica. Somente os leitores clientes daquela livraria poderiam acessar a obra. É isto o que plataformas como o Kleverbeast nos oferece, um mundo novo, mas todo limitado pelas cercas digitais.

O futuro do livro é ser livre. E devemos aprender a separar o joio do trigo. Uma coisa é o software que permite a conversão de conteúdo; outro é o software que permite a criação e edição dos livros. Na fase em que estamos do desenvolvimento do mercado, devemos separar estes primeiros das plataformas que permitem a distribuição dos livros; e separar também daquelas que permitem a comercialização do livro para o público final. Plataformas de distribuição que integram livrarias, todas iguais, customizadas com a terra prometida do white-label, também estão com os dias contados.

O futuro nos aponta para um horizonte de liberdade em todos os sentidos

Já vimos, por exemplo, extensões como o .PDF, que era lido no antigo Adobe eBook Reader [e o .LIT, que era usado no antigo Microsoft Reader], nascerem e morrerem por achar que o mercado editorial poderia ficar diretamente presos à canais de vendas como a antiga Adobe eBooks Central. A Adobe errou feio quando achou que poderia vender as soluções de edição, e o conteúdo através delas criado, ao mesmo tempo.

Sabemos, para usar outro exemplo, do atual poder de audiência da Amazon, mas é exatamente o que ela pensa saber o que está fazendo quando insiste naquele formato KF8. Se bem que, tecnicamente falando, a base do KF8 é a mesma usada no ePub, ou seja, o HTML. Mas, se nós deixarmos os detalhes técnicos de lado, perceberemos que até soluções de edição como aquela oferecida pela Kleverbeast não conseguem alcançar integração com a plataforma comercial Amazon, e cuja API [Application Programming Interface ou Interface de Programação de Aplicativos] é tão acessível quanto a da Google.

O fato é que nenhuma plataforma de eBook vai conseguir alcançar 100% das possibilidades existentes quando se fala em integração direta com diversos canais. Por exemplos, quantas plataformas já conseguiram integrar com a Google Play, iTunes, Amazon Kindle, ao mesmo tempo?

Nenhuma. E, para não cairmos nos erros do mercado editorial de livros impressos, o eBook precisa ser àquele que se pode ler em qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer aplicativo, em qualquer hardware. O eBook não pode e não deve ficar preso à plataformas de interesses de exploração comerciais duvidosos por mais interessantes que elas possam parecer à primeira vista.

Por exemplo, existe uma plataforma de distribuição de eBooks aqui no Brasil, que só permite a distribuição dos arquivos PDF e ePub se o revendedor fizer a integração com o seus sistema. Se, por exemplo, se eu tenho uma loja, como a Livrus.net, eu não posso simplesmente receber os arquivos separados, e usar o meu próprio sistema seguro de venda, tenho que ser obrigado a usar a integração oferecida pela distribuidora.

Deve haver aqui um equilíbrio. O ideal, finalmente, para resolver esta equação, que eu tentei defender naquela editora que visitei, é que plataformas de livros digitais tragam sim os módulos de conversão, edição, validação, publicação, circulação, distribuição, comercialização e leitura. Quanto mais opções no ecossistema melhor. Os módulos podem ser integrados, mas que sejam módulos bem delimitados e completamente independentes de si mesmos. Devem ser flexíveis, como uma peça de Lego. Só assim se será possível criar boas edições e alcançar as infinitas opções de canais de comercialização existentes.

Ou seja, pense em plataformas como a Kleverbeast como um meio e não como um fim.

O LIVRO ALÉM DA MíDIA # 07 | POR EDNEI PROCÓPIO