Archive for agosto \31\UTC 2010

E se cada livro publicado tiver um exemplar online?


Ao contrário do que se pensa, ter uma cópia online vai gerar mais dinheiro do que não ter, pois tende a aumentar a base de interessados em outros produtos.

Coloquei a polêmica no ar, ao defender o fim do livro impresso. [Comentários entusiasmados aqui e aqui.]

Provocar é bom.

Um blog é um espaço de provocação para tirar as pessoas do conforto e extrair o que pensam sobre determinado assunto.

Ajudamo-nos todos a pensar juntos e ir avançando sobre o que pensamos, já que a realidade não existe, apenas nos aproximamos dela. E quanto mais nos aproximamos, mais ampla fica.

Defendi que cada livro publicado deve ter um exemplar de graça na internet.

E acho que isso, ao contrário do que se pensa, vai gerar muito mais dinheiro do que não colocá-lo, pois tende a aumentar a base de interessados, leitores, que serão consumidores de outros produtos, que gerem valor.

Os mais reticentes vêem nesse movimento do DE GRAÇA mais um gesto oportunista do brasileiro que não quer pagar nada, da pirataria, de não respeitar o trabalho alheio.

Têm motivos, pois há muito disso, porém não é o caso por aqui. Sugiro mentes abertas para separar o mouse do teclado.

Então, como vai sobreviver a indústria [e seus trabalhadores] que produz hoje os livros impressos?

O problema é que o dar de graça para gerar valor não é algo que surgiu com a Internet.

Veja que o modelo do rádio e da televisão foram baseados justamente nessa lógica: de graça, para vender anúncio. Na época, muito capitalista achou que era um modelo fadado ao fracasso.

Como já nasceu assim, ninguém estranha. E se montou uma mega-indústria em torno dessa lógica aparentemente ilógica de se ganhar dinheiro.

E quem diria tempos depois que haveria uma tevê paga, como a do cabo? E todos pagaríamos por ela!

[De volta, o sabonete do valor, que escorrega na “banheira” social…]

Não seria um absurdo imaginar que se pagaria para ver tevê?

[Se fosse algo estatal diria-se que se caiu a qualidade para justamente vender depois algo que era de graça].

O valor, entre outras coisas, é dado por alguém que quer comprar e outro vender.

E quando se têm novas tecnologias cognitivas pela frente, o que gerava valor informacional ontem pode não gerar mais amanhã. Vide a indústria do som, incluindo a da música, que empacotava e distribuía, com seu monopólio – hoje não faz mais sentido algo assim.

O valor migrou, não a vontade de ouvir música.

O Google é o exemplo disso. É tudo de graça e é uma das marcas mais valiosas do mundo.

Vendem anúncios personalizados, que será um dos caminhos das editoras.

Se o de graça fosse loucura, teríamos que repensar o modelo da TV Globo. E ninguém pode dizer que a TV Globo é um hacker do mal, ou que está falindo por que adotou aquele modelo.

Ou seja, hoje vivemos com a cabeça que um livro custa para ser feito e deve ser pago para ser consumido.

Mas se for para a rede direto, o custo da produção será muito menor do que é hoje, certo?

Há um custo, mas o grosso do investimento – que era imprimir e distribuir – acaba. Vira-se para a outra opção, o livro de mercadoria final, passa a chamariz, para vender o que estava lá dentro: conteúdo, de outra maneira, podendo na versão de graça na rede, ter anúncios personalizados.

Livro sobre jardinagem?
Mecânica? Aeromodelismo?

Imaginem só!

Pessoas vivem dessa lógica atual de geração de valor e associam que acabar com ela é colocar gente desempregada, por causa de um “malandros que não querem pagar.”

Pior que se acha que são as editoras que resistem, mas são os próprios leitores que se sentem violentados na sua relação amorosa com o suporte que muda.

É um paradigma cognitivo que envolve quem faz e quem consome!

Porém, já se viu que há momentos em que o de graça/chamariz gera negócio, dá emprego e pode sustentar muita gente.

Ou não?

O que se deve passar agora é tentar compreender aonde está o valor dessa indústria baseada na venda de textos? [Pois não acredite no mito de que uma editora vende livros, pois isso é falso. Ninguém compra papel, mas conteúdo, ideias, informação.]

O futuro das editoras não será muito diferente do que o Google apresenta, a TV apresentou antes ou o rádio.

Veja o caso da TV Globo. Ela contrata atores, que ganham para serem do “cast” da emissora. Podem até não fazer nada, mas ganham para estar lá, uma novela aqui, um programa acolá.

Eles valem pela sua imagem.

Não é assim?

Os escritores devem seguir a mesma lógica dos atores globais.

Os escritores de best seller já têm algo parecido – só que para produzir livro. Isso vai mudar, como já está, principalmente, os que pensam sobre o mundo dos negócios, da ciência, da vida, etc?

[O caso dos romances, poemas, de arte, etc são casos particulares, que vão se perpetuar por mais um tempo, até que estes primeiros – os mais técnicos e didáticos – consolidem o novo modelo.]

Quem vai financiar estes contratos dos escritores do cast das editoras? Todos nós. As editoras estão baseadas hoje no empacotamento destes escritores em livros, que ainda vão render dividendos, mas cada vez menos.

Cada vez mais as pessoas vão querer ter contato com estes pensadores, seja em uma palestra, em um seminário, em um DVD com um tema específico.

Por vários motivos:

1. A cabeça dessas pessoas vai mudar muito mais rápido [interação, mais inputs, reflexões, etc], os livros estarão desatualizados muito mais cedo, portanto, vão perder o valor muito mais rápido. Vai se querer o pensamento da hora e não do semestre passado!;

2. O livro não permite a interação direta, como o que está pensando agora, ou o que ainda não pensou sobre um tema específico. Um pensador pode dar boas ideias em vários campos e será estimulado a pensar sobre eles, por demanda;

3. O livro pode ser copiado, perde o valor, pois pode circular nos bastidores, o autor será sempre algo sem possibilidade de cópia, ainda mais se estiver num processo de cognição constante e questionado sobre novas questões diante de uma nova plateia.

Tudo que rolar depois dos encontros é sub-produto e pode ser vendido como valor agregado.

  • DVDs para uma empresa circular para quem não foi;
  • Livros personalizados;
  • Audio-books para serem ouvidos no MP3, celulares, etc.

Quando estes “escritores” do “cast” das editoras produzirem de forma personalizada todos vão ganhar dinheiro, pois serão encontros de todo tipo dos grandes ao pequenos.

Veja modelo embrionário da O´Reilly nessa direção, promovendo seminários sobre o mundo 2.0. Já fui em um e eram milhares de pessoas! Quem quiser consumi-lo ao vivo vai pagar.

Na rede será de graça para que possa ser cada vez mais conhecido e ir ganhando status na bolsa dos palestrantes da editora de pensadores.

Se houver demanda para livros impressos, ótimo! A pessoa encomenda e recebe em casa, em dois dias.

E se for algo muito procurado, manda-se uma quantidade boa para as livrarias, que vão se tornar cada vez mais encontros entre pessoas e espaços para palestras, uma tendência, aliás.

Sim, acredito que vai ter espaço para aqueles que não abrem mão do papel [será que vão ser xingados nas ruas como anti-ecológicos?]

Os salários dos palestrantes será definido pelo número de seguidores, de valor de sua área de atuação e do quanto seus textos de graça na rede são baixados.

A rede será a ferramenta de pesquisa – de graça – para as editoras separar o joio do trigo. E tomar decisões estratégicas em quem investir.

Entra a meritocracia. Se a editora quiser apostar em valores novos, que não têm Ibope, continuarão no seu papel de “perceber potenciais”.

O livro impresso passa a ser um sub-produto de tudo isso.

E não o carro-chefe como é hoje.

O que era o único canal, agora vai passar a ser o menos valioso.

O pessoal que está preocupado com as mudanças no livro impresso, deveria, ao contrário, se preocupar com a não-inovação, pois editoras falidas não interessa a ninguém que gosta de ideias circulando!

O que pode nos levar a ver o leitinho das crianças derramado! Que dizes?

Este artigo foi escrito por Carlos Nepomuceno | Publicado originalmente em Webinsider | 31 de agosto de 2010, 17:38

Amazon expande pontos de venda do Kindle para concorrer com Nook e iPad


A rede de lojas de suprimentos para escritório Staples vai iniciar a venda do Kindle, da Amazon, no mais recente acordo para expandir a disponibilidade do leitor virtual no varejo.

A Staples vai iniciar as vendas dos equipamentos nas mais de 1,5 mil lojas a partir de setembro, disse a companhia nesta terça-feira.

Versão mais recente do Kindle, leitor de livros eletrônicos da Amazon

A Amazon, maior empresa mundial de comércio eletrônico, tem tentado disponibilizar o Kindle em um número cada vez maior de lojas para concorrer com o Nook, da Barnes & Noble, e o iPad, da Apple, buscando conquistar maior participação no crescente mercado de livros digitais.

Em abril, a Target Corp chegou a um acordo com a Amazon para vender o Kindle em suas lojas, enquanto a varejista de eletrônicos Best Buy afirmou que venderia o Nook em 1.070 lojas.

A Forrester Research estima que a Amazon tenha vendido cerca de 5 milhões de Kindles desde o lançamento em 2007, enquanto a Barnes & Noble vendeu 1 milhão de Nooks desde sua estreia no ano passado.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | Publicado originalmente em Folha.com – Tec | 31/08/2010 – 14h37

Positivo Alfa, leitor de e-books touchscreen


Aparelho de 700 reais tem dicionário Aurélio e tela capacitiva de 6 polegadas

Primeiro e-reader touchscreen testado pelo INFOlab, o Positivo Alfa pode não ter a mesma sofisticação do Kindle, mas agrada pelo conforto na hora da leitura, pela portabilidade e pelos recursos abrasileirados. Além de consultar o dicionário Aurélio para ver o significado das palavras, ele também consegue abrir arquivos ePub, o formato mais utilizado pelas editoras do país. Mas será que vale 700 reais, mesmo com o modelo da Amazon custando 550 reais, com taxa de entrega, impostos e tudo mais?

No que mais importa, o Alfa não deve em nada para o Kindle. Sua tela não é uma e-ink tradicional, mas também é de tinta eletrônica, com fabricação da empresa SiPix. Ela proporciona leitura agradável, embora seja um pouco mais escura do que o normal. O tamanho de 6 polegadas é suficiente, assim como a resolução de 800 por 600 pixels. Um diferencial é o sensor de posição, que permite reproduzir o texto em formato paisagem.

Essa tela capacitiva tem boa resposta aos comandos, mas o aparelho é muito lento em todas as operações. Em nossos testes, levou 2,4 segundos para virar uma página. Também exigiu muita paciência quando abrimos um arquivo em PDF – a aplicação de zoom numa região específica, por exemplo, demorou 6 segundos. A mesma lentidão apareceu quando digitamos textos pelo teclado QWERTY virtual.

Esse teclado serve para fazer anotações e também para buscar determinada palavra num texto. As letras têm bom tamanho e ficam bem separadas. Além disso, também é possível colocar marcadores de página, que ajudam a organizar a leitura. Para descobrir o significado de um termo, usando o Aurélio, basta selecionar o ícone do dicionário, que aparece quando você aperta o botão central do leitor. Depois, é só tocar na expressão.

Bateria decepcionante

O Alfa utiliza o hardware de uma fabricante indiana. Por lá, ele se chama EGriver Touch. Aqui no Brasil, recebeu o símbolo da Positivo e um sistema em português. Porém, alguns de seus recursos nativos foram limados, como o Wi-Fi. Como também não tem 3G, o único método para abastecer a biblioteca virtual é transferir o conteúdo por um cabo USB, usando o computador.

Outra esquisitice desse modelo é ter um sistema incapaz de executar músicas, embora o hardware possua controle de volume e conexão P2 para fones de ouvido. Esses dois itens acabam não servindo para nada. O que o leitor tem de bom são os 2 GB de memória interna e um slot para cartões microSD.

O Positivo Alfa é um dos mais leves leitores de e-book já avaliados pelo INFOlab, com 192 gramas. Ele tem 0,6 centímetro de espessura e construção em plástico preto, com textura e listas diagonais na parte de trás. Uma capa de couro bonitinha e prática acompanha o produto.

Em nossos testes, a duração da bateria ficou muito abaixo do esperado, talvez por causa da tela touchscreen. Longe da tomada, o aparelho aguentou apenas 10 horas, sem o modo de economia de energia ligado, enquanto alguns concorrentes suportaram 10 vezes mais. Nos produtos mostrados no gráfico abaixo, ficamos todo o tempo mudando de página a cada 15 segundos.

Duração da bateria em leitura [em minutos]
Barras maiores indicam melhor desempenho

Por Marco Aurélio Zanni | Publicado originalmente pela INFO Online | 30 de agosto de 2010

Saraiva lança loja on-line de livros para tablet da Apple


A Livraria Saraiva lançou, na sexta-feira [27], seu aplicativo de leitura e compra de livros para o iPad, tablet da Apple. O software grátis pode ser baixado na loja de aplicativos App Store. Ele dá acesso à livraria digital on-line da Saraiva, com 1.500 títulos nacionais e 160 mil livros estrangeiros. A expectativa, segundo Marcílio Pousada, presidente da empresa, é atingir 5.000 livros brasileiros em 2010.

O aplicativo da Saraiva para iPad é o primeiro entre as grandes redes de livrarias no país. Fnac e Livraria Cultura já comercializam livros digitais, mas as versões não são compatíveis com o aparelho.

O aplicativo levou três meses para ser desenvolvido pela equipe da Saraiva e também funciona no iPhone.

Estimamos, hoje, 40 mil iPads no Brasil e é esse público que queremos atingir“, diz Pousada. O aparelho ainda não foi lançado oficialmente no país, e a expectativa é para o quarto trimestre, embora a Apple não confirme.

A estreia da Saraiva na loja de aplicativos vem uma semana depois de a livraria iniciar as vendas dos leitores digitais da brasileira Positivo e da sul-coreana iRiver. Segundo Pousada, na primeira semana, o estoque de leitores da Positivo já está esgotado.

Publicado originalmente em Folha. com | Tec | 29/08/2010 – 07h41

Projeto da UFRJ digitaliza livros da Coleção Brasiliana


Projetos longos e complexos não são novidades na vida do historiador e pesquisador Israel Beloch, de 68 anos. Ao Dicionário histórico biográfico brasileiro [1985] cinco volumes dedicados aos principais fatos políticos brasileiros desde 1930, ele dedicou dez anos de trabalho. Há dois anos Beloch vê-se envolvido no projeto de digitalizar os 415 volumes que compõem a Coleção Brasiliana. O resultado poder ser conferido no site. Lá estão as 80 obras já digitalizadas, disponíveis em duas versões: o fac-símile da edição original e o texto correspondente com a ortografia atualizada. O portal Brasiliana Eletrônica, do qual Beloch é editor-chefe, é desenvolvido pela UFRJ  [Universidade Federal do Rio de Janeiro] com apoio do Ministério da Educação. A expectativa é completar todo o trabalho nos próximos dois anos.

Por Marco Rodrigo Almeida | Folha de S. Paulo | 28/08/2010

Twitter, blog, TV na web… tudo ajuda a manter os leitores mais próximos


Muitas editoras estão saindo de trás dos livros para mostrar o que pensam e têm usado essa e outras ferramentas para se aproximar ainda mais de seus consumidores. A L&PM é um exemplo disso. Além de ocupar o terceiro lugar no ranking das editoras mais seguidas no Twitter, com 8.435 pessoas, ela tem um site bastante movimentado e que vai além da exibição do seu catálogo. São notícias, entrevistas com autores, jogos e muito mais. Há também um blog e a TV L&PM, que transmite pela internet programas como o “Palavras de Escritor”. Esses são apenas dois exemplos de editoras que estão levando seus leitores para mais perto delas. O PublishNews vai continuar contando essas boas histórias. Por enquanto, confira o endereço do Twitter de algumas editoras. Se a sua não estiver lá, mande um e-mail para o Publishnews!

PublishNews | 27/08/2010

O tempo do livro impresso passou


Recebo de um amigo virtual a seguinte mensagem depois de ter postado isso no Twitter:

Existe algo + s/ sentido do q “Bienal do Livro”? Ñ seria “Bienal das ideias presas nos livros”? Protesto: ”Libertem as ideias!”. Concordas?

Ele me manda: Eu entendo tua posição sobre o “formato”. Mas livro é uma relação de cumplicidade, de intimidade que é difícil desqualificar. Claro que hoje eu sou adepto do debate, do aprender observando as ideias livres ao vento, compartilhamento, etc. Mas nem por isso deixo de lado o êxtase sensorial que é ler um livro sentado na cadeira enquanto tomo sol no quintal.Vamos dizer que eu sou como o cara que coleciona disco de vinil mas não deixa de ouvir MP3. Grande abraço. Rodrigo Leme, que fez a ode ao livro no blog dele.

Temos que separar algo bem importante que é o fetiche pelo livro para o que ele representa, tanto quanto opressão ou libertação.

O livro é o condutor de ideias.

Serviu a seu propósito como suporte durante muitos séculos e mais diretamente nos últimos 550 anos com o livro impresso. Em torno dele se fez uma indústria, que, a meu ver, é nociva hoje aos interesses das pessoas.

Hoje, com o suporte digital, deve-se ver o livro como algo opcional e não obrigatório. Devo poder ler tudo que quiser na rede e se quiser ter o fetiche do papel, pagar por ele.

Porém, um deve independer do outro.

As editoras, hoje, são fortes elementos conservadores na sociedade, assim como foram as Igrejas e a Monarquia na Idade Média.

Evitar que um ser humano tenha acesso às ideias de outros, a meu ver, é um disparate que deve ser combatido! Ganha-se dinheiro escondendo conhecimento! No fundo, é isso!

Antes, tinha-se a desculpa do custo, ok. Porém hoje todo livro é digitalizado para ser produzido e opta-se por não divulgá-lo em nome do lucro, do mercado, do negócio.

É insano isso.

Não vou saber algo que pode melhorar minha vida, pois não tenho dinheiro para pagar.

Pense bem nisso, de maneira geral, sem estar envolvido com o que estamos acostumados…

As editoras devem, ao contrário, sair da postura reacionária de impedir o conhecimento para ganhar dinheiro na difusão maior do conhecimento. Quanto mais ideias de qualidade, melhor para todos!

Tipo, ao invés de “vender” o autor em formato de livro, “vender” suas ideias em qualquer formato, mas sempre garantindo que um básico esteja para todos. Quanto mais as pessoas absorverem novas ideias, mas vão querer consumir novas, quanto menos, menos.

Fecha-se o mercado, quem tem interesse de abrir, pois estão fechadas na venda do suporte e não do miolo.

Problema cognitivo. Estamos tão aprisionados nesse conceito livro, como fetiche, que não vemos o quanto eles são autoritários, anti-ecológicos e excludentes socialmente.

O tempo deles passou, invente-se outra coisa. Abaixo a ditadura dos livros, que aprisionam ideias!

Feito o protesto… Que dizes?

Este artigo foi escrito por Carlos Nepomuceno | Publicado originalmente em Webinsider | 27 de agosto de 2010, 12:48

Blog mistura moda e literatura e lança campanha


Leu um livro e quer comentar sobre ele mas não sabe por onde começar? O blog O que elas estão lendo aceita pequenas resenhas. Para tal, o livro deve ser inédito no blog e deve ter sido resenhado por uma mulher. Há uma estrutura básica que facilita o trabalho e a leitura. Deve-se falar sobre o livro respondendo às seguintes questões: Por que leu este livro?, O livro é sobre…, O que achou mais interessante?, Pontos fracos?, Para quem indica? e Nota. Depois é só mandar a capa, uma foto sua e o serviço do livro por e-mail. O blog mistura literatura e moda e publica, sempre às segundas-feiras, uma dica de leitura de alguma blogueira de moda ou de beleza. Entrevistas com autores de livro de moda são postadas sempre no dia 20 de cada mês. Isso tudo faz parte da campanha “Ler é fashion”, que conta também com sorteio de livros. A Alaúde andou doando alguns exemplares e outras doações são sempre bem-vindas.

PublishNews | 26/08/2010

Cosac Naify já tem mais de 10 mil seguidores no Twitter


A Instrínseca não está mais sozinha na liderança do Twitter. Ontem [25], a Cosac Naify viu sua lista alcançar 10 mil seguidores [hoje, já tem 10.061]. Importante canal de relacionamento com os leitores dos livros que edita, é lá, também, que ela avisa dos lançamentos, indica cursos, palestras e prêmios, informa sobre as promoções e sobre os novos textos publicados no blog e faz cobertura on-line dos eventos que têm a participação de seus autores. A Intrínseca, por sua vez, é bastante ativa nas promoções e suas novidades são acompanhadas por 10.629 pessoas. Isso sem contar que é ela a editora das séries Crepúsculo e Percy Jackson, o que por si só explica a legião de seguidores.

PublishNews | 26/08/2010

E o Man Booker Prize vai para o iPhone


O Man Booker Prize é o primeiro prêmio literário a marcar presença no iPhone e no iPod touch. A partir de hoje [26], é possível baixar a app Man Booker Prize na loja da Apple. A aplicação permite conhecer os semifinalistas deste ano, os vencedores das edições anteriores e um perfil de cada jurado. Além disso, os usuários receberão informações atualizadas conforme o prêmio avança para definir seu vencedor. Já os privilegiados usuários servos da rainha Elizabeth II poderão achar as livrarias mais próximas à sua localização nas ilhas britânicas para adquirir livros que concorrem ou já foram contemplados com a nobre premiação.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 26/08/2010

Vendas on-line crescem e vendas físicas caem na B&N


Os resultados da Barnes & Noble para seu primeiro trimestre fiscal finalizado em 31/7 apresentaram um notável crescimento na Barnes & Noble.com e vendas em declínio nas lojas físicas. As vendas on-line aumentaram 42%, chegando a US$ 145 milhões, enquanto as lojas físicas da rede viram suas vendas caírem em 2%, para US$ 1,03 bilhão. As vendas nas lojas universitárias recém-adquiridas pela maior rede de livrarias norte-americana trouxeram ainda um faturamento de US$ 226 milhões, elevando o faturamento total para US$ 1,4 bilhão. No resultado geral, graças a estas vendas universitárias, as receitas da gigante livreira cresceram 21% em relação ao mesmo trimestre de 2009, mas ela sofreu um prejuízo líquido de US$ 62 milhões. De qualquer forma, chama a atenção o crescimento das vendas on-line em contraste com a queda das vendas físicas. Confira o anúncio oficial dos resultados da B&N para o último trimestre.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 26/08/2010

Amazon recebe mais encomendas por nova versão do Kindle


Versão mais recente do Kindle, leitor de livros eletrônicos da Amazon; aparelho é o produto mais vendido da loja

A varejista online Amazon.com informou que a nova terceira geração de seu e-reader Kindle recebeu mais encomendas no primeiro mês do que seus antecessores.

A empresa lançou no mês passado uma versão Wi-Fi de seu popular aparelho de leitura digital a 139 dólares, bem como um modelo menor e mais leve do dispositivo com tecnologia 3G a US$ 189, com mais memória.

A Amazon informou que começou a despachar os novos aparelhos para os consumidores na quarta-feira [2], dois dias antes da previsão original.

O Kindle continua a ser o produto mais vendido pela Amazon, segundo comunicado da empresa.

A varejista on-line não revela os volumes de vendas ou o lucro que consegue com o Kindle, que se transformou no motor de crescimento da companhia.

O Kindle enfrenta competição de uma série de aparelhos, incluindo dispositivos fabricados por Sony, Barnes & Noble e o recém-lançado iPad da Apple, com funções de leitura.

REUTERS | Folha.com | Tec | 26/08/2010 – 12h59

Estudantes adotam os eBooks


Professores acreditam que os e-books não vão substituir os livros tradicionais. Para eles, os dois irão conviver juntos. Estudantes que usam os e-books dizem que os dois tipos têm suas vantagens. Enquanto isso, cada vez mais as empresas aprimoram os aparelhos que vendem aos leitores e editoras começam a lançar e relançar obras no formato digital.

A professora de Letras da Universidade Católica de Pernambuco [Unicap], Fa­bia­­­na Câmara não acredita na substituição dos livros pelos meios eletrônicos. “Creio que não vai haver uma substi­tuição, até mes­mo porque o impresso pro­voca uma maior vontade de ler do que o formato digital. Um livro grande, como ‘Gran­de Sertão Veredas’ exi­ge concentração, que a pessoa volte a página para reler algo que precise relembrar”, compara.

A estudante Joana Turton, 17 anos, comprou um dos primeiros tipos de e-reader [aparelho para leitura dos e-books] da Sony durante uma viagem que fez aos Estados Unidos no final do ano passado. Ela já sabia da exis­tência dos aparelhos e pes­quisou preços antes da viagem. Para a garota, os e-books ajudam na leitura de livros estran­geiros. “Eu leio muito em inglês e, às vezes, é difícil achar livros em inglês nas livrarias daqui. A vantagem é que eu compro livros para o e-reader pela internet e uso para ler neste idioma”, contou Joana. Co­mo o aparelho da garota foi um dos primeiros, ela já o acha “arcaico” em relação aos mais novos.

Na Universidade Federal de Pernambuco [UFPE] o Pro­grama de Pós-Graduação em Letras [PPGL] publicou dois livros como e-books. O professor do Programa, Anco Márcio, não vê as pessoas discutindo ainda se os apa­relhos estão ficando ou não ultrapassados, como já observa Joana em relação ao que comprou. “Se o e-book vier a ficar defasado tecnologicamente com a mesma rapidez com que um PC fica, creio que o pior inimigo do e-book será o próprio e-book”, destaca o professor.

O universitário Antônio Albu­querque, 24 anos, também comprou um leitor ele­trônico no exterior, só que mais sofisticado que o de Joana. Ele trouxe da Europa um iPad, tablet da Apple, com várias funções, entre elas a de e-reader. “A expe­riência com o e-book ainda é recente. A facilidade se baseia na mobilidade: você pode carregar cem livros com o peso de dois quilos”, diz o estudante de Ciência da Computação. Antônio comprou o tablet para faci­litar nos estudos, tanto para ler, quanto para criar. “Como sou profissional da área, também comprei pelo lado pro­fissional: saber como desenvolver para entrar nesse mercado”, comentou. O universitário adqui­riu recentemente o iPad e o leva apenas para onde tem mesmo necessidade.

Márcio concorda com An­tônio na questão da comodidade oferecida pelo e-book. “A vantagem do e-book é você poder guardar em um suporte de fácil locomoção uma quantidade razoável de livros. Isso tanto facilita a vida de quem precisa viajar e levar livros na bagagem quanto de quem tem pouco espaço em casa para guardá-los”, disse Már­cio.

Por Jaime Mitchell | Folha de Pernambuco | 25/08/2010

Facebook é o “dono” da palavra book e processa site


Nem pense em criar um site cujo nome termine com ‘book’, a não ser que esteja disposto a bater de frente com a maior rede social do mundo. Saiu na Wired que o Facebook está processando um site pouco conhecido chamado ‘Teachbook’, uma espécie de comunidade online para professores. Apesar do logo e do layout do site não lembrarem nem de longe o Facebook, o que a companhia de Zuckerberg alega é que ela literalmente é dona da palavra ‘book’ quando o assunto é rede social.

Por Debora Schach | Blue Bus | 25/08/2010

Random House ganha batalha contra Andrew Wylie


A Agência Wylie vai tirar treze dos vinte títulos da lista de e-books da Odyssey Editions após chegar a um acordo com a Randon House, editora dos livros impressos. Markus Dohle, presidente e CEO da RH, e Andrew Wylie, presidente da Agência Wylie, declararam em depoimento conjunto que as duas empresas “resolveram” suas diferenças em relação aos títulos que faziam parte do programa de edição de e-books da Odyssey Editions: “Esses títulos estão sendo tirados do programa e não estarão mais à venda. Concordamos que a Random House deve ser o editor exclusivo para e-book desses títulos nos territórios onde a Random House US controla os direitos.” Segundo o Financial Times, o acordo não ofereceu nenhuma condição especial.

Por Philip Jones | The Bookseller | 25/08/2010

Livro eletrônico amplia hábito de leitura nos EUA


Muitas pessoas que compram livros eletrônicos passam a dedicar mais tempo à leitura, mostram as primeiras pesquisas sobre o assunto, num sinal encorajador para o mercado de livros. Num estudo com 1,2 mil donos de leitores de livros eletrônicos nos Estados Unidos, realizado pela Marketing and Research Resources, 40% disseram que passaram a ler mais do que com livros impressos. E 55% dos entrevistados pelo estudo, realizado em maio e financiado pela Sony , que fabrica aparelhos do tipo, acharam que vão usar o aparelho para ler ainda mais livros futuramente. O estudo analisou donos de três aparelhos: o Kindle, da Amazon, o iPad, da Apple, e o Sony Reader. Cerca de 11 milhões de americanos terão pelo menos um leitor de livro eletrônico até o fim de setembro, calcula a Forrester Research. As vendas de livros eletrônicos nos EUA cresceram 183% no primeiro semestre ante o mesmo período de 2009, segundo a Associação de Editores Americanos.

Por G. A. Fowler e M.C. Baca | Publicado originalmente em The Wall Street Journal e Valor Econômico

O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad


Durante a apresentação do iPad, em janeiro, Steve Jobs primeiro elogiou, depois humilhou o Kindle em público. Disse que a Amazon havia feito um grande trabalho, com seu aparelho e sua loja de livros eletrônicos, justamente permitindo à Apple se apoiar em seus ombros… Mas, em seguida, colocou a tela do Kindle [monocromática, fosca, “insensível” ao toque] para substituí-la imediatamente pela do iPad [colorida, brilhante, multi-touch].

Nos bastidores, Jobs ainda soltou que as editoras e os publishers não estavam felizes com o Kindle e que, por isso, a porcentagem dos royalties, na Apple, iria ser o dobro daquela da Amazon, e ainda que a média do preço dos lançamentos na iBooks seria de 14,99 dólares, em vez dos 9,99 dólares da Kindle Store [este, na realidade, um tiro a sair pela culatra – afinal, quem preferirá pagar mais caro pelo mesmo livro eletrônico?]. Jeff Bezos, fundador da Amazon, deve ter passado o semestre inteiro ouvindo admoestações…

Sua primeira medida foi anunciar, ainda no primeiro semestre, que inverteria a porcentagem dos royalties, em favor das editoras [equiparando-se à Apple, a partir de junho]. E sua segunda medida foi baixar o preço do Kindle, para menos de 200 dólares, quando o iPad [o modelo mais barato] custava mais de 400 dólares. Agora, no segundo semestre, a resposta veio um pouco mais contundente.

A Amazon lançou a terceira geração do Kindle, com uma versão que custa pouco mais de 100 dólares [sem 3G, só Wi-Fi]. A intenção de Bezos – declarada em recente entrevista a Charlie Rose – não é competir com o iPad. “Por que as pessoas não podem ter mais de um aparelho? E por que não investir num aparelho exclusivamente para leitura?”, indagou. Alfinetou, logicamente, a Apple dizendo que o maior uso do iPad, até agora, era para jogar games… E reforçou que o maior acervo de livros eletrônicos ainda é o da Amazon, com 630 mil títulos e com 1,8 milhões de obras em domínio público.

O novo Kindle, ainda por cima, aumentou sua capacidade para 3,5 mil livros, um mês de bateria e 50% a mais de contraste. [Enquanto isso, no Brasil, o Alfa já está sendo vendido a R$ 700.] Para encerrar, a Amazon anunciou que, pela primeira vez na história, vendeu mais livros eletrônicos do que no formato hardcover [capa dura, os “lançamentos” dos EUA]. Leitores de todo o mundo, façam suas apostas.

Por Julio Daio Borges | Publicado originalmente em Digestivo Cultural nº 469 | Terça-feira, 24/8/2010

O que falta para um verdadeiro “Kindle Brasileiro”?


Esse artigo é uma “carta aberta” aos desenvolvedores nacionais de leitores eletrônicos e eBooks, junto com uma breve análise de mercado e sugestões de como melhorar seus produtos.

Mercado Global

No final de 2007, a Amazon lançou o Kindle original, um leitor eletrônico de livros, que se integrava à sua loja virtual, oferecendo eBooks diretamente para o aparelho. O Kindle não foi o primeiro produto do mercado, a tecnologia de tela por e-Ink já existia comercialmente há pelo menos 3 anos na época, inclusive com leitores funcionais, como o Sony LIBRIé, no Japão em Abril de 2004 e sua evolução para o mercado global na forma do Sony Reader em Setembro de 2006.

Mesmo com o Kindle não sendo o primeiro aparelho, ele foi maior sucesso comercial em sua categoria pelo simples motivo de ter toda uma estrutura por trás para melhorar a experiência do usuário: os livros podiam ser comprados de forma transparente via rede 3G, o acervo de eBooks era razoável e o preço era justo; essas vantagens estruturais eram tão convidativas, que os usuários até ignoravam as limitações do aparelho propriamente dito comparado com outros já existentes, como a falta de toque na tela, backlight e suporte ao formato ePub.

Apenas recentemente, outras livrarias americanas conseguiram criar uma estrutura similar à da Amazon, como a Barnes & Noble, com seu leitor Nook e a Borders com o Kobo e outros leitores eletrônicos.

Mercado Brasileiro

Aqui no Brasil, apenas nos últimos meses vimos projetos de leitores eletrônicos aparecendo, com todos eles sendo lançados praticamente juntos, a tempo da Bienal do Livro de São Paulo. Até onde eu pude catalogar, temos disponível: o Positivo Alfa, o Coolreaders COOL-ER, o Mix Leitor D e o Braview BR-100-TX; todos com tela e-Ink de 6 polegadas e outras similaridades de hardware.

Apesar de todo o esforço nacional, esses projetos estão fadados ao fracasso se não evoluírem para alcançar o Amazon Kindle, que já está disponível no Brasil desde Outubro de 2009, e com as sucessivas quedas de preço chega mais acessível que os preços sugeridos dos concorrentes nacionais. Isso tudo sem levar em conta a maturidade o aparelho e o serviço oferecido pela Amazon. O único ponto onde os nacionais realmente têm alguma chance é no acervo em português, o que também é apenas uma questão de tempo para a Amazon, tempo que esse que é o limite máximo para os nacionais evoluírem, se perderem essa janela não há mais volta.

Replicando o Kindle

Essa não é uma tarefa fácil, o Kindle já está em sua terceira edição, teve sucessivos updates de software, possui um orçamento desproporcional em R&D [Pesquisa e Desenvolvimento], ou seja, é um produto bastante maduro e estabelecido. Em contrapartida, os leitores nacionais são licenças OEM de leitores genéricos, apenas com localização para o mercado local; em termos de hardware eles mal chegam ao nível da primeira edição do Kindle, já com 3 anos de idade.

Eu sei que é injusto comparar o hardware, todas as telas de e-Ink, de todos os leitores que usam essa tecnologia vêem de um único fornecedor, e a Amazon tem recursos suficiente para trabalhar em conjunto com essa empresa e conseguir prioridade na disponibilidade das inovações, como por exemplo, a última versão da tecnologia, chamada de e-Ink Pearl, hoje apenas disponível no recém-lançado Kindle 3.

Para os leitores nacionais se destacarem, a maneira mais efetiva atualmente é via software e serviços:

Software: o leitor não pode ser apenas uma versão traduzida de um leitor chinês básico, ele precisa oferecer vantagens reais para o usuário, como:

  • Integração melhor com as livrarias online.
  • Text-to-Speech [leitor de tela] em português.
  • Sistemas de bookmark, destaque e anotações.
  • Dicionário integrado em português [o Positivo Alfa já vem com o Aurélio].
  • Interface intuitiva.
  • Tipografia otimizada para e-Ink, com “hinting” de fontes.
  • SDK aberta para desenvolvimento de Apps.

Serviços: o leitor sozinho não é muito atrativo para o consumidor atual de livros, segue alguns exemplos de serviços que agregam valor ao aparelho:

  • Sincronismo de bibliotera pessoal “na nuvem”.
  • DRM Opcional.
  • Softwares leitores alternativos para PC, celulares e tablets.
  • Sincronismo de última página entre softwares e o leitor.
  • Sincronismo de outros serviços, como anotações, bookmark, etc.
  • Sistema se assinatura de periódicos em parceria com jornais e revistas.
  • Loja de Apps e incentivo aos desenvolvedores.
  • Recomendações, “clube do livro”, conteúdo editorial.
  • Integração com redes sociais.
  • Primeiros capítulos de graça.
  • Sistema fácil de publicação direta para os autores.
  • Programa de afiliados.
  • Ofertas periódicas, “livro da semana”, etc.
  • Sistema de empréstimo digital de livros.

Se algum leitor nacional conseguir completar a maioria dos itens dessa lista e conseguir oferecer um preço justo, eu garanto que a próxima Bienal do Livro vai ser predominantemente digital!

A Receita do Bolo

Hardware

  • A tecnologia de tela é padronizada, a única diferença que alguém pode ter nesse aspecto é ter suporte touchscreen, mas mesmo assim isso é apenas uma camada extra sobre a tela de e-Ink padrão, que todos têm o mesmo acesso, ou seja, a tela é commodity! A função de hardware que realmente impacta a experiência do usuário é a conectividade, seja ela via 3G ou Wi-Fi. Os hardwares projetados no Brasil precisam ter isso em mente, e os que licenciam hardware chinês pronto precisam colocar isso no topo da lista de novas funcionalidades para cobrar do fornecedor.

Software / Serviços

  • Interface: Não é segredo que os leitores possuem a mesma base de software: Linux como Sistema Operacional e alguma variante de FBReader como leitor de eBooks; daí pra frente é pura questão de interface gráfica. Os projetos nacionais precisam investir mais em usabilidade, fazer testes com usuários, encontrar e corrigir as partes de software que geram confusão, etc. Para isso é necessário integrar as esquieps de Design, User Experience [“UX”] e Quality Assurance [“QA”].
  • Performance: Os leitores nacionais fazem feio na hora da ação mais simples possível do leitor: virar páginas! e não estou falando do tempo de refresh do e-Ink, eles passam a maior parte do tempo renderizando a página seguinte em memória para finalmente aplicar na tela de uma vez. Uma equipe de engenheiros é fundamental para otimizar o código. Soluções simples, como renderizar previamente algumas páginas em memória, por exemplo, podem melhorar bastante a reputação do produto, e uma boa equipe de engenheiros de programação conhece todas essas técnicas.
  • Text-to-Speech: Esse recurso não é útil apenas para deficientes visuais, qualquer usuário pode passar por uma situação onde precise de um acesso alternativo ao conteúdo, como por exemplo: descoforto ao ler em meios de transporte, receio de tirar o leitor da bolsa/mochila por segurança, etc. Existem vários projetos Open-Source de leitura de texto, alguns até com vozes em português do Brasil, pronta para serem usadas, só precisa ser “colada” pela equipe de desenvolvimento. Segue um exemplo de um fragmento narrado pelo eSpeak com a voz em português, é meio robótica, mas não é muito diferente do que o Kindle oferece em inglês:
    Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, com saudosa lembrança, estas memórias póstumas, Machado de Assis.
  • Softwares de Leitura: Atualmente a Amazon, Barnes & Noble e Borders oferecem seus eBooks tanto em leitores dedicados, como via software para Windows, Mac OS X, iOS [iPhone, iPod touch, iPad], Android e Blackberry. Para se equiparar com esses serviços é necessário pelo menos suportar a plataforma Windows e iOS, e pensando no futuro suportar também Android. O software nào precisa ter todas as funcionalidades do leitor dedicado, mas precisa pelo menos suportar os fortados de eBooks com e sem DRM, e sincronizar as últimas páginas entre eles. Antes de sair programando é necessário estabelecer uma API comum a todos, a partir daí delegar uma plataforma para cada equipe, podendo ser inclusive terceirizadas.
  • Dicionário Integrado: A Positivo saiu na frente com esse recurso, oferecendo o Dicionário Aurélio no Alfa. Mas além disso, existem outros bons dicionários que podem ser licenciados, tudo que precisa é uma boa negociação e uma breve adaptação técnica do banco de dados do dicionário para o formato do leitor.
  • Tipografia Avançada: Quando o assunto são fontes não tem muito pra onde correr, é melhor entrar em contato direto com uma Font-Foundry [empresa que desenha e distribui fontes] que tentar otimizar fontes abertas por conta própria. Poucos fabricantes se dão conta, mas as fontes são fundamentais para a legibilidade do leitor eletrônico, especialmente com as limitações de cores e resolução das telas de e-Ink. O processo e otimizar uma fonte para uma determinada resolução é chamado de “hinting”, onde os designers ajustam os traços dos caracteres para se enquadrarem melhor nos pixels. O recomendável é fechar parcerias com empresas grandes, como Bitstream, Monotype ou Adobe; e não confiar apenas nas fontes simples oferecidas pelos OEMs.
  • SDK para Apps: Esse provavelmente é o passo mais complexo de todos! requer uma grande equipe multi-disciplinar, suporte à uma comunidade de desenvolvedores e todas as burocracias envolvidas na distribuição. Apesar da complexidade, os resultados são bastante promissores se forem bem implementados; e se conseguir usar uma linguagem ou framework já populares é melhor ainda, especialmente usando linguagens de script, como Python ou Lua.
  • Integração com Livrarias: Essa é, de longe, a maior barreira de usabilidade dos leitores eletrônicos atuais: é muito difícil para um usuário leigo comprar os primeiros livros e copiar para o aparelho! A integração com as lojas é simplesmente obrigatória para um produto bem-sucedido. O ideal é o próprio dispositivo possibilitar a compra, mas caso o hardware não ofereça meios de conexão, o uso de softwares gerenciadores integrados às lojas já ajuda nessa tarefa.
  • Cloud Computing: Uma estrutura centralizada de servidores, que guardam dados dos livros, bookmarks, anotações, etc. Esse recurso depende mais da loja de eBooks que do fabricante, mas uma parceria com o fabricante do leitor é fundamental para integrar esses serviços. Isso requer uma equipe de programação especializada em Web e e-Commerce, atém de “SysAdmins”, DBAs e outros profissionais necessários para manter os serviços no ar.
  • Assinatura de Periódicos: Para oferecer um serviço como esse é preciso padronizar modelos de assinatura e cobrança, além de fechar parcerias com jornais e revistas de grande circulação, mas isso é basicamente negociação, o maior desafio técnico é entregar esse conteúdo, o que pode ser resolvido da mesma forma que integração com a loja: preferencialmente via wireless, com opção via software gerenciador.
  • Redes Sociais: Aqui podem ser agrupados uma série de recursos simples, mas que podem impactar bastante a experiência do usuário, como por exemplo: notificações tipo “estou lendo…” no Facebook, trechos de destaque de texto via Twitter, etc. Não precisa de uma equipe muito técnica para isso, apenas bastante criativa, e que entenda as dinâmicas sociais dos amantes de livros.

Conclusão

Executar todas essas idéias é uma missão monumental, e como eu já dei a entender, é muito pouco provável que algum fabricante, livraria ou editora consiga implementar tudo, afinal o custo é bem proibitivo, a mão-de-obra é escassa e a concorrência do Kindle é quase desleal. Mas mesmo assim é algo que eu investiria se tivesse os recursos para isso! o mercado de eBooks tende a crescer bastante. Eu sei que os eBooks nunca vão matar os livros de papel, mas com certeza vão fazer parte da vida de todos em breve!

Este Artigo está licenciado sob Licença Creative Commons Atribuição 3.0 | Por Ronaldo Ferreira | Publicado originalmente em Racum Tecnologia